Medalhas Fields ignoram o relógio biológico das mulheres

(…) As Medalhas Fields consituem o mais prestigiado prémio internacional na área da Matemática. São atribuídas pelo ICM (Internacional Congress of Mathematicians), que existe desde o século XIX e têm a particularidade de, como os Jogos Olímpicos, se realizarem apenas de quatro em quatro anos. (…)
Em quase sete décadas de Medalhas Fields, estas foram dadas independentemente da raça, credo político ou da religião. No entanto, a lista das 56 Medalhas Fields até hoje ganhas revela um facto surpreendente: apenas uma foi atribuída a uma mulher – Maryam Mirzakhani, em 2014.
Porquê? Será que as mulheres não têm vocação para a Matemática, talvez por esta ser “demasiado abstracta”? Será que as mulheres matemáticas por mais competentes que sejam, não atingem o nível de excelência necessário a uma Medalha Fields? Será, afinal de contas, a Matemática uma ciência misógina? Ou serão os júris das Medalhas Fields, compostos por uma grande maioria de homens, uma espécie de “Clube do Bolinha”, que discrimina as mulheres?
A resposta é menos conspiradora: a regra dos 40 anos [a medalha Fields só pode ser atribúída a matemáticos com menos de 40 anos] é objetivamente penalizadora para as mulheres.
Pensemos um pouco. Um matemático fora de série, depois da licenciatura e do doutoramento, estará a fazer investigação autónoma a todo o vapor a partir dos 25 anos. Tem portanto, uma janela de 15 anos, até aos 40, de trabalho intensíssimo se pretende ser candidato à Medalha Fields. Nada o pode distrair dos teoremas. Nada de nada (…)
O relógio biológico da mulher é muito mais implacável do que o do homem; esta janela de 15 anos corresponde também ao seu período fértil durante o qual, querendo constituir família, terá filhos. Ora, a concentração total em objectos matemáticos estratosféricos é difícil de compatibilizar com enjoos e ecografias, amamentação e cólicas, mudanças de fraldas e noites em branco. E, apesar dos muitos avanços civilazionais a registar quanto a este ponto, é um facto que o homem médio não partilha totalmente as tarefas da vida familiar com a mulher, sendo esta, em geral, mais sobrecarregada.
Existem grandes matemáticas no século XX e XXI, como se pode facilmente verificar; mas são muito raras as que produzem os seus melhores trabalhos matemáticos antes dos 40 anos. E este atraso devido ao relógio biológico distorce decisivamente o universo dos candidatos elegíveis a Medalha Fields, que são na sua grande maioria homens.
Podemos agora apreciar melhor o que aconteceu no ICM de 2014. (…)
Mirzakhani foi um meteoro que rasgou os céus da Matemática, que quebrou todos os tabus e tectos de vidro com o seu brilhantismo, que mostrou que a Matemática não tem género, nem nacionalidade, nem religião. Foi a primeira mulher a ganhar a Medalha Fields, considerado o Prémio Nobel da Matemática.(…)
A Medalha Fields tem várias regras específicas, entre as quais a de só poder ser atribuída a matemáticos com menos de 40 anos. Numa espécie de amarga ironia cósmica, exatamente a idade com que Mirzakhania desapareceu.
Maryam Mirzakhani foi uma matemática  iraniana, professora na Universidade de Stanford. Nasceu e cresceu em Teerão e quando era criança tinha o sonho de ser escritora. Mais tarde descobriu a Matemática; curiosamente, começou por não ser muito boa aluna. Afirma que na altura não tinha verdadeiro gosto pela Matemática: “Sem entusiasmo, compreendo que a Matemática pareça fria e sem significado. A beleza da Matemática só se revela aos seguidores mais pacientes.” (…)
A sua tese de doutoramente, terminada em 2004, não só resolvia um problema geométrico tremendamente difícil como, pelo caminho, estabelecia novas ligações e resolvia outros dois problemas até aí considerados independentes. Resolver um só destes problemas isoladamente teria sido extraordinário: 99% dos matemáticos jamais atingirão um resultado comparável. (…)
Desde então Mirzakhani espandiu o espectro de áreas em que trabalhava. “Gosto de cruzar as fronteiras imaginárias que as pessoas erguem entre as diferentes áreas”, afirmava “Há imensas ferramentas à disposição e nunca se sabe quais podem funcionar. É preciso ser otimista e tentar relacionar as coisas.” (…)
O legado de Maryam Mirzakhani é muito maior que os seus teoremas. No seu Irão natal os seus feitos elevam-na à condição de heroína nacional. A sua figura e os tabus que quebrou são marcantes numa cultura atávica em relação à condição feminina, sinalizando a necessidade de mudança. (…) sendo hoje um dos principais rostos de um movimento, ainda tímido e incipiente, da igualdade de direitos para a mulher numa socidade profundamente conservadora”
Crónica “Mirzakhani – Glória e tragédia no feminino” de Jorge Buescu na revista Ingenium de julho 2017

