Tá-se, Tá-se!

Está explicado o lapso dos D.A.M.A, fazem surf na praia da Areia Branca e este é o seu bar de eleição! Tudo explicado, foram induzidos em erro!
Poucos se podem gabar de não dar erros ortográficos ou de nunca ter tido dúvidas como se escreve determinada palavra, eu cá às vezes até invento palavras, mas são poucas as figuras públicas que se podem dar ao luxo de tamanha arrogância e escapar incólumes! E vida, Às vezes, tem destas coisas… ironias do destino 🙂

Final de mais um ano letivo

Desejosos que as aulas acabassem, o calor e o cansaço sentiam-se na pele e na alma – um mal que aflige uns e outros – professores, alunos e alguns pais! Há uma semana sem aulas e já me ocorreu, mais vezes do que as que gostaria, “Oh pá, venham as aulas que eu não tenho pachorra para estes adultos!” – refletindo aquele sentimento muito português que nunca se está bem.
Num ano que não foi particularmente fácil, nem agradável, mas que já passou, o que assusta é a perspetiva de a tendência ser de piorar, algo que muitos sentem nas entranhas que outros tantos tentam esventrar. Porquê? Um modelo de ensino obsoleto dizem muitos, com razão, provavelmente! Só não sei como se ensina a quem não quer aprender, não por não ter capacidade ou o “veículo” certo ou mais adequado, mas tão só e apenas porque isso envolve esforço e trabalho, e ao que parece isso já passou de moda. Como é que isto se resolve? Sinceramente, não sei! Quando à conjuntura se junta a falta princípio morais e éticos de uns e outros, pais, filhos e alguns professores, num jogo em que parece que vale tudo, tudo pode e deve ser questionado, não interessa se está bem ou mal, se és excelente, bom ou mau, interessa é vencer, de preferência agradando, a todo o custo!
Cada vez menos me apetece, falar, escrever sobre a Escola, porque persiste a sensação que não vale a pena, todos têm sempre muito a dizer/opinar mas só quem por lá passa, sabe como elas mordem, e esses, a grande maioria, também já não querem saber, dá trabalho, traz chatices e aborrecimentos e como já ouvi alguns dizer “Não és paga para pensar!”.
O que fica? Alguns alunos, cada vez menos, que não são, necessariamente, os bons alunos mas os que nos fazem sorrir, os que sorriem connosco, os que se envolvem e nos envolvem, os que não acreditam em tudo o que lhes dizemos mas que questionam, que pensam e não têm medo de errar e partilhar, os que são amigos do seu amigo, os que nos alimentam a esperança que nem tudo está perdido porque ainda há bons miúdos e quem queira e tenha gosto em aprender!

Brilliant

Brilliant – é um belo site repleto de desafios divididos em 12 tópicos das áreas da Matemática, Ciência e Engenharia! Bom para exercitar e entreter a mente, rever e aprofundar conceitos.
Subscrevendo, todos os dias, nos enviam um mail com um desafio (várias opções de resposta em que só um está certa) sobre qualquer um dos tópicos e, de tempos a tempos, os challenges do “Keep the streak alive!” que apresenta mais 5 problemas sobre um determinado tópico, acertando vai-se “subindo” de nível e passando aos problemas mais difíceis! Gosto muito, recomendo para “cabecinhas pensadoiras”!!!

