Tudo dito!

Ao pequeno almoço com pequenada a pastelar, como é seu hábito, sempre que se sentam à mesa, e dizia excelentíssimo esposo “São 7h50, despachem-se temos que sair daqui a 10 minutos!”.
Pequeno do meio observa “Se estivéssemos nos Açores ainda só eram 6h50!”.
Entre risos acrescentei “É isso, deve ser essa a solução. Temos que nos mudar para os Açores. “.
Pimpolha mais pequena responde prontamente “Pode ser!”, como o seu ar, quando é que vamos, é já amanhã.
Pequeno do meio medita e diz “Hummm… não sei, aquilo é mar por todo o lado, come-se muito peixe e eu não gosto muito de peixe!”.
Eu esclareço “Também não gostas muito de carne e olha que eles têm muitas vacas!”.
Ele contrapõe “Nahhh, eles comem muito peixe, não me enganas. As vacas são para o leite”.
Excelentíssimo esposo, como um verdadeiro apreciador de carne, diz “O moço tem razão. Muito peixe e estar sempre rodeado de mar… humm, não sei se era para mim!”.
Eu pensei apenas “Como não?” mas saímos todos com um sorriso nos lábios, quando pimpolha mais velha, que se manteve em silêncio durante esta troca de galhardetes rematou, resumindo muito bem, “Desde que estivéssemos todos juntos, ficávamos bem!”.
E está tudo dito!

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Coscuvilhice (e tramas) dos tempos modernos

é falar, em simultâneo, com várias amigas, no Whatsapp, e depois fazer printscreen do ecrã da conversa com X, e colá-lo, no “mural” da Y e da Z, e cascar comentar avidamente o que X disse. Isto quando podiam estar todas a comunicar no mesmo grupo de amigas que têm no Whatsapp.
Coisas e tramas de gajas adolescentes e modernas! Assim que me apercebi desta maravilhosa e edificante técnica, no whatsapp de pimpolha mais velha que, para bem de todos, é o meu whatsapp (uiiii as coisas que eu tenho aprendido, ignorado e corrigido), disse-lhe “Anda cá minha linda, senta-te aqui à minha beira, que te vou contar umas coisitas!”. Tivemos uma bela conversa de pé de orelha sobre os princípios, desenvolvimentos e fins da amizade, do recíproco e da integridade. Assunto esclarecido.

Coceiras

Mais um mail da escola dos pequenos a alertar para a existência de parasitas (vulgo piolhos) e a solicitar a vigilância sobre os longos e sedosos cabelos da pequenada. Imediatamente, sentes aquela comichão infernal na cabeça e dás por ti a coçar-te, pensando “Oh no, here we go again!”. Avisando a pequenada, que os rabos de cavalo serão o penteado da moda, nos próximos tempos, pimpolha mais velha diz “Epá, nem acredito, andamos sempre nisto… já tenho pavor, sinto mesmo pânico. Não quero apanhar!”
Pelo sim, pelo não, de manhã, antes de irem para a escola, os borrifos, no seus longos cabelos, com umas gotas de vinagre, ou elixir dos dentes, diluídos em bastante água, passarão a fazer parte das nossas rotinas matinais! Diz que os piolhos não gostam destes cheiros, que os repele. Mais vale prevenir que remediar e as mezinhas, por vezes, são bem eficientes e baratas.
À conta das pragas de piolhos nas escolas, as farmácias devem ganhar bom dinheiro com estes parasitas, que, rapidamente, parecem tornar-se um caso de saúde pública, ou pelo menos de saúde mental para quem tem de tratar dos cabelos da pequenada, parece-me que nenhum dos produtos do mercado é 100% eficiente, já experimentei todos, e são todos para lá de caros!

