Pipocas

Irmos os cinco ao cinema sai caro, há prioridades e formas mais interessante de gastar o dinheiro, ser paciente e poupado, na dose certa, são grandes virtudes! Como tal, de quando em vez, temos sessão de cinema cá por casa, patrocinado pelo Tugaanimado, onde nunca faltam as pipocas. Não são as pipocas do cinema mas são muito boas, a prova  é que desaparecem num instante.
Utilizamos uma receita simples que aprendi com uma colega (de casa, nos tempos de faculdade) mas que envolve alguma atenção e agitação. Foi também esta a receita de pipocas que pimpolha mais velha tentou fazer durante o seu período Home alone, não sendo difícil, não foi a escolha adequada para se iniciar nestas lides!

Preparação
Colocar um pouco de óleo a cobrir o fundo de um tacho e açúcar a gosto (costumo usar 1 a 2 colheres de sopa), levar ao lume. Quando o açúcar estiver quase dissolvido, ficando em tons de amarelo, mas antes de ficar em ponto caramelo, colocar o milho espalhado no centro do tacho. Envolver bem, baixar um pouco o lume e ir abanando o tacho frequentemente para que não se queimem as pipocas.
Diz quem já experimentou que a técnica resulta muito bem também com pipocas salgadas mas nós nunca experimentámos.

Sozinha em casa!

No seu 1º dia útil de férias, pimpolha mais velha foi à escola. Com as temperaturas a rondar os 40º e um ar perto de irrespirável, de tão quente que era, passou o dia a fazer jogos e a confraternizar ao ar livre; vinha esbaforida e perguntou, com um ar suplicante “Achas que amanhã posso ficar em casa?”.  Com o crescimento, a autonomia, a responsabilidade e a confiança devem seguir de mão dada e depois de ponderar e lhe explicar que ficaria sozinha uma belas horas, inclusivamente, à hora de almoço, ao que ela anuiu com “Sim, eu sei!”, ocorreu-me “Porque não? Já tem 11 anos!”.
E, assim foi, tinha como tarefas dobrar as meias secas que estavam no estendal e estender a roupa. A TV, ler os seu livros, pintar os seu mandalas antistress, aquecer e comer o seu almoço, fazia tudo parte dos seus entretens. Sem qualquer gadget com exceção do telefone fixo para ligar caso acontecesse alguma coisa ou se sentisse sozinha. Adorou a experiência de ter a casa só para si. Nos dias seguintes, quis ficar em casa. Por sua auto recriação: fez as camas, arrumou a sua estante, os livros e materiais escolares e ainda passou com a esfregona no chão (não se lembrou do detergente mas não se pode ter tudo), acabou o seu livro, encharcou-se em desenhos animados, telefonou à sua best friend e falaram sobre desenhos animados :), fez limonada, pintou mandalas para toda a família, telefonou à avó para dar dois dedos de conversa, tentou fazer pipocas – percebeu que não ia correr bem, desistiu, lavou o tacho e guardou os ingredientes -, telefonou várias vezes ao pai e à mãe para saber se estava tudo bem, quando chegavam ou pedir alguma indicação, colocou o almoço num tabuleiro e comeu no sofá, descascou a sua fruta e cenouras para comer, assaltou as bolachas mas, essencialmente, fez muitas coisas, mas no seu tempo e à sua vontade, vegetou no sofá e não fez nada, ou seja, férias a seu gosto.
Para a semana, começa as atividades com a escola (muita praia e piscina) e, embora, não confesse, acho que a moça se habituava a esta vida… faz lembrar alguém da família: caseirinha, caseirinha!
Não pegou fogo à casa, nenhum vizinho chamou a segurança social, UFA, UFA, está crescida, e responsável, a miúda!  Já o seu mano parece longe de atingir este patamar, com as suas ideias mirabolantes, experiências malucas e um campo de futebol chamado casa, muito ao género do “Sozinho em casa”! Vamos ver…

