Stephen Hawking

Stephen Hawking desafiou os timings, diagnósticos e limitações que a medicina conhecia sobre a sua doença incapacitante, usou a tecnologia como ferramenta para “substituir” algumas faculdades que a doença lhe foi roubando ao longo de 5 décadas, nunca deixou de contemplar e estudar o céu, as estrelas, o universo e os seus buracos negros, de investigar e partilhar as suas descobertas (ensinando, escrevendo livros, dando conferências, etc). Deixa um enorme e valioso legado na física e nos estudo do universo mas, essencialmente, ensinou a todos uma lição da forma mais poderosa e eficiente, pelo exemplo – uma doença, por mais debilitante que seja, não nos define, embora possa ser a  nossa imagem, não mata a nossa essência, embora nos tire faculdade, se encontrarmos, em nós, a força de vontade e os meios necessários para aprender a viver com ela, tirando partido da vida (que pode ser grande – aos 21 anos os médicos disseram-lhe que não tinha mais que 2 anos de vida… morreu aos 76 anos) e das nossas capacidades. Não tenho dúvidas nenhumas que o cérebro é o mais poderoso dos orgãos… mesmo que tudo o resto possa estar “avariado” no nosso corpo, ele “comanda”, é a chave, o que define o nosso “bem estar” psicológico… anossa atitude!
O universo não dorme, há quem diga que conspira… Morreu no dia em que outro grande físico nasceu, Albert Einstein, e que é também o dia do Pi. Nasceu a 8 de janeiro de 1942, no dia em que se assinalava, os 300 anos do falecimento de Galileu Galilei.
Um bonito tributo, recordando a vida e obra de Stephen Hawking, feito pela sua filha Lucy.

 

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(Des)Contaminação ambiental da Ilha Terceira

devido à presença norte americana na base militar das Lajes. Esta informação passou nos noticiários, pergunto eu que não costumo ver televisão? Quase que apostava que…! E os relatórios do LNEC e outros, sobre as questões abordados, já foram divulgados ou tornados públicos? Quase que apostava que…!
As várias faces da iliteracia, algo que se cultiva porque dá jeito e poupa chatices a muitos e grandes… interesses!

Filme: “O Substituto”

Um filme duro, pesado, triste, sem final feliz, não deixando, no entanto, de ser um excelente filme.
É um filme ao qual é impossível ser indiferente, leva-nos a meditar sobre a imensidão de temas que em 1h30 abrange deliberada e/ou disfarçadamente.
Muito elucidativo sobre a compexidade da mente humana: o papel e a forma como lida com experiências/vivências passadas, transportando e revivendo-as no presente e temendo não conseguir evitar a sua influência e viver com elas no futuro.
Retrata bastante bem que, independentemente, da profissão, cada um de nós tem uma vida pessoal e um bagagem emocional que transporta consigo sempre, embora procure protegê-la, ocultando-a no decorrer do exercício da sua profissão, através de um deliberada indiferença; no entanto, ela está lá sempre presente e constitui uma linha orientadora em muitas das opções e intervenções que escolhemos ter ou fazer, por muito que o tentemos evitar ou esconder.
O nome original do filme é “Detachment” que pode ser, grosseiramente, traduzido por desapego, e é exatemente essa falta de sentimento de conexão que o personagem principal, representado por Adrien Brody (do Pianista), enverga, no seu dia a dia, como um escudo, mas o interesse e a preocupação pelo que o rodeia pautam a sua discreta mas presente e interveniente ação, contrariando a tal indiferença que apregoa. Talvez porque, no fundo, não perdeu a esperança de fazer a diferença na vida de alguém, o que faz dele tudo menos indiferente, colocando-o na linha da frente da batalha, algo que desejava evitar a todo o custo.
A vida não é um mar de rosas e há algumas cravadas de muitos espinhos em que, difícl e infelizmente, conseguimos fazer a diferença ou se fazemos, por vezes, ficamos na dúvida se terá sido para melhor. E sim, isto mexe e tira o sono a uma pessoa, é muito mais fácil assobiar para o lado, apregoando a tal indiferença, do que carregar nos ombros a responsabilidade de tentar/poder fazer a diferença, sem saber se é para melhor, uma lição que aprendi da maneira mais difícil mas que ainda não me tirou a esperança de poder, em alguns casos, fazer a diferença.
Vale mesmo a pena ver este filme, com uma abordagem totalmente diferente do que é habitual e meditar sobre tantas coisas que lá se passam e falam mas também no que não é verbalizado e nas ações!
Gostei muito deste filme que ainda estou a digerir (bom sinal!) e agradeço à Catarina, do blogue (in)sensatez, a sugestão.

