O perigo de uma única história

O perigo da história única, um perigo real em várias vertentes da nossa vida! É este o tema de uma excelente Ted Talk que deixo alguns excertos mas que vale mesmo, mesmo a pena ver e refletir!

(…) eu lia livros infantis britânicos e americanos. (…) E quando comecei a escrever, por volta dos 7 anos, histórias com ilustrações em giz de cera, (…) os meus personagens eram brancos de olhos azuis. Eles brincavam na neve. Comiam maçãs. E eles falavam muito sobre o tempo, em como era maravilhoso o sol ter aparecido (Risos).  Eu morava na Nigéria, nunca tinha estado fora da Nigéria. Nós não tínhamos neve, nós comíamos mangas. E nós nunca falávamos sobre o tempo porque não era necessário. (…)
Bem, as coisas mudaram quando eu descobri os livros africanos. Não havia muitos disponíveis e eles não eram tão fáceis de encontrar quanto os livros estrangeiros, mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye eu passei por uma mudança mental na minha percepção da literatura. Eu percebi que pessoas como eu, meninas com a pele da cor de chocolate, cujos cabelos crespos não poderiam formar rabos-de-cavalo, também podiam existir na literatura. 
Eu comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia.
Bem, eu amava aqueles livros americanos e britânicos que eu lia. Eles mexiam com a minha imaginação, abriam-me novos mundos. Mas a consequência inesperada foi que eu não sabia que pessoas como eu podiam existir na literatura. Então o que a descoberta dos escritores africanos fez por mim foi: salvou-me de ter uma única história sobre o que os livros são.

E quando eu não comia tudo no jantar, minha mãe dizia: “Termina tua comida! Não sabes que pessoas como a família do Fide não tem nada?”. 
Eu sentia uma enorme pena da família do Fide. Num sábado, nós fomos visitar a aldeia do Fide e a sua mãe mostrou-nos um cesto , feito pelo seu irmão, com um padrão lindo, feito de ráfia seca. Eu fiquei atónita! Nunca tinha pensado que alguém da sua família pudesse realmente criar alguma coisa. Tudo que eu tinha ouvido sobre eles era que eram pobres, tornando-se impossível para mim vê-los como algo além de pobres. A sua pobreza era minha história única sobre eles. (…)

(…)

Anos mais tarde, pensei nisso quando deixei a Nigéria para frequentar a  universidade nos Estados Unidos, tinha 19 anos, a minha colega de quarto americana ficou chocada comigo. Ela perguntou-me onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem e ficou confusa quando eu disse que, por acaso, a Nigéria tinha o inglês era a nossa língua oficial. Ela perguntou se podia ouvir o que ela chamou de minha “música tribal” e, consequentemente, ficou muito desapontada quando eu coloquei a música da Mariah Carey. Ela presumiu que eu não sabia como usar um fogão. O que me impressionou foi que: ela sentiu pena de mim antes mesmo de me ter visto. A sua posição para comigo, como uma africana, era um tipo de arrogância bem intencionada, piedade. A minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África. Uma única história de catástrofe. Nessa única história não havia possibilidade alguma de os africanos serem iguais a ela. Nenhuma possibilidade de sentimentos mais complexos do que piedade. Nenhuma possibilidade de uma conexão como humanos iguais.

Mas eu devo acrescentar que eu também sou culpada na questão da única história. Há alguns anos, eu visitei o México saindo dos EUA. O clima político nos EUA àquela época era tenso. E havia debates sobre imigração. E, como frequentemente acontece na América, imigração tornou-se sinónimo de mexicanos. Havia histórias infindáveis de mexicanos como pessoas que estavam a espoliar o sistema de saúde, passando às escondidas pela fronteira, sendo presos na fronteira.

Eu me lembro de andar no meu primeiro dia por Guadalajara, vendo as pessoas a ir trabalhar, a enrolar tortilhas no supermercado, a fumar, a rir. O meu primeiro sentimento foi surpesa seguido de vergonha. Eu percebi que eu fiquei tão imersa na cobertura da media sobre os mexicanos e eles tinham-se tornado numa coisa na minha mente: o imigrante abjeto. Eu tinha assimilado a única história sobre os mexicanos e eu não podia estar mais envergonhada de mim mesma. 

