Anda um pai a criar uma filha para isto!!!

“Estás gordito!
Olha essa barriguita
Parece um bom tamborzito!
Estás gordito!”

Canta pimpolha mais nova, ao ritmo da música da moda – Despacito, acompanhando com a sua percursão, no tal tamborzito, num belo movimento de coordenação de pernas e braços! E assim começa o dia!

Esperta ou empregada?

Pimpolha mais pequena entusiasmada, no regresso da escola, com mais uma das suas cantilenas mas esta surpreendeu-me e reza assim:
“És esperta ou empregada?” pergunta-me com o seu ar maroto
“Então e se eu for um empregada esperta?” digo sorrindo
“Não pode ser! Ou és uma coisa ou outra!” responde-me, com ar de quem me dá o devido desconto
“Ok! Então e se for uma esperta empregada!” digo entre risos
“Oh pá! Vá lá, diz lá. Esperta ou empregada?” diz a moça, ficando impaciente
“Esperta!” respondo-lho
“Ok. Então conta até três!” diz em tom de desafio
“Um, dois, três.” respondo com naturalidade
“Vês como és empregada, obedeceste sem hesitar”
Ri-me com vontade e pensei “Ora toma lá! Tanta esperteza saloia e uma lição de vida entregue, com simplicidade, por uma meia leca de gente, que ainda nem no 1º ano anda. Que se aplica que nem uma luva a muitas situações e gentes, não tenho dúvidas nenhumas!” Sempre a aprender com a pequenada!

Anda uma mãe a criar uma filha para isto!!

“Hummm… estás a chatear-me! Olha que eu não te convido para a minha passagem de ano!” saída de pimpolha mais velha, em tom de ameaça e muito irritada quando a contrariei nem sei bem porquê.
Sim, a moça é uma verdadeira organizadora de eventos e, sim já anda a fazer planos, ementas e programa de festas para a passagem de ano! Ri-me da sua ameaça, dizendo “Até lá, não me doa a mim cabeça!”( o que ainda a irritou mais), enquanto pensava que se ela soubesse, como eu sei, que será daqui a uns anos, e já não são assim tantos, em como isto será tão verdade e não apenas uma ameaça em “jeitos” de vingança. É aproveitar agora que o tempo voa.
Como plano B, sim que uma boa organizadora tem sempre um plano B e estuda vários cenários, telefonou à avó a perguntar se podia organizar a passagem de ano na casa dela pois parece que na nossa o ano não vai passar 😉
Uma verdadeira e entusiasmada organizadora de eventos com plano A, B, C, D … uma canseira!

Uma relíquia?!

Em outros tempos, era um objeto imprescindível e existia uma, mais ou menos xpto, junto ao telefone de cada casa. Hoje em dia com os telemóveis e as suas agendas, os dados móveis e as sincronizações, as agendas telefónicas passaram a ser digitais, e poucos serão os que mantém uma agenda telefónica em papel.
Atire a primeira pedra, quem antes desta nova geração de telemóveis, os que ainda não guardavam todos os contactos no cartão, e por avaria ou porque perdeu o telemóvel,  não ficou totalmente desconcertado quando se viu sem nenhum dos seus contactos. Um pequeno incidente que rapidamente se tornava numa verdadeira dor de cabeça e uma aventura desconcertante de recuperação dos contactos, para quem, já nessa altura, tinha abolido as agendas telefónicas.
Esta agenda telefónica tem, numa letra bonita, imensos contactos e, como antigamente, encontra-se junto ao telefone fixo cá de casa mas bom, bom é que este facto se deve tão só e apenas a pimpolha mais velha, é a SUA agenda telefónica (exemplar único cá em casa). Há coisas que não mudam, ela sabe de cor 6 ou 7 números, aqueles para os quais mais liga, algo que eu, agora não me posso gabar mas com a idade dela :). Quando não se tem um telemóvel à disposição, independentemente da idade, voltamos aos métodos infalíveis de outros tempos, métodos que não devemos desprezar, nunca se sabe se um dia as tecnologias nos pregam uma partida, por qualquer razão, deixando-nos na mão. É sempre bom saber como se fazia e conhecer as alternativas.