Anúncios

Brigada da reciclagem

Cruzámo-nos com vários trios de jovens de caixote do lixo amarelo às costas, no recinto do Wonderland, para que as pessoas, ao longo da sua deambulação, podessem depositar os seus copos, garrafas etc. Uma ideia engraçada e fácil de implementar, gostei! No chão não havia garrafas nem copos de plástico aos montes como é hábito neste tipo de eventos, ou estamos a ficar mais civilizados ou a brigada da reciclagem é poderosa ou então foi pura coincidências, as duas primeiras conjugadas seriam um sucesso estrondoso!

Made in china ou talvez não!

Estava eu, na fila para pagar, na loja do chinês aqui do bairro, quando o senhor à minha frente pergunta ao chinês dono “Tem aqui uma bela loja, sim senhora! Grande e cheia de coisas, vem tudo da China, não é?”.
E o dono, o chinês mor, sorrindo-se esclareceu naquela sua fala muito característica “A maioria dos produtos que encontra aqui na loja são produzidos em Portugal, em Espanha e na Alemanha!”.
Fiquei, tão ou mais, surpreendida que o senhor e o dono riu-se ao ver a nossa cara de espanto, acrescentando “Toda a gente acha que na loja do chinês, tudo vem da china mas não é assim!”
Por curiosidade, quando cheguei a casa fui consultar as etiquetas dos produtos que tinha comprado na loja do chinês do bairro. Surpresa das surpresas, dos 12, nenhum era made in china, e a grande maioria era proveniente de Portugal e de Espanha e uma pequena minoria da Alemanha. E esta hein?

Filme: “O Substituto”

Um filme duro, pesado, triste, sem final feliz, não deixando, no entanto, de ser um excelente filme.
É um filme ao qual é impossível ser indiferente, leva-nos a meditar sobre a imensidão de temas que em 1h30 abrange deliberada e/ou disfarçadamente.
Muito elucidativo sobre a compexidade da mente humana: o papel e a forma como lida com experiências/vivências passadas, transportando e revivendo-as no presente e temendo não conseguir evitar a sua influência e viver com elas no futuro.
Retrata bastante bem que, independentemente, da profissão, cada um de nós tem uma vida pessoal e um bagagem emocional que transporta consigo sempre, embora procure protegê-la, ocultando-a no decorrer do exercício da sua profissão, através de um deliberada indiferença; no entanto, ela está lá sempre presente e constitui uma linha orientadora em muitas das opções e intervenções que escolhemos ter ou fazer, por muito que o tentemos evitar ou esconder.
O nome original do filme é “Detachment” que pode ser, grosseiramente, traduzido por desapego, e é exatemente essa falta de sentimento de conexão que o personagem principal, representado por Adrien Brody (do Pianista), enverga, no seu dia a dia, como um escudo, mas o interesse e a preocupação pelo que o rodeia pautam a sua discreta mas presente e interveniente ação, contrariando a tal indiferença que apregoa. Talvez porque, no fundo, não perdeu a esperança de fazer a diferença na vida de alguém, o que faz dele tudo menos indiferente, colocando-o na linha da frente da batalha, algo que desejava evitar a todo o custo.
A vida não é um mar de rosas e há algumas cravadas de muitos espinhos em que, difícl e infelizmente, conseguimos fazer a diferença ou se fazemos, por vezes, ficamos na dúvida se terá sido para melhor. E sim, isto mexe e tira o sono a uma pessoa, é muito mais fácil assobiar para o lado, apregoando a tal indiferença, do que carregar nos ombros a responsabilidade de tentar/poder fazer a diferença, sem saber se é para melhor, uma lição que aprendi da maneira mais difícil mas que ainda não me tirou a esperança de poder, em alguns casos, fazer a diferença.
Vale mesmo a pena ver este filme, com uma abordagem totalmente diferente do que é habitual e meditar sobre tantas coisas que lá se passam e falam mas também no que não é verbalizado e nas ações!
Gostei muito deste filme que ainda estou a digerir (bom sinal!) e agradeço à Catarina, do blogue (in)sensatez, a sugestão.