É assim que se cria uma única história: mostre um povo como um objeto, como somente um obejto, repetidamente, e será no que eles se tornarão.

É impossível falar sobre única história sem falar sobre poder. Há uma palavra, uma palavra da tribo Igbo, que eu lembro sempre que penso sobre as estruturas de poder do mundo, e a palavra é “nkali”. É um substantivo que livremente se traduz: “ser maior do que o outro.” Como os nossos mundos económico e político, histórias também são definidas pelo princípio do “nkali”. Como são contadas, quem as conta, quando e quantas histórias são contadas, tudo realmente depende do poder.

Poder é a habilidade de não só contar a história de uma outra pessoa, mas de fazê-la a história definitiva daquela pessoa. O poeta palestino Mourid Barghouti escreve que se você quer destituir uma pessoa, o jeito mais simples é contar sua história, e começar com “em segundo lugar”. 

Comece uma história com as flechas dos nativos americanos, e não com a chegada dos britânicos, e você tem uma história totalmente diferente. 
Comece a história com o fracasso do estado africano e não com a criação colonial do estado africano e você tem uma história totalmente diferente.

(…)”

Chimamanda Ngozi Adichie

Pimpolha mais nova e os maridos das outras!

No final de um dia em cheio, no regresso a casa, na rádio, ouvem-se os primeiros acordes da música “Os maridos das outras” do Miguel Araújo.
Toda a gente trauteia a música com exceção de pimpolha mais nova que se dedica a prestar muita atenção à  letra da música.  Ao ouvir o “(…) Toda a gente sabe que os homens são feios” exclama indignada “Eh pá, não deviam ter escrito esta música assim!”
“Sim, eu sei que sou lindo!” diz, entre risos, pequeno do meio.
“Não és tu, pá! É o pai! O pai é lindo!”
Pimpolha mais nova suspirou e abanou a cabeça, que não, não, até ao final da música.
O pai ficou toda babado e comovido.
Eu pensei “Dá-lha mais uns anos que vais ver! Eheheheh!”

Laranjas!

Na imagem, eu vejo uma laranja, uma tângera, uma clementina e uma tangerina.
Excelentíssimo esposo e pequenada da casa veem, sem grande entusiasmo, laranjas, ponto.
Observo várias tonalidades de laranja e ao descascá-las observo as suas cascas com espessuras e características diferentes.
Excelentíssimo esposo e pequenada da casa veem , sem grande entusiasmo, laranjas, ponto.
Ao saboreá-las, experiencio diferentes aromas e sabores do mais ácido ao mais adocicado.
Excelentíssimo esposo e pequenada da casa veem, sem grande entusiasmo, laranjas, ponto.
Apreciando todas, numa cesta, onde existam as quatro “espécies”, sei qual é a minha eleição, a minha preferida e a minha preterida!
Excelentíssimo esposo e pequenada da casa veem, sem grande entusiasmo, laranjas, ponto.
Quando eu pergunto “Vê lá se temos laranjas ou se é preciso ir buscar?”.
Excelentíssimo esposo responde, sem hesitação, “O que não faltam cá em casa são laranjas! Por favor!”
“Então traz-me 3 para fatiar e  comermos com o lombo!” peço a excelentíssimo esposo.
“Hummm… hummmm! Dessas laranjas não temos!” responde-me excelentíssimo esposo
“Grrrrrrrr….” respondo exasperada.
“Mas das outras laranjas há aqui muitas!”acrescenta, entre risos, excelentíssimo esposo.

Bolo de coco

Muito agradável: húmido e doce q.b.

