Purple Rain

Final de tarde de um dia quente de verão, quase a cheirar a férias, no relvado, mantas espalhadas, várias famílias e amigos confraternizavam, acompanhados pelo excelente gosto musical do DJ. As crianças corriam, jogavam à bola, os adultos seguiam atrás delas conversando, dançando e brincando.

Dois rapazes, de cerca de 17/8 anos, munidos de luvas, jogavam ao disco como verdadeiros profissionais, sobre o olhar atento de um bonito cão grande e preto. Ao ouvir os primeiros acordes da música, entre olham-se com cumplicidade e ternura, o disco permanece em repouso, aos seus pés, cortesia do cão, enquanto se abraçam-se e dançam ao som de Purple Rain, de Prince, com movimentos fluídos, descontraídos, de quem o fez dezenas de vezes, beijam-se com naturalidade, desinibidos, sem receios do que poderiam pensar as dezenas de pessoas que circulavam por ali. Felizes… voltam a jogar ao disco quando a música termina! Sorri e pensei “Esquecendo os géneros, iguais  ou diferentes, as ações transmitem sentimentos, e aquele momento foi genuíno e verdadeiramente bonito. Corajosos!” Momentos como este podem ser observado, frequentemente, em muitas capitais europeias, são encarado com naturalidade, sem condenações e juízos de valor, pela maioria, por cá, parece-me que não tanto… E recordei-me, que há pouco menos de 1 ano, duas Encarregada de Educação, em momentos diferentes me pediram “Por favor, ajude-me! Temos que livrar a minha filha desta doença!” ao que retorqui “Na adolescência, é frequente, na fase da descoberta, este tipo de sentimentos. Por vezes, porque é apenas só mais uma experiência, entre tantas outras, outras por uma questão de gostos! Condenar ou punir pode não ser a melhor forma de lidar com a situação. As coisas tendem a resolver-se por si de uma ou de outra forma!” ao que ambas me responderam “Não está a perceber! Não pode ser, está mal!”. Dei de ombros e pensei se estivesse na sua situação, quero crer que não teria esta reação de repulsa mas, quando nos toca a nós e aos nossos, a imparcialidade, a racionalidade e a lógica, por vezes, esfumam-se… neste, como em muitos outros temas!

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