Dados curiosos

As alterções climáticas no nosso país nos últimso anos

Nós, no nosso país, o que fomos e o que somos, em números

As nossas “poupanças” comparando com outros países da Europa

O número de filhos de então e os de agora

O sucesso da nossa imprensa na última década e meia

A página da PORDATA no livro das caras é daquelas que merece um verdadeiro LIKE, mostra-nos as coisas sobre outra perspectiva, a dos dados recolhidos, a dos números. Este foi apenas um pequeno apanhado do que por lá se foi publicando nos últimos tempos e que me chamou a atenção.
Nunca esquecer que se deve sempre ter em atenção o tratamento que é feito dos dados, a sua contextualização e as comparações realizadas e a importância de utilizar o nosso sentido crítico fazendo uma pergunta simples “Esta comparação ou os parâmetros avaliados fazem sentido?”. Os números não são, nem nunca serão, tudo e, por vezes, bem manipulados e trabalhados, transmitem-nos apenas a ideia que alguém quer fazer transparecer, e não, isto não é a teoria da conspiração, é um facto, comprovado pelos números (eheheheh, ironia das ironias).

Uma caderno especial

O meu mais estimado, e caro, caderno, é giro que se farta e faz-me viajar assim que olho para ele pois as mini caricaturas são uma réplica das dos notáveis portugueses representados pelo António, cartonista do Expresso, na famosa e bonita estação de metro do Aeoroporto de Lisboa.
Destinei-lhe, ao caderno, grandes voos, ainda não sei bem quais, porque ele é tão bonito que me apetece mantê-lo imaculado ou para registar grandes feitos (não usámos disso por estas bandas, somos tão só e apenas normais, o que é bom, muito bom!) que estarão para se dar, certamente!
Esta pequena obra de arte provém da imaginação de uma simpática artista nacional, a Jessé Chaveiro, que tem um atelier repleto de coisas giras e diferentes feitas em cortiça (malas, colares, castiçais, cadernos, capas para livros e um sem fim de coisas originais e lindas de morrer).
A cortiça que utiliza não é portuguesa, vem de Barcelona pois, segundo me explicou, pelos anos de prática que nos levam, é a que tem melhor qualidade no mercado para realizar este tipo de trabalhos. Calcorreou muito paa divulgar este seu acarinhado e recente projeto, surtiu efeito, algumas das suas peças podem ser encontradas à venda no El Corte Inglês, na loja do CCB, na casa Fernando Pessoa, no palácio Marquês da Fronteira. A peça que mais vende é o castiçal de uma vela.
Podem visitar o seu atelier, de semana no horário laboral, salvo raras exceções, na Av Fontes Pereira de Melo, nº30, 9º, em Lisboa, e deslumbrem-se.

