Danças Ocultas&Orquestra Filarmonia das Beiras

Numa triste, chuvosa, e fria noite de outono, agasalhados até aos dentes, tinham-nos avisados de antemão que o ar condicionado da sala estava avariado, fomos ouvi-los, numa sala muitíssimo longe de ter lotação esgotada, apesar do espetáculo ser gratuito e de os “artistas” terem, recentemente, esgotado o CCB e a Casa da Música.
Foi sublime, são simplesmente fantásticos!
Quem perdeu? Quem escolheu ficar em casa! Não consigo perceber se é falta de informação, interesse, vontade ou se as pessoas, simplesmente, não querem mesmo saber! É triste porque os artistas mereciam uma plateia muito mais composta, em número!

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Sons e recordações da minha infância

Concerto de ano novo foi a última vez que nos encontrámos, cada um muito bem acompanhado das suas caras metades e respetiva pequenada. Conversa puxa conversa e diz-me ele “Então e já ensinaste os teus filhos a cantar a Bicicleta?” ao que eu respondi “Já me ouviram cantá-la, inclusivamente, quando eram bebés e eu ainda não tinha o repertório que tenho hoje em dia mas ensiná-los, ensiná-los, não!”. Entre risos, diz-me “Isso é que é uma grande falha, como é que é possível? Tens que remediar isso!”. Lembrei-me então de perguntar, inocentemente, “Então e tu já a ensinaste aos teus?”. Ele olhou para mim, sorriu, e acrescentou “Agora apanhaste-me! Reparo agora nesta minha enorme falha. Também eu ainda não ensinei a música da Bicicleta aos meus!” Retruco “Bem, que grande falha senhor maestro!” e ele responde-me “Olha quem fala senhora solista”. E assim nos despedimos com mais um ano a começar e a promessa, não verbalizada, de cada um ensinar aos seus a famosa música da Bicicleta.
Quis o destino, e as voltas da vida, que só nos reencontrassemos volvidos 2 anos, e diz-me ele “Que grande murro no estômago me deste naquele dia mas fica sabendo que já ensinei a música da bicicleta os meus filhos!”. Ri-me retribuindo um “Eheheheh e eu aos meus!”.
Memórias felizes de tempos passados de pessoas que serão sempre importantes, uma referência, que acompanha determinada fase da nossa vida e por isso, não estando presentes, farão sempre parte das nossa vida e das nossas aprendizagens, porque nos viram crescer e que, por sua vez, também vimos crescer, quem recordamos com carinho e com quem é sempre um enorme prazer, por breves instantes, voltar a ter a idade que os meus pequenos têm agora, voltar a estar nos estrados do coro, repletos de malta fixe da minha idade, sempre pronta para cantar (e desafinar), num convívio animado e saudável e muito mais, sobre a batuta de um ótimo maestro, um tipo bem disposto, porreiro e que fazia umas funny faces a cantar (por causa da importância da respiração, disse-nos ele), que, para nós, do coro, é, e será, sempre o Miguel.
Ora então para recordar a música “Uma Bicicleta” pelas vozes desafinadas da malta cá de casa, (não estavas cá Miguel, foi o melhor que conseguimos!). Dedicado, em primeiro lugar, ao grande Miguel, à Rita e a todos os meus companheiros do orfeão pois juntos cantámos esta música vezes sem fim e a sua letra é, ou deveria ser, intemporal!

Se não me falha a memória, a letra da “bicicleta” foi escrita pela Rita Colaço, que também andava no coro, e musicada pelo Miguel, o nosso maestro, fazia parte do repertório de todos os concertos e a solista começou por ser, obviamente, a Rita.
A Rita que conheço desde pequena e que não vejo, se calhar, há mais de duas dezenas de anos (fogo que uma pessoa está velha), mas que, com 6 ou 7 anos, me lembro, enquanto brincávamos, de ouvir dizer, agarrada a um microfone que estava ligado a um leitor/gravador de cassetes (brinquedo muito à frente para a época), “Eu quero ser jornalista e vou ser, vais ver!”. Talvez, nessa idade, se sentisse inspirada pelas experiências piratas, e não só, do seu pai na área ou, porque afinal, corria e corre-lhe nas veias o mesmo sangue ou, simplesmente, porque sim ou porque quem sai aos seus não degenera.
A Rita correu atrás do seu sonho de menina e, hoje em dia, é uma jornalista da Antena 1 com vários prémios ganhos. A imagem que retenho dela será sempre a da menina de microfone em riste que queria ser jornalista, que escreveu/cantou a Bicicleta e das brincadeiras com ela e com o João enquanto os nossos pais conversavam animadamente (o 1º sonho, doce de natal, que comi e apreciei foi na casa dos seus pais, ele há coisas e memórias, senhores!)

