Visto Gold

Final do dia, batem à porta, é novamente um agente de uma imobiliária, fazendo a ronda semanal pelos prédios do bairro.
Normalmente, ignora-se o toque, não percebendo a razão de tamanha insistência e persistência.
Para variar, porque até há tempo naquele dia, cede-se à curiosidade.
Sorriso aberto, uma mão estendida e cartão de visita na outra.
Blá, blá, blá… muito procura de casas em Lisboa, pouca oferta. Informa, casualmente, o valor, neste momento, no mercado, da casa – o dobro do valor de compra, há 15 anos, e umas centemas de milhares de euros acima da avaliação de há 5 anos e lança a questão “Não quer ponderar vender a sua casa? É uma oportunidade de negócio e, provavelmente, no final do ano, a tendência vai inverter novamente.”
A tentação é muita, contas à vida, estudo de mercado e de várias opções e modelos.
Decide vender.
Um Turco decide comprar.
Não conhece o Turco. O Turco não conhece a casa.
Os advogados do Turco dizem que eles viu as fotografias da casa.
Contrato promessa compra e venda assinado pelos advogados, através de procuração passado pelo comprador turco.
Quinze dias antes da escritura, o Turco vem a Portugal. Telefona ao ainda dono da sua futura casa, quer ver a casa naquele momento.
Não há hipótese, está a trabalhar, no máximo, daí a uma hora.
O Turco tem pressa, está na capital, por mero acaso, está a caminho das suas merecidas férias no Algarve, não pode esperar uma hora.
O Turco segue caminho mas antes deixa um miminho: o seu cartão e um pacote de pistachios de 1kg na sua futura caixa de correio.
O Turco continua sem ver a casa, os banhos no Algarve são muito mais importantes do que os largos milhares de euros que decide investir, sem avaliar presencialmente, as fotografias chegam. No entanto, quer a casa para ontem!
O Turco continuar a vir a banhos a Portugal ( bastando 7 dias no 1º ano, 14 dias nos 5 anos seguintes), “Et voilá!”, nacionalidade portuguesa atribuída e a tão importante e aspirada livre circulação no espaço Schengen garantida.
Vendida a casa aos “advogados” do Turco por uma pipa de massa, continua sem conhecer o Turco e o Turco sem conhecer a casa.
A empresa de limpeza, pintura e decoração da casa, agora do Turco, entra no dia a seguir à sua saída.
O Turco precisa de começar a rentabilizar, o mais depressa possível, o seu investimento.
Então e o Turco vai mudar-se ou investir em Portugal?
Claro que não!
Vai arrendar a casa por 3000€ mensais a estrangeiros que o belo do Tuga não tem dinheiro para estes alugueres. Na semana seguinte, entram os novos inquilinos. Aplica-se o ditado: tempo é dinheiro.
Temporariamente, vendida a casa ao Turco, aloja-se na casa de familiares enquanto procura outra.
Encontra e compra outra casa, num sítio, não tão central nem tão in, mas simpático e com bons acessos e facilidades, com o dobro da área da casa do Turco. Decide fazer umas pequenas remodelações, antes de se mudar.
Balanço: paga ao banco o que devia do empréstimo da casa que vendeu ao Turco, paga a nova casa na íntegra e fica a dever ao banco apenas uma ninharia referente às remodelações.
Satisfeito: grande negócio e aliviado: desapareceu a prestação avultada no final de cada mês.
Os dois ganharam: o Turco e o Tuga! Quem ganhou mais?
Portugal ganhou alguma coisa? Hummmmm… deixa ver, desconfio que…
True story!

