Marvão e Castelo de Vide

Um passeio de um dia permite visitar estes dois belos locais. Pouco mais de uma dezena de km separa Castelo de Vide de Marvão e ainda pass(e)amos naquela que tem a fama de ser uma das estradas mais bonita de Portugal, a N246-1, ladeada de freixos centenários. Sete freixos centenários estão em falta, arrancados em fevereiro, pela empresa Infra-estruturas de Portugal, com autorização do ICNF, por motivos de segurança rodoviária e estado de saúde e deterioração das mesmas. Decisão, aparentemente, não comunicada, a quem gosta de ter voto na matéria: populares, à Câmara de Marvão e aos demais políticos e quiçá a todo o país. Foi tal a indignação de todos e mais alguns, que no dia da “operação corte”, quando a malta se apercebeu, a engrenagem, que não é um geringonça qualquer, mexeu,  e o Ministro do Planeamento e das Infra-estruturas ainda foi a tempo de “salvar”  3 das 10 previstas para abate. Problematiquinhas, problematiquinhas, à parte, não receeis, com 7 freixos em falta, este túnel de árvores, tem uma beleza singular (apesar do seu plural) e continua a ser uma das estradas mais bonitas de Portugal! Mas vamos ao que interessa…

Castelo de Vide é uma pequena vila com um bonito, e bem preservado, castelo, onde dentro das suas muralhas, passeámos nas ruas do antigo burgo medieval, da torre do castelo esperava-nos uma bela vista sobre a vila e sobre Marvão: imponente, solitário, vigilante, no cima do monte. No interior do castelo, existem três exposições visitáveis: história da vila ao longo dos séculos, achado arqueológicos da zona e métodos de tortura na época da inquisição (esta é de todas a mais impressionante… e horripilante). De seguida, passeámos nas ruas da judiaria, observando os arcos góticos nas portas das casas, o museu da sinagoga e descemos até à fonte da vila. Fizemos um belo de um piquenique num dos jardins da vila e com o estômago aconchegado, num arejado dia de inverno, rumámos a Marvão.

Por uma questão de tempo e porque a pequenada (eram 3+1) não estava muito para aí virada, deixámos as Ruínas de Ammaia para outra visita. Foi uma boa aposta, a pequenada adorou Marvão, subiram às muralhas, brincaram aos piratas e viveram, na sua imaginação, 1001 aventuras, visitámos a Casa da Cultura de Marvão, a antiga prisão e tribunal da vila, e vimos uma sala de aula típica do Estado Novo, com os mapas das ex colónias portuguesas, as ardósias, as carteiras da época com o espaço reservado para o tinteiro, os livros da escola (tão pequenossss, observou pequeno do meio!)… uma verdadeira viagem no tempo. Passeámos nos jardins junto às muralhas, visitámos o castelo onde a cisterna impressionou (capacidade de armazenamento impressionante, cheia, permitiria aos habitantes sobreviver a 6 meses de cerco) e as vistas deslumbraram, com bem disse José Saramago “De Marvão vê-se a terra toda. Compreende-se que neste lugar … , o viajante murmure respeitosamente: que grande é o mundo”. Parámos ainda na Mercearia de Marvão, para comprar uns rebuçados e compotas de castanha (fruto típico da zona), e observámos o comércio 100% tradicional de uma terra em que o tempo passa devagarinho e com calma. O dono estava à conversa com duas nativas e, assim continuaram, quando nos aproximámos da caixa, falando sobre o nosso presidente da república Marcelo e as suas famosas selfies e quando lá iria para poderem ter também eles uma; também demos um ar da nossa graça na conversa, enquanto um casal estrangeiro também já estava na fila para pagar e ele ainda não tinha registado nenhuma das nossas compras. Ninguém tinha pressa e todos apreciam 2 dedos de conversa mas uma das nativas “Bem agora já tens companhia, muita por sinal, vamos andando, logo cá passamos!”. 80 é o número de habitantes de Marvão, o número com tendência a diminuir segundo as gentes da terra “Os velhos morrem e os novos não querem ficar aqui! Há para aí muita casa fechada de gente que só cá vem nas férias. O que nos vale é que temos muitos turistas. Espanhóis com fartura o ano todo. Agora é a altura dos brasileiros, chineses e japoneses e depois vêm de todo o lado!” No entanto, Marvão está pejado de pequenos alojamentos para uma terra tão pequena, o que é bom sinal!

Deixámos a fortaleza “altaneira” de Marvão, e descemos até Portagem, onde passeámos junto ao Rio Sever, numa bela, e bem equipada, praia fluvial com uma ponte, do século XVI, e a torre de pedra onde se controlava o acesso à mesma, extremamente bem conservadas.

Um dia em grande, onde a pequenada brincou muito, aproveitando ao máximo os vários parques infantis que foram encontrando nas suas deambulações.

Para terminar fica a sugestão de um local diferente, simpático, com carácter para pernoitar em Marvão – a antiga estação de comboio- Trainspot.

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