Saúde! Tchim, tchim!

Por defeito ou feitio, não sei bem, regra geral, sou otimista, sem stress (o que irrita muito a minha mãe e o meu mano), acredito, até prova em contrário, que na vida não temos problemas mas situações, que os problemas são coisas bem mais graves, e que quase tudo tem solução e se resolve; mas, há sempre um mas, se há coisa que me apoquenta, afeta os nervos e tira o sono são as idas ao médico, hospitais e exames médicos, tanto faz ser eu ou qualquer elemento cá de casa.
Sou invadida por uma sensação/medo de algo que está na iminência de acontecer, tipo bomba, e que vai ou pode “estragar” o nosso bem estar, forma de de ser e viver, essencialmente, a nossa vontade e crença que somos invencíveis e que há coisas que só acontecem aos outros.
É só, mais uma, das minhas coisas parvas, bem sei!
Um possível “confronto” com uma mudança de realidade e paradigma é o que mais me assusta.
A saúde é um bem precioso mas volátil, é uma força mas também é, ou pode ser, uma fragilidade. Esta dicotomia deixa-me expectantemente angustiada… considerando que todos nós temos uma prazo de validade!
Conhecendo-me, excelentíssimo esposo e eu temos um acordo tático há muito, é ele que leva, quando é necessário, a pequenada às urgências. Eu permaneço com a trupe saudável a orientar as lides.
Mantém sempre a esperança na mudança “Então, desta vez, também sou eu que vou às urgências com ele/a?” pergunta suspirando.
Ri-se com o meu invariável aceno que confirma a sua suspeita e diz, descontraidamente, para me consolar, “Vai correr tudo bem! Mais uma daquelas doenças e viroses de miúdos, vais ver!”, porque sabe que vários cenários, que raramente verbalizo, discorrem, em excesso de velocidade, na minha mente, nem sempre otimista!
Até agora, felizmente, excelentíssimo esposo, teve sempre razão no seu prognóstico!
Depois de uma bateria de análise e exames, de rotina e checkup, na avaliação derradeira, a médica diz-me, sorrindo, “Está tudo bem! Nada a registar, tudo dentro dos parâmetros normais para a idade!”.
Devo ter respirado bem fundo de alívio e disse “Isso é que são boas notícias e que todos gostam de ouvir!”.
A médica riu-se e descontraindo disse “Vou dizer-lhe o que costumo dizer ao meu marido e filhos: Pode ir comemorar!”.
Ando há dias a matutar neste “Pode ir comemorar!” que na altura me pareceu estranho e exagerado mas, pensando bem, pensando bem, provavelmente, não é!
Saúde – um estado periclitante de risco de vida, uma crónica de uma morte anunciada!

De uma crise anunciada a um presságio?!

Segundo a pequenada da casa não podemos ir lado nenhum sem que eu encontre alguém conhecido e converse, e converse, enquanto eles… desesperam. Gente muito atarefada e apressada, estes meus filhos!
Entre o cheiro do manjericos, da sardinha assada e um pézinho de dança, há sempre tempo para dois dedos ou um arraial de conversa, especialmente quando a pequenada anda entretidas com os seus amigos.
Vem à baila a greve dos professores “É muito justa! Espero que dê frutos! Porque nós, militares, infelizmente, não podemos fazer greve! Mas se vocês ganharem, nós, que estamos na mesma situação, também beneficiamos.” diz-me a mãe de um amigo da pequenada.
Volvidas apenas duas semanas acesas e quentes nas escolas, recebidas com um silêncio sepulcral do ministério e do ministro, que foi para a Rússia ver a bola, apesar das notas informativas emitidas pelo ME, como forma de coação pouco disfarçada e repletas de ilegalidades a chegar às escolas e o visível aumendo a tensão e a revolta de muitos professores; a opinião pública forte e habilmente manipulada por uma comunicação social, que enfim e uns opinion makers encomendados, os pais que não sabiam que notas iriam ter os filhos (onde andaram todo o ano, pergunto eu?) e as “correntes e subcorrentes”, de gente sem espinha e brio, estranhas de alguns diretores, sindicatos e colegas coniventes com o regime, em vésperas de S. Pedro, confessei que, apesar de ser para continuar, tinha muitassss dúvidas que a greve nos trouxesse o desejado e merecido!
“Eu sabia, eu sabia! Eu tive um sinal quando isto tudo começou. Estava eu grávida, de final de tempo, do meu mais novo, quando ouvi o Passos Coelho a anunciar o congelamento das carreiras por causa da crise! Ora eu que nunca tinho tido contrações, os meus filhos nasceram todos de cessarianas programadas, fiquei logo cheias delas. Respirei fundo, desliguei a televisão, fui dobrar meias para me acalmar e disse para a minha barriga: nem penses em nascer agora, estás ouvir, ainda por cima por causa deste homem! Levei aquele dia todo a pensar logo agora que decidi ter outro filho é que este me vem anunciar isto, vai ser bonito, vai!” relata divertida e o seu riso é contagiante.
“E isto não foi nada, foi só o começo! No dia em que tinha a cessariana marcada, no hospital, dou de caras, novamente, com o Pedro Passos Coelho na televisão, ele e as suas maravilhosas medidas para a nossa bolsa. O meu médico observa-me e diz, com ar de gozo, “Então que nome vai dar ao seu rapaz?”. E eu respondo, resignada e  entre dentes “Sabe muito bem que é Pedro…”. O médico ri-se e continua “Mas tem a certeza? Olhe lá para o que este Pedro se prepara para nos fazer! Tem mesmo a certeza? Vai dormir descansada? Pode ser uma presságio!”. “Pedro, será Pedro… O pai do Pedro Passos Coelho não disse que, às vezes, se zangava com o filho! Se calhar terei que fazer o mesmo…!”. E o médico remata com “Seja mas não diga que não avisei!”.
Assim, com a sombra e imagem de um malvado Pedro, uma mãe deu à luz um outro Pedro!

 

De paraquedas

Ao longo do anos, perdi a conta ao número de vezes que excelentíssimo esposo referiu, desgostoso, que apesar de ter assistido a todas as aulas e aprendido a dobrar o paraquedas (dos antigos), não ter efetuado nenhum salto por ser menor, na altura, que o seu pai fez o curso.

Para colmatar esse seu grande desgosto/desejo de adolescência, e como não me ocorreu nada mais original, decidi que, no seu aniversário, o brindaríamos com um salto tandem.
Não percebendo nada do assunto, com a ajuda preciosa do Dr Google, pareceu-me que escolha acertada seria o salto tandem 4200m (o ideal para desfrutar em pleno e sentir a adrenalina a bombar).
Comprar um voucher todo janota na Skydive Portugal foi o passo seguinte.
Pequenada aprovou, entusiasmada, a ideia!
Reação de excenlitíssimo esposo ao abrir a sua prenda foi de estupefação  “Uauuuuuu… isto é muito à frente! Não sei se estou preparado para isto!”
“Depois de tanta conversa, finalmente vais experimentar! Tenho a certeza que vais estar à altura… literalmente :D!” rematei, surpreendida com a sua hesitação e nervosismo.
O tempo foi passando e nada de marcar o salto, havia sempre um compromisso ou o tempo não estava favorável ou… whatever.
Com o voucher a expirar, depois de alguma insistência, afastando e contornando as desculpas a agenda, lá se arranjou um buraco na agenda e o moço marcou o salto.
No dia da liberdade, eheheh, não deixa de ser curiosamente emblemático, rumámos a Évora, para excelentíssimo esposo, de um plano superior, observar e vertiginosamente “planar” sobre as suas belas planícies.
Estava expectante, aparentemente, calmo mas um pouco apreensivo!
À chegada, a pequenada fica espantada com os que “caem” dos céus e aterram elegantemente à sua frente.
Assim que pimpolha mais pequena se apercebeu que o seu querido pai também ia desabar dos céus como os que tinha acabado de ver, deixou de achar aquilo tão engraçado. Não mais lhe largou a mão. Assistiu ao vestir do fato e à parefernália de “atilhos” e outros que tais.  Tirou mil e uma fotografias, sempre de mão dado ou ao colo do pai, Assistiu, atenta, ao briefing, cada vez com uma expressão mais carregada e de poucos amigos.