Transições

Parte do texto, que recebemos da escola de pimpolha mais pequena, prelúdio ou justificação para uma reunião com todos os pais das salas dos 5 anos e a psicóloga da escola. Terminava com “As turmas só serão divulgadas no final julho”, assim como quem diz “Vejam lá se se acalmam” ou, como diria o outro, “Take it easy!”.
Quando li o mail sorri e pensei, deve haver malta a “stressar” à grande: eles e, por arrasto, os filhos e educadora. Não me lembro das outras duas vezes que vivemos esta transição receber um mail destes, embora a escola seja a mesma, também, tal como agora, não me lembro de sofrermos por antecipação, ou falarmos muito do assunto cá por casa.
Depois há aqueles momentos em que, em conversa com outros pais, percebemos que se calhar, mas só se calhar, somos um bocadinho desnaturados descontraídos de mais, ou que essa é a perceção que têm de nós e com a qual vivemos felizes e contente. Mas quando terminam dizendo, preocupados, “De há uns tempos para cá tem pesadelos com o 1º ano! Acorda a chorar e sobressaltado e diz que quer ficar para sempre na sala dos 5 anos”., pensamos, talvez a descontração e distração seja uma coisa boa 😉
Efetivamente, cada vez me convenço mais que os pais, os pais, estão na origem de muitas cenas e coisas que enfim… podiam ser facilmente evitáveis. Os tempos mudaram, os pais também em alguns aspetos, claramente, para pior, basta falar com qualquer educador ou professor e a 1ª queixa é, geralmente, “O problema, muitas vezes, não são os miúdos, são os graúdos!”

Pessoas realmente importantes

Pimpolha mais velha está a terminar o 5º ano e decidiu, no final de mais um ano letivo, escrever uma carta, talvez um bocadinho, mas só um bocadinho, exacerbada, à sua professora do coração. Da sua diretora de turma, diz que sim, que gosta e que é fixolas mas não há nada como a sua professora do 1º ciclo, essa é, claramente, “The special one”.
Revela bem o papel e a “importância” que tem, ou pode ter, um bom professor do 1º ciclo, o que raramente se verifica nos ciclos seguintes ou pelo menos com tal intensidade.

Fim de semana: o fenómeno

Durante a semana, o difícil é tirá-los da cama: porque têm sono, porque são só mais 5 minutos, porque não me apetece e estou cansado, porque, porque… Ao fim de semana, nenhum destes males os aflige e é ouvi-los, em plenos pulmões, às 7h00 da manhã, ou antes grrr, “Onde é que esconderam o comando da televisão?”
Lembro-me bem de também ser assim e ansiar pelo sábado de manhã para ver os bonecos. Na altura, não havia canais a dar bonecos a toda a hora mas havia este despertador natural, típico em muitas crianças, que os pais tanto adoram quando procuram apenas mais uns minutos de descanso e sossego, porque hoje não é dia de despertador, porque têm sono, porque estão cansados, porque, porque… Tão diferente mas tão iguais, apenas com timings desfasados no tempo e no espaço.

