Bojardas

Depois de um passeio pelo bonito jardim da Gulbenkian, de contemplarmos o extraordinário painel Começar, de Almada Negreiros e de nos deliciarmos, e refrescarmos, com os deliciosos gelados da IceGourmet (junto ao Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Teles), perdemos a conta ao tempo mas o Luís Caramelo, com seu acordeão, entre histórias e rimas, conduziu-nos até à hora do conto, num belo cantinho do jardim.
Uma ambiente verde, calmo onde se ouviam os passarinhos, as almofadas coloridas e cubos vermelhos cobriam o chão e o poder da voz e da arte de saber contar de António Fontinha e Luís Caramelo transportavam-nos para outro tempo, aquele em que os animais ainda falavam.
Ploc… Qualquer coisa cai sobre o colorido das almofadas, ploc, e depois outra e ploc, mais outra, ploc… De repente, estamos todos a olhar para cima, contadores e plateia, procurando descobrir de onde provinha a “chuva”, e damos por nós a contemplar a dezena de pombos, certamente, encantado e enfeitiçados, pela história e nos deram a honra da sua presença, colocando-se, literalmente, à vontade, não se inibindo de soltar valentes bojardas sobre a malta.
O conto prosseguiu, os bombardeamento também, muitas trocas de lugar, muitas toalhitas para limpar a pontaria certeira de alguns bicharocos mas ninguém desistiu e olhem que a coisa estava crítica, o que só demonstra o poder dos bons contadores de histórias, cativam-nos, deixando-nos suspensos nas suas palavras e expressões, mesmo sob as condições mais adversas, mesmo quando estamos sobre ataque cerrado ou já fomos atingidos.
Com eles aprendemos 2 adivinhas engraçadas que não conhecíamos:

“Uma casa tem 12 damas. Cada uma com quatro quartos. Todas elas usam meias mas nenhum tem sapatos? Quem sou eu?”

A outra já não nos lembramos bem, só da resposta, andamos a ver se entre os 5 a conseguimos parafrasear. Quando conseguirmos coloco-a aqui.
E uma que pimpolha mais pequena conhecia e foi a única a responder, deixando tudo e todos meio perplexos… tinha aprendido com o avô!!

“Verde foi meu nascimento, e de luto me vesti, para dar luz ao mundo, mil tormentos padeci? Quem sou eu?”

 

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Exposição do Miró e outros passeios

Fomos visitar a exposição dos famosos 85 quadros de Miró patente no Palácio da Ajuda. Os tais quadros da coleção do BPN que ninguém sabia que existiam a não ser quando a coisa colapsou, e é só a maior coleção privada de quadros do artista, os tais que estiveram para ser vendidos, só que não. Miró, talvez seja a única boa herança/lembrança que o BPN nos deixou.
Aprecio a “simplicidade e limpeza” do quadros de Miró, sempre gostei, temos algumas réplicas nas paredes cá de casa. Curiosamente, a primeira observação de pimpolha do meio ao contemplar os primeiros quadros desta exposição foi “Hummm…acho que também conseguia fazer um destes!”, exatamente, o que muito pensarão, pensei, dizendo-lhe “É uma questão de tentares! O que às vezes nos parece simples, não é assim tão simples como aparenta. Como a sua maestria e sucesso, ainda nem conseguiu”, a rapariga observou com mais atenção e concluiu “És capaz de ter razão!”.
Fomos deambulando, calmamente, pela sala e a pequenada foi imaginado o que via nos quadros, arrancando uns sorrisos e gargalhadas, a alguns visitantes nas proximidades, com as suas interpretações. Descobri que o Miró tem 1 ou 2 quadros que se assemelham às dos teste de Rorschach, esse meu antigo trauma, e que pequenada é tão boa, provavelmente, melhor que eu a ver lá cenas e coisas e bichos, ao observá-los, tão entretidos e envolvidos na sua imaginação, ri-me interiormente.
Gostámos muito da exposição, divertimo-nos e parvejámos, que também faz falta, e o espaço é agradável e dá para estar à vontade mesmo com pequenos.

De seguida, descemos a Calçada da Ajuda, até ao Palácio de Belém, onde visitámos o Museu da Presidência da República e os jardins do Palácio de Belém (era dia 5 de outubro, por isso estava aberto ao público). Impressionante a galeria de retratos dos nossos presidentes, chama a atenção a de Ramalho Eanes pois parece mais uma fotografia do que uma pintura, pequeno do meio observou com atenção, fez uns cálculos, aos espaços livres e aos anos, e informou-nos “O meu retrato vai ficar ali, por cima do do Marcelo ou do Cavaco. Ainda vai demorar uns tempos porque antes ainda quero ser youtuber! Não se preocupem que eu depois convido-vos para virem cá jantar comigo.” E é isto, aguardemos, portanto…! Os jardins do palácio são bonitos mas, essencialmente, é curioso pisar o local que tantas vezes vemos na televisão, sempre repleto de gente ilustre.

 

Depois rumámos aos famosos pasteis de Belém, para desistirmos logo à chegada, salas cheias de gente à espera, e a fila do take away quase que dobrava a esquina, o preço e o tempo de espera a pagar pelo turismo em massa e de massas! Junto aos pasteis de Belém deambulámos por uma travessa bem catita e ficámos a saber que em Belém também há pasteis de cerveja, não houve tempo para provar, pois já se fazia tarde e havia que pôr os pés ao caminho, a subida da Calçada da Ajuda aguardava-nos e a pequenada todo o tempo reclamou, não há bela sem senão!

Um outro lado de São Miguel

Rabo de Peixe não consta nos roteiros mais turísticos de São Miguel mas vale a pena uma visita. Situada sobre uma escarpa, encontra-se sempre gente junto ao paredão conversando ou passando o tempo, nas escadas da igreja, gente sentada em amena cavaqueira, os cafés são à moda antiga, crianças brincam livremente na rua, uma terra grande, com bastantes infraestruturas, mas que poucos diriam que tem cerca de 10 000 habitantes.
Junto ao Porto de Pesca, vislumbram-se as casas coloridas, grupos de jovens conversando e ouvindo música, sentados no chão, os mais novos mergulhando do cais para o mar, fazendo praia a Açores, numa espécie de lota, vários moços amanhando e lavando peixe e colocando nas camionetas. Nas paredes das casas, pode-se admirar a street art que tem colorido, de uns anos para cá, as paredes da ilha, do VHILS, encontramos as caras de alguns pescadores residentes mas muitas outras se podem ver por lá, lembrando o que foi feito em Loures, na Quinta do Mocho ou, em Lisboa, no Bairro Padre Cruz.
Sim, sente-se no ar, e vive-se o ambiente de bairro social, talvez por não estarem habituados a visitas de turistas, olham-nos um pouco estupefacto, desconfiados, não interagindo mas falando entre si com um sotaque acentuado numa linguagem crua, para logo prosseguirem com a sua labuta. É coisa para deixar alguns turistas um pouco relutantes em continuar a sua exploração mas vale a pena não desistir.
Uma população, essencialmente, jovem onde continua a haver muito desemprego, alcoolismo, drogas, etc, tudo aquilo que carecteriza um meio socioeconómico desfavorecido. Vivem, essencialmente da pesca, sujeitos aos arrufos da mãe natureza e do mar, e dos donos das embarcações, não é vida fácil.
Vale a pensa conhecer Rabo de Peixe, descer ao Porto e perceber que nem tudo na ilha é verde, florido, com casas bonitas e pastos repletos de vacas felizes e gente contente com a sua vidinha. A pobreza não oculta a beleza do local, de uma gente e terra que parece  querer desafiar as leis da natureza, sujeito aos humores dos Neptunos e Adamastores desses mares e da vida e/ou não desiste de tentar.