Pedacinho da nossa História contados por pimpolha mais velha

Pimpolha mais velha vinha, particularmente, empolgada, contente e a debitar informação a um ritmo estonteante, que nem sempre é fácil acompanhar capazmente mas a malta tenta… e então dizia ela
“(…) D. João V foi um dos reis mais ricos devido às riquezas que vinham do Brasil, mandou construir muitos palácio e cenas. (…) Sabes que a seguir ao terramoto de 1755, o D. João V (D. José I) ficou com medo que as paredes do castelo lhe caíssem em cima e por isso passou a viver em tendas. (…) E o Marquês de Pombal, eu gosto é dele, um homem viajado e culto, criou Lisboa à imagem do que viu nas suas viagens, expulsou os jesuítas de Portugal porque eles diziam que o terramoto tinha sido um castigo de Deus. Já viste? Um castigo de Deus, DAHHHH! Expulsou-os e fez muito bem, toda a gente sabe que os terramotos são uma coisa da natureza. BAHHHH e depois veio a D. Maria I, ok, ok, foi a nossa primeira rainha, mas não gosto nada dela, ela detestava o Marquês de Pombal e expulsou-o do governo… depois de tudo o que ele tinha feito! (…)”
Face a tanta informação, fui dizendo acenando, absorvendo, logo tenho que ir ao bruxo google avivar a minha memória histórica. E então não é que a moça em todo o seu discurso só trocou um nome, o do Rei, figura de pouca importância, obviamente, a moça centrou-se em D. João V e tudo no seu discurso parecia girar em torno dele e do Marquês de Pombal.
D. João V morreu 5 anos antes do terramoto e, em 1755, quem reinava era o seu filho D. José I.
Efetivamente, D. José I, após o terramoto, desenvolveu uma fobia de viver entre 4 paredes e passou a viver num “aldeamento” de tendas de luxo no Alto da Ajuda, onde, mais tarde, a sua filha D. Maria I, a nossa primeira rainha, mandaria edificar o palácio da ajuda!

1º ano – Primeiras impressões

No 1º dia, ao tentar arrumar os livros debaixo da mesa, ouço-a dizer entre dentes “Não cabem! Que merda!”. Face ao meu olhar, acrescentou apenas “Opsss. Desculpa, saiu-me!”. Pensei bem isto no 1ºano, deve ser como no teatro, há muitos cenas e ensaios e também é preciso ter sorte. Bate certo!
Ao 3º dia, o primeiro TPC de grafismo disse-me que já não se lembrava como se escrevia a data e eu escrevi num papel 14/09/17, ao que ela me diz “Não, não é assim que a minha professora escreve a data! O 9 não tem zero antes mas o 1 tem um 2 e o antes!”. Corrigi, segundo as indicações dadas para que pudesse copiar. “Ai, ai, que não sabes escrever a data. Deixa lá eu não conto à minha professora!” diz-me pimpolha mais pequena com o seu sorriso malandro de quem pensa esta não percebe nada disto. Toma e embrulha, falhanço redondo logo no primeiro TPC.
Ao 4º dia, mais grafismos para TPC, uma folha cheia deles, e minuciosos que eles eram, a moça desesperou, “Não me apetece fazer isto. Não quero, não quero… estás a ouvir?” Perguntei-lhe, calmamente “Há algum que não saibas fazer e precises de ajuda”. “Não estás a perceber, eu não quero fazer isto, não apetece! NÃO QUERO, percebes?” diz cheia de raiva e começou a chorar copiosamente, a estratégia que usa e abusa sempre que algo não lhe corre de feição ou é do seu agrado. Compreendi-a perfeitamente, como não? Os manos sem TPC, ela cheia deles, papéis invertido neste dia, e o lhe fez dar um outro valor a no final de um dia de escola poder apenas relaxar e brincar. Ora pois então fiz o papel de bruxa má, que também desempenho na perfeição, e como vários anos de prática, e impiedosamente comuniquei-lhe “Chorar não vai resolver esse teu problema, as lágrimas não completam TPC, só molham e estragam a folha. Se não queres fazer, tudo bem, arrumas tudo na mochila e amanhã explicas à tua professora porque não fizeste os TPC. Não te esqueças de observar quantos dos teus colegas não os fizeram e a se a tua professora fica contente contigo.”. Enxuga a torrente de lágrimas que lhe molham as suas belas e rosadas faces, enche o peito e explode “TU ÉS MESMO MÁ! O pai é que é bom para fazer os TPC!”. “O pai vai chegar tarde, como tal, só tens de escolher ou fazes agora ou guardas as coisas na mochila!” informei-a com indiferença, ela capitulou “Está bem, está bem! Vou fazer mas não me apetece, ouviste bem?”. “Sim, ouvi. Não podemos fazer só o que nos apetece! É a vida!” respondi-lhe e a rapariga lá se conformou e lá fez o TPC, terminando 2h30 depois, com vários ataques de choro e frustração pelo meio. Pensei se isto continua assim estou bem arranjada com esta moça, estou!
Vários TPC passados, o choro não voltou mas chegaram as dúvidas, as dela e as minhas, em desenhar uma carreira de p maiúsculos e minúsculos em folhas quadriculados. Pensei queres ver que as letras também já não se escrevem da mesma maneira, pimpolha mais velha veio em nosso socorro, com o seu livro de 1º ano, e as três juntas fizemos um estudo minucioso de como se desenha um p maiúsculo e 1 hora depois a coisa estava quase perfeita! Desconfio que este ano vou ficar versada nas letras manuscritas, bem sei, bem sei, só me faz bem!
Entretanto, por incentivo da professora, aprendeu a usar o cuisenaire , brinca com ele,por auto recriação sua, com uma destreza invejável, escreve no caderno e em folhas as somas que permitem obter o 8, 9 o 10 e mais, anda entusiasmada, faz concursos para ver quem sabe palavras que tenham mais i´s. Diria que já entrou no ritmo mas a ver vamos… como diz o ceguinho!

