Cenas de um internamento – Parte XI

O hotel

Cheio de energia, pronto a conquistar e a conhecer o mundo, bonito, sorriso fácil, naquela maneira caracterísitca ditada pelos seus 8 anos de vida, contempla o quarto que lhe foi atribuído e diz para a mãe esperançoso “Quando é que podemos ir à piscina deste hotel?”. No dia seguinte, ia fazer uma circunsição, tinha acabado de ser internado no hospital.

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Desvirtuamentos

Contemplando os trabalhos expostos, realizados em família, duas mães  conversam entre si:
“Há trabalhos muitos giros e criativos. O vosso é um deles! Vocês têm muito jeito! Como é que conseguiste que ficasse tão perfeitinho?” diz a mãe X
“Está giro, não está?! Não fomos nós que fizémos encomendei-o. Não tenho tempo para isto!” diz a mãe Y com muita calma e naturalidade
“Mas era para ser os pais com os filhos a fazer!” tenta argumentar a mãe X estupefacta enquanto olha para o seu trabalho imperfeito mas genuíno.
Viro costa, pensando “Está tudo louco! Tudo é uma competição e ninguém tem tempo, o principal parece ser meramente a acessório!”

“Stôra, o teste de FQ correu-me mal. Isto, no 11º ano, é ainda mais difícil que no 10ºano. O que vale é que eu já tinha preparado a minha mãe, disse-lhe que não tinha estudado!” confessa-se-me um aluno acabadinho de chegar de um teste.
“Então e o que lhe disse a sua mãe quando lhe contou que não tinha estudado para o teste?” pergunto-lhe
“Disse-me vê lá se ao menos copias e de preferência por alguém que saiba!”

Tendo assisitindo às duas conversas no mesmo dia, era coisa para me fazer deixar de acreditar nos princípios de muitos pais de hoje em dia. Ah espera, lembrei-me agora, sou uma céptica, por natureza e experiência, neste tópico. Haja muita paciência pois a falta de princípios abunda!

Mães, as más da fita?!

À saída da escola dizia um pai, calmamente, para o filho, “A mãe vai saber disto…! Vai sobrar para ti!”, provocando um encolher de ombros no visado, acabando a conversa por ali.
Ao ouvir a sua conversa, lembrei-me, imediatamente, de algo que uma mãe, também ela com 3 filhos, me disse aquando do nascimento de pimpolha mais nova e reiterado, não tão explicitamente, por outra mãe de três, “Vais ver! O pai é para brincar a mãe para tudo o resto. Ó mãe, Ó mãe para tudooooo! Nós somos e sempre seremos as más da fita”. Não me revejo aqui, vá, talvez na parte de ser a má da fita, mas, achei curioso o que me veio à memória, essa cena tramada que tem o dom de nos lembrar de só certas coisas nos momentos mais inoportunos!

Vivências

Conversa entre duas adolescentes no whatsapp:
X – “Já cozinhas?”
Y – “Hummm, às vezes, quer dizer não!”
X – “Acho que com a tua idade já cozinhava!”
X – “Vês a telenovela da TVI?
Y – “Não. Não vejo a TVI!”
X – “Buuuu, com a tua idade já via há bué!”
Y – “Tens facebook?”
X – “Nop! Só mail. Também não tenho telemóvel, só tablet, às vezes!”
Y – “Bem podre! Com a tua idade já tinha isso tudo!”
E a conversa continuava com Y, a cada nova pergunta, sublinhando a ideia que, com a idade de X, já fazia tudo e um par de botas.
Poderiam ter uma grande diferença de idades mas apenas as separam 10 meses e um ano de escolaridade! Ocorre-me apenas dizer caganeirices dos tempos modernos!

Hábitos e resignações

“Olha tens que falar com a minha professora, eu tenho sempre muitos TPC, não aguento!” diz um menino, recém chegado ao 1º ano, olhando, esperançoso para a sua mãe. A mãe elucidou-o, que não, que não iria falar com a professora pois ela não era professora e porque a sua professora lá saberia o que era melhor para os seus alunos e que era preciso treinar, blábláblá…
Umas semanas mais tarde, enquanto fazia os TPC, disse para mãe, resignado, “Já percebi, isto agora é a minha vida, não é?”

