Danças Ocultas&Orquestra Filarmonia das Beiras

Numa triste, chuvosa, e fria noite de outono, agasalhados até aos dentes, tinham-nos avisados de antemão que o ar condicionado da sala estava avariado, fomos ouvi-los, numa sala muitíssimo longe de ter lotação esgotada, apesar do espetáculo ser gratuito e de os “artistas” terem, recentemente, esgotado o CCB e a Casa da Música.
Foi sublime, são simplesmente fantásticos!
Quem perdeu? Quem escolheu ficar em casa! Não consigo perceber se é falta de informação, interesse, vontade ou se as pessoas, simplesmente, não querem mesmo saber! É triste porque os artistas mereciam uma plateia muito mais composta, em número!

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Centro de Ciência Viva de Constância e outros passeios na zona centro

Num ponto alto, à saída da vila de Constância, podemos encontrar o seu Centro de Ciência Viva.
Tem um pequeno planetário, com uma sessão muito interessante e adequada aos mais pequeno (foi aqui que pequeno do meio fez as pazes com o planetário)  em termos de linguagem e interesse.
Há também um “hangar de voo” onde é feita uma pequena resenha histórica sobre a vontade do homem de voar, as várias tentativas e técnicas e algumas experiências simples sobre os factores que influenciam o voo onde mesmo ao nosso lado podemos ver um avião t-33 cedido pela Força Área Portuguesa, onde se pode subir para observar o cockpit e mexer no seu “volante” e aprender a funcionalidade dos flaps, o que fez as delícias da pequenada. Depois podemos ainda entrar no estúdio onde foi realizado um dos filme sobre as instruções de segurança, para os passageiros, da TAP, em que os protagonistas eram crianças. E a cereja no topo do bolo, experimentar a sensação que os astronautas têm no espaço, num aparelho semelhante aquele em que os astronautas treinam antes de ir para o espaço que deixa a pequenada em êxtase.
No espaço exterior, podemos encontrar uma réplica do nosso sistema solar feita à escala, um relógio solar, um globo terrestre com 2m de diâmetro entre outras coisas.  Têm também vários observatórios onde todos os sábados à noite se podem observar os astros a partir das 20h30 mas não esquecer de ir bem agasalhado, a zona é muito ventosa e fria. Tudo isto acompanhados por uns guias experientes, simpáticos e cheios de vontade de partilhar o seu conhecimento e esclarecer as dúvidas dos mais pequenos (e dos maiores também).
Passámos lá numa bela manhã de verão com a pequenada, no final da visita a pedir “Podemos voltar amanhã, podemos, podemos?”, não há melhor recomendação para uma visita do que esta.

A bonita vila de Constância, onde o rio Zêzere se junta ao rio Tejo, também conhecida como a vila poema por ter sido um local de eleição para alguns poetas de renome nacional e onde terá vivido, durante algum tempo, o poeta mais famoso do reino, Luís de Camões, só por si merece uma visita. Vale a pena passear junto ao Tejo e ao Zêzere e nas estreitas ruas da vila, deliciar-se com um piteú ribatejano ou açoreano no Remédio D´Alma, visitar o jardim horto camoniano e o fantástico Parque Ambiental de Santa Margarida e o seu Borbeletário tropical, para os mais aventureiros, há os desportos naúticos como a descida do Zêzere. A uma dezena de quilómetro, no meio do Tejo prantado, o bonito Castelo de Almourol e um pouco mais à frente o  Parque de Esculturas ao Ar Livre da Barquinha e o Centro de Ciência Viva da Barquinha e o Museu do Ferroviário que também merecem um visita.
Depois temos a cidade de Abrantes com o seu castelo altaneiro, que tem uma vista de fazer inveja a muitos, e o seu bonito jardim, as suas ruas estreitas adornadas com as obras do 180 Creative Camp, o bonito Parque de São Lourenco e os doces tradicionais: a bela palha de Abrantes e as verdadeiras tigeladas e ainda a cidade de Tomar com o afamado Convento de Cristo, o Parque do Mouchão a Mata dos Sete Montes e as suas doces fatias. O que não faltam são razões para visitar a bonita região centro, e estamos apenas a falar de um raio de 15 a 20 km de Constância, caso contrário haveria muito mais… Venham mas venham com tempo porque há muito para explorar e deslumbrar!

Wonderland

Tem uma pista de gelo enorme e ecológica mas que tem uma fila interminável de gente, desistimos logo à chegada. Tem dois carrosséis que segundo a pequenada “São giros mas isso é para bebés!”, a aldeia do Natal segundo eles “É assim fraquinha!”, tem um street food que lhes agradou com muitas possibilidade de escolha: telepiza, burguer ranch, cachorros quentes, pregos, crepes, tripas de aveiro, pipocas e algodão doce. As barraquinhas de artesanato não dizem muito à pequenada mas têm coisas engraçadas e típicas deste género de mercados de Natal. O que lhes encheu o olho e as medidas foi mesmo a roda gigante. Depois da barriguinha alimentada, com o nariz tipo rena Rodolfo, estava um frio de rachar, lá fomos dar uma volta na roda gigante (2,5€ por pessoa e a volta demora cerca de 3 minutos), a fila era grande mas despacha rápido, esperámos cerca de 15 minutos. Adoraram embora pimpolha mais pequena se tenha assustado um bocado “Isto abana muito” e lá no cima com pequeno do meio a fazer a coisa baloiçar de propósito para a atormentar, a rapariga ressentiu-se mas cá em baixo, já com os pés bem assentes no chão conclui “Foi bem fixe!”
Não sendo nada de especial e tendo muita gente, vale a pena dar lá um saltinho com a pequenada, eles gostam sempre!

 

Exposição do Escher

Declaração de intereses – Sou suspeita para falar pois há muito que sou fã da obra do Escher, utilizo-a e dou-a a experimentar, aos meus alunos, as suas pavimentações, para que rapidamente descobram que é difícil reproduzir e imitá-lo, mesmo conhecendo a sua técnica; só alguém com um enorme talento, criatividade, visualização do espaço e imaginação poderia alguma vez ter produzido tamanha beleza, unindo,indiscutível e elegantemente, a matemática e a arte.
Tendo visitado o seu museu em Haia, achei que a exposição sobre a sua vida em obra que estará no Museu da Arte Popular, em Lisboa, até finais de maio de 2108, não acrescentaria muito ao que por lá tinha visto e fui aprendendo ao longo dos anos, enganei-me redondamente. É sempre bom sentir e observar as obras de Escher, há sempre um pormenor, ou vários que nos escaparam, mas o principal motivo da visita à exposição era, especialmente, dá-lo a conhecer melhor à pequenada da casa, que também já tinha visto algumas coisas dele, motivados pelos trabalhos dos meus alunos que viram.
Com expectativas elevadas e ânimos leve, numa tarde bastante fria de dezembro, rumámos à exposição do Escher.
Trinta minutos na fila para comprar o bilhete e poder entrar, a exposição estava superlotada, e depois foi o admirável mundo novo, andámos por lá mais de duas horas, acompanhados de audioguias (incluídos no preço mas não esquecer de pedir no balcão ao lado da bilheteira). Primeiramente, deixámos a pequenada andar à vontade e eles entretiveram-se sozinhos a observar e a ouvir as explicações dadas pelo audioguia, fazendo as experiência que foram aparecendo, vibraram.  Depois, numa segunda abordagem, explorámos em conjunto as litografias mais importantes, chamando a atenção para determinados detalhes e transformações e explicamos-lhes os “resultados” e a sua razão das experiências realizados, entrámos na sala dos espelos e vimo-nos até ao infinito, uma canseira de nós, portanto… Os miúdos vibraram e ficaram verdadeiramente surpreendidos com a Exposição do Escher. Não deixem de visitar porque vale muitooooo a pena mas como comecei por dizer: eu sou suspeita na matéria.

