Jogo de lápis e papel

Com medo de me esquecer disse para pequeno do meio “Logo lembra-me para vos ensinar um jogo novo que encontrei!”.
“Envolve ecrãns?” pergunta-me o rapaz desconfiado/esperançado.
“Não!” respondo-lhe.
“Imaginei que não. Aviso já que não vou gostar!” remata pequeno do meio. Os meus filhos têm muita fé em mim mas não lhes dou muitas hipóteses neste tipo de coisas!
Não só jogou como gostou e irritou-se porque as manas (as duas) lhe ganharam e o moço não tem bom perder!

É um jogo simples, entretem a malta miúda e graúda e puxa pela cabecinha.
Numa folha de papel, desenhar 6 pontos não colineares ( tipo vértices de um hexágono).

Cada jogador escolhe uma cor e, alternadamente, cada jogador desenha um segmento de reta que una dois dos pontos marcados.
Para os mais pequenos é mais fácil desenhar a tracejado o hexágono e as suas diagonais e depois, à vez, cada um dos jogador passa com a sua cor por cima da linha desejada.

Perde quem primeiro, desenhar um triângulo da sua cor (pode ser grande se os seus vértices coincidirem com os pontos marcados ou pequeno se apenas 2 vértices coincidirem com os pontos marcados).
Alguns exemplos

Experimentem, é fácil, rápido e entretem. Uma ideia para viagens longas se a malta não tiver tendência para enjoar.

Vídeo e explicação mais detalhada, passo a passo, do jogo

Pessoas versus gente

Pimpolha mais velha utiliza, frequentemente, a expressão em voga, entre a malta da sua idade, sempre que se dirige a um grupo:
“PESSOAS??? GENTE???”
E as pessoas e  as gentes, respondem-lhe prontamente!
Passado pouco tempo, esta forma de tratamento estende-se, e em mails ou whatsapp entre pais, constato que já há pais a chamar por “PESSOAS” e “GENTE” os demais.
Um fenómeno interessante…
Curiosamente, um “PESSOAS?”, ao qual a resposta não chega no timing desejado, segue-se sempre um “GENTE?”, de filhos e pais. Engraçado o alinhamento e o seguimento, faz-me sempre lembrar que pessoas há muitas mas gente (?), gente é outra coisa, algo um pouco mais elevado e próximo.
Detesto esta forma impessoal de tratamento, não me soa bem, talvez porque considere que entre pessoas e gente há uma grande diferença, como tão bem retrata Ricardo Araújo Pereira no seu artigo “Tem gente que é pessoas”:

“Pelas minhas contas, temos: pessoas, gente, povo e humanidade. O pior são as pessoas, claro, e o melhor é a humanidade.
As pessoas não usam setas no trânsito; a humanidade foi à lua.
A humanidade é tão digna que, muitas vezes, aparece grafada com h grande: a Humanidade. Isso nunca aconteceu às pessoas, e bem. Não faz sentido escrever que as Pessoas jogam lixo no chão (coisa que a Humanidade, aliás, nunca faria). As pessoas raramente merecem a honra da maiúscula. Em geral, são referidas no fim da conversa, em tom de lamento: “realmente, as pessoas e sempre com p pequeno.
A gente talvez esteja num patamar acima, mas não muito. Tem gente muito estúpida. O que é normal, dado que a gente costuma ser formada por muitas pessoas. Mas, apesar de tudo, às vezes é possível confiar na gente, e até desejar combinar um programa com ela, como fica claro na frase: “E aí, gente, vamos sair?” Um convite que, não por acaso, nunca é feito às pessoas.
O povo já é outra coisa. Dedica-se sobretudo à política, e com uma nobreza que falta claramente às pessoas. Os políticos, infelizmente, são, em geral, pessoas. O povo, que é sábio, vota neles, mas apenas porque não tem alternativa.
Pudesse o povo votar no povo e as nações, verdadeiramente governadas pelos povos, prosperariam. No entanto, o povo não tem outro remédio senão votar em pessoas, com os resultados que todos conhecemos.
Não surpreende, por isso, que a Humanidade seja capaz de tantas e tão grandes façanhas: ela é formada pelo conjunto dos povos. Quando os povos se juntam para criar a Humanidade, aliam a excelência de cada um à dos outros, e o resultado é uma entidade que consegue atingir cumes da civilização, como as vacinas, a conquista do espaço e o gin tônica.
Falta descobrir o essencial: em que ponto passam as pessoas a ser gente – e, sobretudo, quando é que a gente se transforma em povo e Humanidade. Esse momento tem de ser identificado e estudado na escola. Deve ser uma delícia viajar de ônibus com a Humanidade, aguardar na fila do supermercado atrás da Humanidade, ir ao estádio ver o nosso time na companhia da Humanidade. Fazer tudo isso com pessoas é quase sempre chato, e muitas vezes perigoso.”
Texto de Ricardo Araújo Pereira publicado originalmente na Folha de S. Paulo