#Luso por ti

Bebendo uma água do luso para matar a sede num dia quente diz-me a mãe “Já reparaste na frase que está na tua garrafa? Todos têm e são sempre engraçadas!”. E, foi assim, que eu e pimpolha mais velha encetámos, literalmente, uma caça às frases #Luso por ti, fomos alvo, diz excelentíssimo esposo entre risos, de alguns olhares estupefactos de malta que ao vermos, no supermercado, virando garrafas pensou de certeza “Mas o que é que elas tanto observam e viram garrafas de água!”. São inúmeras frases “Bem giras!” diz pimpolha mais velha, não poderia estar mais de acordo! Curiosamente, constato que poucas são as pessoas que reparam nas frases e quando espreito e lhes chamo a atenção todas sorriem! Olhai, pois então, para o rótulo das vossas garrafas de àgua do luso com olhos de ver outros olhos e sorriam que faz bem à alma e aos músculos faciais! Uma pequena amostra do que nos fez sorrir mas há muitas mais!

Bons regressos e um bom ano!

Pimpolha mais velha, organizando e arrumando os seus pertences para este novo ano letivo, diz-me orgulhosa “Acho que vais gostar desta etiqueta, ora lê lá!!!”. Acertou e arrancou-me uma bela gargalhada o “Remover a criança do interior antes de colocar na máquina de lavar”
Depois de uma belas e retemperadoras férias em família, com muitos momentos para mais tarde recordar, com os amigos de sempre, e para sempre, do matar saudades dos avós e dos amigos, sem ser em contra relógio, dos longos almoços e jantares aos piqueniques, dos mergulhos demorados aos tardios entrelaçando o cheiro de mar e de protetor solar, da leveza e suavidade da pele, da alma e do espírito, dos dias sem grandes rotinas e horários, das experiências à descoberta, dos dias grandes e solarengos, da lazeira dos dias, das brincadeiras e passeios temperados pelos melhores gelado do mundo, das caminhadas à descoberta de pequenos paraísos intocados, deambulando no meio de bonitas florestas, ao subir das árvores, ao brincar com paus, ao brincar com a terra e na terra; é verdade que a malta às vezes vem um bocado encardida e, no regresso, pode haver a tentação de colocar tudo, mas mesmo tudo, na máquina!!! Por outro lado, nem tudo na vida é um mar de rosa e as férias não são exceção: das brigas aos constantes embirranços entre a pequenada, das brincadeiras sem jeito nenhum, das diferentes agendas, gostos e desejos, há muita coisa cuja gestão não é fácil no estar SEMPRE com os irmão e pais a tempo inteiro e sim, cansa, e muito, é expectável que surjam atritos, momentos acesos, puxões de cabelos e afins e, às vezes, bem às vezes, já nem nós nos aturamos a nós próprios, quanto mais eles. Daí a tentação de, no regresso, lavar na máquina a alma de uns e outros, descansar das férias, desfrutando daqueles últimos resquícios, repletos de uma boa nostalgia “Foi tão bom, não foi?”, enquanto se pensa e planeia as próximas :), não deixando de constatar que a pequenada já estava a precisar de retomar as suas rotinas pois as férias também cansam, dizem eles… nós, as rotinas, é que nem por isso!!! Bons, e espirituosos, regressos embora que sejam sempre dolorosos para todos! Um bom ano, que por aqui o ano começa sempre em setembro, entre livros, listas de materiais e sei lá que mais, o desfalque é muito semelhante ao do início do novo ano civil!!!!

Intervir: uma opção ou um dever?!