Ingredientes
6 ovos
200g coco ralado (175g + 25g)
1 lata de leite condensado
4 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de manteiga

Preparação
Numa taça, bater as claras em castelo. Noutra taça, bater bem o açúcar, as gemas e a manteiga até obter uma mistura homógenea e esbranquiçada. Juntar aos poucos o leite condensado, continuando sempre a bater. Adicionar o coco (175g), misturando bem. Por fim, envolver as claras em castelo. Levar ao forno, pré-aquecido a 180ºC, numa forma com o fundo forrado com papel vegetal e untada com manteiga, durante cerca de 30 minutos (fazer o teste do palito). Depois de frio, desenformar e polvilhar com coco (25g).

Para entreter!

Pimpolha mais pequena explicava-me muito entusiasmada qualquer coisa que se fazia com um baton e ficava “Bué fixe!”.
“Quem é que te ensinou isso?” pergunto-lhe meio espantada pelo pormenor e tipo de descrição.
“Estás a ver aqueles vídeos que o pai vê para se entreter? Foi aí! É muito giro, não é?”esclarece-me encantada da vida pimpolha mais pequena enquanto eu sorrio tentando conter, sem grande sucesso, o riso.
“Olha que eu estou a ver! Estás a rir-te de quê, hã, hã? O 5 minute crafts tem coisas muito interessantes. O pai e nós gostamos muito de ver, já aprendemos lá coisas bem fixes!” diz-me com ar sério/ameaçador pimpolha mais velha.

Ontem, hoje, amanhã e sempre…

Do 1º passo a todos os seguintes; da 1ª corrida, à primeria queda; do primeiro “voo”a todos os seguintes; desde o 1º dente rumo à dentição definitiva incluindo todas as dores de dentes e os dentes que perdemos no intermeio; ao colo, de gatas, de mãos dadas, soltos até caminharmos juntos lado a lado; das histórias de faz de conta e fantasias aos banhos de realidade e lições de ética e moral; dos sonhos e ilusões às desilusões (nossas e deles); das brincadeiras aos ralhetes; das gargalhadas às conversas sérias; da empatia ao respeito pela “ditadura” vigente; da paciência ao exaspero; das recordações às vivências; da teoria à experiência; da continuidade ao limite; nos dias gloriosos e nos dias nublados e escuros onde parece não se vislumbrar a luz e são a nossa candeia; do passado ao presente, num ciclo: eles cuidam, nós cuidamos; das indeterminações e derivadas ao infinito e mais além; perto ou longe, sempre presentes, temos muito deles em nós e transmitimos aos nossos, com orgulho, muito do que nos ensinaram e permanecerá sempre nosso.
Ontem, hoje, amanhã e sempre, pois todos os dias são dia do pai.

Pela voz dos pequenos da casa, uma música que aprenderam dedicada ao pai.

 

Uma versão da música do momento dedicada ao dia do pai

A curiosidade… da mosca!

Pimpolha mais velha e pequeno do meio a acabar de comer um belo de um croissant, antes de entraram no supermercado e eis que um deles diz a excelentíssimo esposo:
“Vai ter com a mãe. Nós ficamos aqui, não nos apetece muito ir ao supermercado!”
Excelentíssimo esposo faz as recomendações habituais e dirigi-se ao supermercado mas não sem antes ouvir:
“Olha ali uma máquina,! Durex… Hummm vamos lá ver o que é?”diz pequeno do meio para pimpolha mais velha, apontadando para a porta da farmácia.
Excelentíssimo esposo curioso mira-os pelo canto do olho e observa pimpolha mais velha, com um ar condescendente de irmã mais velha, passar-lhe as mãos pelos ombros com um ar conspiratório enquanto se encaminham para a máquina.
Entre risos, excelentísisimo esposo relata-me o acontecido.
“É só para estares preparada, é capaz de virem aí algumas perguntas, eheheh!”diz-me excelentíssimo esposo.
“Deve ser quando estivermos na caixa a pagar que deve começar o bombardeamento! Pelo menos hoje não é o espetáculo de parece que não comem há 3 quinze dias, “dá cá o pão” “Isso não é para ti, é para  é mim!” “,”Estou cheio de fome, dá cá!”, enquanto estamos a pagar e eles aaçambarcar tudo o que lhes agrada como se não houvesse amanhã!”
Surpresa…não houve perguntas, nem espetáculo dos famintos!
A senhora da caixa deve ter ficado desiludida. Aquilo é sempre uma espetáculo digno de se ver!
“Então o que andaram a fazer?”pergunto-lhes.
“Hummm… nada de especial”responde pequeno do meio.
Ahhhh…como eu gostava de ter ouvido, género mosca, aquela conversa entre manos!

