Cinco dias em Madrid

Nas férias da Páscoa, para mudar de ares, fomos passear até à capital espanhola e sobrevivemos ao “Já chegámos? Já chegámos?” que, de 5 em 5 minutos, alguém no banco de trás emitia.
Como da 1ª vez que por lá estivemos, ainda sem a pequenada, Madrid surpreendeu pela positiva, é um excelente destino para passar e passear uns belos dias, a cerca de 5 ou 6 hora de carro, em que as piores estradas, e as mais caras, são mesmo as portuguesas.

1º dia
Visitámos o Parque Europa, que fica nos arredores de Madrid, a cerca de 15 minutos de carro, um parque enorme, muito verde que contém uma mini Europa dentro de si, ou seja, os monumentos mais emblemática dos principais países europeus em ponto pequeno. Para além disso, pode-se andar de barco no lago, andar de kart, fazer slide e uma série de outras atividades (pagas). A entrada é gratuita, há muito estacionamento gratuito na zona envolvente do parque, é um excelente sítio para passar pelo menos uma manhã e piquenicar. A pequenada adorou!

Por sorte, apanhámos os últimos dias em que a exposição do Harry Potter esteve patente na Feira de Madrid. Com vários fãs cá em casa, depois do Parque Europa foi para lá que seguimos.  Chegados lá, descobrimos que nos tínhamos esquecido do bilhetes em casa. Levanta-se uma grande onda de agitação e indiganção vinda do banco de trás, pequenada está capaz de esfolar alguém. Graças às tecnologias e aos bilhetes comprados, previamente, online, tudo se resolveu, recorrendo ao telemóvel, à app mostrando e ao Qr code (muito à frente). Pimpolha mais velha pode experimentar o chapéu selecionador e todos podemos ver ao vivo e a cores, um bocadinho daquele mundo fantástico. Pequenada vinha ao rubro , acharam fantabulástico.

Terminámos o dia a passear no Madrid Rio Park, junto ao Rio Manzanares e à “nossa” bela casa, e a visitar o Matadero, uma antigo matadouro de Madrid que foi convertido num interessante espaço cultural e criativo. Um dia em cheio e variado.

2º dia
Seguimos de metro até à Ópera de Madrid, comemos churros mergulhados em chocolate quente, um petisco muito apreciado pelos nativos (ao pequeno almoço???). Seguimos para a Porta do Sol e os seus dois símbolos de Madrid:  o urso e o seu medronheiro e o quilómetro zero das carreteras de Madrid e os muitos artistas que se concentram nesta praça. Admirámos o D. Quixote e o Sancho Pança na praça de Espanha a caminho do Templo de Debod, de onde seguimos para o imponente Palácio Real (onde compensa comprar o bilhete online para evitar as filas). Seguimos até à Praça Maior, fazendo uma incursão no bonito Mercado de São Miguel que estava a abarrotar de estrangeios e iguarias. Regressámos a casa, de metro, cansados da nossa longa caminhada mas de alma cheia.

3º dia
Atravessámos a Ponte de Toledo, com vista para o antigo estádio do Atlético de Madrid e para o Madrid Rio Park, subimos até à Porta de Toledo, uma das principais vias de entrada na cidade na idade média, e encontrámos uma praça com o José Saramago, na fachada de uma Univerdidade e vários relógios de sol. Seguimos de metro para a Praça Cibeles  e depois a pé até à porta de Alcalá. Estava previsto um passeio e almoço piquenique no Parque do Retiro mas face ao vento (que nem era muito forte), este estava fechado por risco de quedas de árvore, os espanhóis não brincam em serviço. Tivemos, entre grades, um vislumbre deste bonito e verdejante parque bem no centro de Madrid. Por mero acaso, passámos no Câmara Municipal de Madrid quando nos dirigíamos ao Museu Naval. Impressionante a supremacia da frota naval espanhola, que ao contrário da nossa, prevaleceu uma força influente e dinâmica durante vários séculos. Fomos ver o Neptuno e visitar o bonito “Centro Cultural” Caixa Forte que tem um jardim vertical soberbo. A bonita estação de comboio de Atocha foi o nosso destino seguinte e o relato à pequenada dos atentados que lá aconteceram. Para depois voltarmos para o Museu do Prado para aproveitar a hora de entrada grátis, a fila era enorme, desistimos e voltámos no dia seguinte, com uma hora de antecedência para nos posicionarmos na fila (e resultou 🙂 )

4º dia
Deambulámos pelo famoso e diferente mercado do Rastro, de domingo de manhã, nós e uns milhares de pessoas, onde comprámos uns recuerdos diferentes :). Descemos até ao bairro mais multicultural de Madrid – Lava Pies – e contemplámos a street art patente, com rumo ao Museu Rainha Sofia, onde terminámos uma bela visita com chave de ouro: a visita à exposição de Pessoa – Toda a arte é cultura, que muito admirou pequeno do meio. Num dia dedicado às artes, de lá encaminhámo-nos para a fila de espera para a entrada gratuita do Prado (1 hora antes e fomos dos primeiros na fila). A caminho do metro, no regresso a casa, contemplámos o Parlamento espanhol.

5º dia
Níveis de adrenalida e excitação elevados – fomos até ao Parque da Warner. Um dia superdivertido.

6º dia
O que é bom acaba depressa, dia de regresso a casa mas antes passámos uma bela manhã e parte da tarde no Safari Parque Madrid (a 50 minutos de Madrid), que é para lá de espetacular. Passear no nosso carro no meio do leões (bem alimentados), avestruzes, zebras, rinocerontes, hipópotamos, camelos, macacos e sei lá que mais, proporciona muitas selfies interessantes 😉 Tem um espetáculos de aves muito, muito bom e variado, diferente dos que já assistimos e um espetáculo de reptéis igualmente… arrepiante (não aprecio bichezas mas os de sangue frio, particularmente). Para além de uma mini zoo e uma mini quinta cheia de cabrinhas onde a malta pode entrar e confraternizar, é palco de histórias bem engraçadas.
Vale mesmo muito a pena visitar e levar cenouras para dar aos animais (o segredo da sua proximidade).
Foi uma viagem santa, banco de trás, tudo a dormir. Só acordaram em Portugal!

Depois de um post meramente turístico, estão previstos alguns post sobre estórias e interações da pequenada e nossas em terras de nuestros hermanos.