Bugiando até à Quinta Real de Caxias

Distraídos, à conversa, escapou-nos a saída indicada pelo GPS. Porquê? Observávamos a paisagem, o rio, o mar, a costa, o Forte do Bugio e perguntava eu à pequenada na altura “O que é aquilo ali no meio, sabem?”. E zás, falhei totalmente no papel de co piloto, o que é frequente, e mandei-nos, literalmente, bugiar! Eheheh… a ironia da cena e do termos bem aplicado!
10  minutos depois, e mais uns quilómetros percorridos do que os inicialmente previsto, não fosse o “enamoramento” pelo Forte do Bugio, chegámos ao nosso destino – mesmo em frente à estação de comboio de Caxias, mas que passa bastante despercebido – a Quinta Real de Caxias.
Um jardim muito arranjadinho, a fazer lembrar os jardins de Versalhes, em ponto pequeno, mas onde não faltam os repuxos, arbustros com bonitas disposição geométrica, ai a bela da simetria, e uma incontornável cascata cujo lago já foi adornado por estátuas em terracota da escola de Machado de Castro (retratavam uma cena mitológica com a Deusa Diana e o seu amado adormecido numa das grutas). É possível subir ao cimo da cascata, um excelente miradouro (sobre o jardim, Caxias e a zona) e passear pela várias galerias comunicante por detrás da mesma, fazer búuuuuu e pregar uma valente susto a quem se passeia nas galerias inferiores (EUUUU, quase que me ia dando uma coisinha má!).
Este jardim está inserido no Paço Real de Caxias, onde uma da fachadas repleta de azulejos semelhantes aos do Palácio de Queluz, anuncia que este foi uma antiga, não tão sumptuosa, residência de férias da família real (século XVIII e XIX). O Paço Real encontra-se completamente ao abandono, muito destruído e vandalizado.
O jardim, que tem entrada livre, está a cargo da Câmara Municipal de Oeiras e vale a pena uma visita.

À chegada, ao explicar por que nos tinha mandado a todos bugiar por Caxias, é lançada a pergunta “Será que a expressão vai bugiar tem alguma coisa a ver com o Forte do Bugio?”
Ninguém fazia a mais pequena ideia e prometi investigar.
A palavra bugio, no século XIII, era utilizada para designar uma vela feita de sebo.
No século XVI, passou também a ser utilizada para designar um macaco. Por exemplo, Gil Vicente utiliza no seus escritos a expressão bugiar, como uma conotação semelhante ao nosso “pentear macacos”.
Bugio era também o nome de um instrumento, género de martelo, que servia para pregar estacas em terrenos alagadiços. Foi instrumento fundamental na reconstrução do Terreiro do Paço, um trabalho duro e pouco desejado, sendo “atribuído em convite “forçado e irrecusável” criminosos e vadios. Nesta época, o “vai bugiar” assumui um sentido mais pejorativo!
O Forte do Bugio é um pequeno farol, situado na foz do rio Tejo, a “meio caminho” entre Cova do Vapor – Trafaria  e Oeiras, no único banco de areia situado sempre acima da linha das marés. Várias fonte consideram que o seu nome – “Bugio” tem origem no vocábulo francês bougie (que significa vela) e à semelhança da sua estrutura e função, com uma vela acesa num castiçal.
A expressão “Vai bugiar” parece, originalmente, ter sido coisa de, ou para, macacos; com a reconstrução do Terreiro do Paço, depois do Terramoto de 1755, passou a ser coisa de malandros e/ou maltrapilhos. Mandar, uns e outros, a nado, em busca da “luz”, para o “Bugio” que “alumia” e auxília a navegação, há séculos, não me parece mal pensado, seria um “Vai bugiar” na plenitude, contemplando os vários significados do termo.
Just saying…que eu percebo pouco disto!

Alta costura

by Dior ou by Bihor?