Parque Ribeirinho do Tejo

Pimpolha mais pequena conversa ao telefone com o tio.
Em género de fim de conversa o tio pergunta-lhe:
“Então, pequena, onde vais passear onde hoje à tarde?”
“Hummm… não sei! Devo ir a um desses sítios estranhos que os pais nos levam!”
O sítio “estranho” onde fomos passear nesse dia foi ao Parque Ribeirinho do Tejo (Praia dos Pescadores, Póvoa de Santa Iria).

“Então gostaste deste sítio estranho onde te trouxemos?” pergunto a pimpolha mais pequena quando caminhávamos juntas, no final do passeio.
“Sim, até gostei! Só é pena os lagos estarem tão sujos!” diz-me pimpolha mais nova.
“O rio Tejo, o rio tejo…!” elucido-a.

(Des)Pernadas

Um funcionário corta, vigorosamente, as pernadas de uma árvore, apenas de um lado.
Outro funcionário prepara os buracos e o outro o cimento.
Páro e olho, estranhando aquela operação, meio anestesiada.
O senhor que seguia a pé, ao meu lado, não se inibe e questiona os funcionários, indignado,  “Porque está a cortar a árvore dessa maneira? Ela está doente? Só de um lado?”
O funcionário responde que não, que a árvore não está doente e que está apenas a cumprir ordens.
O senhor exalta-se “Como é possível? Os cidadãos pedem autorizações, pagam multas e sei lá que mais… E depois isto!”
Os outros dois funcionários dão de ombros e um deles retira um papel que nos mostra, ao senhor e a mim, contendo tal “ordem” de corte.
“Vou reclamar para Câmara” diz o senhor.
“Faz muito bem!” diz um dos funcionários.
Cortando tudo a eito, à esquerda e à direita, chegou a campanha eleitoral ao burgo!
As árvores que se cuidem. pois os eleitores, esses,  há muito que desistiram, perdidos nos meandros e jogos de quem (n)os (des)governa!
(As fotografias foram tiradas uns dias depois deste episódio)

Bolo de amêndoa e gila

Húmido, docinho, faz lembrar os gulosos doce conventuais. Muito, muito bom e fácil de fazer!

Ingredientes
6 ovos
200g açúcar
345g doce de gila (usei de compra – Casa Mateus)
250g amêndoa moída
açúcar em pó (q.b.) – opcional

Preparação
Numa taça, bater bem os ovos com o açúcar até obter uma creme volumoso e esbranquiçado. Juntar o doce de gila, aos poucos, mexendo bem. Por fim, adicionar a amêndo, envolvendo bem.
Levar ao forno, pré aquecido a 180ºC, numa forma de fundo amovivel, forrado com papel vegetal, cerca de 40 minutos (fazer o teste do palito).
Depois de frio, polvilhar com açúcar em pó.

Os poderes de um banho quente

“Deve haver certamente algumas coisas que um banho quente não seja capaz de curar, mas eu não conheço muitas. Sempre que estou profundamente triste, ou tão nervosa que não consigo adormecer, ou apaixonada por alguém que não irei ver durante uma semana, colapso e digo a mim própria: «Vou tomar um banho quente.»
No banho, medito. A água tem de estar muito quente, a ponto de ser quase impossível meter o pé lá dentro. (…) Não acredito no batismo das águas do Jordão ou em coisas semelhantes, mas acho que o banho quente deve estar para mim como a água benta para os crentes.”