“Uma bicicleta
para qualquer miúdo
pode não ser nada
mas para mim é tudo

Pela estrada fora
sempre em linh reta
quem é que não gosta
de uma bicicleta”

Que ano…

Seguem-se uma atrás das outras, querem-se quentes e boas mas só que não… um bocadinho farta deste 2017, cheio de triste notícias e ainda falta 1 mês para terminar, MEDO…! Que o fim de 2017 chegue mansinho, sem delongas e sem mais “novidades, notícias e eventos” deste género, bolas que já chega, por mim, falo!
Não me lembro de quantas vezes os vi ao vivo, de quantas cassetes e CD´s tenho deles, o Circo de Feras será sempre uma referência, mas sei de cor muitas das suas músicas, cujas letras são intemporais e, regra geral, muito boas, ao longo de quase 40 anos, tocaram (n)as vidas de muitos e isso não é para todos, só para os melhores, os que permanecem humildes, fieis e sem tiques de estrela, assim foram, e são, para mim, os Xutos. O Zé Pedro será sempre o eterno bom rebelde, o irreverente que viveu plena, assumidamente e sem pudor, a máxima “Sex, drugs anda rock and roll”, não sendo o único, foi único, de sorriso nos lábios, à beira do abismo, entre a vida e a morte, repensou e escolheu outro caminho mantendo a mesma aura, carisma, rebeldia e simpatia, seguindo admirado e estimado por todos. Os Xutos perderam um bocado da sua alma e nós sentimos no fundo do coração a sua, mas também um pouco nossa, perda!

“Pensas que eu sou um caso isolado 
Não sou o único a olhar o céu 
A ver os sonhos partirem 
À espera que algo aconteça 
A despejar a minha raiva 
A viver as emoções 
A desejar o que não tive 
Agarrado às tentações 

E quando as nuvens partirem 
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem 
Vais ver, o sol brilhará 
Vais ver, o sol brilhará 

Não, não sou o único 
Não, sou o único a olhar o céu 
Não, não sou o único 
Não, sou o único a olhar o céu 

Pensas que eu sou um caso isolado 
Não sou o único a olhar o  céu 
A ouvir os conselhos dos outros 
E sempre a cair nos buracos 
A desejar o que não tive 
Agarrado ao que não tenho 
Não, não sou o único 
Não sou o único a olhar o céu”

Zé Pedro

Big Bang 2017

Na caixa de ressonância, tocámos instrumentos e “escondemo-nos”, lá em baixo, sentindo a ressonância, fomos até ao aconchegante quarto da Joana e mergulhámos um pouco no seu mundo do violoncelo, com as suas caixas iluminadas e ventoinhas com fitas; conhecemos o admirável mundo do Vicent e da sua música, os efeito especiais, com os seus encadeamentos e ciclos, e soubemos que aprendeu eletrónica e programação para conseguir desenhar este espetáculo, que inicialmente era destinado a crianças com deficiência; marchámos e batemos palmas ao som dos Tocá Rufar; fizemos um piquenique no bonito jardim das oliveiras, desfrutando da vista; subimos as escadas até ao paraíso num concerto de Bach; construímos uma pirâmide de cubinhos enquanto o pai comia um chocolatinho que custa a módica quantia de 80€ o kg mas diz que é magnifico, só pode; fomos até à Bertrand conhecer novos livros e os cinco delirámos com “O Caderno das Piadas Secas”, comemos um belo, e saboroso, gelado italiano e, para finalizar, as atividades no CCB, deixámo-nos embalar pelas bonitas vozes e sonoridades do espetáculo “Como dormirão os meus olhos?”. Foi um lavar de olhos e ouvidos este dia repleto de música e atividade no CCB. O espetáculo que a pequenada mais gostou foi o do Bach e isto, sim, surpreendeu-me!
Aproveitámos a parceria do Big Bang com a Hipotrip, e os preços mais maneirinhos, para experimentar esta forma de navegar no Tejo. A pequenada estava entusiasmadíssima, há muito que pediam para realizarmos esta experiência, os graúdos nem por isso. Ficámos todos alegremente surpreendidos, foi muito divertido, muito graças ao excelente guia/animador Paulo. A pequenada adorou e nós também aprendemos umas coisitas e entrar no Tejo num “autocarro” é emocionante. Para concluir o dia beleza, fomos degustar uns deliciosos Pastéis de Belém 🙂