Para aguçar a curiosidade e a vontade de visitá-la ao vivo, aqui fica um pequeno registo fotográfico e não só.

Escher no início da carreira

Imagens do 1º livro – ilustrações de alguns ditados holandeses

O seu fascínio por Itália, destino que visitou e com amigos, e onde viveu durante uns tempos com a mulher, primeiro em Roma, onde se dedicou a observar e desenhar os monumentos à noite. Mais tarde, o sul de Itália e as suas paisagens retém grande parte do seu interesse

A música de Bach e obra de Escher

De visita a Espanha, encantou-se com os azulejos cheios de padrões do Allambra e da Catedral de Córdova. A partir daí começa a dedicar muito do seu tempos ao estudo da divisão do plano e às suas famosas pavimentação, repletas de “objetos da natureza”

Reflexões e simetrias

Metamorfose: uma das suas maiores litografias e a mais famosa (Foi a única litografia, das mais famosas a que tirámos fotografia pois nas restantes de tão embrenhados que estávamos nem nos lembrámos mas estão lá todas expostas: Belvedere, Dia e a noite,…)

As experiências interativas

O IKEA tem espírito: publicidade a movéis e cadeira inspirada nos objetos impossíveis de Escher; para alguns a montagens dos movéis do IKEA são mesmo impossíveis.

O Escher e as capas de discos de vinil.
Em 1969, Escher recusou fazer a capa do disco dos Rolling Stones, alegando falta de tempo, apesar de já ter feito várias capas para outros artistas e bandas de renome. Dizem as más línguas que Escher não apreciou a forma familiar e bajuladora como Mick Jagger se lhe dirigiu, “Caro Mauritius”, na carta que continha o pedido dos Rolling Stones. Solicitou ao seu agente para recusar o pedido, pedindo-lhe que transmitisse que, para eles, ele não era “Mauritius” mas sim “M.C. Escher”. O respeitinho é bom e o Escher apreciava-o ao que parece!

O Escher nos filmes, nas bandas desenhadas e na mítica série dos Simpson

Escher sob outra luz

Escher na música

Nas proximidades: um bonito por de sol

Espaço Dòing

Dòing é o nome da Oficina Aumentada que podemos encontrar em alguns Centros de Ciência Viva (o 1º sítio onde vimos foi no Expolab e depois no Pavilhão do Conhecimento) que, rapidamente, se tornou num espaço de eleição para a pequenada da casa.Não é uma exposição, é um espaço DIY (do it yourself), é um espaço criativo e experimental onde a ideia é criar algo que funcione.
Há para todos os gostos: construir circuitos elétricos que acendem luzes, rodam motores, acionam campainhas; construir objetos que voem num túnel de vento, numa parede vertical construir com tubos, funis, colher de pau, molas, pauzinhos, um caminho para o berlinde chegar ao chão, construir aviões de papel aerodinâmico, construir acessórios com sacos de plásticos, construir uma máquina de fazer rabisco são apenas algumas das coisas que se podem por lá encontrar.
“Isto é tudo muito difícil, não consigo fazer nada!” disse, muito aborrecida, pimpolha mais pequena, ao fim de 10 minutos, na nossa 1ª incursão num espaço Dòing, ao ver os manos superentusiasmados cada um com o seu projeto mirabolante em curso. Da experiementação, à descoberta e à criação: o processo nem sempre é simples nem linear, apresenta muitas vezes constrangimentos e complicações, é preciso não desistir, ajustar, tentar de novo e voltar a falhar e quando, finalmente, se consegue, é uma verdadeira vitória, celebrada aos pulos e aos gritos, foi esta a lição que pimpolha mais pequena aprendeu naquele dia e todos os que navegam pelo mundo das ciências sentem ou sentiram a sua dificuldade em determinados momentos, faz parte do processo. Escusado será dizer que tivemos que arrancá-los, literalmente, do espaço Dòing, para conseguirmos ver o que nos faltava do Expolab!
Passem por lá, experimentem e não desistam à primeira, faz parte do processo de criação e do método científico! Seguem-se algumas fotografias do Espaço Dòing no Expolab, as do Pavilhão do Conhecimento podem ver aqui

Angry Birds no Pavilhão do Conhecimento

A nova exposição dos Angry Birds, no Pavilhão do Conehcimento, foi, talvez, uma das atividades que a pequenada mais apreciou nos últimos tempos, de 1 a 10, os três deram dez, já os adultos acharam engraçado mas esperavam mais (gente exigente esta, pensando talvez na física envolvida: direções, trajetórias, forças, etc.). Com a emoção e a atividade nem houve tempo para tirar grandes fotografias.
Fica a sugestão para uma tarde fria e chuvosa (venha ela e rapidamente que bem precisamos), os pequenos estão desertos de voltar e como temos o cartão Circuitos Ciência Viva , desconfio que em breve, não nos escaparemos lá estaremos.

Attero de Bordallo II

Uma exposição que vale a pena a visitar, para todos e por todos, desperta a curiosidade dos mais pequenos e a consciência dos mais velhos, e com ela a transmissão e a chamada de atenção do papel que escolhemos ter na mudança, que passará indiscutivelmente pelas gerações mais novas.
É simplesmente magnífica e espetacular em vários aspectos apesar do tempo de espera, dada a enorme afluência. É gratuita e esta patente numa espécie de edíficio devoluto da CML, que o artista transformou em estúdio para compor as obras de arte expostas. Pode ser visitada até dia 3 de dezembro de 4ª a domingo das 14h00 às 20h00, na Rua de Xabregas nº49, pertinho, pertinho do Teatro Ibérico e da Marítima de Xabregas.
Para abrir o apetite logo ali na esquina da Rua da Manutenção, encontramos uma enorme e colorido sapo da autoria de Bordallo II. Antes de entrarmos no edifício, onde decorre a exposição, somos saudados por um enorme e simpático macaco dependurado, e, enquanto se aguarda a vez de entrar, fica a sugestão para o observar com atenção e perceber de que materiais é feito e começar logo ali uma viagem surpreendente. Na Avenida 24 de julho, diz que há uma cativante e amistosa raposa também de Bordallo II.