For years, big fashion houses have been using inspiration from local cultures. Lately, this has turned into a global phenomenon, with names like Tory Burch, Valentino or Louis Vuitton presenting original traditional designs from all over the world as new items in their collections.
And right here in Romania, there are multiple examples. Just last year, Dior included a Romanian jacket from Bihor in their couture collection. And sold it for 30.000 euro.
While it makes sense for inspiration to happen, we think it’s a bit unfair that nothing returns in terms of money or even PR to the community that’s struggling to keep traditions alive. As a result, these traditions are dying.
So, in Romania, the very first steps are being taken.
Beau Monde, the fashion magazine with 100% original Romanian content, wants to step in and support authentic Romanian design.
Bihor Couture is an authentic Romanian brand with local craftsmen as designers. It was created to help local creators sell their clothes and continue their craft.
Take a look at some of the pieces from Bihor and be mindful that the majority of them take a lot of time to make- so they are only available on pre-order.
Good luck shopping the Romanian way!

Muito à frente!

A estrutura da Prova de Aferição de Matemática em termo de conteúdos parece-me adequada, e a esperada, mas o grau de dificuldade é total e completamente desajustado para um 2º ano. Quase que me arrisco a dizer que o Ministério espera que os alunos, no final do 2º ano, estejam preparados para frequentar o 6º ou 7º ano e não o 3º ano.
Ora vejamos algumas questões
O enunciado é de fácil interpretação para um aluno de 2º ano? Não me parece…  Pergunta deles “Mas onde é que está desenhada a figura 4? A figura 10, qual figura 10?” Mais, grande parte dos alunos de 6º e 7º ano não achariam a esta questão de caracacá mas, em última instância, conseguiriam chegar lá desenhando as figuras seguintes; não acredito que a grande maioria dos alunos de 2º ano o consigam fazer, a 4ª figura talvez, agora a 10ª, por favor, tenham dó e paciência…

 

Associar a figuras a múltiplos de 3 ou desenhar a sequência até à 27ª figura (dizem os critérios de correção). Deixa-me rir antes que me esqueça! 2º ano????

 

Primeira e maior dificuldade: perceberem a que retângulo se referem. Segunda: interiorizar que A, B e C são iguais e inferir que a largura de B e C é metade do comprimento de A e que esta corresponde também à largura de A. Terceira: saber colocar na figura as medidas que encontrou fazer as continhas para obter o perímetro. No mínimo arrevesado, este enunciado! 2º ano?! Ahahahaha?!

Podem-me dizer que é só uma questão de contar, sim, sim, a visualização geométria, no 2º ano, está desenvolvida para num desenho (2D), faces e arestas e perceber a simbologia de uma aresta a tracejado? Pergunto eu, que no 10º ano apanho vários com este assunto “mal resolvido”.

Gosto particularmente desta: os pratos da balança, qual é o aluno de 2º ano que conhece e sabe como funciona uma balança de braços? Aprecio, particularmente, o cuidado na linguagem científica: medida de massa, que eu saiba as balanças medem uma força, a força não é um massa, o peso, sim, é uma força, ou esta noção física mudou no entretanto e eu não me apercebi? Rigores à parte qual é o aluno, no 2ºano,  que sabe o que é uma medida de massa, conteúdo lecionado e explorado no 3º e 4º ano. Este é um exemplo típico para iniciar o estudo de equações no 7ºano, com o equilíbrio dos braços da balança e nunca, começo com um tão díficil! 2º ano, socorro!

Os Deuses e os senhores do IAVÉ, em particular, devem estar louco ou então sou eu que vivo numa realidade alternativa (aquela que trabalha com alunos).
Sinceramente, acho que grande parte desta prova de aferição dava um belíssimo teste diagnóstico de 6º ou 7ºano! Não sei se me faço entender…
Na minha modesta opinião, são muitas as questões com um grau de dificuldade elevado a nível do raciocínio, abstração e visualização geométrica para alunos de 2ºano. Obviamente que a minha análise se baseia no que conheço dos alunos a partir do 7ºano…
Toda esta prova e conjuntura me leva a crer que não foi um erro de “casting”, foi deliberado e tem um objetivo que nada tem a ver com aferir conhecimentos. Não sou grande apologista da teoria da conspiração mas… desconfio que vai sobrar para os mesmo de sempre e cumprir o seu propósito.
Arriscaria ainda dizer, pelo que tenho ouvido, que os Exames Nacionais seguem a mesma linha. Lamento muito pelos verdadeiros lesado, os alunos, mas há gente muita pequena que não olha a meios para atingir os seus fins e… as eleições são só em 2019!
Espero, sinceramente, estar enganada mas nesta altura do campeonato, e não é do mundo, quase nada já me surpreende! Aguardemos pois então…

O vazio das certezas!