Charlie Brown e o cancro

Vídeo que me foi dado a conhecer pela pequenada da casa, que, por sua vez, lhes foi mostrado pelas suas professoras, na semana em que a sua escola recebeu uma menina com leucemia e “careca”.
Um vídeo que vi outra mãe, cujo filho também teve leucemia, elogiar, e enaltecer a ideia das professoras, e recomendar vivamente para intorduzir o tema entre as crianças.
Trouxe-me à memória, uma entrevista interessante que li, no verão, com o presidente da liga portuguesa contra o cancro em que este referia, resumindo por palavras minhas, algo do género: é preciso acabar com este preconceito, estigma e negativismo em relação ao cancro, é uma doença cada vez mais comum e que tem de ser encarada como outra qualquer, e há outras doenças complicadísimas e não tão estudadas; muito se evolui e descobriu nos últimos tempos, a tecnologia aliada à investigação tem produzidos resultados e avanços fantásticos, são conhecidas muitas formas de cancro perfeitamente curáveis e/ou tratáveis. Essencialmente, as pessoas têm que aceitar, com “normalidade” a doença, pois é um facto que 50% desta nova geração vai ter uma ou outra forma de cancro contra os 25% de afetados na geração anterior.

Pregando

Eu dando sermão e missa cantada aos  peixes meus alunos, face à apatia e falta de trabalho generalizada de malta cuja reação é a mesma se eu disser que 2+3=5  ou que 2>3.
“Vivem rodeados de tecnologias, não vivem sem ela! No entanto, há 50 anos atrás era impensável conceber o que hoje em dia temos à nossa disposição. Sabem o que está por detrás do deslizar do vosso dedo para aceder a todo e qualquer tipo de informação? Muita programação, matemática, física, eletrónica, entre outras, mas para isso teve que haver quem experimentasse, errasse, voltasse a tentar, equacionasse novas e melhores opções, questionasse, PENSASSE! Onde estaremos daqui a 50 anos se nos continuarmos a recusar a questionar, a pensar, tudo requer treino e trabalho, a mente é como os músculo quando não a utilizamos atrofia. Olhando para a vossa atitude, de quem tem tudo na ponta dos dedos mas de quem nada questiona, a quem nada parece suscitar a atenção, a de corpo presente mas mente ausente, devo dizer que o futuro preocupa-me, aliás, assusta-me muito, também por mim, mas essencialmente por vocês!”

O silêncio reina até que uma aluna diz “Nunca tinha pensado nisto nessa perspetiva. Interessante”

Para ver se abrem a pestana, vou mostrar-lhe a Ted Talk em baixo! Se despertar 1 ou 2 mentes já não é mau!

E esta problemática prolifera (falta de sentido crítico, interesse, estudo, etc) e começa a manifestar-se no ensino superior, inclusive entre os melhores dos melhores, supostamente, os alunos de medicina (ver artigo “Futuros médicos falham no corpo humano”).
Curiosa a estratégia de resolução da faculdade, baixar a fasquia, onde é que eu já vi isto? São futuros médicos! Mas desde que sejam felizes e tenham uma formação estruturante (anatomias à parte), está tudo bem. Caramba, se isto não é aterrador a todos os níveis!
Recordo as pautas da faculdade, a abarrotar de chumbos, mas na altura era “Ou estudas ou estudas. Se não vens cá as vezes que for preciso!” Agora, pois agora, reprovar “traumatiza as crianças, , não trás nada de bom pois o aluno não vai aprender mais nem melhor, blábláblá, conversa… reprovar um aluno sai caro, e aí é que bate o ponto. Ele saber ou não, isso é um pormenorzito de somenos importância, um pormenorzito que pagaremos bem caro no futuro.

Era uma vez…

Pequeno do meio estudou, em Estudo do Meio, o sistema circulatório, digestivo, urinário e reprodutor. Mas o que agradou ao rapaz e o deixou curioso, e sedento de mais foi a série Era uma vez a vida, anda ansioso por ver todos os episódios. Uma série da qual eu, na sua idade, ou mais nova, não perdia nenhum episódio, e com a qual aprendi muito, e da qual me lembro perfeitamente bem dos glóbulos vermelho com as bolinhas de “ar” às costas e dos glóbulos brancos, os polícias mauzões, e o anticorpos, aquela espécie de moscos a circular sempre a alta velocidade. Há histórias intemporais mas também há séries intemporais (com as outras da mesma coleção Era uma vez o espaço e o Era uma vez o homem).