Toda a tónica da exposição é colocada na enorme quantidade de lixo urbano produzida por todos nós, a matéria prima de todas as suas obras, os perigos que elas representam para o planeta e o papel importante da reciclagem e da necessidade urgente de mudança da nossa parte face a esta realidade inegável.
Numa 1ª sala, temos aquilo que o artista chama de realidade invertida, uma troca de papéis, uma sátira , ou verdadeira crítica, social para que nos possamos colocar no papel do nosso planeta doente, da natureza, dos animais e Homem morto vivo, tudo representado recorrendo a restos de madeira, cerâmica, circuitos integrados, telemóveis, etc. Muito interessante, vale a pena observar os pormenores com atenção, meditar um pouco sobre o seu significado, lendo o título sugestivo e elucidativo que deu a cada uma das obras.

Na 2ª sala, temos uma sala repleta de animais fofinhos todos feitos essencialmente à base de metais e objetos do nosso dia a dia (calculadores, telemóveis, circuitos elétricos, espanadores, escovas, sapatos e sei lá que mais), mais uma vez fica a dica de observar os títulos das obras. A minha preferida a “A cabra calculista”.

A 3ª sala, começa com animais fofinhos em que uma das suas metade é feita com plásticos (brinquedos, funis, etc) e outra com metais. Um efeito curioso e colorido na parte plástica e um mais parecido com a imagem que temos do animal na metade de metal. Esta conceção despertou a curiosidade da pequenada, talvez pelo facto de verem lá alguns dos seus brinquedos: uma mão do mickey, uma pá da praia, entre outros. Termina com animais feitos total com resíduos plásticos, dá uma ar espalhafatoso, colorido e pouco feroz aos animais retratados.

Na 4ª sala, começamos por ver dois vídeos de uma caveira e uma tartaruga a flutuar no mar feitos de lixo plástico recolhido junto à costa de Lisboa por Bordallo II e depois devolvidos ao mar nesta nova forma procurando chamar a atenção dos frequentadores do local e alertar a sua consciência.  Um espaço correspondente ao seu estúdio de trabalho repleto de “lixo” e um quadro que retrata o mesmo. Para finalizar, um enorme e colorido rinocerante  feito de resíduos plásticos.

De seguida, passamos num corredor que retratada o fundo do mar, com a particularidade de que todo ele é feito com resíduos plásticos.

E a mensagem final, bofetada de luva branca, igualmente potente e letal, desta vez sem animais fofinhos apenas com o Homem e o seu papel, ou falta dele, na preservação da Mãe Terra nas suas várias vertentes.

Um espanto, um verdadeiro lavar e abrir de olhos regado com muita criatividade e sentido crítico, caracterísitcas de todos os grandes artistas.
Recomendamos vivamente!

Bojardas

Depois de um passeio pelo bonito jardim da Gulbenkian, de contemplarmos o extraordinário painel Começar, de Almada Negreiros e de nos deliciarmos, e refrescarmos, com os deliciosos gelados da IceGourmet (junto ao Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Teles), perdemos a conta ao tempo mas o Luís Caramelo, com seu acordeão, entre histórias e rimas, conduziu-nos até à hora do conto, num belo cantinho do jardim.
Uma ambiente verde, calmo onde se ouviam os passarinhos, as almofadas coloridas e cubos vermelhos cobriam o chão e o poder da voz e da arte de saber contar de António Fontinha e Luís Caramelo transportavam-nos para outro tempo, aquele em que os animais ainda falavam.
Ploc… Qualquer coisa cai sobre o colorido das almofadas, ploc, e depois outra e ploc, mais outra, ploc… De repente, estamos todos a olhar para cima, contadores e plateia, procurando descobrir de onde provinha a “chuva”, e damos por nós a contemplar a dezena de pombos, certamente, encantado e enfeitiçados, pela história e nos deram a honra da sua presença, colocando-se, literalmente, à vontade, não se inibindo de soltar valentes bojardas sobre a malta.
O conto prosseguiu, os bombardeamento também, muitas trocas de lugar, muitas toalhitas para limpar a pontaria certeira de alguns bicharocos mas ninguém desistiu e olhem que a coisa estava crítica, o que só demonstra o poder dos bons contadores de histórias, cativam-nos, deixando-nos suspensos nas suas palavras e expressões, mesmo sob as condições mais adversas, mesmo quando estamos sobre ataque cerrado ou já fomos atingidos.
Com eles aprendemos 2 adivinhas engraçadas que não conhecíamos:

“Uma casa tem 12 damas. Cada uma com quatro quartos. Todas elas usam meias mas nenhum tem sapatos? Quem sou eu?”

A outra já não nos lembramos bem, só da resposta, andamos a ver se entre os 5 a conseguimos parafrasear. Quando conseguirmos coloco-a aqui.
E uma que pimpolha mais pequena conhecia e foi a única a responder, deixando tudo e todos meio perplexos… tinha aprendido com o avô!!

“Verde foi meu nascimento, e de luto me vesti, para dar luz ao mundo, mil tormentos padeci? Quem sou eu?”

 

Exposição do Miró e outros passeios

Fomos visitar a exposição dos famosos 85 quadros de Miró patente no Palácio da Ajuda. Os tais quadros da coleção do BPN que ninguém sabia que existiam a não ser quando a coisa colapsou, e é só a maior coleção privada de quadros do artista, os tais que estiveram para ser vendidos, só que não. Miró, talvez seja a única boa herança/lembrança que o BPN nos deixou.
Aprecio a “simplicidade e limpeza” do quadros de Miró, sempre gostei, temos algumas réplicas nas paredes cá de casa. Curiosamente, a primeira observação de pimpolha do meio ao contemplar os primeiros quadros desta exposição foi “Hummm…acho que também conseguia fazer um destes!”, exatamente, o que muito pensarão, pensei, dizendo-lhe “É uma questão de tentares! O que às vezes nos parece simples, não é assim tão simples como aparenta. Como a sua maestria e sucesso, ainda nem conseguiu”, a rapariga observou com mais atenção e concluiu “És capaz de ter razão!”.
Fomos deambulando, calmamente, pela sala e a pequenada foi imaginado o que via nos quadros, arrancando uns sorrisos e gargalhadas, a alguns visitantes nas proximidades, com as suas interpretações. Descobri que o Miró tem 1 ou 2 quadros que se assemelham às dos teste de Rorschach, esse meu antigo trauma, e que pequenada é tão boa, provavelmente, melhor que eu a ver lá cenas e coisas e bichos, ao observá-los, tão entretidos e envolvidos na sua imaginação, ri-me interiormente.
Gostámos muito da exposição, divertimo-nos e parvejámos, que também faz falta, e o espaço é agradável e dá para estar à vontade mesmo com pequenos.