“Somos assim: sonhamos o voo, mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.”

in “Os Irmãos Karamazov” de Dostoiévski

(imagem retirada da internet)

Igualdade de géneros, o tamanho conta?

“A taça da equipa das raparigas que ficou em 1º lugar no Interturmas era bem mais pequena que a taça do 1º lugar da equipa dos rapazes!” observa, espantado, pequeno do meio.
“Yeah! A taça do 1º lugar das raparigas era igual à da equipa dos rapazes que ficou em 3º lugar!” esclarece, indignada, pimpolha mais velha.
“Por acaso também reparei nisso!” diz pimpolha mais pequena.
“Opssss…! Deve ter havido alguma confusão/engano, não costumam ser iguais?!” observo.
Nenhum deles se lembrava das taças, e “seus tamanhos e géneros”, de anos anteriores mas como repararam nas diferenças este ano, provavelmente, o mesmo teria acontecido, se tivesse ocorrido anteriormente e teria sido motivo de conversa aqui por casa.
Aí o escândalo que seria se as “Capazes” soubessem desta ocorrência! Ah, parece que não, têm em braços o seu próprio escândalo de contas e financiamentos €€€ ! (a cruz deste país!)
Mas não vos preocupeis, nada temeis, as meninas e alguns meninos, verdadeiramente, capazes, manifestaram, com viva e em alta voz, com alma e coração, o seu descontentamento face à diferença nas taças e a reivindicaram junto do professor organizador do Interturmas, sobre o olhar atento dos demais presentes 🙂 !
Educar para a igualdade é também ensinar a questionar, ao observar o que nos rodeia , a reagir e a intervir! Suponho que para o ano, este pequeno grande lapso não se irá repetir, poderá dar início a uma revolta de meninas capazes “sem €€€” mas com muita garra de vencer e exigir um “caneco” igual ao dos meninos!

(Ainda o) Tempo, anos e percepções

Histórias há muitas, verdadeiras ou não, algumas é difícil comprová-lo.
Muitas, às vezes, as melhores, não vêm escritas em livros mas são fruto do passa “palavra” e da sabedoria e vivência popular aliado a alguém que sabe e gosta de ouvir e contar história.
Estou em crer que, frequentemente, estas histórias do passa palavra têm um fundo de verdade, mas, como diz o ditado, quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto… ou dois, ou três ou os que quiser, que poderão ser todos válidos e enriquecer a história, no entanto, ao fazê-lo, esta deixa de pertencer e poder ser atribuída a quem a originalmente contou/criou (uma cena muito em voga nas internets com a qual é preciso ter cuidado).
A história que se segue li-a em vários sítios e ouvi-a a um colega meu, não consegui confirmar se pertence ou não a Galileu Galilei mas, independentemente, disso é muito interessante:

“Em certa ocasião alguém perguntou a Galileu Galilei:
– Quantos anos tens?
– Oito ou dez, respondeu Galileu, em evidente contradição com sua barba branca.
E logo explicou:
-Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.”

Uma resposta e uma perspectiva muito interessante!
Um “excelente argumento” que o Ministro da Educação (que em tempos também já foi da Ciência, o ministério e o ministro), e restante corja, ainda não se lembrou de apresentar relativamento ao tempo de serviço dos professores!

