Tudo dito!

Ao pequeno almoço com pequenada a pastelar, como é seu hábito, sempre que se sentam à mesa, e dizia excelentíssimo esposo “São 7h50, despachem-se temos que sair daqui a 10 minutos!”.
Pequeno do meio observa “Se estivéssemos nos Açores ainda só eram 6h50!”.
Entre risos acrescentei “É isso, deve ser essa a solução. Temos que nos mudar para os Açores. “.
Pimpolha mais pequena responde prontamente “Pode ser!”, como o seu ar, quando é que vamos, é já amanhã.
Pequeno do meio medita e diz “Hummm… não sei, aquilo é mar por todo o lado, come-se muito peixe e eu não gosto muito de peixe!”.
Eu esclareço “Também não gostas muito de carne e olha que eles têm muitas vacas!”.
Ele contrapõe “Nahhh, eles comem muito peixe, não me enganas. As vacas são para o leite”.
Excelentíssimo esposo, como um verdadeiro apreciador de carne, diz “O moço tem razão. Muito peixe e estar sempre rodeado de mar… humm, não sei se era para mim!”.
Eu pensei apenas “Como não?” mas saímos todos com um sorriso nos lábios, quando pimpolha mais velha, que se manteve em silêncio durante esta troca de galhardetes rematou, resumindo muito bem, “Desde que estivéssemos todos juntos, ficávamos bem!”.
E está tudo dito!

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#Mais de quarenta

A mulher, a passagem dos anos, a idade, a imagem, a beleza, e o que realmente é esta amálgama de coisa que muitos mulheres têm alguma dificuldade em (di)gerir, é o que procuram mostrar e desmitificar estes retratos de mulheres com mais de quarenta – um projeto de Cristina Nobre Soares e Mário Pires.

Dedicado a todas a minhas amigas quarentonas :), em breve, vos apanho, não temeis, bem com a todas as mulheres!

Relíquias da adolescência

“Ontem a minha mãe trouxe-me um saco em que guardara aquilo a que chamou as minhas relíquias da adolescência. Havia crachás sem utilidade, medalhas do futebol e um número do boletim do Museu Etnográfico da Graciosa, que ganhei nuns jogos florais. Havia duas fotos do casamento dos meus pais, uma velha edição da Bíblia Sagrada, dedicada pelo meu avô na sua letra trémula – e na qual eu escrevia tiradas subversivas -, e um caderninho de autógrafos com assinaturas de jogadores do Sporting, que eu fora ver jogar em Lisboa.
O futebol estava em todo o lado (…)
Mas foi o caderno do liceu que maior impressão me causou. As aulas estavam todas ao monte – de História, de Inglês, de Técnicas de Tradução. Numas eu ainda tomava alguns apontamentos antes de me aborrecer, noutras nem isso. Nesta fazia a apologia da Alemanha, a que todas as semanas o Miguel Esteves Cardoso elogiava a ética de trabalho e o controlo de qualidade, e na seguinte desenhava foices e martelos.
Em boa parte delas, limitava-me a assentar palpites para a jornada do fim de semana. Nas de Português, punha-me a tirar notas sobre a sátira social em Camilo Castelo Branco e em breve estava a reescrever a história do próprio Camilo, sentado na sua cela, no instante em decidia poupar Simão e Teresa.
Na capa, colara várias fotos, entre as quais uma em que me sentava à máquina, escrevendo com dois dedos apenas. Tudo o mais era o retrato perfeito da minha adolescência: arrogância, confusão ideológica e a capacidade de concentração de uma barata. Para dizer a verdade, nem sei como acabei o liceu.
Meus pobres pais.
Podemos aprender muita coisa com os nossos cadernos da escola. A mais importante é que mudámos pouco. No essencial, eu continuo aquele rapaz de 15 anos a quem só interessava jogar à bola e escrever histórias. Sem jeito para o futebol, é um milagre que me tenham deixado viver de escrever histórias. A minha esperança é que não cheguem a descobrir que continuo a escrever só com dois dedos.” 
Joel Neto in Vida no Campo