Um outro lado de São Miguel

Rabo de Peixe não consta nos roteiros mais turísticos de São Miguel mas vale a pena uma visita. Situada sobre uma escarpa, encontra-se sempre gente junto ao paredão conversando ou passando o tempo, nas escadas da igreja, gente sentada em amena cavaqueira, os cafés são à moda antiga, crianças brincam livremente na rua, uma terra grande, com bastantes infraestruturas, mas que poucos diriam que tem cerca de 10 000 habitantes.
Junto ao Porto de Pesca, vislumbram-se as casas coloridas, grupos de jovens conversando e ouvindo música, sentados no chão, os mais novos mergulhando do cais para o mar, fazendo praia a Açores, numa espécie de lota, vários moços amanhando e lavando peixe e colocando nas camionetas. Nas paredes das casas, pode-se admirar a street art que tem colorido, de uns anos para cá, as paredes da ilha, do VHILS, encontramos as caras de alguns pescadores residentes mas muitas outras se podem ver por lá, lembrando o que foi feito em Loures, na Quinta do Mocho ou, em Lisboa, no Bairro Padre Cruz.
Sim, sente-se no ar, e vive-se o ambiente de bairro social, talvez por não estarem habituados a visitas de turistas, olham-nos um pouco estupefacto, desconfiados, não interagindo mas falando entre si com um sotaque acentuado numa linguagem crua, para logo prosseguirem com a sua labuta. É coisa para deixar alguns turistas um pouco relutantes em continuar a sua exploração mas vale a pena não desistir.
Uma população, essencialmente, jovem onde continua a haver muito desemprego, alcoolismo, drogas, etc, tudo aquilo que carecteriza um meio socioeconómico desfavorecido. Vivem, essencialmente da pesca, sujeitos aos arrufos da mãe natureza e do mar, e dos donos das embarcações, não é vida fácil.
Vale a pensa conhecer Rabo de Peixe, descer ao Porto e perceber que nem tudo na ilha é verde, florido, com casas bonitas e pastos repletos de vacas felizes e gente contente com a sua vidinha. A pobreza não oculta a beleza do local, de uma gente e terra que parece  querer desafiar as leis da natureza, sujeito aos humores dos Neptunos e Adamastores desses mares e da vida e/ou não desiste de tentar.

Sandro G. foi o primeiro rapper açoriano, trouxe um novo sotaque para o rapp, é uma referência em Rabo de Peixe e nos Açores, talvez porque para muitos colocou Rabo de Peixe e as ilhas no mapa e nas bocas do mundo, no início do milénio. Em 2003, foi ao Herman e a tudo o que era programa do género, ficou “famoso” mas pouco ganhou com isso, nas palavras de Sandro G., transformaram Rabo de Peixe e a si próprio numa anedota/brincadeira quando com a sua música “Eu não vou chorar”, pretendia alertar para os problemas existentes em Rabo de Peixe, acabou por ficar conhecido pela música da “galinha”. O mundo do VIPS e das editoras é muito isto, fogo de vista, o importante não é comercial logo não interessa.
A letra da sua música “Não vou chorar” traduzia e traduz muito bem as vivências e o sentir das gentes Rabo de Peixe, então como agora.

