Inacreditável! Coisas de gente pequenina…

“Mas porque é que todos anos tens a mania de fazer melhor que no ano passado?” dito em tom de desprezo por um diretor para um dos seus súbditos.
Como? Não será isto que todos deveríamos almejar e valorizar? É triste mas aparentemente não! Obedecer cegamente, sem inovação nem sentido crítico, nem perturbações na zona de confronto de muitos, toldam os horizontes de quem procura e/ou conhece novos horizontes, contempla e ousa não se escusa a questionar, a sugerir, a fazer a diferença, a partilhar com prazer o que sabe e faz! Com gente de vistas curtas e pequenina não se vislumbra horizonte que não o seu!

Eles andem aí e as naves também!

“Onde é que vocês deixaram a nave estacionada?” é uma pergunta que faço, em tom de brincadeira com alguma frequência, aos meus alunos e a melhor resposta que já lhes ouvi foi “Uiiii, uiii, sabe lá, hoje estava o parque cheio! Tive algumas dificuldades” e assim nos rimos e descontraímos. Cada vez mais, tenho que morder a língua para não perguntar seriamente o mesmo a muitos graúdos. Provavelmente, eu é que sou do Espaço ou de outro mundo.

Buracos

Podia ser um post sobre buracos negros, fazendo jus aos filmes de ficção científica, os tais que absorvem tudo e não deixam escapar nada, nem mesmo a luz (daí o seu nome) mas que na realidade (espacial e gravitacional) resultam do colapso de grandes estrelas, de uma deformação do espaço-tempo, e ao seu coração (do buraco negro), curiosamente, chama-se singularidade.
Também podia ser um post sobre o buraco das contas públicas, que já atingiu em tempos valores quase astronómicos, que agora estão ainda demasiado longe para nos permitir respirar de alívio, pois ainda temos a corda ao pescoço, apesar de não estar a estrangular… ainda!
Seria igualmente interessante abordar os buracos que todos nós, contribuintes, temos que tapar, pagar e calar pela gestão danosa de uns e outros, aparentemente, intocáveis em termos da lei e do seu, deles, património.
Os buracos que afligem os condutores e os pneus das suas viaturas em muitas das nossas estradas, podia também ser o tema deste post mas em tempo de eleições autárquicas o alcatrão flui para calar queixumes e tapar buracos, também estes de vários tipos.
Podia ainda ser sobre aqueles grandes, e inocentes, buracos/balizas que surgem na dentição da pequenada por volta dos 6/7 anos de idade, devida à queda da dentição de leite e que lhes dão assim um ar meio esquisito.
Seriam certamente buracos “inteligentes” que valiam a pena explanar mas não… os buraquinhos, que rapidamente se transformam em buracos, que mais me preocupam de momento são mesmo os das minhas t-shirts. Surgem sempre na mesma zona (junto ao umbigo), às vezes, ao fim da 1ª ou 2ª utilização, irritam-me solenemente, porque aprecio muito as minhas t-shirts e me provocam outro tipo de buraco: na carteira. Fazendo um estudo científico com uma amostra vasta e variada cá por casa, conclui-se que só as minhas t-shirt são alvo deste flagelo (o que o torna num problema exclusivamente meu, acho que as traças, e outros bichanos que tais, não serão assim tão seletas). Depois de várias teorias, algumas testadas outras nem por isso, conclui-se, ou seja conclui, que os ditos cujos buracos que me aborrecem, têm origem na colisão, coligação e pressão de cinco elementos: botão das calças, fivela do cinto, mala à tiracolo, cinto do carro, contacto próximo e constante com bancadas e/ou mesas. – confluem todos para o mesmo local, gerando atrito com o tecido e formando um verdadeiro quinteto furado(r). Solução: utilizar as t-shirts “para dentro” das calças, nada fashion, bem sei, mas, volto a repetir, gosto das minhas t-shirts… e da minha carteira.
Curiosidade: a internet é fabulástica e fazendo uma rápida pesquisa descobrimos que há sempre alguém que já teve, ou tem, o mesmo problema e decidiu explorar a temática até à exaustão e descobriu muitos outros com a mesma problemática; encontrei teorias espetaculares sobre esta temática, outras nem por isso: desde a máquina de lavar até coisas bem mais elaboradas.
O que foi mesmo isto? Uma dissertação, com 508 palavras, sobre os buracos que me chateiam, é caso para dizer que, claramente, dei início à silly season, ah espera…parece que sou é assim todo o ano 🙂