A Geometria de Almada Negreiros

“Uma maneira de ser moderno” foi a exposição de Almada Negreiros, patente até há bem pouco tempo na Gulbenkian, que bateu recordes de bilheteira.
No início da exposição, eram dados a conhecer alguns estudos/esboços geométricos do pintor, que sem grande explicação, como quase toda a arte, surpreendiam pela sua espantosa regularidade! Quadrado, triângulos, equações, símbolos que representam diâmetros e um profusão de linhas que parecem ser construções de régua, compasso e esquadro é algo que podemos encontrar nestes esboços mas também no grande painel “Começar” patente na entrada da Fundação, também ele da autoria de Almada Negreiros. Interessante verificar, ouvindo antigas entrevistas do artista, o seu contentamento do perante o convite, em finais dos anos sessenta, para realizar esta obra “É a medida indispensável, necessária e justa para dispor o todo do conhecimento que eu criei”. Curiosamente, “Começar”, foi a sua última obra.
Um autodidata, desde cedo, explora a ideia da geometria como chave da arte visual, os seus muitos esboços geométricos não incluem nenhuma explicação que permita compreender os seus estudos, mas estes acompanharam a sua carreira de 1916 até 1970, experimentalistas, com base na tentativa erro, sistemáticos, exaustivos e, por vezes, obsessivos, criando aquilo que muitos denominam do Cânone de Almada.
Apesar de um vasto espólio de esboços geométricos, escassas são as referências de Almada Negreiros ao seu Cânone e as existentes são muito difíceis de entender e decifrar até porque este utilizava uma notação matemática muito própria – a sua: ele sabia o que estava a fazer, tudo para ele era claro, se o resto do mundo não entendesse, o problema não era seu!
Pedro Freitas e Simão Palmeirim Costa dedicaram-se à análise sistemática dos esboços geométricos de Almada Negreiro, tendo como aliadas a Matemática e a Arte, um estudo moroso e minucioso, reconstituindo, depois de identificar os vários elementos presentes, as suas construções geométricas em Geogebra. Este estudo permite perceber que existem, na obra de Almada, dois tipos de construções: as exatas, as quais foram demonstradas  matematicamente pelos dois autores do estudo e que se poderiam denominar “Teoremas de Almada”, e as aproximadas, para as quais calcularam o erro, muito vezes na ordem de um milésimo, portanto surpreendente boas – a espessura do lápis seria maior do que o erro cometido no traço. Não há dados que permitam concluir se Almada fazia distinção entre estes dois tipos de construção. A explicação rigorosa de dezenas de estudos geométricos de Almada Negreiros pode ser encontrada no livro “O livro de problemas de Almada Negreiros” de Pedro Freitas e Simão Palmeirim Costa . Esta autores dedicaram-se também ao estudo do painel “Começar”e, com base nesse estudo, em abril de 2017, a Fundação Gulbenkian lançou um portal eletrónico dedicado ao painel “Começar” . Pedro Freitas e Simão Palmeirim Costa organizam, frequentemente, visitas guiadas e explicadas ao painel “Começar” para todos os curiosos, amantes da arte e/ou da matemática.

“A divisão simultânea do quadrado e do círculo em partes iguais e partes proporcionais é a origem simultânea das constantes da relação nove/dez, grau medida e extrema razão e prova dos nove.”
Almada Negreiros

“Um ponto que está no círculo e que se põe no quadrado e no triângulo. Conheces o ponto? Tudo vai bem. Não conheces? Tudo está perdido.”
Almada Negreiros

Fonte: Crónica de Jorge Buescu “A Chave da Geometria de Almada” na revista Ingenium de abril de 2017

Pipocas

Irmos os cinco ao cinema sai caro, há prioridades e formas mais interessante de gastar o dinheiro, ser paciente e poupado, na dose certa, são grandes virtudes! Como tal, de quando em vez, temos sessão de cinema cá por casa, patrocinado pelo Tugaanimado, onde nunca faltam as pipocas. Não são as pipocas do cinema mas são muito boas, a prova  é que desaparecem num instante.
Utilizamos uma receita simples que aprendi com uma colega (de casa, nos tempos de faculdade) mas que envolve alguma atenção e agitação. Foi também esta a receita de pipocas que pimpolha mais velha tentou fazer durante o seu período Home alone, não sendo difícil, não foi a escolha adequada para se iniciar nestas lides!