Cúmulo da rapidez

Com a pressa e a necessidade de te despachares até a tomar o pequeno almoço, que gostas de saborear com calma e é uma das tuas refeições preferidas, decorre num ápice. Sentes-te orgulhoso, ao género de missão cumprida, quando dás por teminada a rotina matinal e olhas para o relógio com um sorriso. Só que não! De repente, ocorre-te a razão porque te tinhas que te despachar: ias fazer análises e… surpresa, foi tudo tão rápido, que até se te varreu da mente aquele pequeno grande detalhe de ter de ir em jejum. A agitação dos dias traduzido magistralemente pelo ditado “A perfeição é inimiga da pressa”.  No dia seguinte aperfeiçoas a técnica e, finalmente, podes dizer “Prova superada”

Histórias de uma médica hipocondríaca

“Acabei de fazer a minha 5ª colonoscopia. Estou aqui deitada a descansar.” diz-me ao telefone
“A 5ª? Bolas! Mas o que se passa, desconfiam de alguma coisa?” pergunto
“Não ando bem dos intestinos, alguma coisa não deve estar bem mas eles dizem-me que não, que está tudo nos conformes.” esclarece-me ela.
“Então e o que te disseram desta vez?” pergunto
“Que está tudo bem mas que tenho os instestinos amarelos por causa dos laxantes que tomo. Pudera, sou obstipada, todos os dias tenho que tomar um!” diz-me irritada
Sorri e pensei “Ufa, ok, afinal está tudo bem! É só mais um dos seus episódios!”.
Ao longo dos anos, fui-me habituando ao seu discorrer de doenças, narradas sempre com entusiasmo e sofrimento, todas, segundo os especialistas, essencialmente imaginárias, o que ainda não percebi se a aborrece se a deixa descansada. Já teve de tudo um pouco: faltas de ar horrorosas, dores musculares insuportáveis, maus estares no estomâgo que lhe tiravam o apetite, uma suposta septicémia, palpitações e arritmias, alergias várias e sei lá que mais.
Sempre que um mal, supostamente, a ataca, marca consulta no especialista, já pensando no rol de exames que tem que fazer e nas consequências da nova doença que encontra em si própria e nos possíveis tratamentos que tem pela frente, sofrendo em antecipação, começa desde logo a tomar medicação para o problema deteado, assim ao género de quem considera um voltaren como um ben-u-ron 500g.
Não conheço mais nenhum mas suponho que isto deve ser comum entre os médicos hipocondríacos.
Ao ouvi-la, vou assentindo com a cabeça e meditando no hilariante e caricato da situação e na angústia em que ela vive, provavelmente, porque melhor que ninguém, eles, os médicos, conhecem as armadilhas e trapaças desta nossa máquina e temem-nas tal como todos nós, uns mais que outros, gerindo-as, ou não, cada um à sua maneira.
Quando lhe relato alguma das minhas, felizmente poucas, maleitas, quase que consigo ouvir a mente dela “Humm… será que já tive isto?”, enquanto preocupada, e a tomar as dores com suas, vai disparando pergunta atrás de pergunta.
Recentemente, ao contar-lhe a minha aventuras com as pedras e a minha vesícula diz ela : “Aí só me falta ter essa! Realmente, há muito que não faço um ecografia abdominal e, às vezes, tenho para aqui umas dores!”.
Ri-me sozinha, e com vontade, pensando “Os problemas dos instestinos já foram, agora vai focar-se na sua vesícula!”.
Ser hipocondríaco, é tramado e doentio, mas ser médico e hiponcondríaco é qualquer coisa do outro mundo, é levar ao extremo a máxima “Supera os teus medos” só que em base diária e contínua.

Aqui continuamos

à espera da chuva!
Dizem que é hoje! Dizem também que não vem resolver a seca, suponho que sejam os que acreditam nas rezas e danças da chuva e em milagres… Dizem, dizem, dizem… Haja paciência para as gentes deste país que, com dizia o outro, falam, falam…, tudo criticam, onde nunca nada parece estar bem, a não ser o próprio obviamente, que querem tudo para ontem!
A natureza não obedece aos nossos timings mas mostra-nos, a cada ano que passa, a outra face da moeda da nossa falta de consicência e ação ambiental porque “A vingança é um prato que se serve frio” e acompanhado com muita sede, acrescentaria eu.
Ocorre-me o “Quem semeia ventos, colhe tempestades”, “Quem não tem paciência, não vê a pedra florar!”, “Grão a grão enche a galinha o papo”, entre outros e que, efetivamente, se perdeu muito respeito pela grande sabedoria popular: ditada, vivida e adquirida pela observação milenar, respeitosa e cuidadosa dos ciclos da natureza.