Durante o compasso de espera para o salto, o instrutor com quem excelentíssimo esposo ia saltar “às costas”, com duas GoPro presas ao pulso, fez uma pequena entrevista à família: quem tinha oferecido, porquê e outras coisitas mais (+50€ pela reportagem pro).
Diz-me o instrutor “Com que então foi a esposa? E também já lhe tinha oferecido a do mergulho? Está farta de tentar!!!! 50€,  não se fala mais no assunto e, lá em cima, resolvo o seu problema. Não precisa de tentar mais nada de radical!”.
“Epa, agora já não dá! Temos testemunhas! Para a próxima, fazemos isto mais discretamente!” respondo, entrando no espiríto.
“Então e a esposa não vem saltar também porquê?” atazana-me o instrutor.
“Humm… com três filhos, alguém tem que ter os pés assentes na terra! O meu voo é outro!” rematei.
Entretanto, para o filme e fotografia, excelentíssimo esposo fez, naquele espaço de tempo mais” thumbs up”, copiando o instrutor do que o vi fazer desde que o conheço. Desconfio que faz parte da estratégia e do processo de mentalização 😀 , “Cool! Sou muita fixe! Tá-se bem!”.

55 segundo em queda livre e cerca de 4 minutos a pairar na segurança de um paraquedas aberto depois excelentíssimo esposo e o instrutor aterram suave e elegantemente mesmo à nossa frente.
Pimpolha mais pequena arregala os olhos, observando todo o processo e dinâmica com muita atenção. “Ufa! Surpreendente, chegou inteirinho!” diz cheia de contente e espantada enquanto a nuvem negra que pairava  sobre ela desaparece.
“Vamos outra vez? É que era já.” desafia o meu mano, com um sorriso de orelha a orelha, companheiro de voo e aventura de excelentíssimo esposo.
“Outra vez? Agora? Fica para a próxima! Isto é adrenalina pura, em doses excessivas é capaz de não fazer muito bem a gente da minha idade.” diz excelentíssimo esposo.
Avaliação final “Muito fixe! O oposto do mergulho onde predomina o silêncio, uma certa paz e contemplação. Ali, é alucinante e vertiginosa a sensação de queda livre, dos 55 segundo mais longos da minha vida! Valeu a pena!”
Desde então, nunca mais o ouvi falar de paraquedismo 🙂 O meu mano já marcou o próximo salto, excelentíssimo esposo recusou o convite, por ter compromissos inadiáveis obviamente 😉

Em Évora, aproveitámos para passear no centro, Praça do Giraldo, Templo de Diana e visitar a Capela dos Ossos.

 

Tudo está bem quando termina bem?!

Causa-me sempre um friozinho e mau estar na “barriga” ler em vários textos de pequeno do meio o quanto o marcou, custou e deixou triste a sua mudança de turma, embora não tenho qualquer dúvida que a mudança de professora/turma, no final do 1ºano, foi a decisão acertada e o melhor para ele a todos os níveis…
As crianças não têm filtros nem capacidade para entender a razão e alcance de algumas decisões dos adultos, naturalmente, partilham muito do que ouvem e das suas preocupações e apreensões com as professoras e colegas, as professoras são “amigas” e ambas tentaram, discretamente, tirar nabos da púcara entender a razão da sua mudança, ouviram o mesmo discurso de mim e de pequeno do meio; uma vez que, procurando assegurar um bom ambiente e “bem estar”, pois pequeno do meio permaneceu na mesma escola, assim como as manas, nunca foi tema de conversa, com ele, a verdadeira razão da sua mudança de professora “Entraram meninos novos na turma e tu saíste porque NÓS e a tua professora achámos que era o melhor para ti!” sem entrar em grandes justificações, pormenores e divagações.
Essencialmente, no meu entender, há questões que as crianças, aos 6/7 anos, não têm capacidades de avaliar ou decidir, com tal não se lhes colocam, as decisões são da responsabilidade e estão nas mãos dos adultos que devem proceder com calma, ponderação, cabeça fria e algum distanciamento. Bem sei que muitos discordam desta forma de pensar, embora todos procuremos o melhor para os nossos filhos, é importante perceber que as crianças tendem a escolher a “satisfação imediata”, o pensar a curto prazo; eu tendo, não ignorando o imediato, pensar a médio/longo prazo – é também esta valiosa capacidade que distingue uma criança de um adulto!
Educar é também ter muitas dúvidas, tomar decisões difíceis, não tendo muitas vezes a certeza se as nossas opções, são, ou serão, efetivamente, o melhor para eles, é, até determinada idade, dizer várias vezes, e agir em conformidade, “É assim porque eu decidi que é assim por ser o melhor para ti!”, é rezar, ajudar e fazer para que tudo corra bem e que não nos arrependamos, é seguir o coração apertadinho e a nossa intuição/razão, trilhando não o caminho mais fácil, ou o do deixa andar, mas o que consideramos ser melhor para eles, apesar das contrariedades, dissabores e tristezas que lhes “provocamos”, momentaneamente, mas que carregamos aos ombros .
As coisas são como são, a vida é mesmo assim…  se fosse, hoje, faria exatamente a mesma coisa.
Pequeno do meio reagiu e superou bem este marco como se pode constatar no final da sua composição e no texto que dedicou à sua professora de 2º ao 4º ano (até se esqueceu que ela não tinha sido a sua professora no 1º ano).
Nunca teceu nenhuma comparação entre as suas duas professoras do 1º ciclo apenas uma vez comentou para pimpolha mais velha quando esta alegava que a sua era a melhor professora do mundo, o rapaz rematou com “Só eu é que sei comparar as professoras de 1º ciclo, tive duas. Tu só tiveste uma! São as duas muito diferente e eu sei bem quem é a melhor!”. E mais não disse apesar de todas as perguntas e insistência de pimpolha mais velha às quais assisti igualmente curiosa. O moço brindou-nos a ambas com o seu sorriso maroto e nada mais acrescentou! Está tudo dito… Tudo está bem quando acaba bem, será?!

O rapaz e as suas pedras preciosas 🙂

O circo está montado!