Ao fundo do mar

Sentados à sombra de uma oliveira, em coloridas almofadas, rodeados de faróis e sons de gaivotas, com o Padrão dos Descobrimentos e o rio Tejo como pano de fundo, viajámos e mergulhámos ao fundo do mar embalados pela voz e os bonitos, e profundos, contos de Ana Sofia Paiva e a Sofia Maúl. Assim começou o nosso dia com as Estórias ao Fundo do Mar, uma iniciativa da Fábrica das Artes do CCB
“Um mergulho ao fundo mais fundo, com Tejo ao fundo, guiado por duas mulheres-barco ancoradas no imaginário do grande azul, pai-mãe do mundo. Escafandristas de contos tradicionais e de autor, as mulheres-barco dão fala a polvos e caramujos, sereias e alguns marujos, musas, medusas, alheias e lusas. Narrativas de maré. Ilha. Sal. Estórias de coral. Oceanos e muita saudade. As mil e uma profundezas da verdade.” (Sinopse de Estórias ao fundo do mar – Contos no jardim)

Terminámos o dia, entre amigos, a cozinhar, a várias mãos, um saboroso e suculento, peixe do mar ao pão (cujo massa foi feita por um expert em pão da família – excelentíssimo esposo).
Um dia em que não fomos à praia mas, curiosamente, mergulhámos, muito bem acompanhados, noutros mares guiados pelas estórias, cheiros e sabores e tantos outros sentidos e sentir!
Dias bons… e refrescantes!

Bugiando até à Quinta Real de Caxias

Distraídos, à conversa, escapou-nos a saída indicada pelo GPS. Porquê? Observávamos a paisagem, o rio, o mar, a costa, o Forte do Bugio e perguntava eu à pequenada na altura “O que é aquilo ali no meio, sabem?”. E zás, falhei totalmente no papel de co piloto, o que é frequente, e mandei-nos, literalmente, bugiar! Eheheh… a ironia da cena e do termos bem aplicado!
10  minutos depois, e mais uns quilómetros percorridos do que os inicialmente previsto, não fosse o “enamoramento” pelo Forte do Bugio, chegámos ao nosso destino – mesmo em frente à estação de comboio de Caxias, mas que passa bastante despercebido – a Quinta Real de Caxias.
Um jardim muito arranjadinho, a fazer lembrar os jardins de Versalhes, em ponto pequeno, mas onde não faltam os repuxos, arbustros com bonitas disposição geométrica, ai a bela da simetria, e uma incontornável cascata cujo lago já foi adornado por estátuas em terracota da escola de Machado de Castro (retratavam uma cena mitológica com a Deusa Diana e o seu amado adormecido numa das grutas). É possível subir ao cimo da cascata, um excelente miradouro (sobre o jardim, Caxias e a zona) e passear pela várias galerias comunicante por detrás da mesma, fazer búuuuuu e pregar uma valente susto a quem se passeia nas galerias inferiores (EUUUU, quase que me ia dando uma coisinha má!).
Este jardim está inserido no Paço Real de Caxias, onde uma da fachadas repleta de azulejos semelhantes aos do Palácio de Queluz, anuncia que este foi uma antiga, não tão sumptuosa, residência de férias da família real (século XVIII e XIX). O Paço Real encontra-se completamente ao abandono, muito destruído e vandalizado.
O jardim, que tem entrada livre, está a cargo da Câmara Municipal de Oeiras e vale a pena uma visita.

À chegada, ao explicar por que nos tinha mandado a todos bugiar por Caxias, é lançada a pergunta “Será que a expressão vai bugiar tem alguma coisa a ver com o Forte do Bugio?”
Ninguém fazia a mais pequena ideia e prometi investigar.
A palavra bugio, no século XIII, era utilizada para designar uma vela feita de sebo.
No século XVI, passou também a ser utilizada para designar um macaco. Por exemplo, Gil Vicente utiliza no seus escritos a expressão bugiar, como uma conotação semelhante ao nosso “pentear macacos”.
Bugio era também o nome de um instrumento, género de martelo, que servia para pregar estacas em terrenos alagadiços. Foi instrumento fundamental na reconstrução do Terreiro do Paço, um trabalho duro e pouco desejado, sendo “atribuído em convite “forçado e irrecusável” criminosos e vadios. Nesta época, o “vai bugiar” assumui um sentido mais pejorativo!
O Forte do Bugio é um pequeno farol, situado na foz do rio Tejo, a “meio caminho” entre Cova do Vapor – Trafaria  e Oeiras, no único banco de areia situado sempre acima da linha das marés. Várias fonte consideram que o seu nome – “Bugio” tem origem no vocábulo francês bougie (que significa vela) e à semelhança da sua estrutura e função, com uma vela acesa num castiçal.
A expressão “Vai bugiar” parece, originalmente, ter sido coisa de, ou para, macacos; com a reconstrução do Terreiro do Paço, depois do Terramoto de 1755, passou a ser coisa de malandros e/ou maltrapilhos. Mandar, uns e outros, a nado, em busca da “luz”, para o “Bugio” que “alumia” e auxília a navegação, há séculos, não me parece mal pensado, seria um “Vai bugiar” na plenitude, contemplando os vários significados do termo.
Just saying…que eu percebo pouco disto!

De paraquedas

Ao longo do anos, perdi a conta ao número de vezes que excelentíssimo esposo referiu, desgostoso, que apesar de ter assistido a todas as aulas e aprendido a dobrar o paraquedas (dos antigos), não ter efetuado nenhum salto por ser menor, na altura, que o seu pai fez o curso.

Para colmatar esse seu grande desgosto/desejo de adolescência, e como não me ocorreu nada mais original, decidi que, no seu aniversário, o brindaríamos com um salto tandem.
Não percebendo nada do assunto, com a ajuda preciosa do Dr Google, pareceu-me que escolha acertada seria o salto tandem 4200m (o ideal para desfrutar em pleno e sentir a adrenalina a bombar).
Comprar um voucher todo janota na Skydive Portugal foi o passo seguinte.
Pequenada aprovou, entusiasmada, a ideia!
Reação de excenlitíssimo esposo ao abrir a sua prenda foi de estupefação  “Uauuuuuu… isto é muito à frente! Não sei se estou preparado para isto!”
“Depois de tanta conversa, finalmente vais experimentar! Tenho a certeza que vais estar à altura… literalmente :D!” rematei, surpreendida com a sua hesitação e nervosismo.
O tempo foi passando e nada de marcar o salto, havia sempre um compromisso ou o tempo não estava favorável ou… whatever.
Com o voucher a expirar, depois de alguma insistência, afastando e contornando as desculpas a agenda, lá se arranjou um buraco na agenda e o moço marcou o salto.
No dia da liberdade, eheheh, não deixa de ser curiosamente emblemático, rumámos a Évora, para excelentíssimo esposo, de um plano superior, observar e vertiginosamente “planar” sobre as suas belas planícies.
Estava expectante, aparentemente, calmo mas um pouco apreensivo!
À chegada, a pequenada fica espantada com os que “caem” dos céus e aterram elegantemente à sua frente.
Assim que pimpolha mais pequena se apercebeu que o seu querido pai também ia desabar dos céus como os que tinha acabado de ver, deixou de achar aquilo tão engraçado. Não mais lhe largou a mão. Assistiu ao vestir do fato e à parefernália de “atilhos” e outros que tais.  Tirou mil e uma fotografias, sempre de mão dado ou ao colo do pai, Assistiu, atenta, ao briefing, cada vez com uma expressão mais carregada e de poucos amigos.