Antíteses, artigo definido ou indefinido numa vida toda

Observando com atenção, os sinais de alarme são visíveis a olho nu e, nesta fase, quase que já os reconheço, antes de saber “oficialmente” a notícia: a tristeza e alheamento, as mudanças, as desilusões, as perspectivas, as novas rotinas, as preocupações (filhos, guarda, pensões, dinheiro, organização, gerir uma nova realidade, os vários corações em pedacinhos, os sonhos defraudados, etc.) porque, infelizmente ou felizmente, não sei, porque como diz o ditado “Quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro”, nos últimos tempos têm sido mais que muitas as histórias, de gente perto de nós, que descobriu que afinal não é para sempre.
Identifico os pontos comuns (coincidências?) a todos eles: a mesma faixa etária, a mesma vontade de viver a vida como se se tivesse 20 anos, sem grandes responsabilidade e/ou constrangimentos dos filhos – ser livre, encontrar novos amores e deslumbrar-se. As “alegações”, de ambas as parte, sobre o ocorrido e “consequências” são também muito semelhantes, em todas as histórias.
Tudo o descrito em cima não é uma crítica, a nenhuma das partes envolvidas, cada um sabe da sua vida e o que é melhor para si e para os seus, é apenas uma constatação que encaro sempre com tristeza face às revelações.
A observação que, para mim, bate todas sobre estas crises, de meia idade????, deparei-me com ela em conversa com outras mães, quando uma delas entre risos confessou “Sabem, essa é a vantagem de casar com um homem mais velho! Quando ele fez 50, ofereci-lhe um descapotável, para prevenir! Ele ficou todo contente e o assunto ficou arrumado! Agora, temos o descapotável à venda, não faz sentido, raramente o usámos! Eheheheh, se alguém quiser comprar…?!!!” Malta que joga noutra liga, em vários aspetos! O curioso, e que ela não referiu e as restantes presentes não sabiam, é que ela é 2ª mulher do seu marido e que este se separou da mulher, de quem tem 3 filhos, mais ou menos nesta faixa etária. Como sei eu? Dois dos seus enteados, filhos do marido, foram meus alunos, e lembro-me bem da revolta e o turbilhão de emoções/ ressentimentos que vi os miúdos expressarem sobre a separação dos pais, o pai e nova companheira. Ele há coisas… o mundo é pequeno, às vezes demasiado pequenino. Mas já sabem se precisarem de um descapotável, conheço alguém que tem um à venda e que, aparentemente, evitou uma crise!
Quero acreditar que, inicialmente, todos acharam que era para a vida toda (e muitos continuarão a achar) mas para alguns, cada vez mais, foi apenas uma vida toda que terminou e deu início a uma outra vida toda nova. Há algo, que existindo, é inegavelmente para a vida toda: os filhos, convém não esquecer e prosseguir com delicadeza e assertividade.
Nota: A diferença que faz um artigo definido ou indefinido nas antíteses da vida.

Acreditando, esperando, que muitas história serão para a vida toda, como canta e muito bem, Carolina Deslandes.

Poltronas, livrarias e Gru´s

Nas livrarias que gostamos de frequentar não há pressas, nem temos pressa, há tempo para desfrutar do cheiro dos livros muitos vários, folhear, ler e escolher, muito bem escolhido, as próximas aquisições, as crianças são bem vindas e, por vezes, até têm um espaço dedicado a elas. Quais são as que reúnem todas as condições atrás mencionadas? As que têm sofás ou um espaço onde a malta se pode sentar e apreciar/ler uma resma de livros e onde ninguém nos aborrece ou se aborrece. É um ótimo programa em qualquer altura do ano e do dia, sozinho ou em família. Sozinha, já li belos livros pequenos nestas tais livrarias, em família já li muitos livros infantis para a pequenada. Observo que, como nós, muitos têm os mesmo prazer/hábito e, diversas vezes, encontrei marcadores nos livros!
Na nossa última, e recente, incursão, sorri, quando vi o livro que pequeno do meio trazia na mão – “Gru: o maldisposto” – anda desde a estreia do 3º filme a pedir para ir ver ao cinema. Enquanto escolhia a sua poltrona, e antes de se embrenhar na leitura, observei “Muito apropriado! Lembras-te quem te chamava carinhosamente de “meu Gru: o maldisposto”?” Ele riu-se e disse “Claro que me lembro! Era a minha educadora. Quando me cruzo com ela na escola, às vezes ainda me chama assim!”. Laços e memórias que perduram!
À saída, o nosso Gru: o maldisposto observa “Eh pá, estivemos lá mais de uma hora!”, enquanto, entrando em modo de update, acaricia o livro que trazia na mão – “Gru: o maldisposto 3”. Na outra mão, segura orgulhoso a sua outra aquisição “Diário de um ninja na escola 1″… MEDO!!!!

Observação ou discriminação?!

“Olha, desculpa lá mas ela tem prioridade!” diz, com um ar agressivo, a rapariga de 12/13 anos apontando para uma senhora grávida que a acompanhava enquanto esta depositava as suas compras no tapete. O funcionário da caixa diz-lhe com muita calma “Sim mas tenho que acabar a conta desta família!”, dando de ombros para nós enquanto a rapariga encolhe os ombros para a grávida. Com elas, encontram-se duas crianças: um menino de 4/5 anos e uma menina de 6/7 anos.
Bip, bip, bip… e os nossos artigo continuam a passar.
O menino, abre um pacote Mentos, coloca um na boca, e aproxima o pacote do leitor de código de barras, insistentemente.
Entretida, e distraída, a arrumar as compras não me apercebo de nada mas excelentíssimo esposo e os pequenos não perdem pitada.
Vejo o funcionário, muito atrapalhado, a interromper a sequência de bip e a extrair a conta e dizendo-me “Era só para confirmar e está tudo bem!”, olhei para ele, dizendo que “Sim” e pensando “Porque razão não haveria de estar?”.
Desperta-me a atenção o olhar de excelentíssimo esposo e a observação do funcionário para a rapariga “Ele vai ter que pagar esse pacote que abriu!” e a rapariga, de mão na cintura, diz de imediato “Isso já passou. Está pago!”, ele diz-lhe “Não, não, eu aqui não passei nada!” ao que ela remata com um ar seguro e um sorriso aberto “Pois mas ele comprou aquilo noutra loja”.
O funcionário não faz mais observações, na fila de supermercado trocam-se olhares, todos viram o menino abrir o pacote. Entretanto, a rapariga passa uma lancheira ao menino e diz-lhe “Toma, leva isto e espera lá fora”. O menino não obedece e fica junto às caixas: lancheira e pacote de mentos na mão.
Com menos uns euros na conta, mas um carro cheio de compras, dirigimos à saída. À nossa frente segue a rapariga, a menina e o menino, deixando a grávida para trás com as compras e a conta.
A menina e a rapariga riem-se, seguem de lancheira na mão, contentes e felizes da vida, o seu olhar transparece plenamente o que estavam a sentir “Já os enganámos mais um vez!”, o menino masca indiferente o seu, talvez segundo Mento, de pacote na mão. Sol de pouca dura, o segurança interseta-os e diz com ar de poucos amigos “Mostrem-me as vossas malas!”, os meninos colocam-se atrás da rapariga que de imediato “Não, não mostro nada!” e mais qualquer coisa que não ouvimos mas que lhe mereceu apenas a seguinte observação do segurança “Mantém-te na tua e sossegada!” e ela que já deve conhecer o jogo, assim se manteve, enquanto ele pegava no telefone! Ambos conheciam a dança, nós é que aparentemente, não!
Seguimos o nosso caminho e não sabemos o desfecho da situação mas a pequenada ficou impressionada com toda a cena, fez várias observações e foi o assunto que dominou as horas seguinte: “Mas quem era aquela gente? Grande lata! Tu viste bem o miúdo e a rapariga? Nunca tinha visto nenhuma cena daquelas” entre muitas outras.