Saudade

“Esta rapariga tem porras!” é uma expressão que ouvi, muitas vezes, em pequena o meu tio avô, de acordeão na mão, proferir. Não me lembro se era referindo-se a mim, inserido em conversas ou um misto dos dois.
“Esta rapariga tem porras!” é uma expressão que, hoje em dia, associo, de imediato, a pimpolha mais pequena, assenta-lhe que nem uma luva dado o seu feitiozinho e, muitas vezes, quando ela está num dos seus momentos é assim que me refiro a ela!
De outro querido tio, ficou o tratar, carinhosamente, por “Lesma” quando estamos naquelas nossos momentos ou intervenções mesmo “DAHHH”. Como estas tantas outras, tantas outras dele, que inconscientemente utilizamos… e caramba, que saudades, de quem partiu cedo demais, dono de um coração do tamanho do mundo e um sorriso tímido!
Ironias da vida, lembrar-nos que afinal quem sai aos seus não degenera e recordar que pessoas que já há muito partiram deixam sempre um pouco delas connosco e levam um pouco de nós consigo.

Eles andem aí e as naves também!

“Onde é que vocês deixaram a nave estacionada?” é uma pergunta que faço, em tom de brincadeira com alguma frequência, aos meus alunos e a melhor resposta que já lhes ouvi foi “Uiiii, uiii, sabe lá, hoje estava o parque cheio! Tive algumas dificuldades” e assim nos rimos e descontraímos. Cada vez mais, tenho que morder a língua para não perguntar seriamente o mesmo a muitos graúdos. Provavelmente, eu é que sou do Espaço ou de outro mundo.

Fernando Pessoa by Salvador Sobral

Admiro-lhe entre outras coisas: o espírito, o sentido de humor, a musicalidade, a expressividade, a maestria e a qualidade com que articula, com naturalidade, este dons. Bons presságios, que o futuro lhe sorria!

“Presságio” de Fernando Pessoa cantado por Salvador Sobral

O amor, quando se revela
Não se sabe revelar
Sabe bem olhar p’ra ela
Mas não lhe sabe falar

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse
Se pudesse ouvir o olhar
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar
Fernando Pessoa

Dia da Criança

Uma ideia engraçada, colorida, original, até a escola ganhou um outro ar! Os miúdos são muito castiços  e dizem coisas fantásticas.
Pimpolha mais pequena encarnou a sua melhor versão materialista – anda uma pessoa convencida que anda a fazer alguma coisa de jeito com esta malta e vai-se a ver… parece que nem por isso 🙂 Ao ver o seu dizer, ri-me e disse-lhe “Presentes, hã?” e ela respondeu com o seu sorriso maroto, aquele de quem tem sempre resposta na ponta da língua e me dá um grande desconto, “Recebeste algum hoje?” – é tão parecida com o seu mano e… com a mãe, dizem as más línguas, obviamente.


Os meus preferidos são

Mas há lá muitos simplesmente deliciosos

Ser criança não é fácil! Corresponder às expectativas dos pais pode ser tramado e, ao que parece, desde muito cedo, se aos 5 anos, uma mãe, que lia o “mural” com o filho pela mão, observa com um ar desiludido “Então e só disseste isto? Os teus amigos disseram muito mais coisas!” imagino como será daqui a uns anos, o filho limitou-se a olhar para ela, dando de ombros, como quem diz “O que é que querias que eu dissesse mais?”.

Espíritos livres, criativos, críticos, genuínos, energéticos, brincalhões, de sorriso fácil, marotos, aventureiros, assim são as verdadeiras crianças, independentemente da sua idade 🙂 E tão bem que eles sabem viver, são verdadeiramente felizes, relembremos e aprendamos com eles!

Neste dia, a RFM, em honra das crianças e da palavra que elas mais odeiam ouvir “Não”, com mais uma excelente letra musicada. Vale a pena ouvir, rir e mostrar à pequenada, aqui por casa apreciaram mas gostaram mais da da Comercial (eu também não… )

Irmãos

Hoje, como todos os dias, é dia dos irmãos mas parece que se assiná-la hoje, nesta moda dos dias que pegou.
A RFM presenteou-nos, a nós, sortudos que temos irmãos (dos bons), com uma música alusiva a esta relação tão estreita, às vezes demasiado. Uma letra bonita, de Rodrigo Gomes, que, acima de tudo, retrata na perfeição a relação entre irmãos (pelo menos para mim) e aquilo que observo todos os dias nos manos cá de casa e, muitas vezes, me faz sorrir, e relembrar, e outras me deixa com vontade de arrancar cabelos, nem sei bem se os meus se os deles. Suponho que os nossos progenitores, enquanto irmãos e pais, tenham sentido exatamente a mesma coisa. São as tais cenas e coisas intemporais…provavelmente, as melhores!
Dedicado ao meu mano: obrigada por estares sempre por aí/aqui, apesar de, como costumas dizer vezes sem fim, “Tu móis-me o juízo!(…) Agora não tenho tempo”, obviamente que moo, faz parte da minha missão função mas sempre como muito amor e carinho, e sabes bem que gostas pois há sempre aquela mítica frase “O que é que tu queres agora?!” e afinal, afinal, tens arranjas sempre tempo, love you. À pequenada cá de casa, love you too, e vocês são tão, mas tão, assim, meus lindos!