Durante o compasso de espera para o salto, o instrutor com quem excelentíssimo esposo ia saltar “às costas”, com duas GoPro presas ao pulso, fez uma pequena entrevista à família: quem tinha oferecido, porquê e outras coisitas mais (+50€ pela reportagem pro).
Diz-me o instrutor “Com que então foi a esposa? E também já lhe tinha oferecido a do mergulho? Está farta de tentar!!!! 50€,  não se fala mais no assunto e, lá em cima, resolvo o seu problema. Não precisa de tentar mais nada de radical!”.
“Epa, agora já não dá! Temos testemunhas! Para a próxima, fazemos isto mais discretamente!” respondo, entrando no espiríto.
“Então e a esposa não vem saltar também porquê?” atazana-me o instrutor.
“Humm… com três filhos, alguém tem que ter os pés assentes na terra! O meu voo é outro!” rematei.
Entretanto, para o filme e fotografia, excelentíssimo esposo fez, naquele espaço de tempo mais” thumbs up”, copiando o instrutor do que o vi fazer desde que o conheço. Desconfio que faz parte da estratégia e do processo de mentalização 😀 , “Cool! Sou muita fixe! Tá-se bem!”.

55 segundo em queda livre e cerca de 4 minutos a pairar na segurança de um paraquedas aberto depois excelentíssimo esposo e o instrutor aterram suave e elegantemente mesmo à nossa frente.
Pimpolha mais pequena arregala os olhos, observando todo o processo e dinâmica com muita atenção. “Ufa! Surpreendente, chegou inteirinho!” diz cheia de contente e espantada enquanto a nuvem negra que pairava  sobre ela desaparece.
“Vamos outra vez? É que era já.” desafia o meu mano, com um sorriso de orelha a orelha, companheiro de voo e aventura de excelentíssimo esposo.
“Outra vez? Agora? Fica para a próxima! Isto é adrenalina pura, em doses excessivas é capaz de não fazer muito bem a gente da minha idade.” diz excelentíssimo esposo.
Avaliação final “Muito fixe! O oposto do mergulho onde predomina o silêncio, uma certa paz e contemplação. Ali, é alucinante e vertiginosa a sensação de queda livre, dos 55 segundo mais longos da minha vida! Valeu a pena!”
Desde então, nunca mais o ouvi falar de paraquedismo 🙂 O meu mano já marcou o próximo salto, excelentíssimo esposo recusou o convite, por ter compromissos inadiáveis obviamente 😉

Em Évora, aproveitámos para passear no centro, Praça do Giraldo, Templo de Diana e visitar a Capela dos Ossos.

 

Passa a Palavra – Festival dos Ofícios do Narrar

Voltámos à bonita Fábrica da Pólvora de Barcarena para desfrutar do Festival Passa a Palavra e à organização desta 1ª edicão só temos a dizer “Queremos mais! Foi fantástico!”

Nas ruínas, ouvimos António Fontinha que nos deliciou com duas histórias antigas, dois contos tradicionais portugueses: o dos dois imãos e o do rouxinol (nenhum do dois consegui encontrar no bruxo Dr Google mas encontrei o do Grão de Milho que não foi um dos contado pois um dos meninos já o conhecia!).

A Cláudia Semedo contou-nos as histórias “A Girafa que comia estrelas” de José Eduardo Agualusa e “Faz de Conta” de Clara Cunha.

Deambulámos na bancas recheados de bonitos livros e ouvimos deliciados as DisSonâncias Poéticas do CLEVA recitando poemas de Ruy Belo, Alexandre O´Neill, Fernando Pessoa, entre outros, trava línguas e “trocadilhos”.

 

Apreciámos e rimo-nos com as marionetas de Manuel Dias.

Aquele que se autointitula de “O pior contador de histórias” – Rodolfo Castro – trouxe-nos histórias da sua terra natal, a Argentina, mas se os seus avós eram italianos, como é que ele foi parar à Argentina? pergunta e esclarece-nos. Os seus avós emigraram para as Américas em busca de um vida melhor: para fugir à fome, à guerra, à escassez de emprego, as mesmas razões que “movem” os refugiados de hoje em dia. Conclui “Há 100 anos, os refugiados eram os europeus embora não lhes chamassem assim!”. Um abrir de olhos – nada como ver a situação sobre outro prisma/perspectiva – onde, e por quem, menos se espera!  Quem tem “palco” pode sempre  escolher “intervir”, passando mais do que a “sua” palavra/história. Aprecio esta forma de “educar”, “despertar” e colocar a pensar o “público”, não é para todos, só para os mais capazes e audazes (que a sorte os proteja)!

Ficámos a saber que se nos contos tradicionais portugueses, o animal mais “esperto” é, regra geral, a raposa pois, na Argentina, espantem-se, é o… Piolho, eheheh, esse mesmo, o tal que dá uma enorme vontade de coçar a cabeça, só de ouvir o seu nome!
Nunca me tinha ocorrido que o animal “esperto” dos contos tradicionais mudasse de país para país mas faz todo o sentido…  daquelas coisas que não nos ocorrem e em que nunca tinha pensado!
Deu-nos a conhecer um livro muito divertido de Mário Ramos cuja história contou e envolve todas as personagens típicas (a capuchinho vermelho, a branca de neve, os 3 porquinhos, a cachinhos dourados, etc). Mário Ramos é um escritor português que não tem livros editados em português (acharam que não era suficientemente bom, enfim…) mas tem vários editados em francês, espanhol e inglês.

Para terminar, um baile mandado com os Cacto e um jantar volante!

Adorámos a iniciativa, o local e a sua envolvência, o ambiente, a dinâmica, a simpatia, as atividades e as histórias contadas por quem o faz maravilhosamente bem e como ninguém, todos de forma diferente mas encantadora (vós- os encantadores, nós-as serpentes)!
Ficamos, ansiosamente, a aguardar a 2ª edição do “Passa a Palavra”.
No entretanto, e até lá, não se esqueçam, passem a palavra!

Um passeio e visitas muito interessante a Ílhavo!

Num dia frio, ventoso e chuvoso, no ido mês de fevereiro, fomos até Ílhavo visitar o seu Museu Marítimo, o Navio Santo André, os jardins Oudinot, o Museu da Vista Alegre (e o bairro). Terminámo o dia entre as casinhas às riscas coloridas da Costa Nova, sentindo o cheiro a mar e a saborear uma verdadeira tripa com ovos moles.
Os dias cinzento e assoprados também podem se podem transformar em boas oportunidades para um passeio familiar excecional. Dias bons e memoráveis.
O Navio – Museu Santo André é um “antigo” navio português de pesca do bacalhau, visistável na barra de Aveiro, Gafanha da Nazaré, junto aos jardins Oudinot. Impressiona, pela dimensão, o seu Porão de Salga (com capacidade para 1000 toneladas de bacalhau) e imaginar o difícl modo de vida destas gentes de Ílhavo pelos mares do norte que nos trouxeram o “nosso” bacalhau, essa iguaria portuguesa!