Facto 1: As personagens eram ciganos
Facto 2: Como a pequenada, também nunca tínhamos presenciado nenhuma cena tão sui generis!
Facto 3: Pequenada não os identificou como ciganos mas observou e constatou a sua forma de vestir e perguntou se era assim que sabíamos que eram ciganos, respondemos que sim.
Facto 4: No mesmo supermercado, já presenciei diversas vezes a relação demasiado amistosa que mantém com os funcionários. Inclusivamente, quando reclamam que está muita gente na caixa, vem logo alguém a correr abrir uma nova caixa enquanto em amena cavaqueira relatam as novidade que receberam e andam a vender.
Facto 5: Pequeno do meio observa “São ciganos e roubam!”, blábláblá, nem todos são assim, blábláblá, e diz ele “Mas eles forma os únicos que eu já vi a roubar!”

Pergunta 1: Se não fossem ciganos, será que a questão na caixa e do pacote de Mentos teria sido tratada da mesma forma pelo funcionário, em que aparentemente se finge acreditar que vinham de outra loja?

Pergunta 2: O que pensará a pequenada da próxima vez que se cruzar com um cigano?

Pergunta 3: Em muitas situações, quem são os discrimados, nós ou eles?

Mixed feelings

Os últimos tempos têm sido dominados por uma verdadeira e avassaladora mixórdia de feelings (bons ou maus não sei mas mixed for sure!). Porquê? Sei lá mas o cansaço impera e:
– tenho mais uma filha finalista, noção discutível mas “segue. segue, segue”, pimpolha mais pequena ingressa, em setembro, nesse mundo “agreste” que é a Escola, ou seja, teoricamente, cá por casa, deixa de haver “bebés” aqueles que só tem que se preocupar em brincar muito. Entre benção de finalista, noite na escola, almoço de fim de ano, última reunião de pais, apresentações bem giras relatando o que foram os seus, e dos amigos, 3 anos de pré-escolar e como eles cresceram, blábláblá, algumas lágrimas vertidas e o diabo a quatro. Essencialmente, o tempo voa, 1ºano here we go again e se a moça está entusiasmada, eu nem por isso.
– tenho uma aborrescente adolescente em full motion cá por casa, em gestos, conversas, temas e interações. A sua observação preferida para tudo e todos é “Bem podre” (com uma entoação muito própria) pois nada neste mundo, em particular no seu obviamente, parece ser com devia e, quando assim é, uma pessoa tem que se manifestar sobre e por qualquer causa e excelentíssimo esposo, sempre que ela começa numa das suas tiradas, diz “Não sei a quem é que esta miúda saiu – tipo refilona- fazes ideia?”. Aguenta e cara alegre, segue, segue, segue, e é esperar que passe… ou então, não :)!
– em formação, voltei a pisar a minha faculdade. As salas, o cheiro, as caras conhecidas de colegas e professores, os anfiteatros cheios de gentes e, de repente, assenta o friozinho na barriga e comento para a minha colega,”filha” da mesma casa, “Ai que ainda alguém me traz um exame de Análise, daqueles cabeludos, onde os números só figuram na enumeração das questões!” que me diz, entre risos, “Eu costumava passar sempre no teu departamento para ver as pautas e era sempre: reprovado, reprovado, reprovado, reprovado, reprovado, 10 e continuava a rima de reprovados e volta e meia lá aparecia mais um ou dois aprovados, nunca com mais de 14, obviamente. Aquelas pautas eram o consolo para qualquer alminha, de outro departamento, não contente com o 11 que lhe tinha calhado numa das cadeiras do vosso departamento ou de outra cadeira qualquer.” Durante 3 dias intensos, voltei a ser uma espécie de aluno, senti na pele e compreendi, ainda melhor, a sua “dor, aprendi imenso e ainda estou em processo de digerir “tanta e boa” informação. Impressionante e inegável é o valor de quem muito sabe e partilha com gosto, humildade, entusiasmo, humor e empatia, o seu conhecimento e criatividade, enchendo de cor ao processo ensino aprendizagem. Faz-nos ter plena consciência da infinidade de coisas que desconhecemos, incentivando-nos a explorar outros mundos e conceções. Mas por outro lado, constatamos que o saber muito não chega, a empatia e o poder de comunicação são essenciais, relembrando e vivenciando algumas sensações dos “old times” da faculdade, há gente cheia de si e dos seu saber absoluto e inquestionável e há ainda aqueles que gostam muito de se ouvir!
– as “não”, ou más, interpretações que muitos fazem do que supostamente ouvem ou leem, talvez para aliviar os seus maus fígados, mas que uma breve análise comprova que não leram ou ouviram nada do que decidem comentar
– não podemos mudar o mundo sozinhos mas há coisas e pessoas que merecem o nosso esforço e respeito e escolhem fazer parte do processo de mudança, por mais pequena que seja. Não deixa de ser chocante, pelo menos para mim, que quem tem o poder de ter um papel preponderante no serviço público, escolhe não fazê-lo por receio de poderes e lobbies instalados. É um direito seu, e obviamente que deve ser respeitado, mas que entristece e nos faz ver o quão pequenina é esta mentalidade portuguesa, onde os “medos” e os intocáveis ainda predominam.
– a vida mostra-nos vezes sem conta que não é um conto de fadas, mas é, certamente, uma história, com bons e maus momentos, que merece ser vivida em pleno por nós, para e pelos nossos, não corresponde muitas vezes às nossas expectativas, envelhecemos, nem sempre como gostaríamos, e mais cedo ou mais tarde, os papéis invertem-se!
Resumindo, melhores dias virão!