Sandro G. foi o primeiro rapper açoriano, trouxe um novo sotaque para o rapp, é uma referência em Rabo de Peixe e nos Açores, talvez porque para muitos colocou Rabo de Peixe e as ilhas no mapa e nas bocas do mundo, no início do milénio. Em 2003, foi ao Herman e a tudo o que era programa do género, ficou “famoso” mas pouco ganhou com isso, nas palavras de Sandro G., transformaram Rabo de Peixe e a si próprio numa anedota/brincadeira quando com a sua música “Eu não vou chorar”, pretendia alertar para os problemas existentes em Rabo de Peixe, acabou por ficar conhecido pela música da “galinha”. O mundo do VIPS e das editoras é muito isto, fogo de vista, o importante não é comercial logo não interessa.
A letra da sua música “Não vou chorar” traduzia e traduz muito bem as vivências e o sentir das gentes Rabo de Peixe, então como agora.

Férias em São Miguel para nós é isto!

Quinze anos depois, voltámos! Acompanhou-nos o mesmo trolley, que na altura era um tipo mala do sport billy , que ao abrir arrancou gargalhadas surpreendidas a todos aqueles com que nos cruzámos naquela aventura, ao vislumbrarem o seu conteúdo: colchão de ar, a bomba, a tenda, fogão, tachos e afins, mas desta vez levávamos um tipo de bagagem diferente (para além dos anos e da experiência), “frágil”, no sentido que é necessário ter cuidado no lidar “manusear” e peculiar- os 3 pequenos. Ao contrário de nós, eles não sabiam bem ao que iam nem o que esperar, estavam apreensivos porque nas suas palavras “O Algarve é tão fixe porque é que temos que ir para outro lado?”.
Regressámos para uma aventura não a 2 mas a 5, não para fazer um périplo de 3 semanas pelo arquipélago mas para nos concentrarmos, 2 semanas, nas belezas e encantos apenas de uma das suas belas ilhas, São Miguel, não para acampar mas para desfrutar de uma casa típica, com vista para o mar e para as pastagens repletas de vaquinhas, com cavalos, coelhinhos, cães, uma casa na árvore, acordar de manhã e dar um passeio na quinta de cavalo, apreciando a simpatia e hospitalidade dos nossos excelentes anfitriões e dos açorianos, as suas iguarias, a sua pronúncia difícil de descortinar à chegada e tão natural/familiar quando partimos, a forma com que se dirigem a nós com um senhor ou senhora, naquele seu sotaque tão característico e bastante acentuado, guiados pela sabedoria de quem por lá acampou e sabe que nos Açores, não se deixam toalhas no estendal à noite, nem durante o dia, se não estivermos por perto, conhece o cheiro típico das casas e sabe que secar roupa pode ser uma tarefa extremamente complicada mas que um desumidificador resolve na perfeição e de quem já sabe se se vêm nuvens para o lado das Sete Cidades ou da Lagoa do Fogo, não vale a pena subir lá acima porque vai estar tudo nublado e é um perda de tempo, os planos não se fazem de antemão, vão-se fazendo, porque o tempo é sempre uma surpresa e é a chave principal para verdadeiramente desfrutar dos encantos do Açores, em grande, e sem stress.
Mais do que “picar o ponto” numa lista de pontos de interesse a visitar, em tempo contra relógio para não perder nada ou para ter aquela fotografia linda, maravilhosa, igual à que toda a gente tem, é subir às Sete Cidades pelos caminhos dos pastores e deslumbrar-se com as paisagens, é olhar em redor e ver mar em todas as direções e ter plena noção que se está numa ilha, é observar as rotinas das vaquinhas e dos seus donos nas suas carrinhas de caixa aberta com os depósitos de leite e vê-los ao final do dia a deixar o seu leite nos postos de recolha, é constatar que aquelas vacas devem ser mesmo felizes, com diz a música do anúncio que a pequenada cantou durante todas as férias, é ir às Furnas e beber água de todas as fontes quentes, frias, ferrosas, azedas, com gás e sem gás, e fazer na maioria delas “Bahhh”, é passear e jogar às escondidas no bonito jardim das quenturas, enquanto se saboreia o verdadeiro pão levedo, é molhar os pés na “fervente” poça da tia Silvina para de seguida os mergulhar no rio fresquinho que passa mesmo ali ao lado, é ir ao Observatório Microbiano do Açores e ficar a conhecer melhor os fenómenos que nos rodeiam e experimentar a sua maravilhosa cafetaria termal com água recolhida, à nossa frente, nas várias fontes (a limonada, o chocolate quente e o chá de mel e canela são ótimos), mais do que comer o cozido das Furnas ou as maçarocas de milho, é observar e contemplar o poder, o cheiro e a força da natureza em todo o seu esplendor, é passear junto à Lagoa das Furnas, na margem oposta às fumarolas, apreciar o silêncio, a quietude das águas, as várias esculturas de madeiras por lá dispersas, a igreja gótica e os seus bonitos vitrais, é visitar o Centro de Monotorização e de Investigação das Furnas, é matar saudades de ser criança e andar nos vários baloiços, para miúdos e graúdos, inebriados e embalados pelo ritmo e vista fabulosa, é subir às Sete Cidades, e a caminho passear na Lagoa das Empadadas, na Lagoa Raza e subir ao miradouro, descer à Lagoa do Canário e subir à Grota do Inferno, no miradouro das Sete Cidades aventurar-se a descobrir o hotel abandonado de onde a vista é fantástica, é descer às Sete Cidades, ladeado de hortenses, e parar para observar a Lagoa de Santiago, é nadar ou andar de canoa na Lagoa das Sete Cidades ou simplesmente estender a toalha e contemplar a paz, a beleza e a imensidão do local, é andar na estrada e exclamar “Olha ali mais um vulcão!” a cada dois minutos, é embrenhar-se nas suas florestas, cobertas de musgo, e descobrir lagoas, cascatas e sítios lindos de morrer, é, num miradouro, à chegada ter uma vista deslumbrante e passado cinco minutos não ver um palmo à frente do nariz, é não ligar à chuva miudinha que teima em cair e nos molha o corpo e lava a alma e que seca num instantinho, é depois de um excelente dia de sol, calor, praia e mar, cair uma carga de água torrencial fazendo lembrar uma autêntica noite de inverno, é fazer muitos piqueniques com vistas fabulosas e em locais arrebatadores, é beber kima maracujá, laranjada e comer lapas grelhadas, é conhecer uma plantação de ananás, é jogar à apanhada nas plantações de chá da Gorreana enquanto a chuva cai e saborear, no final, o seu chá quentinho, é visitar o Nordeste da ilha e perceber que os locais têm toda a razão quando dizem, com orgulho, “Aqui a ilha é outra”, com as suas escarpas imponentes e bonitos miradouros, é enterrar os pés na areia preta, colocar os óculo de mergulho e seguir os peixinhos, é tomar banho, também com os peixinhos, nas suas piscinas naturais, é apreciar a beleza das grandes e arejadas praias da costa Sul, é deslumbrar-se com a beleza da praia do Mosteiros, é mergulhar na Caloura, o sítio onde o m2 é mais caro em São Miguel, é tomar um espetacular banho de mar “quente” na Ponta da Ferraria, é estar no cenário paradisíaco da Cascata da Caldeira Velha, não fosse o montão de gente que por lá circula, e constatar que a água é fria que doí, vá 22ºC, e descer à pequena piscina, também ela a abarrotar de gente, mas que se encontra perto da nascente, molhar o pé e pensar “Aqui sim, está-se bem” – 38º enquanto nos deslumbramos com a vegetação que nos envolve!, é descer à Lagoa do Fogo e dizer “UAUUUU!” muitas vezes, é fazer o percurso até à bonita e verdinha Lagoa do Congro, onde se ouvem apenas o pássaros e saltos dos peixes, e terminar o dia nas Caldeiras da Ribeira Grande, numa pequena piscina, só para nós,a 38ºC e que tem uma zona de refrigeração maravilhosa, é fazer o percurso pedestre no maravilhoso e exótico Parque Terra Nostra e no fim banhar-se nas águas quentes (30º) da sua famosa piscina, sentir o corpo a relaxar, colocar o corpo mesmo junto ao sítio onde a água brota, pensando “habituava-me a esta vida”, e depois ir ao pequeno “jacuzzi”, que poucos conhecem e/ou utilizam e pensar enquanto nos banhamos, a 38º, “Isto é que é vida!”, é ir à Poça da Beija, e para além de um banho de gente, é relaxar nas suas pequenas piscinas de água quentinha, quentinha, no final de um longo dia de passeio, enquanto a chuva cai, é subir aos postos de vigia das baleias e deleitar-se com a vista, é descer aos portos de pesca e confraternizar com os nativos e observar aquilo que chamamos fazer praia à Açores e a arte da sua pesca, é ir à Quinta dos Açores comer um belo de um hamburguer, com carne da ilha, rodeado de nativos, e terminar, desgraçando-se com os seus fabulosos e muito bem servidos gelado com sabores das ilhas (chocolate com queijo da ilha, queijada de Vila Franca, etc) e perceber que o McDonald´s só lá existe por causa dos estrangeiros,  é consultar o site SpotAzores antes de ir a qualquer lado, estudar as câmaras e decidir o percurso a seguir, é instalar a app da Ponta da Ferraria para saber entre que horas se pode usufruir de um belo banho de mar quente, é ir ao ilhéu de Vila Franca quando a maré está a começar a encher e ver mais um bocadinho de paraíso e muitos, muitos peixinhos, é ir ao Observatório Vulcanológico dos Açores perceber como tudo começou e se desenvolveu, é ir à Gruta de Carvão e ver os túneis de lava, é passar um bela tarde no Expolab, é adquirir o passaporte dos geoparque dos Açores e carimbá-lo nos geosítios, é aprender o que é uma fajã e a reconhecê-las, é passear em Ponta Delgada ir às Portas do Mar e ver as pinturas deixadas pelos navegantes e apreciar a street art, é ficar encantado com a Ribeira Grande, é… e podia continuar quase eternamente. É ter tempo para voltar aos lugares que mais gostámos muitas vezes, é fazer 1000 km e gastar 50€ de gasóleo!
É, essencialmente, apreciar com calma e tempo, o viver, o sentir das suas gentes, os cheiros, as cores, as paisagens de cortar a respiração, do pulsar da natureza, das águas límpidas do oceano ou as águas quentes e ferrosas provenientes das entranhas da terra, fazendo usufruto do tempo, é aproveitar os dias de sol para a praia, os cinzentos para as águas quentes, apreciando o melhor dos dois mundos. É chegar ao continente, e pimpolha mais velha olhar para o céu e exclamar “Ah, o nosso sol!”, é numa viagem na A1 achar que havia algo de estranho e só depois perceber que nos faltava o verde dos Açores, é  chegar falando açoriano, com gosto, é sentir saudades de comer pão levedo ao pequeno almoço, é pimpolha mais velha dizer, 1 dia depois do nosso regresso “Tenho tantas saudades dos Açores!”. Também eu, também eu…

