“Não sejamos hipócritas”

“Todos querem que os filhos sejam calmos, educados, respeitadores, atentos, inteligentes, responsáveis, autónomos, felizes e por aí adiante. Mas a pergunta que faço é muito simples e muito direta. E nós pais [também me incluo, claro] somos aquilo que queremos que eles sejam?  A pergunta é difícil, eu sei, serve para refletir, eu sei.
Queremos que as nossas crianças sejam calmas, nós somos? Ou passamos a vida de um lado para o outro, com o tempo contado ao minuto e mesmo quando estamos em casa, passamos mais tempo a lavar, a secar, a passar a ferro, a aspirar, a cozinhar e os nossos filhos para terem a nossa atenção têm de gritar, fazer barulho, correr, sujar. Será essa a forma ideal de pedirem a atenção dos pais? Não, mas ainda não sabem fazer diferente.

Queremos que os nossos filhos sejam educados e respeitadores, nós somos? Se passamos a vida a gritar com A, B ou C, desligamos o telefone e dizemos “este piiiii não pára de me ligar” ou vamos no trânsito e a cada quilómetro sai um “piiii, piiii, piii”. Creio que desta forma será difícil para a criança assimilar o que é a educação e o respeito porque nós somos o seu modelo e é do nosso exemplo que eles retiram as suas referências.

Queremos que os nossos filhos sejam atentos e inteligentes, nós somos? Não há pai nenhum que não deseje estes dois pontos, mas trabalhamos e esforçamo-nos para isso? Ao deitarmos os nossos filhos cedo, ao estimulá-los com jogos lúdicos/didáticos [puzzles, construções, quizz, desporto, passeios, ao contrário do amigo e silencioso tablet ou telemóvel], ao regularmos a sua alimentação, evitando os “ices”, as “olas” ou qualquer tipo de refrigerantes, ao substituir os aparelhos eletrónicos no quarto por histórias que os apaixonem e estimulem a sua imaginação, criatividade e interesse, aí sim, estamos no bom caminho.

Queremos que os nossos filhos sejam responsáveis e autónomos, nós deixamos? A mãe e o pai devem estar sempre lá, sim, concordo, mas às vezes devemos estar apenas a observar, ao longe, deixando que eles façam, errem, caiam porque só dessa forma conseguirão ser autónomos e responsáveis. Se continuarmos a fazer tudo por eles, a calçar os sapatos, a meter os livros dentro da mochila, a avisar as horas disto e daquilo, a dar banho, a dar de comer, entre outras tarefas. A autonomia e a responsabilidade constroem-se, deixemo-los percorrer o caminho sozinhos, mantendo um olhar atento e apoiando quando necessário.

Queremos que os nossos filhos sejam felizes, nós somos? Ensinemos as nossas crianças a valorizar o simples e o especial, como correr na areia, mergulhar no mar, rir, cantar, saltar na cama, andar descalço, respirar fundo.  Ao vivermos na simplicidade, será mais fácil descobrir a felicidade, ela está nos pequenos momentos, nos GRANDES detalhes.

Sejamos nós [pais] como queremos que eles [filhos] sejam!”

Ângela Rodrigues in blog Às Claras

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