De seguida, descemos a Calçada da Ajuda, até ao Palácio de Belém, onde visitámos o Museu da Presidência da República e os jardins do Palácio de Belém (era dia 5 de outubro, por isso estava aberto ao público). Impressionante a galeria de retratos dos nossos presidentes, chama a atenção a de Ramalho Eanes pois parece mais uma fotografia do que uma pintura, pequeno do meio observou com atenção, fez uns cálculos, aos espaços livres e aos anos, e informou-nos “O meu retrato vai ficar ali, por cima do do Marcelo ou do Cavaco. Ainda vai demorar uns tempos porque antes ainda quero ser youtuber! Não se preocupem que eu depois convido-vos para virem cá jantar comigo.” E é isto, aguardemos, portanto…! Os jardins do palácio são bonitos mas, essencialmente, é curioso pisar o local que tantas vezes vemos na televisão, sempre repleto de gente ilustre.

 

Depois rumámos aos famosos pasteis de Belém, para desistirmos logo à chegada, salas cheias de gente à espera, e a fila do take away quase que dobrava a esquina, o preço e o tempo de espera a pagar pelo turismo em massa e de massas! Junto aos pasteis de Belém deambulámos por uma travessa bem catita e ficámos a saber que em Belém também há pasteis de cerveja, não houve tempo para provar, pois já se fazia tarde e havia que pôr os pés ao caminho, a subida da Calçada da Ajuda aguardava-nos e a pequenada todo o tempo reclamou, não há bela sem senão!

Um outro lado de São Miguel

Rabo de Peixe não consta nos roteiros mais turísticos de São Miguel mas vale a pena uma visita. Situada sobre uma escarpa, encontra-se sempre gente junto ao paredão conversando ou passando o tempo, nas escadas da igreja, gente sentada em amena cavaqueira, os cafés são à moda antiga, crianças brincam livremente na rua, uma terra grande, com bastantes infraestruturas, mas que poucos diriam que tem cerca de 10 000 habitantes.
Junto ao Porto de Pesca, vislumbram-se as casas coloridas, grupos de jovens conversando e ouvindo música, sentados no chão, os mais novos mergulhando do cais para o mar, fazendo praia a Açores, numa espécie de lota, vários moços amanhando e lavando peixe e colocando nas camionetas. Nas paredes das casas, pode-se admirar a street art que tem colorido, de uns anos para cá, as paredes da ilha, do VHILS, encontramos as caras de alguns pescadores residentes mas muitas outras se podem ver por lá, lembrando o que foi feito em Loures, na Quinta do Mocho ou, em Lisboa, no Bairro Padre Cruz.
Sim, sente-se no ar, e vive-se o ambiente de bairro social, talvez por não estarem habituados a visitas de turistas, olham-nos um pouco estupefacto, desconfiados, não interagindo mas falando entre si com um sotaque acentuado numa linguagem crua, para logo prosseguirem com a sua labuta. É coisa para deixar alguns turistas um pouco relutantes em continuar a sua exploração mas vale a pena não desistir.
Uma população, essencialmente, jovem onde continua a haver muito desemprego, alcoolismo, drogas, etc, tudo aquilo que carecteriza um meio socioeconómico desfavorecido. Vivem, essencialmente da pesca, sujeitos aos arrufos da mãe natureza e do mar, e dos donos das embarcações, não é vida fácil.
Vale a pensa conhecer Rabo de Peixe, descer ao Porto e perceber que nem tudo na ilha é verde, florido, com casas bonitas e pastos repletos de vacas felizes e gente contente com a sua vidinha. A pobreza não oculta a beleza do local, de uma gente e terra que parece  querer desafiar as leis da natureza, sujeito aos humores dos Neptunos e Adamastores desses mares e da vida e/ou não desiste de tentar.

Sandro G. foi o primeiro rapper açoriano, trouxe um novo sotaque para o rapp, é uma referência em Rabo de Peixe e nos Açores, talvez porque para muitos colocou Rabo de Peixe e as ilhas no mapa e nas bocas do mundo, no início do milénio. Em 2003, foi ao Herman e a tudo o que era programa do género, ficou “famoso” mas pouco ganhou com isso, nas palavras de Sandro G., transformaram Rabo de Peixe e a si próprio numa anedota/brincadeira quando com a sua música “Eu não vou chorar”, pretendia alertar para os problemas existentes em Rabo de Peixe, acabou por ficar conhecido pela música da “galinha”. O mundo do VIPS e das editoras é muito isto, fogo de vista, o importante não é comercial logo não interessa.
A letra da sua música “Não vou chorar” traduzia e traduz muito bem as vivências e o sentir das gentes Rabo de Peixe, então como agora.

Férias em São Miguel para nós é isto!