Preparação
Colocar um pouco de óleo a cobrir o fundo de um tacho e açúcar a gosto (costumo usar 1 a 2 colheres de sopa), levar ao lume. Quando o açúcar estiver quase dissolvido, ficando em tons de amarelo, mas antes de ficar em ponto caramelo, colocar o milho espalhado no centro do tacho. Envolver bem, baixar um pouco o lume e ir abanando o tacho frequentemente para que não se queimem as pipocas.
Diz quem já experimentou que a técnica resulta muito bem também com pipocas salgadas mas nós nunca experimentámos.

Velhos do Restelo

Observo a pequenada esparramada, no meio do chão, a jogar um jogo de tabuleiro: falam alto, entusiasmados, conjuram uns contra os outros, vigiam-se para não haver batota, desentendem-se porque nem sempre sabem perder, inventam variantes e novas regras, às vezes, as que lhes dão mais jeito. Brincam e viram os seus quartos do avesso: às bibliotecas, às escolas, aos organizadores de festas e sei lá que mais, gritam, desentendem-se, batem-se, fazem as pazes, desentende-se novamente porque alguém tem que arrumar o que está espalhando pela casa, e nunca foi nenhum deles, chegam a um compromisso, maquinam e conspiram teorias, e práticas, para endrominar os pais, convivem salutarmente como irmãos. Os gadgets não fazem parte do seu dia a dia, desconhecem as password de telemóveis e computadores da casa, embora estejam sempre à coca para ver se as descobrem, às vezes, conseguem e nós voltamos a mudar e eles ficam piursos!
Observo, nos intervalos, a generalidade dos alunos, agarrados ao telemóvel, não olham nem conversam uns com os outros; numa aula durante um discussão entre dois alunos. dei com uma aluna a gravar a cena, justificando o injustificável com “já percebi que quando as pessoas estão a discutir, se virem que estamos a filmar, acalmam-se e param de discutir! Pelo menos lá em casa funciona”, os envolvidos, e eu, obrigámo-la a apagar o vídeo e a aluna prevaricadora ficou recalcitrante; verifico os grupos de whatsup que pimpolha mais velha criou no meu telemóvel, e que ela raramente pede para consultar, e passados 3 ou 4 dias são mais de 2000 “mensagens” trocadas, onde em algumas arrepia-me o tipo de conversa, noutras o tipo de linguagem, noutras as fotografias que partilham e/ou editam, em vários os vídeo de colegas que partilham; em muitas as horas e a frequência com vão surgindo.
Espanta-me ouvir uma mãe de uma menina de 10 anos dizer “A minha filha ficou a jogar Sims até às tantas, quando me fui deitar, ela lá ficou, quando acordei lá estava ela no sofá!” ou o pequeno do meio a dizer que um amigo seu de 8 anos instalou uma aplicação chamada “100 maneira de morrer!” ou o outro que vê todos os filmes  dos youtubers da moda e que agora já se denomina youtuber mas que atenção nunca filma a sua cara, ou aquilo que pimpolha mais velha conta que os seus amigos andaram a ver ou a fazer na rede, que estão sempre online, etc… sem rei nem roque, sem controlo!
Oficialmente e com orgulho, somos uns verdadeiros Velhos do Restelo nesta matéria, os pequenos dizem apenas “Vocês são maus!” mas não insistem, nem ficam ressentidos, já sabem do que a casa gasta. Não sei bem como lidar com estas novas realidades e os novos problemas que elas acarretam ou acarretarão, só sei que me preocupam e muito…!

Queijada de mascarpone e limão

Húmida, levezinha, saborosa!