Bilhetinhos e cartas de amor

“É amanhã, amanhã é que eu ganho coragem!” diz pequeno do meio
“Então precisas de ganhar coragem para quê? ” pergunta-lhe excelentíssimo esposo
“Nada, nada!” responde o moço entre risos, procurando disfarçar
“Não me digas que é para pedires alguma miúda em namoro?” espicaça-o excelentíssimo esposo
“Hummm, oh, pá, como é que sabes?” diz o rapaz intrigado
“Deixa-me adivinhar, hummm,  é a M.? arrisca excelentíssimo esposo
“Tu só podes ser bruxo!” diz o moço impressionado
“Se calhar é melhor deixares isso para setembro, as férias estão quase a começar” aconselha-o excelentíssimo esposo
“Pois…” anuiu pequeno do meio
“Bem pensando bem, se for agora, assim podes escrever-lhe umas cartas de amor nas férias!” reconsidera excelentíssimo esposo
“Tu és totó, ó quê? Já ninguém faz isso. Nós temos telemóveis!” diz o moço estupefacto
“Então e com que telemóvel falavas com ela?” pergunto-lhe eu
“Como o teu! Óbvio!” responde ele prontamente
“Então eu e a mãe dela é que vamos namorar, é isso?” digo-lhe entre risos.
“Vou pensar melhor e amanhã logo decido” diz o moço em modo de ponderação
No dia seguinte, quando questionado sobre o assunto diz que se calhar vai seguir o conselho do pai e esperar por setembro mas termina com o seu ar maroto
“Eheheheh, posso sempre utilizar o velho truque de lhe mandar um bilhetinho! Acho que vai ser isso mesmo que vou fazer!”diz com um ar satisfeito.
Aguardam-se desenvolvimentos… estamos fritos com este moço!

WHAT??!!!

“Realizei o meu sonho: passei a roupa a ferro!” diz pimpolha mais velha que anda, nos últimos dias, claramente, em modo fada do lar, feliz e contente (sem qualquer ponta de ironia).
Não sei a quem é que a moça sai, nesta vertente, nem até quando este modo vai persistir, ou melhor dizendo, resistir, mas… estou a apreciar! Antes que me acusem de exploração do trabalho infantil, a moça age de livre e espontânea vontade, sem que ninguém lhe sugira nada, por sua iniciativa, o que é ainda mais surpreendente. É aproveitar, deve ser sol de pouca dura.

Poltronas, livrarias e Gru´s

Nas livrarias que gostamos de frequentar não há pressas, nem temos pressa, há tempo para desfrutar do cheiro dos livros muitos vários, folhear, ler e escolher, muito bem escolhido, as próximas aquisições, as crianças são bem vindas e, por vezes, até têm um espaço dedicado a elas. Quais são as que reúnem todas as condições atrás mencionadas? As que têm sofás ou um espaço onde a malta se pode sentar e apreciar/ler uma resma de livros e onde ninguém nos aborrece ou se aborrece. É um ótimo programa em qualquer altura do ano e do dia, sozinho ou em família. Sozinha, já li belos livros pequenos nestas tais livrarias, em família já li muitos livros infantis para a pequenada. Observo que, como nós, muitos têm os mesmo prazer/hábito e, diversas vezes, encontrei marcadores nos livros!
Na nossa última, e recente, incursão, sorri, quando vi o livro que pequeno do meio trazia na mão – “Gru: o maldisposto” – anda desde a estreia do 3º filme a pedir para ir ver ao cinema. Enquanto escolhia a sua poltrona, e antes de se embrenhar na leitura, observei “Muito apropriado! Lembras-te quem te chamava carinhosamente de “meu Gru: o maldisposto”?” Ele riu-se e disse “Claro que me lembro! Era a minha educadora. Quando me cruzo com ela na escola, às vezes ainda me chama assim!”. Laços e memórias que perduram!
À saída, o nosso Gru: o maldisposto observa “Eh pá, estivemos lá mais de uma hora!”, enquanto, entrando em modo de update, acaricia o livro que trazia na mão – “Gru: o maldisposto 3”. Na outra mão, segura orgulhoso a sua outra aquisição “Diário de um ninja na escola 1″… MEDO!!!!