PordataKids

Muito interessante e apelativo o site da PordataKids para miúdos e graúdos.
Uma excelente fonte de informação variada e curiosa para os miúdos explorarem e/ou utilizaram em trabalhos escolares e/ou sobre estatísitca! Observando, atenta e comparativamente, permite ver sobre outra luz o “nosso mundo” e o “Mundo”.
Muito interessante e apelativo o site da PordataKids para miúdos e graúdos. Vale a pena explorá-lo com olhos de ver.

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Observando os dados relativamente ao lixo e à reciclagem constata-se que:
(A) Lixo separado em 2016: 775 695 toneladas
(B) Lixo reciclado, em 2016: 675 732 toneladas
(A)-(B)= 99 963 toneladas
Provavelmente, sou eu que estou a ver e/ou a interpretar mal mas desconfio que esta diferença se deve também a isto, digo eu, que sou má língua e tenho mau feito mas que gosto de observar números, entre outras coisas.

Bela separação!

Quis o destino, a conversa e o convívio, que só à 1h00 da manhã de um sábado, iniciássemos o regresso a casa, para logo nos vermos a avançar muito lentamente, numa via de sentido único e apertadinha, atrás de um camião de recolha de lixo.
Observámos, atentamente e na linha da frente, incrédulos a recolha do lixo.
De caixote em caixote, amarelo, azul e cinzento, o destino era o mesmo: o habitual camião de lixo indiferenciado.
Primeiro achámos que estávamos a ver mal, dado o avançado da hora, mas nos cerca de 5 minutos que estivemos retidos, observámos abismados o processo demasiadas vezes, para perceber que a cor do caixote nenhum importância tinha, era pegar e despejar, o destino era todo o mesmo!
E assim se deita, literalmente, para o lixo, a reciclagem dos residentes… uma separação e um tratamento de lixo supereficientes.
Valeu-nos pequenada estar a dormitar no banco de trás e não se ter apercebido desta tristeza, como exemplos práticos desta natureza torna-se difícil sensibilizar para o que quer que seja…!

A equação da Felicidade

Pequenos excertos de uma interessante entrevista com Mo Gawdat, ex executivo da Google X e autor do livro “Equação da Felicidade”

a felicidade pode nascer de uma equação: a felicidade é igual à diferença entre os acontecimentos da sua vida e as expetativas de como a vida devia ser. (…) O cérebro está constantemente a comparar eventos com expetativas. (…) A dor emocional leva-nos a agir. (…)

À medida que os acontecimentos se tornam melhores as nossas expetativas são tão irrealistas… Eu adoro Portugal, por isso não me interprete mal, mas vocês andam nas ruas de Lisboa e queixam-se do tráfego. Se não gostam de Lisboa venham comigo e levo-os um dia à Síria e quando voltarem beijam o chão da cidade. Sentam-se num restaurante a comida está um pouco mais fria e queixam-se. Eu levo-os a África e quando voltarem beijam o Chef. A verdade é que a cada coisa que nos é dada começamos a queixar-nos porque queremos mais e mais e mais…
É surpreendente, mas os  países mais pobres são os mais felizes. É claro que há pesquisas que lhe dirão que o Norte da Europa tem os países mais felizes do mundo. Mas não. Tem os países onde a qualidade de vida é mais elevada, mas os suicídios também são em maior número. E porquê? O que acontece é que os países estão treinados para serem infelizes. Digo isso com amor e respeito, Alemanha, Portugal, Polónia, Rússia, são países em que somos treinados para ver o que está errado. E todos os acontecimentos da nossa vida são sempre um problema. (…)

(…) a derradeira fórmula da felicidade é fazer os outros felizes. E isso é verdadeiramente sobre o que é a missão: encontre a compaixão em si para tornar outra pessoa feliz. Se cada pessoa tornar outra feliz, e outra e outra em dois anos e meio todo o Portugal estaria feliz. Claro que haverá sempre alguns milhares de pessoas rabugentas. Ok, mas se todas as outras derem prioridade à felicidade e investirem nisso, serão um país ainda mais feliz.
O que é feito dos tempos em que as pessoas sorriam umas para as outras na rua? Façam a diferença e, por favor, entendam que a promessa do mundo moderno é uma mentira. Não temos de ser bem-sucedidos para sermos felizes, não precisamos de um carro para ser felizes, de ter gadgets, muito dinheiro…precisamos de nós próprios.Tem de se mudar a forma como se pensa porque a felicidade é muito melhor que todas essas coisas. (…)”

