Piodão e Foz de Égua: Uns dias entre serras (parte I)

Sempre que regressamos à Serra da Estrela descobrimos novos recantos e encantos, variadas razões para voltar vezes sem conta, porque fica sempre algo por explorar ou ver; na despedida, prevalece a nostalgia típica do final de umas boas férias e a vontade de ficar só mais um bocadinho a desfrutar de tamanha beleza, paz, tranquilidade e de uma forma de viver e estar tão particular e boa. Foi por terras, montes e vales da Serra do Açor e da Serra da Estrela, que andámos nas nossas mais recentes férias.

1º dia
A caminho de Piodão, parámos para conhecer a Sertã, onde fizemos um belo piquenique junto à ponte velha e a pequenada se divertiu à brava no belo parque infantil.

 

De barriguinha cheia, continuámos viagem, atravessando os montes junto à Central Eólica da Pampilhosa da Serra onde apreciámos a paisagem, a paz e sossego, perturbados apenas pelo som das eólicas. A descida para a bonita e arranjadinha aldeia de xisto de Fajão, estava repleta de amendoeiras em flor!

Na etapa final, desfrutámos da beleza ímpar da estrada que nos leva de Fajão até Piodão. Bem recebidos e instalados, na excelente unidade do Inatel de Piodão com uma vista sobranceira sobre a aldeia, fomos dar um belo mergulho na piscina para sacudir as poeiras do caminho!

2º dia
Passeámos pelas ruas estreitas e inclinadas de Piodão, provámos as suas broas de batata e de abóbora, vimos a sua bonita praia fluvial e constatámos que por estas terras ainda há quem lave a roupa à moda antiga. Finalmente, colocámos, literalmente, os pés ao caminho para ir conhecer Foz d´Égua.

É um percurso pedestre bem assinalado, bonito, acompanhado pelo som da água da ribeira e dos passarinhos, não apresentando grandes dificuldades e à chegada somos compensados com o encontro de duas ribeiras num cenário idílico que faz lembrar outros tempos, onde não falta uma ponte tipo Indiana Jones e um Santuário no cimo do monte. A precisar de descansar, encalorados e com a fome à espreita, fomos refrescar os pés nas ribeiras, água fresquinha, fresquinha, em 5 segundos, os ossos dos pés todos enregelados, e aproveitámos para “picnicar” por ali mesmo. É um local onde apetece estar, pimpolha mais velha leu um dos seus livro, os outros pequenos recolheram pedras das ribeiras,e os adultos contemplaram; infelizmente, a ponte do Indiana Jones estava em manutenção e interdita.

Estava na hora do regresso, o caminha era mais curto e mais fácil desta vez, ainda assim esperava-nos cerca de 1 hora de caminhada. Parámos para nos refrescar e encher as nossas garrafas de água numa nascente que brotava do monte e observar as giestas, os bonitos socalcos, as casas de xisto abandonadas e um agricultor a tratar da sua horta e o caminho, no monte em frente, que nos tinha levado de Piodão a Foz d´Égua. Se no caminho de ida não nos cruzámos com ninguém, talvez por ser mais longo (3,5 km) e mais exigente, no regresso (2,8 km) encontrámos várias pessoas.

À chegada, sentámo-nos a degustar um merecido gelado e a dar dois dedos de conversa com 2 locais que se encontravam em amena cavaqueira, no ritmo típico, dos lugares intemporais onde nada se passa mas tudo acontece, onde as histórias fluem e há tempo para tudo. Louvaram a sua água, “O bacalhau demolhado nela, até tem outro sabor, o melhor deles todos”, os artistas, os filmes e documentários sobre a sua terra e a gente importante que lá tinha casa, indicaram-nos qual era a melhor fonte “a água vem toda do mesmo lado, mas ali não passa pelos canos é mais fresquinha!”. Partilharam um bocadinho da sua história de vida: ambos estavam contentes e felizes por estar de regresso, depois de uma vida de trabalho na grande cidade, onde nada é igual ou tem o mesmo sabor e cheiro que a sua terra, falaram da reserva de cabras, no cimo da aldeia, constaram que as suas ruas, o empedrado típico, não são boas para grandes saltos, como por lá veem tanta vez, e são difíceis de limpar mas a câmara faz um bom trabalho, gabaram-se do multibanco mais próximo estar a 40 km e a 1 hora de viagem de carro, os netos adoram a sua aldeia e correm livres por estas ruas “Aqui não há perigo! Se fosse ali no centro já não podia ser! Tem muita gente e movimento!”, o centro está a 4 ruas de distância e a 3 minutos a pé, perspetivas e ordens de grandeza! Ao partilhar que vinhamos de Foz d´Égua exclamam “UIIII, fizeram uma boa caminhada, ainda por cima com crianças. Vale bem a pena, é bem bonito! Agora, ainda vos espera outro tanto até lá acima ao nosso Inatel, que põe qualquer Pousada de Portugal a um canto!”. Felizmente, apesar de, pela manhã, termos equacionado essa hipótese, optámos por deixar o carro à entrada da aldeia, e com um “Até qualquer dia! Felicidades!” nos despedimos. Depois de quase uma dezena de quilómetros palmilhados, fomos dar um bem merecido mergulho na piscina do tal Inatel, que ao que dizem, e é bem capaz de ser verdade, põe qualquer pousada a um canto, e repousar pois no dia seguinte rumámos ao Parque Natural da Serra da Estrela!

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