Mixed feelings

Os últimos tempos têm sido dominados por uma verdadeira e avassaladora mixórdia de feelings (bons ou maus não sei mas mixed for sure!). Porquê? Sei lá mas o cansaço impera e:
– tenho mais uma filha finalista, noção discutível mas “segue. segue, segue”, pimpolha mais pequena ingressa, em setembro, nesse mundo “agreste” que é a Escola, ou seja, teoricamente, cá por casa, deixa de haver “bebés” aqueles que só tem que se preocupar em brincar muito. Entre benção de finalista, noite na escola, almoço de fim de ano, última reunião de pais, apresentações bem giras relatando o que foram os seus, e dos amigos, 3 anos de pré-escolar e como eles cresceram, blábláblá, algumas lágrimas vertidas e o diabo a quatro. Essencialmente, o tempo voa, 1ºano here we go again e se a moça está entusiasmada, eu nem por isso.
– tenho uma aborrescente adolescente em full motion cá por casa, em gestos, conversas, temas e interações. A sua observação preferida para tudo e todos é “Bem podre” (com uma entoação muito própria) pois nada neste mundo, em particular no seu obviamente, parece ser com devia e, quando assim é, uma pessoa tem que se manifestar sobre e por qualquer causa e excelentíssimo esposo, sempre que ela começa numa das suas tiradas, diz “Não sei a quem é que esta miúda saiu – tipo refilona- fazes ideia?”. Aguenta e cara alegre, segue, segue, segue, e é esperar que passe… ou então, não :)!
– em formação, voltei a pisar a minha faculdade. As salas, o cheiro, as caras conhecidas de colegas e professores, os anfiteatros cheios de gentes e, de repente, assenta o friozinho na barriga e comento para a minha colega,”filha” da mesma casa, “Ai que ainda alguém me traz um exame de Análise, daqueles cabeludos, onde os números só figuram na enumeração das questões!” que me diz, entre risos, “Eu costumava passar sempre no teu departamento para ver as pautas e era sempre: reprovado, reprovado, reprovado, reprovado, reprovado, 10 e continuava a rima de reprovados e volta e meia lá aparecia mais um ou dois aprovados, nunca com mais de 14, obviamente. Aquelas pautas eram o consolo para qualquer alminha, de outro departamento, não contente com o 11 que lhe tinha calhado numa das cadeiras do vosso departamento ou de outra cadeira qualquer.” Durante 3 dias intensos, voltei a ser uma espécie de aluno, senti na pele e compreendi, ainda melhor, a sua “dor, aprendi imenso e ainda estou em processo de digerir “tanta e boa” informação. Impressionante e inegável é o valor de quem muito sabe e partilha com gosto, humildade, entusiasmo, humor e empatia, o seu conhecimento e criatividade, enchendo de cor ao processo ensino aprendizagem. Faz-nos ter plena consciência da infinidade de coisas que desconhecemos, incentivando-nos a explorar outros mundos e conceções. Mas por outro lado, constatamos que o saber muito não chega, a empatia e o poder de comunicação são essenciais, relembrando e vivenciando algumas sensações dos “old times” da faculdade, há gente cheia de si e dos seu saber absoluto e inquestionável e há ainda aqueles que gostam muito de se ouvir!
– as “não”, ou más, interpretações que muitos fazem do que supostamente ouvem ou leem, talvez para aliviar os seus maus fígados, mas que uma breve análise comprova que não leram ou ouviram nada do que decidem comentar
– não podemos mudar o mundo sozinhos mas há coisas e pessoas que merecem o nosso esforço e respeito e escolhem fazer parte do processo de mudança, por mais pequena que seja. Não deixa de ser chocante, pelo menos para mim, que quem tem o poder de ter um papel preponderante no serviço público, escolhe não fazê-lo por receio de poderes e lobbies instalados. É um direito seu, e obviamente que deve ser respeitado, mas que entristece e nos faz ver o quão pequenina é esta mentalidade portuguesa, onde os “medos” e os intocáveis ainda predominam.
– a vida mostra-nos vezes sem conta que não é um conto de fadas, mas é, certamente, uma história, com bons e maus momentos, que merece ser vivida em pleno por nós, para e pelos nossos, não corresponde muitas vezes às nossas expectativas, envelhecemos, nem sempre como gostaríamos, e mais cedo ou mais tarde, os papéis invertem-se!
Resumindo, melhores dias virão!

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