Observação ou discriminação?!

“Olha, desculpa lá mas ela tem prioridade!” diz, com um ar agressivo, a rapariga de 12/13 anos apontando para uma senhora grávida que a acompanhava enquanto esta depositava as suas compras no tapete. O funcionário da caixa diz-lhe com muita calma “Sim mas tenho que acabar a conta desta família!”, dando de ombros para nós enquanto a rapariga encolhe os ombros para a grávida. Com elas, encontram-se duas crianças: um menino de 4/5 anos e uma menina de 6/7 anos.
Bip, bip, bip… e os nossos artigo continuam a passar.
O menino, abre um pacote Mentos, coloca um na boca, e aproxima o pacote do leitor de código de barras, insistentemente.
Entretida, e distraída, a arrumar as compras não me apercebo de nada mas excelentíssimo esposo e os pequenos não perdem pitada.
Vejo o funcionário, muito atrapalhado, a interromper a sequência de bip e a extrair a conta e dizendo-me “Era só para confirmar e está tudo bem!”, olhei para ele, dizendo que “Sim” e pensando “Porque razão não haveria de estar?”.
Desperta-me a atenção o olhar de excelentíssimo esposo e a observação do funcionário para a rapariga “Ele vai ter que pagar esse pacote que abriu!” e a rapariga, de mão na cintura, diz de imediato “Isso já passou. Está pago!”, ele diz-lhe “Não, não, eu aqui não passei nada!” ao que ela remata com um ar seguro e um sorriso aberto “Pois mas ele comprou aquilo noutra loja”.
O funcionário não faz mais observações, na fila de supermercado trocam-se olhares, todos viram o menino abrir o pacote. Entretanto, a rapariga passa uma lancheira ao menino e diz-lhe “Toma, leva isto e espera lá fora”. O menino não obedece e fica junto às caixas: lancheira e pacote de mentos na mão.
Com menos uns euros na conta, mas um carro cheio de compras, dirigimos à saída. À nossa frente segue a rapariga, a menina e o menino, deixando a grávida para trás com as compras e a conta.
A menina e a rapariga riem-se, seguem de lancheira na mão, contentes e felizes da vida, o seu olhar transparece plenamente o que estavam a sentir “Já os enganámos mais um vez!”, o menino masca indiferente o seu, talvez segundo Mento, de pacote na mão. Sol de pouca dura, o segurança interseta-os e diz com ar de poucos amigos “Mostrem-me as vossas malas!”, os meninos colocam-se atrás da rapariga que de imediato “Não, não mostro nada!” e mais qualquer coisa que não ouvimos mas que lhe mereceu apenas a seguinte observação do segurança “Mantém-te na tua e sossegada!” e ela que já deve conhecer o jogo, assim se manteve, enquanto ele pegava no telefone! Ambos conheciam a dança, nós é que aparentemente, não!
Seguimos o nosso caminho e não sabemos o desfecho da situação mas a pequenada ficou impressionada com toda a cena, fez várias observações e foi o assunto que dominou as horas seguinte: “Mas quem era aquela gente? Grande lata! Tu viste bem o miúdo e a rapariga? Nunca tinha visto nenhuma cena daquelas” entre muitas outras.

Facto 1: As personagens eram ciganos
Facto 2: Como a pequenada, também nunca tínhamos presenciado nenhuma cena tão sui generis!
Facto 3: Pequenada não os identificou como ciganos mas observou e constatou a sua forma de vestir e perguntou se era assim que sabíamos que eram ciganos, respondemos que sim.
Facto 4: No mesmo supermercado, já presenciei diversas vezes a relação demasiado amistosa que mantém com os funcionários. Inclusivamente, quando reclamam que está muita gente na caixa, vem logo alguém a correr abrir uma nova caixa enquanto em amena cavaqueira relatam as novidade que receberam e andam a vender.
Facto 5: Pequeno do meio observa “São ciganos e roubam!”, blábláblá, nem todos são assim, blábláblá, e diz ele “Mas eles forma os únicos que eu já vi a roubar!”