Portugal second

5 Para a Meia Noite no seu melhor! Inspirados no vídeo holandês, após a famosa frase de Donald Trump, no seu discurso de tomada de posse, “From this day forward, it´s going to be only America first!”

Em “Who wants to be second?” podem ser visto as sátiras dos restantes países que aderiram a esta nobre causa de sensibilização.

Duas semanas depois da sua tomada de posse, o mundo “rejubila”, repleto com tanta trumpice, tentando adivinhar o que ele decidirá no dia seguinte.

A Educação do Futuro?! Creepy …

Um possível, adequado e straight to the point, enquadramento para o triste futuro que parece, infelizmente, avizinhar-se a passos largos, pode ser encontrado excelente artigo!

“Da desconsideração e da falta de respeito à violência o caminho não é longo nem demorado. Em Portugal, foi percorrido num ápice. Da política educativa à prática pedagógica, não esquecendo o fulcral nível da gestão escolar, é vastíssimo o grupo daqueles que, generosamente, têm contribuído para a celeridade deste vergonhoso retrocesso civilizacional.

Ao longo da última década, salvo raras exceções (muito pontuais), o poder político, direta e indiretamente, ora por razões economicistas, ora por razões ideológicas (ou ambas), não se limitou a desconsiderar os professores, desrespeitou-os reiteradamente e apontou-lhes, publicamente, o dedo da culpa pelo insucesso escolar. Do amplo leque, destaco algumas evidências: a constante degradação da carreira (congelamentos e conversão de escalões); a crescente precariedade laboral (nos vínculos, nas contratações…); a efetiva redução salarial; as sucessivas alterações das normas de avaliação e dos conteúdos programáticos (frequentemente no decorrer do ano letivo, sem ouvir os professores ou contra a sua opinião); o real aumento do horário semanal de trabalho (quer na escola quer em casa); a progressiva instrumentalização dos professores; a pérfida confusão entre atividades letivas e não letivas; a inibidora carga burocrática; as constantes, circunstanciadas e individualizadas justificações que é preciso fornecer (quer por motivos disciplinares quer na atribuição de níveis negativos); as frequentes e venenosas declarações sobre a necessidade de melhorar a formação dos professores (especialmente corrosivas quando feitas a propósito de resultados dos alunos). É um autêntico arraial de chicotadas que vergam, descredibilizam e desautorizam publicamente os professores, estimulando assim o recrudescer das más vontades, das desconfianças, das desobediências… do desrespeito. E quando tudo se consubstancia na barbárie contra docentes… só o granítico silêncio da tutela responde aos professores e à comunidade.

Duplamente entalados (entre Ministério da Educação e professores; entre professores e encarregados de educação) os diretores escolares (salvo raras e louváveis exceções) encostam-se invariavelmente ao lado mais forte: falam fininho para cima e grosso para baixo; dizem “não”, por defeito, para dentro e “sim”, por feitio, para fora. Comprometidos, superiormente, com determinadas metas e taxas; comprometidos com certos enlatados pedagógicos que subscreveram (por crença e/ou a troco de reforço de meios), estão normalmente dispostos a fazer o necessário para que os resultados numéricos beijem os objetivos subscritos: impõem as suas ideias em todos os órgãos e grupos disciplinares (incluindo as práticas pedagógicas), desvalorizam, ignoram ou vetam o pensamento divergente. Face à crescente falta de empenho e de respeito dos alunos e ao progressivo aumento da pressão dos encarregados de educação, não hesitam (na maior parte dos casos) em fazer ceder os ex-colegas, seja em questões disciplinares, seja no domínio da avaliação. Para a comunidade, passa a ideia (não descabida) de que os professores são os elos mais fracos, que ninguém os defende e que muito boa gente está mesmo disposta a expô-los à desautorização e à humilhação. Aos docentes, este contexto provoca intimidação, medo e… silêncios, que não são completamente injustificados. Na verdade, quando um dedo acusador entra na escola e aponta um professor, o visado, normalmente, fica só. Na verdade, quando um troglodita qualquer invade o espaço escolar para esbofetear e pontapear um professor diante dos seus alunos, o que se segue, muitas vezes, é o desfazer das verdadeiras solidariedades geradas, o estigmatizar das vozes inconformadas que apelam à reação, a apologia do sofrimento abafado, o esconjuro da má fama que a divulgação de tais atos, alegadamente, acarreta… uma discreta participação, um cinzento e mui pachorrento processo disciplinar e… toneladas de silêncio em decomposição.