O Museus Marítimo de Ílhavo foi uma surpresa e um excelente complemento informativo depois da visita ao Navio Santo André. A primeira sala do Museu Marítimo de Ílhavo retrata a arte da faina maior, pesca do bacalhau à linha, desenvolvida pelas suas gentes até 1974, nos mares da Terra Nova, no Atlântico Noroeste. Podemos ver em ponto pequeno, mais bonito, fofinho e arranjadinho, limadas as arestas da vida agreste no mar, o que observámos ao vivo e a cores no Navio Santo André, com a explicação de todo o processo. O clima duro, o grande navio de pesca com meia centena de pequenos botes empilhados, chamados de dori. Sempre que o mar permitia, cada pescador, num barco pequeno, dori, afastava-se do navio e procurava um local para lançar o troll. Esperava horas, cerca de 12, sozinho para as poder recolher, exposto aos elementos, rezando para que estes e a sorte, lhe permitissem regressar em segurança ao navio. Chegado ao navio, depois de empilhados os dori, o bacalhau segue para a salga e o outro tipo peixe pescado para a congelação, todos os preparativos decorrem na pequena área de transformação do peixe. O bacalhau, muito bem “acamado” individualmente com sal é armazenado no porão da Salga.
Podemos também observar vários moliceiros da época, modelos de navios portugueses, uma coleção fantástica de conchas, uma “linha” que caracteriza as pequenas embarcações típicas de cada zona do país. A visita termina no seu original aquário de bacalhaus.

Seguimos viagens para o Museu da Vista Alegre onde vale a pena entrar e ver os gigantes forno, logo à entrada, junto à bilheteira do museu. No interior do museu, podemos encontrar as principais coleções e linhas ao longo dos anos, é interessante para os apreciadores daquela arte, não é bem o nosso caso, mas não deixa de ser bonito contemplar todas as peças expostas. A igreja e todo o bairro da Vista Alegre é muito bonito, uma “pequena aldeia” que vale a visita.

A Feira do Livro

Um jardim separa as duas maiores editores, frente a frente, nas duas “avenidas” principais” do Parque Eduardo VII, Porto Editora e a Leya, bem ao centro, abarcam quase metade de cada uma das avenidas, linhas de caixas tipo fnac, detetores e segurança à entrada e à saída, grandes, e simpáticos, espaços para receber os grandes escritores nacionais constantes na sua linha editorial; gosto e atraem-me, particularmente, por várias razões, todas as que à sua volta pululam – as outras – as pequenas editoras e algumas bancas com jogos didáticos e de raciocínio lógico para miúdos de todas as idades.
Muitas analogias e metáforas se poderiam fazer acerca desta distribuição e do meu gosto, em particular… fica para outra altura.
Vários livros despertam a atenção de Pimpolha mais velha. Estudo as suas opções, analisando a sinopse, o número de páginas e o tamanho da letra, estimando, automaticamente, “quanto” durariam nas suas mãos, maioria 2 a 3 horas. Bem sei, peco e sou injusta,  um livro não se “mede” de todo assim mas dado o ritmo, o número e a vontade de “ter e ler” da miúda, há necessidade de colocar um travão e este é um critério rápido e fácil de aplicar.
Dei comigo a fazer e a dizer, exatamente, o mesmo que a minha mãe me disse quando tinha a sua idade “Ao ritmo que tu lês, despachas esse em 2 horas. Não há dinheiro que chegue nem carteira que aguente. É um ótimo livro para requisitares nesse ótimo, e amigo, sítio que é a biblioteca!”.
Depois de analisadas as várias hipóteses, chegamos a um acordo: eu e pimpolha mais velha. Resultado da nossa visita à feira do livro: 3 livros para ela, 1 para pequeno do meio e 1 para mim. Pimpolha mais pequena ainda não está bem nesta onda, tudo a seu tempo Curiosidade: nenhum deles foi comprado nas 2 grandes editoras (eheheheh). Pimpolha mais velha despachou os 3 em 2 dias, zás! Pequeno do meio, vai a mais de meio do seu. Eu, pois eu, sou a que vai mais atrasada mas não perde pela demora!

“Cruzámo-nos” com muita figura conhecida a “confraternizar” com os seus ávidos leitores: António Lobo Antunes (sempre com ar de poucos amigos), Rodrigo Guedes de Carvalho (com um ar snob importante e compenetrado), Alice Vieira (com um ar simpático e sorridente), Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (com um ar verdadeiramente enfadado), Nuno Caravela (em amena e animada cavaqueira com um fã do seu Bando das Cavernas), Mário Augusto a fazer uma entrevista e a quem reconhecemos pela voz, ainda antes do ver, Francisco Moita Flores a passear na “Avenida da Leya”.
Surpreendeu-me, desiludiu-me, aquele ar enjoado, pouco amistoso e convidativo a dois dedos de conversa com a pequenada, ou simplesmente o pedir o autografo, precisamente, naquelas que foram as escritoras cujos livros devorei na minha infância juvenil da série “Uma aventura”, às “Viagens no tempo” e muitos outros… e sim, muitos fui requisitá-los à biblioteca (foi com um livro delas na mão que a minha mãe, rapidamente, me explicou, na altura, a questão dos € versus horas de leitura).
Comento, com uma amiga que também leu os livros de Ana Maria Magalhãe e Isabel Alçada, tão ou mais avidamente que eu, esta minha impressão (podia estar eu a ver mal ou a interpretar erradamente os sinais) e eis quando ela me diz “Deixa lá, o ano passado, a minha pequena comprou um livro delas e, nesse dia, estava cá a Ana Maria Magalhães. A rapariga foi lá, toda entusiasmada, pedir-lhe um autografo e comentou com ela que já tinha lido muitos livros dela porque a sua mãe gostava muito dos seus livros e tinha muitos. Sabes o que é que ela respondeu à miúda? Disse-lhe “Tens que dizer à mãe para te comprar uns novos, esses já têm o papel amarelo e cheiram a velho!”
E a minha alma ficou parva (mais ainda) e incrédula… Com tanto coisa que poderia ter dito: louvar os livros que atravessam gerações e continuam a ser atuais e a despertar o interesse dos mais novos, que é um feito, um mérito, seu; elogiar e agradecer o gosto pela leitura da sua obra por mãe e filha e incentivar que continuassem a partilhar livros e histórias, o legado familiar e dos livros, sei lá… tanta coisa bonita e vai-se a ver, o que lhe ocorreu foi os € que estava a perder e poderia vir a ganhar! Pode ter sido apenas uma observação infeliz num dia menos bom, acontece a todos mas…
Confesso que ando há uns dias a pensar na sua infeliz resposta e em como ela traduz na perfeição a sociedade atual e a forma como esta lida com os seus “velhos”, sejam ele livros, outros objetos e/ou, principalmente, as pessoas idosas. Parece ter desaparecido a  necessidade de  estimar, valorizar a experiência e o passado, o sentimentalismo, o apego, o carinho, a estima e isto é profundamente triste. Por outro lado, e numa vertente completamente diferente e pessoal, o gostar de ler o que alguém escreve(u), com quem de, certa forma, passámos bons momentos (através da sua escrita) e com quem sentimos alguma afinidade,  e que, de repente, defrauda as nossas expectativas, e passamos a ver de outra forma. No extremo, a prova que quem escreve, pode fazê-lo com uma sensibilidade  esplendorosa e fazê-lo magnificamente bem, ser soberbo na sua arte, mas uma besta quadrada enquanto pessoa e ser humano, e alguém que não consegue escrever uma frase, ser uma excelente pessoa, que receberíamos de braços abertos sem hesitações. Ironias da vida… estar a escrever isto, tipo besta quadrada!