O urbano, o culto e o ignorante

“O tipo de urbano em que eu me estava a transformar era exatamente aquele que não queria. Culpa da cidade, mas em pequeníssima escala. A cidade tem sido bem-aventurança para muitos, e também já o foi para mim. Culpa minha, sobretudo, e por isso mudei-me eu.
O tipo de urbano em que eu me estava a transformar nunca arrisca e raramente experiementa. É céptico por disciplina militar e absoluto quase sempre. Vive refém da sua personagem e, na dúvida, protege a pele.
(…) em nenhum momento ele se pode permitir a ideia de cair no ridículo, e isso não apenas lhe tolhe os movimentos: amputa-lhe os membros.
(…) O tipo de urbano em que eu me estava a transformar está proibido de deslumbrar-se. Desconfia – em suma, é isto. E, quando a vida finalmente nos ensina uma coisa, é que o homem culto acredita. O ignorante, sim, desconfia – o homem culto acredita.”

Joel Neto in Vida no Campo

Bons livros e boas descobertas!

Há hábitos, há a curiosidade, o gosto pela pesquisa e/ou o saber mais, que, por vezes, nos levam a descobrir muito além do que esperávamos, quando não nos ficamos apenas pelas primeiras entradas do google ou seguimos alguns dos links. Uma facto que nunca deixa de me espantar e deslumbrar. Acontece-me com livros, artigos, lugares, pessoas, dados históricos e científicos, receitas, etc., e, por vezes, dou comigo perdida, mas orientada, entre tantas janelas abertas repletas de informação interessante. Registo, aprendo e anoto que, às vezes, a verdadeira pérola, ou a mais preciosa, encontra-se bem escondida como um  segredo bem guardado.
Depois das férias, ainda vivendo na teia de encantamento dos Açores e pensando/preparando um regresso num futuro próximo, entre blogs de viagens e blogues pessoais, encontrei várias referências aos artigos e livros do Joel Neto, cronista, escritor, açoriano de gema, viveu em Lisboa 2 décadas e regressou à sua ilha (Terceira) para ficar?! Entre os livros, em inglês, no Kindle, e as “borlas” que o google dá, escapou-se-me o que é nosso e muitas vezes superior! Tomei nota “Presta atenção”. E, de imediato, senti-me acometida pela febre que só quem adora ler, reconhece, e tipo viciada “corri”, vá, contive-me um dia, para comprar os seus dois últimos livros (Arquipélago e Vida No Campo), sim que, aos nossos, leio-os sempre em papel, são os únicos! Perante o sorriso de excelentíssimo esposo, resignado à ideia que há coisa que nunca mudarão, e há um certo conforto nestas constante da vida, esta é uma delas, espero… e aquela que ele nunca diz mas pensa, assim me dizem os seus olhos,  “Quando se lhe mete uma coisa na ideia, saiam da frente e se for um livro…ui,ui!”
O “Arquipélago” – uma história sobre um homem que não sente os terramotos e uma criança desaparecida. Um livro que nos guia, através das suas personagens e enredo, pelas paisagens e locais da Terceira, ao terramoto de 1980: a destruição, o medo, a vida, a reconstrução, aos vários achados arqueológicos da ilha, encarados com temor desconfiança pela comunidade científica do continente, aos viveres e ritmos do campo, às singularidades de viver numa ilha, às peculiaridades das comunidades pequenas, da familiaridade às suas tricas, guerrilhas e desconfianças e um passeio pela fabulosa, mas traiçoeira, natureza e psicologia humana, cheia de certezas mas coberta de incertezas. Um livro que nos transporta à ilha, quase que conseguimos sentir o seu cheiro tão característico, nas palavras do Joel “a erva húmida, leite morno e bosta de vaca” e ouvir o som ensurdecedor dos cagarros, numa noite verão. Relembra-nos terras e lugares que já pisámos e apreciámos, se calhar, não tanto como devíamos, obrigando-nos a vê-los segundo uma nova luz e outro prisma, aguçando-nos, ainda mais, a vontade de voltar (e aqui excelentíssimo esposo suspira e eu digo “Temos de voltar e fazer as pazes com a Terceira”. A última vez aconteceram-nos por lá uma série de peripécias engraçadas, que na altura não achámos grande piada, mas o tempo e idade têm essa capacidade de nos fazer ver as coisas e sítios de outra forma… fica para outro post).
Vida No Campo é uma espécie de diário delicioso, cheio de histórias, pessoas reais e vivências comuns mas ao mesmo tempo singulares e pessoais, características não só do campo mas da insularidade, reflexões, comparações, desejos e anseios de quem já viveu na cidade e agora vive no campo e numa ilha. Essencialmente, a beleza das coisas e das pessoas simples e a constatação que a vida, pois a vida, pode não ser assim tão complicada, é e será sempre uma questão de perspetiva. Um livro que nos deixa saudades dos seus habitantes e de quem lhes dá vida e voz. Numa breve pesquisa, descobri que posso continuar a encontrá-las, todas as semanas, por aqui, na rubrica semanal do Joel Neto, no DN, ou por aqui, o que me deixa com um sorriso nos lábios e feliz e contente da vida! Enquanto espero pelo seu novo livro, agendado para a primavera de 2018!
Em pouco menos de uma semana, algumas horas roubadas ao sono, andei embrenhadas nestas belas histórias. Surpreendeu-me, sorri, refleti, fiquei curiosa, pesquisei um pouco da história e costumes da Terceira, aprendi e gostei muito do processo, da história, da escrita. Os dois livros têm todos os ingredientes que definem um bom livro! Recomendo a leitura, conhecendo ou não, esse pedacinho do paraíso que são os Açores!