Passeio por Mafra

Aproveitando a gratuitidade de alguns monumentos aos domingos até às 14h00, fomos revisitar o grandioso Palácio de Mafra. Junto ao palácio encontra-se o posto de turismo e Centro de Interpretação das Linhas de Torres, foi por aqui que começámos a nossa visita, numa sala pequena mas com muitas informações sobre o papel de Mafra durante as Invasões Francesas. De seguida, no claustro do palácio encontrámos uma mostra de aves de rapina que fez as delícias da pequenada e uma exposição de  pinturas devido à comemoração do tricentenário da colocação da 1ª pedra na Basílica do Palácio. A enfermaria, a sala dos veados, os enormes corredores e bonita e esplendorosa biblioteca são alguns dos locais que mais gostámos. A pequeno do meio não escapou a confirmação de que na biblioteca existem morcegos para evitar que os valiosos livros sejam devorados pelas traças.

Depois da visita ao palácio (cerca de 1 a 1h30), fomos passear no antigo jardim real, o Jardim do Cerco, que é enorme mas está super bem cuidado e é um ótimo sítio para fazer um piquenique (tem um grande parque de merenda e, mesmo em frente, um parque infantil). Quando por lá andámos, estava a decorrer o Festival do Pão (tasquinhas, venda produtos agrícolas e artesanato local, pão e doçaria regional etc.) no Jardim do Cerco, uma chatice, portanto… para a nossa dieta, obviamente :)!!!
Outros sítios giros para visitar com a pequenada na zona: a Tapada de Mafra, que agora tem imensas atividades e uma diversivade de programas e Aldeia – Museu José Franco.

Festival Ibero-Americano de Narração Oral

Cenas que desconhecíamos (entre muitas outras): Lisboa é, em 2017, a Capital Ibero-Americana.
Cenas que sabíamos que tinham acontecido mas ainda não tínhamos vistos: a Biblioteca Palácio das Galveias, depois das remodelações.
Cenas verdadeiramente boas que nos iam escapando da atenção e juntaram o melhor dos dois mundos anteriores e todos os outros mundos que contemplam e cabem dentro de uma história bem contada: o Festival Ibero-Americano de Narração Oral

Contos para todos os públicos: crianças, famílias e adultos, contadores de várias zonas de Portugal, do Brasil, Perú, Uruguai, Espanha, Colúmbia, entre outros; os contos, a forma e a vida que estes ganham pela voz e interpretação de quem os transmite com alma e coração, de uma forma intimista e muito pessoal; os espaços: a sala das crianças, o bonito salão, no 1º andar, onde as vozes melodiosas, cheias de carisma e alma, ditaram os passos que ecoaram e contaram lindas histórias (um outro tipo de valsa, portanto); ao bonito “jardim das estátuas”, cheio de puffs coloridos, que num dia quente, convidavam a desfrutar da sombra, do ambiente descontraído, de convívio e brincadeira, onde há sempre tempo e entusiasmo para escutar mais uma bela história, meio sentado meio deitado na relva, aproveitando a brisa fresca que vai passando.
Simplesmente fantástico! Adorámos e a pequenada perguntava “Podemos ficar para os próximos contos?” e assim, chegados de manhã, fomos ficando, ficando e só abandonámos já a noite se tinha instalado!
Engraçado constatar, como há tantas e boas formas de contar uma história. Narradores e contos: todos eles diferentes mas repletos de entusiasmo, talento, alma, resumindo: Fantabulásticos!!!
Queremos mais para o ano!
Com contos, é espetacular mas sem contos o Palácio das Galveias e o seu jardim são locais que vale a pena visitar e apreciar.