Distraída, à espera que a cancela abra, para prosseguir a marcha, olho para o outro lado da estrada e, através das grades do campo de jogos, vejo uma criança de 10/11 anos a agredir outro ao murro e ao pontapé forte e feio, completamente descontrolado, fora de si, rodeado de 4 outros meninos, a assistir à cena, impávidos e serenos!
Carro ligado, ar condicionado a bombar, janelas fechadas, um calor de morrer, o segurança observa, a cancela abre e tenho dois carros atrás de mim, e eis que o espírito baixou em mim, deve ser coisa de professor.
Mão na buzina, ao mesmo tempo que abro a janela e começo a gritar “Ei, ei, o que é que se passa aí? Parem imediatamente com isso”. Surte efeito, deve ser do tom utilizado (são muito anos a virar frangos) combinado com as apitadelas, a pancadaria cessa e voltam-se para mim, o agressor começa a afastar-se, sem que lhe veja bem a cara, e pensei “Ai não, não!” mas estou longe, separa-nos uma grade, uma estrada e o carro. Berro novamente “Tu, pára já! O que é que estavas e estás a fazer?” e ele volta-se e começa a dizer-me qualquer coisa que não ouço porque o agredido decide despejar-lhe uma garrafa de água para cima, para refrescar os ânimos literalmente. Fogem os dois para longe da minha vista enquanto um dos miúdo, pequeno e franzino, me diz com um ar incomodado “Eu estou farto de lhes dizer para eles pararem mas eles não me ligam!”.
Furiosa e perplexa, olho para o segurança e quase, quase, que me saiu um “Se viste porque não fizeste ou disseste nada?”, contenho-me, pensando, não é a função dele, não é para isso que lhe pagam.
Olho pelo espelho retrovisor, já há 4 carros atrás de mim, aguardando silenciosamente que eu avance, pensando certamente “É doida, fritou a pipoca!”.
Avanço e estaciono o carro logo que possível. A passos largos, dirijo-me ao campo para falar com o responsável pelos jovens e dizer que fui eu a maluca que gritou do outro lado da estrada.
Dou com os dois miúdos sentados a levar um sermão, o agressor a chorar compulsivamente, vociferando as razões para a sua ação, e pensei “Ok, estão a tratar do assunto!. Quando, depois de me ouvir, o responsável me diz “Já estou habituado, já nada me choca!”. Isto mais do que tudo, deixou-me estarrecida “Pois devia chocar! O que eu vi não foi um brincadeira de miúdos, não foi um briga comum entre eles. Já vi e separei suficientes para saber ver a diferença. O que vi, pelo tipo de violência e raiva não contida, revela muito mais que isso” afirmei. Olhou-me espantado, e com outros olhos, anuindo com a cabeça “Nós sabemos. Não se preocupe, vamos resolver a questão!”.
Passado o “calor” do momento, decidi partilhar o que se tinha passado com a pequenada que me olhou com um ar sério quando lhes disse “Espero, nunca, mas mesmo nunca, vos ver envolvidos numa cena destas. E se alguma vez presenciarem alguma coisa deste género e acharem que não os conseguem acalmar ou separar, não é para ficarem a olhar, vão imediatamente chamar alguém e pedir ajuda! É um dever de todos.”
E não me sai da cabeça a passividade do segurança e a “normalidade do ato” que o responsável me tentou transmitir. Raios parta a falta de envolvimento e de vontade de intervir que mina e domina tanta gente! Em muitas situações, intervir não é uma opção, é um DEVER!

Superligados

“Mãe, tenho uma coisa para te contar sobre…” dizia a menina de 5/6 anos sentada ao lado mãe num transporte público.
“Espera só um bocadinho. Dá-me um minuto!” interrompe-a a mãe compenetrada
“É rápido e engraçado, como uma história…” diz a menina com o entusiasmo típico de quem quer partilhar algo emocionante.
“Agora não! Estou ocupada!” diz a mãe entre dentes antes que a criança desse por terminado o seu discurso
“Oh mãe, vá lá, deixa lá contar-te” diz a menina em tom de súplica, puxando a manga do vestido da mãe.
“Já te disse agora NÃO POSSO!” diz a mãe com um ar definitivo e zangado.
A menina resignou-se, mirando a mãe com uma ar desiludido. E assim seguiram, lado a lado, mas ao mesmo tempo longe, a milhas e milhas de distância, a menina embrenhada nos seus pensamentos e a mãe de telemóvel na mão atenta a tudo o que seu ecrã lhe comunicava, entre mãe e filha não houve qualquer tipo de comunicação durante largos minutos. Fica a dúvida: será que a menina lhe chegou a contar a tal história com que estava tão empolgada ou terá perdido o entusiasmo e a motivação?

Um artigo bastante interessante sobre a temática da geração dos “Superligados” que salienta a importância do papel e do exemplo dos pais no controlo do uso das tecnologia  é o intitulado “Os miúdos não desligam da tecnologia. E agora?”. Recomendo a leitura…atenta!

 

Século XXI ?!

Aborrece-me constatar que, no nosso dia a dia, nos cruzemos com malta ocidental, nova, onde as mulheres têm de pedir autorização ao namorado/marido para cortar o cabelo (e este é que decide o estilo e/ou o tamanho do corte e este dá lá um salto só para ter a certeza que está tudo nos conformes) ou que tenham que pedir autorização para gastar do seu, dela, dinheiro, independentemente, de pretender gastar 1€, 10€ ou 1 milhão e, no final, havendo autorização para gastar, têm que apresentar todas as faturas. Tudo me pareceria tão bem e normal, seja lá o que isso for, se em vez de autorização, buscassem apenas a opinião, ao género de uma parceria onde predomina a confiança, o respeito e a igualdade de direitos e deveres.