Crianças e as suas indagações sobre sexo

No final de um dia de trabalho, pensava para consigo “Isto é apenas uma fase. Tenho que reagir com naturalidade ou eles nunca mais falam comigo sobre o assunto!”. Suspira e respira fundo, tentando adivinhar com que questões ou observações será agraciada dentro de momentos quando os for buscar à escola. Com 8 e 10 anos, os seus filhos, curiosos e permeáveis às conversas que vão ouvindo e tendo com os seus colegas da escola, nos últimos tempos, centraram todas as atenções num único tópico “Sexo”.
As diferenças na fisionomia do homem e da mulher, a sementinha, o óvulo, como se juntam e porque nem sempre se forma um bebé, à palavra feia fo****,  foram tudo temas mais que falados nos último dias  e não vê que mais poderão eles perguntar ou querer saber mas eles têm o dom de a conseguir sempre surpreender.
Prepara-se, mentalmente, para mais um eventual “round”, alimentando, bem lá no fundo, a esperança que outro tema lhes tenha despertado a curiosidade e a atenção. Rapidamente percebe que não, ainda não será desta vez, reza em silêncio para ter paciência e ser assertiva, quando o mais novo dispara “Hoje, a mãe e o pai vão fo****?”.
Sente os olhos a saírem das órbitas e a mente a fervilhar. Respira fundo, conta até 10, lembrando-se que o seu menino só tem 8 anos e não tem noção da crueza e magnitude da sua questão. Afagando-lhe o cabelo, aparentando uma calma que nãos sente, relembra-o que não se usa a palavra fo****, é feia, é uma asneira, que as pessoas que gostam verdadeiramente uma da outra fazem amor e que assim é infinitamente melhor, acrescentando que não se deve perguntar essas coisas a ninguém pois só dizem respeito aos dois e a mais ninguém, é como um segredo entre amigos. O seu menino acena com a cabeça ao seu discurso mas a a sua atenção já está centrada nos LEGOS espalhados pelo chão. Confiante que a sua resposta o aquietou e é invadida por um misto de sentimentos: alívio, embaraço e o de dever cumprido, assunto encerrado.
O pai chega a casa e o menino corre para o abraçar e, em, plenos pulmões pergunta “Quando tu e a mãe fizerem amor, eu e a mana podemos ver?” O pai olha para a mãe, recordando a conversa que tinham tido de “agir naturalmente quando os miúdos falarem sobre o assunto” e diz, sorrindo, naturalmente, “Claro que sim!” e a mãe abraçando ambos, lançando um olhar desconcertado ao marido, diz “Claro que não! Já falámos sobre isso hoje”, o seu menino sorri como quem diz “Há sim?”. Inspira, expira e suspira profundamente, preparando-se para botar discurso sobre a intimidade, e matutando “Here we go all over again! Olha se ele vai contar esta lá para a escola, vai ser bonito vai!”

Ética para um jovem, pai e mãe

Take 1
Conversando, com uma mãe, sobre o teste de inglês do dia seguinte de pequeno do meio e sobre a sua falta de estudo, diz-me ela “Dá-lhe o teste que a tua pimpolha mais velha fez no 3º ano! São sempre iguais! É assim que o meu estuda, não faz mais nada! Quero lá saber! O problema é da professora.”.
Os olhos de pequeno do meio brilham, pensando certamente “Estou safo!”

Take 2
Falando sobre 0 5º ano: a adaptação e as resmas de disciplinas, testes e trabalhos, com uma mãe, minha colega – professora de Educação Física, diz-me ela “Olha tenho lá os três trabalhos escritos de Educação Física do meu filho, devem ser iguais este ano. Posso enviar-tos, estão muito bons! Ele foi buscar muita coisa aos meus livros da faculdade! Ficas já com isso despachado”. Pimpolha mais velha observa, seguindo atentamente a nossa conversa, esperançosa!

Em ambas as conversas, disfarcei o meu espanto, recusei simpaticamente a oferta e enfrentei os olhares da pequenada expressando um clamoroso “WHAT?”, não pronunciado.
Se poderia ter poupado tempo e chatice aos meus filhos e a mim? Provavelmente, sim!
Se teriam tido melhores resultados? É possível!
Então porque não o fiz? Porque sou parva, dirão muitos, com alguma razão, mas essencialmente, por uma questão ética e de exemplo. A responsabilidade de estudar e de fazer o trabalho é deles e como tal devem, desde sempre, habituar-se a, com o seu esforço e trabalho, cumprir na íntegra com as mesmas em toda e qualquer situação.
Se acho benéfico a professora de Inglês dar sempre os mesmos testes? Obviamente que não mas sabendo que tem cerca de 10 turmas e 300 alunos, quase, quase que a percebo!
Se acho que o tipo de trabalhos de Educação Física propostos trazem alguma mais valia para pimpolha mais velha? Tenho sérias dúvidas.
Se partilhei ou fiz alguma observação sobre estas questões com a pequenada? Certamente que não.
Cada um cumpre as suas funções: um a de estudar, se ele não aprender, o problema não vai ser da professora mas dele, mais tarde ou mais cedo; ao outro a de fazer os trabalhos que lhe são pedido, o melhor que conseguir e, a mim, cabe-me procurar transmitir-lhes que os princípios e valores começam, e aprendem-se, em casa, muitas vezes, pelo exemplo que damos ou modelo que decidimos seguir, independentemente do que os outros fazem e das suas atitudes estarem certas ou erradas. A ver se consigo, às vezes, é difícil e a tentação está sempre à espreita!

Um artigo interessante sobre o tema “Is it possible to be both an ethical and a good parent?”