Nos intervalos entre contos, desfrutámos do jardim, dos puffs e da sombra mas também aproveitámos para passear na zona, que se, durante a semana, o trânsito e o estacionamento são caóticos, ao fim de semana é completamente pacífico.
Fomos dar a conhecer, à pequenada, o mítico 1º McDonald´s de Portugal para seu grande contento, 3 happy meal: 3 minions ganhos, a parte da comida é o menos importante, neste caso, ainda bem! Constatámos, nós pais, que onde antes era um balcão repleto de caixas agora existem apenas duas caixas e um enorme balcão de entregas, onde se juntavam as enormes filas de pessoas agora estão 6, ou mais, touchpads gigantes onde cada um encomenda o que quer. Sabores e disposição da sala muito semelhante ao que me recordo dos tempos de faculdade mas, ao contrário de outros McDonald´s, ainda não tem os tablets disponíveis nas mesas para entreter miúdos e graúdos superligados… resumindo: sinais dos tempos!
Fomos desgraçar-nos ao Choupana Caffe, onde grande parte da malta estava numa de brunch (sábados e domingos das 10h00 às 16h00) que tinha muito bom aspeto, sim senhor, mas cujo o preço não justifica… just saying mas isto é só porque provavelmente não domino o conceito nem sou nada in! Um ambiente bem catita com pãozinho variado e do bom, panquecas deliciosas, segundo a pequenada, e tantas outras coisas que só pecam por serem tão boas e um regalo para a vista.

 

Nós, Van Gogh, Alive

Antes de entrarmos na sala, há um painel sobre a vida do pintor, os vários períodos que atravessou e uma explicação do que esperar e de como são retratadas as várias fases da vida de Van Gogh.
Na sala, paredes, teto e parte do chão repletas de imagens projetadas das obras, citações e cartas de Van Gogh, regadas com música da época e adequada aos vários períodos emocionais e de produção do pintor. Em vez de circular pela sala, o ideal é, sem medos nem vergonhas, agarrar um dos vários puffs disponíveis e/ou sentar/deitar no chão, e vivenciar, efetivamente, uma experiência sublime, um assalto aos sentidos, um verdadeiro mergulho na obra, no espírito, na mente e o seu efeito nos quadros, de Van Gogh, acompanhados e embalados pela música e, no nosso caso, por duas bailarinas. A apresentação demora cerca de 30 minutos, talvez um pouco mais, e não tem interrupções (é cíclica) mas o espaço é agradável e apetece ir ficando, observar pormenores que não vimos bem na 1ª visualização e como podemos permanecer na sala o tempo que quisermos é desfrutar, foi o que fizemos!
É sem dúvida uma forma diferente, gira e atrativa, de “conhecer” Van Gogh, só peca por ser tão cara mas vale a pena!!!!
Apesar da pequenada já ter visto alguns dos quadros de Van Gogh ao vivo e a cores e saberem que ele tinha cortado parte de uma orelha, que, em vida, só tinha vendido um quadro – “A Vinha Encarnada” – e que, ironia das ironias, agora os seus quadros são admirados em todos o mundo e valem milhões (uma das suas citações não diz bem isto mas fica implícito), esta foi a forma de o “conhecer” que mais lhes agradou. Pequenada no final comenta “Podemos ir a mais museus como este? Bem louco e deitados no chão!”. Ora “Bem louco” é uma expressão que, neste caso, assenta que nem uma luva ;).

Mais informações aqui e aqui

Nota: a sala é mais pequena, sem colunas e arcos com projeções, ao contrários das constantes no site e no facebook oficial do evento, o que faz com que o efeito não seja tão grandioso como o publicitado.

Passeio na zona da Lourinhã

Primeira paragem, no Vimeiro, uma pequena aldeia onde se encontra o bem cuidado, informativo, bonito e gratuito – Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, onde salta à vista, de imediato, o enorme vidro que permite observar o campo da batalha que decretou o fim da 1ª invasão francesa. Um belo enquadramento dos factos e cheio de história(s) e do papel de Junot e do comandante de Wellesley na Guerra Penisular. Foi aqui que aprendemos a origem de várias expressões, provérbios que utilizamos e que tiveram origam na 1ª invasão francesas, cá ficam elas, retiradas da brochura do Centro:

“Ficar a ver navios!”
Aquando da 1ª invasão francesa, o comandante Junot trazia ordens de Napoleão para capturar a família real portuguesa que partiu na época para o Brasil. Reza a lenda que quando Junot chegou a Lisboa ainda viu os navios da armada real na linha do horizonte, pelo que se diz que ficou a ver navios.

“Ir para o Maneta”
Os franceses invadiram Portugal em novembro de 1807 e permaneceram em Portugal durante longos meses. Quando os portugueses começam a revoltar-se, Junot mandou dispersar pelo país os seus generais. Um desses generais chamava-se Henri Loisson e era particularmente cruel, massacrando os revoltosos. Este general não tinha um braço pelo que todos lhe chamavam Maneta. Assim, quando alguém ia com ele dizia-se, aquele foi para o maneta!!

“Viver à grande e à francesa!”
Quando Junot chegou a Lisboa, instalou-se no Palácio do Barão da Quintela onde vivia faustosamente a expensas do proprietário. Entre festas e banquetes, Junot vivia à grande e à francesa!

“Ir embora de armas e bagagens”
Após a Batalha do Vimeiro, os ingleses assinaram um acordo com os franceses, segundo o qual estes poderiam voltar para casa com tudo aquilo que tinham roubado em Portugal, pelo que se diz que os franceses foram embora de armas e bagagens.

Uma Recriação histórica da batalha do Vimeiro tem lugar todos os anos no 2º fim de semana de julho, portanto começa hoje mesmo, fica a sugestão!!

Segunda paragem, para retemperar energias, depois da expedição histórica e cultura – Parque da Fonte Lima, situada numa pequena aldeia perto do Vimeiro para quem segue em direção à Lourinhã. Um espaço verde muito agradável onde fizemos o piquenique da praxe.

Terceira paragem – uma interessante visita guiada ao Museu da Lourinhã. Primeira parte da visita, explorou os achados pré-históricos encontrados na região e as antigas profissões e a visita a uma casa saloia (onde há um osso de baleia que era usado como superfície para cortar carne, surpresa: na zona “pescou-se” durante muitos anos baleias daí o nome da terra Atouguia da Baleia). A segunda parte da visita é então dedicada aos famosos dinossauros, um espólio que contém exemplares únicos de várias espécies, ninhos de ovos, contendo embriões de dinossauro. As espécies encontrados, unicamente nesta zona, devem-se ao facto de a Iberia se ter afastado e separado da América do Norte durante o Jurássico, formando um arquipélago, no Cretácico, os dinossauros evoluíram e adaptaram-se as condições do seu novo habitat e por isso apresentam características únicas, não presentes nos seus “familiares” não insulares. Têm nomes característicos da zona dados pelos investigadores que apresentaram a sua descoberta à Academia das Ciências: Lourinhanisaurus antunesi e Dinheirosaurus Lourinhanensis. Outra informação interessante: os dinossauros à semelhante das suas “primas” galinhas, comiam pedras, os gastrólitos, pedras encontradas juntos aos fósseis e nada enquadradas no meio envolvendo, permitiram aos cientista tirar esta conclusão, era cá com cada calhau! Uma cabeça de T-Rex atrai a atenção da pequenada mas afinal mais uma surpresa nos aguarda quando o guia nos informa que não era um T-Rex pois destes nunca foram encontrados vestígios na Europa, apenas na América mas era sim um seu familiar distante, descoberto na Lourinhã, e que foi apelidado de Torvosaurus gurneyi. Curiosamente, quando esta nova espécie do Torvosaurus pisou terras da Lourinhã, o seu primo distante T-Rex já era um fóssil há 80 milhões de anos. Com o estudo dos dinossauros, o tempo e a sua passagem ganha toda uma outra dimensão, dos milhares aos milhões é um saltinho!

