“Tudo começa pelo espanto”

“Os pais sentem o cuidado de ensinar os filhos a poupar e a utilizar de forma parcimoniosa os recursos financeiros, mas sentem menos, como tarefa, o ensinamento da generosidade ou até da indiferença perante o dinheiro quando está em causa aquilo que nenhum dinheiro compra. Os pais investem na transmissão da prudência, mas falam pouco da coragem ou do desprezo pelo perigo. Relevam a astúcia e não tanto o amor pela verdade. A diplomacia no lugar do abnegado amor ao próximo. O desejo de sucesso em vez do desejo de ser e de saber.
(…) Uma das grandes virtudes que precisamos reencontrar é a arte do espanto, pois é verdadeiramente por aí que tudo começa.
(…) O espanto obriga-nos a uma revisão do que sabemos de nós próprios e do mundo. Obriga-nos a recomeçar, como se fosse um nascer. Certamente, que no seu processo, o espanto desarruma e dói. Mas o amor, o conhecimento, a poesia ou a santidade principiam com ele.”
José Tolentino Mendonça in Expresso (29/10/16)

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