Intervir: uma opção ou um dever?!

Distraída, à espera que a cancela abra, para prosseguir a marcha, olho para o outro lado da estrada e, através das grades do campo de jogos, vejo uma criança de 10/11 anos a agredir outro ao murro e ao pontapé forte e feio, completamente descontrolado, fora de si, rodeado de 4 outros meninos, a assistir à cena, impávidos e serenos!
Carro ligado, ar condicionado a bombar, janelas fechadas, um calor de morrer, o segurança observa, a cancela abre e tenho dois carros atrás de mim, e eis que o espírito baixou em mim, deve ser coisa de professor.
Mão na buzina, ao mesmo tempo que abro a janela e começo a gritar “Ei, ei, o que é que se passa aí? Parem imediatamente com isso”. Surte efeito, deve ser do tom utilizado (são muito anos a virar frangos) combinado com as apitadelas, a pancadaria cessa e voltam-se para mim, o agressor começa a afastar-se, sem que lhe veja bem a cara, e pensei “Ai não, não!” mas estou longe, separa-nos uma grade, uma estrada e o carro. Berro novamente “Tu, pára já! O que é que estavas e estás a fazer?” e ele volta-se e começa a dizer-me qualquer coisa que não ouço porque o agredido decide despejar-lhe uma garrafa de água para cima, para refrescar os ânimos literalmente. Fogem os dois para longe da minha vista enquanto um dos miúdo, pequeno e franzino, me diz com um ar incomodado “Eu estou farto de lhes dizer para eles pararem mas eles não me ligam!”.
Furiosa e perplexa, olho para o segurança e quase, quase, que me saiu um “Se viste porque não fizeste ou disseste nada?”, contenho-me, pensando, não é a função dele, não é para isso que lhe pagam.
Olho pelo espelho retrovisor, já há 4 carros atrás de mim, aguardando silenciosamente que eu avance, pensando certamente “É doida, fritou a pipoca!”.
Avanço e estaciono o carro logo que possível. A passos largos, dirijo-me ao campo para falar com o responsável pelos jovens e dizer que fui eu a maluca que gritou do outro lado da estrada.
Dou com os dois miúdos sentados a levar um sermão, o agressor a chorar compulsivamente, vociferando as razões para a sua ação, e pensei “Ok, estão a tratar do assunto!. Quando, depois de me ouvir, o responsável me diz “Já estou habituado, já nada me choca!”. Isto mais do que tudo, deixou-me estarrecida “Pois devia chocar! O que eu vi não foi um brincadeira de miúdos, não foi um briga comum entre eles. Já vi e separei suficientes para saber ver a diferença. O que vi, pelo tipo de violência e raiva não contida, revela muito mais que isso” afirmei. Olhou-me espantado, e com outros olhos, anuindo com a cabeça “Nós sabemos. Não se preocupe, vamos resolver a questão!”.
Passado o “calor” do momento, decidi partilhar o que se tinha passado com a pequenada que me olhou com um ar sério quando lhes disse “Espero, nunca, mas mesmo nunca, vos ver envolvidos numa cena destas. E se alguma vez presenciarem alguma coisa deste género e acharem que não os conseguem acalmar ou separar, não é para ficarem a olhar, vão imediatamente chamar alguém e pedir ajuda! É um dever de todos.”
E não me sai da cabeça a passividade do segurança e a “normalidade do ato” que o responsável me tentou transmitir. Raios parta a falta de envolvimento e de vontade de intervir que mina e domina tanta gente! Em muitas situações, intervir não é uma opção, é um DEVER!

Coisas que eu não percebo!

Reunião de pais, observando os testes de pequeno do meio, veio-me à memória uma observação sua sobre uma questão que tinha bem no teste de Matemática mas que a professora tinha colocado errado. Não liguei e, na altura, disse-lhe algo do género “Deves ter visto mal!”.
Folheando o seu teste de Matemática reparo que só poderia ser aquela a tal questão que ele referiu. Hesitei, pergunto, não pergunto, pergunto, não pergunto e… perguntei! “Porque tinham que contar todos e ver quantos estavam pintados… porque fizemos um igual na aula e eu disse-lhes que era assim que queria que fizessem… porque foi assim que eu lhes ensinei… Porque não queria frações equivalentes”.
Eu ouvi tudo, sem interromper, conhecendo-me, provavelmente, com um ar um pouco incrédulo, e respondi apenas “Sim, mas a resposta ao que é perguntado está certa e o raciocínio é válido!” ao que concluiu, dizendo “Sim, eu sei mas não era essa a resposta que eu queria que eles dessem!”.
Atenção, ela não ensinou, nem ensina mal, muito pelo contrário, e não é isso que está em questão, mas a avaliação das respostas não deve ser feita em função do que queremos mas do que pedimos. Não é pelos pontos, nem pelo estar certo ou errado, isso, para mim, é o que tem menos importância. A forma de “estar, ver e sentir” a matemática, subjacente à sua argumentação é que me desiludiu! Fiquei ainda mais triste por ter de dizer a pequeno do meio, quando ele me perguntou, “Sim, tinhas razão, a tua resposta estava correta!” e ele deu de ombros e disse apenas “Pois…”.