Enquanto os alunos realizam, desesperam e exasperam, o exame de Matemática A, numa sala à parte, durante o período da prova, permanecem, incomunicáveis, 4 professores de Matemática, a fazer exatamente os mesmo que os seus alunos.
Dois professores a revolver o exame de Matemática A, um a resolver o de Matemática B (eu) e outro o de MACS, são os professores coadjuvantes.
Ao resolver o exame de que era coadjuvante, fui ouvindo os comentários preocupados dos meus colegas sobre o exame de 12º ano . “Os alunos não vão perceber isto, é confuso… Uiiii, eles vão errar esta… Não gosto desta pergunta!… Olha uma fácil!… Eu não gostava de ser aluno e estar a realizar este exame… Mas o que é que eles querem? Chumbar toda a gente?… Caderno 1 mais difícil que o caderno 2 e é grande o exame… Bolas, mudaram as cotações das escolhas múltiplas de 5 pontos para 8 pontos, não avisaram, já no exame de Português e F.Q. aconteceu o mesmo, prejudica os bons alunos, que às vezes só falhavam uma escolha múltipla… Deviam ter facultado aos miúdos uma prova modelo, devido ao novo programa e à nova estrutura prevista para o exame, como tantos professores solicitaram e o IAVE sempre recusou… Coitados dos miúdos!”
O exame de Matemática B e de MACS eram, claramente, mais acessíveis e dentro do estilo de anos anteriores embora que… talvez um pouco mais difíceis e a apostar naqueles erros que os alunos comentem sempre!
Ao receber e conferir os exames, no secretariado de exames, ouvi os comentários dos vigilantes “Os alunos estavam tensos, não levantaram a cabeça, nem pararam de escrever e alguns de riscar e riscar o que tinham feito, durante quase 3 horas. Não lhes correu bem… Um ótima aluna, saiu cabisbaixa e de lágrima no olho. Foi tal a desorientação que muitos deles sairam e esqueceram-se de levar a calculadora.”
Depois de observar a prova de aferição de 2º ano e a conjuntura, previ que este seria o cenário mais provável mas nunca esperei que fosse, ou aparentasse ser, assim tão “negro”.
É só aguardar pelas parangonas dos jornais e telejornais daqui a 2 semanas, o dedo apontado aos culpados do costume, que ainda por cima querem que o tempo de serviço lhes seja considerado, levam é com a Flexibilização e Municipalização para resolver o insucesso dos alunos e esqueçam lá o tempo de serviço pois afinal parece que não andaram a fazer nada de jeito!
Acima de tudo, os alunos não merecem ser as cobaias desta gente! Tal como os professores, merecem mais respeito!

Muito à frente!

A estrutura da Prova de Aferição de Matemática em termo de conteúdos parece-me adequada, e a esperada, mas o grau de dificuldade é total e completamente desajustado para um 2º ano. Quase que me arrisco a dizer que o Ministério espera que os alunos, no final do 2º ano, estejam preparados para frequentar o 6º ou 7º ano e não o 3º ano.
Ora vejamos algumas questões
O enunciado é de fácil interpretação para um aluno de 2º ano? Não me parece…  Pergunta deles “Mas onde é que está desenhada a figura 4? A figura 10, qual figura 10?” Mais, grande parte dos alunos de 6º e 7º ano não achariam a esta questão de caracacá mas, em última instância, conseguiriam chegar lá desenhando as figuras seguintes; não acredito que a grande maioria dos alunos de 2º ano o consigam fazer, a 4ª figura talvez, agora a 10ª, por favor, tenham dó e paciência…

 

Associar a figuras a múltiplos de 3 ou desenhar a sequência até à 27ª figura (dizem os critérios de correção). Deixa-me rir antes que me esqueça! 2º ano????

 

Primeira e maior dificuldade: perceberem a que retângulo se referem. Segunda: interiorizar que A, B e C são iguais e inferir que a largura de B e C é metade do comprimento de A e que esta corresponde também à largura de A. Terceira: saber colocar na figura as medidas que encontrou fazer as continhas para obter o perímetro. No mínimo arrevesado, este enunciado! 2º ano?! Ahahahaha?!

Podem-me dizer que é só uma questão de contar, sim, sim, a visualização geométria, no 2º ano, está desenvolvida para num desenho (2D), faces e arestas e perceber a simbologia de uma aresta a tracejado? Pergunto eu, que no 10º ano apanho vários com este assunto “mal resolvido”.

Gosto particularmente desta: os pratos da balança, qual é o aluno de 2º ano que conhece e sabe como funciona uma balança de braços? Aprecio, particularmente, o cuidado na linguagem científica: medida de massa, que eu saiba as balanças medem uma força, a força não é um massa, o peso, sim, é uma força, ou esta noção física mudou no entretanto e eu não me apercebi? Rigores à parte qual é o aluno, no 2ºano,  que sabe o que é uma medida de massa, conteúdo lecionado e explorado no 3º e 4º ano. Este é um exemplo típico para iniciar o estudo de equações no 7ºano, com o equilíbrio dos braços da balança e nunca, começo com um tão díficil! 2º ano, socorro!

Os Deuses e os senhores do IAVÉ, em particular, devem estar louco ou então sou eu que vivo numa realidade alternativa (aquela que trabalha com alunos).
Sinceramente, acho que grande parte desta prova de aferição dava um belíssimo teste diagnóstico de 6º ou 7ºano! Não sei se me faço entender…
Na minha modesta opinião, são muitas as questões com um grau de dificuldade elevado a nível do raciocínio, abstração e visualização geométrica para alunos de 2ºano. Obviamente que a minha análise se baseia no que conheço dos alunos a partir do 7ºano…
Toda esta prova e conjuntura me leva a crer que não foi um erro de “casting”, foi deliberado e tem um objetivo que nada tem a ver com aferir conhecimentos. Não sou grande apologista da teoria da conspiração mas… desconfio que vai sobrar para os mesmo de sempre e cumprir o seu propósito.
Arriscaria ainda dizer, pelo que tenho ouvido, que os Exames Nacionais seguem a mesma linha. Lamento muito pelos verdadeiros lesado, os alunos, mas há gente muita pequena que não olha a meios para atingir os seus fins e… as eleições são só em 2019!
Espero, sinceramente, estar enganada mas nesta altura do campeonato, e não é do mundo, quase nada já me surpreende! Aguardemos pois então…

Quem diz um ponto, diz umas semanas!

Numa esplanada, três mães, em amena cavaqueira, partilham os seus “medos” e receio de colocar os seus rebentos na escola pública.
As suas crias frequentaram, nos seus primeiros doze anos de vida, instituições privadas e estão muito renitentes relativamente à realidade com que se irão confrontar, no próximo ano letivo.
Ansiosas e desejosas que uma alma as descanse que nada irá estragar os seus meninos nessa selva que parece ser a escola pública.
Uma das mãe que já vivenciou este medo e ansiedade, no ano anterior, procura tranquilizar as outras duas. “Correu tudo sem problemas de maior e ele gostou muita da escola e do ambiente. Tem algumas coisas que não se resolvem como no colégio. Por exemplo, a professora de Matemática faltou, durante 2 meses, teve que ser operada e não foi substituída porque o Ministério não mandou ninguém. E logo numa disciplina tão importante como a Matemática… No centro de estudos, foram-lhes adiantando algumas das matérias mas sabemos que não é a mesma coisa! Infelizmente, as pessoas ficam doentes. É assim…!”
Foi aqui que decidi abandonar, antes que o rebento daquela mãe, meu aluno, dada a escola referida, aparecesse e me deixasse a mim e à mãe numa situação… constragedora.
Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto, neste caso uma semanas… Foram menos de 5 semanas e não 2 meses. E agora acrescento eu o meu ponto/observação: curiosamente, a turma da cria desta mãe esteve sem professor de Educação Física 3 meses, facto que a mãe não referiu porque não a apoquentou , praticamente, “nada” a ela e aos outros pais, comparativamente com o “transtorno” que a minha ausência parece ter provocado. Resumindo, somos todos professores e “iguais” só que não… e os pais são os primeiros a transmitir, aos filhos e não só, a ideia que há disciplinas e disciplinas e talvez, também por isso, tenhamos alunos que imensas faltas de material em disciplinas com a Educação Visual e a Educação Física.
Há quem esteja sempre “Nos cornos do touro”, por uma ou outra razão e depois há os que passam, discretamente entre os pingos da chuva! Claramente, não passo entre os pingos da chuva, nem tenho de perfil! Touradas, não aprecio, mas já tive algumas pegas! O segredo: nunca subestimar os que passam entre os pingos da chuva, os touros nem os que não voltam as costas nem a uns nem a outros.
Um mundo é um aldeia!