Passando a palavra

Fim de semana de 22 e 23 de junho, na Fábrica da Pólvora, no âmbito das festas de Oeiras, a Festas dos Ofícios do Narrar, para pais e filhos (programa)!
Passa a palavra uma, das muitas, iniciativas inseridas num programa das festas de Oeiras, a decorrer de 7 a 30 de junho, bem recheado (Rodrigo Leão, Capicua, Resistência, DAMA (para o pre teenagers, e não só, festival de marionetas, maratonas de fotografia, entrada gratuita em alguns museus e palácios, uma marginal cheia de atividade e muito mais)

20 anos – Expo 98

O deslumbramento foi tal que depois de usufruir, logo nos primeiros dias, do nosso bilhete de 1 dia, comprado com algum ceticismo, próprio dos jovens estudantes, investimos num passe de 3 dias, sem hesitações.
O espaço, o ambiente, os espetáculos na Praça Sony, os espetáculos de luzes e água, as exposições originais dos vários países, o Oceanário, o fantástico pavilhão da realidade virtual, o espantoso pavilhão da utopia e o bonito pavilhão da água, despertaram a vontade de voltar, desfrutar e aproveitar ao máximo.
O espanto e a admiração, seguiram de mãos dadas com o orgulho desemesurado, de algo tão bonito, funcional e organizado ter sido concebido e realizado pelas nossas gentes… até as fardas dos funcionários e voluntários eram bonitas (desenhadas por Maria Gambina e José Luís Tenente)
Subordinada ao tema dos Oceanos, e comemorando os 500 anos dos Descobrimentos, a Expo 98 foi em si uma verdadeira descoberta reveladora da nossa excelente capacidade organizadora, criativa e de implementação. Um desafio superado no antes, no durante e no após! Ganhámos em várias frentes!
20 anos passaram, voaram… num instante! Com eles muitas coisas novas e diferentes surgiram mas os Oceanos são agora uma tema muito mais crucial do que na altura se adivinhava!
Para assinalar e recordar, os 20 anos decorridos sobre a Expo 98, fomos dar a conhecer à pequenada uma minúscula parte do que foi esse enorme feito português.
Foi bonito, pá!
Recordar é viver!
E a malta tinha saudades… não fossemos nós portugueses, esse nobre povo, dado a festas e excelente organizador de eventos!

Quinta Conde dos Arcos

Na Quinta Conde doa Arcos, da CML, podemos encontrar a Escola de Jardinagem e de Calceteiros de Lisboa e desfrutar dos seus espaços envolventes (jardins, cafetaria, parque infantil e hortas comunitários) – um dos novos corredores verdes de Lisboa, abertos recentemente ao público.
Aqui, por momentos, é possível esquecer o ritmo alucinante da capital, respirar fundo, beber um chá na bonita e acolhedora Cafetaria Quinta dos Arcos, cheia de pormenores catitas, deliciarmo-nos com as suas paparocas caseiras, enquanto avistamos os miúdos a brincar no parque… ouro sobre azul!

Buracas de Casmilo

Num dia cinzento, frio em que a chuva deu mais que um ar da sua graça fomos conhecer Casmilo – uma pequena aldeia serrana, perto de Condeixa-a-Nova, em pleno Maciço do Sicó. Nas ruas de Casmilo não nos cruzámos com ninguén mas os vestígios da atividade de pastoreio estão muito presentes. Esta pequena e simpática aldeia, que está a ficar muito arranjadinha, que não tem um café mas já tem um parque de merendas, espera rejuvenescer ou atrair visitantes, merecidamente, com o pequeno grande e surpreendente segredo que esconde nas suas encostas – As buracas de Casmilo.
Percorrendo o caminho de terra batida que parte da extremindade da aldeia, brindados com a bonita e diferente paisagem envolvente onde predomina a vegetação mediterânea, atravessando campos de lápias, ao fim de 15 minutos, chegados ao destino, subimos e entrámos nas buracas e observámos mais um fenómeno interessante da mãe natureza típico das paisagens cársicas. Apesar do vento, frio e chuva, o percurso e a exploração das buracas aqueceu-nos o corpo e a alma e pequeno do meio até quis comprar uma das buracas.
O percurso de terra batida pode ser feito de carro mas faz-se muito bem a pé e permite apreciar com tempo o encanto da envolvência.

Nascente do Alviela

De barriguinha cheia, depois de um piquenique e passeio na bonita praia fluvial dos Olhos de Água, Alviela, pusemos os pés ao caminho e fomos fazer o percurso pedestre da Nascente do Alviela, que é um pouco acidentado mas faz-se bem e em menos de 1 hora (ida e volta). Para finalizar com chave de ouro e compreender melhor os fenómenos naturais observados no percurso, terminámos o dia no Centro de Ciência Viva do Alviela – Carsoscópio, onde a “viagem” no simulador e o quiroptário fazem sempre sucesso entre a pequenada.

A primeira paragem é em frente à gruta da Lapa da Canada, uma das mais importantes maternidade de morcegos de Portugal, onde cerca de 5000 morcegos, principalmente fêmeas, de 12 espécies diferentes, 9 das quais em extinção, se abrigam entre os meses de abril e setembro, para terem as suas crias. Esta gruta é uma janela cársica – uma depressão de abatimento do teto da gruta – se observarmos com atenção podemos espreitar e ouvir a ribeira dos Amiais a correr, lá em baixo, subterraneamente e observar muitas outras galerias, onde outrora passou a água e que agora servem de refúgio às colónias de morcegos. Nos meses de verão, a Ciência Viva dinamiza a atividade gratuita “A noite dos Morcegos” que recomendamos, no Carsocópio também existe uma sala toda ela dedicada aos Morcegos – o Quiroptário.

No planalto de Santo António, um planalto calcário – Carso, é raro ver água e rios à superfície, pois estes infiltram-se através das fissuras do calcário, o que ao longo de milhares de anos, deu origem a centenas de complexas rede de galerias subterrâneas e grutas existentes na zona, formadas pela dissolução da rocha.
Seguindo caminho, um pouco mais à frente, encontramos um dos mais interessantes fenómenos flúvio-cársicos do nosso país, o desaparecimento da ribeira dos Amiais, que até aí corre à superficíe, no interior da rocha através de uma gruta – Perda – construída à custa da erosão provocada pela passagem de água ao longo de milhares de anos, para percorrer cerca de 250 m de leito subterrâneo.