Gosto tanto da nossa imprensa

“Correção do exame de Matemática de 9º ano tem um erro, denunciam professores”

Primeiro não é a correção mas quanto muito os critérios de correção!
Segundo não são os professores é a SPM (Sociedade Portuguesa de Matemática) no seu parece sobre a prova: “A SPM lamenta verificar que, nos critérios de correção publicados pelo IAVE, no item 14 seja atribuída 75% da cotação a uma resposta integralmente errada.”

Terceiro, os critério não consideram esta resposta como certa, tanto que não lhe  é atribuída a cotação máxima.

Quarto, podemos concordar ou discordar dos critérios de correção mas a resposta em questão revela algum conhecimento dos casos notáveis e da fatorização de polinómios. É notório que quem escreveu o artigo não percebe um boi do que está em questão. Para que conste é isto

Quem trabalha com os alunos sabe que é recorrente este seu erro de não colocar parênteses. Se eu o classificaria assim, provavelmente não, se me choca esta pontuação, não, de todo, em anos anteriores já houve critérios bem mais difíceis de engolir!

Em quinto, é a SPM a dar azo a um feudo antigo que mantém com governos PS, não obstando que, no rigor matemática têm 4 pontos mas no conhecimento do trabalho com alunos devem ter perto de zero, caso contrário não se espantariam, nem estranhariam este critério. Lobby, feudos, cenas e coisas que a APM também faz questão de manter com os governos PSD, bem com os conhecidos entre APM e SPM.

Por último, o IAVE, já veio esclarecer, e muito bem, os doutores da SPM, senhores jornalistas e outros de mais!

Sem paciência para estas tricas e miudezas até porque gostei do exame, aliás, como regra geral, acontece.

Velhos do Restelo

Observo a pequenada esparramada, no meio do chão, a jogar um jogo de tabuleiro: falam alto, entusiasmados, conjuram uns contra os outros, vigiam-se para não haver batota, desentendem-se porque nem sempre sabem perder, inventam variantes e novas regras, às vezes, as que lhes dão mais jeito. Brincam e viram os seus quartos do avesso: às bibliotecas, às escolas, aos organizadores de festas e sei lá que mais, gritam, desentendem-se, batem-se, fazem as pazes, desentende-se novamente porque alguém tem que arrumar o que está espalhando pela casa, e nunca foi nenhum deles, chegam a um compromisso, maquinam e conspiram teorias, e práticas, para endrominar os pais, convivem salutarmente como irmãos. Os gadgets não fazem parte do seu dia a dia, desconhecem as password de telemóveis e computadores da casa, embora estejam sempre à coca para ver se as descobrem, às vezes, conseguem e nós voltamos a mudar e eles ficam piursos!
Observo, nos intervalos, a generalidade dos alunos, agarrados ao telemóvel, não olham nem conversam uns com os outros; numa aula durante um discussão entre dois alunos. dei com uma aluna a gravar a cena, justificando o injustificável com “já percebi que quando as pessoas estão a discutir, se virem que estamos a filmar, acalmam-se e param de discutir! Pelo menos lá em casa funciona”, os envolvidos, e eu, obrigámo-la a apagar o vídeo e a aluna prevaricadora ficou recalcitrante; verifico os grupos de whatsup que pimpolha mais velha criou no meu telemóvel, e que ela raramente pede para consultar, e passados 3 ou 4 dias são mais de 2000 “mensagens” trocadas, onde em algumas arrepia-me o tipo de conversa, noutras o tipo de linguagem, noutras as fotografias que partilham e/ou editam, em vários os vídeo de colegas que partilham; em muitas as horas e a frequência com vão surgindo.
Espanta-me ouvir uma mãe de uma menina de 10 anos dizer “A minha filha ficou a jogar Sims até às tantas, quando me fui deitar, ela lá ficou, quando acordei lá estava ela no sofá!” ou o pequeno do meio a dizer que um amigo seu de 8 anos instalou uma aplicação chamada “100 maneira de morrer!” ou o outro que vê todos os filmes  dos youtubers da moda e que agora já se denomina youtuber mas que atenção nunca filma a sua cara, ou aquilo que pimpolha mais velha conta que os seus amigos andaram a ver ou a fazer na rede, que estão sempre online, etc… sem rei nem roque, sem controlo!
Oficialmente e com orgulho, somos uns verdadeiros Velhos do Restelo nesta matéria, os pequenos dizem apenas “Vocês são maus!” mas não insistem, nem ficam ressentidos, já sabem do que a casa gasta. Não sei bem como lidar com estas novas realidades e os novos problemas que elas acarretam ou acarretarão, só sei que me preocupam e muito…!

Fim de semana: o fenómeno

Durante a semana, o difícil é tirá-los da cama: porque têm sono, porque são só mais 5 minutos, porque não me apetece e estou cansado, porque, porque… Ao fim de semana, nenhum destes males os aflige e é ouvi-los, em plenos pulmões, às 7h00 da manhã, ou antes grrr, “Onde é que esconderam o comando da televisão?”
Lembro-me bem de também ser assim e ansiar pelo sábado de manhã para ver os bonecos. Na altura, não havia canais a dar bonecos a toda a hora mas havia este despertador natural, típico em muitas crianças, que os pais tanto adoram quando procuram apenas mais uns minutos de descanso e sossego, porque hoje não é dia de despertador, porque têm sono, porque estão cansados, porque, porque… Tão diferente mas tão iguais, apenas com timings desfasados no tempo e no espaço.