E a Lourinhã é efetivamente a capital dos dinossauros, estamos sempre a encontrá-los!

Quarta paragem – Forte do Paimogo – numa bela estrada que, parte da Praia da Areia Branca, segue sempre junto ao mar, e de onde se avista Peniche, o Cabo Carvoeiro, as Berlengas e as arribas onde forma encontrados muitos dos fósseis que vimos no Museu da Lourinhã.

 

Mais um rico e colorido dia ;)!

 

9º FIG

Diferente da última edição com mais e variadas atividades a decorrer em simultâneo: 5 estrelas, muito, muito bom! Ainda com a vantagem de podermos saborear algumas comidinhas típicas da zona: uma bela sandes de choco frito e/ou uma sopa caramela.
Vimos 2 espetáculos de circo moderno, que a pequenada adorou, uma espetáculo de teatro de rua original e muito interessante! Daqui a 2 anos, prometemos voltar! Para perceber melhor o espírito do evento nada como ver a sua página.

Torres Vedras e as suas Linhas

Passeámos pelo centro da cidade e visitámos o Museu Municipal Leonel Trindade antes de começar as nossas explorações para termos uma noção melhor do terreno. O nome do museu é um homenagem ao arqueólogo torriense que “descobriu” Castro Zambujal – um povoado fortificado, perto de de Torres Vedras, cujas origens remontam ao 3º miliénio a.C. e que terá sido um grande centro de comércio e fundição de minério.
A 1ª sala deste museu é inteiramente dedicado ao achados históricos encontrados na zona de Castro Zambujal bem como todo o trabalho de arqueologia realizado na zona.
A 2º sala do museu é dedicada à Guerra Peninsular – invasões franceses, dando especial relevo, à 3ª invasão francesa, onde Torres Vedras e as suas linhas defensivas desempenharam um papel crucial para que as tropas francesas abandonassem Portugal.
Com a família real exilada no Brasil, depois dos espanhóis se terem juntado aos franceses, permitindo a passagem das tropas napoleónicas para invadirem Portugal, Portugal alia-se a Inglaterra e o exército inglês vem em nosso auxílio. À data na Europa, só Inglaterra, Suécia e Portugal não estavam sobre domínio francês, a Inglaterra era a grande potência que Napoleão visava abater, isolando-a.
Com a 1ª e a 2ª invasão, o país foi alvo de violência, saque e destruição mas sobre o comando de Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, dá-se início à construção das Linhas de Torres – um sistema defensivo, aproveitando o terreno acidentado, cujo principal objetivo era impedir as tropas francesas de alcançar Lisboa, criando 3 linhas defensivas do Tejo ao Atântico. Torres Vedras integrava a 3ª linha defensiva. Ao longo das linhas, foram construídos, em sítios estratégicos e de difícil acesso, e poucos distanciado, pequenas fortificações. A comunicação entre fortificações era feita através de um sistema ótico, já utilizados pelo exército inglês. Sete minutos era o tempo que levava a mensagem  do Tejo ao Atlântico, desde o momento em que era “colocada” num dos 9 “postos telegráficos”, repetida no posto seguinte, e assim sucessivamente, até poder ser avistada no último forte da linha. Muito interessante este pequeno museu repleto de informações.

De seguida, fomos comprar uns deliciosos, e típicos, pastéis de feijão, na tradicional Havaneza, que foram a cereja no topo do bolo do nosso piquenique no bonito parque do Choupal.

De barriguinha cheia, recordámos outros tempos, no Atelier do Brinquedo para depois subirmos até ao Castelo de Torres Vedras de onde se tem uma bela vista e se vislumbra o Forte de São Vicente, um dos maiores e mais importantes fortes da Linhas de Torres, que chegou a ter 2000 soldados. Seguimos a marcha até ao Forte de São Vicente onde impressiona o seu enorme fosso e área que abrange.

Após os momentos culturais/históricos, pequenada estava com desejos de ir “praiar” e, assim nos dirigimos para a Praia de Santa Cruz mas antes fizemos um pequeno desvio, para desespero do moços,mas que valeu a pena, para ir conhecer in loco Castro Zambujal, ponto de passagem de vários percursos pedestres.
Chegados a Santa Cruz, o vento soprava forte e avisei a tripulação da possibilidade de não estar bom para “praiar” mas sim para vestir um casaco e passear na marginal! Que não, que não, que praia é que era, diziam eles, até porem o pé fora do carro e serem assoprados, envergaram satisfeitos os seus aconchegantes casacos e fomos passear. Muito arranjadinha e simpática. Deliciámos-nos com os crepes gigantes do Belga.

Aproveitando os dias longos, ao sabor do vento e da vontade e com os pequenos quase de férias escolares, esticámos o dia e fomos mergulhar os pés na areia na “capital” do surf – Ribeira de Ilhas! Rumámos à Ericeira, onde é sempre tão bom voltar! Aqui, os pequenos sobre o nosso olhar atento e de um casal inglês, contemplando a bela paisagem, apanharam um valente susto enquanto exploravam e saltavam distraídos sobre rochas, a uma distância de segurança, quando um onda lhes ribombou ao ouvido e foi vê-los aos gritos e a fugir a sete pés. Nem um salpico os atingiu mas daquele som não se vão esquecer tão depressa, nem das nossas gargalhadas e das do casal de ingleses! É sempre bom reconhecer, respeitar e acautelar a força da natureza. Momentos bons!!!

Mais um belo dia de passeio!

Museu do Aljube

Fomos ver o espetáculo infantil deste ano do La Féria,” A Pequena Sereia”,  a pequenada gosta sempre dos seus espetáculos, embora como diria o nosso Salvador Sobral “To much fireworks!”, mas vale a pena. Desta vez, tivémos a benesse de não estar lá o próprio, aos berros, como é seu costume, a vender programas autografados à saída ou à entrada do espetáculo, “técnica” que abomino.
Passeámos na Baixa, vagueámos na feira de artesanato na Praça da Figueira, onde me ri com um dos artesãos quando este falou para mim em inglês “É o mais comum, menina, já nem pensamos!”, apreciando o quão turística está a nossa bonita capital, visitámos a Sé de Lisboa e fomos conhecer o Museu do Aljube.
Aljube – palavra de origem árabe que significa “poço sem água”, “prisão”. O edifício onde se situa o museu foi até ao século XIX um prisão eclesiástica (talvez por ficar mesmo junto à sé, digo eu) para depois se transformar numa prisão de mulheres e, a partir de 1928, passou a ser uma prisão da polícia política associada ao regime. É um museu repleto de informações e testemunhos do que foi viver na época da ditadura: oposição e clandestinidade, os tribunais políticos, a resistência, os presos políticos, as técnicas de tortura, o isolamento, o colonialismo e a revolução dos cravos. No Aljube, existiam 14 “gavetas”, “curros”, compartimentos com 1mx2m, sem luz e condições, onde os presos podiam permanecer por tempo longo e indeterminado, e onde eram sujeitos a uma forte pressão física e psicológica, sempre que o telefone tocava no corredor, tudo ficava ainda mais tenso, era para chamar alguém para ser interrogado. O telefone tem um som estridente e à porta de um dos “curros” parece que ainda agora a tensão é palpável, a pequenada apercebeu-se perfeitamente deste facto e os “curros” impressionaram-nos verdadeiramente. Um museu “forte”, um repositório e tributo à memória de um país e das vítimas do sistema ditatorial que lutaram pela liberdade e pela democracia. Uma visita aconselhável, com tempo, uma mais valia para perceber a importância dos valores democráticos! Gostámos muito, não deixa ninguém indiferente (ou não deveria) mesmo para quem, como nós, nasceu depois da época retratada!

