Serra da Estrela: uns dias entre serras (parte II)

Deixámos Piodão, passando em Foz d´Égua, agora de carro o que não tem metade do encanto do que fazendo o percurso pedestre com origem em Piodão, e seguimos em direção ao Parque Natural da Serra da Estrela. Montes e vales a perder de vista, vestidos de amarelo e roxo, repletos de giestas e urze, pintalgados por pequenas e bonitas aldeias serranas como Casal do Rei e Cabeça. Cabeça é a aldeia LED, no Natal, veste-se a rigor e, pela mão dos seus habitantes e as matérias primas da serra: giestas, videiras, pinheiros, etc, se transforma numa aldeia de Natal 100% sustentável.

Seguimos até, à denominada, por muitos, Suíça Portuguesa, a Loriga. Uma bonita terra, a 770 metros de altitude, ladeada pelas imponentes Penha do Gato e Penha do Abutre, e de onde se avistam vales e montes sem fim. Tem uma das mais bonitas praias fluviais por onde já passámos e onde encontrámos um carteira abandonada em cima de uma mesa de picnic. Depois de algumas diligências, descoberto o número de telemóvel do dono, que já se encontrava em Seia, desfrutámos deste espaço, pequenada mais uma vez com os pés de molho, numa água fria, fria mas mais límpida é difícil e aproveitaram, em grande, o parque infantil, enquanto esperávamos que viesse recolher a sua carteira. Fizemos a boa ação do dia e a gratidão do senhor surpreendeu e agradou à pequenada :)!

De seguida, seguimos pela estrada serpenteante até Seia para visitar a cidade, o Museu do Brinquedo e o Museu Natural da Eletricidade. No Museu do Brinquedo, relembrámos o quanto os brinquedo mudaram, ao longos tempos, e com algum não só subsistem com proliferam, como por exemplo os Legos, fizemos corridas de rolamentos, excelentíssimo esposo brincou com o arco entre muitas outras brincadeiras. No Museu Natural da Eletricidade, numa simpática visita guida, ficámos as saber como a água da Lagoa Comprida é utilizada, há uma centena de anos, para produzir eletricidade, o tipo de turbinas, as centrais de controlo e forma como eram geridas antes de estar tudo automatizado, na Centra Hidroelétrica da Nossa Senhora do Desterro I (que está desativada e foi cedida pela EDP à Câmara de Seia)

Ao final do dia, rumámos para a nossa simpática casinha emprestada na típica aldeia serrana de Sabugueiro. As suas ruas têm vestígios dos rebanhos que por ali passam todos os dias, lembrando a atividade que ocupava os seus habitantes e lhe deu origem, em tempos: o pastoreio. Na mais alta aldeia de Portugal, com ressalva para o complexo turístico das Penhas da Saúde estar a maior altitude, o comércio predomina; a venda de queijos, presuntos e artigos de neve, loja sim, loja sim, e também a venda dos famosos cães da serra. Uma aldeia simpática, no coração da serra, com uma localização ideal e central para conhecer os encantos da serra.

 4º dia
1ª paragem – Lagoa Comprida, que observámos com outros olhos e conhecimento, depois da visita ao Museu Natural da Eletricidade, ao longo da subida fomos observando as várias condutas que conduzem a água.

2ª paragem – Mesmo junto às pistas de ski da Vodafone, quem sobe de Seia para a Torre, junto à sua vedação, é um ótimo sítio, com estacionamento, para andar de trenó e brincar na neve. Foi exatamente o que fizemos, o sol brilhava, não estava vento nem muito frio, perfeito!

3ª paragem – Torre só para picar o ponto e ver as modas

4ª paragem – Um sítio de paragem obrigatória e verdadeiramente mágico onde já é tradição fazermos um piquenique: o fabuloso Covão D´Ametade – nascente do rio Zêzere.

5ª paragem – Depois do almoço, rumámos, a Manteigas, direitos ao Centro Interpretativo do Vale Glaciar para o sobrevoar virtualmente e conhecer um pouco da sua história, flora e fauna. Mesmo ao lado, encontram-se os viveiros de trutas que arrancaram um “UAAUUUU” ao pequeno do meio, que não dava grande coisa por elas, ao ser recebido por uma a saltar!

6ª paragem – Poço do Inferno – a estrada que nos conduz a esta bonita cascata parece saída de um filme. Junto à cascata existe um percurso pedestre circular em torno da mesma, pouco mais de 2 km, que estava nos nossos planos mas que nos foi desaconselhado, no Turismo, uma vez que ainda não tinham feito a manutenção do mesmo e a mãe natureza é imprevisível e com estavámos com crianças todo o cuidado era pouco. Fica para a próxima! Na cascata, pequeno do meio teve um dos tratuns pois ao chegar deixou cair um crachá para o meio da lagoa… e teimava em querer ir buscá-lo e os maus não deixaram!