Século XXI ?!

Aborrece-me constatar que, no nosso dia a dia, nos cruzemos com malta ocidental, nova, onde as mulheres têm de pedir autorização ao namorado/marido para cortar o cabelo (e este é que decide o estilo e/ou o tamanho do corte e este dá lá um salto só para ter a certeza que está tudo nos conformes) ou que tenham que pedir autorização para gastar do seu, dela, dinheiro, independentemente, de pretender gastar 1€, 10€ ou 1 milhão e, no final, havendo autorização para gastar, têm que apresentar todas as faturas. Tudo me pareceria tão bem e normal, seja lá o que isso for, se em vez de autorização, buscassem apenas a opinião, ao género de uma parceria onde predomina a confiança, o respeito e a igualdade de direitos e deveres.

 A rapariga contempla-se longamente no espelho, visivelmente satisfeita com a imagem que este lhe devolve – o seu lindo e longo cabelo, cheio de madeixas, habilmente penteado, uma perfeição os efeitos e as suas unhas de gel e a maquilhagem realça a cor dos seus olhos – e pensa que o outro que apregoa que “Ela é linda sem makeup”, não sabe o que diz, ou se calhar até sabe, ela é que não se lembrou da música que mais se adequa a este seu momento:“Ela é linda, ela é special… Ela parte-me o pescoço”.
Olha impaciente para a sua mãe que está quase pronta, faltam os últimos pormenores. Os seus lindo vestidos longos, como é da praxe em qualquer gala ou festa que se preze, aguardam-nas. Não podem chegar atrasadas, é a sua festa de finalista, no próximo ano letivo, já vai para o 5ºano. Uma mulher portanto…

As coisas que se aprendem numa ida, rápida, ao cabeleireiro! Qualquer uma destas cenas de mulheres, e protótipos, me impressiona… e não é pela positiva!

Ética para um jovem, pai e mãe

Take 1
Conversando, com uma mãe, sobre o teste de inglês do dia seguinte de pequeno do meio e sobre a sua falta de estudo, diz-me ela “Dá-lhe o teste que a tua pimpolha mais velha fez no 3º ano! São sempre iguais! É assim que o meu estuda, não faz mais nada! Quero lá saber! O problema é da professora.”.
Os olhos de pequeno do meio brilham, pensando certamente “Estou safo!”

Take 2
Falando sobre 0 5º ano: a adaptação e as resmas de disciplinas, testes e trabalhos, com uma mãe, minha colega – professora de Educação Física, diz-me ela “Olha tenho lá os três trabalhos escritos de Educação Física do meu filho, devem ser iguais este ano. Posso enviar-tos, estão muito bons! Ele foi buscar muita coisa aos meus livros da faculdade! Ficas já com isso despachado”. Pimpolha mais velha observa, seguindo atentamente a nossa conversa, esperançosa!

Em ambas as conversas, disfarcei o meu espanto, recusei simpaticamente a oferta e enfrentei os olhares da pequenada expressando um clamoroso “WHAT?”, não pronunciado.
Se poderia ter poupado tempo e chatice aos meus filhos e a mim? Provavelmente, sim!
Se teriam tido melhores resultados? É possível!
Então porque não o fiz? Porque sou parva, dirão muitos, com alguma razão, mas essencialmente, por uma questão ética e de exemplo. A responsabilidade de estudar e de fazer o trabalho é deles e como tal devem, desde sempre, habituar-se a, com o seu esforço e trabalho, cumprir na íntegra com as mesmas em toda e qualquer situação.
Se acho benéfico a professora de Inglês dar sempre os mesmos testes? Obviamente que não mas sabendo que tem cerca de 10 turmas e 300 alunos, quase, quase que a percebo!
Se acho que o tipo de trabalhos de Educação Física propostos trazem alguma mais valia para pimpolha mais velha? Tenho sérias dúvidas.
Se partilhei ou fiz alguma observação sobre estas questões com a pequenada? Certamente que não.
Cada um cumpre as suas funções: um a de estudar, se ele não aprender, o problema não vai ser da professora mas dele, mais tarde ou mais cedo; ao outro a de fazer os trabalhos que lhe são pedido, o melhor que conseguir e, a mim, cabe-me procurar transmitir-lhes que os princípios e valores começam, e aprendem-se, em casa, muitas vezes, pelo exemplo que damos ou modelo que decidimos seguir, independentemente do que os outros fazem e das suas atitudes estarem certas ou erradas. A ver se consigo, às vezes, é difícil e a tentação está sempre à espreita!

Um artigo interessante sobre o tema “Is it possible to be both an ethical and a good parent?”

Irmãos

Hoje, como todos os dias, é dia dos irmãos mas parece que se assiná-la hoje, nesta moda dos dias que pegou.
A RFM presenteou-nos, a nós, sortudos que temos irmãos (dos bons), com uma música alusiva a esta relação tão estreita, às vezes demasiado. Uma letra bonita, de Rodrigo Gomes, que, acima de tudo, retrata na perfeição a relação entre irmãos (pelo menos para mim) e aquilo que observo todos os dias nos manos cá de casa e, muitas vezes, me faz sorrir, e relembrar, e outras me deixa com vontade de arrancar cabelos, nem sei bem se os meus se os deles. Suponho que os nossos progenitores, enquanto irmãos e pais, tenham sentido exatamente a mesma coisa. São as tais cenas e coisas intemporais…provavelmente, as melhores!
Dedicado ao meu mano: obrigada por estares sempre por aí/aqui, apesar de, como costumas dizer vezes sem fim, “Tu móis-me o juízo!(…) Agora não tenho tempo”, obviamente que moo, faz parte da minha missão função mas sempre como muito amor e carinho, e sabes bem que gostas pois há sempre aquela mítica frase “O que é que tu queres agora?!” e afinal, afinal, tens arranjas sempre tempo, love you. À pequenada cá de casa, love you too, e vocês são tão, mas tão, assim, meus lindos!