Ingredientes
50g manteiga
250g queijo mascarpone
1 pacote de natas
150g farinha
150g açúcar
3 ovos
raspa e sumo de 1 limão
1 colher de chá de aroma de baunilha
3 colheres de sopa de sementes de papoila (opcional)
Açúcar em pó para polvilhar

Preparação
Numa taça, bater bem a manteiga com o queijo. Juntar a baunilha, o sumo e raspa de limão, a farinha e o açúcar, batendo bem. Adicionar os ovos, um a um, envolvendo bem. Juntar as natas e sementes de papoila (opcional) e mexer bem.
Levar ao forno pré aquecido a 180º, numa forma de fundo amovível, forrada com papel vegetal, cerca de 30 minutos. Deixar arrefecer antes de desenformar.

Sozinha em casa!

No seu 1º dia útil de férias, pimpolha mais velha foi à escola. Com as temperaturas a rondar os 40º e um ar perto de irrespirável, de tão quente que era, passou o dia a fazer jogos e a confraternizar ao ar livre; vinha esbaforida e perguntou, com um ar suplicante “Achas que amanhã posso ficar em casa?”.  Com o crescimento, a autonomia, a responsabilidade e a confiança devem seguir de mão dada e depois de ponderar e lhe explicar que ficaria sozinha uma belas horas, inclusivamente, à hora de almoço, ao que ela anuiu com “Sim, eu sei!”, ocorreu-me “Porque não? Já tem 11 anos!”.
E, assim foi, tinha como tarefas dobrar as meias secas que estavam no estendal e estender a roupa. A TV, ler os seu livros, pintar os seu mandalas antistress, aquecer e comer o seu almoço, fazia tudo parte dos seus entretens. Sem qualquer gadget com exceção do telefone fixo para ligar caso acontecesse alguma coisa ou se sentisse sozinha. Adorou a experiência de ter a casa só para si. Nos dias seguintes, quis ficar em casa. Por sua auto recriação: fez as camas, arrumou a sua estante, os livros e materiais escolares e ainda passou com a esfregona no chão (não se lembrou do detergente mas não se pode ter tudo), acabou o seu livro, encharcou-se em desenhos animados, telefonou à sua best friend e falaram sobre desenhos animados :), fez limonada, pintou mandalas para toda a família, telefonou à avó para dar dois dedos de conversa, tentou fazer pipocas – percebeu que não ia correr bem, desistiu, lavou o tacho e guardou os ingredientes -, telefonou várias vezes ao pai e à mãe para saber se estava tudo bem, quando chegavam ou pedir alguma indicação, colocou o almoço num tabuleiro e comeu no sofá, descascou a sua fruta e cenouras para comer, assaltou as bolachas mas, essencialmente, fez muitas coisas, mas no seu tempo e à sua vontade, vegetou no sofá e não fez nada, ou seja, férias a seu gosto.
Para a semana, começa as atividades com a escola (muita praia e piscina) e, embora, não confesse, acho que a moça se habituava a esta vida… faz lembrar alguém da família: caseirinha, caseirinha!
Não pegou fogo à casa, nenhum vizinho chamou a segurança social, UFA, UFA, está crescida, e responsável, a miúda!  Já o seu mano parece longe de atingir este patamar, com as suas ideias mirabolantes, experiências malucas e um campo de futebol chamado casa, muito ao género do “Sozinho em casa”! Vamos ver…

Transições

Parte do texto, que recebemos da escola de pimpolha mais pequena, prelúdio ou justificação para uma reunião com todos os pais das salas dos 5 anos e a psicóloga da escola. Terminava com “As turmas só serão divulgadas no final julho”, assim como quem diz “Vejam lá se se acalmam” ou, como diria o outro, “Take it easy!”.
Quando li o mail sorri e pensei, deve haver malta a “stressar” à grande: eles e, por arrasto, os filhos e educadora. Não me lembro das outras duas vezes que vivemos esta transição receber um mail destes, embora a escola seja a mesma, também, tal como agora, não me lembro de sofrermos por antecipação, ou falarmos muito do assunto cá por casa.
Depois há aqueles momentos em que, em conversa com outros pais, percebemos que se calhar, mas só se calhar, somos um bocadinho desnaturados descontraídos de mais, ou que essa é a perceção que têm de nós e com a qual vivemos felizes e contente. Mas quando terminam dizendo, preocupados, “De há uns tempos para cá tem pesadelos com o 1º ano! Acorda a chorar e sobressaltado e diz que quer ficar para sempre na sala dos 5 anos”., pensamos, talvez a descontração e distração seja uma coisa boa 😉
Efetivamente, cada vez me convenço mais que os pais, os pais, estão na origem de muitas cenas e coisas que enfim… podiam ser facilmente evitáveis. Os tempos mudaram, os pais também em alguns aspetos, claramente, para pior, basta falar com qualquer educador ou professor e a 1ª queixa é, geralmente, “O problema, muitas vezes, não são os miúdos, são os graúdos!”

