Bonnie Scotland – I
Luxuriantes montes verdes, vales e fadas, lagos e monstros, castelos e clãs, gaitas de foles e guerreiros envergando kilts (identificando-se pelo o seu tartan), lealdade, traição e vingança (entre clãs), resiliência, luta, independência e liberdade (em relação ao domínio inglês), tradição e identidade cultural, lendas e superstições numa terra em que o sol brilha apenas nos pequenos intervalos das nuvens cinzentas, da chuva abundante e do frio intenso, o sotaque cerrado e difícil de entender de um povo simpático e acolhedor. Impressões e ideias que tinha antes de visitar a Escócia com base nas dezenas de romances históricos que li (em inglês).
Li os livros do Outlander (que recomendo muito) meia dúzia de anos antes da série televisiva sair e que eu não vi, pelo que não os associo a nenhum local específico da Escócia. O mesmo sucede com os livros do Harry Potter (li todos), mas como só vi o 1º e o 2º filme (e não apreciei), não os associo à Escócia, mas “apenas” à minha imaginação e construção mental. É inegável a visibilidade e a importância turística que estas duas obras assumem para o país e a “indústria” e imagem construída em seu torno. Nada contra, só não dou para esse peditório (fica o aviso à navegação), a Escócia habita, há muito e merecidamente, o meu imaginário e, agora, a minha memória e coração.
Dos livros (em inglês), ficaram-me algumas palavras que, pelo contexto, era fácil perceber o significado: loch, aye, laird, kirk, munros, glen, wee, bonnie, lad(die), lass(ie), bairn, crabbit, braw, numpty, scran, hogmanay, tatties e haggis . Nestas férias, na Escócia, aprendi que integram o dicionário do Scots (escocês, falado por 30% da população) – uma das quatro línguas oficiais da Escócia, desde 2025, juntamente com o gaélico escocês (falado por 1,1% da população, especialmente nas Highlands). As outras duas línguas oficiais são o inglês (falado por 99% da população) e a língua gestual britânica.
Na Escócia, qualquer informação ou placa oficial vem escrita em duas línguas: inglês e gaélico escocês.
Significados:
Loch – lago ou braço de mar estreito
Glen – vale profundo rodeado de montanhas
Munros – montanhas com mais de 914 metros (3.000 pés) de altitude
Laird – proprietário de terras
Lad (die) – menino
Lass (ie) – menina
Bairn – criança ou bebé
Wee – pequeno
Bonnie – bonito ou belo
Braw – excelente, magnífico
Crabbit – rabugento ou mal-humorado
Aye – sim
Kirk – igreja
Numpty – tonto
Scran – comida ou petisco
Hogmanay – véspera de ano novo e as suas celebrações tradicionais
Tatties – batatas
Haggis – prato tradicional escocês feito com miudezas de carneiro cozidas no estômago do animal
Robert Burns (1759–1796) foi uma poeta escocês que, numa altura em que o inglês se estava a impôr como língua oficial, escreveu toda a sua obra (poesia, sátira e letras de canções) em escocês, mantendo assim a língua viva, salvando-a do esquecimento nacional e internacional. É conhecido como o Poeta Nacional da Escócia e a sua obra mais famosa mundialmente é a canção do Ano Novo (Hogmanay) chamada “Auld Lang Syne”.
A origem do nome de Scotland é curiosa e deve-se ao facto de, nos séculos IV e V, alguns gaélicos irlandeses (os Scoti, a Irlanda na altura era conhecida por Scotia) se terem estabelecido na costa oeste da Escócia e, com o passar do tempo, passaram a ser o grupo territorial e culturalmente dominante. No século XI, o país era conhecido por “Scot+Land” – a terra dos Scoti – e Scotland ficou. Alba é o nome em gaélico escocês para a Escócia e significa “mundo luminoso” ou “terras altas”.
A Escócia não deve ser um périplo de cidades, castelos ou marcos, é um destino para apreciar devagar (até porque as suas estradas rurais não permitem outra coisa), não há fotografia que capte ou abarque a beleza das suas paisagens e das suas inúmeras cascatas, é ficar deslumbrada não a cada curva, mas na maioria, com as suas pequenas e pitorescas aldeias, com o sentido de humor das suas gentes, com as bandeiras do país semeados um pouco por todo o lado (ehheheh, para relembrar os mais distraídos, e não só, que não são nem nunca foram ingleses – William Wallace (filme Braveheart) e o Robert – The Bruce são verdadeiros heróis nacionais).
Marcos e celebrações
Loch Lomond é o maior lago escocês (em extensão) e marca a transição de paisagens entre as duas regiões da Escócia (as Lowlands e as Highlands) e dá nome a uma das mais conhecidas canções tradicionais escocesas que é tocada para encerrar festas de fim de ano (Hogmanay), de casamentos, funerais, bares, festivais de música e é cantada pelos adeptos de futebol durante os jogos da seleção escocesa – é um hino não oficial de despedida, de celebração e orgulho nacional. A despedida perfeita… até ao próxima post “Bonnie Scotland – II”









Sorri ao ver a mensagem da filha da minha amiga, revi-me bem no sentimento. A saudades da comida, dos cheiros, do espaço, dos nossos, da terra…