Quinze anos depois, voltámos! Acompanhou-nos o mesmo trolley, que na altura era um tipo mala do sport billy , que ao abrir arrancou gargalhadas surpreendidas a todos aqueles com que nos cruzámos naquela aventura, ao vislumbrarem o seu conteúdo: colchão de ar, a bomba, a tenda, fogão, tachos e afins, mas desta vez levávamos um tipo de bagagem diferente (para além dos anos e da experiência), “frágil”, no sentido que é necessário ter cuidado no lidar “manusear” e peculiar- os 3 pequenos. Ao contrário de nós, eles não sabiam bem ao que iam nem o que esperar, estavam apreensivos porque nas suas palavras “O Algarve é tão fixe porque é que temos que ir para outro lado?”.
Regressámos para uma aventura não a 2 mas a 5, não para fazer um périplo de 3 semanas pelo arquipélago mas para nos concentrarmos, 2 semanas, nas belezas e encantos apenas de uma das suas belas ilhas, São Miguel, não para acampar mas para desfrutar de uma casa típica, com vista para o mar e para as pastagens repletas de vaquinhas, com cavalos, coelhinhos, cães, uma casa na árvore, acordar de manhã e dar um passeio na quinta de cavalo, apreciando a simpatia e hospitalidade dos nossos excelentes anfitriões e dos açorianos, as suas iguarias, a sua pronúncia difícil de descortinar à chegada e tão natural/familiar quando partimos, a forma com que se dirigem a nós com um senhor ou senhora, naquele seu sotaque tão característico e bastante acentuado, guiados pela sabedoria de quem por lá acampou e sabe que nos Açores, não se deixam toalhas no estendal à noite, nem durante o dia, se não estivermos por perto, conhece o cheiro típico das casas e sabe que secar roupa pode ser uma tarefa extremamente complicada mas que um desumidificador resolve na perfeição e de quem já sabe se se vêm nuvens para o lado das Sete Cidades ou da Lagoa do Fogo, não vale a pena subir lá acima porque vai estar tudo nublado e é um perda de tempo, os planos não se fazem de antemão, vão-se fazendo, porque o tempo é sempre uma surpresa e é a chave principal para verdadeiramente desfrutar dos encantos do Açores, em grande, e sem stress.
Mais do que “picar o ponto” numa lista de pontos de interesse a visitar, em tempo contra relógio para não perder nada ou para ter aquela fotografia linda, maravilhosa, igual à que toda a gente tem, é subir às Sete Cidades pelos caminhos dos pastores e deslumbrar-se com as paisagens, é olhar em redor e ver mar em todas as direções e ter plena noção que se está numa ilha, é observar as rotinas das vaquinhas e dos seus donos nas suas carrinhas de caixa aberta com os depósitos de leite e vê-los ao final do dia a deixar o seu leite nos postos de recolha, é constatar que aquelas vacas devem ser mesmo felizes, com diz a música do anúncio que a pequenada cantou durante todas as férias, é ir às Furnas e beber água de todas as fontes quentes, frias, ferrosas, azedas, com gás e sem gás, e fazer na maioria delas “Bahhh”, é passear e jogar às escondidas no bonito jardim das quenturas, enquanto se saboreia o verdadeiro pão levedo, é molhar os pés na “fervente” poça da tia Silvina para de seguida os mergulhar no rio fresquinho que passa mesmo ali ao lado, é ir ao Observatório Microbiano do Açores e ficar a conhecer melhor os fenómenos que nos rodeiam e experimentar a sua maravilhosa cafetaria termal com água recolhida, à nossa frente, nas várias fontes (a limonada, o chocolate quente e o chá de mel e canela são ótimos), mais do que comer o cozido das Furnas ou as maçarocas de milho, é observar e contemplar o poder, o cheiro e a força da natureza em todo o seu esplendor, é passear junto à Lagoa das Furnas, na margem oposta às fumarolas, apreciar o silêncio, a quietude das águas, as várias esculturas de madeiras por lá dispersas, a igreja gótica e os seus bonitos vitrais, é visitar o Centro de Monotorização e de Investigação das Furnas, é matar saudades de ser criança e andar nos vários baloiços, para miúdos e graúdos, inebriados e embalados pelo ritmo e vista fabulosa, é subir às Sete Cidades, e a caminho passear na Lagoa das Empadadas, na Lagoa Raza e subir ao miradouro, descer à Lagoa do Canário e subir à Grota do Inferno, no miradouro das Sete Cidades aventurar-se a descobrir o hotel abandonado de onde a vista é fantástica, é descer às Sete Cidades, ladeado de hortenses, e parar para observar a Lagoa de Santiago, é nadar ou andar de canoa na Lagoa das Sete Cidades ou simplesmente estender a toalha e contemplar a paz, a beleza e a imensidão do local, é andar na estrada e exclamar “Olha ali mais um vulcão!” a cada dois minutos, é embrenhar-se nas suas florestas, cobertas de musgo, e descobrir lagoas, cascatas e sítios lindos de morrer, é, num miradouro, à chegada ter uma vista deslumbrante e passado cinco minutos não ver um palmo à frente do nariz, é não ligar à chuva miudinha que teima em cair e nos molha o corpo e lava a alma e que seca num instantinho, é depois de um excelente dia de sol, calor, praia e mar, cair uma carga de água torrencial fazendo lembrar uma autêntica noite de inverno, é fazer muitos piqueniques com vistas fabulosas e em locais arrebatadores, é beber kima maracujá, laranjada e comer lapas grelhadas, é conhecer uma plantação de ananás, é jogar à apanhada nas plantações de chá da Gorreana enquanto a chuva cai e saborear, no final, o seu chá quentinho, é visitar o Nordeste da ilha e perceber que os locais têm toda a razão quando dizem, com orgulho, “Aqui a ilha é outra”, com as suas escarpas imponentes e bonitos miradouros, é enterrar os pés na areia preta, colocar os óculo de mergulho e seguir os peixinhos, é tomar banho, também com os peixinhos, nas suas piscinas naturais, é apreciar a beleza das grandes e arejadas praias da costa Sul, é deslumbrar-se com a beleza da praia do Mosteiros, é mergulhar na Caloura, o sítio onde o m2 é mais caro em São Miguel, é tomar um espetacular banho de mar “quente” na Ponta da Ferraria, é estar no cenário paradisíaco da Cascata da Caldeira Velha, não fosse o montão de gente que por lá circula, e constatar que a água é fria que doí, vá 22ºC, e descer à pequena piscina, também ela a abarrotar de gente, mas que se encontra perto da nascente, molhar o pé e pensar “Aqui sim, está-se bem” – 38º enquanto nos deslumbramos com a vegetação que nos envolve!, é descer à Lagoa do Fogo e dizer “UAUUUU!” muitas vezes, é fazer o percurso até à bonita e verdinha Lagoa do Congro, onde se ouvem apenas o pássaros e saltos dos peixes, e terminar o dia nas Caldeiras da Ribeira Grande, numa pequena piscina, só para nós,a 38ºC e que tem uma zona de refrigeração maravilhosa, é fazer o percurso pedestre no maravilhoso e exótico Parque Terra Nostra e no fim banhar-se nas águas quentes (30º) da sua famosa piscina, sentir o corpo a relaxar, colocar o corpo mesmo junto ao sítio onde a água brota, pensando “habituava-me a esta vida”, e depois ir ao pequeno “jacuzzi”, que poucos conhecem e/ou utilizam e pensar enquanto nos banhamos, a 38º, “Isto é que é vida!”, é ir à Poça da Beija, e para além de um banho de gente, é relaxar nas suas pequenas piscinas de água quentinha, quentinha, no final de um longo dia de passeio, enquanto a chuva cai, é subir aos postos de vigia das baleias e deleitar-se com a vista, é descer aos portos de pesca e confraternizar com os nativos e observar aquilo que chamamos fazer praia à Açores e a arte da sua pesca, é ir à Quinta dos Açores comer um belo de um hamburguer, com carne da ilha, rodeado de nativos, e terminar, desgraçando-se com os seus fabulosos e muito bem servidos gelado com sabores das ilhas (chocolate com queijo da ilha, queijada de Vila Franca, etc) e perceber que o McDonald´s só lá existe por causa dos estrangeiros,  é consultar o site SpotAzores antes de ir a qualquer lado, estudar as câmaras e decidir o percurso a seguir, é instalar a app da Ponta da Ferraria para saber entre que horas se pode usufruir de um belo banho de mar quente, é ir ao ilhéu de Vila Franca quando a maré está a começar a encher e ver mais um bocadinho de paraíso e muitos, muitos peixinhos, é ir ao Observatório Vulcanológico dos Açores perceber como tudo começou e se desenvolveu, é ir à Gruta de Carvão e ver os túneis de lava, é passar um bela tarde no Expolab, é adquirir o passaporte dos geoparque dos Açores e carimbá-lo nos geosítios, é aprender o que é uma fajã e a reconhecê-las, é passear em Ponta Delgada ir às Portas do Mar e ver as pinturas deixadas pelos navegantes e apreciar a street art, é ficar encantado com a Ribeira Grande, é… e podia continuar quase eternamente. É ter tempo para voltar aos lugares que mais gostámos muitas vezes, é fazer 1000 km e gastar 50€ de gasóleo!
É, essencialmente, apreciar com calma e tempo, o viver, o sentir das suas gentes, os cheiros, as cores, as paisagens de cortar a respiração, do pulsar da natureza, das águas límpidas do oceano ou as águas quentes e ferrosas provenientes das entranhas da terra, fazendo usufruto do tempo, é aproveitar os dias de sol para a praia, os cinzentos para as águas quentes, apreciando o melhor dos dois mundos. É chegar ao continente, e pimpolha mais velha olhar para o céu e exclamar “Ah, o nosso sol!”, é numa viagem na A1 achar que havia algo de estranho e só depois perceber que nos faltava o verde dos Açores, é  chegar falando açoriano, com gosto, é sentir saudades de comer pão levedo ao pequeno almoço, é pimpolha mais velha dizer, 1 dia depois do nosso regresso “Tenho tantas saudades dos Açores!”. Também eu, também eu…

