Os F´s deste fim de semana

“Mãe, estes dois dias já viste mais televisão que num ano inteiro!” observa pimpolha mais velha. Todos nos rimos mas é um facto! A televisão tem uso, quase exclusivo, da pequenada com horário definido das 19h00-20h00, durante a semana, antes e depois disso, regra geral, está desligada, ao fim de semana, pequenada tem direito a um período mais alargado!
Não é todos os dias que um papa nos visita, impressiona-me a fé das pessoas, os seus sacrifícios, o que as move; surpreende-me o poder de um homem, líder de uma religião, é certo, para movimentar milhares de pessoas só para o verem, ouvirem, tocarem; emocionar-me-ia muito mais se o seguissem pela sua filosofia de vida do que propriamente pela sua presença, mas isso são outros quinhentos. Irrita-me solenemente a cobertura jornalística destes eventos onde se repete a mesma coisa n vezes, onde muitas vezes as imagens falam por si, onde não se justifica estar sempre no ar, onde às vezes o silêncio é de ouro, não precise de traduções, explicações elaboradas ou exultações! Espanta-me, e orgulha-me, a capacidade de organização e de entrega de muita gente de variadas profissões, sem as quais seria impossível, que algo desta envergadura e nível de segurança envolvido, corresse sobre rodas, certamente com alguns precauços mas nada de maior a registar. A crença nas visões de Fátima e nos pastorinhos é algo que me transcende mas não me move, tal como Fátima (que se rege por uma filosofia, economia e “lei” muito própria, a meu ver bastante discutível para dizer o mínimo) mas emociona-me, e respeito, o significado e o valor que assume, aparentemente, para tanta e tanta gente, a sua santificação. Foi bonito e o Papa Francisco, pela mensagem que procura transmitir, pela lufada de ar fresco e abertura de espírito que trouxe à Igreja Católica, merecia uma receção calorosa, mas retenho em mente esta sua frase “É melhor ser ateu do que católico hipócrita”! Quanto ao 1º F, Fátima, tenho dito.

(foto retirada daqui)

Relativamente ao 2ºF, futebol, se o 1º não me move mas toca, este 2º é-me totalmente indiferente independentemente do clube. Não lhe dediquei qualquer tempo nem atenção mas pelo que li, parece-me que ouve quase tanta gente no Marquês como em Fátima, o que pode parecer estranho, mas alguma me diz que isto é um outro tipo de crença!
Relativamente ao 3ºF, festival, pimpolha mais velha esclareceu-nos prontamente que não sabia o que era o Festival da Canção que aquilo que estávamos a ver se chamava “Eurovisão”, toma embrulha. Há largos anos que não via a Eurovisão, tempos houve em que sabia a letra de várias das nossas músicas de cor e a desilusão que era a míngua de pontos que obtínhamos sempre. Este ano, as expectativas eram altas, pela letra lindíssima, pela simplicidade e emotividade na sua interpretação e pelo belíssimo arranjo musical que une na perfeição os itens anteriores, isto é o que define uma excelente canção, o resto é conversa! A esperança tomou raízes quando se começaram a multiplicar os “Twelve points to Portugal”  e em todas as votações Portugal tinha sempre pontos. Caraças, se isto não enche a alma e não faz pensar “Ora aí têm!” a todos aqueles que enxovalharam a música e o Salvador Sobral nos últimos tempos! Ganhámos e com a pontuação mais alta alguma vez atribuída na Eurovisão. E o Salvador continuou a surpreender quando chamou a sua irmã para cantar consigo na consagração final, atribuindo a vitória a ambos, quando durante a mesma disse espontaneamente, “Isto estava tudo comprado, na verdade” ou quando na conferência de imprensa disse “Lancei um álbum, em 2016, and nobody gave a shit!” ou quando nos ensaios usou uma camisola que dizia “SOS Refugees” ou quando nos agradecimento disse tão só e apenas: “Vivemos num mundo de música descartável, de música fast food sem qualquer conteúdo. Música não é fogo de artifício, são sentimentos. Vamos tentar mudar isto e trazer a música de volta, que é o que realmente importa.” A música “Amar pelo dois” já todos conhecem, vale a pena é explorar o seu álbum “Excuse Me”, o tal que “nobody gave a shit”, e apreciar o jazz e a musicalidade que moço transporta em si, esperando que tenha a carreira de sucesso que merece, e isto não tenha sido só fogo de artifício. Que a sua extrema genuinidade, simplicidade e sinceridade não lhe tragam dissabores, o que a maioria acha estranho nele e talvez por isso o critique, e que continue a romper a tendência, predominante, da superficialidade, do politicamente correto, do ser mais um entre muitos, igual a tantos outros!
E sim, já vi televisão que me chegue para um ano :).
Esperança é a fé que nos move a todos!

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