Este estaminé pelos olhos e mãos de pimpolha mais velha

Quando decidimos brindar aqui o burgo com nova cara, pedi a pimpolha mais velha que, num desenho seu, retrata-se o que por aqui se passa. Ora a moça fez o seu desenho mas depois o mesmo desapareceu, de tão bem que ela o guardou, no meio de tanta ideia e projeto criativo. Este fim de semana deu à costa, depois de uma longa viagem no mundo dos seus muitos rascunhos e rabiscos!
Nota: Sim, lemos-lhes, ou damos a ler, o que por aqui se vai dizendo, especialmente quando são eles os visados, uma vezes antes outras depois de publicarmos, eles riem-se e dizem, “Passa à próxima, essa já lemos” e assim se entretém um bom bocado a avivar a memória.

Dia da Criança

Uma ideia engraçada, colorida, original, até a escola ganhou um outro ar! Os miúdos são muito castiços  e dizem coisas fantásticas.
Pimpolha mais pequena encarnou a sua melhor versão materialista – anda uma pessoa convencida que anda a fazer alguma coisa de jeito com esta malta e vai-se a ver… parece que nem por isso 🙂 Ao ver o seu dizer, ri-me e disse-lhe “Presentes, hã?” e ela respondeu com o seu sorriso maroto, aquele de quem tem sempre resposta na ponta da língua e me dá um grande desconto, “Recebeste algum hoje?” – é tão parecida com o seu mano e… com a mãe, dizem as más línguas, obviamente.


Os meus preferidos são

Mas há lá muitos simplesmente deliciosos

Ser criança não é fácil! Corresponder às expectativas dos pais pode ser tramado e, ao que parece, desde muito cedo, se aos 5 anos, uma mãe, que lia o “mural” com o filho pela mão, observa com um ar desiludido “Então e só disseste isto? Os teus amigos disseram muito mais coisas!” imagino como será daqui a uns anos, o filho limitou-se a olhar para ela, dando de ombros, como quem diz “O que é que querias que eu dissesse mais?”.

Espíritos livres, criativos, críticos, genuínos, energéticos, brincalhões, de sorriso fácil, marotos, aventureiros, assim são as verdadeiras crianças, independentemente da sua idade 🙂 E tão bem que eles sabem viver, são verdadeiramente felizes, relembremos e aprendamos com eles!

Neste dia, a RFM, em honra das crianças e da palavra que elas mais odeiam ouvir “Não”, com mais uma excelente letra musicada. Vale a pena ouvir, rir e mostrar à pequenada, aqui por casa apreciaram mas gostaram mais da da Comercial (eu também não… )

Frutologia no Jardins da Gulbenkian

Dois dias repletos de atividades gratuitas para os mais pequenos, com um ambiente fantástico, num belo cenário – os jardins da Gulbenkian – numa parceria da Compal com programa Descobrir da Gulbenkian. Vale a pena passar por lá, desfrutar do ambiente e das atividades, quiçá fazer um piquenique e dos bonitos jardins da Gulbenkian (horários e atividades). Se estiverem pela capital, é aproveitar, amanhá há mais e vale mesmo a pena!!!
Adorámos rever e ouvir a fantástica Ana Sofia Paiva (matando saudades do Pinhal das Artes), e que desta vez nos trouxe uma adaptação da história da “A tartaruga e a fruta amarela” , adivinhas com frutas, e canções sobre frutas, cantou uma parte da Senhora do Almurtão “olha a laranjinha que caiu, caiu!” (que tantas vezes ouvi e cantei em miúda), muitos trava línguas e um bonito poema de Miguel Torga. Tudo isto regados com o ritmo, a musicalidade, a expressividade, o espírito, a empatia e o profissionalismo que caracterizam uma excelente contadora de histórias! Para terminar, o concerto dos Clã, dedicado à pequenada, que deixou muitos com “asas nos pés”.
Nota: Se almoçarem por lá, no interregno das atividades ainda podem visitar a exposição do Almada Negreiro, que está quase a terminar. Fica a sugestão!!!

Esperança?!