Passeio por Mafra

Aproveitando a gratuitidade de alguns monumentos aos domingos até às 14h00, fomos revisitar o grandioso Palácio de Mafra. Junto ao palácio encontra-se o posto de turismo e Centro de Interpretação das Linhas de Torres, foi por aqui que começámos a nossa visita, numa sala pequena mas com muitas informações sobre o papel de Mafra durante as Invasões Francesas. De seguida, no claustro do palácio encontrámos uma mostra de aves de rapina que fez as delícias da pequenada e uma exposição de  pinturas devido à comemoração do tricentenário da colocação da 1ª pedra na Basílica do Palácio. A enfermaria, a sala dos veados, os enormes corredores e bonita e esplendorosa biblioteca são alguns dos locais que mais gostámos. A pequeno do meio não escapou a confirmação de que na biblioteca existem morcegos para evitar que os valiosos livros sejam devorados pelas traças.

Depois da visita ao palácio (cerca de 1 a 1h30), fomos passear no antigo jardim real, o Jardim do Cerco, que é enorme mas está super bem cuidado e é um ótimo sítio para fazer um piquenique (tem um grande parque de merenda e, mesmo em frente, um parque infantil). Quando por lá andámos, estava a decorrer o Festival do Pão (tasquinhas, venda produtos agrícolas e artesanato local, pão e doçaria regional etc.) no Jardim do Cerco, uma chatice, portanto… para a nossa dieta, obviamente :)!!!
Outros sítios giros para visitar com a pequenada na zona: a Tapada de Mafra, que agora tem imensas atividades e uma diversivade de programas e Aldeia – Museu José Franco.

Festival Ibero-Americano de Narração Oral

Cenas que desconhecíamos (entre muitas outras): Lisboa é, em 2017, a Capital Ibero-Americana.
Cenas que sabíamos que tinham acontecido mas ainda não tínhamos vistos: a Biblioteca Palácio das Galveias, depois das remodelações.
Cenas verdadeiramente boas que nos iam escapando da atenção e juntaram o melhor dos dois mundos anteriores e todos os outros mundos que contemplam e cabem dentro de uma história bem contada: o Festival Ibero-Americano de Narração Oral

Contos para todos os públicos: crianças, famílias e adultos, contadores de várias zonas de Portugal, do Brasil, Perú, Uruguai, Espanha, Colúmbia, entre outros; os contos, a forma e a vida que estes ganham pela voz e interpretação de quem os transmite com alma e coração, de uma forma intimista e muito pessoal; os espaços: a sala das crianças, o bonito salão, no 1º andar, onde as vozes melodiosas, cheias de carisma e alma, ditaram os passos que ecoaram e contaram lindas histórias (um outro tipo de valsa, portanto); ao bonito “jardim das estátuas”, cheio de puffs coloridos, que num dia quente, convidavam a desfrutar da sombra, do ambiente descontraído, de convívio e brincadeira, onde há sempre tempo e entusiasmo para escutar mais uma bela história, meio sentado meio deitado na relva, aproveitando a brisa fresca que vai passando.
Simplesmente fantástico! Adorámos e a pequenada perguntava “Podemos ficar para os próximos contos?” e assim, chegados de manhã, fomos ficando, ficando e só abandonámos já a noite se tinha instalado!
Engraçado constatar, como há tantas e boas formas de contar uma história. Narradores e contos: todos eles diferentes mas repletos de entusiasmo, talento, alma, resumindo: Fantabulásticos!!!
Queremos mais para o ano!
Com contos, é espetacular mas sem contos o Palácio das Galveias e o seu jardim são locais que vale a pena visitar e apreciar.

Nos intervalos entre contos, desfrutámos do jardim, dos puffs e da sombra mas também aproveitámos para passear na zona, que se, durante a semana, o trânsito e o estacionamento são caóticos, ao fim de semana é completamente pacífico.
Fomos dar a conhecer, à pequenada, o mítico 1º McDonald´s de Portugal para seu grande contento, 3 happy meal: 3 minions ganhos, a parte da comida é o menos importante, neste caso, ainda bem! Constatámos, nós pais, que onde antes era um balcão repleto de caixas agora existem apenas duas caixas e um enorme balcão de entregas, onde se juntavam as enormes filas de pessoas agora estão 6, ou mais, touchpads gigantes onde cada um encomenda o que quer. Sabores e disposição da sala muito semelhante ao que me recordo dos tempos de faculdade mas, ao contrário de outros McDonald´s, ainda não tem os tablets disponíveis nas mesas para entreter miúdos e graúdos superligados… resumindo: sinais dos tempos!
Fomos desgraçar-nos ao Choupana Caffe, onde grande parte da malta estava numa de brunch (sábados e domingos das 10h00 às 16h00) que tinha muito bom aspeto, sim senhor, mas cujo o preço não justifica… just saying mas isto é só porque provavelmente não domino o conceito nem sou nada in! Um ambiente bem catita com pãozinho variado e do bom, panquecas deliciosas, segundo a pequenada, e tantas outras coisas que só pecam por serem tão boas e um regalo para a vista.

 

Nós, Van Gogh, Alive

Antes de entrarmos na sala, há um painel sobre a vida do pintor, os vários períodos que atravessou e uma explicação do que esperar e de como são retratadas as várias fases da vida de Van Gogh.
Na sala, paredes, teto e parte do chão repletas de imagens projetadas das obras, citações e cartas de Van Gogh, regadas com música da época e adequada aos vários períodos emocionais e de produção do pintor. Em vez de circular pela sala, o ideal é, sem medos nem vergonhas, agarrar um dos vários puffs disponíveis e/ou sentar/deitar no chão, e vivenciar, efetivamente, uma experiência sublime, um assalto aos sentidos, um verdadeiro mergulho na obra, no espírito, na mente e o seu efeito nos quadros, de Van Gogh, acompanhados e embalados pela música e, no nosso caso, por duas bailarinas. A apresentação demora cerca de 30 minutos, talvez um pouco mais, e não tem interrupções (é cíclica) mas o espaço é agradável e apetece ir ficando, observar pormenores que não vimos bem na 1ª visualização e como podemos permanecer na sala o tempo que quisermos é desfrutar, foi o que fizemos!
É sem dúvida uma forma diferente, gira e atrativa, de “conhecer” Van Gogh, só peca por ser tão cara mas vale a pena!!!!
Apesar da pequenada já ter visto alguns dos quadros de Van Gogh ao vivo e a cores e saberem que ele tinha cortado parte de uma orelha, que, em vida, só tinha vendido um quadro – “A Vinha Encarnada” – e que, ironia das ironias, agora os seus quadros são admirados em todos o mundo e valem milhões (uma das suas citações não diz bem isto mas fica implícito), esta foi a forma de o “conhecer” que mais lhes agradou. Pequenada no final comenta “Podemos ir a mais museus como este? Bem louco e deitados no chão!”. Ora “Bem louco” é uma expressão que, neste caso, assenta que nem uma luva ;).