Pessoas realmente importantes

Pimpolha mais velha está a terminar o 5º ano e decidiu, no final de mais um ano letivo, escrever uma carta, talvez um bocadinho, mas só um bocadinho, exacerbada, à sua professora do coração. Da sua diretora de turma, diz que sim, que gosta e que é fixolas mas não há nada como a sua professora do 1º ciclo, essa é, claramente, “The special one”.
Revela bem o papel e a “importância” que tem, ou pode ter, um bom professor do 1º ciclo, o que raramente se verifica nos ciclos seguintes ou pelo menos com tal intensidade.

Fim de semana: o fenómeno

Durante a semana, o difícil é tirá-los da cama: porque têm sono, porque são só mais 5 minutos, porque não me apetece e estou cansado, porque, porque… Ao fim de semana, nenhum destes males os aflige e é ouvi-los, em plenos pulmões, às 7h00 da manhã, ou antes grrr, “Onde é que esconderam o comando da televisão?”
Lembro-me bem de também ser assim e ansiar pelo sábado de manhã para ver os bonecos. Na altura, não havia canais a dar bonecos a toda a hora mas havia este despertador natural, típico em muitas crianças, que os pais tanto adoram quando procuram apenas mais uns minutos de descanso e sossego, porque hoje não é dia de despertador, porque têm sono, porque estão cansados, porque, porque… Tão diferente mas tão iguais, apenas com timings desfasados no tempo e no espaço.

Século XXI ?!

Aborrece-me constatar que, no nosso dia a dia, nos cruzemos com malta ocidental, nova, onde as mulheres têm de pedir autorização ao namorado/marido para cortar o cabelo (e este é que decide o estilo e/ou o tamanho do corte e este dá lá um salto só para ter a certeza que está tudo nos conformes) ou que tenham que pedir autorização para gastar do seu, dela, dinheiro, independentemente, de pretender gastar 1€, 10€ ou 1 milhão e, no final, havendo autorização para gastar, têm que apresentar todas as faturas. Tudo me pareceria tão bem e normal, seja lá o que isso for, se em vez de autorização, buscassem apenas a opinião, ao género de uma parceria onde predomina a confiança, o respeito e a igualdade de direitos e deveres.

 A rapariga contempla-se longamente no espelho, visivelmente satisfeita com a imagem que este lhe devolve – o seu lindo e longo cabelo, cheio de madeixas, habilmente penteado, uma perfeição os efeitos e as suas unhas de gel e a maquilhagem realça a cor dos seus olhos – e pensa que o outro que apregoa que “Ela é linda sem makeup”, não sabe o que diz, ou se calhar até sabe, ela é que não se lembrou da música que mais se adequa a este seu momento:“Ela é linda, ela é special… Ela parte-me o pescoço”.
Olha impaciente para a sua mãe que está quase pronta, faltam os últimos pormenores. Os seus lindo vestidos longos, como é da praxe em qualquer gala ou festa que se preze, aguardam-nas. Não podem chegar atrasadas, é a sua festa de finalista, no próximo ano letivo, já vai para o 5ºano. Uma mulher portanto…

As coisas que se aprendem numa ida, rápida, ao cabeleireiro! Qualquer uma destas cenas de mulheres, e protótipos, me impressiona… e não é pela positiva!