Frutologia no Jardins da Gulbenkian

Dois dias repletos de atividades gratuitas para os mais pequenos, com um ambiente fantástico, num belo cenário – os jardins da Gulbenkian – numa parceria da Compal com programa Descobrir da Gulbenkian. Vale a pena passar por lá, desfrutar do ambiente e das atividades, quiçá fazer um piquenique e dos bonitos jardins da Gulbenkian (horários e atividades). Se estiverem pela capital, é aproveitar, amanhá há mais e vale mesmo a pena!!!
Adorámos rever e ouvir a fantástica Ana Sofia Paiva (matando saudades do Pinhal das Artes), e que desta vez nos trouxe uma adaptação da história da “A tartaruga e a fruta amarela” , adivinhas com frutas, e canções sobre frutas, cantou uma parte da Senhora do Almurtão “olha a laranjinha que caiu, caiu!” (que tantas vezes ouvi e cantei em miúda), muitos trava línguas e um bonito poema de Miguel Torga. Tudo isto regados com o ritmo, a musicalidade, a expressividade, o espírito, a empatia e o profissionalismo que caracterizam uma excelente contadora de histórias! Para terminar, o concerto dos Clã, dedicado à pequenada, que deixou muitos com “asas nos pés”.
Nota: Se almoçarem por lá, no interregno das atividades ainda podem visitar a exposição do Almada Negreiro, que está quase a terminar. Fica a sugestão!!!

Belver e o Museu do Sabão

Num dia cinzento e ventoso, fomos até Belver conhecer o Museu do Sabão, o seu castelo e respetivo Centro interpretativo, apreciar o belo ver e passear pelas suas ruas.
O Museu do Sabão, não é um museu interativo como agora parece estar na moda e, segundo alguns, dos quais discordo, só assim despertando o interesse da pequenada, é um museu repleto de informações históricas interessantes e com amostras de produtos de outros tempos que nos avivam a memória. Procura preservar e mostrar a arte de fazer sabão das gentes da terra, numa época, em que ali esteve instalada uma saboaria. Um sabão mole, nada semelhante aos que conhecia, feito com cal, água, borras de azeite e cinzas. A evolução, ao longo do tempo, dos processos de fabrico ao comércio de sabão, sabonetes e afins, as marcar dominantes, na Europa e em Portugal, bem como o contexto histórico e as várias restrições a que esteve sujeita o seu fabrico. Por exemplo, no início do século XVII, a Inglaterra era o país com maior consumo de sabão: a rainha Elisabete II institui o hábito de tomar banho com regularidade (de 4 em 4 semanas), continuando, no entanto, o sabão a ser considerado um produto exclusivo e taxado com tal. Durante quase cinco séculos a produção de sabão esteve sobre domínio régio, sendo punido severamente quem produzisse sabão apenas para consumo doméstico, ou para venda ilegal; estas medidas repressivas conduziram a inúmeras revoltas da população. É um museu simpático, pequeno mas cheio de história(s). Não têm estacionamento, convém deixar o carro no centro da vila, por exemplo no largo da igreja.
Depois rumámos ao castelo, muito bem preservado com excelentes vistas: o vale onde corre o rio Tejo, a praia do Alamal, a barragem de Belver, a Central Termoelétrica do Pego e, ao longe, no cimo do monte, Abrantes. Independentemente, para que lado se olhe, o ver é sempre belo e o Centro de Interpretação, na Torre de Menagem, é bastante interessante.

Estávamos com o tempo contado e ficou por fazer uma versão light do percurso pedestre Arribas do Tejo: começando na igreja de Belver, passando pela Fonte Velha(fotos), onde em muros antigos encontramos arte moderna, descer até à ponte de Belver e junto à ponte visitar o Museu das Mantas e seguir pelos passadiço junto ao Tejo até à praia do Alamal (o passadiço já percorremos em tempos). Numa próxima visita, com mais tempo, não faltará, de qualquer das formas fica a sugestão.

O que visitar em Belver (de onde retirei a fotografia da Fonte Velha, todas as outras são de nossa autoria)

Cosmos Discovery – A exposição

As várias missões, as cápsulas, os alimentos, os veículos lunares, os fatos dos astronautas, a sua “casa de banho”, a estações espaciais, a evolução da técnica e da tecnologia, os problemas técnicos, os robots de exploração, os vestígios dos meteoritos de marte (peso por grama entre 300 a 1000€), tudo isto e muito mais pode ser visto de perto nesta interessante exposição. São tudo réplicas, não se pode entrar nem tocar em nada mas fica-se com uma noção bem diferente e mais precisa do que é e envolve a exploração espacial, do espaço e de espaço. Gostámos e aprendemos muito. A “casa de banho” dos astronautas intrigou a pequenada mas onde vibraram mesmo foi na experiência de realidade virtual (não incluída no bilhete, 2€/pessoas  – 5 minutos) em torno da Estação Internacional Espacial.

Para terminar o dia, pequenada tomou de assalto o Maat que é 3 passos do Cosmos Discovery! Não visitámos mas é um espaço bem agradável à beira rio com uma estrutura…diferente, interessante!

Serra da Estrela: uns dias entre serras (parte II)

Deixámos Piodão, passando em Foz d´Égua, agora de carro o que não tem metade do encanto do que fazendo o percurso pedestre com origem em Piodão, e seguimos em direção ao Parque Natural da Serra da Estrela. Montes e vales a perder de vista, vestidos de amarelo e roxo, repletos de giestas e urze, pintalgados por pequenas e bonitas aldeias serranas como Casal do Rei e Cabeça. Cabeça é a aldeia LED, no Natal, veste-se a rigor e, pela mão dos seus habitantes e as matérias primas da serra: giestas, videiras, pinheiros, etc, se transforma numa aldeia de Natal 100% sustentável.

Seguimos até, à denominada, por muitos, Suíça Portuguesa, a Loriga. Uma bonita terra, a 770 metros de altitude, ladeada pelas imponentes Penha do Gato e Penha do Abutre, e de onde se avistam vales e montes sem fim. Tem uma das mais bonitas praias fluviais por onde já passámos e onde encontrámos um carteira abandonada em cima de uma mesa de picnic. Depois de algumas diligências, descoberto o número de telemóvel do dono, que já se encontrava em Seia, desfrutámos deste espaço, pequenada mais uma vez com os pés de molho, numa água fria, fria mas mais límpida é difícil e aproveitaram, em grande, o parque infantil, enquanto esperávamos que viesse recolher a sua carteira. Fizemos a boa ação do dia e a gratidão do senhor surpreendeu e agradou à pequenada :)!