Para observar a ribeira dos Amiais voltar a ver a luz do dia –  Ressurgência – bast fazer o caminho de regresso e seguir as indicações que dizem Canhão fluvial. O canhão é impressionante, conduz a ribeira dos Amiais até à  foz, o Alviela, cerca de 200m, ladeada de grandes escarpas cuja origem se deve ao abatimento de uma cavidade subterrânea onde em tempos a ribeira passou. É também neste local, do lado esquerdo na margem da ribeira, que podemos observar o rio Alviela a correr subterraneamente e que “extravassa” quando chove muito, uma nascente temporário do rio Alviela. Por essa razão, foi construído no local um dique para evitar a que as águas do Alviela se misturem com as das ribeira dos Amiais antes do seu ponto de captação para abastecimento da rede pública.

A nascente do Alviela , ou os Olho de Água, nasce na base de uma escarpa, resultante das infiltrações da chuva no planalto de Santo António, é uma das mais importantes nascentes do nosso país, constituiu a maior ou a 2ª maior reserva de água doce do país, estima-se que a da Serra da Arrábida seja semelhante. Durante dezenas de anos, foi fonte de abastecimento de água para consumo público de Lisboa e de outras localidades da região, daí a importância, desde muito cedo, de separar as águas da nascente do Alviela e da ribeira dos Amiais, antes da captação pois, por vezes, esta última está “contaminada”.
As “saídas” de nível – exsurgências – as nascentes temporárias do Alviela, como o Poço Escuro e outra facilmente observável no final do canhão fluvial mesmo junto à nascente do Alviela só ocorrem em anos em que chove muito, podendo dar origem a caudais torrenciais e às magníficas “cascatas” que aparecem nos postais dos Olhos de Água. Em 2017, houve apenas 6 dias, mas dessse 3 dias na saída de nível mais alta, em que estas nascentes temporárias estiveram ativa, em anos anteriores foi bem superior – a seca e a sua falta de esplendor.
O Carsoscópio foi um excelente e divertido complemento para perceber e ver com outros olhos o que tinha acabado de ver. O Maciço Calcário Estremenho abrange uma vasta área de 180 km2, todos os “despejos” nele feitos contaminam uma das nossas maiores reservas de água doce… um dos nossos tesouros, nos tempos que correm, que deve ser bem preservado e respeitado!

“Poeta, um cidadão do mundo”

Num domingo solarengo, fomos até à Fábrica das Artes, no CCB, para assistir ao “Poeta, um cidadão do mundo” da Ana Sofia Paiva e Marco Oliveira.
Um espetáculo diferente, num ambiente intimista, acolhedor, repleto de livros, o chão e as paredes decorados com vários poemas de alguns dos nossos grandes poetas mas também de todos os pequenos poetas que por lá foram passando, e deixando a sua marca, declamados e enquadrados com maestria, elequoência, elegância, empatia e o envolvimento, a que a Ana Sofia Paiva já nos habituou, regados com a música e a voz de Marco Oliveira.
A sensibilidade, a alma e o ser poeta, desde o princípio dos princípios, a necessidade de escrever para não esquecer, o poema que todos trazemos dentro de nós, silenciado ou silencioso, “Porque tu nasceste poeta ou já te esqueceste?”, recorda-nos a Ana Sofia. Como todos os partos,  dar à luz o “nosso poema” pode ser um processo doloroso, “dói, dói”, lembra-nos a Ana Sofia Paiva, mas ele está lá: nas recordações que guardamos, num bilhete de cinema, numa fotografia, num bilhete de um concerto, que para os outros nada significam, mas que nós escolhemos guardar em em caixas, e caixinhas, “físcas” ou da nossa memória.
Ecoa, vezes sem conta, pela voz da Ana Sofia a interrogação “Ser poeta é…” e somos guiados magistralmente, e com o contributo dos presentes, a descobrir diferentes respostas, explorar as suas múltiplas facetas, que enchem o espaço, preenchem o silêncio, confortam a alma num poema sempre incompleto.
Bem concebido e conseguido, um excelente, bonito e desafiante espetáculo que convida à introspeção e à reflexão para crianças e poetas a partir dos 8 anos!
No final, para apaziguar e refrear a alma, um belo passeio pelo Jardim das Oliveiras, apreciando as vistas, e um delicioso gelado italiano da Davvero. Um programa que nunca desilude!
Vale a pena espreitar a programação da Fábrica das Artes, encontram-se por lá sempre atividades interessantes e originais para miúdos e graúdos, para além do grandiosos Big Bang. Deixo a sugestão para alguns que nos chamaram a atenção Peça Curta para três malabaristas, A menina do mar, Canções da Terra e do Mar, Estórias ao fundo do mar, Concerto com faróis

Fotografias de Tiago Fezas Vital e de Ana Sofia Paiva

Danças Ocultas&Orquestra Filarmonia das Beiras

Numa triste, chuvosa, e fria noite de outono, agasalhados até aos dentes, tinham-nos avisados de antemão que o ar condicionado da sala estava avariado, fomos ouvi-los, numa sala muitíssimo longe de ter lotação esgotada, apesar do espetáculo ser gratuito e de os “artistas” terem, recentemente, esgotado o CCB e a Casa da Música.
Foi sublime, são simplesmente fantásticos!
Quem perdeu? Quem escolheu ficar em casa! Não consigo perceber se é falta de informação, interesse, vontade ou se as pessoas, simplesmente, não querem mesmo saber! É triste porque os artistas mereciam uma plateia muito mais composta, em número!

Centro de Ciência Viva de Constância e outros passeios na zona centro

Num ponto alto, à saída da vila de Constância, podemos encontrar o seu Centro de Ciência Viva.
Tem um pequeno planetário, com uma sessão muito interessante e adequada aos mais pequeno (foi aqui que pequeno do meio fez as pazes com o planetário)  em termos de linguagem e interesse.
Há também um “hangar de voo” onde é feita uma pequena resenha histórica sobre a vontade do homem de voar, as várias tentativas e técnicas e algumas experiências simples sobre os factores que influenciam o voo onde mesmo ao nosso lado podemos ver um avião t-33 cedido pela Força Área Portuguesa, onde se pode subir para observar o cockpit e mexer no seu “volante” e aprender a funcionalidade dos flaps, o que fez as delícias da pequenada. Depois podemos ainda entrar no estúdio onde foi realizado um dos filme sobre as instruções de segurança, para os passageiros, da TAP, em que os protagonistas eram crianças. E a cereja no topo do bolo, experimentar a sensação que os astronautas têm no espaço, num aparelho semelhante aquele em que os astronautas treinam antes de ir para o espaço que deixa a pequenada em êxtase.
No espaço exterior, podemos encontrar uma réplica do nosso sistema solar feita à escala, um relógio solar, um globo terrestre com 2m de diâmetro entre outras coisas.  Têm também vários observatórios onde todos os sábados à noite se podem observar os astros a partir das 20h30 mas não esquecer de ir bem agasalhado, a zona é muito ventosa e fria. Tudo isto acompanhados por uns guias experientes, simpáticos e cheios de vontade de partilhar o seu conhecimento e esclarecer as dúvidas dos mais pequenos (e dos maiores também).
Passámos lá numa bela manhã de verão com a pequenada, no final da visita a pedir “Podemos voltar amanhã, podemos, podemos?”, não há melhor recomendação para uma visita do que esta.