Letra:
(Rodrigo Gomes)

É para sempre o amor de irmãos
Nada vai separar você de mim
Eu sei que vou contigo até ao fim

Por cada turra e cada empurrão
Eu só quero ver você sorrir
Nem que seja por nos ver cair, no chão

Yeah
Ainda me lembro quando chegaste ao mundo
Tive ciúmes mas eu sei que lá no fundo
Tu vieste para me completar
Foi contigo que tive de aprender a partilhar

E nós parecemos bipolares
Tanto andamos à tareia
Como te abraço para acalmares

Imaginação, nada nos batia
A fazer tendas com lençóis
Em casa da nossa tia

E o mano vai estar cá sempre para te ouvir
E esta roupa vai ser tua quando já não me servir

As nossas lutas…
Desculpa usar-te sempre para te pôr as culpas

Juntos cantamos e berramos no banco de trás
Iluminamos e esgotamos a paciência dos papás

Os irmãos quando se unem têm uma força brutal
Vê só o que conseguiram juntos os irmãos Sobral

É para sempre o amor de irmãos
São as pessoas com que se despacha
Um pacote inteiro de bolacha

É claramente uma união
Que ultrapassa toda e qualquer mágoa
E servem para ir buscar um copo de água

No final do dia, de banhos tomados
Manos de pijama a brincar aos penteados
Quando te sentes à deriva ter um irmão é ter um cais
Porque há determinadas coisas que não se contam logo aos pais

E é claro que o sangue pesa
Mas também há os irmãos que nós ganhámos na guerra
Adoptivos ou Amigos que estão sempre na vigília
Um por todos e todos por um
é o lema da família

É para sempre o amor de irmãos
Nada vai separar você mim
Eu sei que vou contigo até ao fim

Por cada turra e cada empurrão
Eu só quero ver-te a sorrir
Nem que seja por nos ver cair, no chão

…. ninguém consegue desligar os fios
e o amor cresce quando formos tios
‘Props’ para os sobrinhos…

As ventoinhas da vida

A sala está à pinha, máquinas fotografias e de filmar a postos, os artistas estão em pulgas, esperando que o pano suba e que se inicie, o culminar de um ano de trabalho, a sua peça de teatro. Está um dia abafado, típico dos dias de trovoada, na sala, não climatizada, a humidade e o calor ambiente e humano colam as roupas ao corpo, tudo pega, a ansiedade de uns e outro é grande. Lá bem no cimo, oito ventoinhas rodam em alta velocidade, cumprindo a sua missão (impossível): refrescar uma enorme sala, num dia quente, numa sala cheia de gente onde as luzes e todas as atenções estão focada no palco. Por detrás do pano, surge a professora de teatro e faz as apresentações e recomendações habituais. No final do seu discurso, ouve-se um grande estrondo num dos cantos da sala. O silêncio é sepulcral e todos olham em busca da razão de tamanho barulho. Alguém grita “Desliguem as ventoinhas imediatamente!”. No chão, aos pés de uma avó, jaz uma das enormes ventoinhas com um das suas pás amolgada. A avó esfrega a nuca, meio atordoada, e vai respondendo ao que lhe vão perguntando, enquanto, calmamente, é encaminhada para a saída, procurando o ar fresco e à espera da ambulância, que alguém previdente chamou de imediato, e vai dizendo “Estou bem, foi só o susto! Acho que nem a cabeça parti! Ainda bem que acertou em mim e não, nos meninos!”. A senhora seguiu para o hospital, onde, felizmente, se veio a confirmar, que, efetivamente, estava tudo bem, à parte da dor de cabeça, e imperou a máxima “The show must go on!”; o espetáculo seguiu o seu curso, deliciando a assistência e deixando imensamente felizes o pequenos atores.
A vida é feita de contratempos, às vezes, nas situações e alturas que menos esperamos, como esta ventoinha que, sem aviso prévio, saltou desalmada do seu eixo de rotação. O que tinha todo o potencial de correr seriamente mal, constatou-se não passar de um pequeno incidente. Se nos esqueceremos deste episódio com a ventoinha? Claro que não e procuraremos, consciente ou inconscientemente, não nos sentar debaixo de nenhuma nos próximos tempos, a pequenada tomou logo essa providência, mantendo-nos, no entanto, suficientemente perto para sentir as suas lufadas de ar fresco. No nosso caminho, todos os dias haverá ventoinhas, candeeiros, buracos no passeio, atravessar da estrada e mil e uma outras coisas que, normalmente, correm bem e que, por uma razão ou outra, num determinado dia/momento podem correr seriamente mal e alterar drasticamente o nosso curso de vida de um momento para o outro. É um medo consciente com qual nos debatemos todos os dias mas não é por isso que deixamos de viver! Recordaremos, certamente, o bonito e divertido espetáculo que assistimos, apesar do incidente com a ventoinha, não esquecendo que a sorte, o tempo e a esperança, no meio dos azares e percalços da vida, está sempre à espreita, é só uma questão de perspetiva e de olhar na direção da máxima “Carpe Diem”, no sentido do “The show must go on!” e com a intensidade de quem faz o melhor que pode e sabe todos os dias. Essencialmente, praticar algo benéfico a todos: descomplicar e deixar de remoer nos “ses” da vida, vivendo um dia de cada de vez, aproveitando o que ele nos trás, sempre com os olhos postos, e não os pés, no dia de amanhã!