Sylvia Plath in “Câmpanula de vidro”

 

Malditas as mães que interrompem, sem cerimónias nem remorsos, o deleite dos seus pequenos durante o seu banho quente… quando estes excedem largamente aquilo que se considera uma duração razoavel, económica e ecológica!
E quem é que desliga o esquentador às mães?”
🙂
“Sabes onde está o meu livro?”
“O que é que fizeste à minha camisola?”
“Onde escondeste o meu cubo mágico?”
“Ó mãe, ela não deixa ver os desenhos que eu quero!”
“Ó mãe, ele fez-me isto, aquilo e outro…!”
E, de repente, parece que tudo e todos se concentram naqueles escasso metros quadrados.
Resumindo, há várias formas de interromper um descontraído banho quente.
Claramente, existem múlitplas e variadas formas de desligar o esquentador!

Ecos de um esquentador

Em amena cavaqueira, para descontrair, depois de uma manhã em cheio, diz uma colega:
“Oh pá, sabem lá, o meu cilindro avariou, não tenho água quente em casa há 3 dias! Tenho que ir ao ginásio para poder tomar o meu belo banho!”
Sorri e disse “Deixa lá, eu percebo a tua dor! Hoje, logo pela manhã, na banheira, fui brindada com essa simpática e agradável surpresa mas logo me lembrei que era porque o esquentador estava desligado. Esqueci-me de o ligar depois de o ter desligado quando um dos meus pequenos estava a tomar banho!”
E, de repente, fez-se silêncio.
Seis pares de olhos incrédulos e acusadores, mirando-me!
Ri-me e senti-me na obrigação de clarificar “Os banhos deles são intermináveis, ao fim de 8 minutos aviso que ou saem ou desligo o esquentador, aviso mais uma vez e à terceira desligo! Todos sabem com o que podem contar!”
“Coitados dos teus filhos. O banho é daquelas coisas que não se quer entrar mas depois nunca apetece sair! Eu cá não gostava nada de ser tua filha” diz uma colega mais velha com filhos já criados (o mais novo foi meu aluno, credo que estou velha!) .
“Fazes mesmo isso? E eles não gritam?”pergunta outra colega.
“Quando comecei a implementar a medida, claro que sim! Agora já não! Já sabem o que os espera e tratam de vida rapidamente!” acrescento.
“Bolas que tu és dura de roer! Não tens pena deles?”pergunta a colega que tem o cilindro avariado.
“Claro que não! As Pimpolhas já perceberam há muito, pequeno do meio, esse eterno otimista é o único que continua a ter esperança que eu me esqueça ou tenha pena! Uma chatice, desiludo-o sempre!” digo eu.
Entretanto, chega a minha coordenadora e diz-lhe a minha colega mais velha “Tens que tratar desta tua rapariga! Então tu sabes que ela desliga o esquentador aos filhos quando eles estão no banho?”
A minha coordenadora, que tem filhos pouco mais novos que eu, sorri e diz-me “Continua assim! Eu fazia exatamente o mesmo! Aprendem que é um instante!”
“Eh pá,esta malta da Matemática é toda maluca!” exclama, entre risos, a minha colega mais velha.
“Nada de novo aí!” acrescento eu.

Passadas umas semanas, diz-me a minha colega mais velha, “Pensei tanto em ti quando M. estava a tomar um daqueles seus banhos que entreabri a porta da casa de banho e disse-lhe, àquele meu filho que já é um homem, «Ou te despachas ou faço como a Pi faz aos filhos dela, desligo-te o esquentador!». Ele ficou meio desorientado e eu dei comigo a rir-me sozinha e a pensar como é que se desligava o meu esquentador!”
“Aposto que ele te respondeu, essa minha professora de Matemática está cada vez pior” disse-lhe entre risos.
“Tu és realmente impossível, miúda!” responde-me ela.

A minha colega, a que tinha o cilindro avariado, uns dias depois diz-me “Contei a tua história à minha vizinha do lado! Achou uma piada e perguntou-me “Achas que o cilindro dá para desligar? Estava capaz de experimentar!”

Ecos de um esquentador… que começaram por causa de um cilindro avariado!

Rir

É que é mesmo isto, sem tirar nem pôr… Rir – o melhor remédio!