Letra:
(Rodrigo Gomes)

É para sempre o amor de irmãos
Nada vai separar você de mim
Eu sei que vou contigo até ao fim

Por cada turra e cada empurrão
Eu só quero ver você sorrir
Nem que seja por nos ver cair, no chão

Yeah
Ainda me lembro quando chegaste ao mundo
Tive ciúmes mas eu sei que lá no fundo
Tu vieste para me completar
Foi contigo que tive de aprender a partilhar

E nós parecemos bipolares
Tanto andamos à tareia
Como te abraço para acalmares

Imaginação, nada nos batia
A fazer tendas com lençóis
Em casa da nossa tia

E o mano vai estar cá sempre para te ouvir
E esta roupa vai ser tua quando já não me servir

As nossas lutas…
Desculpa usar-te sempre para te pôr as culpas

Juntos cantamos e berramos no banco de trás
Iluminamos e esgotamos a paciência dos papás

Os irmãos quando se unem têm uma força brutal
Vê só o que conseguiram juntos os irmãos Sobral

É para sempre o amor de irmãos
São as pessoas com que se despacha
Um pacote inteiro de bolacha

É claramente uma união
Que ultrapassa toda e qualquer mágoa
E servem para ir buscar um copo de água

No final do dia, de banhos tomados
Manos de pijama a brincar aos penteados
Quando te sentes à deriva ter um irmão é ter um cais
Porque há determinadas coisas que não se contam logo aos pais

E é claro que o sangue pesa
Mas também há os irmãos que nós ganhámos na guerra
Adoptivos ou Amigos que estão sempre na vigília
Um por todos e todos por um
é o lema da família

É para sempre o amor de irmãos
Nada vai separar você mim
Eu sei que vou contigo até ao fim

Por cada turra e cada empurrão
Eu só quero ver-te a sorrir
Nem que seja por nos ver cair, no chão

…. ninguém consegue desligar os fios
e o amor cresce quando formos tios
‘Props’ para os sobrinhos…

Frutologia no Jardins da Gulbenkian

Dois dias repletos de atividades gratuitas para os mais pequenos, com um ambiente fantástico, num belo cenário – os jardins da Gulbenkian – numa parceria da Compal com programa Descobrir da Gulbenkian. Vale a pena passar por lá, desfrutar do ambiente e das atividades, quiçá fazer um piquenique e dos bonitos jardins da Gulbenkian (horários e atividades). Se estiverem pela capital, é aproveitar, amanhá há mais e vale mesmo a pena!!!
Adorámos rever e ouvir a fantástica Ana Sofia Paiva (matando saudades do Pinhal das Artes), e que desta vez nos trouxe uma adaptação da história da “A tartaruga e a fruta amarela” , adivinhas com frutas, e canções sobre frutas, cantou uma parte da Senhora do Almurtão “olha a laranjinha que caiu, caiu!” (que tantas vezes ouvi e cantei em miúda), muitos trava línguas e um bonito poema de Miguel Torga. Tudo isto regados com o ritmo, a musicalidade, a expressividade, o espírito, a empatia e o profissionalismo que caracterizam uma excelente contadora de histórias! Para terminar, o concerto dos Clã, dedicado à pequenada, que deixou muitos com “asas nos pés”.
Nota: Se almoçarem por lá, no interregno das atividades ainda podem visitar a exposição do Almada Negreiro, que está quase a terminar. Fica a sugestão!!!

A felicidade, a primavera e o dia do pai – uma verdadeira mixórdia de temáticas!

