Dia da Mulher

No Dia da Mulher, como é hábito, fui presenteada com umas bonitas flores feitas pelos 2 pequenos mais novos na escola.
Ao jantar, decidi lançar a pergunta “Então e porque é que hoje se assinala do Dia da Mulher?”.
Silêncio.
Pimpolha mais velha diz “Hummm… uma amiga minha contou uma história que umas mulheres que trabalhavam numa fábrica fizeram greve porque ganhavam menos que os homens e depois queimaram-nas!”.
Aproveitei a deixa e falei da diferença salarial, do reduzido número de mulheres na política comparado com o número de homens ou em posição de chefia ou na função de “patrão” em empresas.
Pequeno do meio disse “Sim mas as mulheres são diferentes dos homens. São mais fracas não podem fazer alguns trabalhos que os homens conseguem!”.
Expliquei-lhes que sim, senhor não há como negar o homem e a mulher têm uma constituição física diferente e isso pode ser uma condicionante em determinados trabalhos mas, na generalidade, não é verdade, e em termos de capacidade intelectual isso não se verifica e se desempenham a mesma tarefa com igual destreza e competência devem auferir o mesmo.
Do direito de voto ao Médio Oriente e a África foi um saltinho: casamentos acordados e precoces, “Imagina-te casada com a tua idade com alguém que não conheces? Que te parece?” perguntei a pimpolha mais velha.
“Que horor, isso não acontece!” diz escandalizada.
“Acontece e a muitas meninas ainda mais novas que tu. Como o não poder conduzir, não poder mostrar a cara, cabelo em público, na rua não andar lado a lado com o marido mas sempre atrás, o dever de obedecer ao marido, não poder entrar em cafés, a violência. Acham bem que um namorado/marido bata na namorada/mulher ou vice versa?” pergunto e respondo “Acontece a muitas meninas e mulheres.”
E a cereja no cima do bolo, o momento alto da noite “Tu bates no braço do pai muitas vezes. Sempre ele vai a conduzir e está quase a adormecer!” – gargalhada geral para aliviar a tensão.
Pimpollha mais velha conclui “Isso é diferente. É para ele acordar, é uma questão de segurança!”.
“O dia da mulher é para assinalar que ainda há muitos mulheres que não têm os mesmos direitos que os homens e não sao tratadas da mesma forma: com justiça, respeito e dignidade que merecem embora, no nosso país parece não ser muito assim, já foi e em alguns aspectos ainda é. Felizmente, não é o nosso caso mas é o de muitas meninas e mulheres, nunca nos devemos esquecer disso ou ser indiferentes” e assim terminámos o assunto.
Pequenada ficou um pouco incrédula, a remoer e a digerir o assunto.
A vida é dura, não é uma história de princesas e é especialmente madastra para algumas. Se foi um choque para eles? Provavelmente, mas acho que registaram.
Mais do que fazer ou oferecer flores, neste dia, é importante despertar consciências, alertar, agitar as águas, preparando-os para o futuro e não enfiando a cabeça na areia com “No dia de hoje as mulheres são princesas e o pai faz o jantar e nós oferecemos flores!” para isso todos os restantes dias do ano são ótimos para manter essa e outras práticas do género.
Há muitas “princesas”, eu incluída, aqui, aí e acolá, e este dia, no meu entender, não é dedicado, especialmente, a elas, nós, mas sim a todas as mulheres que gostariam de o ser e alguém ou algo as impede feroz e cruelmente de o ser, destruindo a sua essência.

“Achas que o Dia da Mulher não faz sentido? Este texto é para ti” – um excelente artigo no Expresso cheio de factos e números 

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