Salinas do Samouco e Alcochete

Num dia um pouco ventoso e cinzento, fomos passear a Alcochete e visitar as Salinas do Samouco. De manhã, passeámos no Sítio da Hortas, antigo porto piscatório convertido em Pólo de Promoção Ambiental mas que, aparentemente, se encontra um pouco ao abandono mas de onde se avista a Reserva Natural do Estuário do Tejo. Passeámos no Pinhal da Areia onde vimos burros mirandeses, a pequenada aproveitou para se exercitar no circuito de manutenção (o próprio está a precisar de manutenção) e onde fizémos um belo de um piquenique.

Já de barriguinha cheia fomos até às Salinas do Samouco, em plena Reserva do Estuário do Tejo, onde percorremos o trilho do flamingo (4,75 km), avistando diversas aves (flamingos, pernilongos, corvos marinhos, garças reais, pilritos, etc) e meia dúzia de burros mirandeses, apreciando a paisagem e a tranquilidade, mirando a ponto Vasco da Gama, ali quase a dois passos, e do outro lado do rio a capital em todo o seu esplendor, sempre assoprados por um vento que não deu tréguas e brindados por um rio, talvez devido à luminosidade, ou à poluição extrema a que tem sido sujeito, ou a ambos, se vestiu de castanho escuro neste dia. Há registo da atividade salineira, nesta zona, desde o século XIII mas é entre 1932 e 1936 que atinge o seu auge chegando a produzir cerca de 77 456 toneladas de sal por ano (cerca de 34% da produção nacional), tendo as salinas uma área de 320 ha. Nos anos 70 (século XX) foram sendo gradualmente abandonadas pois os custos de produção não permitiam concorrer com os preços de mercado (sal originário de França e Itália). Neste momento, são muito poucos os tanques em funcionamento, mas a sua estrutura física foi conservada de modo a garantir a circulação/gestão de água no tanques através de comportas, controlando assim a sua profundidade e salinidade, essenciais à alimentação de centenas de aves que fazem deste o seu habitat ou que aqui procuram alimento, especialmente, na maré cheia.
Uma hora e meia depois do início, mesmo a terminar o percurso, encontrámos as 3 fábricas abandonadas de secagem e produção de bacalhau, que durante 30 anos foram o maior centro de secagem de bacalhau do país.

Concluímos o nosso percurso, com a pequenada já a revoltar-se, embora o percurso fosse plano, 4,75 km são 4,75 km, a observar os papagaios e a malta do windsurf e do Kite surf na praia dos moinhos.
Para terminar o dia, fomos passear na pacata e pitoresca vila de Alcochete, com os pequenos rendidos aos seus encantos e ao seu parque infantil tão temático e ao seu bonito por de sol.
13 km de caminhada, regressámos a casa de alma cheia e quando perguntámos aos pequenos o que mais gostaram neste dia, a resposta foi dada em coro “Ver os pássaros dançar”. Vale a pena parar, observar e contemplar, junto às salinas, as movimentações de centenas de aves que ao mínimo barulho alteram a sua trajetória mas sempre em bando, é simplesmente fantástico. O dia em que vimos os pássaros a dançar!

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