Pergunta 1: Se não fossem ciganos, será que a questão na caixa e do pacote de Mentos teria sido tratada da mesma forma pelo funcionário, em que aparentemente se finge acreditar que vinham de outra loja?

Pergunta 2: O que pensará a pequenada da próxima vez que se cruzar com um cigano?

Pergunta 3: Em muitas situações, quem são os discrimados, nós ou eles?

Pequeno do meio e a sua veia narcisista!

“Porque é que eu nasci tão bom?” pergunta retórica de pequeno do meio no decorrer de um jogo.
Perante o olhar complacente dos restantes membros da família e uma tirada irónica da sua mana mais velha do género “Sim, sim! Já todos sabemos que tu és o maior!”, deu de ombros assim como quem diz “Ninguém percebe o meu verdadeiro valor!”. Um incompreendido este moço!!!

O poder da imagem

26 de setembro de 1960, EUA, em plena campanha para as presidenciais, os candidatos John F. Kennedy, um jovem senador, e Nixon, o experiente vice presidente do EUA, são os protagonistas do que viria a ser considerado um marco histórico nas campanhas eleitorais, o 1º debate político a ser transmitido na televisão.
JFK apresentou-se calmo, confiante e com boa cor, já Nixon, pálido e muito magro, devido a uma recente hospitalização, parecia em baixo de forma e um pouco transpirado.
No final, quem ouviu no rádio, foi unânime em considerar que a vitória, no debate, tinha sido de Nixon; quem viu o debate na televisão, que foi a larga maioria – 88% da população já tinha TV – atribuiu a vitória a JFK.
Muitos dizem que JFK ganhou as eleição naquela noite, o debate foi o ponto de viragem, tendo o próprio reconhecido o papel decisivo e o impacto que o debate teve no resto da sua campanha. No entanto, Nixon, esteve bastante melhor, também em aparência, nos debates seguintes, mas a imagem que prevaleceu foi a do 1º debate.
JFK ganhou a Nixon por uma unha negra e muitos acreditam que foi graças aquele 1º debate.
O debate que mudou a forma de fazer campanha eleitoral, reconhecido/constatado que foi o papel/potencial da televisão na mesma, que até então era encarada apenas com um “objeto” dedicado ao entretenimento.
Dizem que muito devido ao receio dos candidatos, só 16 anos mais tarde se voltou a realizar, um debate presidencial transmitido pela televisão nos EUA!
Impressionante, a importância e o papel da imagem! O grosso desta história, que desconhecia, foi-me contado por pimpolha mais velha quando lhe perguntei “O que achaste mais interessante na visita guiada, que fizeste com a escola, ao NewsMuseum?”. Fui investigar… e a moça tinha percebido e contado quase tudo direitinho. Sempre a aprender… com pimpolha mais velha!
Fiquei a pensar no papel da imagem, nos dias que correm, e penso que (pre)domina! Faz falta ouvir mais, olhar e julgar muito menos!
Por exemplo, como teria sido ouvir Salvador Sobral, sem o vermos? Teria gerado tanto comentário depreciativo acerca da sua pessoa…? Não creio, as críticas seriam apenas dirigidas à sua música… seríamos tão melhores pessoas! Quem diz o Salvador Sobral diz outros, ocorreu-me este exemplo, talvez devido às “correntes de ar” geradas… novamente, sempre acompanhadas de cheiro mas não o seu! O que nos leva a outro tema que dava pano para mangas: A imagem e a diferença (que incomoda muitos!)

Artigos interessantes sobre o tema aqui e aqui.

Coisas que eu não percebo!