Gelado de doce de morango

Para a despedida do verão, agora que, finalmente, chegou a chuva, um gelado fácil e rápido de fazer e também muito bom! Seria melhor ainda se tivesse sido feito com 500g de morangos fresco mas “Quem não tem cão, caça com gato!”, não havendo morango, improvisa-se e utiliza-se doce de morango.

Ingredientes
500g de queijo quark
1 lata de leite condensado magro
1 frasco de doce de morango

Preparação
Misturar muito bem o queijo com o leite condensado. Adicionar o doce, aos poucos, envolvendo bem. Colocar no congelador 3 a 4 horas antes de consumir.

Outono

Um outono invulgarmente quente e incendiário!
Um país que acima do Tejo ardeu praticamente de lés a lés, entre junho e este negro fim de semana de outubro.
Um tempo pautado por muita falta de tento na língua, sentido de oportunidade, bom senso, racionalidade, responsabilidade e sensibilidade a quem lhe compete e, por outro lado, uma sede de “sangue” que não compreendo, no imediato, que vantagens trará para os principais visados, os que tudo perderam e se veem rodeados de nada, para além do negrume e das cinzas, e para restabelecer as nossas florestas e evitar novas desgraças!
Sim, o sistema voltou a falhar, os meios voltaram a ser poucos e sabia-se que o risco era elevado! Se deveria ter acontecido depois do que se verificou em Pedrogão, Mação e por aí em diante, certamente que não!
Quatro meses decorridos, o que teria sido possível mudar naquilo que falhou em Pedrogão? E atenção ao verbo que utilizei: “teria sido” e “não deveria”, que faz toda a diferença.
Para tudo, há burocracias, contratos, concursos, protocolos, prazos, interesses e cenas e coisas a cumprir. Infelizmente, a máquina estatal é lenta, disso eu tenho a certeza! Mas fico contente, por a ignorância ser apenas da minha parte, porque todos parecem saber o que poderia ter sido feito em 4 meses, em cá acho que tenho apenas uma pequena noção do que deveria ter sido feito!
Um dos melhores apontamento, para todos nós, sobre este negro verão/outono.

“Quando é que foi a última vez em que repararam naquele eucaliptal a caminho da terra dos vosso pais? Sim, aquele aonde não levam os miúdos por estar cheio de mato, que eles ainda se aleijam e sujam todos. Quando é que foi a última vez que apanharam pinhas em vez de as comprarem no supermercado? Quando é foi a última vez que sentaram à sombra de um carvalho? A floresta faz muita decoração, é verdade, o verde enche muito olho, é ele e o azul do mar. Diz até que faz bem ao ar que a gente respira. Mas precisa que se torne parte da nossa vida para que possa existir. Sem isso é coisa para arder facilmente.”
Cristina Nobre Soares

Vivências

Conversa entre duas adolescentes no whatsapp:
X – “Já cozinhas?”
Y – “Hummm, às vezes, quer dizer não!”
X – “Acho que com a tua idade já cozinhava!”
X – “Vês a telenovela da TVI?
Y – “Não. Não vejo a TVI!”
X – “Buuuu, com a tua idade já via há bué!”
Y – “Tens facebook?”
X – “Nop! Só mail. Também não tenho telemóvel, só tablet, às vezes!”
Y – “Bem podre! Com a tua idade já tinha isso tudo!”
E a conversa continuava com Y, a cada nova pergunta, sublinhando a ideia que, com a idade de X, já fazia tudo e um par de botas.
Poderiam ter uma grande diferença de idades mas apenas as separam 10 meses e um ano de escolaridade! Ocorre-me apenas dizer caganeirices dos tempos modernos!

