Sobre os Rankings das escolas

Escolas, percursos, contextos escolares e socioeconómicos, professores e métodos de ensino diferentes, mas todos têm algo em comum: o mesmo programa e o mesmo exame nacional, factos inegáveis. Por estas, e outras razões, os rankings das escolas geram muita controvérsia mas são, sem dúvida, um indicador importante (de vários), por muito que a maioria o pretenda desvalorizar ou não o queira reconhecer.
Comparar o público com o privado quando, por exemplo, o número de horas lecionado, na mesma disciplina de exame, é francamente superior no privado, não me parece de todo justo, e este é apenas um exemplo. Entre escolas públicas, os rankings não me chocam absolutamente nada, têm condições similares com o pequeno grande pormenor da massa humana, que faz toda a diferença mas os critérios de avaliação também não são iguais na maioria das escolas, porque será que ninguém se insurge contra isso? Porque muitas vezes, os critérios de avaliação são “adaptados” à comunidade que pretendem avaliar, contendo o tal factor da contextualização, que tanto se fala.
Nos últimos anos, dei aulas em várias escolas que constam sempre no topo dos rankings das escolas públicas e, ao ler várias entrevistas sobre os seus supostos segredos para o sucesso: projeto educativo aliciante, atividades extracurriculares, medidas de apoio, alunos e professores excecionais, etc, ocorre-me apenas a dizer o seguinte: conversa da treta! A minha experiência e poder de observação diz-me que o  factor crucial é o nível de escolaridade, de acompanhamento e as expectativas que os pais têm para os seus filhos, assim como, a “pressão” que exercem e a sua disponibilidade económica para investir na educação dos seus filhos (traduzindo: explicações). Constata-se que nestas escolas públicas, raros são os alunos que não estão carregados de explicações. Ou seja são escolas públicas mas muito semelhantes às privadas, excetuando as condições, mas o mais importante está lá, os pais, o seu nível de escolaridade e as suas aspirações. Não que os outros pais não tenham aspirações ou acompanhem os filhos, muitas vezes, não têm é forma de o fazer pessoalmente e/ou economicamente. Quero crer que na maioria das escolas públicas não se trabalha para os rankings mas para, e em prol dos, alunos e o ritmo de trabalho, a exploração e aprofundamento dos conteúdos depende, e muito, deles e… tenho dito!
Nota: curiosamente, há algum paralelismo entre a aversão aos exames nacionais e aos rankings, porque será?
Um ranking que contém uma pequena caraterização do contexto social-económico das escolas

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s