Nos últimos dias, assim que chega a casa, sem hesitações nem perdas de tempo, pega no livro e lê com vontade e contentamento… esquece-se dos timings dos TPC (ok, isto é o prato do dia com livro ou sem livro), traz o livro para a mesa, às refeições, os legos, o spinner, a televisão passaram para 2º plano. Não seria nada de novo, ou surpreendente, se fosse pimpolha mais velha mas é pequeno do meio que anda com este entusiasmo. E o que anda o moço a ler tão satisfeito? Pois então Comix, histórias do tio Patinhas, do pateta e afim. Numa primeira abordagem, mais do que os livros recomendados, o importante é ler!

Pequeno do meio no seu melhor

Pequeno do meio olha atento, enquanto ajuda as manas a arrumar as compras nos sacos, e observa “Humm… tanta coisa! Bem… é para uma família de 5!”. A senhora da caixa sorri face à observação e ao ar sério do moço. Enquanto pago a conta, recebe as saquetas de cartas da moda.
Compras acondicionadas, confirmando que todos tinham os cintos de segurança postos dispara ele indignado “92€, 92€?!!! Não trouxemos muito coisa! Em casa temos muito, muito mais coisas! Humm, já decidi, quando for adulto, vou ser solteiro!”.
Entre risos, procurando apaziguá-lo com o seu futuro, digo “Ó rapaz, descansa lá, não é, certamente, caso para tanto, o dinheiro não é tudo na vida!”. Miramo-nos pelo espelho retrovisor, e com o seu ar maroto remata, piscando-me o olho, “Espera já sei como vou fazer: mando a minha mulher às compras!”. Ri-me com vontade, este miúdo é simplesmente irresistível!!!!

Fidget spinners (homemade)

São a última moda e é vê-los a rodar, rodar, por todo o lado à miúdos com um na mão: de plástico, metalizados, com luzes, sem luzes, há para todos os gostos! Nas aulas, no intervalo, na rua, sei lá, estão por todo o lado, a rodar, obviamente! Pequenada da casa não é nada imune a estas modas, quando surgiram os primeiros, pimpolha mais velha disse “Aquilo não tem piada nenhuma!”, no dia seguinte, como quase metade da sua turma já tinha um, desconfio que os papás fizeram uma corrida ao chinês, passou a ser “Bué fixe”. Pequeno do meio sempre lhe achou piada e até já houve um amigo que lhe emprestou o seu por um dia. Pimpolha mais pequena mantinha-se mais aos menos indiferente a esta tendência, até ao dia em que apareceu o primeiro menino com um na sua sala e aí o caso mudou de figura, especialmente, quando no dia seguinte já quase todos também tinham um! Todos os dias a ladainha é a mesma “Vamos ao chinês comprar os spinner. Vá lá, vá lá! Um para cada um!” É que é já a seguir, andamos nisto vai para 3 semanas e spinner nem vê-los, quero dizer, eu vejo-os às carradas nas minhas aulas mas a coisa já não está na fase ascendente mais semana menos semana a coisa eclipsa-se, espero! Ora isto para dizer que quando vi fidget spinner feitos de cartão e de legos, pensei é isto, é desta que a coisa se resolve! Os de cartão seguimos as instruções do Red Ted Art e ficaram bem fixe: imaginem, rodam, não tão bem como os de compra mas cumprem a função! Pequeno do meio diz que este não dão para fazer acrobacias mas para isso vamos para ao circo! Os com Legos, foi ainda mais interessante, seguimos este modelo mas adaptámos às peças que tinhamos e estudámos novas soluções (forma, distribuição de pesos, a importância do eixo), uma lição simples de física mas efetiva. E assim entre trabalhos manuais e Legos se passou uma bela tarde. Fidget spinner: uma moda muito bem retratada, na Mixórdia de Temática, por Ricardo Araújo Pereira.

Pequenas observações

Take 1
“Hoje as minhas amigas gozaram comigo na natação!”
“Então porquê?”
“Porque eu tinha umas meias do Homem Aranha.”
“Qual é o problema? Elas não gostam do Homem Aranha?”
“São meias de MENINOOOOO!”
“São meias ponto. Também levas com as princesas, com a kitty, com flores e sem boneco nenhum! Não lhes ligues”

Take 2
“Amanhã, posso não levar as botas e levar outros sapatos?”
“Podes mas porquê? Está frio as botas são mais quentinhas.”
“Sim, eu sei mas os meus amigos dizem que eu ando sempre com as mesmas botas.”
“Não tem mal! São bonitos, não te fazem doer os pés nem tens frio. Isso é o mais importante!”