Reunião de pais, observando os testes de pequeno do meio, veio-me à memória uma observação sua sobre uma questão que tinha bem no teste de Matemática mas que a professora tinha colocado errado. Não liguei e, na altura, disse-lhe algo do género “Deves ter visto mal!”.
Folheando o seu teste de Matemática reparo que só poderia ser aquela a tal questão que ele referiu. Hesitei, pergunto, não pergunto, pergunto, não pergunto e… perguntei! “Porque tinham que contar todos e ver quantos estavam pintados… porque fizemos um igual na aula e eu disse-lhes que era assim que queria que fizessem… porque foi assim que eu lhes ensinei… Porque não queria frações equivalentes”.
Eu ouvi tudo, sem interromper, conhecendo-me, provavelmente, com um ar um pouco incrédulo, e respondi apenas “Sim, mas a resposta ao que é perguntado está certa e o raciocínio é válido!” ao que concluiu, dizendo “Sim, eu sei mas não era essa a resposta que eu queria que eles dessem!”.
Atenção, ela não ensinou, nem ensina mal, muito pelo contrário, e não é isso que está em questão, mas a avaliação das respostas não deve ser feita em função do que queremos mas do que pedimos. Não é pelos pontos, nem pelo estar certo ou errado, isso, para mim, é o que tem menos importância. A forma de “estar, ver e sentir” a matemática, subjacente à sua argumentação é que me desiludiu! Fiquei ainda mais triste por ter de dizer a pequeno do meio, quando ele me perguntou, “Sim, tinhas razão, a tua resposta estava correta!” e ele deu de ombros e disse apenas “Pois…”.

Pipocas

Irmos os cinco ao cinema sai caro, há prioridades e formas mais interessante de gastar o dinheiro, ser paciente e poupado, na dose certa, são grandes virtudes! Como tal, de quando em vez, temos sessão de cinema cá por casa, patrocinado pelo Tugaanimado, onde nunca faltam as pipocas. Não são as pipocas do cinema mas são muito boas, a prova  é que desaparecem num instante.
Utilizamos uma receita simples que aprendi com uma colega (de casa, nos tempos de faculdade) mas que envolve alguma atenção e agitação. Foi também esta a receita de pipocas que pimpolha mais velha tentou fazer durante o seu período Home alone, não sendo difícil, não foi a escolha adequada para se iniciar nestas lides!

Preparação
Colocar um pouco de óleo a cobrir o fundo de um tacho e açúcar a gosto (costumo usar 1 a 2 colheres de sopa), levar ao lume. Quando o açúcar estiver quase dissolvido, ficando em tons de amarelo, mas antes de ficar em ponto caramelo, colocar o milho espalhado no centro do tacho. Envolver bem, baixar um pouco o lume e ir abanando o tacho frequentemente para que não se queimem as pipocas.
Diz quem já experimentou que a técnica resulta muito bem também com pipocas salgadas mas nós nunca experimentámos.

Sozinha em casa!

No seu 1º dia útil de férias, pimpolha mais velha foi à escola. Com as temperaturas a rondar os 40º e um ar perto de irrespirável, de tão quente que era, passou o dia a fazer jogos e a confraternizar ao ar livre; vinha esbaforida e perguntou, com um ar suplicante “Achas que amanhã posso ficar em casa?”.  Com o crescimento, a autonomia, a responsabilidade e a confiança devem seguir de mão dada e depois de ponderar e lhe explicar que ficaria sozinha uma belas horas, inclusivamente, à hora de almoço, ao que ela anuiu com “Sim, eu sei!”, ocorreu-me “Porque não? Já tem 11 anos!”.
E, assim foi, tinha como tarefas dobrar as meias secas que estavam no estendal e estender a roupa. A TV, ler os seu livros, pintar os seu mandalas antistress, aquecer e comer o seu almoço, fazia tudo parte dos seus entretens. Sem qualquer gadget com exceção do telefone fixo para ligar caso acontecesse alguma coisa ou se sentisse sozinha. Adorou a experiência de ter a casa só para si. Nos dias seguintes, quis ficar em casa. Por sua auto recriação: fez as camas, arrumou a sua estante, os livros e materiais escolares e ainda passou com a esfregona no chão (não se lembrou do detergente mas não se pode ter tudo), acabou o seu livro, encharcou-se em desenhos animados, telefonou à sua best friend e falaram sobre desenhos animados :), fez limonada, pintou mandalas para toda a família, telefonou à avó para dar dois dedos de conversa, tentou fazer pipocas – percebeu que não ia correr bem, desistiu, lavou o tacho e guardou os ingredientes -, telefonou várias vezes ao pai e à mãe para saber se estava tudo bem, quando chegavam ou pedir alguma indicação, colocou o almoço num tabuleiro e comeu no sofá, descascou a sua fruta e cenouras para comer, assaltou as bolachas mas, essencialmente, fez muitas coisas, mas no seu tempo e à sua vontade, vegetou no sofá e não fez nada, ou seja, férias a seu gosto.
Para a semana, começa as atividades com a escola (muita praia e piscina) e, embora, não confesse, acho que a moça se habituava a esta vida… faz lembrar alguém da família: caseirinha, caseirinha!
Não pegou fogo à casa, nenhum vizinho chamou a segurança social, UFA, UFA, está crescida, e responsável, a miúda!  Já o seu mano parece longe de atingir este patamar, com as suas ideias mirabolantes, experiências malucas e um campo de futebol chamado casa, muito ao género do “Sozinho em casa”! Vamos ver…