Saltar à corda

Pimpolha mais pequena na última semana de aula descobriu, pela mão e corda de uma amiga, o seu enorme interesse e gosto em saltar à corda.
Porquê?
A amiga levou uma corda para a escola e todo o santo recreio praticavam, praticavam!
Perfeito, uma excelente brincadeira!
Curioso, curioso, e eu sou má língua, foi o timing! Esta ideia maravilhosa surgiu logo a seguir a ser anunciado o ralatório das provas de aferição de 2º ano que dizia, em letras gordas, e que chocou muita gente, que os meninos não sabiam saltar à corda.
Ri-me sozinha, mas com vontade, da minha maldicência e desta coincidência tão curiosa na forma e no timing.
Uma mãe prevenida, uma vez que no próximo ano, caberá à sua filha, e à minha por arrasto, ter um bom desempenho na prova de Expressão Físico Motora do 2ºano.
Uma mãe empreendedora e que decidiu atalhar e tomar o assunto em mãos ou mais precisamente colocá-lo nas mãos da filha.
Os senhores do IAVÉ, e outros que tais, lá saberão os desígnios a avaliar no próximo ano mas desconfio que não será o saltar à corda, essa coisa corriqueira e badalada!
Outros interesses e apontamentos se levantarão dependendo para que lado puxa a corda.
Resumindo, é ver pimpolha mais pequena a saltar energicamente à corda, de pés juntos, com um pé à frente e outro atrás e/ou a correr, com as faces coradinhas que dá gosto.
Prova superada, valeu, como dizem os nosso amigos espanhóis( será que por lá também avaliam o salto à corda?)!

Nota: Depois de observar vários espécies, ocorreu-me a dúvida: saltar à corda a pés juntos, like a pro e como deve ser, ou com um pé à frente e outro atrás, para despachar e facilitar, será esta um questão de géneros?
Saltem à corda, observem e concluam!

Quantificar

“Dou-te uma pista: ela só gosta dele 2%”

Resposta que a amiga de pequeno do meio lhe deu quando este tentava tirar nabos da púcara ao inquérito cerrado do moço sobre o que vai no coração de uma amiga comum.
Gosto desta (im)precisão no contar dos dizeres do coração. Aparentemente, mas por razões, obviamente, diferentes, também agradou muito a pequeno do meio.

Prenúncio

Pequeno do meio chega a casa e, de imediato, pega no telefone e liga ao seu melhor amigo. Passado pouco tempo pergunta-me “Podemos ir ao parque agora?”.
Face à resposta negativa, prossegue a conversa telefónica. Para poucos minutos depois, voltar ao ataque “Posso ir a casa dele para brincarmos?”.  Como a resposta voltou a não ser do seu agrado, continuaram ao telefone. Pouco tempo depois, lança a questão “Então e achas que posso ir dormir a casa dele?”.
“Mas afinal o que é que se passa? Qual é a emergência? Passaste o dia todo com ele!” pergunto-lhe verdadeiramente intrigada.
“Sabes, é que estão muitas cenas e coisas interessantes a acontecer!” diz-me ele sorrindo com o seu ar de maroto.
Reconhecendo o insucesso da sua estratégia, lá se contentaram com uma longa conversa telefónica cujo tema dominante desconfio que foi gajas… resmas de gajas, paletes… atrás dele(s)!
Se com 10 anos e é isto… Estou bem arranjada com esta maltinha!

De paraquedas

Ao longo do anos, perdi a conta ao número de vezes que excelentíssimo esposo referiu, desgostoso, que apesar de ter assistido a todas as aulas e aprendido a dobrar o paraquedas (dos antigos), não ter efetuado nenhum salto por ser menor, na altura, que o seu pai fez o curso.