Bolas, que isto é difícil!

Valores, ética, o que é certo e errado, ser amigo do seu amigo, ser correto, admitir o erro, pedir desculpa, é aquilo que todos os dias procuramos transmitir/incutir à pequenada, pelo exemplo, em conversa, etc.
Se lhes podemos perdoar parvoíces, traquinices, brincadeiras menos felizes com alguma facilidade, é muito difícil perceber, aceitar, perdoar os seus erros quando envolvem questões éticas e valores que consideramos fundamentais mais ainda quando julgávamos que os mesmos já estavam, ou deviam estar, enraizados, quando percebemos a falta de humildade, a resistência em admitir o erro, em pedir desculpa, os argumentos que não queremos ouvir pois são inconcebíveis e inadmissíveis e nos mostram que a distinção do certo ou do errado está lá mas não estão os valores, aquilo que nos impele ou repele de praticar uma determinada ação.
É difícil aceitar e gerir, que o seu erro é também um falhanço nosso, que, aparentemente, nos envergonha mais a nós que a eles, que nos obriga a ralhar, a castigar, a exaltarmo-nos mas, essencialmente, nos entristece, profundamente, a alma e nos leva a questionar mas “Quem é ele? Com é possível que seja assim?” e ver refletido no seu olhar a nossa desilusão, os laivos de confiança a extinguirem-se mas sem a certeza do seu arrependimento ou que tenha consciência da magnitude e gravidade da situação, apesar de todas as conversas, argumentos e exemplos.
Se seria mais fácil fechar os olhos, a uma personalidade, maneira de ser e de estar nos nossos filhos que não é de todo a que desejamos para eles, claro que sim, mas de olhos bem abertos podemos lutar e tentar contrariar a cada volta do destino esta sua malfadada tendência, não desistindo, ou morrer tentando, fazer deles pessoas melhores mas bolas que isto é difícil que dói!

Sala de 1º ano – outra perspetiva

A maioria dos meninos têm um banquinho para colocar os pés, pois não chegam com eles ao chão e os estudos indicam que é mau para a postura e concentração. Esta é a uma perspectiva da sala da pimpolha mais pequena. Tendo em conta que apenas 6 ou 7 não usam o banquinho, surgem-me algumas questões: “Estarão as carteiras e cadeiras mal dimensionadas?”, “Serão as crianças, destas sala apenas, mais pequenas do que a maioria?” ou será que “Começam esta fase cedo demais?”. Ou um misto das três? Tendo em conta que pimpolha mais velha decidiu que precisava de um banquinho e é percentil 95% na altura, das duas uma, ou há aqui algo profundamente mal dimensionado ou a rapariga não quis fugir à regra e adotou o banco! Dá que pensar…
Nota: Ao fundo vislumbram-se as famosas caixas transparentes e os maravilhosos dossiers verdes claros (lado direito) – a uniformização em todo o seu esplendor!!! Lado esquerdo, a explosão de cores e diversidade de dossiers – são os da disciplina de Inglês!!!