Catequese e as cadernetas de cromos

Todos muito compenetrados e afinadinhos na missa de acolhimento da catequese mas o melhor estava para chegar.
No final, senhor padre dá vários recados ao (in)fiéis: a catequese não tem como função ocupar as crianças ou ser um espaço de babysitter, as catequistas desempenham o seu papel voluntariamente em prole da formação de uma nova geração cristã, não sendo por isso criadas dos papás ou de estar sujeitas aos seus desejos e horários, a catequese é para frequentar com assiduidade e não só quando se encaixe nas milhares de afazeres das crianças de hoje em dia. O discurso deixou parte da plateia adulta estupefacta e eu pensei “Dá-lhes com força que ainda mexe!”. A pequenada não mostrou sequer ter ouvido as suas palavras de tão a leste do paraíso que estavam mas o brilho e entusiasmo voltaram de imediato quando o senhor padre anunciou “Este ano, na catequese, vamos ter uma caderneta de cromos. Hoje vão receber todos 3 cromos e, ao longo da vossa caminhada, irão recebendo os restantes!”.
Foi vê-los a correr para o altar, de mãos estendida, para receber a caderneta e os 3 cromos do dia.
Riu-me, ao ouvir uma mãe atrás de mim dizer “Oh não, agora que acabámos a do Pingo Doce, começa a saga de nova, agora com os da catequeses!”.
Pensando cá para mim”Tempos modernos estes em que até na catequese há cromos. É capaz de ser bem eficaz para angariar seguidores assíduos. Desconfio que só vai fazer a 1ª comunhão quem tiver a caderneta completa! Será que há cromos repetidos? Quais serão os cromos difíceis?” Tudo um novo leque de perguntas e interpretações me suscita esta caderneta da catequese, à qual, devo confessar, estou a achar um piadão, é capaz de nos ensinar coisas bem interessantes, não necessariamente, as pensadas pelos seus criadores e pelo Criador.
Uma caderneta de cromos a guardar religiosamente, no verdadeiro sentido da palavra!!!

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Bolachas de amêndoa, quinoa e sementes

Fáceis de fazer, relativamente saudáveis (ora espreitem os ingredientes), estaladiças, não muito doces mas estão cheias de fibra e coisas boas como as sementes da moda que nós muito apreciamos!!! Uma inovação fazer bolachas sem manteiga, sem ovos e sem açúcar (vá o mel, não é açúcar!), foi um sucesso!

Ingredientes
1 chávena de farinha de quinoa (triturei a quinoa)
1 1/2 chávena de amêndoa laminada
1/2 chávena de mel (mal cheia)
2 colheres de sopa, mal cheias, de azeite
1 colher de chá de fermento em pó
Mix de sementes (abóbora, girassol, linhaça,…)

Preparação
Triturar muito bem a quinoa e as amêndoas. Numa taça, juntar a quinoa e as amêndoas e envolver. Adicionar o fermentos e azeite, mexendo bem. Adicionar o mel aos poucos enquanto se envolve muito bem. Com a massa formar uma bola e colocar no frigorífico cerca de 20 a 30 minutos. Colocar a massa sobre uma folha de papel vegetal e sobre a massa estender outra folha de papel vegetal. Com o rolo da massa, sobre a folha de papel vegetal, esticar muito bem a massa e cortar na forma que se deseja as bolachas (utilizei um copo). Colocar as bolachas sobre um tabuleiro, forrado com papel vegetal, e dispor as sementes sobre cada bolacha, calcando um pouco. Levar ao forno, pré aquecido a 180º, cerca de 10 a 15 minutos (é preciso ter atenção porque elas cozem muito rápido)

A não perder!