Para colmatar esse seu grande desgosto/desejo de adolescência, e como não me ocorreu nada mais original, decidi que, no seu aniversário, o brindaríamos com um salto tandem.
Não percebendo nada do assunto, com a ajuda preciosa do Dr Google, pareceu-me que escolha acertada seria o salto tandem 4200m (o ideal para desfrutar em pleno e sentir a adrenalina a bombar).
Comprar um voucher todo janota na Skydive Portugal foi o passo seguinte.
Pequenada aprovou, entusiasmada, a ideia!
Reação de excenlitíssimo esposo ao abrir a sua prenda foi de estupefação  “Uauuuuuu… isto é muito à frente! Não sei se estou preparado para isto!”
“Depois de tanta conversa, finalmente vais experimentar! Tenho a certeza que vais estar à altura… literalmente :D!” rematei, surpreendida com a sua hesitação e nervosismo.
O tempo foi passando e nada de marcar o salto, havia sempre um compromisso ou o tempo não estava favorável ou… whatever.
Com o voucher a expirar, depois de alguma insistência, afastando e contornando as desculpas a agenda, lá se arranjou um buraco na agenda e o moço marcou o salto.
No dia da liberdade, eheheh, não deixa de ser curiosamente emblemático, rumámos a Évora, para excelentíssimo esposo, de um plano superior, observar e vertiginosamente “planar” sobre as suas belas planícies.
Estava expectante, aparentemente, calmo mas um pouco apreensivo!
À chegada, a pequenada fica espantada com os que “caem” dos céus e aterram elegantemente à sua frente.
Assim que pimpolha mais pequena se apercebeu que o seu querido pai também ia desabar dos céus como os que tinha acabado de ver, deixou de achar aquilo tão engraçado. Não mais lhe largou a mão. Assistiu ao vestir do fato e à parefernália de “atilhos” e outros que tais.  Tirou mil e uma fotografias, sempre de mão dado ou ao colo do pai, Assistiu, atenta, ao briefing, cada vez com uma expressão mais carregada e de poucos amigos.

Durante o compasso de espera para o salto, o instrutor com quem excelentíssimo esposo ia saltar “às costas”, com duas GoPro presas ao pulso, fez uma pequena entrevista à família: quem tinha oferecido, porquê e outras coisitas mais (+50€ pela reportagem pro).
Diz-me o instrutor “Com que então foi a esposa? E também já lhe tinha oferecido a do mergulho? Está farta de tentar!!!! 50€,  não se fala mais no assunto e, lá em cima, resolvo o seu problema. Não precisa de tentar mais nada de radical!”.
“Epa, agora já não dá! Temos testemunhas! Para a próxima, fazemos isto mais discretamente!” respondo, entrando no espiríto.
“Então e a esposa não vem saltar também porquê?” atazana-me o instrutor.
“Humm… com três filhos, alguém tem que ter os pés assentes na terra! O meu voo é outro!” rematei.
Entretanto, para o filme e fotografia, excelentíssimo esposo fez, naquele espaço de tempo mais” thumbs up”, copiando o instrutor do que o vi fazer desde que o conheço. Desconfio que faz parte da estratégia e do processo de mentalização 😀 , “Cool! Sou muita fixe! Tá-se bem!”.

55 segundo em queda livre e cerca de 4 minutos a pairar na segurança de um paraquedas aberto depois excelentíssimo esposo e o instrutor aterram suave e elegantemente mesmo à nossa frente.
Pimpolha mais pequena arregala os olhos, observando todo o processo e dinâmica com muita atenção. “Ufa! Surpreendente, chegou inteirinho!” diz cheia de contente e espantada enquanto a nuvem negra que pairava  sobre ela desaparece.
“Vamos outra vez? É que era já.” desafia o meu mano, com um sorriso de orelha a orelha, companheiro de voo e aventura de excelentíssimo esposo.
“Outra vez? Agora? Fica para a próxima! Isto é adrenalina pura, em doses excessivas é capaz de não fazer muito bem a gente da minha idade.” diz excelentíssimo esposo.
Avaliação final “Muito fixe! O oposto do mergulho onde predomina o silêncio, uma certa paz e contemplação. Ali, é alucinante e vertiginosa a sensação de queda livre, dos 55 segundo mais longos da minha vida! Valeu a pena!”
Desde então, nunca mais o ouvi falar de paraquedismo 🙂 O meu mano já marcou o próximo salto, excelentíssimo esposo recusou o convite, por ter compromissos inadiáveis obviamente 😉

Em Évora, aproveitámos para passear no centro, Praça do Giraldo, Templo de Diana e visitar a Capela dos Ossos.

 

“Como te imaginas daqui a 20 anos?”