Barrigas

Pimpolha mais pequena observa a barriga do tio, com o seu ar típico de gozo e assim como quem diz “Estás bonito, estás!” e pergunto-lhe, na brincadeira, “Podia ter lá um bebé, achas que os homens também podem trazer bebés dentro da barriga? e ela responde, sem hesitações, “Claro que sim! Então se dois homens casarem e tiverem filhos, um deles vai ter que trazer um bebé na barriga!”. Os manos abanam-lhe a cabeça, dizendo que não, sussurrando “Só as mulheres é que podem trazer bebés na barriga!” e ela descarta a conversa, acrescentando “Hummm… não sei porquê! O que eu disse faz sentido! Mas amanhã na piscina blábláblá…”. As crianças têm uma lógica simples e, geralmente, imbatível, nem sempre compatível com a ciência mas, essencial e especialmente, com o preconceito.

Ciências não exatas de pequeno de meio

Pequeno do meio, mira com muita atenção a televisão, preso a cada palavra e eu penso “O que é que ele está mesmo ver?”. Observo que está a ver o programa da manhã ( RTP, SIC ou TVI, não sei bem qual), torço o nariz e ele dispara “Olha lá qual é o meu signo?” e eu, olhando ainda com mais atenção para a TV, respondi “Não sei bem mas porquê?” e ele remata satisfeito e cheio de si “Deixa lá! De certeza, certezinha que é Touro! Só pode ser!”. O moço estava encantado com a astróloga “de serviço”, os seus dizeres e sabedoria. Nos dias seguintes, tentou continuar a ouvir os “pareceres” da dita cuja, vetei e ele manifestou veementemente o seu desagrado! Daquela “lição” que assistiu reteve o que lhe interessou do seu signo, fez perguntas sobre quais eram os signos das irmãs, aventou palpites e considerações!!! Acertou em quase tudo mas ninguém lhe confirmou a veracidade das suas ilações.  Dando-lhe corda, desconfio que, num ápice, a carreira de astrólogo lhe pareceria imensamente divertida. Depois do veto, acabaram-se as fantasias…ou pelo menos estas e por enquanto!”

# – Hastag

Estava pimpolha mais velha ditando-me um endereço na web: “www. blábláblá barra hastag”. “Hastag?” pergunto. “Sim, hastag” responde cheia de certezas. “Ora mostra lá isso!”. E eis que me deparo com um # “Não é hastag é um símbolo e chama-se cardinal!” esclareço-a. “Hummm…isso é tudo igual. Toda a gente diz hastag!” diz-me ela. “Pois mas não é, é um cardinal!”. Passado uns minutos, ao ditar outro endereço, lá lhe sai outro hastag, face ao meu olhar “Ok, ok, cardinal! O que é que queres, todos lhe chamam assim, vou ver se para a próxima me lembro!” Sinais dos tempos…

Anda um pai a criar uma filha para isto!!!

“Estás gordito!
Olha essa barriguita
Parece um bom tamborzito!
Estás gordito!”

Canta pimpolha mais nova, ao ritmo da música da moda – Despacito, acompanhando com a sua percursão, no tal tamborzito, num belo movimento de coordenação de pernas e braços! E assim começa o dia!

Esperta ou empregada?