Dia 20 de março, respiramos fundo e suspiramos sentindo no ar a chegada da primavera, pelo menos oficialmente, é também o dia em que se comemora o dia da felicidade, nesta moda instaurada de que tudo tem um dia. Foi também o dia que ficámos a saber que segundo um estudo recente, Portugal ocupa no ranking a posição 89 entre 155 países, onde, mais uma vez, os nórdicos lideram a tabela, somos o quarto país menos feliz da Europa.

O sol que nos aquece a pele, e o coração, na maioria dos dias, boas paparocas que nos enchem a barriguita e consolam a alma, um país de uma beleza surpreendente, de cortar a respiração, queiramos nós explorá-lo e aproveitar o que tem para nos oferecer, um país seguro, apesar dos gatunos, aparentemente inocentes, que nos roubam milhões, um país de gente calma e pacífica, especialista em queixumes e lamentos, o país onde existem mais telemóveis per capita, onde os centros comerciais e as grandes superfícies comerciais proliferam, onde, por ano, os seus cidadãos investem mais em cápsulas de café Nespresso do que em livros, onde se valoriza o ter em detrimento do ser, onde se escolhe ostentar em vez de vivenciar… Temos tudo isto e muito mais, no entanto, o problema não foi só a crise que nos toldou o entendimento mas a mentalidade e a forma como escolhemos viver/encarar a vida: entre reclamar por tudo e por nada, conscientemente, sabendo que nada faremos para modificar a realidade que tanto criticamos, ou deitar mãos à obra e tirar o melhor partido do que se tem, apreciando e dando valor a cada momento, mesmo os maus, a cada aprendizagem, mesmo as dolorosas, a cada sorriso, aos genuínos mas, principalmente, aos esforçados, descartando de imediato os cínicos, sabendo rir de si próprio e fazendo sorrir os outros, não perdendo nunca o sentido de humor e o poder de encaixe; o que será que a grande maioria escolhe?

Dou comigo a sorrir ao (re)ler um artigo do presidente e fundador do Happiness Research Institute, quando esteve em Portugal, a promover o seu livro intitulado “O Livro do Hygge — O segredo dinamarquês para ser feliz“. Um dinamarquês cheio de espírito, sentido de humor e que tem um discurso bastante interessante e que até me ensinou uma palavra nova “hygge” para algo que, em certa medida, há muito pratico, ou pelo menos tento, ou então vivo só na ilusão de… whatever! Não, não comprei, não li e não tenciono ler o seu livro mas não deixa de ser um entrevista que vale a pena ler. Alguns excertos abaixo

E porque foi, oficialmente, dia do pai, partilho, um tema que não faz bem o meu género, mas cuja letra, de forma simples, bonita, verdadeira, espelha na perfeição o que qualquer pai, e mãe, deseja para os seus filhos, e curiosamente, sobre estar bem com a vida, ser feliz.

Ao(s) meu(s) pai(s),

“I love my life
I am powerful
I am beautiful
I am free
I love my life
I am wonderful
I am magical
I am me
(…)And finally
I’m where I wanna be “
And all of this
thanks to you
I love my life
and I´m grateful
for all the things you
have taught me
and done for me
and above all,
I love you
(acrescento eu :))

À pequenada cá de casa, dedico esta parte, que eles tão bem conhecem na prática…

“Tether your soul to me

I will never let go completely
One day your hands will be
Strong enough to hold me
I might not be there for all your battles
But you’ll win them eventually
I’ll pray that I’m giving you all that matters
(…)
I am not my mistakes
And God knows I’ve made a few
I started to question the angels
And the answer they gave was you
I cannot promise there won’t be sadness
I wish I could take it from you
But you’ll find the courage to face the madness
And sing it because it’s true
(…)
Find the others
With hearts
Like yours
Run far, run free
I’m with you”

O segredo está na forma

Mais importante que o que se diz, é a forma como se diz – parece ser uma técnica que revela bom senso comum e fruto de uma experiência de anos acumulados a comunicar com os outros quase desde o berço (e atenção que as crianças são exímias nesta arte), no entanto, e infelizmente, constato todos os dias que afinal não! A mesma frase dita com um sorriso nos lábios, de forma afável mas incisiva, ou dita de forma rude e pouco simpática, provocam, no imediato, reações bem diferentes no recetor, e condicionam a forma como nos “verá/ouvirá” no futuro. Obviamente que há que ter também em consideração a necessidade de adaptar o discurso, não só ao recetor, como ao contexto e à circunstância. A forma é o segredo, não tenho dúvidas, claro que há sempre exceções à regra: os intragáveis. Complicado esta coisa da comunicação efetiva.
António Zambujo mostra-nos que com a música acontece algo semelhante, não é a letra mas a forma como é cantada e “musicada” que condiciona/influencia a nossa interpretação da letra, especialmente quando é feito com tamanha maestria!