Foram duas as perguntas que professora de pequeno do meio fez a cada um dos meninos da sua turma. Com a sua ajuda e da professora de TIC, cada menino respondeu às duas perguntas e ilustrou a 2ª. As professoras reuniram tudo num livro com os contactos de cada um e brindaram os pais e os meninos com esta bela recordação.
A primeira pergunta era “O que te marcou mais neste 4 anos de 1º ciclo?”.  A maioria os amigos, as brincadeiras no recreio e as visitas de estudo, pequeno do meio, para além disso, referiu, claro está, “mudar de turma”.
A segunda pergunta era “Como te imaginas daqui a 20 anos?”. As respostas são deliciosas e é muito curioso analisar as diferenças nas respostas tendo em conta o género.
Uma verdadeira pérola que daqui a 20 anos, vai fazê-los sorrir!
A nós já nos fez rir com vontade.
Atenção: meninos do lado esquerdo, meninas do lado direito (com excepção da última linha que pertence a duas meninas).

Então e como é que pequeno do meio se imagina daqui a 20 anos?
Se tivessem que apostar, qual escolheriam?
Dica: foi eleita, por unanimidade, entre as professoras e os seus colegas, como a mais original!
Pequeno do meio no seu melhor e igual a si mesmo!
Já descobriram?
Ilha voadora, dinossauro robô de estimação e pelo menos, um carro bom porque a ilha é grande e assim pode ir a todo o lado! E o que é um carro bom? Ele explica: um lamborghini! Sempre em grande este moço!

Da fartura à parvoeira

Numa bela tarde de verão, dez pré-adolescentes divertem-se, numa festa de anos, a andar de patins, skate e hoverboard.
Uma delas diz, entre risos, “O meu telemóvel é indestrutível! Querem ver?”. E, sem demoras, atira o telemóvel ao chão e… o bicho não se partiu.
Orgulhosa, desafia as amigas a experimentarem por si e verificarem que o seu telemóvel não parte.
Ao princípio, renitentes, mas espicaçadas pela dona do telemóvel, embarcam na “aventura”.
O telemóvel passa, de mão em mão, para ser atirado ao chão e ver se passa no teste de resistência máxima.
1, 2, 3, 4, 5 e à 6ª tentativa o vidro do telemóvel, finalmente, cede e estilhaça-se em grande estilo.
Que surpressa… coisa inesperada!
Espantadas e meio atarantadas com o sucedido, correm todas, em bando, em busca da salvadora de telemóveis mãe da aniversariante para relatar o seu “azar”, na desorientação do momento, para trás deixam o hoverboard, patins e skates.
Mais calmas, mas com o vidro estilhaçado do telemóvel, regressam de novo ao local do crime para continuar a andar de patins e afins! E, surpressa, novamente… não avistam o hoverboard em lado nenhum, tudo o resto permanece nos sítio onde, com a pressa, os tinham deixado. Perguntam mas ninguém viu, ninguém sabe quem levou nem onde poderá estar!
Vidro do telemóvel foi-se, hoverboard foi-se… Puffff! Tudo de uma assentada!
A festa prossegue com uma aula de krav maga.
Ao chegar para recolher a cria, Pimpolha mais velha dirige-se, de imediato, a mim, em passo apressado.
Estranhei.
Sem pausas, dispara “Não fiques chateada mas…” e relata, a mil à hora, como é seu costume, o sucedido, acrescentando o pormenor que tinha sido na sua vez que o telemóvel se tinha partido mas “Não te preocupes, eu vou pagar com o meu dinheiro”.
Perguntei à dona do telemóvel estilhaçado se podia falar com ela, a sua mãe ainda não tinha chegado.  A moça lançou uns olhares suplicantes, e ao mesmo tempo fulminantes, a pimpolha mais velha, do tipo “Eu disse-te para não contares! Eu avisei-te”. Pimpolha mais velha limitou-se a encolher-lhe os ombros enquanto me escalrecia “Ela já me tinha dito que não é preciso. Isto já lhe aconteceu mais vezes e a mãe dela até já lhe fez um seguro do telemóvel! Ela pediu para nós não contarmos nada. Mas eu lembrei-me do que disseste sobre as mentiras… e por isso, decide que era melhor contar-te” diz-me relutante pimpolha mais velha.
Falei com a moça, dizendo-lhe que ligaria à sua mãe, para pedir desculpa e combinarmos pois pagaríamos o arranjo do telemóvel e ela dizia-me meio envergonhada, meio atrapalhada “Não é preciso, não é preciso! Eu tenho seguro… a minha mãe não se importa e eu tenho outro telemóvel!” durante toda a nossa conversa.
Pimpolha mais velha vinha verdadeiramente desgostosa e incomodada – “Eu não queria atirar mas elas insistiram e já tinham atirado 5 vezes! E depois quando aquilo aconteceu, começámos todas a correr e a L. (a aniversariante) que estava a andar no hoverboard também e nem nos lembrámos das nossas coisas que lá ficaram! A A. está super triste, o hoverboard tinha sido oferecido pelos seus padrinhos!”.
Não foi preciso acrescentarmos nada, nem “botar discurso”, não tivemos qualquer dúvida que pimpolha mais velha tinha aprendido, e absorvido, a lição da maneira mais difícil. E, às vezes, “não vale a pena bater mais no ceguinho!”.
Liguei à mãe da miúda que, com muita naturalidade, me disse “Não se preocupe! Já é a 3ª ou 4ª vez que isto lhe acontece, até já lhe fiz um seguro! Os acidentes acontecem! Ela até tem outro telemóvel…”. Insisti…porque “é assim que se aprende”, frisei bem!
Fiquei com a nítida sensação/certeza que a mãe da miúda não sabia que o acidente não tinha sido um acidente qualquer mas achei que não me cabia a mim, naquele momento, elucidá-la.
Relatei a minha conversa com a mãe a Pimpolha mais velha, que respirou de alívio, andava ansiosa que eu lhe telefonasse.
Rematei “Parece-me que ela não contou à mãe bem aquilo que se passou! Apura lá isso com a tua amiga.”
Ao que Pimpolha mais velha me respondeu “É possível… Sabes, acho que ela não gosta muito daquele telemóvel… e anda a ver se ganha um novo! A mãe ainda não percebeu…”