Cinco

Há cinco anos, aventurámo-nos nesta coisa dos blogues, sem saber bem ao que íamos sem grandes expectativas, uma experiência entre tantos outras, que encaramos sempre com o espírito “Para o Infinito e mais além!”.
Infinito e mais foi a nossa primeira casa, onde demos os nosso primeiros passos com entusiasmo, onde partilhámos um bocadinho de tudo, onde crescemos muito, em vários sentidos, onde nos apercebemos que não temos, efetivamente, nada de novo para dizer/ensinar ao mundo, há sempre alguém que já o fez de uma forma muito melhor ou mais eloquente que a nossa, mas descobrimos o prazer da escrita e do registo do que nos desperta os sentidos para nossa memória futura.
Por razões logísticas e de funcionamento, 3 anos depois migrámos para o Não há tempo para fantasias, diz quem me conhece, é uma expressão que me define bem e uso com frequência (concordo), seguindo a mesma linha editorial (inexistente) e os mesmos timings (ao sabor do vento, quando nos apetece), para meio ano depois, por falta de espaço, criarmos um novo blogue, este mesmo, e voltarmos ao infinito, algo que sempre me fascinou! E entre blogues, passaram-se cinco anos, assinalados no dia de hoje.
Por falta de jeito e de experiência, o perfil de facebook associada à página do blogue alertou os meus amigos facebookianos que eu hoje fazia anos, e dados o votos, desejos e parabéns que foram surgindo no mural, achei por bem publicar a seguinte mensagem no mural

E alguém comentou “Então e o blogue não merece que lhe desejem muitos anos de vida?”, pensei realmente é verdade, bem observado.
Pela 1ª vez, em cinco anos de vida, aqui fica assinalado o seu aniversário.
Continuaremos enquanto nos der prazer e vontade de escrever, se se aprende alguma coisa por aqui, nem por isso, é apenas o registo de como vemos o mundo, muitas vezes o nosso mundo. É curioso lermos e revivermos as peripécias e aventuras que por aqui fomos registando ao longo dos anos, e perceber como o tempo nos faz ver as coisas com outro olhos… talvez esta seja a verdadeira sabedoria mas mais importante que tudo a malta da casa diverte-se!
Aos que têm paciência para nos ler, e seguir, o nosso muito obrigada. O blogue não nos define mas há muito de nós no blogue, mas tão só e apenas aquilo que decidimos que deve/merece ser partilhado neste mundo global, é um hobbie como outro qualquer, no entanto, é muito mais que um hobbie, é um espaço nosso que tratamos com amor e carinho, dedicando-lhe parte do nosso tempo, e se isso fizer rir, pensar, inspirar ou for útil a alguém, excelente. Caso contrário fica o registo para os nossos pequenos e para a sua descendência, certamente se irão rever por aqui, há coisas intemporais!!

Memórias que prevalecem!

Naquele tempo em que se brincava na rua, sem medos, com quem como nós por lá andasse, onde todos os dias se conheciam amigos novos sempre prontos a encetar novas aventuras. A sede aperta, num dia em que o calor sufoca, e a casa mais perto é a da avó. Corremos até lá e depois de matar a sede, deambulamos pela casa, e encontramos umas revistas da moda, que folheamos com avidez. Depressa nos cansamos e voltamos ao reboliço da brincadeira na rua até ao sol se por. No dia seguinte, o ritual repete-se mas chega o repto da companheira de brincadeira dos dias anteriores “Só brinco contigo e sou tua amiga, se me deres aquelas revistas que vimos ontem na casa da tua avó!”. Voltei para casa, sem olhar para trás, a avó estranhou “Já aí vens? Zangaste-te com a tua nova amiga?” e disse apenas “Ela não é minha amiga!”. Depois de alguma insistência, acabei por contar o sucedido e a avó disse apenas “Se quiseres, podes dar-lhe as revistas todas! Não fazem cá falta!” e eu disse apenas “NÂO!”. Devia ter na altura 8 ou 9 anos e passados tantos anos, é deste episódio que me lembro sempre que, muito esporadicamente, avisto, ao longe, esta moça da minha idade!

Retribuições

“Eu isto, eu aquilo, eu, eu…”, assim que termina o recital e a outra pessoa, quem o ouviu, pacientemente, durante largos minutos, tenta dizer qualquer coisa, acena, sem demoras, “Tenho de ir, Tchau!”. Analisando, constata-se que é um comportamento regular e não esporádico! Às vezes, apetece-se, só porque sim: finjo que não percebo, ignoro a deixa e mantenho a conversa, com a nítida sensação, não, com a certeza, que a outra pessoa só se quer é escapar e sorrio para dentro – afinal todos temos uma pouco de egocêntricos, nem todos somos é impacientes! No final, rio-me, com vontade, quando constato,  que caricato, caricato é que, provavelmente, enquanto se afasta a passo largo, estará a apelidar-me de egocêntrica e… possivelmente tem toda a razão 🙂 Sou uma fervorosa adepta da retribuição positiva e construtiva.

Estendal(ais)

Há vários tipos de estendais aqui por casa: os tradicionais muito utilizados, os da pequenada que são variados: com mantas e edredons para fazer tendas e cabanas, os de brinquedos quando parece que nada está no sítio e tudo anda pelos ares, os verbais quando as coisas não lhes correm de feição e disparam, irados, em todas as direções, e há o meu preferido: o nosso estendal de fotos. Uma ideia simples mas com um efeito tão acolhedor e só necessitam de guita, molas de madeira pequeninas (da loja do chinês) e uns pins (ou pioneses)!