Pimpolha mais pequena entusiasmada, no regresso da escola, com mais uma das suas cantilenas mas esta surpreendeu-me e reza assim:
“És esperta ou empregada?” pergunta-me com o seu ar maroto
“Então e se eu for um empregada esperta?” digo sorrindo
“Não pode ser! Ou és uma coisa ou outra!” responde-me, com ar de quem me dá o devido desconto
“Ok! Então e se for uma esperta empregada!” digo entre risos
“Oh pá! Vá lá, diz lá. Esperta ou empregada?” diz a moça, ficando impaciente
“Esperta!” respondo-lho
“Ok. Então conta até três!” diz em tom de desafio
“Um, dois, três.” respondo com naturalidade
“Vês como és empregada, obedeceste sem hesitar”
Ri-me com vontade e pensei “Ora toma lá! Tanta esperteza saloia e uma lição de vida entregue, com simplicidade, por uma meia leca de gente, que ainda nem no 1º ano anda. Que se aplica que nem uma luva a muitas situações e gentes, não tenho dúvidas nenhumas!” Sempre a aprender com a pequenada!

Anda uma mãe a criar uma filha para isto!!

“Hummm… estás a chatear-me! Olha que eu não te convido para a minha passagem de ano!” saída de pimpolha mais velha, em tom de ameaça e muito irritada quando a contrariei nem sei bem porquê.
Sim, a moça é uma verdadeira organizadora de eventos e, sim já anda a fazer planos, ementas e programa de festas para a passagem de ano! Ri-me da sua ameaça, dizendo “Até lá, não me doa a mim cabeça!”( o que ainda a irritou mais), enquanto pensava que se ela soubesse, como eu sei, que será daqui a uns anos, e já não são assim tantos, em como isto será tão verdade e não apenas uma ameaça em “jeitos” de vingança. É aproveitar agora que o tempo voa.
Como plano B, sim que uma boa organizadora tem sempre um plano B e estuda vários cenários, telefonou à avó a perguntar se podia organizar a passagem de ano na casa dela pois parece que na nossa o ano não vai passar 😉
Uma verdadeira e entusiasmada organizadora de eventos com plano A, B, C, D … uma canseira!

Uma relíquia?!

Em outros tempos, era um objeto imprescindível e existia uma, mais ou menos xpto, junto ao telefone de cada casa. Hoje em dia com os telemóveis e as suas agendas, os dados móveis e as sincronizações, as agendas telefónicas passaram a ser digitais, e poucos serão os que mantém uma agenda telefónica em papel.
Atire a primeira pedra, quem antes desta nova geração de telemóveis, os que ainda não guardavam todos os contactos no cartão, e por avaria ou porque perdeu o telemóvel,  não ficou totalmente desconcertado quando se viu sem nenhum dos seus contactos. Um pequeno incidente que rapidamente se tornava numa verdadeira dor de cabeça e uma aventura desconcertante de recuperação dos contactos, para quem, já nessa altura, tinha abolido as agendas telefónicas.
Esta agenda telefónica tem, numa letra bonita, imensos contactos e, como antigamente, encontra-se junto ao telefone fixo cá de casa mas bom, bom é que este facto se deve tão só e apenas a pimpolha mais velha, é a SUA agenda telefónica (exemplar único cá em casa). Há coisas que não mudam, ela sabe de cor 6 ou 7 números, aqueles para os quais mais liga, algo que eu, agora não me posso gabar mas com a idade dela :). Quando não se tem um telemóvel à disposição, independentemente da idade, voltamos aos métodos infalíveis de outros tempos, métodos que não devemos desprezar, nunca se sabe se um dia as tecnologias nos pregam uma partida, por qualquer razão, deixando-nos na mão. É sempre bom saber como se fazia e conhecer as alternativas.

