A Contadora de Filmes

Em apenas 80 páginas, somos transportados para o início do século XX, para os tempos aúreos do cinema e o encanto que as películas causavam numa pequena aldeia mineira (extração de salitre), no Deserto de Atacama.

Um mineiro que adora cinema e que não perdia nenhuma das sessões semanais, acompanhado, orgulhosamente, pela sua família. Até ao dia em que fica paralítico, devido a um acidente de trabalho, e a mulher o abandona à sua sorte com 4 filhos e 1 filha e uma pensão correspondente a metade do que auferia a trabalhar. Sem se poder mexer, sem a ajuda dos seus filhos que o carregam em braços, a pobreza, a tristeza e o álcool invadem a sua vida mas o gosto pelo cinema permanece, decide, então, junta os seus escassos dinheirinhos, e quando passa um filme que lhe agrada a história ou os atores, manda, à vez, um dos seus filhos ver o filme para depois recontar, na sua casa, ao serão a toda a família que se aperalta toda para cada sessão, como se fossem todos ao cinema. O pai sentindo-se transportado para a tela dado o poder e a maestria de interpretação e de bom contador de histórias de um dos seus filhos, nomeia-o o melhor contado de filmes da família, passando a ser ele o eleito para ir ao cinema e responsável pelas sessões em sua casa. A fama de excelente contador de filmes espalha-se pela aldeia e todos querem ver as suas interpretações/representações , na sala da família, que consideram, muitas vezes, superiores ao próprio filme. As sessões deixam de ser familiares e passam a albergar muitos em troco de um contributo voluntário e assim a família ganha uma nova, mas pequena, fonte de rendimento.

A pobreza, a dureza da vida, a falta de alternativas e perspetivas, os caminhos tortuosos muitas vezes percorridos para escapar a cada uma das condicionantes anteriores e o fosso entre estratos sociais estão bem presentes no livro, bem como a magia de uma sonho que cai por terra com a chegada da caixinha mágica à aldeia: a televisão! Uma história simples mas contundente, que poderia ou poderá contar a história de alguém real, com um  final triste, à semelhança da maioria das histórias reais da época, contrapondo os filmes que todos adoravam, numa aldeia fantasma carregada de memórias. Um belo livro que se lê num ápice mas nos deixa a pensar!

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