Lógico!

De tempos a tempos, mas, especialmente, nas últimas semanas de aulas, costumo desafiar os meus alunos com uns simples, antigos e conhecidos, problemas lógicos: o lobo, a ovelha e a couve; os missionários e os canibais; os pais, mães, filhos, o prisioneiro e o polícia.
Invariavelmente, há sempre dois ou três alunos que respondem “Professora, isso é muito fácil!”, seguros de si pois já ouviram falar dos problema ou tentaram/conseguiram ou viram a solução dos mesmos.
A 1ª tentativa para resolver o problema mais simples é atribuída, de imediato, a um destes 2 ou 3 alunos cheios de confiança. Aquele a que eu chamo o meu voluntário forçado.
Ele/a segue contente,  cheio de confiança, prestes a fazer um brilharete perante os colegas e a professora.
Eu sorrio-lhe!
Apresento o problema a todos e explico as premissas do mesmo, ou seja as regras do jogo. Começamos sempre com o problema mais simples o da ovelha, da cabra e do lobo.
“Let the games begin! O computador é todo seu!” anuncio.
O voluntário pensa, hesita, avança e… falha, redondamente, na 1ª tentativa e olha para mim frustado e os colegas olham-no espantados, desiludidos porque afinal aquilo também lhes parece ser muito simples
Eu sorrio e sei que na minha expressão está estampado um verdadeiro e prazeiroso “Eu avisei!”, a maioria das vezes, não me contenho, e verbalizo-o.
Regra geral, um dos dois que não foi eleito voluntário forçado diz, entre risos, “Fogo! A professora não perdoa!”.
O voluntário frustado, sente a necessidade de provar que é capaz, que aquilo foi apenas uma distração (e muitas vezes foi) e tenta novamente sobre o olhar atento e avaliador dos colegas.
A experiência diz-me que muito raramente conseguem fazer na primeira tentativa. Alguns conseguem na 2ª tentativa, a maioria, consegue à 3ª tentativa… isto no problema mais simples e elementar.
Aproveito sempre esta experiência para enfatizar que mesmo o que parece ser elementar e simples, é preciso analisar com cuidado, pensar, colocar as engrenagens a funcionar, que, às vezes, estão mal oleadas ou não estão “bem alinhadas”. Errar, 1, 2 , 3  ou várias vezes, faz parte do processo, chama-se aprimorar a técnica, ou perceber a mecânica do jogo ou do raciocínio, com as regras do jogo bem interiorizadas, tudo segue com mais rapidez e fluidez, o importante é não desistir.
Passamos para o problema seguinte, grau de dificuldade um bocadinho maior, há vários voluntários, aqui as tentativas são muitas, face aos sucessivos erros, os palpites e sugestões são mais que muitas, vários tentam e cometem, exatamente, os mesmos erros que criticaram nos colegas que tentaram, anteriormente, alguns enervam-se “Não estás a ver que tens que fazer assim?” dizem para o colega mas quando tentam e não conseguem… enervam-se ainda mais “Professora, isto é impossível!”.
É uma dinâmica engraçada de observar.
Quando a coisa empanca, dou uma dica discretamente, eles processam, tentam e avançam! E assim vamos avançando de problema em problema, aumentando sempre o grau de dificuldade e com alguns alunos, não necessariamente os melhores, avançamos pelo intervalo a dentro.
O engraçado é que se, uns meses mais tarde, lhes apresentar um problema similar, cometem, na 1ª abordagem, os mesmo erros! Eles e… eu 🙂 , eu sou estou mais habituada ao processo!
Nada com experimentar e dar a conhecer à vossa pequenada! (Cada imagem corresponde a um dos “jogos” e estão ordenados por grau de dificuldade)

Irmãos e o Pedro do reboques

Diz que há uns dias se assinalou o dia dos irmãos e lembrei-me, automaticamente, deste telefonema do Nilton que, curiosamente, foi o meu mano que me deu a conhecer!
Esta verdadeira pérola que retrata na perfeição a relação entre manos, ou pelo menos a minha e os que observo todos os dias aqui por casa, provocam e chateiam-se até à exaustão numa camaradagem saudável de quem não sabe viver sem o outro.
Há momentos e frases que ficam para a posteridade e o mano da Beatriz Barroso, que foi quem pediu ao Nilton para o atazanar com o “Pedro dos reboques” porque, nas suas palavras, “O meu irmão passa-se”, arrisca-se seriamente, especialmente, graças à sua mana, a ficar conhecido por:
“Ouça, eu não sou esse senhor, eu é que sou o miúdo estúpido! Está a perceber?!”
Resumindo, ele passa-se mesmo!
Eheheh, guilty as charged, eu faço isso não até à exaustão, mas quase, quase, com o meu irmão… desde sempre e o moço aguenta estoicamente e, às vezes, perde a paciência e passa-se! Faz parte de dinâmica, manter a chama ativa! Love you, mesmo quando te passas dos carretos mas, especialmente, durante o processo e o caminho que te lev(o)a a esse estado… os teus sobrinhos estão quase a atingir o ponto (o teu e entre eles)!