O original

Outro bom exemplo  (e o original)

É o amor!!

Na escola, escreveu-lhe uma carta mas não teve coragem oportunidade de lha entregar, diz ele.
Chegado a casa decidiu fazer-lhe o postal da imagem!
8 anos e é isto, uma lábia invejável que não faço a mais pálida ideia onde aprendeu mas os clichés estão quase todos lá. Medo, muito medo!
“Então é amanhã que lhe dás o postal?” pergunto
“Claro! Ninguém me resiste!” responde confiante com o seu grau de auto estima sempre nos píncaros… mas lá chegará o dia!
Pimpolho do meio, who else?

É por esta e por outras, que sempre que pequeno do meio demonstra a sua veia de namoradeiro, aqui por casa, lhe cantamos a música “Isso é amor!” que ficou no ouvido, depois de vermos a Cinderela no Gelo. Assenta-lhe que nem um luva e rimo-nos sempre!

issoeamor from infinitoemais on Vimeo.

Estilhaços

“Sabes que a mãe da A. não a deixa desligar os dados móveis do telemóvel?” contava-me pimpolha mais velha e eu a pensar WHAT?, vendo o meu ar de espanto, esclarece “Sabes que os pais da A. estão separados e é o pai dela que paga o telemóvel. Acho que a mãe da A. é um bocadito má!”
Achei por bem não fazer qualquer comentário acrescentando apenas “Deves ter percebido mal!” e ela abanou a cabeça assim como quem diz “Olha que não, olha que não!”

Os nosso votos de Feliz Natal!


Quase, quase que parecemos aquela família que nos enche a música e (n)o coração todos os natais, os famosos Von Trapp! Só não temos é a mesma experiência, parecendo que não eles já andam nisto desde 1965, com tempo a coisa compõe-se, literalmente :)!
A todos os que perdem, dedicam, partilham um pouco do vosso precioso tempo, acidental, esporadica ou habitualmente a acompanhar as nossa aventuras, desventuras e delírios, FELIZ NATAL!

Letra

O que faremos neste Natal?
O que faremos neste Natal?
Existe um pedido único, tão único, que tal:
Vida

É lindo partilhar o que se tem
Leite, pão, agasalhos, importar-se com alguém
Lindo é fazer o bem sem olhar a quem
Falar de amor com alguém

Uma mesa p’ra jantar, mais alguém?
Uma frase p’ra cantar, mais alguém?
Vida, Vida,
Vida!

É Natal em todo o lado, no centro,
ou no bairro, num lar pobre, na prisão,
num quarto triste do hospital
Em todo o lado é Natal

Sejas feliz, é Natal, um dia especial
P’ra sorrir, p’ra cantar a vida
Sejas feliz, é Natal, Um dia especial
P’ra sorrir, enfeitar a vida.

Sejas feliz, é Natal, um dia especial
P’ra sorrir, p’ra cantar a vida
Sejas feliz, é Natal, Um dia especial
P’ra sorrir, enfeitar a vida.

“Veste o pijama e vem ter comigo”

Nos últimos dias, pimpolha mais pequena recebia-me na escola cantando alegremente “Veste o pijama e vem ter comigo” ou então “Hoje vou estar de pijama e vou vesti-lo contigo!” super entusiasmada e eu, várias vezes, pensei, parafraseando a malta nova, “WHAT?”. Intrigada, perguntei-lhe “Não conheço essa música, qual é?” e ela, matreira, limitava-se a sorrir e a dizer “Logo vais perceber. Foi a professora de música que nos ensinou.” Demorei mas cheguei lá, finalmente, fez-se luz. É a música do dia do pijama deste ano. É mais gira e fica no ouvido, ao contrário da do ano passado, a avaliar pela pimpolha mais pequena, mas com uma letra sui generis quando descontextualizada 🙂