Transições

Parte do texto, que recebemos da escola de pimpolha mais pequena, prelúdio ou justificação para uma reunião com todos os pais das salas dos 5 anos e a psicóloga da escola. Terminava com “As turmas só serão divulgadas no final julho”, assim como quem diz “Vejam lá se se acalmam” ou, como diria o outro, “Take it easy!”.
Quando li o mail sorri e pensei, deve haver malta a “stressar” à grande: eles e, por arrasto, os filhos e educadora. Não me lembro das outras duas vezes que vivemos esta transição receber um mail destes, embora a escola seja a mesma, também, tal como agora, não me lembro de sofrermos por antecipação, ou falarmos muito do assunto cá por casa.
Depois há aqueles momentos em que, em conversa com outros pais, percebemos que se calhar, mas só se calhar, somos um bocadinho desnaturados descontraídos de mais, ou que essa é a perceção que têm de nós e com a qual vivemos felizes e contente. Mas quando terminam dizendo, preocupados, “De há uns tempos para cá tem pesadelos com o 1º ano! Acorda a chorar e sobressaltado e diz que quer ficar para sempre na sala dos 5 anos”., pensamos, talvez a descontração e distração seja uma coisa boa 😉
Efetivamente, cada vez me convenço mais que os pais, os pais, estão na origem de muitas cenas e coisas que enfim… podiam ser facilmente evitáveis. Os tempos mudaram, os pais também em alguns aspetos, claramente, para pior, basta falar com qualquer educador ou professor e a 1ª queixa é, geralmente, “O problema, muitas vezes, não são os miúdos, são os graúdos!”

Pessoas realmente importantes

Pimpolha mais velha está a terminar o 5º ano e decidiu, no final de mais um ano letivo, escrever uma carta, talvez um bocadinho, mas só um bocadinho, exacerbada, à sua professora do coração. Da sua diretora de turma, diz que sim, que gosta e que é fixolas mas não há nada como a sua professora do 1º ciclo, essa é, claramente, “The special one”.
Revela bem o papel e a “importância” que tem, ou pode ter, um bom professor do 1º ciclo, o que raramente se verifica nos ciclos seguintes ou pelo menos com tal intensidade.

Fim de semana: o fenómeno

Durante a semana, o difícil é tirá-los da cama: porque têm sono, porque são só mais 5 minutos, porque não me apetece e estou cansado, porque, porque… Ao fim de semana, nenhum destes males os aflige e é ouvi-los, em plenos pulmões, às 7h00 da manhã, ou antes grrr, “Onde é que esconderam o comando da televisão?”
Lembro-me bem de também ser assim e ansiar pelo sábado de manhã para ver os bonecos. Na altura, não havia canais a dar bonecos a toda a hora mas havia este despertador natural, típico em muitas crianças, que os pais tanto adoram quando procuram apenas mais uns minutos de descanso e sossego, porque hoje não é dia de despertador, porque têm sono, porque estão cansados, porque, porque… Tão diferente mas tão iguais, apenas com timings desfasados no tempo e no espaço.