Mais informações aqui e aqui

Nota: a sala é mais pequena, sem colunas e arcos com projeções, ao contrários das constantes no site e no facebook oficial do evento, o que faz com que o efeito não seja tão grandioso como o publicitado.

Passeio na zona da Lourinhã

Primeira paragem, no Vimeiro, uma pequena aldeia onde se encontra o bem cuidado, informativo, bonito e gratuito – Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, onde salta à vista, de imediato, o enorme vidro que permite observar o campo da batalha que decretou o fim da 1ª invasão francesa. Um belo enquadramento dos factos e cheio de história(s) e do papel de Junot e do comandante de Wellesley na Guerra Penisular. Foi aqui que aprendemos a origem de várias expressões, provérbios que utilizamos e que tiveram origam na 1ª invasão francesas, cá ficam elas, retiradas da brochura do Centro:

“Ficar a ver navios!”
Aquando da 1ª invasão francesa, o comandante Junot trazia ordens de Napoleão para capturar a família real portuguesa que partiu na época para o Brasil. Reza a lenda que quando Junot chegou a Lisboa ainda viu os navios da armada real na linha do horizonte, pelo que se diz que ficou a ver navios.

“Ir para o Maneta”
Os franceses invadiram Portugal em novembro de 1807 e permaneceram em Portugal durante longos meses. Quando os portugueses começam a revoltar-se, Junot mandou dispersar pelo país os seus generais. Um desses generais chamava-se Henri Loisson e era particularmente cruel, massacrando os revoltosos. Este general não tinha um braço pelo que todos lhe chamavam Maneta. Assim, quando alguém ia com ele dizia-se, aquele foi para o maneta!!

“Viver à grande e à francesa!”
Quando Junot chegou a Lisboa, instalou-se no Palácio do Barão da Quintela onde vivia faustosamente a expensas do proprietário. Entre festas e banquetes, Junot vivia à grande e à francesa!

“Ir embora de armas e bagagens”
Após a Batalha do Vimeiro, os ingleses assinaram um acordo com os franceses, segundo o qual estes poderiam voltar para casa com tudo aquilo que tinham roubado em Portugal, pelo que se diz que os franceses foram embora de armas e bagagens.

Uma Recriação histórica da batalha do Vimeiro tem lugar todos os anos no 2º fim de semana de julho, portanto começa hoje mesmo, fica a sugestão!!

Segunda paragem, para retemperar energias, depois da expedição histórica e cultura – Parque da Fonte Lima, situada numa pequena aldeia perto do Vimeiro para quem segue em direção à Lourinhã. Um espaço verde muito agradável onde fizemos o piquenique da praxe.

Terceira paragem – uma interessante visita guiada ao Museu da Lourinhã. Primeira parte da visita, explorou os achados pré-históricos encontrados na região e as antigas profissões e a visita a uma casa saloia (onde há um osso de baleia que era usado como superfície para cortar carne, surpresa: na zona “pescou-se” durante muitos anos baleias daí o nome da terra Atouguia da Baleia). A segunda parte da visita é então dedicada aos famosos dinossauros, um espólio que contém exemplares únicos de várias espécies, ninhos de ovos, contendo embriões de dinossauro. As espécies encontrados, unicamente nesta zona, devem-se ao facto de a Iberia se ter afastado e separado da América do Norte durante o Jurássico, formando um arquipélago, no Cretácico, os dinossauros evoluíram e adaptaram-se as condições do seu novo habitat e por isso apresentam características únicas, não presentes nos seus “familiares” não insulares. Têm nomes característicos da zona dados pelos investigadores que apresentaram a sua descoberta à Academia das Ciências: Lourinhanisaurus antunesi e Dinheirosaurus Lourinhanensis. Outra informação interessante: os dinossauros à semelhante das suas “primas” galinhas, comiam pedras, os gastrólitos, pedras encontradas juntos aos fósseis e nada enquadradas no meio envolvendo, permitiram aos cientista tirar esta conclusão, era cá com cada calhau! Uma cabeça de T-Rex atrai a atenção da pequenada mas afinal mais uma surpresa nos aguarda quando o guia nos informa que não era um T-Rex pois destes nunca foram encontrados vestígios na Europa, apenas na América mas era sim um seu familiar distante, descoberto na Lourinhã, e que foi apelidado de Torvosaurus gurneyi. Curiosamente, quando esta nova espécie do Torvosaurus pisou terras da Lourinhã, o seu primo distante T-Rex já era um fóssil há 80 milhões de anos. Com o estudo dos dinossauros, o tempo e a sua passagem ganha toda uma outra dimensão, dos milhares aos milhões é um saltinho!

E a Lourinhã é efetivamente a capital dos dinossauros, estamos sempre a encontrá-los!

Quarta paragem – Forte do Paimogo – numa bela estrada que, parte da Praia da Areia Branca, segue sempre junto ao mar, e de onde se avista Peniche, o Cabo Carvoeiro, as Berlengas e as arribas onde forma encontrados muitos dos fósseis que vimos no Museu da Lourinhã.

 

Mais um rico e colorido dia ;)!

 

9º FIG

Diferente da última edição com mais e variadas atividades a decorrer em simultâneo: 5 estrelas, muito, muito bom! Ainda com a vantagem de podermos saborear algumas comidinhas típicas da zona: uma bela sandes de choco frito e/ou uma sopa caramela.
Vimos 2 espetáculos de circo moderno, que a pequenada adorou, uma espetáculo de teatro de rua original e muito interessante! Daqui a 2 anos, prometemos voltar! Para perceber melhor o espírito do evento nada como ver a sua página.