 A rapariga contempla-se longamente no espelho, visivelmente satisfeita com a imagem que este lhe devolve – o seu lindo e longo cabelo, cheio de madeixas, habilmente penteado, uma perfeição os efeitos e as suas unhas de gel e a maquilhagem realça a cor dos seus olhos – e pensa que o outro que apregoa que “Ela é linda sem makeup”, não sabe o que diz, ou se calhar até sabe, ela é que não se lembrou da música que mais se adequa a este seu momento:“Ela é linda, ela é special… Ela parte-me o pescoço”.
Olha impaciente para a sua mãe que está quase pronta, faltam os últimos pormenores. Os seus lindo vestidos longos, como é da praxe em qualquer gala ou festa que se preze, aguardam-nas. Não podem chegar atrasadas, é a sua festa de finalista, no próximo ano letivo, já vai para o 5ºano. Uma mulher portanto…

As coisas que se aprendem numa ida, rápida, ao cabeleireiro! Qualquer uma destas cenas de mulheres, e protótipos, me impressiona… e não é pela positiva!

“Good night stories for rebel girls”

Seguindo a linha da coleção Antiprincesas surge agora um livro que reúne 100 mulheres, de várias nacionalidades e interesses que, em comum, têm o facto de terem tido um papel relevante na História e nas suas histórias (ex: Frida Kahlo, Simon Biles, Michelle Obama, Serena Williams). 100 mulheres são ilustradas por outras 100 mulheres, dos príncipes não reza nenhumas destas histórias, é assim o livro infantil intitulado “Good night stories for rebel girls”

Um livro dedicado às princesas, que não almejam um príncipe, mas principalmente construir e governar o seu reino e conquistar o mundo, nem que seja apenas o seu. Um livro recomendado a todos os miúdos e graúdos porque os sonhos não escolhem géneros nem idades.
Vale a pena ver o vídeo e meditar sobre a presença e o papel das mulheres nos contos infantis “tradicioniais”! Contém dados bastante interessantes, os quais, desde cedo, aceitámos sem questionar, de tão enraizados que estavam os contos e os estereótipos mas que não condicionaram o futuro que escolhemos ou será que…?!

Crianças e as suas indagações sobre sexo

No final de um dia de trabalho, pensava para consigo “Isto é apenas uma fase. Tenho que reagir com naturalidade ou eles nunca mais falam comigo sobre o assunto!”. Suspira e respira fundo, tentando adivinhar com que questões ou observações será agraciada dentro de momentos quando os for buscar à escola. Com 8 e 10 anos, os seus filhos, curiosos e permeáveis às conversas que vão ouvindo e tendo com os seus colegas da escola, nos últimos tempos, centraram todas as atenções num único tópico “Sexo”.
As diferenças na fisionomia do homem e da mulher, a sementinha, o óvulo, como se juntam e porque nem sempre se forma um bebé, à palavra feia fo****,  foram tudo temas mais que falados nos último dias  e não vê que mais poderão eles perguntar ou querer saber mas eles têm o dom de a conseguir sempre surpreender.
Prepara-se, mentalmente, para mais um eventual “round”, alimentando, bem lá no fundo, a esperança que outro tema lhes tenha despertado a curiosidade e a atenção. Rapidamente percebe que não, ainda não será desta vez, reza em silêncio para ter paciência e ser assertiva, quando o mais novo dispara “Hoje, a mãe e o pai vão fo****?”.
Sente os olhos a saírem das órbitas e a mente a fervilhar. Respira fundo, conta até 10, lembrando-se que o seu menino só tem 8 anos e não tem noção da crueza e magnitude da sua questão. Afagando-lhe o cabelo, aparentando uma calma que nãos sente, relembra-o que não se usa a palavra fo****, é feia, é uma asneira, que as pessoas que gostam verdadeiramente uma da outra fazem amor e que assim é infinitamente melhor, acrescentando que não se deve perguntar essas coisas a ninguém pois só dizem respeito aos dois e a mais ninguém, é como um segredo entre amigos. O seu menino acena com a cabeça ao seu discurso mas a a sua atenção já está centrada nos LEGOS espalhados pelo chão. Confiante que a sua resposta o aquietou e é invadida por um misto de sentimentos: alívio, embaraço e o de dever cumprido, assunto encerrado.
O pai chega a casa e o menino corre para o abraçar e, em, plenos pulmões pergunta “Quando tu e a mãe fizerem amor, eu e a mana podemos ver?” O pai olha para a mãe, recordando a conversa que tinham tido de “agir naturalmente quando os miúdos falarem sobre o assunto” e diz, sorrindo, naturalmente, “Claro que sim!” e a mãe abraçando ambos, lançando um olhar desconcertado ao marido, diz “Claro que não! Já falámos sobre isso hoje”, o seu menino sorri como quem diz “Há sim?”. Inspira, expira e suspira profundamente, preparando-se para botar discurso sobre a intimidade, e matutando “Here we go all over again! Olha se ele vai contar esta lá para a escola, vai ser bonito vai!”