“Good night stories for rebel girls”

Seguindo a linha da coleção Antiprincesas surge agora um livro que reúne 100 mulheres, de várias nacionalidades e interesses que, em comum, têm o facto de terem tido um papel relevante na História e nas suas histórias (ex: Frida Kahlo, Simon Biles, Michelle Obama, Serena Williams). 100 mulheres são ilustradas por outras 100 mulheres, dos príncipes não reza nenhumas destas histórias, é assim o livro infantil intitulado “Good night stories for rebel girls”

Um livro dedicado às princesas, que não almejam um príncipe, mas principalmente construir e governar o seu reino e conquistar o mundo, nem que seja apenas o seu. Um livro recomendado a todos os miúdos e graúdos porque os sonhos não escolhem géneros nem idades.
Vale a pena ver o vídeo e meditar sobre a presença e o papel das mulheres nos contos infantis “tradicioniais”! Contém dados bastante interessantes, os quais, desde cedo, aceitámos sem questionar, de tão enraizados que estavam os contos e os estereótipos mas que não condicionaram o futuro que escolhemos ou será que…?!

Crianças e as suas indagações sobre sexo

No final de um dia de trabalho, pensava para consigo “Isto é apenas uma fase. Tenho que reagir com naturalidade ou eles nunca mais falam comigo sobre o assunto!”. Suspira e respira fundo, tentando adivinhar com que questões ou observações será agraciada dentro de momentos quando os for buscar à escola. Com 8 e 10 anos, os seus filhos, curiosos e permeáveis às conversas que vão ouvindo e tendo com os seus colegas da escola, nos últimos tempos, centraram todas as atenções num único tópico “Sexo”.
As diferenças na fisionomia do homem e da mulher, a sementinha, o óvulo, como se juntam e porque nem sempre se forma um bebé, à palavra feia fo****,  foram tudo temas mais que falados nos último dias  e não vê que mais poderão eles perguntar ou querer saber mas eles têm o dom de a conseguir sempre surpreender.
Prepara-se, mentalmente, para mais um eventual “round”, alimentando, bem lá no fundo, a esperança que outro tema lhes tenha despertado a curiosidade e a atenção. Rapidamente percebe que não, ainda não será desta vez, reza em silêncio para ter paciência e ser assertiva, quando o mais novo dispara “Hoje, a mãe e o pai vão fo****?”.
Sente os olhos a saírem das órbitas e a mente a fervilhar. Respira fundo, conta até 10, lembrando-se que o seu menino só tem 8 anos e não tem noção da crueza e magnitude da sua questão. Afagando-lhe o cabelo, aparentando uma calma que nãos sente, relembra-o que não se usa a palavra fo****, é feia, é uma asneira, que as pessoas que gostam verdadeiramente uma da outra fazem amor e que assim é infinitamente melhor, acrescentando que não se deve perguntar essas coisas a ninguém pois só dizem respeito aos dois e a mais ninguém, é como um segredo entre amigos. O seu menino acena com a cabeça ao seu discurso mas a a sua atenção já está centrada nos LEGOS espalhados pelo chão. Confiante que a sua resposta o aquietou e é invadida por um misto de sentimentos: alívio, embaraço e o de dever cumprido, assunto encerrado.
O pai chega a casa e o menino corre para o abraçar e, em, plenos pulmões pergunta “Quando tu e a mãe fizerem amor, eu e a mana podemos ver?” O pai olha para a mãe, recordando a conversa que tinham tido de “agir naturalmente quando os miúdos falarem sobre o assunto” e diz, sorrindo, naturalmente, “Claro que sim!” e a mãe abraçando ambos, lançando um olhar desconcertado ao marido, diz “Claro que não! Já falámos sobre isso hoje”, o seu menino sorri como quem diz “Há sim?”. Inspira, expira e suspira profundamente, preparando-se para botar discurso sobre a intimidade, e matutando “Here we go all over again! Olha se ele vai contar esta lá para a escola, vai ser bonito vai!”