Torres Vedras e as suas Linhas

Passeámos pelo centro da cidade e visitámos o Museu Municipal Leonel Trindade antes de começar as nossas explorações para termos uma noção melhor do terreno. O nome do museu é um homenagem ao arqueólogo torriense que “descobriu” Castro Zambujal – um povoado fortificado, perto de de Torres Vedras, cujas origens remontam ao 3º miliénio a.C. e que terá sido um grande centro de comércio e fundição de minério.
A 1ª sala deste museu é inteiramente dedicado ao achados históricos encontrados na zona de Castro Zambujal bem como todo o trabalho de arqueologia realizado na zona.
A 2º sala do museu é dedicada à Guerra Peninsular – invasões franceses, dando especial relevo, à 3ª invasão francesa, onde Torres Vedras e as suas linhas defensivas desempenharam um papel crucial para que as tropas francesas abandonassem Portugal.
Com a família real exilada no Brasil, depois dos espanhóis se terem juntado aos franceses, permitindo a passagem das tropas napoleónicas para invadirem Portugal, Portugal alia-se a Inglaterra e o exército inglês vem em nosso auxílio. À data na Europa, só Inglaterra, Suécia e Portugal não estavam sobre domínio francês, a Inglaterra era a grande potência que Napoleão visava abater, isolando-a.
Com a 1ª e a 2ª invasão, o país foi alvo de violência, saque e destruição mas sobre o comando de Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, dá-se início à construção das Linhas de Torres – um sistema defensivo, aproveitando o terreno acidentado, cujo principal objetivo era impedir as tropas francesas de alcançar Lisboa, criando 3 linhas defensivas do Tejo ao Atântico. Torres Vedras integrava a 3ª linha defensiva. Ao longo das linhas, foram construídos, em sítios estratégicos e de difícil acesso, e poucos distanciado, pequenas fortificações. A comunicação entre fortificações era feita através de um sistema ótico, já utilizados pelo exército inglês. Sete minutos era o tempo que levava a mensagem  do Tejo ao Atlântico, desde o momento em que era “colocada” num dos 9 “postos telegráficos”, repetida no posto seguinte, e assim sucessivamente, até poder ser avistada no último forte da linha. Muito interessante este pequeno museu repleto de informações.

De seguida, fomos comprar uns deliciosos, e típicos, pastéis de feijão, na tradicional Havaneza, que foram a cereja no topo do bolo do nosso piquenique no bonito parque do Choupal.

De barriguinha cheia, recordámos outros tempos, no Atelier do Brinquedo para depois subirmos até ao Castelo de Torres Vedras de onde se tem uma bela vista e se vislumbra o Forte de São Vicente, um dos maiores e mais importantes fortes da Linhas de Torres, que chegou a ter 2000 soldados. Seguimos a marcha até ao Forte de São Vicente onde impressiona o seu enorme fosso e área que abrange.

Após os momentos culturais/históricos, pequenada estava com desejos de ir “praiar” e, assim nos dirigimos para a Praia de Santa Cruz mas antes fizemos um pequeno desvio, para desespero do moços,mas que valeu a pena, para ir conhecer in loco Castro Zambujal, ponto de passagem de vários percursos pedestres.
Chegados a Santa Cruz, o vento soprava forte e avisei a tripulação da possibilidade de não estar bom para “praiar” mas sim para vestir um casaco e passear na marginal! Que não, que não, que praia é que era, diziam eles, até porem o pé fora do carro e serem assoprados, envergaram satisfeitos os seus aconchegantes casacos e fomos passear. Muito arranjadinha e simpática. Deliciámos-nos com os crepes gigantes do Belga.

Aproveitando os dias longos, ao sabor do vento e da vontade e com os pequenos quase de férias escolares, esticámos o dia e fomos mergulhar os pés na areia na “capital” do surf – Ribeira de Ilhas! Rumámos à Ericeira, onde é sempre tão bom voltar! Aqui, os pequenos sobre o nosso olhar atento e de um casal inglês, contemplando a bela paisagem, apanharam um valente susto enquanto exploravam e saltavam distraídos sobre rochas, a uma distância de segurança, quando um onda lhes ribombou ao ouvido e foi vê-los aos gritos e a fugir a sete pés. Nem um salpico os atingiu mas daquele som não se vão esquecer tão depressa, nem das nossas gargalhadas e das do casal de ingleses! É sempre bom reconhecer, respeitar e acautelar a força da natureza. Momentos bons!!!

Mais um belo dia de passeio!

Museu do Aljube

Fomos ver o espetáculo infantil deste ano do La Féria,” A Pequena Sereia”,  a pequenada gosta sempre dos seus espetáculos, embora como diria o nosso Salvador Sobral “To much fireworks!”, mas vale a pena. Desta vez, tivémos a benesse de não estar lá o próprio, aos berros, como é seu costume, a vender programas autografados à saída ou à entrada do espetáculo, “técnica” que abomino.
Passeámos na Baixa, vagueámos na feira de artesanato na Praça da Figueira, onde me ri com um dos artesãos quando este falou para mim em inglês “É o mais comum, menina, já nem pensamos!”, apreciando o quão turística está a nossa bonita capital, visitámos a Sé de Lisboa e fomos conhecer o Museu do Aljube.
Aljube – palavra de origem árabe que significa “poço sem água”, “prisão”. O edifício onde se situa o museu foi até ao século XIX um prisão eclesiástica (talvez por ficar mesmo junto à sé, digo eu) para depois se transformar numa prisão de mulheres e, a partir de 1928, passou a ser uma prisão da polícia política associada ao regime. É um museu repleto de informações e testemunhos do que foi viver na época da ditadura: oposição e clandestinidade, os tribunais políticos, a resistência, os presos políticos, as técnicas de tortura, o isolamento, o colonialismo e a revolução dos cravos. No Aljube, existiam 14 “gavetas”, “curros”, compartimentos com 1mx2m, sem luz e condições, onde os presos podiam permanecer por tempo longo e indeterminado, e onde eram sujeitos a uma forte pressão física e psicológica, sempre que o telefone tocava no corredor, tudo ficava ainda mais tenso, era para chamar alguém para ser interrogado. O telefone tem um som estridente e à porta de um dos “curros” parece que ainda agora a tensão é palpável, a pequenada apercebeu-se perfeitamente deste facto e os “curros” impressionaram-nos verdadeiramente. Um museu “forte”, um repositório e tributo à memória de um país e das vítimas do sistema ditatorial que lutaram pela liberdade e pela democracia. Uma visita aconselhável, com tempo, uma mais valia para perceber a importância dos valores democráticos! Gostámos muito, não deixa ninguém indiferente (ou não deveria) mesmo para quem, como nós, nasceu depois da época retratada!

Frutologia no Jardins da Gulbenkian

Dois dias repletos de atividades gratuitas para os mais pequenos, com um ambiente fantástico, num belo cenário – os jardins da Gulbenkian – numa parceria da Compal com programa Descobrir da Gulbenkian. Vale a pena passar por lá, desfrutar do ambiente e das atividades, quiçá fazer um piquenique e dos bonitos jardins da Gulbenkian (horários e atividades). Se estiverem pela capital, é aproveitar, amanhá há mais e vale mesmo a pena!!!
Adorámos rever e ouvir a fantástica Ana Sofia Paiva (matando saudades do Pinhal das Artes), e que desta vez nos trouxe uma adaptação da história da “A tartaruga e a fruta amarela” , adivinhas com frutas, e canções sobre frutas, cantou uma parte da Senhora do Almurtão “olha a laranjinha que caiu, caiu!” (que tantas vezes ouvi e cantei em miúda), muitos trava línguas e um bonito poema de Miguel Torga. Tudo isto regados com o ritmo, a musicalidade, a expressividade, o espírito, a empatia e o profissionalismo que caracterizam uma excelente contadora de histórias! Para terminar, o concerto dos Clã, dedicado à pequenada, que deixou muitos com “asas nos pés”.
Nota: Se almoçarem por lá, no interregno das atividades ainda podem visitar a exposição do Almada Negreiro, que está quase a terminar. Fica a sugestão!!!