Antíteses, artigo definido ou indefinido numa vida toda

Observando com atenção, os sinais de alarme são visíveis a olho nu e, nesta fase, quase que já os reconheço, antes de saber “oficialmente” a notícia: a tristeza e alheamento, as mudanças, as desilusões, as perspectivas, as novas rotinas, as preocupações (filhos, guarda, pensões, dinheiro, organização, gerir uma nova realidade, os vários corações em pedacinhos, os sonhos defraudados, etc.) porque, infelizmente ou felizmente, não sei, porque como diz o ditado “Quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro”, nos últimos tempos têm sido mais que muitas as histórias, de gente perto de nós, que descobriu que afinal não é para sempre.
Identifico os pontos comuns (coincidências?) a todos eles: a mesma faixa etária, a mesma vontade de viver a vida como se se tivesse 20 anos, sem grandes responsabilidade e/ou constrangimentos dos filhos – ser livre, encontrar novos amores e deslumbrar-se. As “alegações”, de ambas as parte, sobre o ocorrido e “consequências” são também muito semelhantes, em todas as histórias.
Tudo o descrito em cima não é uma crítica, a nenhuma das partes envolvidas, cada um sabe da sua vida e o que é melhor para si e para os seus, é apenas uma constatação que encaro sempre com tristeza face às revelações.
A observação que, para mim, bate todas sobre estas crises, de meia idade????, deparei-me com ela em conversa com outras mães, quando uma delas entre risos confessou “Sabem, essa é a vantagem de casar com um homem mais velho! Quando ele fez 50, ofereci-lhe um descapotável, para prevenir! Ele ficou todo contente e o assunto ficou arrumado! Agora, temos o descapotável à venda, não faz sentido, raramente o usámos! Eheheheh, se alguém quiser comprar…?!!!” Malta que joga noutra liga, em vários aspetos! O curioso, e que ela não referiu e as restantes presentes não sabiam, é que ela é 2ª mulher do seu marido e que este se separou da mulher, de quem tem 3 filhos, mais ou menos nesta faixa etária. Como sei eu? Dois dos seus enteados, filhos do marido, foram meus alunos, e lembro-me bem da revolta e o turbilhão de emoções/ ressentimentos que vi os miúdos expressarem sobre a separação dos pais, o pai e nova companheira. Ele há coisas… o mundo é pequeno, às vezes demasiado pequenino. Mas já sabem se precisarem de um descapotável, conheço alguém que tem um à venda e que, aparentemente, evitou uma crise!
Quero acreditar que, inicialmente, todos acharam que era para a vida toda (e muitos continuarão a achar) mas para alguns, cada vez mais, foi apenas uma vida toda que terminou e deu início a uma outra vida toda nova. Há algo, que existindo, é inegavelmente para a vida toda: os filhos, convém não esquecer e prosseguir com delicadeza e assertividade.
Nota: A diferença que faz um artigo definido ou indefinido nas antíteses da vida.

Acreditando, esperando, que muitas história serão para a vida toda, como canta e muito bem, Carolina Deslandes.

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