Padre e hipnotizador

Missa do dia da mãe, capela repleta, e o senhor padre decide fazer o milagre da multiplicação de lugares “Vamos aumentar o tamanho da nossa capela. Todos os meninos vêm aqui para a frente sentar-se junto à Virgem Maria!”.
As crianças não hesitam e abandonam, de bom grado os pais, e juntam-se aos amigos, o altar depressa fica repleto, e animado, e eu pensei “Isto promete!”.
Senhor padre dirige-se, em especial à pequenada, voltando-se para eles e de costas para a restante audiência dizendo entre risos “Os anjos não têm costas!”. A meio suspira “Isto é díficil dar catequese a tantos ao mesmo tempo!” e pergunta-lhes “Vou dar-vos três opções para a pergunta “Deus é…” A- Guerreiro, B- Todo Poderoso, C-Amor” Qual acham que é correta?”. E os meninos dizem em uníssono “Todo Poderoso”. O senhor padre diz resignado “Isso é a sede do ser humano de ser importante e poderoso a falar, todos num momento ou outro desejamos ter poder, mas Deus não é assim, Deus é amor!”. Sem rede ainda para mais com crianças, corremos sempre riscos… as orações dizem vezes sem conta “Deus todo Poderoso” e os meninos interiorizam e reproduzem…
Entretanto, entusiasmado, pega no seu alcólito ao colo, um menino de seis anos, para exultar as qualidades das maravilhosas crianças que tentam a paciência e a vontade das mães, moço envergonhado, a plateia sorri e uma criança verbaliza o que todos estão a observar, menos o senhor padre, “Ele está descalço!”. O senhor padre ri-se e diz, colocando o moço no chão, “Devemos estar confortáveis na casa do Senhor. Pois então se os sapatos nos apertam ou fazem calor, descalcemo-nos.”. Por momentos receei que aquela malta pequena sentado no altar se entusiasmasse e entendesse as suas palavras como um convite e, de repente, começassem a chover sapatos… mas vá lá, estava tudo entretido nas suas conversas interiores, que não devem ter ouvido ou percebido… Um momento que tinha tudo para ser memorável e cheiroso…
No final, tivemos o primeiro e único momento de silêncio absoluto, quando o senhor padre contou até três para que, em silêncio, cada um fizesse um pedido para a sua mãe que ele terminou dizendo “Por momentos, pensei que era o hipnotizador do “Divertidamente””.
Viva os padres descontraídos, espirituosos e com espiríto, corajosos e “todos poderosos“!

Será? Desconfio que sim…

«O problema não é substituir os livros por um ecrã de um telefone inteligente ou de um tablet — o problema é o mito perigoso de que a “leitura”, mesmo numa forma diferente, está a emigrar de um meio para outro, porque não está. O que se está é a ler diferente, pior e menos, como se está a “saber” demasiado lixo — meia dúzia de performances rudimentares com as novas tecnologias — e pouco saber.»

José Pacheco Pereira

(Des)Contaminação ambiental da Ilha Terceira

devido à presença norte americana na base militar das Lajes. Esta informação passou nos noticiários, pergunto eu que não costumo ver televisão? Quase que apostava que…! E os relatórios do LNEC e outros, sobre as questões abordados, já foram divulgados ou tornados públicos? Quase que apostava que…!
As várias faces da iliteracia, algo que se cultiva porque dá jeito e poupa chatices a muitos e grandes… interesses!

Chove. E é triste.