“De que forma é que as crianças (0 aos 8 anos)e as suas famílias utilizam as tecnologias (online)? “

Um estudo piloto europeu, realizado em 18 países, procura dar resposta a esta pergunta, explorando a dinâmica entre pais e filhos, as utilizações e as perceções de crianças e pais relativamente à utilização destes dispositivos, a fim de identificar as atividades digitais e práticas, benefícios e riscos associados.
Em todos os países, o relatório tem como base uma amostra incluiu 10 famílias com crianças com 6 ou 7 anos de idade, que frequentavam o 1º ou 2º ano de escolaridade do 1º Ciclo do Ensino Básico e que utilizavam, pelo menos uma vez por semana, um dispositivo digital.

As principais conclusões referidas no relatório português (vale a pena dar uma vista de olhos)

Folhados, vegans ou afins, crianças e modas!!!

Cinco anos acabados de fazer, na sua festa, o aniversariante deliciando-se com um folhado de salsicha, oferece um ao seu amigo que lhe responde, usando a sua sabedoria de cinco anos de vida, “Não quero! Isso tem animais mortos dentro!”. “Não! São salsichas!” diz o aniversariante, olhando para o adulto mais próximo, assim como quem diz “Ora explica-lhe lá tu que ele está para aqui com história de animais mortos no meu folhado!”
Parabéns V.,  continua a apreciar os folhados e ensina-lhes como se faz!!!!

Cenas que me perturbam!

Suspira profundamente com um ar pesaroso e eu comento “Então rapaz que se passa? Ainda é muito novo para isso! Não me diga que é dos ares da primavera? Alergias, sinergias, empatias?!”. Ele sorri e diz “Não, stôra! É a minha vida! Sei lá… é complicado!”. Tranquilizando o moço digo “Deixe lá tudo se resolve! Pode não acreditar, como eu não acreditei quando mo disseram na sua idade, mas não há melhor vida que a de estudante!”. Argumentos para cá, argumento para lá e o moço aquietou-se e diz um outro “Pensando no que acabámos de falar, não vejo grande diferença entre mim e quem trabalha. Saio de casa todos os dias às 8h00 e regresso perto das 20h00 e nunca páro!” diz desanimado. Espantada digo “Então mas tem 3 tardes livres!” e ele esclarece-me “Pois mas tenho natação, inglês, viola, explicação…”. Ocorreu-me apenas opiniar “Algo não está bem aí!” e ele com um ar resignado diz-me “Pois agora vá lá explicar isso aos meus pais!. Eu e os seus colegas demos de ombros. Troquei um olhar com o aluno do suspiro, o tal que despoletou esta deambulação, assim como quem diz “Há sempre vidas piores que as nossas!” e ele piscou-me o olho acrescentando “Certo, percebido!”

“Houve luz e trovões, mas era só Nossa Senhora”

“150 crianças de três escolas católicas de Fátima vão receber o Papa na Capelinha das Aparições, esta sexta-feira. Os alunos do Centro de Estudos de Fátima estão a preparar-se para um dia “emocionante”. Explicam, à sua maneira, o que aconteceu há 100 anos na Cova da Iria e o que é isso de “ficar santo”.

Muito engraçada esta reportagem da Renascença, vale a pena ver o vídeo! As crianças são… acima de tudo genuínas!!! Delicioso 🙂

Pormenores técnicos!

Aquelas pequenas coisas que dizemos aos alunos para os ajudar a lembrar alguns pormenores e eles aplicam e reproduzem na perfeição. Confirma-se que ao lecionar o estudo das transformações gráficas das funções é sempre assim que me refiro ao x pois efetivamente ele é “mentiroso”, no sentido em que engana, coitadito do x! Um “comentário” que, aparentemente, os alunos retém.

Em branco…

“Estava aqui revendo as minhas fotos da neve! Adorei, stôra! Cheguei a Portugal, em Outubro, no Brasil, não há neve, nunca tinha visto. Quando ouvimos que havia neve cá na Serra da Estrela, fomos até lá para conhecer! Amei, amei! Tinha nevado no dia anterior, mas não estava frio, não estava ventando! Aí, quando eu contei pra os meus colegas onde tinha ido, descobri que eles nunca tinham ido até lá, nem tinham curiosidade! E aí, eu pensei, é a um pulinho daqui, como é possível? Me explica isso, stôra, por favor!”