De seguida, seguimos pela estrada serpenteante até Seia para visitar a cidade, o Museu do Brinquedo e o Museu Natural da Eletricidade. No Museu do Brinquedo, relembrámos o quanto os brinquedo mudaram, ao longos tempos, e com algum não só subsistem com proliferam, como por exemplo os Legos, fizemos corridas de rolamentos, excelentíssimo esposo brincou com o arco entre muitas outras brincadeiras. No Museu Natural da Eletricidade, numa simpática visita guida, ficámos as saber como a água da Lagoa Comprida é utilizada, há uma centena de anos, para produzir eletricidade, o tipo de turbinas, as centrais de controlo e forma como eram geridas antes de estar tudo automatizado, na Centra Hidroelétrica da Nossa Senhora do Desterro I (que está desativada e foi cedida pela EDP à Câmara de Seia)

Ao final do dia, rumámos para a nossa simpática casinha emprestada na típica aldeia serrana de Sabugueiro. As suas ruas têm vestígios dos rebanhos que por ali passam todos os dias, lembrando a atividade que ocupava os seus habitantes e lhe deu origem, em tempos: o pastoreio. Na mais alta aldeia de Portugal, com ressalva para o complexo turístico das Penhas da Saúde estar a maior altitude, o comércio predomina; a venda de queijos, presuntos e artigos de neve, loja sim, loja sim, e também a venda dos famosos cães da serra. Uma aldeia simpática, no coração da serra, com uma localização ideal e central para conhecer os encantos da serra.

 4º dia
1ª paragem – Lagoa Comprida, que observámos com outros olhos e conhecimento, depois da visita ao Museu Natural da Eletricidade, ao longo da subida fomos observando as várias condutas que conduzem a água.

2ª paragem – Mesmo junto às pistas de ski da Vodafone, quem sobe de Seia para a Torre, junto à sua vedação, é um ótimo sítio, com estacionamento, para andar de trenó e brincar na neve. Foi exatamente o que fizemos, o sol brilhava, não estava vento nem muito frio, perfeito!

3ª paragem – Torre só para picar o ponto e ver as modas

4ª paragem – Um sítio de paragem obrigatória e verdadeiramente mágico onde já é tradição fazermos um piquenique: o fabuloso Covão D´Ametade – nascente do rio Zêzere.

5ª paragem – Depois do almoço, rumámos, a Manteigas, direitos ao Centro Interpretativo do Vale Glaciar para o sobrevoar virtualmente e conhecer um pouco da sua história, flora e fauna. Mesmo ao lado, encontram-se os viveiros de trutas que arrancaram um “UAAUUUU” ao pequeno do meio, que não dava grande coisa por elas, ao ser recebido por uma a saltar!

6ª paragem – Poço do Inferno – a estrada que nos conduz a esta bonita cascata parece saída de um filme. Junto à cascata existe um percurso pedestre circular em torno da mesma, pouco mais de 2 km, que estava nos nossos planos mas que nos foi desaconselhado, no Turismo, uma vez que ainda não tinham feito a manutenção do mesmo e a mãe natureza é imprevisível e com estavámos com crianças todo o cuidado era pouco. Fica para a próxima! Na cascata, pequeno do meio teve um dos tratuns pois ao chegar deixou cair um crachá para o meio da lagoa… e teimava em querer ir buscá-lo e os maus não deixaram!

7ª paragem – Penhas Douradas uma antiga aldeia, com as suas casas muito típicas com taipais vermelhos e telhados inclinados, de onde nos dias limpos se avista a torre e os cantões em todo o seu esplendor, mas que agora parece estar completamente abandonada, com exceção da excelente Casa das Penhas Douradas (onde passámos, antes de pimpolha mais nova nascer, dois belos dias, que ainda hoje os pequenos mais velhos recordam alegremente)

8ª paragem – Vale Rossim – um parque de campismo, um resort de yurts, uma bela envolvência e mais uma estância balnear.

5º dia
Passámos boa parte da manhã no Museu do Pão onde a pequenada apreciou, em especial, o workshop com formas e forminhas. Quando lá estivemos anterior, almoçámos no Museu do Pão e gostámos muito mas desta vez decidimos rumar ao Covão da Ponte, fazendo um bocadinho de TT entre a Pousada de São Lourenço e a Cruz das Jogadas (férias sem TT não são férias). Tínhamos o Covão da Ponte só para nós, verde, verdinho, com o rio Mondego ainda um bebé mesmo ali ao pé, um silêncio, uma paz, só perturbada pelos chocalhos dos rebanhos. Enquanto piquenicávamos tivemos a companhia de dois pastores serra da estrela que abandonaram o rebanho para ver se lhes calhava algum dos nossos petiscos, deitaram-se junto à nossa mesa com um olhar suplicante e ali permaneceram, impávidos e  serenos, à espera durante 15 minutos. De repente, um deles levanta-se e zarpa a toda a velocidade, o outro oscila, olha para nós, olha para o seu companheiro, olha para nós novamente com um ar “Não me dão mesmo nada?” e zarpa também a toda a velocidade como quem diz “O dever chama-me!”. O Covão da Ponte é só mais um bocadinho do paraíso, onde tudo flui com muita calma numa bela envolvência.

De barriguinha cheia, seguimos à Cruz das Jogadas contemplando a beleza surpreendentemente simples do vale encantado que se estendia à nossa frente: verdinho, cultivado, com pequenas casinhas e os rebanhos em volta. Chegados à Cruz das Jogadas, deixámos o carro, e iniciámos o percurso pedestre circular com cerca de 6 km. Um percurso que não é muito difícil com exceção da parte final, o último quilómetro é, literalmente, sempre a subir o monte, uma subida bastante íngreme, que deve deliciar cabras e cabritos, já à pequenada arrancou-lhes alguns devaneios “Nunca mais venho! Nunca mais faço mais nenhum percurso. Isto é muito a subir!”, o que é certo é que chegaram ao final, frescos e fofos, já os pais completamente ofegantes e cansado (essencialmente, de os ouvir reclamar!). É um percurso muito bonito, que os especialista aconselham a fazer no outono (início de novembro) para observar as várias tonalidades de folhagem em tons de laranja o que o torna ainda mais esplendoroso. Da vista sobre o vale glaciar e sobre Manteigas, aos fabulosos Pinheiros Oregon para o túnel e toda a encosta repleta de faias, onde parece que ainda é outono, pelo número de folhas secas no chão, é simplesmente fantástico e são estas as recordações que espero que a pequenada prevaleçam na memória da pequenada! Recordações de um bosque encantado coberto de um tapete de outono, apesar de estarmos na primavera, os enormes pinheiros Oregon, as vistas e colorações maravilhosas de todo um vale encantado, o silêncio e a paz perturbados apenas pelo restolhar das folhas à nossa passagem, o martelo de Thor que pequeno do meio encontrou entre os troncos de árvore, o chão repleto de ouriços de castanheiro, os cães da serra que nos receberam ruidosamente e desconfiados na descida das Faias, e antes de iniciarmos a subida vertiginosa, o pastor simpático (talvez seja um deles) que, rapidamente os apaziguou, porque vínhamos por bem mas que nem sempre é assim e tem de proteger o que é seu, numa vida dura, 2 dedos de conversa para matar a solidão do dia e da tarefa. Depois de um dia em grandes, regressámos a casa de alma cheia e com muita pena de as férias estarem a  chegar ao fim.

No último dia, parámos, novamente, junto à estação de ski da Vodafone para deslizar monte abaixo e fazer bolas de neve, em mais um dia quente com o sol a brilhar em todo o seu esplendor e a neve na serra a derreter de dia para dia. Descemos até à Covilhã, passeámos na cidade e utilizámos um dos seus elevadores público para superar a imensidão de escada em determinadas encostas, a pequenada adorou! Fizemos um piquenique junto à UBI e, de seguida, fomos conhecer os dois pólos do Museu de Lanifícios: a Real Fábrica dos Panos, que em tempos foi uma tinturaria de panos e lã, onde as cores mais usados eram o vermelho e o azul, fardamento da guarda e exército real, e a Real Fábrica Veiga onde desde o século XIX até meados do século XX funcionou um centro fabril de transformação de lã e onde está patente as máquinas ou utensílios utilizados nas operações de preparação da lã, a fiação, a cardação (chama-se assim porque a máquina tem um cilindro repleto de cardos) e a penteação. Uma visita muito interessante onde aprendemos várias coisas novas e assim se passaram uns belos dias.

