Expectativas goradas

“Muitas disciplinas, muita matéria, muitos TPC, é difícil darem conta do recado!” este é o fio condutor, às vezes, com algumas variações/nuances das observações dos pais dos colegas da pimpolha mais velha relativamente ao 5º ano. Lendo nas entrelinhas, e não só, falando curto e grosso: o que os preocupa, desilude, aborrece, parece ser a ausência dos Muitos Bons com que os seus “génios” em potência eram agraciados, frequentemente, no 1º ciclo, não que não fossem merecidos, atenção!

“Tive 76% no teste de Matemática!” diz a criança para a mãe, que levanta o sobrolho, e diz “Como? Só 76%?”. Caminhávamos atrás deles, foi impossível não ouvir a sua conversa e tive que me conter para não perguntar à mãe que nota teve ela a Matemática, e nas restantes disciplinas, na sua 1ª ronda de testes de 5º ano. Pimpolha mais velha que seguia a meu lado, e também ouviu a conversa, incomodada, talvez por só ter tido mais 1% que o seu colega no dito teste, perguntou-me “Também estás chateada ou triste com a minha nota?”. “Achas que sim?” perguntei-lhe ao que ela respondeu “Hummm… Acho que não, tu sabes que eu estudei! Baralhei-me com os números grandes, parvoíces!”.

O caminho faz-se caminhando, a adaptação faz parte do processo, os métodos de trabalho e de estudo desenvolvem-se, aprimoram-se consoante a necessidade e disciplina, uma nova realidade do 2º ciclo. O trabalho, o estudo, o empenho, a preocupação, o saber e as capacidades individuais são factores cruciais a ter em conta na avaliação do desempenho e não apenas o resultado, evitando assim expectativas/frustrações de parte a parte. A maioria dos pais deseja poder dizer por palavras, atos ou omissões “O meu filho é um génio!”. A realidade é dura e simples:os génios são a exceção à regra, grande maioria das pessoas (crianças e adultos) verificam  a regra, são “medianas”, são pessoas “comuns” e isso não é mau, é o “normal”, o que não impede muitos de serem excecionalmente bons em muitas outras coisas. “Deal with it and let them be! Leave the kids alone!”

Com as suas ânsias, desejos e projeções, alguns pais são os principais formatadores dos filhos, matando neles a curiosidade, a sede do conhecimento e a vontade de explorar novos mundo para além dos livros escolares, aprendem desde cedo a concentrar-se apenas no resultado, a não levantar os olhos dos livros, recusando-se a ver além e para além de… “Give them a break for God´s sake”

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