Duas palavras que desconhecia

Ao folhear um livro amarelecido, da 2º classe, em vigor em Moçambique no finais da década de 70, é curioso compará-los com os livros da primária de então, em Portugal. Mudam os cenários, os campos com o horizonte a perder de vista, os tons amarelos e laranjas prevalecem,as habitações típicas, a cor das personagens, entre outras coisas, mas em termos de conteúdo, vocabulário e tipo textos são muito similares aos nossos. Chamaram-me a atenção duas palavras que desconhecia: capulana (pano repleto de cores e motivos, utilizado pelas mulheres como saia ou vestido) e machibombo (uma machine que faz brumbrum??, ou seja um  autocarro): Mas dos seus textos podemos retirar muito mais, basta ler com atenção e nas entrelinhas, por exemplo, de que lado se conduz por terras de Moçambique?
Sempre a aprender!

Acentuações

Nunca o acordo ortográfico me fez tanta “comichão”, como recentemente, ao ler um livro onde várias vezes surgia a palavra que se devia ler “Pára”, do verbo parar, mas que segundo o bem dito se passou a escrever “para”.
Este “novo e abrangente” para, sem acento, irritou-me solenemente, obrigou-me a reler e a rever várias frases que não faziam sentido e confesso que demorei algum tempo a perceber qual era o meu problema!
Pequenos factos que me aborrecem, pela sua falta de acentuação, ou será que deverei antes dizer fatos? Esses também que me provocam alguma urticária, quando não assentam bem! Coisas da vidinha…

Charlie Brown e o cancro

Vídeo que me foi dado a conhecer pela pequenada da casa, que, por sua vez, lhes foi mostrado pelas suas professoras, na semana em que a sua escola recebeu uma menina com leucemia e “careca”.
Um vídeo que vi outra mãe, cujo filho também teve leucemia, elogiar, e enaltecer a ideia das professoras, e recomendar vivamente para intorduzir o tema entre as crianças.
Trouxe-me à memória, uma entrevista interessante que li, no verão, com o presidente da liga portuguesa contra o cancro em que este referia, resumindo por palavras minhas, algo do género: é preciso acabar com este preconceito, estigma e negativismo em relação ao cancro, é uma doença cada vez mais comum e que tem de ser encarada como outra qualquer, e há outras doenças complicadísimas e não tão estudadas; muito se evolui e descobriu nos últimos tempos, a tecnologia aliada à investigação tem produzidos resultados e avanços fantásticos, são conhecidas muitas formas de cancro perfeitamente curáveis e/ou tratáveis. Essencialmente, as pessoas têm que aceitar, com “normalidade” a doença, pois é um facto que 50% desta nova geração vai ter uma ou outra forma de cancro contra os 25% de afetados na geração anterior.

Vira-casacas ao nível unicelular!

“Os sentimentos, aquilo que sentimos, são o resultado de ver uma pessoa que se ama, ou ouvir uma peça musical ou ter um magnífico repasto num restaurante. Todas essas coisas nos provocam emoções e sentimentos. Essa vida emocional e sentimental que temos como pano de fundo da nossa vida são as provocadoras da nossa cultura. (…)
Por exemplo, as bactérias não têm sistema nervoso nem mente mas sabem que uma outra bactéria é prima, irmã ou que não faz parte da família. Perante uma ameaça, como um antibiótico, as bactérias têm de trabalhar solidariamente e a maioria trabalha em prol do mesmo fim, mas também há bactérias que não trabalham. Quando as bactérias trabalhadoras se apercebem que há bactérias vira-casaca, viram-lhes as costas! Estas reacções são ao nível de algo que possui uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção, ou seja, nada disto tem a ver com consciência. (…)
Há uma colecção de comportamentos – de conflito ou de cooperação – que é a base fundamental e estrutural de vida”.
António Damásio na apresentação do seu novo livro “A Estranha Ordem das Coisas”

Faroeste!