A bonita vila de Constância, onde o rio Zêzere se junta ao rio Tejo, também conhecida como a vila poema por ter sido um local de eleição para alguns poetas de renome nacional e onde terá vivido, durante algum tempo, o poeta mais famoso do reino, Luís de Camões, só por si merece uma visita. Vale a pena passear junto ao Tejo e ao Zêzere e nas estreitas ruas da vila, deliciar-se com um piteú ribatejano ou açoreano no Remédio D´Alma, visitar o jardim horto camoniano e o fantástico Parque Ambiental de Santa Margarida e o seu Borbeletário tropical, para os mais aventureiros, há os desportos naúticos como a descida do Zêzere. A uma dezena de quilómetro, no meio do Tejo prantado, o bonito Castelo de Almourol e um pouco mais à frente o  Parque de Esculturas ao Ar Livre da Barquinha e o Centro de Ciência Viva da Barquinha e o Museu do Ferroviário que também merecem um visita.
Depois temos a cidade de Abrantes com o seu castelo altaneiro, que tem uma vista de fazer inveja a muitos, e o seu bonito jardim, as suas ruas estreitas adornadas com as obras do 180 Creative Camp, o bonito Parque de São Lourenco e os doces tradicionais: a bela palha de Abrantes e as verdadeiras tigeladas e ainda a cidade de Tomar com o afamado Convento de Cristo, o Parque do Mouchão a Mata dos Sete Montes e as suas doces fatias. O que não faltam são razões para visitar a bonita região centro, e estamos apenas a falar de um raio de 15 a 20 km de Constância, caso contrário haveria muito mais… Venham mas venham com tempo porque há muito para explorar e deslumbrar!

Wonderland

Tem uma pista de gelo enorme e ecológica mas que tem uma fila interminável de gente, desistimos logo à chegada. Tem dois carrosséis que segundo a pequenada “São giros mas isso é para bebés!”, a aldeia do Natal segundo eles “É assim fraquinha!”, tem um street food que lhes agradou com muitas possibilidade de escolha: telepiza, burguer ranch, cachorros quentes, pregos, crepes, tripas de aveiro, pipocas e algodão doce. As barraquinhas de artesanato não dizem muito à pequenada mas têm coisas engraçadas e típicas deste género de mercados de Natal. O que lhes encheu o olho e as medidas foi mesmo a roda gigante. Depois da barriguinha alimentada, com o nariz tipo rena Rodolfo, estava um frio de rachar, lá fomos dar uma volta na roda gigante (2,5€ por pessoa e a volta demora cerca de 3 minutos), a fila era grande mas despacha rápido, esperámos cerca de 15 minutos. Adoraram embora pimpolha mais pequena se tenha assustado um bocado “Isto abana muito” e lá no cima com pequeno do meio a fazer a coisa baloiçar de propósito para a atormentar, a rapariga ressentiu-se mas cá em baixo, já com os pés bem assentes no chão conclui “Foi bem fixe!”
Não sendo nada de especial e tendo muita gente, vale a pena dar lá um saltinho com a pequenada, eles gostam sempre!

 

Exposição do Escher

Declaração de intereses – Sou suspeita para falar pois há muito que sou fã da obra do Escher, utilizo-a e dou-a a experimentar, aos meus alunos, as suas pavimentações, para que rapidamente descobram que é difícil reproduzir e imitá-lo, mesmo conhecendo a sua técnica; só alguém com um enorme talento, criatividade, visualização do espaço e imaginação poderia alguma vez ter produzido tamanha beleza, unindo,indiscutível e elegantemente, a matemática e a arte.
Tendo visitado o seu museu em Haia, achei que a exposição sobre a sua vida em obra que estará no Museu da Arte Popular, em Lisboa, até finais de maio de 2108, não acrescentaria muito ao que por lá tinha visto e fui aprendendo ao longo dos anos, enganei-me redondamente. É sempre bom sentir e observar as obras de Escher, há sempre um pormenor, ou vários que nos escaparam, mas o principal motivo da visita à exposição era, especialmente, dá-lo a conhecer melhor à pequenada da casa, que também já tinha visto algumas coisas dele, motivados pelos trabalhos dos meus alunos que viram.
Com expectativas elevadas e ânimos leve, numa tarde bastante fria de dezembro, rumámos à exposição do Escher.
Trinta minutos na fila para comprar o bilhete e poder entrar, a exposição estava superlotada, e depois foi o admirável mundo novo, andámos por lá mais de duas horas, acompanhados de audioguias (incluídos no preço mas não esquecer de pedir no balcão ao lado da bilheteira). Primeiramente, deixámos a pequenada andar à vontade e eles entretiveram-se sozinhos a observar e a ouvir as explicações dadas pelo audioguia, fazendo as experiência que foram aparecendo, vibraram.  Depois, numa segunda abordagem, explorámos em conjunto as litografias mais importantes, chamando a atenção para determinados detalhes e transformações e explicamos-lhes os “resultados” e a sua razão das experiências realizados, entrámos na sala dos espelos e vimo-nos até ao infinito, uma canseira de nós, portanto… Os miúdos vibraram e ficaram verdadeiramente surpreendidos com a Exposição do Escher. Não deixem de visitar porque vale muitooooo a pena mas como comecei por dizer: eu sou suspeita na matéria.

Para aguçar a curiosidade e a vontade de visitá-la ao vivo, aqui fica um pequeno registo fotográfico e não só.

Escher no início da carreira

Imagens do 1º livro – ilustrações de alguns ditados holandeses

O seu fascínio por Itália, destino que visitou e com amigos, e onde viveu durante uns tempos com a mulher, primeiro em Roma, onde se dedicou a observar e desenhar os monumentos à noite. Mais tarde, o sul de Itália e as suas paisagens retém grande parte do seu interesse

A música de Bach e obra de Escher

De visita a Espanha, encantou-se com os azulejos cheios de padrões do Allambra e da Catedral de Córdova. A partir daí começa a dedicar muito do seu tempos ao estudo da divisão do plano e às suas famosas pavimentação, repletas de “objetos da natureza”

Reflexões e simetrias

Metamorfose: uma das suas maiores litografias e a mais famosa (Foi a única litografia, das mais famosas a que tirámos fotografia pois nas restantes de tão embrenhados que estávamos nem nos lembrámos mas estão lá todas expostas: Belvedere, Dia e a noite,…)

As experiências interativas

O IKEA tem espírito: publicidade a movéis e cadeira inspirada nos objetos impossíveis de Escher; para alguns a montagens dos movéis do IKEA são mesmo impossíveis.

O Escher e as capas de discos de vinil.
Em 1969, Escher recusou fazer a capa do disco dos Rolling Stones, alegando falta de tempo, apesar de já ter feito várias capas para outros artistas e bandas de renome. Dizem as más línguas que Escher não apreciou a forma familiar e bajuladora como Mick Jagger se lhe dirigiu, “Caro Mauritius”, na carta que continha o pedido dos Rolling Stones. Solicitou ao seu agente para recusar o pedido, pedindo-lhe que transmitisse que, para eles, ele não era “Mauritius” mas sim “M.C. Escher”. O respeitinho é bom e o Escher apreciava-o ao que parece!