No fundo da cadeia alimentar está aquele que deveria ser uma sólida referência para os alunos e o braço direito dos encarregados de educação. Isolado, entalado por todos (frequentemente pelos próprios alunos), reage da forma mais inadequada: teme, aceita, cala, age frequentemente contra os seus princípios e ideias, e vai deixando cair, um atrás do outro, quase todos os baluartes do respeito (dentro e fora da sala de aula), muitos baluartes da exigência académica, muitos baluartes da consciência, do orgulho e do amor-próprio. Só isso justifica que o número de participações e de sanções disciplinares não seja verdadeiramente aterrador. Os professores estão em modo de sobrevivência, mas a ruir por dentro, o que é terrivelmente preocupante, esmagador, visto que todos nós ensinamos muito mais o que somos do que o que sabemos.

É neste estranho campo que os alunos medram e aprendem a ser. Sem as devidas e benéficas cumplicidades entre os adultos, sem firmes referências de postura e de autoridade, sem claros e bem definidos limites, sem rigorosa exigência, sem verdadeiras consequências… alimentam a boçalidade, o despropósito, a desconsideração, o desrespeito, o sentimento de impunidade, a falta de ambição… E vão criando os seus próprios códigos de conduta, as suas próprias (i)moralidades, as suas próprias intransigências, as suas autolegitimadas insubordinações… Nesta seara negligenciada (que, dizem, prepara para a vida), é muito natural que o joio vença o trigo, que a indisciplina, a violência e mesmo a criminalidade se normalizem e se vão tornando progressivamente banais.

Esta espiral involutiva só poderá conhecer reversão quando as REFERÊNCIAS se libertarem do medo e decidirem, efetivamente, ocupar o lugar que é seu POR DIREITO E POR DEVER.”

Luís Costa

Na via láctea

Emir Kusturica, a “sua” música inconfundível, que neste 9 anos de interregno reencontrei nos Kumpania Algazarra, o non sense, as gargalhadas, as cenas surreais dos filmes que revisitavamos, vezes sem conta, na tonteira, reinventando e aplicando ao, e aos, que nos rodeavam, private jokes, muitas risadas. Associarei sempre os seu filmes, aos tempos de faculdade, aos bons momentos de convívio e tonteiras, às infinitas vezes que me enganei a mencionar “Gato preto, gato branco”, inventando variantes a cada referência!

The Simpsons, Trump and Hillary

Em 2000, no episódio “Bar to the future” da mítica série dos Simpson, Lisa assume a presidência do EUA (imitando o penteado e postura da Hillary Clinton???) referindo que herdou um “budget crunch from President Trump!”. Há 16 anos, curiosamente, os Simpsons referem-se  satiricamente a Trump como um dos Presidentes dos EUA (e que arruinou os seus cofres …)

Desde 1999 que Trump brincava/sonhava com a ideia de ser presidente, portanto a previsão dos Simpsons não era de toda descabida. Hoje, deixou de ser uma piada ou uma antevisão dos Simpson e tornou-se num “dream come true” para Trump! Os Simpson, há 16 anos, retrataram o caricato desta situação, desta (im)possibilidade e agora aqui estamos nós, incrédulos!!!! And yet and again, the Simpson rule. Medoooooo…

Pensando no futuro, que se deseja próximo, será que teremos uma mulher a assumir a presidência dos EUA a seguir a Trump, dando novamente razão aos Simpsons? The sooner the better, é caso para dizer!

Rugas

Rugas é um filme de animação espanhol, para adultos, que retrata o dia a dia num lar de idosos, desde a adaptação, rotinas, dinâmicas, ansiedades, medos, limitações e angústias dos seus utentes. Realça o valor e a importância da amizade, num local onde as personagens não têm referências e a única coisa que têm em comum com os demais são as fragilidade física e mentais e o predominante “abandono” que sentem por parte dos seus familiares.

Um filme comovente, simultaneamente, desconcertante e avassalador talvez por ser demasiado realista ou por nos levar a questionar/pensar em temas que evitamos, muito vezes, sequer aflorar na nossa mente como: o devastador evoluir da doença de Alzheimer e a “destruição de faculdades” que lhe é associada, a morte, a vontade ser eternamente jovem procurando (re)viver o passado… o que o futuro nos reserva, quando e se lá chegarmos, e que futuro desejamos/reservamos para os nossos!

Curiosamente, poucos dias depois de ter visto o filme, e ainda andar a matutar/digerir o assunto, li este artigo, no Observador, sobre a atividade, num lar de Vila do Bispo, realizada no dia do sonho, onde mais de meia centena de idosos escreveram num quadro de ardósia “Eu sonhava…” e ver retratados nas suas frases tantos desejos, sentimentos e angústias que vi no filme.

Dedicado aos idosos de hoje e de amanhã.

A versão original do filme (em espanhol)