Para o ano há mais…

Última aula do ano, teste entregue, correção feita, dúvidas na correção e cotação esclarecidas, preenchimento da ficha de autovaliação em curso… e eis que uma aluna, de teste na mão, diz “Professora acho que se enganou a corrigir a minha escolha múltipla!”.
Miro-a, estudando atentamente, e digo “Mostre lá então!”.
Observo as duas questões que me aponta e para a proposta de correção: em ambas é opção A. Verifico o teste da aluna e vejo dois A fora da linha, o traço do meio do A está sobre a linha, comparo com os outros A da aluna, todos direitinhos e bem desenhados em cima da linha.
O que antes eram dois C, passaram, habilidosa, e redondamente, a ser dois A.
Esta é uma moda/prática comum entre alguns alunos, achando eles que os professores são tolos e não percebem!
Os professores também aprendem com a prática e com os alunos e também por isso, tiram fotocópias e fotografias aos testes dos alunos para se precaverem… o que é triste mas ninguém gosta de ser tomado por parvo.
Há primeira toda a gente cai, à segunda só cai quem quer!
Há três anos, que não tiro cópias dos testes dos meus alunos… costumo dizer-lhes que é uma questão de confiança mútua, enquanto ninguém quebrar o pacto, não há razões para desconfianças.
Foi a primeira vez em três que se levantou esta questão e… logo na última aula de uma turma de 11ºano, gente crescida portanto!
Há guerras que não vale a pena comprar mas a mensagem vale sempre a pena tentar transmitir.
“O que aqui estavam eram dois C, como pode facilmente comprovar qualquer um que olhe para os seus A´s e observe com atenção! É os pontos que quer certo? Seja… São seus, dou-lhos! Sabemos ambas que não os merece. Mais lhe digo, não alteram em nada a sua nota de final de período! Mas fazem toda a diferença no resto… que é o mais importante! As atitudes ficam para e com quem as tem! Lembre-se que como vocês fotografam tudo e mais alguma coisa, os professores têm a mesma ferramenta à sua disposição, o que acha que encontraríamos se agora projeta-se, perante todos, a fotografia que tirei ao seu teste? Ninguém merece isso numa última aula, nem eu, muito menos os seus colegas, não concorda?” e devolvi-lhe o teste com a nota “inflacionada”.
Não tugiu nem mugiu.
O silêncio era palpável e de cortar à faca.
Dirigiu-se ao seu lugar perante o meu olhar desiludido e o olhar fulminantemente, e reprovador, dos seus colegas, os seus olhos encheram-se de lágrimas (de raiva, arrependimento?) que não verteu.
Ser professor é cada vez mais também é isto… dar lições de moral, ser duro, educar com valores (e não para os valores), conhecer as capacidades dos seus alunos, e não só, observar e antecipar as suas jogadas, reconhecer sempre o seu erro, quando ele ocorre (ninguém é infalível), jogar com atenção, seguir, muitas vezes, a intuição, fazer bluff e..frequentemente, constatar que a nossa intuição raramente falha; conceder, humildemente, quando ela nos abandona!
Fica um travo a azedo desta última aula para mim e para os seus colegas. Para a aluna em questão, sinceramente, não sei, espero que tenha aprendido algo… ! Claramente, não terminámos com chave de ouro, o que os incomodou mais a eles, sem terem culpa nenhuma, do que a mim! É a vida… e a prova que basta um para estragar o ramalhete, neste caso a última aula. É assim em todas as aulas, não apenas na última; algo que muitos têm imensa dificuldade em perceber!
Este foi apenas um momento menos bom do dia, onde houve muitas promessa (deles) e muito riso (meu), não os conhecesse eu bem…
Para me engraxar, deixaram-me, voluntariamente, mensagens bem catitas, nos cantos das fichas de autoavaliação! Registo, com especial apreço, a dos mais “pestes”, que me deram “mais luta”.
“Foi um prazer trabalhar convosco! Vemo-nos por aí, nesses corredores da vida, dentro ou fora da sala de aula!”despedi-me.
“Lá está a professora sempre a utilizar palavras “caras”!” diz a pestinha ao fundo da sala.
“Diga-nos só que vai pedir para ficar connosco para o ano porque senão morre de saudades nossas ok?” diz a pestinha do lado.
Missão cumprida!

Seis anos na “faina”

Há, precisamente, seis anos decidi aventurar-me neste mundo dos blogue, com os primeiros passos no Infinito e mais, seguido do Não há tempo para fantasias (este é, definitivamente, o nome que mais gosto, não fosse esta uma expressão que utilizo com muita frequência!) mas o infinito é poderoso e, sem medos, voltei ao infinito :).
Como é que me lembro da data em que criei o blogue? Simples, coincide, e associo sempre com o dia, de anos de duas grande amigas da faculdade (Parabéns Ana e Carmen, acho que nenhuma lê o blogue mas fica o registo), a quem dou sempre os parabéns, com exceção de quando me esqueço, e como quando criei o blogue pimpolha mais pequena tinha feito 1 ano… é só fazer as contas com diria o outro!
Por aqui há memórias, pensamentos, observações, opiniões e críticas (dizem-me que sou cheia delas e, regra geral, não me coibo das partilhar no mundo real e por aqui), passeios, viagens, experiências, gulodices, números, interações, conversas, muita tonteira e parvoíce e outras cenas e coisas que regam os meus dias.
Nestes seis anos, por diversas vezes, pensei deixar-me disto, porque, apesar de não aparentar, exige tempo e força de vontade, dá “trabalho”. O que me fez sempre voltar foi o prazer da escrita e o gosto pela memória futura.
Sempre que pensei fechar o estaminé, dei comigo a ler post antigos, a sorrir ao lembrar momentos e conversas que já não me recordava, a identificar, nas entrelinhas, o meu estado de espírito e o que me levou a escrever aquele post, e  a constatar que embora não tenha escrito nenhum livro, este é um extenso “legado” que deixo meu/nosso à pequenada da casa.
Houve post que me deram um enorme prazer a escrever que saíram do fundo da alma e do coração, espurgando males e partilhando contentamento. Estes não são, regra geral, os post mais apreciados pelas poucas pessoas que por cá passam (olá pai, olé mãe, allô excelentíssimo esposo!, o mano ainda não está convertido, está sempre nas suas resoluções mas não tem tempo, ainda não conseguiu encaixar este infinito nas voltas que dá em torno do(s) seu(s) infinito(s), no hard feelings).
Ao fim de seis anos, confesso que ainda não consegui perceber o que mais vos agrada por estas bandas, o que vos faz voltar, mas aprecio a vossa resiliência e fé.
Obrigado pela companhia!
Porque quem escreve , gosta de saber que alguém o lê, um obrigada do tamanho do mundo a quem:
– comenta deixando a sua opinião, dando sugestões ou simplesmente agradecendo a partilha.
– envia um mail a dizer “Tens um erro no post. Corrige!”
– lê e não comenta virtualmente, mas me diz, pessoalmente, “Fartei-me de rir com o teu post!”, “Deixaste-me a pensar em algo que nunca me tinha ocorrido!”, “Fiz a tua receita e ficou ótimo!”
– me pede para rever e dar a opinião sobre um texto que vai apresentar e publicar, porque gosta do escrevo por aqui. Quando esse alguém, uma pessoa que admiro, escreve realmente bem, não umas patacoadas com eu, e as leituras e a escrita são a sua “vida”
– envia um mail a pedir informações de um projeto que divulguei no blogue, para poder implementar um semelhante, e depois me responde “Estou rendida à sua amabilidade.Muito obrigada mesmo. Darei notícias sobre o projecto.”
não comenta mas envia um mail com um desabafo por causa de um post que escrevi e me responde “Muito obrigada por teres lido e respondido e pela tua clarividência”
– a quem me envia um mail com título do post e no corpo da mensagem diz apenas “Tu és grande, miúda! Esse teu sentido de humor refinado é um bálsamo para a minha alma. Faz falta a tanta gente! Alegraste o meu dia!”

Por aqui a dança prossegue com os artistas, e no ritmo, do costume e com a leveza de quem anda há seis anos “na faina” dos blogues (sim, ao fazer este post só me lembrava desse clássico dos Gato Fedorento – “40 anos na faina do atúuum” – daí o título do post – sempre a parvejar, há coisas que nunca mudam!)
Voltem sempre que vos apetecer e tiverem tempo. Serão sempre bem vindos!