Ética para um jovem, pai e mãe

Take 1
Conversando, com uma mãe, sobre o teste de inglês do dia seguinte de pequeno do meio e sobre a sua falta de estudo, diz-me ela “Dá-lhe o teste que a tua pimpolha mais velha fez no 3º ano! São sempre iguais! É assim que o meu estuda, não faz mais nada! Quero lá saber! O problema é da professora.”.
Os olhos de pequeno do meio brilham, pensando certamente “Estou safo!”

Take 2
Falando sobre 0 5º ano: a adaptação e as resmas de disciplinas, testes e trabalhos, com uma mãe, minha colega – professora de Educação Física, diz-me ela “Olha tenho lá os três trabalhos escritos de Educação Física do meu filho, devem ser iguais este ano. Posso enviar-tos, estão muito bons! Ele foi buscar muita coisa aos meus livros da faculdade! Ficas já com isso despachado”. Pimpolha mais velha observa, seguindo atentamente a nossa conversa, esperançosa!

Em ambas as conversas, disfarcei o meu espanto, recusei simpaticamente a oferta e enfrentei os olhares da pequenada expressando um clamoroso “WHAT?”, não pronunciado.
Se poderia ter poupado tempo e chatice aos meus filhos e a mim? Provavelmente, sim!
Se teriam tido melhores resultados? É possível!
Então porque não o fiz? Porque sou parva, dirão muitos, com alguma razão, mas essencialmente, por uma questão ética e de exemplo. A responsabilidade de estudar e de fazer o trabalho é deles e como tal devem, desde sempre, habituar-se a, com o seu esforço e trabalho, cumprir na íntegra com as mesmas em toda e qualquer situação.
Se acho benéfico a professora de Inglês dar sempre os mesmos testes? Obviamente que não mas sabendo que tem cerca de 10 turmas e 300 alunos, quase, quase que a percebo!
Se acho que o tipo de trabalhos de Educação Física propostos trazem alguma mais valia para pimpolha mais velha? Tenho sérias dúvidas.
Se partilhei ou fiz alguma observação sobre estas questões com a pequenada? Certamente que não.
Cada um cumpre as suas funções: um a de estudar, se ele não aprender, o problema não vai ser da professora mas dele, mais tarde ou mais cedo; ao outro a de fazer os trabalhos que lhe são pedido, o melhor que conseguir e, a mim, cabe-me procurar transmitir-lhes que os princípios e valores começam, e aprendem-se, em casa, muitas vezes, pelo exemplo que damos ou modelo que decidimos seguir, independentemente do que os outros fazem e das suas atitudes estarem certas ou erradas. A ver se consigo, às vezes, é difícil e a tentação está sempre à espreita!

Um artigo interessante sobre o tema “Is it possible to be both an ethical and a good parent?”

Fernando Pessoa by Salvador Sobral

Admiro-lhe entre outras coisas: o espírito, o sentido de humor, a musicalidade, a expressividade, a maestria e a qualidade com que articula, com naturalidade, este dons. Bons presságios, que o futuro lhe sorria!

“Presságio” de Fernando Pessoa cantado por Salvador Sobral

O amor, quando se revela
Não se sabe revelar
Sabe bem olhar p’ra ela
Mas não lhe sabe falar

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse
Se pudesse ouvir o olhar
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar
Fernando Pessoa

“Treino da mente para gente ocupada”