Bilhetinhos e cartas de amor

“É amanhã, amanhã é que eu ganho coragem!” diz pequeno do meio
“Então precisas de ganhar coragem para quê? ” pergunta-lhe excelentíssimo esposo
“Nada, nada!” responde o moço entre risos, procurando disfarçar
“Não me digas que é para pedires alguma miúda em namoro?” espicaça-o excelentíssimo esposo
“Hummm, oh, pá, como é que sabes?” diz o rapaz intrigado
“Deixa-me adivinhar, hummm,  é a M.? arrisca excelentíssimo esposo
“Tu só podes ser bruxo!” diz o moço impressionado
“Se calhar é melhor deixares isso para setembro, as férias estão quase a começar” aconselha-o excelentíssimo esposo
“Pois…” anuiu pequeno do meio
“Bem pensando bem, se for agora, assim podes escrever-lhe umas cartas de amor nas férias!” reconsidera excelentíssimo esposo
“Tu és totó, ó quê? Já ninguém faz isso. Nós temos telemóveis!” diz o moço estupefacto
“Então e com que telemóvel falavas com ela?” pergunto-lhe eu
“Como o teu! Óbvio!” responde ele prontamente
“Então eu e a mãe dela é que vamos namorar, é isso?” digo-lhe entre risos.
“Vou pensar melhor e amanhã logo decido” diz o moço em modo de ponderação
No dia seguinte, quando questionado sobre o assunto diz que se calhar vai seguir o conselho do pai e esperar por setembro mas termina com o seu ar maroto
“Eheheheh, posso sempre utilizar o velho truque de lhe mandar um bilhetinho! Acho que vai ser isso mesmo que vou fazer!”diz com um ar satisfeito.
Aguardam-se desenvolvimentos… estamos fritos com este moço!

WHAT??!!!

“Realizei o meu sonho: passei a roupa a ferro!” diz pimpolha mais velha que anda, nos últimos dias, claramente, em modo fada do lar, feliz e contente (sem qualquer ponta de ironia).
Não sei a quem é que a moça sai, nesta vertente, nem até quando este modo vai persistir, ou melhor dizendo, resistir, mas… estou a apreciar! Antes que me acusem de exploração do trabalho infantil, a moça age de livre e espontânea vontade, sem que ninguém lhe sugira nada, por sua iniciativa, o que é ainda mais surpreendente. É aproveitar, deve ser sol de pouca dura.

Poltronas, livrarias e Gru´s

Nas livrarias que gostamos de frequentar não há pressas, nem temos pressa, há tempo para desfrutar do cheiro dos livros muitos vários, folhear, ler e escolher, muito bem escolhido, as próximas aquisições, as crianças são bem vindas e, por vezes, até têm um espaço dedicado a elas. Quais são as que reúnem todas as condições atrás mencionadas? As que têm sofás ou um espaço onde a malta se pode sentar e apreciar/ler uma resma de livros e onde ninguém nos aborrece ou se aborrece. É um ótimo programa em qualquer altura do ano e do dia, sozinho ou em família. Sozinha, já li belos livros pequenos nestas tais livrarias, em família já li muitos livros infantis para a pequenada. Observo que, como nós, muitos têm os mesmo prazer/hábito e, diversas vezes, encontrei marcadores nos livros!
Na nossa última, e recente, incursão, sorri, quando vi o livro que pequeno do meio trazia na mão – “Gru: o maldisposto” – anda desde a estreia do 3º filme a pedir para ir ver ao cinema. Enquanto escolhia a sua poltrona, e antes de se embrenhar na leitura, observei “Muito apropriado! Lembras-te quem te chamava carinhosamente de “meu Gru: o maldisposto”?” Ele riu-se e disse “Claro que me lembro! Era a minha educadora. Quando me cruzo com ela na escola, às vezes ainda me chama assim!”. Laços e memórias que perduram!
À saída, o nosso Gru: o maldisposto observa “Eh pá, estivemos lá mais de uma hora!”, enquanto, entrando em modo de update, acaricia o livro que trazia na mão – “Gru: o maldisposto 3”. Na outra mão, segura orgulhoso a sua outra aquisição “Diário de um ninja na escola 1″… MEDO!!!!

Observação ou discriminação?!