Crianças e as suas indagações sobre sexo

No final de um dia de trabalho, pensava para consigo “Isto é apenas uma fase. Tenho que reagir com naturalidade ou eles nunca mais falam comigo sobre o assunto!”. Suspira e respira fundo, tentando adivinhar com que questões ou observações será agraciada dentro de momentos quando os for buscar à escola. Com 8 e 10 anos, os seus filhos, curiosos e permeáveis às conversas que vão ouvindo e tendo com os seus colegas da escola, nos últimos tempos, centraram todas as atenções num único tópico “Sexo”.
As diferenças na fisionomia do homem e da mulher, a sementinha, o óvulo, como se juntam e porque nem sempre se forma um bebé, à palavra feia fo****,  foram tudo temas mais que falados nos último dias  e não vê que mais poderão eles perguntar ou querer saber mas eles têm o dom de a conseguir sempre surpreender.
Prepara-se, mentalmente, para mais um eventual “round”, alimentando, bem lá no fundo, a esperança que outro tema lhes tenha despertado a curiosidade e a atenção. Rapidamente percebe que não, ainda não será desta vez, reza em silêncio para ter paciência e ser assertiva, quando o mais novo dispara “Hoje, a mãe e o pai vão fo****?”.
Sente os olhos a saírem das órbitas e a mente a fervilhar. Respira fundo, conta até 10, lembrando-se que o seu menino só tem 8 anos e não tem noção da crueza e magnitude da sua questão. Afagando-lhe o cabelo, aparentando uma calma que nãos sente, relembra-o que não se usa a palavra fo****, é feia, é uma asneira, que as pessoas que gostam verdadeiramente uma da outra fazem amor e que assim é infinitamente melhor, acrescentando que não se deve perguntar essas coisas a ninguém pois só dizem respeito aos dois e a mais ninguém, é como um segredo entre amigos. O seu menino acena com a cabeça ao seu discurso mas a a sua atenção já está centrada nos LEGOS espalhados pelo chão. Confiante que a sua resposta o aquietou e é invadida por um misto de sentimentos: alívio, embaraço e o de dever cumprido, assunto encerrado.
O pai chega a casa e o menino corre para o abraçar e, em, plenos pulmões pergunta “Quando tu e a mãe fizerem amor, eu e a mana podemos ver?” O pai olha para a mãe, recordando a conversa que tinham tido de “agir naturalmente quando os miúdos falarem sobre o assunto” e diz, sorrindo, naturalmente, “Claro que sim!” e a mãe abraçando ambos, lançando um olhar desconcertado ao marido, diz “Claro que não! Já falámos sobre isso hoje”, o seu menino sorri como quem diz “Há sim?”. Inspira, expira e suspira profundamente, preparando-se para botar discurso sobre a intimidade, e matutando “Here we go all over again! Olha se ele vai contar esta lá para a escola, vai ser bonito vai!”

Ética para um jovem, pai e mãe

Take 1
Conversando, com uma mãe, sobre o teste de inglês do dia seguinte de pequeno do meio e sobre a sua falta de estudo, diz-me ela “Dá-lhe o teste que a tua pimpolha mais velha fez no 3º ano! São sempre iguais! É assim que o meu estuda, não faz mais nada! Quero lá saber! O problema é da professora.”.
Os olhos de pequeno do meio brilham, pensando certamente “Estou safo!”

Take 2
Falando sobre 0 5º ano: a adaptação e as resmas de disciplinas, testes e trabalhos, com uma mãe, minha colega – professora de Educação Física, diz-me ela “Olha tenho lá os três trabalhos escritos de Educação Física do meu filho, devem ser iguais este ano. Posso enviar-tos, estão muito bons! Ele foi buscar muita coisa aos meus livros da faculdade! Ficas já com isso despachado”. Pimpolha mais velha observa, seguindo atentamente a nossa conversa, esperançosa!