Tudo está bem quando termina bem?!

Causa-me sempre um friozinho e mau estar na “barriga” ler em vários textos de pequeno do meio o quanto o marcou, custou e deixou triste a sua mudança de turma, embora não tenho qualquer dúvida que a mudança de professora/turma, no final do 1ºano, foi a decisão acertada e o melhor para ele a todos os níveis…
As crianças não têm filtros nem capacidade para entender a razão e alcance de algumas decisões dos adultos, naturalmente, partilham muito do que ouvem e das suas preocupações e apreensões com as professoras e colegas, as professoras são “amigas” e ambas tentaram, discretamente, tirar nabos da púcara entender a razão da sua mudança, ouviram o mesmo discurso de mim e de pequeno do meio; uma vez que, procurando assegurar um bom ambiente e “bem estar”, pois pequeno do meio permaneceu na mesma escola, assim como as manas, nunca foi tema de conversa, com ele, a verdadeira razão da sua mudança de professora “Entraram meninos novos na turma e tu saíste porque NÓS e a tua professora achámos que era o melhor para ti!” sem entrar em grandes justificações, pormenores e divagações.
Essencialmente, no meu entender, há questões que as crianças, aos 6/7 anos, não têm capacidades de avaliar ou decidir, com tal não se lhes colocam, as decisões são da responsabilidade e estão nas mãos dos adultos que devem proceder com calma, ponderação, cabeça fria e algum distanciamento. Bem sei que muitos discordam desta forma de pensar, embora todos procuremos o melhor para os nossos filhos, é importante perceber que as crianças tendem a escolher a “satisfação imediata”, o pensar a curto prazo; eu tendo, não ignorando o imediato, pensar a médio/longo prazo – é também esta valiosa capacidade que distingue uma criança de um adulto!
Educar é também ter muitas dúvidas, tomar decisões difíceis, não tendo muitas vezes a certeza se as nossas opções, são, ou serão, efetivamente, o melhor para eles, é, até determinada idade, dizer várias vezes, e agir em conformidade, “É assim porque eu decidi que é assim por ser o melhor para ti!”, é rezar, ajudar e fazer para que tudo corra bem e que não nos arrependamos, é seguir o coração apertadinho e a nossa intuição/razão, trilhando não o caminho mais fácil, ou o do deixa andar, mas o que consideramos ser melhor para eles, apesar das contrariedades, dissabores e tristezas que lhes “provocamos”, momentaneamente, mas que carregamos aos ombros .
As coisas são como são, a vida é mesmo assim…  se fosse, hoje, faria exatamente a mesma coisa.
Pequeno do meio reagiu e superou bem este marco como se pode constatar no final da sua composição e no texto que dedicou à sua professora de 2º ao 4º ano (até se esqueceu que ela não tinha sido a sua professora no 1º ano).
Nunca teceu nenhuma comparação entre as suas duas professoras do 1º ciclo apenas uma vez comentou para pimpolha mais velha quando esta alegava que a sua era a melhor professora do mundo, o rapaz rematou com “Só eu é que sei comparar as professoras de 1º ciclo, tive duas. Tu só tiveste uma! São as duas muito diferente e eu sei bem quem é a melhor!”. E mais não disse apesar de todas as perguntas e insistência de pimpolha mais velha às quais assisti igualmente curiosa. O moço brindou-nos a ambas com o seu sorriso maroto e nada mais acrescentou! Está tudo dito… Tudo está bem quando acaba bem, será?!