“Olha, desculpa lá mas ela tem prioridade!” diz, com um ar agressivo, a rapariga de 12/13 anos apontando para uma senhora grávida que a acompanhava enquanto esta depositava as suas compras no tapete. O funcionário da caixa diz-lhe com muita calma “Sim mas tenho que acabar a conta desta família!”, dando de ombros para nós enquanto a rapariga encolhe os ombros para a grávida. Com elas, encontram-se duas crianças: um menino de 4/5 anos e uma menina de 6/7 anos.
Bip, bip, bip… e os nossos artigo continuam a passar.
O menino, abre um pacote Mentos, coloca um na boca, e aproxima o pacote do leitor de código de barras, insistentemente.
Entretida, e distraída, a arrumar as compras não me apercebo de nada mas excelentíssimo esposo e os pequenos não perdem pitada.
Vejo o funcionário, muito atrapalhado, a interromper a sequência de bip e a extrair a conta e dizendo-me “Era só para confirmar e está tudo bem!”, olhei para ele, dizendo que “Sim” e pensando “Porque razão não haveria de estar?”.
Desperta-me a atenção o olhar de excelentíssimo esposo e a observação do funcionário para a rapariga “Ele vai ter que pagar esse pacote que abriu!” e a rapariga, de mão na cintura, diz de imediato “Isso já passou. Está pago!”, ele diz-lhe “Não, não, eu aqui não passei nada!” ao que ela remata com um ar seguro e um sorriso aberto “Pois mas ele comprou aquilo noutra loja”.
O funcionário não faz mais observações, na fila de supermercado trocam-se olhares, todos viram o menino abrir o pacote. Entretanto, a rapariga passa uma lancheira ao menino e diz-lhe “Toma, leva isto e espera lá fora”. O menino não obedece e fica junto às caixas: lancheira e pacote de mentos na mão.
Com menos uns euros na conta, mas um carro cheio de compras, dirigimos à saída. À nossa frente segue a rapariga, a menina e o menino, deixando a grávida para trás com as compras e a conta.
A menina e a rapariga riem-se, seguem de lancheira na mão, contentes e felizes da vida, o seu olhar transparece plenamente o que estavam a sentir “Já os enganámos mais um vez!”, o menino masca indiferente o seu, talvez segundo Mento, de pacote na mão. Sol de pouca dura, o segurança interseta-os e diz com ar de poucos amigos “Mostrem-me as vossas malas!”, os meninos colocam-se atrás da rapariga que de imediato “Não, não mostro nada!” e mais qualquer coisa que não ouvimos mas que lhe mereceu apenas a seguinte observação do segurança “Mantém-te na tua e sossegada!” e ela que já deve conhecer o jogo, assim se manteve, enquanto ele pegava no telefone! Ambos conheciam a dança, nós é que aparentemente, não!
Seguimos o nosso caminho e não sabemos o desfecho da situação mas a pequenada ficou impressionada com toda a cena, fez várias observações e foi o assunto que dominou as horas seguinte: “Mas quem era aquela gente? Grande lata! Tu viste bem o miúdo e a rapariga? Nunca tinha visto nenhuma cena daquelas” entre muitas outras.

Facto 1: As personagens eram ciganos
Facto 2: Como a pequenada, também nunca tínhamos presenciado nenhuma cena tão sui generis!
Facto 3: Pequenada não os identificou como ciganos mas observou e constatou a sua forma de vestir e perguntou se era assim que sabíamos que eram ciganos, respondemos que sim.
Facto 4: No mesmo supermercado, já presenciei diversas vezes a relação demasiado amistosa que mantém com os funcionários. Inclusivamente, quando reclamam que está muita gente na caixa, vem logo alguém a correr abrir uma nova caixa enquanto em amena cavaqueira relatam as novidade que receberam e andam a vender.
Facto 5: Pequeno do meio observa “São ciganos e roubam!”, blábláblá, nem todos são assim, blábláblá, e diz ele “Mas eles forma os únicos que eu já vi a roubar!”

Pergunta 1: Se não fossem ciganos, será que a questão na caixa e do pacote de Mentos teria sido tratada da mesma forma pelo funcionário, em que aparentemente se finge acreditar que vinham de outra loja?

Pergunta 2: O que pensará a pequenada da próxima vez que se cruzar com um cigano?

Pergunta 3: Em muitas situações, quem são os discrimados, nós ou eles?

Pequeno do meio e a sua veia narcisista!

“Porque é que eu nasci tão bom?” pergunta retórica de pequeno do meio no decorrer de um jogo.
Perante o olhar complacente dos restantes membros da família e uma tirada irónica da sua mana mais velha do género “Sim, sim! Já todos sabemos que tu és o maior!”, deu de ombros assim como quem diz “Ninguém percebe o meu verdadeiro valor!”. Um incompreendido este moço!!!