 

Fechado a sete chaves

Mais um jantar de “amigos”, várias sugestões de sítios/casas em cima da mesa, e um dos “amigos” insiste que desta vez tem quer ser, porque tem que ser, em sua casa.
Depois de jantar, as crianças deambulam pelo casa. Para, logo de seguida, regressarem, espantados, à beira dos pais, exclamando “As portas estão trancadas menos a da casa de banho!”.
O casal anfitrião, que não tem filhos, ouve a observação estupefacta da pequenada e um deles diz com naturalidade e regozijo “Assim não mexem em nada. Não corremos esse risco!”.
Outro casal, sem filhos, exclama “Grande ideia quando for em nossa casa, vou fazer o mesmo!”
Ninguém acha estranha a ideia, aparentemente, é magnífica! Ninguém se manifesta e eu, bem, eu… observo incrédula prestes a explodir de indignação e raiva pelos meu filhos e por mim! Contenho-me…com muita dificuldade!
Olho para os meus filhos, e para as outras crianças presentes, que não sendo nenhuns santos também não são nenhuns vândalos, e penso “Só me apetece sair, e já, daqui. Uma promessa: não me voltam a apanhar por cá. Não vale o esforço dada a falta de educação, consideração e de sensibilidade entre muitas outras coisas. Uma atitude destas numa criança achava normalíssimo… num adulto, acho inqualificável. Havendo alternativas, e haviam muitas, é, no mínimo não sugerir que seja em sua casa”.
Ainda hoje, sempre que penso nesta noite, sinto uma irritação e indignação enorme (volto a ferver por dentro) e a questão que me assola “Como foié possível?”.
Como é óbvio, não se repetiu, não voltámos! Pequenas coisas que nos fazem ver algumas pessoas sobre outro prisma, onde a luz não incide como gostaríamos ou com a refração desejada.
Sim, “incorporei a dor” pelos meus filhos.
Sim, considerei um afronta a eles e a mim.
Sim, se calhar, estou a ser exagerada, pouca dada a perdoar e a reconsiderar. Temos pena… quem me faz uma de calibre elevado, raramente, tem oportunidade de repetir a proeza (um grave defeito meu, bem sei).
A estes casais, apenas desejo que quando, ou se, tiverem filhos, ninguém lhes faça o mesmo. Claramente, jogamos em equipas diferentes e desconfio que não tem a ver com ter filhos ou não, vai muito para além disso…
Escolhemos a quem decidimos “abrir” a nossa casa e devemos fazê-lo de coração e casa aberto, ou não? Atenção, não implica que não nos preparemos e façamos planos de contigência (fazemos isso com a pequenada desde sempre) mas isto… nunca! Isto é outra coisa!

O fillho/irmão mais novo

“As minhas prendas são sempre mais feias que as dos manos” diz pimpolha mais pequena lavada em lágrimas ao comparar as prendas do dia do pai que fez na escola com as que os manos fizeram.
“Estão muito bonitas. Tenho a certeza que o pai vai gostar. Quando eram da tua idade, os trabalhos dos manos eram muito parecidos com os teus, tal como os teus serão parecidos com os deles quando tiveres a sua idade.” tentei consolá-la, mostrando-lhes alguns presentes de anos anteriores do manos mas a moça estava verdadeiramente desgostosa. Olhava, com desdém, para os seus trabalhos e com uma enorme inveja para os dos manos. Não houve nada que eu dissesse que lhe desse ânimo.
Como a moça, não é de se ficar, voltou à carga com o pai, quando lhe entregou os presentes.
“Os dos manos são muito mais bonitos… blábláblá… tu nunca usas os presentes que eu te faço!” diz triste como a noite para o pai.
Por esta altura, já eu amaldicionava, com todo o meu ser, os benditos trabalhos da escola… raios parta, que a miúda estava numa angústia que metia dó.
O pai lá tentou, como eu tinha tentado e os manos também… nada a demovia daquela ideia que se tinha metido na sua cabecinha pensadora.
Com o argumento “Não usam os presentes que vos dou!” desarmou-nos, impiedosamente, com só as crianças sabem fazer.
Mais um vez,  disse raios e corriscos das quinquelharias destes dias “emblemáticos”, que temos às carradas cá por casa (não tivessemos nós 3 filhos e não acumulassemos presente há anos) que achamos fofinhos e tal mas, efetivamente, não lhe damos grande utilidade!
Excelentíssimo esposo, o iluminado, consegue penetrar, ao fim de várias tentativas, na nuvem negra que se abateu sobre a moça quando argumenta “Tu também brincas com todas as tuas prendas de anos e de natal?”.
A rapariga parou, meditou, sorriu e disse “Não, claro que não! Só com algumas… mas gosto de todas! Hummm… Vocês também são assim com as vossas prendas, é isso?”.
A questão ficou, aparentemente, resolvida ou apaziguada. A moça não voltou a falar no assunto, nem quando foi o dia da mãe. Confesso que estava receosa! Assunto resolvido da cabeça dela… já na minha, também não!
Este desabafo, frustação e tristeza de pimpolha mais pequena fez-me desejar, do fundo do meu ser, com toda a minha alma e coração, a morte extinsão destes presentes “escolares” do dia da mãe e do pai, embora, racionalmente, reconheça que este meu desejo é  muito, para não dizer nada, pouco razoável. As mães/pais são, muitas vezes, assim, irrazioáveis e irracionais, o segredo está em saber admiti-lo e seguir caminho, aprendendo a viver com isso, mesmo que não se goste.
Quando se tem 3 filhos, todos falam do irmão do meio, por isto e por aquilo, porque a psicologia e o diabo a sete diz, explica e acontece.
Pequeno do meio é um rapaz nada dado a essas psicologias, é um moço bem resolvido, seguro de si (até demais), a quem não reconheço, até à data, nenhum das sintómaticas/problemáticas associadas ao irmão do meio e há muito que acho isto.
Depois desta pequena crise, dei comigo a matutar no filho mais novo e a considerar que, especialmente, quando tem mais que 1 irmão, este não tem o caminho nada facilitado nem linear. Ora vejamos: aparece, de rompante, para se imiscuir nas dinâmicas e papéis que os manos já tinham tão bem definidos, tem que se impor, com muita força de vontade e personalidade, alto e bom som, desde o 1º momento para conquistar e demarcar o seu espaço (check), desenvolve-se muita mais rápido que os manos nessa coisa que é o saber (con)viver (check), é “prematuro” em muitas das suas ações e reações pois tem uma ótima, senão a melhor, “escola”, observa atentamente e replica as pisadas dos manos (check), está a “anos luz”, a muitos níveis, dos seus amiguinhos que não têm irmãos  (check), é um desenrascado e reivindicador nato e não se atrapalha com facilidade (check). Tudo isto, e muito mais, no lufa a lufa do dia a dia, por vezes, faz com que nós, pais, por momentos, nos esqueçamos que não tem a idade dos manos, especialmente, quando esperamos dela um comportamento adequado à idade dos manos e não à sua (eu: check), não tenhamos a mesma pacência que tivemos com os irmãos (eu:check), que não nos deslumbremos, de imediato, e/ou perdidamente, com os seus feitos e descobertas como quando foi com os seus manos, principalmente, com a primogénita, onde tudo era novidade (eu:check), que encaremos quase todo e qualquer “problema” com naturalidade e muito mais descontração, que às vezes pode ser entendido por ela, como despreocupação, desinteresse (eu check), que lhe imponhamos o “ritmo” de passeio, de caminhada, de programas, de sabedoria, etc que consideramos o adequado à maioria: aos manos mais velhos (eu: check), que embora procuremos nunca a comparar com os manos (eu:check), não nos apercebemos que ela faz esse exercício, frequentemente, com um espírito crítico acutilante, tomando como modelos de eleição os que tem desde pequena: os seus manos (eu:check).
Não é fácil reconhecer e enumerar a sintomática, especialmete, porque o fazemos natural e inconscientemente, procurando dar o nosso melhor, cheios de boas intenções e… nada como uma “mera” (ahahahah, acho que nunca as vou ver da mesma forma)  prenda do dia do pai para a tua filha mais nova te abrir os olhos e te apontar não um dedo mas os cinco.
Navegando em mar revolto, os manos mais velhos aproveitam a onda “brutal” para relembrar que ela é a nossa bebé, aquela a quem fazemos mais vontades, a quem perdoamos com mais facilidade, a quem fazemos mais “descontos”,  a quem cedemos com maior facilidade, a quem damos mais mimo e colo, and so on… E reconheces, com naturalidade, que não estando nos planos ter mais nenhum bebé, que a “mimes”, aproveitando todos os momentos, com se fosse o teu último bebé.
Resumindo, os Deuses estão loucos e eu… também!