“Sabes, recebi um mail sobre uma nova formação online gratuita dos mesmo dos Emails efetivos! Inscrevi-me…” comento com excelentíssimo esposo, ao final de uma dia de trabalho. Ele sorri e diz “Recebi o mesmo mail e… também me inscrevi!”. Sintonia…!!!
“Treino da mente para gente ocupada”  é o nome do novo curso que funcionará de forma semelhante ao dos “emails efetivos”, (onde aprendi umas coisas), através do nosso mail recebemos um documento pdf, que podemos abrir quando desejarmos com a lição do dia! Fácil, rápido, indolor e aprende-se sempre! Inscrições até dia 12 de junho, basta indicar o vosso mail e esperar que a lição chegue! Todas as informações aqui

Nota: se não se inscreveram mas estão inscritos, provavelmente é porque alguém considerou que seria benéfico 🙂

Pais do tipo Big Brother?

Devemos controlar os nossos filhos através do telemóvel (e não só)? é um artigo interessante, no qual ando a matutar há um par dias. Retrata uma realidade que ainda não é a nossa, talvez por termos uma verdadeira, ou aparente, política de proteção de dados – a realidade americana (câmaras nas escolas, nas sala de aula, etc., onde os pais têm acesso às imagens “live”).
Provavelmente, daqui a uns anos mudarei de opinião com uma casa cheia de adolescentes, mas por agora não me passa pela cabeça, mesmo que tivesse acesso, estar sempre a monitorizar os meu filhos, numa primeira abordagem porque não se justifica, porque se pode tornar num tipo de obsessão doentia, num jogo de adivinhar e saber ler atos e reações mudas,  mas principalmente porque cada um, eles e eu, tem o direito a ter o seu espaço e nele interagir naturalmente como e com quem entender (dentro das normas), sem estar a pensar que olhos estarão postos em si e que julgamentos farão. Há qualquer coisa de estranho e perverso nesta redoma, com um, aparente, e forte perímetro de segurança, em que se procura controlar criar os mais pequenos (os seus e os alheios).
Por outro lado, na ótica do professor, as câmaras, só por si, colocadas nas salas de aula, eram capaz de ser um elemento dissuasor de alguns comportamentos!

O poder de um simples “obrigada” por pimpolha mais velha

É o título que pimpolha mais velha escolheu, no teste de português, para uma notícia. Não escreveu uma notícia mas uma dissertação sobre o tema, não se pode ter tudo! E que bela dissertação, o princípio parece estar lá! A ver se a moça começa a dar um pezinho na escrita aqui neste humilde estaminé, ela sim, era capaz de nos ensinar qualquer coisita!
“Então e a notícia, onde está?” perguntei “Isso é uma notícia” responde ela segura do seu saber. “Ok, então diz-me lá o que caracteriza uma notícia e onde encontras isso no teu texto” digo-lhe e ela rende-se “Ok, eu sei que não é uma notícia mas com aqueles título não me lembrei de nada! E não fui a única!”. Entre risos começo a dar exemplos de possíveis notícias com o título “O poder de um simples obrigada!”, ela limita-se a dar de ombros, como quem diz não percebes nada disto, e remata com “Tu não és nada criativa!” ao que observei apenas “São notícias ou não, os exemplos que dei?” e entre dentes resmunga “Sim, sim! São!” como quem diz leva lá a bicicleta (nada criativa!)

Este estaminé pelos olhos e mãos de pimpolha mais velha

Quando decidimos brindar aqui o burgo com nova cara, pedi a pimpolha mais velha que, num desenho seu, retrata-se o que por aqui se passa. Ora a moça fez o seu desenho mas depois o mesmo desapareceu, de tão bem que ela o guardou, no meio de tanta ideia e projeto criativo. Este fim de semana deu à costa, depois de uma longa viagem no mundo dos seus muitos rascunhos e rabiscos!
Nota: Sim, lemos-lhes, ou damos a ler, o que por aqui se vai dizendo, especialmente quando são eles os visados, uma vezes antes outras depois de publicarmos, eles riem-se e dizem, “Passa à próxima, essa já lemos” e assim se entretém um bom bocado a avivar a memória.