Uma avenida, três faixas de rodagem em cada sentido, com passagem aérea, semáforos e passadeira.
Ouve-se uma travagem, seguida de uma pancada seca.
Automaticamente, todos os carros abrandam/param. Um jipe atropelou um adolescente, que se atravessou na faixa de rodagem, fora da passadeira, enquanto o semáforo estava verde para os carros.
Ouvem-se 3 ou 4 pessoas aos gritos e, de repente, surgem aos magotes, saltam por cima dos capot dos outros carros, furiosos, atiram paus, apedrejam e abanam o jipe, gritam desalmadamente. São às dezenas.
Três polícias que circulavam na zona, dirigem-se ao jipe, disparando tiros para o ar para dispersar a multidão enraivecida e descontrolada. A multidão agarra os polícias.
Quem se encontra nos carros, impedido de circular, dado o aparato e despropósito de gente na via, vive momentos de verdadeiro pânico, na dúvida de qual será o momento em que a multidão se virará contra si.
Quem está dentro do jipe, deve estar à beira de um ataque cardíaco ou de uma apoplexia nervosa.
O atropelado jaz no chão, inconsciente e sozinho.
Finalmente, ouvem-se as sirenes da ambulância, acompanhadas pelos do corpo de intervenção.
Face às metralhadores, à presença e ao equilíbrio das “fações”, rapidamente, a multidão dispersa e todos seguem viagem, uns mais afetados que outros mas ninguém indiferente ao pânico que acabou de presenciar e vivenciar face a uma multidão descontrolada.
Acidentes e azares acontecem, todos lamentamos e ficamos abalados. Mas tudo toma outras proporções, entrando numa nova dimensão, quando envolve alguém da comunidade cigana, especialmente, em frente a um bairro social, onde vivem vários elementos desta etnia. E isto, não é xenofobia, ou coisa que o valha, é um facto!
Conselho de amigo: se alguma vez atropelares alguém, esperemos que não, chama o 112 e permanece no local, se esse alguém for de etnia cigana, chama o 112, e para tua segurança, se os vires aproximarem-se, abandona, se possível, o local e entrega-te na esquadra mais próxima. Nunca imaginei dizer, e muito menos escrever isto, mas depois desta cena digna de faroeste… Just saying!!!

“Caiu o Carmo e a Trindade!”

Havia dois grandes, e importantes, conventos na zona do Bairro Alto, em Lisboa, o Convento do Carmo (ordem dos carmelitas), fundado por D. Nuno Álvares Pereira, século XIV, e o Convento da Trindade (ordem do trinitários), fundado por D. Afonso II, no século XIII.
Na manhã de dia 1 de novembro de 1755, ambos os conventos, bem como outras igrejas, estavam repletos de fiéis que assistiam à missa do dia de Finados.
A terra treme e, no meio do caos e do pânico, de repente, ouve-se um enorme estrondo, quando os habitantes descobrem a sua causa exclamam incrédulos “Caiu o Carmo e a Trindade.”
Nesse dia ruíram dois dos conventos de referência de Lisboa: da Trindade “resta” a cervejaria e do Carmo as ruínas.
A expressão “Rés vés Campo de Ourique!” tem a mesma origem mas devido à onda gigante que se seguiu ao terramoto, à agua ficou às portas de uma das zonas mais altas da cidade – Campo de Ourique.

Portugal: o país das laranjas!!!