O rapaz e as suas pedras preciosas 🙂

Passa a Palavra – Festival dos Ofícios do Narrar

Voltámos à bonita Fábrica da Pólvora de Barcarena para desfrutar do Festival Passa a Palavra e à organização desta 1ª edicão só temos a dizer “Queremos mais! Foi fantástico!”

Nas ruínas, ouvimos António Fontinha que nos deliciou com duas histórias antigas, dois contos tradicionais portugueses: o dos dois imãos e o do rouxinol (nenhum do dois consegui encontrar no bruxo Dr Google mas encontrei o do Grão de Milho que não foi um dos contado pois um dos meninos já o conhecia!).

A Cláudia Semedo contou-nos as histórias “A Girafa que comia estrelas” de José Eduardo Agualusa e “Faz de Conta” de Clara Cunha.

Deambulámos na bancas recheados de bonitos livros e ouvimos deliciados as DisSonâncias Poéticas do CLEVA recitando poemas de Ruy Belo, Alexandre O´Neill, Fernando Pessoa, entre outros, trava línguas e “trocadilhos”.

 

Apreciámos e rimo-nos com as marionetas de Manuel Dias.

Aquele que se autointitula de “O pior contador de histórias” – Rodolfo Castro – trouxe-nos histórias da sua terra natal, a Argentina, mas se os seus avós eram italianos, como é que ele foi parar à Argentina? pergunta e esclarece-nos. Os seus avós emigraram para as Américas em busca de um vida melhor: para fugir à fome, à guerra, à escassez de emprego, as mesmas razões que “movem” os refugiados de hoje em dia. Conclui “Há 100 anos, os refugiados eram os europeus embora não lhes chamassem assim!”. Um abrir de olhos – nada como ver a situação sobre outro prisma/perspectiva – onde, e por quem, menos se espera!  Quem tem “palco” pode sempre  escolher “intervir”, passando mais do que a “sua” palavra/história. Aprecio esta forma de “educar”, “despertar” e colocar a pensar o “público”, não é para todos, só para os mais capazes e audazes (que a sorte os proteja)!

Ficámos a saber que se nos contos tradicionais portugueses, o animal mais “esperto” é, regra geral, a raposa pois, na Argentina, espantem-se, é o… Piolho, eheheh, esse mesmo, o tal que dá uma enorme vontade de coçar a cabeça, só de ouvir o seu nome!
Nunca me tinha ocorrido que o animal “esperto” dos contos tradicionais mudasse de país para país mas faz todo o sentido…  daquelas coisas que não nos ocorrem e em que nunca tinha pensado!
Deu-nos a conhecer um livro muito divertido de Mário Ramos cuja história contou e envolve todas as personagens típicas (a capuchinho vermelho, a branca de neve, os 3 porquinhos, a cachinhos dourados, etc). Mário Ramos é um escritor português que não tem livros editados em português (acharam que não era suficientemente bom, enfim…) mas tem vários editados em francês, espanhol e inglês.

Para terminar, um baile mandado com os Cacto e um jantar volante!

Adorámos a iniciativa, o local e a sua envolvência, o ambiente, a dinâmica, a simpatia, as atividades e as histórias contadas por quem o faz maravilhosamente bem e como ninguém, todos de forma diferente mas encantadora (vós- os encantadores, nós-as serpentes)!
Ficamos, ansiosamente, a aguardar a 2ª edição do “Passa a Palavra”.
No entretanto, e até lá, não se esqueçam, passem a palavra!

Não lavar para mais tarde recordar!

Pequeno do meio, o finalista, decidiu, no último dia de aulas, pedir dedicatórias aos seus amigos, professores, auxiliares e educadora.
A sua educadora e professora conhecem bem o moço, basta ler a sua dedicatória.

Gosto especilamente do cognome “guruzinho mal disposto” que arranca sempre ao rapaz o seu sorriso maroto e conspiratório!

 

Tudo tem o seu tempo!

