Crianças e as suas indagações sobre sexo

No final de um dia de trabalho, pensava para consigo “Isto é apenas uma fase. Tenho que reagir com naturalidade ou eles nunca mais falam comigo sobre o assunto!”. Suspira e respira fundo, tentando adivinhar com que questões ou observações será agraciada dentro de momentos quando os for buscar à escola. Com 8 e 10 anos, os seus filhos, curiosos e permeáveis às conversas que vão ouvindo e tendo com os seus colegas da escola, nos últimos tempos, centraram todas as atenções num único tópico “Sexo”.
As diferenças na fisionomia do homem e da mulher, a sementinha, o óvulo, como se juntam e porque nem sempre se forma um bebé, à palavra feia fo****,  foram tudo temas mais que falados nos último dias  e não vê que mais poderão eles perguntar ou querer saber mas eles têm o dom de a conseguir sempre surpreender.
Prepara-se, mentalmente, para mais um eventual “round”, alimentando, bem lá no fundo, a esperança que outro tema lhes tenha despertado a curiosidade e a atenção. Rapidamente percebe que não, ainda não será desta vez, reza em silêncio para ter paciência e ser assertiva, quando o mais novo dispara “Hoje, a mãe e o pai vão fo****?”.
Sente os olhos a saírem das órbitas e a mente a fervilhar. Respira fundo, conta até 10, lembrando-se que o seu menino só tem 8 anos e não tem noção da crueza e magnitude da sua questão. Afagando-lhe o cabelo, aparentando uma calma que nãos sente, relembra-o que não se usa a palavra fo****, é feia, é uma asneira, que as pessoas que gostam verdadeiramente uma da outra fazem amor e que assim é infinitamente melhor, acrescentando que não se deve perguntar essas coisas a ninguém pois só dizem respeito aos dois e a mais ninguém, é como um segredo entre amigos. O seu menino acena com a cabeça ao seu discurso mas a a sua atenção já está centrada nos LEGOS espalhados pelo chão. Confiante que a sua resposta o aquietou e é invadida por um misto de sentimentos: alívio, embaraço e o de dever cumprido, assunto encerrado.
O pai chega a casa e o menino corre para o abraçar e, em, plenos pulmões pergunta “Quando tu e a mãe fizerem amor, eu e a mana podemos ver?” O pai olha para a mãe, recordando a conversa que tinham tido de “agir naturalmente quando os miúdos falarem sobre o assunto” e diz, sorrindo, naturalmente, “Claro que sim!” e a mãe abraçando ambos, lançando um olhar desconcertado ao marido, diz “Claro que não! Já falámos sobre isso hoje”, o seu menino sorri como quem diz “Há sim?”. Inspira, expira e suspira profundamente, preparando-se para botar discurso sobre a intimidade, e matutando “Here we go all over again! Olha se ele vai contar esta lá para a escola, vai ser bonito vai!”

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