“Nunca levas nada a sério. Não se pode falar a sério contigo.
São frases que já ouvi milhares de vezes na minha vida, sempre com uma pontinha daquela censura ai-que-não-há-maneira-de-ganhares-juízo. E eu respondo sempre que é por levar a vida tão a sério que me rio tanto. O riso para mim é a coisa mais séria da minha vida, até porque desconfio que já me salvou da loucura. Do desespero.
O riso é a forma mais humana de dizermos que estamos vivos, que ainda aqui estamos, a olhar de frente para tudo o que nos assusta, paralisa, inquieta, para tudo aquilo para o qual nunca teremos resposta. Rir é um acto de resistência, de subversão perante a dor. Como no filme “La vita è bella”, no qual um pai, para proteger o filho, transforma a desgraça da ida para um campo de concentração num jogo, cujo o prémio final é um “carro armatto” e onde o riso é a única coisa que faz sentido no meio de tanta crueldade.
Por isso, caras pessoas sisudas, rir de coisas sérias não é falta de respeito nem de consciência. É apenas olhar para o fundo da rua e respirar de alívio pela certeza que a qualquer momento, ali na minúscula curva que é a nossa existência, “arriva il carro armatto”.”
Texto de Crisitna Nobre Soares

Enquadramentos perfeitos, práticos e saborosos!

Averiguando as sugestões da Livraria Bertrand para o Dia do Pai nas várias categorias “Histórias reais”, “Histórias inventadas”, “Histórias ilustradas”,…, tive uma epifania e não consegui conter o riso.
Na categoria “Dia do Pai| Histórias práticas e saborosas” surge o “Sem filtro” de Bruno de Carvalho muito bem acompanhado por, algo que lhe faz muita falta, a ele, Bruno de Carvalho e não só: “O Médico Médium”, “Receitas Saudáveis para toda a família”, “O Santo, o surfista e a executiva”, “Autocontrolo” e o último mas não menos importante “O silêncio na era do ruído”.
Viva a malta inspirada que me faz rir e ter epifanias!

Um anúncio diferente

Corria o ano de 2004 e eis que na Autoestrado 101, a sul de São Francisco, surge um anúncio diferente e intrigante.
Muitas empresas de desenvolvimento e tecnológicas (apple, adobe, oracle, yahoo, HP, google, entre muitas outras) tinham a sua sede  na zona e o anúncio despertou o interesse/estranheza de muitos.
Despertou o interesse a quem percebeu os vários elementos e o que era pedido, estranheza a quem não conhecia e /ou não percebeu.
Encontrar na sequência de dígitos do irracional número de Neper – e – o primeiro número primo com 10 dígitos.
Parece simples… só que não!
Enganaram-se aqueles que acharam que seria fácil e rápido.
Muitos terão decidido que não valeria o investimento de tempo.
Os que prevaleceram, recorreram à computação para descobrir o tal primo de 10 dígitos.
O 1º dígito do desejado número encontra-se na 100ª casa decimal do número de Neper.

Missão cumprida e comprida…
E o desafio era:
{first 10-digit prime found in consecutive digits of e}.com
ou seja,
7427466391.com
Ao aceder ao endereço…
Tcharám
Aparecia a seguinte mensagem:

“Congratulations. You have made it to level 2. Go to http://www.linux.org and enter Bobsyouruncle as the login and the answer to this equation as the password.

F(1)= 7182818284
F(2)= 8182845094
F(3)= 8747135266
F(4)= 7427466391
F(5)=__________

Para os curiosos persistentes que descobrissem f(5) e o introduzissem no site obtinham a seguinte mensagem:

“Congratulations. Nice work. Well done. Mazel tov. You’ve made it to Google Labs and we are glad you are here.

One thing we learned while building Google is that it’s easier to find what you’re looking for if it comes looking for you. What we’re looking for are the best engineers in the world. And here you are.