O Escher nos filmes, nas bandas desenhadas e na mítica série dos Simpson

Escher sob outra luz

Escher na música

Nas proximidades: um bonito por de sol

Espaço Dòing

Dòing é o nome da Oficina Aumentada que podemos encontrar em alguns Centros de Ciência Viva (o 1º sítio onde vimos foi no Expolab e depois no Pavilhão do Conhecimento) que, rapidamente, se tornou num espaço de eleição para a pequenada da casa.Não é uma exposição, é um espaço DIY (do it yourself), é um espaço criativo e experimental onde a ideia é criar algo que funcione.
Há para todos os gostos: construir circuitos elétricos que acendem luzes, rodam motores, acionam campainhas; construir objetos que voem num túnel de vento, numa parede vertical construir com tubos, funis, colher de pau, molas, pauzinhos, um caminho para o berlinde chegar ao chão, construir aviões de papel aerodinâmico, construir acessórios com sacos de plásticos, construir uma máquina de fazer rabisco são apenas algumas das coisas que se podem por lá encontrar.
“Isto é tudo muito difícil, não consigo fazer nada!” disse, muito aborrecida, pimpolha mais pequena, ao fim de 10 minutos, na nossa 1ª incursão num espaço Dòing, ao ver os manos superentusiasmados cada um com o seu projeto mirabolante em curso. Da experiementação, à descoberta e à criação: o processo nem sempre é simples nem linear, apresenta muitas vezes constrangimentos e complicações, é preciso não desistir, ajustar, tentar de novo e voltar a falhar e quando, finalmente, se consegue, é uma verdadeira vitória, celebrada aos pulos e aos gritos, foi esta a lição que pimpolha mais pequena aprendeu naquele dia e todos os que navegam pelo mundo das ciências sentem ou sentiram a sua dificuldade em determinados momentos, faz parte do processo. Escusado será dizer que tivemos que arrancá-los, literalmente, do espaço Dòing, para conseguirmos ver o que nos faltava do Expolab!
Passem por lá, experimentem e não desistam à primeira, faz parte do processo de criação e do método científico! Seguem-se algumas fotografias do Espaço Dòing no Expolab, as do Pavilhão do Conhecimento podem ver aqui

Angry Birds no Pavilhão do Conhecimento

A nova exposição dos Angry Birds, no Pavilhão do Conehcimento, foi, talvez, uma das atividades que a pequenada mais apreciou nos últimos tempos, de 1 a 10, os três deram dez, já os adultos acharam engraçado mas esperavam mais (gente exigente esta, pensando talvez na física envolvida: direções, trajetórias, forças, etc.). Com a emoção e a atividade nem houve tempo para tirar grandes fotografias.
Fica a sugestão para uma tarde fria e chuvosa (venha ela e rapidamente que bem precisamos), os pequenos estão desertos de voltar e como temos o cartão Circuitos Ciência Viva , desconfio que em breve, não nos escaparemos lá estaremos.

Attero de Bordallo II

Uma exposição que vale a pena a visitar, para todos e por todos, desperta a curiosidade dos mais pequenos e a consciência dos mais velhos, e com ela a transmissão e a chamada de atenção do papel que escolhemos ter na mudança, que passará indiscutivelmente pelas gerações mais novas.
É simplesmente magnífica e espetacular em vários aspectos apesar do tempo de espera, dada a enorme afluência. É gratuita e esta patente numa espécie de edíficio devoluto da CML, que o artista transformou em estúdio para compor as obras de arte expostas. Pode ser visitada até dia 3 de dezembro de 4ª a domingo das 14h00 às 20h00, na Rua de Xabregas nº49, pertinho, pertinho do Teatro Ibérico e da Marítima de Xabregas.
Para abrir o apetite logo ali na esquina da Rua da Manutenção, encontramos uma enorme e colorido sapo da autoria de Bordallo II. Antes de entrarmos no edifício, onde decorre a exposição, somos saudados por um enorme e simpático macaco dependurado, e, enquanto se aguarda a vez de entrar, fica a sugestão para o observar com atenção e perceber de que materiais é feito e começar logo ali uma viagem surpreendente. Na Avenida 24 de julho, diz que há uma cativante e amistosa raposa também de Bordallo II.

Toda a tónica da exposição é colocada na enorme quantidade de lixo urbano produzida por todos nós, a matéria prima de todas as suas obras, os perigos que elas representam para o planeta e o papel importante da reciclagem e da necessidade urgente de mudança da nossa parte face a esta realidade inegável.
Numa 1ª sala, temos aquilo que o artista chama de realidade invertida, uma troca de papéis, uma sátira , ou verdadeira crítica, social para que nos possamos colocar no papel do nosso planeta doente, da natureza, dos animais e Homem morto vivo, tudo representado recorrendo a restos de madeira, cerâmica, circuitos integrados, telemóveis, etc. Muito interessante, vale a pena observar os pormenores com atenção, meditar um pouco sobre o seu significado, lendo o título sugestivo e elucidativo que deu a cada uma das obras.

Na 2ª sala, temos uma sala repleta de animais fofinhos todos feitos essencialmente à base de metais e objetos do nosso dia a dia (calculadores, telemóveis, circuitos elétricos, espanadores, escovas, sapatos e sei lá que mais), mais uma vez fica a dica de observar os títulos das obras. A minha preferida a “A cabra calculista”.

A 3ª sala, começa com animais fofinhos em que uma das suas metade é feita com plásticos (brinquedos, funis, etc) e outra com metais. Um efeito curioso e colorido na parte plástica e um mais parecido com a imagem que temos do animal na metade de metal. Esta conceção despertou a curiosidade da pequenada, talvez pelo facto de verem lá alguns dos seus brinquedos: uma mão do mickey, uma pá da praia, entre outros. Termina com animais feitos total com resíduos plásticos, dá uma ar espalhafatoso, colorido e pouco feroz aos animais retratados.

Na 4ª sala, começamos por ver dois vídeos de uma caveira e uma tartaruga a flutuar no mar feitos de lixo plástico recolhido junto à costa de Lisboa por Bordallo II e depois devolvidos ao mar nesta nova forma procurando chamar a atenção dos frequentadores do local e alertar a sua consciência.  Um espaço correspondente ao seu estúdio de trabalho repleto de “lixo” e um quadro que retrata o mesmo. Para finalizar, um enorme e colorido rinocerante  feito de resíduos plásticos.

De seguida, passamos num corredor que retratada o fundo do mar, com a particularidade de que todo ele é feito com resíduos plásticos.

E a mensagem final, bofetada de luva branca, igualmente potente e letal, desta vez sem animais fofinhos apenas com o Homem e o seu papel, ou falta dele, na preservação da Mãe Terra nas suas várias vertentes.

Um espanto, um verdadeiro lavar e abrir de olhos regado com muita criatividade e sentido crítico, caracterísitcas de todos os grandes artistas.
Recomendamos vivamente!