Como bons e verdadeiros cristãos

 No Centro Paroquial, no final de mais uma sessão de catequese, as crianças extravasam as suas imensas energias fazendo o que sabem melhor, brincando. Um estojo anda pelo ar, na outra ponta da sala, alguém o apanha para logo o voltar a arremessar, na mesma direção. Não chega ao destino, não foi um bom arremesso, força insuficiente e um ligeiro desvio de trajetória. Por azar, quis o destino, que uma “senhora mãe”, com o seu petiz pela mão, tivesse um encontro imediato com o estojo. Talvez por o estojo não ser fashion, ou já não se lembrar do que é ser criança, ou porque estava em dia não, ou apenas porque sim, levantou a voz, dirigindo-se ao autor do arremesso, uma criança de 10 anos, exigindo-lhe que se identificasse e, sacando do seu iphone, de última geração, tirando-lhe uma fotografia. Acabrunhada, a criança disse-lhe o seu nome, pedindo desculpa pelo sucedido, enquanto o destinatário do estojo, preocupado, se dirigiu em passos largos à mãe do seu amigo em apuros, contado-lhe de imediato a sua versão dos acontecimentos e alertando que a “senhora mãe” lhe tinha tirado uma fotografia. A criança respira de alívio quando vê a sua mãe a aproximar-se que começa por exigir à “senhora mãe” que apague, imediatamente, a fotografia, tirado sem o seu consentimento e da sua cria. “Senhora mãe” empertiga-se, reclama que não é essa a questão, diz que não apaga porque o telemóvel é dela, mas a braços com uma advogada de peso cede a contragosto para, rapidamente, passar ao ataque. A ladainha de “senhora mãe” seguia a seguinte linha de pensamento “porque me dói a cabeça, porque não se faz, porque sei lá se não arranjei aqui um problema sério, porque, porque …” A mãe pediu desculpa em nome da criança, sugerindo, face ao mau estar referido, que o melhor seria chamar o 112. “Não é caso para tanto mas quero o seu nome completo e os contactos, caso venha a ter algum problema derivado desta situação!”. “Sendo assim, é melhor chamarmos a polícia para que possa apresentar a sua queixa. A polícia, e o seguro, que me parece querer acionar, farão as averiguações necessárias e em sede própria, para verificar se as suas alegações são válidas!” Senhora mãe, furiosa, virando-se para o seu petiz “Vamos embora meu querido, isto não é gente de bem!” mas reconsiderando, antes de abandonar a sala, volta atrás e diz “Doeu-me mesmo!” enquanto saca, novamente, do seu iphone e, sem hesitações, dá uma traulitada, com toda a sua força e raiva acumulada, na testa da outra mãe, acrescentando vitoriosa: “Veja lá se também não lhe doeu!”. Cada uma seguiu o seu caminho, carregando o seu galo (pergunto-me qual terá cantado mais alto nessa noite!!), em mais um feliz final de dia na catequese, cheio de princípios, moral e solidariedade, como todos desejam transmitir às suas crianças.

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