Alentejana?!

Final do dia, eu esparramada sentada no sofá da sala de professores em amena cavaqueira, esperando a próxima reunião .
“És alentejana?” pergunta-me uma colega.
Ri-me, para espanto de alguns, quem me conhece bem, sorriu.
“Os meus alunos fazem-me essa pergunta frequentemente. Tipo: aula sim, aula sim! Achei piada perguntares o mesmo por isso me ri!” esclareço divertida.
“Então e porque é que os teus alunos acham que és alentejana?” pergunta a colega entusiasmada.
“Acho que reconhecem em mim a mesma(s) caracterísitca(s) que tu me encontraste e que suponho terá motivado a tua pergunta! Diz-me tu qual ou quais são… Eheheheheh… mas não, não sou alentejana.” digo entre risos.
“Tu és terrivel…mente engraçada!” diz-me ela rindo-se.
“Eu sou alentejana!” observa outra colega com um ar sério.
“Não sou mas, aparentemente, devo ter várias costelas alentejanas, se não todas, segundo o parecer de várias “fontes” imparciais. Os alunos fazem apostas para adivinhar de onde sou mas como não dominam muito bem a geografia de Portugal, as minhas pistas passam-lhes ao lado. Têm tanta confiança em mim que persistem em insisitir que eu tenho, porque tenho, de ser alentejana! Ora… com todo gosto!” remato.

Alienada

“Professora, vai ver o casamento real?” perguntam-me os meus alunos na 6ª feira.
“Hummm… casamento real? Do princípe Harry? Quando é que é?” respondo cheia de dúvidas e meio desorientada.
“STÔRA! Não se fala de outra coisa. É AMANHÃ!” dizem estupefactos face à minha ignorância e indiferença a assuntos Reais.
“Nos sítios por onde me passeio, não ouvi nem li nada sobre o assunto!” acrescentei para juntar à sua, deles, incredulidade.
“Como é que é possível?” exclamam, olhando para mim tipo como se eu fosse um E.T. (pior, muito pior, do que quando faço uma demonstração matemática complicada)

“Então, professora, viu o casamento real, certo?” era a dúvida que mais os afligia às 8h00 da manhã desta 2ª feira, em véspera de teste de matemática.
“Não! Nada, nadinha de nada. Zero!” respondi entre risos.
“Francamente… não é possível! Mas viu as fotografias?” continua o inquérito cerrado.
“Nem uma!” informo em modo telegrama
“Não tem curiosidade?” pergunta uma “princesa”.
“Nem por isso…!” afirmo
“Não me diga que também não ouviu o Bruno de Carvalho?” pergunta o sportinguista ferrenho
“2 horas… por favor! Ouvi 2 ou 3 minutos do seu discurso na rádio e chegou-me bem. O homem só me faz lembrar uma personagem dos gatos fedorento à qual achava piada… mas depois lembro-me que aquilo não é um sketch e não sei ser ria se chore com tanta parvoeira junta debitada, pausadamente, por minuto! É demais para mim e, neste momento, para qualquer um, menos para ele, que continua cheio de si!” rematei, encerrando o assunto.
“Qual é que era a personagem dos gatos fedorento que lhe lembra o Bruno Carvalho?” pergunta o sportinguista entre risos
“Isso gostava eu de saber mas só tenha uma vaga ideia que era interpretada pelo José Diogo Quintela.” informo.
“P., tens que ir investigar isso! A professora, no outro dia elogiou-te: disse que o teu humor a fazia lembrar o Ricardo Araújo Pereira e que isso não era para qualquer um, era um verdadeiro elogio. É o mínimo que podes fazer para nos esclarecer!” diz o sportinguista entre risos
“Eu sabia que ia sobrar aqui para o preto!” diz o P.
“Mas o único preto aqui sou eu, pá!” diz o sportinguista (que é preto).
“Exatamente!” diz o P. no seu melhor!
Assim começou mais uma aula entre risos, casamentos reais, Bruno de Carvalho, gato fedorentos e afins, decidimos, aliás decidi, sem demoras, mergulhar-nos em cenas mais reais: as funções racionais! Atentem bem: RACIONAIS!

Da bolacha torrada a primavera!

“Bom dia, caros colegas!” digo ao entrar às oito da manhã, na sala de professores, no início de mais um longo dia de trabalho.
“Olá! Chegou a nossa primavera!” diz-me, sorrindo, uma colega.
“Hoje já parece é verão!” observo eu.
“Não percebeste! Estava a referir-me a ti: luminosa, colorida, alegre, espirituosa… uma lufada de ar fresco!” esclarece-me ela.
“Ohohohohoh! Opá assim não vale… Que querida! Confessa, estás a ver se te redimes da história da bolacha torrada!” remato entre risos.
O poder, a simpatia e empatia do retorno do que “damos”, de nós, natural e espontaneamente!
Alegrou-me o dia, afagou-me o ego.
Contemplei a sabedoria, magia e simplicidade de quem encontra nos outros a(s) sua(s) primavera(s).
Ainda não recuperei: de bolacha torrada a primavera… mas continuo a gostar muito da bolacha torrada!

Olha o cigano na Terra de Ninguém!