Na hora da despedida, pimpolha mais velha diz uma tonteira qualquer e a avó responde-lhe “Good bye Maria Helena”.
“É Good bye Maria Ivone” corrijo
“Ou isso… sabia que era uma Maria qualquer…” esclarece a avó.
Pimpolha mais velha mira-nos pensando enloqueceram de vez e eu elucido-o “É de um programa do Herman José!”.
A rapariga fica ainda mais confusa e pergunta “Ouve lá mas quem é que é mesmo esse do Herman José?”
Relembrando esse momento hilariante da “Roda da Sorte” do Good Bye Maria Ivone ou última sessão ele destruiu a montra de prémios com tiros de caçadeira (uiii, uiii, uiii, o escândalo que seria hoje em dia, um atentado, mesmo) e tantos outros, é impossível não sorrir!
Tudo tem o seu tempo ou o nosso tempo… raros e excecionais são os que atravessam o tempo e não têm “prazo de validade”, o que não invalida nunca o seu merecido período aúreo!
Um artigo curioso do Observador sobre as várias expressões que ainda muita gente utiliza que provêm de personagens e/ou programas do Herman José… Utilizo muitas delas… vou dar o artigo a ler a pimpolha mais velha, pelo sim pelo não!

Finalistas

Pequeno do meio e pimpolha mais velha são finalistas, de ciclo, do 1º e 2º ciclo, respetivamente.
Não tiveram fitas de finalista, nem traje (nem tudo está perdido) mas tiveram direito a uma versão light, desta moda que parece que pegou, um livro de curso e um jantar de pais, professores e alunos.
Para finalizar as comemorações dos finalistas e assinalar a conclusão de mais uma etapa, fomos abençoados com duas missas dos finalistas da casa nos dias mais quentes e, quiçá, emotivos do ano escolar.
Os finalista tocaram flauta, cantaram, encantaram, trocaram olhares de cumplicidade a ver quem se desmanchava primeiro, comoveram-se e comoveram a assistência.
“Tu choraste?” pergunta-me pimpolha mais velha.
“Hummm, Hummm…!” respondo
“Bem me parecia! Já te devias ter habituado a isto. Tu… e mais não sei quantas mães.” observa pimpolha mais velha cheia de contente.
Tanto pequeno do meio como pimpolha mais velha aguentaram-se lindamente, nem uma lágrima vertida, já alguns dos seus amigos, lavaram-se em lágrimas enquanto cantavam a música de despedida, e nem os abraços e sorrisos dos amigos pareciam consolá-los . No final, o senhor padre fez uma pausa, ao som dos snif snif,  e disse “Vamos lá! Respirar fundo. Inspira… Expira! Outra vez! Não vai ser tão difícil e doloroso como parece. Inspira… Expira!”.  Mais recompostos, aguentaram estoicamente, até ao final, para logo a seguir se entregarem às lágrimas nos braços uns dos outros e dos professores.
Foi bonito, emocionante e comovedor.
Mais uma vez se comprova que a chorona da casa sou eu, os outros elementos:”Firmos e hirtos que nem uma barra de ferro!”, aparentemente.

A música que comoveu os finalistas do 4º e do 6º ano – Amigo

A apoteose foi a versão adaptado do Hallelujah do Leonar Cohen pelos finalista do 6ºano. Fantástica, apesar de vários finalistas chorarem desalmadamente a partir de meio da música.

Senhor eu quero te louvar
Manter-te no meu coração
E sempre agardecer-te… Aleluia
Por perto eu quero estar senhor
E agradecer tudo o que sou
Pedir-te que me guies… Aleluia
Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluuuuuuuuuuuuia

Quando a tristeza me chamar
No teu abraço vou ficar
Pois tu és meu refúgio… Aleluia
E não importa onde eu estiver
Aqui ou num lugar qualquer
Sei que não vou estar só… Oh Aleluia
Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluuuuuuuuuuuuia

Cheguei ao fim desta estação
Sinto um vazio no coração
Mas sei que vais comigo… Aleluia
Foi bom chegar até aqui
Nesta família que escolhi
Comigo vou levar-vos… Aleluia
Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluuuuuuuuuuuuia

Letra adaptada por Diamantina Rodrigues (música Hallelujah de Leonard Cohen)

Igualdade de géneros, o tamanho conta?