No século XVI, os portugueses trouxeram as laranjas (doce) da Índia e introduziram-nas na Europa e por outros locais por onde foram passando.
É curioso verificar que em vários países como a Roménia, Bulgária, Grécia, Turquia, Arménia, Georgia, Iraque, Irão, Afeganistão, Egipto, Síria, Argélia, Arábia Saudita, entre outros, a palavra que designa o fruto da laranja se assemelha na dição e escrita a portugal, isto é, nestes países, portugal significa, literalmente, laranja.
Talvez, também por isso, Portugal seja conhecido pelo país das laranjas.
Dizem as más línguas que os nossos navegantes fascinados com o poder das laranjas na cura do escorbuto, traziam os navios carregado de laranjas, fazendo estas parte das suas ofertas na chegada a novos locais. Quase que consigo imaginar a cena: de laranjas, na mão, fazendo as introduções e ofertas exultando as excelentes qualidades do seu país Portugal e das laranjas. Num discurso ininteligível, para quem não conhecia a nossa língua, ficava a associação entre a palavra mais repetida Portugal e a oferta mais apregoada: as laranjas. História e histórias engraçadas…

#Mais de quarenta

A mulher, a passagem dos anos, a idade, a imagem, a beleza, e o que realmente é esta amálgama de coisa que muitos mulheres têm alguma dificuldade em (di)gerir, é o que procuram mostrar e desmitificar estes retratos de mulheres com mais de quarenta – um projeto de Cristina Nobre Soares e Mário Pires.

Dedicado a todas a minhas amigas quarentonas :), em breve, vos apanho, não temeis, bem com a todas as mulheres!

Outono

Um outono invulgarmente quente e incendiário!
Um país que acima do Tejo ardeu praticamente de lés a lés, entre junho e este negro fim de semana de outubro.
Um tempo pautado por muita falta de tento na língua, sentido de oportunidade, bom senso, racionalidade, responsabilidade e sensibilidade a quem lhe compete e, por outro lado, uma sede de “sangue” que não compreendo, no imediato, que vantagens trará para os principais visados, os que tudo perderam e se veem rodeados de nada, para além do negrume e das cinzas, e para restabelecer as nossas florestas e evitar novas desgraças!
Sim, o sistema voltou a falhar, os meios voltaram a ser poucos e sabia-se que o risco era elevado! Se deveria ter acontecido depois do que se verificou em Pedrogão, Mação e por aí em diante, certamente que não!
Quatro meses decorridos, o que teria sido possível mudar naquilo que falhou em Pedrogão? E atenção ao verbo que utilizei: “teria sido” e “não deveria”, que faz toda a diferença.
Para tudo, há burocracias, contratos, concursos, protocolos, prazos, interesses e cenas e coisas a cumprir. Infelizmente, a máquina estatal é lenta, disso eu tenho a certeza! Mas fico contente, por a ignorância ser apenas da minha parte, porque todos parecem saber o que poderia ter sido feito em 4 meses, em cá acho que tenho apenas uma pequena noção do que deveria ter sido feito!
Um dos melhores apontamento, para todos nós, sobre este negro verão/outono.

“Quando é que foi a última vez em que repararam naquele eucaliptal a caminho da terra dos vosso pais? Sim, aquele aonde não levam os miúdos por estar cheio de mato, que eles ainda se aleijam e sujam todos. Quando é que foi a última vez que apanharam pinhas em vez de as comprarem no supermercado? Quando é foi a última vez que sentaram à sombra de um carvalho? A floresta faz muita decoração, é verdade, o verde enche muito olho, é ele e o azul do mar. Diz até que faz bem ao ar que a gente respira. Mas precisa que se torne parte da nossa vida para que possa existir. Sem isso é coisa para arder facilmente.”
Cristina Nobre Soares

Vivências

Conversa entre duas adolescentes no whatsapp:
X – “Já cozinhas?”
Y – “Hummm, às vezes, quer dizer não!”
X – “Acho que com a tua idade já cozinhava!”
X – “Vês a telenovela da TVI?
Y – “Não. Não vejo a TVI!”
X – “Buuuu, com a tua idade já via há bué!”
Y – “Tens facebook?”
X – “Nop! Só mail. Também não tenho telemóvel, só tablet, às vezes!”
Y – “Bem podre! Com a tua idade já tinha isso tudo!”
E a conversa continuava com Y, a cada nova pergunta, sublinhando a ideia que, com a idade de X, já fazia tudo e um par de botas.
Poderiam ter uma grande diferença de idades mas apenas as separam 10 meses e um ano de escolaridade! Ocorre-me apenas dizer caganeirices dos tempos modernos!