Tudo a postos: os anfitriões todos aperaltados e para lá de contentes com a honra de receber personagens ilustres na sua “casa”.
Na mesa de honra, sobressaem os bonitos arranjos florais e os copos e garrafas de águas dispostas e alinhadas. O bem receber e bem parecer, tão tipicamente português…
À sua espera, para além dos ansiosos e vlangloriosos anfitriões, um anfiteatro… repleto de pessoas, que se pautam pela pontualidade, ao contrário dos ilustres por quem aguardam há 45 minutos, no final de um longo dia de trabalho.
Ouve-se um zuzuru e eis que chegam com pompa e circunstância: engravatados, sorridentes, cheios de charme e energia, prontos a deslumbrar, encantar e conquistar toda e qualquer audiência… ou, então, não!
Debitam números, os mais jeitosos e redondinhos, os estudos e as suas conclusões, realizados por e em contextos que lhes são convenientes, têm uma boa fluência verbal e capacidade de débito impressionante. Lamentável que o mesmo não se aplique à qualidade e exploração do conteúdo. A linguagem e a eloquência não estão entre os seus muitos dons, são corriqueiros, identifico-lhes a falta de nível e de empatia presente nos verdadeiros comunicadores, por outro lado, esxudam populismo.
Mau… Se calhar sou só eu que sou uma cliente díficil e desconfiada, por natureza, ou também porque li os estudos mencionados e outros!
Pregam ferozmente a flexibilidade curricular, os projetos, os entrusamentos, e mais não sei quantas ideias dos iluminados que agora se passeam pelo ministério da educação. Implementações, exemplos, limitações e concretizações nas escolas piloto do que profetizam não referiram um único… e era o que eu mais gostava de ter ouvido! Sou um pessoa muito pragmática e pouco dada a engolir dados, cassetes e evangelizações! Bem sei, tenho mau feitio, nada de novo aí…
Desvalorizam por completo os exames e a forma de avaliação… acrescentando mais tarde, disfarçadamente, sem fazer ligação entre os dois que em Portugal é onde o índice de reprovação é mais elevado na CE e que todos têm direito a ter sucesso, mesmos os mais desfavorecido, deve ser esse o objetivo de todo o professor. Hummm, hummm…
Adoçam-nos, logo de seguida, a boca com “Temos excelentes professores, sabemo-los, são a grande maioria, havendo execeções como em tudo. Gostava de ir à Finlândia, mostrar o por cá se faz, que é bom, muito bom… Mas ainda ninguém me convidou, teria muito gosto!”.
Ah, sim? Pois então onde andas tu, e os teus, e as tuas crenças, meu malandro querido, quando nos atacam vilmente em praça pública? Ah.. espera, isso é em Portugal… que ainda não é a Finlândia!
Dissertam sobre a importância de saber sorrir e da empatia no sucesso dos alunos, resultados de mais um dos “seus” estudos, mas também para encarar períodos mais adversos da nossa vida, em que embora desmotivados nos devemos sempre pautar pelo profissionalismo.
Assim como quem diz, “Esqueçam lá isso de 9 anos, 4 meses e dois dias de serviço, não contabilizados para a progressão, que, na função pública, só vos acontece a vocês! Sorriam, aguentem e cara alegre, continuem a portar-se bem e a fazer o mesmo que nos últimos 9 anos e pode ser, pode ser que vos contabilizemos os próximos anos!”
Morde aqui a ver se eu deixo, anda lá!
Reservo e partilho, a rodos, com os meus alunos, o que recuso, veemente, aos ilustres iluminados – sorrisos, empatia, eloquência, números e estudos e muito mais – mas agradeço a recomendação e a preocupação.
Houve quem gostasse de os ouvir e do que ouviu… não foi, claramente, o meu caso!
Ao senhor secretário de estado da educação e ao diretor geral da educação, informo que me roubaram algo muito precioso: o meu tempo (e não me refiro neste caso ao tempo de serviço) no final de um longo dia de trabalho, para ver apenas em ação essa coisa bem orquestrada, cínica e triste que é a política, e os políticos, nos dias de hoje.
Ao ouvi-los, durante mais de uma hora e meia (ninguém merece), pensei em muitas coisas e dei por mim a trautear vezes sem conta

” Viva o cigano
Um aldeeiro
Que vende o mundo por pouco dinheiro”

As minhas colegas riram-se, pensando lá está ela na parvoeira, nada de novo, portanto…
Logo me ocorreu que o Meio Conto é uma boa justificação para ao Estado a que chegámos!

Buongiorno, Principessa!

“Buongiorno, Principessa” cumprimenta-me, ao entrar, um aluno, “cheio de contente”, às 8h00 da manhã.
“Olá e bom dia, meu caro! Tanto alegria logo pela manhã pois então que a vida é bela!” respondo-lhe, sorrindo.
“Eu sabia, eu sabia que a professora ia reconhecer…! Explique, por favor, a este meu colegas incultos, “A vida é bela!”” diz ele, dirigindo-se mais aos seus colegas do que a mim.
“É um belíssimo filme: simples e maravilhoso, retrata uma época dolorosa e negra na história, mas que nos mostra o poder e a importância da forma como escolhemos encarar as coisas e cenas da vida, especialmente, as mais duras e “desagradáveis”. Aconselho vivamente!” elucido a plateia espectante, dando início a mais uma, promissora, aula de matemática de 11ºano.
Recontando, “cheia de contente”, a excelentíssimo esposo a forma simpática, principesca  mesmo, como começou o meu dia de trabalho, diz-me ele, entre risos, “Se calhar, o teu aluno achou só que estava num campo de concentração!”.
Franzi-lhe o sobrolho, e desconfio que lhe devo ter dado uma cotovelada, raios parta o homem, e atirei-lhe com um “É que mesmo Parvo Engracadinho. Desmancha prazeres! Tens é inveja que o teu dia de trabalho não comece assim!”.
“É verdade! Nunca ninguém me chamou de princepesa! Desconfio que, nem nos melhores dias, o meu trabalho tem metade da emoção e interação que o teu tem… para o bem e para o mal!”. Rimo-nos que é sempre o melhor remédio.
Na realidade, há sempre vários pontos de vistas e interpretações sobre uma mesma conversa mas quem a vivencia tem sempre a primazia de interpretar o que vê, ouve e sente da forma que mais lhe apraz/convém, quem ouve o relato tem o distanciamento e a imparcialidade que, por vezes, tolda a interpretação e a sabedoria dos intervenientes mas desconhece as entoações, conotações, anotações e relações presentes na mesma e isso, muitas vezes, é fundamental, se não mesmo o essencial, o “tempero” das relações interpessoais.

Tal mãe, tal filha!

Abri a porta do quarto e espreitei, abri a boca e fechei-a de imediato, sem emitir qualquer som, enquanto contemplava a cena. Devo ter sorrido pois ela devolveu-me um sorriso comprometido enquanto tentava esconder o livro que estava a ler.
De repente, lembrei-me que o propósito da minha “visita” – perguntar-lhe se tinha alguma dúvida para o teste de História, para o qual era suposto ela estar a estudar, e verificar se já tinha realizado os exercícios de revisão.
Lembrei-me também que fui diversas muitas vezes apanhada em flagarante delito,  pelos meus pais, a ler os meus livros em vésperas de testes e exames e/ou a altas horas da noite… Ainda hoje, os períodos em que ando cheia de trabalho são os períodos em que mais me apetece ler… e leio (até altas horas da noite) porque… me apetece e faz-me bem (não necessariamente por esta ordem de prioridades).
Saí de mansinho dizendo apenas “Não te esqueças que tens teste amanhã, se tiveres alguma dúvida, chama…!”.
Pimpolha mais velha responde muito surpreendida “Só isso? Não dizes mais nada?”.
“Governa o teu tempo como quiseres, não esquecendo o que tens e deves fazer, como esperamos de ti – bem!” foi a única coisa que me ocorreu acrescentar pois é exatamente a máxima que aplico em causa própria.  Podia/devia ter ralhado mas pondo a mão na consciência, não tenho muita autoridade nessa matéria e acima de tudo percebo-a, melhor do que ninguém, neste campo, já em outros… estou às escuras, se podia/devia exigir-lhe o muito bem e a perfeição, podia, mas isso é algo que acima de tudo tem que ser ela a almejar e não eu.