Em ambas as conversas, disfarcei o meu espanto, recusei simpaticamente a oferta e enfrentei os olhares da pequenada expressando um clamoroso “WHAT?”, não pronunciado.
Se poderia ter poupado tempo e chatice aos meus filhos e a mim? Provavelmente, sim!
Se teriam tido melhores resultados? É possível!
Então porque não o fiz? Porque sou parva, dirão muitos, com alguma razão, mas essencialmente, por uma questão ética e de exemplo. A responsabilidade de estudar e de fazer o trabalho é deles e como tal devem, desde sempre, habituar-se a, com o seu esforço e trabalho, cumprir na íntegra com as mesmas em toda e qualquer situação.
Se acho benéfico a professora de Inglês dar sempre os mesmos testes? Obviamente que não mas sabendo que tem cerca de 10 turmas e 300 alunos, quase, quase que a percebo!
Se acho que o tipo de trabalhos de Educação Física propostos trazem alguma mais valia para pimpolha mais velha? Tenho sérias dúvidas.
Se partilhei ou fiz alguma observação sobre estas questões com a pequenada? Certamente que não.
Cada um cumpre as suas funções: um a de estudar, se ele não aprender, o problema não vai ser da professora mas dele, mais tarde ou mais cedo; ao outro a de fazer os trabalhos que lhe são pedido, o melhor que conseguir e, a mim, cabe-me procurar transmitir-lhes que os princípios e valores começam, e aprendem-se, em casa, muitas vezes, pelo exemplo que damos ou modelo que decidimos seguir, independentemente do que os outros fazem e das suas atitudes estarem certas ou erradas. A ver se consigo, às vezes, é difícil e a tentação está sempre à espreita!

Um artigo interessante sobre o tema “Is it possible to be both an ethical and a good parent?”

Este estaminé pelos olhos e mãos de pimpolha mais velha

Quando decidimos brindar aqui o burgo com nova cara, pedi a pimpolha mais velha que, num desenho seu, retrata-se o que por aqui se passa. Ora a moça fez o seu desenho mas depois o mesmo desapareceu, de tão bem que ela o guardou, no meio de tanta ideia e projeto criativo. Este fim de semana deu à costa, depois de uma longa viagem no mundo dos seus muitos rascunhos e rabiscos!
Nota: Sim, lemos-lhes, ou damos a ler, o que por aqui se vai dizendo, especialmente quando são eles os visados, uma vezes antes outras depois de publicarmos, eles riem-se e dizem, “Passa à próxima, essa já lemos” e assim se entretém um bom bocado a avivar a memória.

Dia da Criança

Uma ideia engraçada, colorida, original, até a escola ganhou um outro ar! Os miúdos são muito castiços  e dizem coisas fantásticas.
Pimpolha mais pequena encarnou a sua melhor versão materialista – anda uma pessoa convencida que anda a fazer alguma coisa de jeito com esta malta e vai-se a ver… parece que nem por isso 🙂 Ao ver o seu dizer, ri-me e disse-lhe “Presentes, hã?” e ela respondeu com o seu sorriso maroto, aquele de quem tem sempre resposta na ponta da língua e me dá um grande desconto, “Recebeste algum hoje?” – é tão parecida com o seu mano e… com a mãe, dizem as más línguas, obviamente.


Os meus preferidos são

Mas há lá muitos simplesmente deliciosos

Ser criança não é fácil! Corresponder às expectativas dos pais pode ser tramado e, ao que parece, desde muito cedo, se aos 5 anos, uma mãe, que lia o “mural” com o filho pela mão, observa com um ar desiludido “Então e só disseste isto? Os teus amigos disseram muito mais coisas!” imagino como será daqui a uns anos, o filho limitou-se a olhar para ela, dando de ombros, como quem diz “O que é que querias que eu dissesse mais?”.

Espíritos livres, criativos, críticos, genuínos, energéticos, brincalhões, de sorriso fácil, marotos, aventureiros, assim são as verdadeiras crianças, independentemente da sua idade 🙂 E tão bem que eles sabem viver, são verdadeiramente felizes, relembremos e aprendamos com eles!

Neste dia, a RFM, em honra das crianças e da palavra que elas mais odeiam ouvir “Não”, com mais uma excelente letra musicada. Vale a pena ouvir, rir e mostrar à pequenada, aqui por casa apreciaram mas gostaram mais da da Comercial (eu também não… )