Take 3
“Amanhã quero ir de saia ou de calções!”
“Então porquê?”
“Porque os meus amigos dizem que eu ando quase sempre de calças.”
“Às vezes, também vais de vestido as tuas calças são bem giras! Não é mais fácil, quando estás de calças, correr e saltar no recreio?”
“Sim, é verdade! Mas, amanhã posso ir de saia ou de calções?”

Podia ser fictício mas não é! Foram tudo conversa que, ao longo deste ano letivo, tive com pimpolha mais pequena. Os meninos da sua sala tem 5 anos, alguns com 6 acabadinhos de fazer. Este tipo de conversas fazem-me uma urticária medonha e apesar de tentar sempre passar a mensagem “Esquece lá o que eles dizem e pensam!”, percebo a sua “dor”. Assim, dou por mim, nos dias em que tem natação a ter mais cuidado com as meias que lhe calço. Relativamente ao calçado, é política da casa terem uns bons sapatos (confortáveis, resistentes e bonitos) que se usam até estourar porque a vida não é, ou não deve ser, uma passagem de modelitos. Saias e calções, no verão são o prato do dia, mas restantes estações do ano, quando ela se lembre e pede, acontece!
Onde é que esta malta pequena aprende, vê e ouve estas coisas que depois reproduz na perfeição? Ok, dou de barato a do Homem Aranha, que nesta idade é típica, agora as restantes… Enfim, educar uma criança é difícil mas tentar escapar ao padrão dominante: do consumismo, das aparência e da superficialidade, é uma tarefa hercúlea.

Manicure, gelados, brinquedos e …!

“Então queres uns óculos da Elsa do Frozen ou da Lady Bug?” pergunta depois de cumprimentar efusivamente pimpolha mais pequena. “Pode ser da Elsa!” diz pimpolha mais pequena, deitando-se já com os olhos fixos na televisão. Depois de observar diz “Vamos lá tratar disto!” voltando-se para preparar o necessário. Num timing perfeito, diz “Queres pintar as unhas?” e pimpolha estica de imediato as mãos para a assistente que lhe apresenta uma palete de cores, enquanto escolhe a cor, sente uma pequena picada mas não viu, nem percebe bem donde veio, segue contente e feliz “Quero de roxo!”. A pintura das unhas segue acompanhada de um som muito caracterísitca “zzzezzzezzz” mas a moça não tuge nem muge de tão encantada que está com as suas unhas roxas. Terminado o serviço de manicure, e não só, diz “Portaste muito bem! Tens direiro a um gelado: há de morango, chocolate, laranja, limão, melão! Qual queres?” e se ela já estava a sorrir de orelha a orelha, com esta deixa ficou deliciada. De gelado na mão, toda lambuzada, despedindo-se, é brindada com “Podes ir ali escolher um brinquedo para levar!” e os olhos dela brilham. No carro, de gelado numa mão, brinquedo na outra,  pergunta toda satisfeita “Podemos vir à dentista todos os dias?”.

Nunca deixa de me espantar a dinâmica, a sintonia, a simpatia e a empatia num ato médico que deixa muitos adultos à beira de um ataque de nervos! Estratégia, claramente, vencedora!

Coisas de miúda!

“Quero uns lápis como os do mano! Ele tem amarelo torrado, amarelo doirado, cor de pele, rosa escuro, azul da cor do céu, azul da cor do mar, verde cor de relva e verde claro!” diz pimpolha mais pequena com o manancial de lápis na mão mostrando-nos as evidências enquanto pequeno do meio olha para ela, com desdém, e diz “Isso é tudo igual” a indiferença típica de quem considera que verde é verde, azul é azul, ser claro, escuro ou algo intermédio, é-lhe totalmente indiferente. E ela aproveitando a abertura exclama “Então posso ficar com eles?” e ouve-se um sonoro “NÃOOOO!”

Bicho sofre!!!