  • A exposição “Debaixo do seu nariz”, para assinalar os 15 anos na Operação Nariz Vermelho (“15 anos a receitar alegria”), que realça o conceito de humor, riso e palhaços.
    A exposição fotográfica “15 anos, 15 olhares” – a Operação Nariz Vermelha vista através da perspectiva e da lente de 15 fotógrafos.
    Entre 14 de outubro e 19 de novembro, têm um programa diversificado de atividades, dedicada aos mais pequenos, desde a hora do conto, a workshops, consultório dos Dr. Palhaços, espetáculos com os Dr. Palhaços (toda a programação aqui), entre outras.

Sempre apreciei a Operação Nariz Vermelho, é a eles que quando preenchemos o nosso IRS, damos uns trocos, apesar de, felizmente, a nossa pequenada nunca tenha visto os Dr Palhaços. É um “serviço” louvável em prole, e dedicado, às crianças que vivem tempos intermináveis nos hospitais cujo cheiro, tão característico, lhes fica impregnado na pele, entre muitos outros menos bons, onde aprendem a gerir a dor, a desilusão, o não ser como os outros, etc., coisas difíceis para gente tão pequena. Vale a pena acarinhar esta causa, até porque não conhecemos o dia de amanhã, e é bom que a pequenada se aperceba que nem todas as crianças são saudáveis, nem todas podem ir ao parque ou brincar na terra, ajuda-os a perceber o valor, a importância e a liberdade de ser saudável.

Bojardas

Depois de um passeio pelo bonito jardim da Gulbenkian, de contemplarmos o extraordinário painel Começar, de Almada Negreiros e de nos deliciarmos, e refrescarmos, com os deliciosos gelados da IceGourmet (junto ao Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Teles), perdemos a conta ao tempo mas o Luís Caramelo, com seu acordeão, entre histórias e rimas, conduziu-nos até à hora do conto, num belo cantinho do jardim.
Uma ambiente verde, calmo onde se ouviam os passarinhos, as almofadas coloridas e cubos vermelhos cobriam o chão e o poder da voz e da arte de saber contar de António Fontinha e Luís Caramelo transportavam-nos para outro tempo, aquele em que os animais ainda falavam.
Ploc… Qualquer coisa cai sobre o colorido das almofadas, ploc, e depois outra e ploc, mais outra, ploc… De repente, estamos todos a olhar para cima, contadores e plateia, procurando descobrir de onde provinha a “chuva”, e damos por nós a contemplar a dezena de pombos, certamente, encantado e enfeitiçados, pela história e nos deram a honra da sua presença, colocando-se, literalmente, à vontade, não se inibindo de soltar valentes bojardas sobre a malta.
O conto prosseguiu, os bombardeamento também, muitas trocas de lugar, muitas toalhitas para limpar a pontaria certeira de alguns bicharocos mas ninguém desistiu e olhem que a coisa estava crítica, o que só demonstra o poder dos bons contadores de histórias, cativam-nos, deixando-nos suspensos nas suas palavras e expressões, mesmo sob as condições mais adversas, mesmo quando estamos sobre ataque cerrado ou já fomos atingidos.
Com eles aprendemos 2 adivinhas engraçadas que não conhecíamos:

“Uma casa tem 12 damas. Cada uma com quatro quartos. Todas elas usam meias mas nenhum tem sapatos? Quem sou eu?”

A outra já não nos lembramos bem, só da resposta, andamos a ver se entre os 5 a conseguimos parafrasear. Quando conseguirmos coloco-a aqui.
E uma que pimpolha mais pequena conhecia e foi a única a responder, deixando tudo e todos meio perplexos… tinha aprendido com o avô!!

“Verde foi meu nascimento, e de luto me vesti, para dar luz ao mundo, mil tormentos padeci? Quem sou eu?”

 