Piodão e Foz de Égua: Uns dias entre serras (parte I)

Sempre que regressamos à Serra da Estrela descobrimos novos recantos e encantos, variadas razões para voltar vezes sem conta, porque fica sempre algo por explorar ou ver; na despedida, prevalece a nostalgia típica do final de umas boas férias e a vontade de ficar só mais um bocadinho a desfrutar de tamanha beleza, paz, tranquilidade e de uma forma de viver e estar tão particular e boa. Foi por terras, montes e vales da Serra do Açor e da Serra da Estrela, que andámos nas nossas mais recentes férias.

1º dia
A caminho de Piodão, parámos para conhecer a Sertã, onde fizemos um belo piquenique junto à ponte velha e a pequenada se divertiu à brava no belo parque infantil.

 

De barriguinha cheia, continuámos viagem, atravessando os montes junto à Central Eólica da Pampilhosa da Serra onde apreciámos a paisagem, a paz e sossego, perturbados apenas pelo som das eólicas. A descida para a bonita e arranjadinha aldeia de xisto de Fajão, estava repleta de amendoeiras em flor!

Na etapa final, desfrutámos da beleza ímpar da estrada que nos leva de Fajão até Piodão. Bem recebidos e instalados, na excelente unidade do Inatel de Piodão com uma vista sobranceira sobre a aldeia, fomos dar um belo mergulho na piscina para sacudir as poeiras do caminho!

2º dia
Passeámos pelas ruas estreitas e inclinadas de Piodão, provámos as suas broas de batata e de abóbora, vimos a sua bonita praia fluvial e constatámos que por estas terras ainda há quem lave a roupa à moda antiga. Finalmente, colocámos, literalmente, os pés ao caminho para ir conhecer Foz d´Égua.

É um percurso pedestre bem assinalado, bonito, acompanhado pelo som da água da ribeira e dos passarinhos, não apresentando grandes dificuldades e à chegada somos compensados com o encontro de duas ribeiras num cenário idílico que faz lembrar outros tempos, onde não falta uma ponte tipo Indiana Jones e um Santuário no cimo do monte. A precisar de descansar, encalorados e com a fome à espreita, fomos refrescar os pés nas ribeiras, água fresquinha, fresquinha, em 5 segundos, os ossos dos pés todos enregelados, e aproveitámos para “picnicar” por ali mesmo. É um local onde apetece estar, pimpolha mais velha leu um dos seus livro, os outros pequenos recolheram pedras das ribeiras,e os adultos contemplaram; infelizmente, a ponte do Indiana Jones estava em manutenção e interdita.

Estava na hora do regresso, o caminha era mais curto e mais fácil desta vez, ainda assim esperava-nos cerca de 1 hora de caminhada. Parámos para nos refrescar e encher as nossas garrafas de água numa nascente que brotava do monte e observar as giestas, os bonitos socalcos, as casas de xisto abandonadas e um agricultor a tratar da sua horta e o caminho, no monte em frente, que nos tinha levado de Piodão a Foz d´Égua. Se no caminho de ida não nos cruzámos com ninguém, talvez por ser mais longo (3,5 km) e mais exigente, no regresso (2,8 km) encontrámos várias pessoas.

À chegada, sentámo-nos a degustar um merecido gelado e a dar dois dedos de conversa com 2 locais que se encontravam em amena cavaqueira, no ritmo típico, dos lugares intemporais onde nada se passa mas tudo acontece, onde as histórias fluem e há tempo para tudo. Louvaram a sua água, “O bacalhau demolhado nela, até tem outro sabor, o melhor deles todos”, os artistas, os filmes e documentários sobre a sua terra e a gente importante que lá tinha casa, indicaram-nos qual era a melhor fonte “a água vem toda do mesmo lado, mas ali não passa pelos canos é mais fresquinha!”. Partilharam um bocadinho da sua história de vida: ambos estavam contentes e felizes por estar de regresso, depois de uma vida de trabalho na grande cidade, onde nada é igual ou tem o mesmo sabor e cheiro que a sua terra, falaram da reserva de cabras, no cimo da aldeia, constaram que as suas ruas, o empedrado típico, não são boas para grandes saltos, como por lá veem tanta vez, e são difíceis de limpar mas a câmara faz um bom trabalho, gabaram-se do multibanco mais próximo estar a 40 km e a 1 hora de viagem de carro, os netos adoram a sua aldeia e correm livres por estas ruas “Aqui não há perigo! Se fosse ali no centro já não podia ser! Tem muita gente e movimento!”, o centro está a 4 ruas de distância e a 3 minutos a pé, perspetivas e ordens de grandeza! Ao partilhar que vinhamos de Foz d´Égua exclamam “UIIII, fizeram uma boa caminhada, ainda por cima com crianças. Vale bem a pena, é bem bonito! Agora, ainda vos espera outro tanto até lá acima ao nosso Inatel, que põe qualquer Pousada de Portugal a um canto!”. Felizmente, apesar de, pela manhã, termos equacionado essa hipótese, optámos por deixar o carro à entrada da aldeia, e com um “Até qualquer dia! Felicidades!” nos despedimos. Depois de quase uma dezena de quilómetros palmilhados, fomos dar um bem merecido mergulho na piscina do tal Inatel, que ao que dizem, e é bem capaz de ser verdade, põe qualquer pousada a um canto, e repousar pois no dia seguinte rumámos ao Parque Natural da Serra da Estrela!

Estufa Fria

No coração de Lisboa, reside um pequeno oásis surpreendente, muito agradável, repleto de lagos e vegetação exuberante e variadíssima, onde reina a paz e o silêncio, onde o tempo passa devagar, perturbado apenas pelo grasnar dos patos e o som da água. Uma ótima sugestão para um passeio de domingo ou feriado de manhã, onde a entrada é gratuita até às 14h00 :). À entrada, para os mais pequenos, e não só, não esquecer de levar um botão sabichão (um quantos queres), cheio de perguntas, e respostas, sobre a Estufa Fria; uma boa forma de aprender um pouco da história do local.
Chama-se Estufa Fria porque não dispõe de sistemas de aquecimento, o mesmo é garantido pelos materiais utilizados na sua construção. O espaço é, na realidade, constituído por 3 estufas: a Estufa Fria, coberta de ripas de madeira para proteger as plantas do frio e do calor extremo, a Estufa Quente (onde se encontram as plantas mais exóticas) e a Estufa Doce (onde se encontram os catos, é a mais pequena das 3 estufas), ambas com cobertura de vidro para garantir temperaturas mais elevadas.
Na viragem do século XIX , o complexo onde se situa a Estufa Fria era, inicialmente, uma pedreira onde se extraía basalto mas a existência de uma nascente de água, no local, comprometia a extração da pedra. A cova da pedreira é assim aproveitada por um jardineiro para albergar, espécies vegetais de todo o mundo com o objetivo de arborizar a Avenida da Liberdade. A 1ª Guerra Mundial, atrasa estes planos e as plantas ganham raízes, dando origem a um bonito e recatado jardim que encanta várias personalidades, e é assim que surge a ideia e da criação da Estufa Fria. Curiosamente, as pedras originais da pedreira que foram utilizadas nas cascatas, pequenos lagos e escadarias que ornamentam a Estufa Fria.
Vale a pena visitar e desfrutar calmamente deste bonito espaço verde.