Minas do Lousal

Aproveitando esta bela promoção da Via Verde (pontos), fomos conhecer o Centro de Ciência Viva do Lousal, o Museu Mineiro e a Galeria Waldemar, recomendamos a visita guiada (sem custos adicionais).
O Centro de Ciência Viva está muito voltado para a pequenada e até tem uma “exploração” para mineirinhos, o que fez muita sensação por estes lados, para além das “experiências típicas”.

No Museu Mineiro, antiga central elétrica da mina, para além de toda a estrutura, maquinaria, utensílios, muito pesados, necessários para a  manutenção do espaço, maquetes da  mina e objetos relevantes para a época e atividade, podemos observar algumas maquetes, provenientes de uma universidade alemã, cedidas pelo IST ao museu, que reconstituem a estrutura das minas do século XIX/XX.

Na visita à galeria, fizemos um pequeno percurso terrestre passando pelos “edifícios” principais para o funcionamento à mina e ainda junto às lagoas ácidas, enquanto ficamos a conhecer a história da mina, a vida dos mineiros e da aldeia mineira do Lousal.
A Galeria Waldemar encontra-se a 30 metros de profundidade, mas nem nos apercebemos deste facto, e tem cerca de 300m de comprimento. Em busca de pirite, para extrair o enxofre e utilizar na produção de adubos químicos, a exploração chegou a ter galerias a 500m de profundidade; 1 ano e meio depois do fecho da mina, em 1988, todos as galerias ficaram submersas com exceção desta que era a que se encontrava mais à superfície, o que mostra a importância das bombas de extração de água que funcionavam em qualquer mina 24 sobre 24 horas. Conhecemos os paióis, onde eram guardados os explosivos, a Santa Bárbara, padroeira dos mineiros e presente à entrada de qualquer mina, o sistemas das chapinhas numeradas onde cada mineiro tinha uma, intransmissível, e devia colocá-la no chapeiro antes de entrar na mina e retirá-la no final do seu turno, era uma forma de controlar se todos tinham voltado em segurança do seu turno, caso contrário, alguém estava em apuros, um sistema eficaz que ainda hoje é usado nas minas. Alguns dados curiosos, a madeira de eucalipto que “sustenta” a estrutura da galeria ainda é a original; os ratos eram grandes amigos dos mineiros, estes alimentavam-nos, pois quando ouviam os seus “guinchos”, significava que estava prestes a ocorrer um desmoronamento, pois como estes circulavam, regra geral,  nas estruturas superiores da mina, começavam a sentir a compressão que anunciava uma derrocada.

Na década de 40/50, com a concessão da exploração da mina, a ser atribuída à família belga Velge, a mina do Lousal torna-se uma das mais modernas do país e as condições de trabalho e de vida dos mineiros melhoram consideravelmente. É criada, por Frédéric Velge, uma estrutura de apoio social à mina: uma escola, uma maternidade, um mercado, consultórios médicos, etc, a aldeia do Lousal nasce e gira em torno da mina e das suas estruturas. Nos tempos áureos, o Lousal chegou a ter 1350 habitantes, 800 dos quais trabalhavam na mina. As mulheres trabalhavam  à superfície, fazendo a selecção do minério extraído, pois, na época, havia a superstição de que as mulheres não podiam entrar/trabalhar na mina, sem que ocorressem uma série de desgraças. A escola d0 Lousal chegou a ser frequentada por cerca de 300 crianças. Dizia-se que as pessoas só precisavam de sair do Lousal para tirar o bilhete de identidade e para ser sepultadas. No Lousal, podemos observar também as diferenças de estratos sociais pela casa atribuída: nas mais pequeninas viviam os mineiros, depois havia a casas dos pessoal técnico (eletrcistas, etc) um pouco maiores, depois as dos engenheiros e a casa senhorial que pertencia ao diretor da mina.
Junto a algumas infraestruturas da mina ainda se sente o cheiro a enxofre, resultado de 100 anos de exploração e de uma escombreira enorme a céu aberto, que deu origem a um do maior problemas da zona, atualmente: a contaminação das águas do subsolo (em processo de resolução com a instalação de alguns tanques de purificação).
As minas do Lousal foram encerradas devido à inviabilidade económica da exploração: foram descobertas a céu aberto, na China, locais de extração de enxofre e, por outro lado, o enxofre passou a ser uma subproduto barato da exploração petrolífera, como tal deixou de compensar este tipo de extração bem mais dispendiosa. A nível social, o encerramento da mina foi um duro golpe para os habitantes do Lousal. Atualmente, vivem no Lousal cerca de 350 habitantes, a família Velge continua a ter a concessão de todos os terrenos do Lousal, todas as casas e estruturas pertencem, ainda, à família Velge. Uma nova dinâmica está ser construída no Lousal com a casa do Diretor da Mina convertida em turismo rural, a instalação do Centro de Ciência Viva, da Galeria e do Museu do Minério, um núcleo de artesanato e o Armazém (da mina) – um simpático e acolhedor restaurante com pratos alentejano onde ao fim de semana se pode ouvir, à hora do almoço, cantares alentejanos pela voz de grupo de ex-mineiros, que encantou pimpolha mais pequena.

Um dia muito bem passado, cheio de história(s) e experiências novas e divertidas que a pequenada apreciou à brava.

No regresso, parámos na pequena aldeia piscatória da Carrasqueira, perto da Comporta, para observar as suas casas típicas e os últimos raios de sol a incidir no seu belo porto palafítico.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s