Música, e cheiros, do acaso

Relaxados e fresquinhos, um banho demorado de mar quente na Ponta da Ferraria tem esse poder, um duche para tirar o sal da pele e prosseguir passeio para a próxima paragem. Os cinco, no mesmo balneário, as vozes animadas das pessoas à espera embalavam e apressavam-nos os movimentos do vestir.
Prontos para seguir viagem, ao abrir a porta do balneário, damos de caras com uns primos afastados que já não víamos há meses e meses. Matámos saudades e trocámos aventuras e impressão das “terras e gentes” açorianas, eles acabados de chegar a São Miguel, vindos do Faial e do Pico (tendo subido lá ao cimo) e nós na ilha há 1 semana.
De repente, as pingas teimam em cair, cada vez mais grossas, e é inegável, começara a chover torrencialmente. O sol que há pouco brilhava, já era, a coisa ficou negra, muito típico por aquelas paragens.
Abrigámo-nos e continuámos em amena cavaqueira, nas ilhas é preciso dar tempo ao tempo, literalmente, aproveitando mais uns minutos que o São Pedro nos facultou, uma vez que eles estavam de fugida na ilha, queriam aproveitar ao máximo, e a  janela de tempo para o banho de mar quente estava quase a terminar, a maré estava a subir.
Desfrutámos desta música do acaso em que a chuva proporcionou todo um outro cheiro e ritmo que até o chão fumegava.
Um encontro altamente improvável, aconteceu, estas pequenas coincidências da vida nunca deixam de me maravilhar! Não fosse o mundo pequeno e as ilhas mais ainda!
Nestas ocasiões lembrome sempre desse curioso, pequeno e espantoso livro que é o Caderno Vermelho de Paul Auster, que retrata precisamente estas pequenas grandes coisas da vida.

Hambúrguer vegetariano

Porque, às vezes, apetece desenjoar da carne e do peixe. Não é um hambúrguer suculento de carne mas é bastante bom, saudável, tem ar e consistência de hambúrguer e é rápido de fazer. Uma refeição leve e diferente e acompanhado por uma saladinha e um pouco de maionese fica espetacular.

Ingredientes (rende 8 hambúrgueres)
200g de flocos de aveia
1 mão cheia de nozes
1 mão cheia de sementes de girassol
1 cebola
1 dente alho
1 curgete
1 cenoura
1 alho francês
1 ovo
3 colheres de sopa de queijo quark
sal e pimenta q.b.
1 fio de azeite

Preparação
Num triturador, colocar os flocos de aveia, as nozes e as semente de girassol e triturar. Adicionar a cebola, o alho, a curgete, a cenoura e o alho francês (cortados grosseiramente). Triturar bem novamente. Juntar o ovo e o queijo quark e temperar com sal e pimenta a gosto. Forrar um tabuleiro com uma folha de papel vegetal e com as mãos fazer bolas do preparado anterior e achatá-las em forma de hambúrguer. Dispor no tabuleiro e colocar 2 ou 3 gotas de azeite em cima de cada um dos hambúrgueres. Levar ao forno, pré aquecido a 180ºC, até ficarem douradinhos (entre a 25 a 30 minutos)

Facebook no seu melhor!!

E eles, os senhores as máquinas do facebook, insistem em escrever-me, desta vez, a incentivar-me a promover (€€€) um post meu que, aparentemente, está a ter mais sucesso que os restantes. A missiva é-me conhecida e volta e meia lá me caí uma no mail, a ver se, desta vez, pega, pensarão eles. O caricato nesta situação é que o post (Do que se alimenta o FB?)que o facebook me convida, agora, a promover, é aquele em que, basicamente, digo mal deles! Está certo, há que respeitar este senhores pela imparcialidade e a promoção da liberdade de expressão… ou então não, é só um dos “problemas” de alguns sistemas serem controlados por máquinas!

Mudança de paradigma?!

Excelentíssimo esposo adora máquina, tudo o que tem botões, mexer, experimentar e há muito que gostava de ter uma Bimby, ou um robot de cozinha do género. Argumentando com o preço e a reduzida capacidade do recipiente para uma família de 5, lá me fui safando. Em tom de brincadeira, costumávamos comentar que eu era Bimby cá de casa.
Com um robot de cozinha de preço bastante acessível disponibilizado a semana passada no LIDL, um dos meus argumentos caiu por terra, e os olhos da pequenada brilharam quando o viram no supermercado, excelentíssimo esposo a quem se aliou a pequenada, montaram o cerco, e moeram-me o juízo com argumentos infindáveis e pronto, assim, me vejo dona de um robot de cozinha, que excelentíssimo esposo promete utilizar com frequência, e para o qual ainda olho com alguma desconfiança sem saber bem o que fazer com aquilo e naquilo.
O leite creme é bom, tem um triturador poderoso e os sumos de fruta são bons, mais não sei nem sei se me apetece explorar avidamente esse, que muito apregoam, como admirável mundo novo, acho que vou deixar isso para excelentíssimo esposo. Não me parece que vá haver uma mudança de paradigma na minha cozinha mas talvez haja na nossa cozinha, o que não seria mau de todo!