“Há poucas coisas tão simples e tão complicadas como o tempo que faz lá fora numa manhã como esta. É o inverno, e o inverno é assim. É feito de chuva, de neve, de vento forte e de mar bravo, de trovoadas e granizo e frio. Há escolas fechadas, estradas cortadas, acidentes de trânsito e pessoas a quem acontecem coisa más. Muito más. Mas olhamos pela janela como quem olha para o mundo. E aceitamos. Faz parte da vida.
O mais complicado é explicar porquê. Porque é que, de repente, desata a chover e a nevar e há alertas de todas as cores? Tem a ver com o posicionamento do anticiclone dos Açores? Em parte, sim. Está iminente o choque de uma massa de ar quente vinda do Atlântico com uma massa de ar frio vinda da Rússia? Também – e quanto maior a diferença entre as duas massas mais severas são as condições do tempo.Mas há algo mais.
Comece por este artigo e siga para o The Guardian, onde é possível ler este texto que ajuda a complicar a situação. “Apesar de a maioria das notícias nos últimos dias terem tratado o frio na Europa num tom descontraído, existe a preocupação de que estamos a assistir não ao regresso dos invernos normais, mas sim à deslocação de algo que deveria estar a acontecer mais a norte”, escreve o jornal. (Guerras de bolas de neve no Vaticano sempre deram melhores imagens do que gente a morrer de frio.)
O estado do tempo que temos, e que aceitamos calmamente sem pensar duas vezes, é na verdade a consequência direta de um fenómeno sério que terá ocorrido no vórtice polar, ao nível da estratosfera. Claro que, a seguir, será preciso explicar o que causou esse fenómeno e, provavelmente, o que causou a causa e por aí fora. E é aqui que, mesmo depois de ler o artigo, nos perdemos. A estratosfera é demasiado longe, o vórtice polar demasiado estranho e, convenhamos, há sempre coisas mais importantes.
A meteorologia ainda é uma ciência avessa aos extremos. Os meteorologistas são capazes de descrever o nascimento do elefante que está a chegar, podem prever o percurso que o paquiderme vai fazer e até se o dito vai ficar cansado pelo caminho. Avisam-nos que não é recomendável estar à frente do bicho e que, provavelmente, vai haver estragos. Mas há duas coisas que não conseguem garantir: quantos elefantes vão nascer e onde é que as suas enormes patas vão cair com mais força.
Essa incerteza – que nos leva a discutir se existe aquecimento global e a ficar em pânico com a seca e também com o excesso de chuva – é a derradeira certeza de que o ser humano ainda não sabe tudo. Mesmo que pense que sim.

Os homens conseguem meter um míssil numa janela do terceiro andar de um prédio numa rua na Síria, mas não conseguem adivinhar o local exato que vai ser arrasado por um tornado. São capazes de apontar uma arma carregada à cabeça de outro ser humano e de apertar o gatilho, com a certeza de que vão tirar uma vida, mas nada sabem sobre a próxima grande cheia. Sabem exatamente a quantidade de químicos que devem meter numa ogiva para desaparecer toda a vida num bairro, mas não lhes peçam paraindicar qual árvore que vai ser destruída por um raio.
E depois olham incrédulos para o que resta de uma aldeia destruída por um deslizamento de terras, mas não perdem um minuto a olhar para uma cidade arrasada por bombas. A natureza é imprevisível, implacável e capaz de estragos que nos deixam desesperados com a nossa ignorância.
Estranho mundo este em que um dia de chuva nos preocupa como se fosse uma guerra e uma guerra nos parece tão banal como um dia de chuva. É ténue a linha que separa o inverno do inferno.
Olhamos pela janela, ainda chove. E nunca vai deixar de chover, porque estaremos sempre demasiado ocupados a tentar compreender absolutamente a natureza e sem tempo para nos confrontarmos, a sério, com a irracionalidade dos nossos próprios atos.”

Ricardo Marques no Expresso Curto