Museu do Aljube

Fomos ver o espetáculo infantil deste ano do La Féria,” A Pequena Sereia”,  a pequenada gosta sempre dos seus espetáculos, embora como diria o nosso Salvador Sobral “To much fireworks!”, mas vale a pena. Desta vez, tivémos a benesse de não estar lá o próprio, aos berros, como é seu costume, a vender programas autografados à saída ou à entrada do espetáculo, “técnica” que abomino.
Passeámos na Baixa, vagueámos na feira de artesanato na Praça da Figueira, onde me ri com um dos artesãos quando este falou para mim em inglês “É o mais comum, menina, já nem pensamos!”, apreciando o quão turística está a nossa bonita capital, visitámos a Sé de Lisboa e fomos conhecer o Museu do Aljube.
Aljube – palavra de origem árabe que significa “poço sem água”, “prisão”. O edifício onde se situa o museu foi até ao século XIX um prisão eclesiástica (talvez por ficar mesmo junto à sé, digo eu) para depois se transformar numa prisão de mulheres e, a partir de 1928, passou a ser uma prisão da polícia política associada ao regime. É um museu repleto de informações e testemunhos do que foi viver na época da ditadura: oposição e clandestinidade, os tribunais políticos, a resistência, os presos políticos, as técnicas de tortura, o isolamento, o colonialismo e a revolução dos cravos. No Aljube, existiam 14 “gavetas”, “curros”, compartimentos com 1mx2m, sem luz e condições, onde os presos podiam permanecer por tempo longo e indeterminado, e onde eram sujeitos a uma forte pressão física e psicológica, sempre que o telefone tocava no corredor, tudo ficava ainda mais tenso, era para chamar alguém para ser interrogado. O telefone tem um som estridente e à porta de um dos “curros” parece que ainda agora a tensão é palpável, a pequenada apercebeu-se perfeitamente deste facto e os “curros” impressionaram-nos verdadeiramente. Um museu “forte”, um repositório e tributo à memória de um país e das vítimas do sistema ditatorial que lutaram pela liberdade e pela democracia. Uma visita aconselhável, com tempo, uma mais valia para perceber a importância dos valores democráticos! Gostámos muito, não deixa ninguém indiferente (ou não deveria) mesmo para quem, como nós, nasceu depois da época retratada!

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