Exposição do Miró e outros passeios

Fomos visitar a exposição dos famosos 85 quadros de Miró patente no Palácio da Ajuda. Os tais quadros da coleção do BPN que ninguém sabia que existiam a não ser quando a coisa colapsou, e é só a maior coleção privada de quadros do artista, os tais que estiveram para ser vendidos, só que não. Miró, talvez seja a única boa herança/lembrança que o BPN nos deixou.
Aprecio a “simplicidade e limpeza” do quadros de Miró, sempre gostei, temos algumas réplicas nas paredes cá de casa. Curiosamente, a primeira observação de pimpolha do meio ao contemplar os primeiros quadros desta exposição foi “Hummm…acho que também conseguia fazer um destes!”, exatamente, o que muito pensarão, pensei, dizendo-lhe “É uma questão de tentares! O que às vezes nos parece simples, não é assim tão simples como aparenta. Como a sua maestria e sucesso, ainda nem conseguiu”, a rapariga observou com mais atenção e concluiu “És capaz de ter razão!”.
Fomos deambulando, calmamente, pela sala e a pequenada foi imaginado o que via nos quadros, arrancando uns sorrisos e gargalhadas, a alguns visitantes nas proximidades, com as suas interpretações. Descobri que o Miró tem 1 ou 2 quadros que se assemelham às dos teste de Rorschach, esse meu antigo trauma, e que pequenada é tão boa, provavelmente, melhor que eu a ver lá cenas e coisas e bichos, ao observá-los, tão entretidos e envolvidos na sua imaginação, ri-me interiormente.
Gostámos muito da exposição, divertimo-nos e parvejámos, que também faz falta, e o espaço é agradável e dá para estar à vontade mesmo com pequenos.

De seguida, descemos a Calçada da Ajuda, até ao Palácio de Belém, onde visitámos o Museu da Presidência da República e os jardins do Palácio de Belém (era dia 5 de outubro, por isso estava aberto ao público). Impressionante a galeria de retratos dos nossos presidentes, chama a atenção a de Ramalho Eanes pois parece mais uma fotografia do que uma pintura, pequeno do meio observou com atenção, fez uns cálculos, aos espaços livres e aos anos, e informou-nos “O meu retrato vai ficar ali, por cima do do Marcelo ou do Cavaco. Ainda vai demorar uns tempos porque antes ainda quero ser youtuber! Não se preocupem que eu depois convido-vos para virem cá jantar comigo.” E é isto, aguardemos, portanto…! Os jardins do palácio são bonitos mas, essencialmente, é curioso pisar o local que tantas vezes vemos na televisão, sempre repleto de gente ilustre.

 

Depois rumámos aos famosos pasteis de Belém, para desistirmos logo à chegada, salas cheias de gente à espera, e a fila do take away quase que dobrava a esquina, o preço e o tempo de espera a pagar pelo turismo em massa e de massas! Junto aos pasteis de Belém deambulámos por uma travessa bem catita e ficámos a saber que em Belém também há pasteis de cerveja, não houve tempo para provar, pois já se fazia tarde e havia que pôr os pés ao caminho, a subida da Calçada da Ajuda aguardava-nos e a pequenada todo o tempo reclamou, não há bela sem senão!

Coscuvilhice (e tramas) dos tempos modernos

é falar, em simultâneo, com várias amigas, no Whatsapp, e depois fazer printscreen do ecrã da conversa com X, e colá-lo, no “mural” da Y e da Z, e cascar comentar avidamente o que X disse. Isto quando podiam estar todas a comunicar no mesmo grupo de amigas que têm no Whatsapp.
Coisas e tramas de gajas adolescentes e modernas! Assim que me apercebi desta maravilhosa e edificante técnica, no whatsapp de pimpolha mais velha que, para bem de todos, é o meu whatsapp (uiiii as coisas que eu tenho aprendido, ignorado e corrigido), disse-lhe “Anda cá minha linda, senta-te aqui à minha beira, que te vou contar umas coisitas!”. Tivemos uma bela conversa de pé de orelha sobre os princípios, desenvolvimentos e fins da amizade, do recíproco e da integridade. Assunto esclarecido.