“A taça da equipa das raparigas que ficou em 1º lugar no Interturmas era bem mais pequena que a taça do 1º lugar da equipa dos rapazes!” observa, espantado, pequeno do meio.
“Yeah! A taça do 1º lugar das raparigas era igual à da equipa dos rapazes que ficou em 3º lugar!” esclarece, indignada, pimpolha mais velha.
“Por acaso também reparei nisso!” diz pimpolha mais pequena.
“Opssss…! Deve ter havido alguma confusão/engano, não costumam ser iguais?!” observo.
Nenhum deles se lembrava das taças, e “seus tamanhos e géneros”, de anos anteriores mas como repararam nas diferenças este ano, provavelmente, o mesmo teria acontecido, se tivesse ocorrido anteriormente e teria sido motivo de conversa aqui por casa.
Aí o escândalo que seria se as “Capazes” soubessem desta ocorrência! Ah, parece que não, têm em braços o seu próprio escândalo de contas e financiamentos €€€ ! (a cruz deste país!)
Mas não vos preocupeis, nada temeis, as meninas e alguns meninos, verdadeiramente, capazes, manifestaram, com viva e em alta voz, com alma e coração, o seu descontentamento face à diferença nas taças e a reivindicaram junto do professor organizador do Interturmas, sobre o olhar atento dos demais presentes 🙂 !
Educar para a igualdade é também ensinar a questionar, ao observar o que nos rodeia , a reagir e a intervir! Suponho que para o ano, este pequeno grande lapso não se irá repetir, poderá dar início a uma revolta de meninas capazes “sem €€€” mas com muita garra de vencer e exigir um “caneco” igual ao dos meninos!

Sorrisos

“Foi tua aluna?” pergunta pimpolha mais velha quando uma moça se afasta de nós.
“Não. Porque perguntas?” questiono curiosa.
“Parecia!” responde, sucintamente, pimpolha mais velha.
“Parecia porquê?” insisto.
“Porque lhe sorriste!” diz-me ela.
“Bem dito isso assim, parece que nunca sorrio para ninguém!” observo.
“Não é isso. Quando encontras ex alunos, o teu sorriso para eles é… diferente!” esclarece pimpolha mais velha.
“Um sorriso diferente?” pergunto intrigada.
“Sim. É mais caloroso!” remata pimpolha mais velha.

Pimpolha mais velha, a filósofa drama queen!

Pimpolha mais velha relatando, ao pormenor e a mil à hora, o drama que é essas cenas e coisas de miúdas da sua idade: conversas de umas e de outras, um dia melhores amigas, no dia seguinte não se podem ver à frente, para no outro dia voltarem a ser as melhores amigas de sempre, desentendimentos, dramas e sei lá que mais, ao que eu vou respondendo, para refrear os ânimos, “Vais ver que tudo se resolve e amanhã isso já não parece assim tão mau!”.
Pimpolha mais velha um pouco exasperado, não sei se comigo, dada a minha calma face ao drama presente na sua vida e que parece alimentar as suas amizades, remata com um ar muito sério:
“Sabes que os verdadeiros amigos não são aqueles que se têm, são aqueles que nunca se perdem!”.
E zás, arrumou comigo logo no 1º round! Esta miúda, às vezes, parece que sabe mais da vida que eu, é o que é!

Lemon Tree

O vídeo e música que a pequenada gosta muito e lhes foi apresentado pela sua English Teacher, nas aulas.
Muito adequada a um fim de semana de junho cinzento e arejado, em que só se deseja que cheguem os dias quentes e luminosos com que junho nos costumava brindar!

(…) I’m hanging around
I’m waiting for you
But nothing ever happens and I wonder (…)

Perfect fit

Quando a vi achei que lhe assentava que nem uma luva, em todos os aspetos! Uma excelente “prenda”.
Excelentíssimo esposo deu de ombros, pensamento não verbalizado “És pior que ele!”.
Pequeno do meio nunca desilude, sempre à altura (da fama) e com muito espiríto –  é a sua camisola preferida, a eleita para ocasiões especiais. !
Eheheheheheh… é esta a cantiga que nos tenta vender todos os dias e nós vamos dizendo “Olha que não, olha que não!”. Ele lá se vai deixando levar, ou faz-nos acreditar que sim, ahahah a ilusão, oferecendo toda a sua muita resistência no caminho, só para dar emoção e luta, caso contrário não tinha piada nenhuma :).
Pimpolha mais nova segue o modelo, à risca, com os requintes típicos de gaja… MEDO!

Observação do dia

“Gosto da nova auxiliar! Ela é fixe!” diz pequeno do meio.
“Então porquê?” pergunto
“Sabes o P., aquele que está sempre a gozar e a chatear toda a gente, a nós e às auxiliares? Hoje, ao almoço, ele, como sempre estava a fazer porcaria e ela só lhe disse «Se eu fosse da tua idade, dava-te uma porrada. Podia ficar de castigo mas tu levavas e aprendias que não podes estar sempre a gozar com toda a gente e a fazer o que bem entendes!». Ele ficou a olhar para ela bem quietinho!”
Há crianças que, literalmente, tiram, qualquer um do sério.