7ª paragem – Penhas Douradas uma antiga aldeia, com as suas casas muito típicas com taipais vermelhos e telhados inclinados, de onde nos dias limpos se avista a torre e os cantões em todo o seu esplendor, mas que agora parece estar completamente abandonada, com exceção da excelente Casa das Penhas Douradas (onde passámos, antes de pimpolha mais nova nascer, dois belos dias, que ainda hoje os pequenos mais velhos recordam alegremente)

8ª paragem – Vale Rossim – um parque de campismo, um resort de yurts, uma bela envolvência e mais uma estância balnear.

5º dia
Passámos boa parte da manhã no Museu do Pão onde a pequenada apreciou, em especial, o workshop com formas e forminhas. Quando lá estivemos anterior, almoçámos no Museu do Pão e gostámos muito mas desta vez decidimos rumar ao Covão da Ponte, fazendo um bocadinho de TT entre a Pousada de São Lourenço e a Cruz das Jogadas (férias sem TT não são férias). Tínhamos o Covão da Ponte só para nós, verde, verdinho, com o rio Mondego ainda um bebé mesmo ali ao pé, um silêncio, uma paz, só perturbada pelos chocalhos dos rebanhos. Enquanto piquenicávamos tivemos a companhia de dois pastores serra da estrela que abandonaram o rebanho para ver se lhes calhava algum dos nossos petiscos, deitaram-se junto à nossa mesa com um olhar suplicante e ali permaneceram, impávidos e  serenos, à espera durante 15 minutos. De repente, um deles levanta-se e zarpa a toda a velocidade, o outro oscila, olha para nós, olha para o seu companheiro, olha para nós novamente com um ar “Não me dão mesmo nada?” e zarpa também a toda a velocidade como quem diz “O dever chama-me!”. O Covão da Ponte é só mais um bocadinho do paraíso, onde tudo flui com muita calma numa bela envolvência.

De barriguinha cheia, seguimos à Cruz das Jogadas contemplando a beleza surpreendentemente simples do vale encantado que se estendia à nossa frente: verdinho, cultivado, com pequenas casinhas e os rebanhos em volta. Chegados à Cruz das Jogadas, deixámos o carro, e iniciámos o percurso pedestre circular com cerca de 6 km. Um percurso que não é muito difícil com exceção da parte final, o último quilómetro é, literalmente, sempre a subir o monte, uma subida bastante íngreme, que deve deliciar cabras e cabritos, já à pequenada arrancou-lhes alguns devaneios “Nunca mais venho! Nunca mais faço mais nenhum percurso. Isto é muito a subir!”, o que é certo é que chegaram ao final, frescos e fofos, já os pais completamente ofegantes e cansado (essencialmente, de os ouvir reclamar!). É um percurso muito bonito, que os especialista aconselham a fazer no outono (início de novembro) para observar as várias tonalidades de folhagem em tons de laranja o que o torna ainda mais esplendoroso. Da vista sobre o vale glaciar e sobre Manteigas, aos fabulosos Pinheiros Oregon para o túnel e toda a encosta repleta de faias, onde parece que ainda é outono, pelo número de folhas secas no chão, é simplesmente fantástico e são estas as recordações que espero que a pequenada prevaleçam na memória da pequenada! Recordações de um bosque encantado coberto de um tapete de outono, apesar de estarmos na primavera, os enormes pinheiros Oregon, as vistas e colorações maravilhosas de todo um vale encantado, o silêncio e a paz perturbados apenas pelo restolhar das folhas à nossa passagem, o martelo de Thor que pequeno do meio encontrou entre os troncos de árvore, o chão repleto de ouriços de castanheiro, os cães da serra que nos receberam ruidosamente e desconfiados na descida das Faias, e antes de iniciarmos a subida vertiginosa, o pastor simpático (talvez seja um deles) que, rapidamente os apaziguou, porque vínhamos por bem mas que nem sempre é assim e tem de proteger o que é seu, numa vida dura, 2 dedos de conversa para matar a solidão do dia e da tarefa. Depois de um dia em grandes, regressámos a casa de alma cheia e com muita pena de as férias estarem a  chegar ao fim.

No último dia, parámos, novamente, junto à estação de ski da Vodafone para deslizar monte abaixo e fazer bolas de neve, em mais um dia quente com o sol a brilhar em todo o seu esplendor e a neve na serra a derreter de dia para dia. Descemos até à Covilhã, passeámos na cidade e utilizámos um dos seus elevadores público para superar a imensidão de escada em determinadas encostas, a pequenada adorou! Fizemos um piquenique junto à UBI e, de seguida, fomos conhecer os dois pólos do Museu de Lanifícios: a Real Fábrica dos Panos, que em tempos foi uma tinturaria de panos e lã, onde as cores mais usados eram o vermelho e o azul, fardamento da guarda e exército real, e a Real Fábrica Veiga onde desde o século XIX até meados do século XX funcionou um centro fabril de transformação de lã e onde está patente as máquinas ou utensílios utilizados nas operações de preparação da lã, a fiação, a cardação (chama-se assim porque a máquina tem um cilindro repleto de cardos) e a penteação. Uma visita muito interessante onde aprendemos várias coisas novas e assim se passaram uns belos dias.

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