As you can imagine, we get many, many resumes every day, so we developed this little process to increase the signal to noise ratio. We apologize for taking so much of your time just to ask you to consider working with us. We hope you’ll feel it was worthwhile when you look at some of the interesting projects we’re developing right now. You’ll find links to more information about our efforts below, but before you get immersed in machine learning and genetic algorithms, please send your resume to us at problem-solver@google.com.

We’re tackling a lot of engineering challenges that may not actually be solvable. If they are, they’ll change a lot of things. If they’re not, well, it will be fun to try anyway. We could use your big, magnificent brain to help us find out”

Um anúncio de recrutamento muito original e centrado no essencial… que a Google procurava.

Armadilha Digital

Armadilha digital é o novo livro de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães.
Uma aventura/história sobre os vários perigos da Internet (roubo de passwords, password pouco seguras, roubos de identidades, burlas, etc) .
O livro foi distribuída gratuitamente às escolas que o solicitaram à Associção Portuguesa de Seguradores. Não está a venda ao público mas alguém simpático o disponibilizou online.
Lê-se num instantinho! Já não me lembro há quanto tempo não lia um livro destas autoras, arriscaria a dizer que mantém o mesmo estilo.
Recomendado para todas as idades!

(clicar para ler o livro online)

“A culpa é minha!”

“(…)
A qualidade da informação que estes livros contêm é melhor do que aquela que se obtém online e, para mais, há o prazer de encontrar outras coisas inesperadas pelo meio já que abrir um livro é como tomar um banho: custa a entrar mas depois não se quer sair.

Engano-me pensando que é para poupar tempo, porque os livros são fascinantes, mas é preguiça. É a facilidade do Google – e a perícia que se ganha depois de vinte e tal anos de consultas – que trama os livros.

Alguns já gemem quando são abertos. Passam-se anos sem mostrar as folhas. A culpa é minha, não é da Internet.

A única consolação é que, sempre que consigo vencer a preguiça, fico a gostar cada vez mais dos meus livros.”

Miguel Esteves Cardoso in Público

Beringelas recheadas com fiambre

Simples e saboroso!

Ingredientes
5 beringelas
400g fiambre
4 dentes de alho
100ml polpa de tomate
200g queijo mozarella ralado
oregões q.b.
sal q.b.
azeite

Preparação
Abrir as beringelas no sentido longitudinal, e colocá-las de molho em água com um pouco de sal 30 a 45 minutos, para perderem um pouco a acidez. Retirar a polpa das beringelas e cortar em cubinhos pequenos e reservar os barcos “cascas” de beringela.
Cobri o fundo do tacho com azeite e levar os alhos bem picadinhos a refogar.
Juntar os cubos de beringela envolvendo bem. Temperar com sal a gosto. Deixar cozinhar durante 7 ou 9 minutos até ficarem macias.
Temperar com oregões e adicionar a polpa de tomate, envolvendo bem. Deixar apurar durante 2 ou 3 minutos.
Juntar o fiambre cortado em cubo, envolver bem. Deixar cozinhar durante 10 minutos.
Num pirex, colocar os barcos -“cascas”- de beringela e rechear com o preparado anterior. Cobrir cada beringela com queijo raldo.
Levar ao forno durante cerca de 20 minutos ou até estarem coradinhas.

Pergunta do dia

“Pai, ajudas-me a falsificar notas da Kidzania? Estive a reparar que não têm marca nenhuma. Deve ser fácil!” pede pequeno do meio a excelentíssimo esposo num belo domingo pela manhã.

Sermão e missa cantada e ele a assobiar para o lado!
“Fazes isso e passas o dia na prisão da Kidzania. Tens sorte que é só um dia, no mundo dos crescido é bem pior. As prisões e o tempo que tens que lá passar” aviso-o.
“Nah… falta uma barra nas grades da prisão da Kidzania! Easy, easy…” responde-me ele com o seu ar maroto.
Esperemos que veja a luz o sol… sem ser aos quadradinhos, que este moço repleto de ideias mirabolantes, a  sua imensa vontade e capacidade de desafiar/quebrar as regras, às vezes, é assim um bocadito para o assustador mas só um bocadito…!