“Fizemos uma espécie de cápsula depois 2 pauzinhos e uma folha por cima para fazer um género de paraquedas. Pusemos o bicho da seda lá dentro e atirámo-lo! Correu bem o voo, a aterragem foi boa e o bicho sobreviveu!” conta pequeno do meio orgulhoso da experiência que fez no intervalo da manhã com o dono do bicho.  Pronta para me manifestar, pimpolha mais pequena antecipa-se “Um amigo meu pôs o bicho da seda dele num avião de papel e atirou-o!” revela pimpolha mais pequena. “Oh pá como é que eu não me lembrei disso! Talvez, amanhã…” diz pequeno do meio entusiasmado. Quando me preparava para botar faladura, estica a mão, ao género sinal STOP, e acrescenta “São apenas estudos! Sabes bem que isto é ciência…!” Portanto, em nome da ciência, decidi não intervir… já!

Há poemas que não rimam mas alimentam o ego!

“Tenho uma coisa para te mostrar! A professora disse que era muito importante porque ainda por cima não tem erros” diz sorrindo com o seu ar maroto e acrescenta “Era um exercício do livro!”
“Muito bonito, sim senhora! Porque não escreveste o texto todo seguido?” pergunto-lhe. “Pois diz que era para fazer um poema… toda a gente sabe que há poemas que não rimam, esse é um deles! Isso também não interessa nada nem era o mais importante” atalha o moço.
Entre risos, porque este moço desarma qualquer um, e relembrando uma conversa de há tempos em que nos perguntava “Por comer a cabeça dos outros animais ficámos mais espertos?”,  e a expressão “Esperto que nem um carapau” (adoro comer as cabeças dos carapaus), pergunto-lhe “Com que então sou muito esperta, hã?”. Resposta dele, sem hesitação “Claro que és! Tu és professora”

Picadas

Averiguando os indícios do festim de um melga, que andou a zumbir toda a noite cá por casa, constata pequeno do meio “Tu e o pai não são nada docinhos. Foram os únicos que não foram picados!” ao que pimpolha mais pequena responde sem hesitações “Tu também não és lá muito doce, só tens uma picada!”, pequeno do meio não se fica “Isso não interessa nada porque a minha é muito grande!”

Pequeno do meio e o cubo mágico

Decidimos que um cubo mágico (ou de Rubik), esse quebra tolas muito típico dos anos 80, era uma excelente presente de aniversário para pequeno do meio, capaz de prender a sua atenção e energia. Uma provocação, da nossa parte, uma vez que o moço tem a mania de agora classificar como “Secaaaaaa!” tudo o que advém do século XX, inclusive nós! Bingo, pequeno do meio e excelentíssimo esposo mergulharam na magia do cubo mágico e da sabedoria partilhada nas internets para o resolver. Excelentíssimo esposo, tão ou mais entusiasmado, que pequeno do meio, ao fim deste anos todos, conseguiu resolver, pela primeira vez, o cubo mágico e instalou um app no telemóvel para jogar o cubo mágico, modernices. Pequeno do meio decorou os 5 primeiros passos da resolução e faz desenhos em papéis cheios “fórmulas” do tipo FRUB e F´RUB´ (as iniciais de front, right, up e back onde apóstrofe significa que é para rodar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio) para resolver os passos seguintes, é vê-lo brincar a toda a hora com o cubo. Levou o cubo mágico para a escola e fez sucesso, os amigos desmancham e ele resolve, “Hoje, resolvi 5 vezes! Já há mais um menino que leva o cubo mágico!”
O moço anda contente, puxa pela memória, desenvolve a visualização geométrica, concentra-se, não que os passos sejam difíceis mas são muitos e falhando um, puff, faz um brilharete, anda entretido, e já pediu a pirâmide mágica e o cubo mágico 2x2x2, isto porque não sabe que há o 4x4x4 e o 5x5x5, mas segundo ele o 13×13 é o mais difícil (socorro!). Acho que as nossas explorações vão continuar por estes terrenos

Dica:
As 8 fases, para iniciantes, da resolução do cubo mágico e ainda muitas outras informações para experts ou curiosos
Há várias apps para o telemóvel para resolver ou treinar o cubo rubik, basta procurar, instalar e começar a aplicar o método das 8 fases no cubo virtual!