Cinco dias em Madrid

Nas férias da Páscoa, para mudar de ares, fomos passear até à capital espanhola e sobrevivemos ao “Já chegámos? Já chegámos?” que, de 5 em 5 minutos, alguém no banco de trás emitia.
Como da 1ª vez que por lá estivemos, ainda sem a pequenada, Madrid surpreendeu pela positiva, é um excelente destino para passar e passear uns belos dias, a cerca de 5 ou 6 hora de carro, em que as piores estradas, e as mais caras, são mesmo as portuguesas.

1º dia
Visitámos o Parque Europa, que fica nos arredores de Madrid, a cerca de 15 minutos de carro, um parque enorme, muito verde que contém uma mini Europa dentro de si, ou seja, os monumentos mais emblemática dos principais países europeus em ponto pequeno. Para além disso, pode-se andar de barco no lago, andar de kart, fazer slide e uma série de outras atividades (pagas). A entrada é gratuita, há muito estacionamento gratuito na zona envolvente do parque, é um excelente sítio para passar pelo menos uma manhã e piquenicar. A pequenada adorou!

Por sorte, apanhámos os últimos dias em que a exposição do Harry Potter esteve patente na Feira de Madrid. Com vários fãs cá em casa, depois do Parque Europa foi para lá que seguimos.  Chegados lá, descobrimos que nos tínhamos esquecido do bilhetes em casa. Levanta-se uma grande onda de agitação e indiganção vinda do banco de trás, pequenada está capaz de esfolar alguém. Graças às tecnologias e aos bilhetes comprados, previamente, online, tudo se resolveu, recorrendo ao telemóvel, à app mostrando e ao Qr code (muito à frente). Pimpolha mais velha pode experimentar o chapéu selecionador e todos podemos ver ao vivo e a cores, um bocadinho daquele mundo fantástico. Pequenada vinha ao rubro , acharam fantabulástico.

Terminámos o dia a passear no Madrid Rio Park, junto ao Rio Manzanares e à “nossa” bela casa, e a visitar o Matadero, uma antigo matadouro de Madrid que foi convertido num interessante espaço cultural e criativo. Um dia em cheio e variado.

2º dia
Seguimos de metro até à Ópera de Madrid, comemos churros mergulhados em chocolate quente, um petisco muito apreciado pelos nativos (ao pequeno almoço???). Seguimos para a Porta do Sol e os seus dois símbolos de Madrid:  o urso e o seu medronheiro e o quilómetro zero das carreteras de Madrid e os muitos artistas que se concentram nesta praça. Admirámos o D. Quixote e o Sancho Pança na praça de Espanha a caminho do Templo de Debod, de onde seguimos para o imponente Palácio Real (onde compensa comprar o bilhete online para evitar as filas). Seguimos até à Praça Maior, fazendo uma incursão no bonito Mercado de São Miguel que estava a abarrotar de estrangeios e iguarias. Regressámos a casa, de metro, cansados da nossa longa caminhada mas de alma cheia.

3º dia
Atravessámos a Ponte de Toledo, com vista para o antigo estádio do Atlético de Madrid e para o Madrid Rio Park, subimos até à Porta de Toledo, uma das principais vias de entrada na cidade na idade média, e encontrámos uma praça com o José Saramago, na fachada de uma Univerdidade e vários relógios de sol. Seguimos de metro para a Praça Cibeles  e depois a pé até à porta de Alcalá. Estava previsto um passeio e almoço piquenique no Parque do Retiro mas face ao vento (que nem era muito forte), este estava fechado por risco de quedas de árvore, os espanhóis não brincam em serviço. Tivemos, entre grades, um vislumbre deste bonito e verdejante parque bem no centro de Madrid. Por mero acaso, passámos no Câmara Municipal de Madrid quando nos dirigíamos ao Museu Naval. Impressionante a supremacia da frota naval espanhola, que ao contrário da nossa, prevaleceu uma força influente e dinâmica durante vários séculos. Fomos ver o Neptuno e visitar o bonito “Centro Cultural” Caixa Forte que tem um jardim vertical soberbo. A bonita estação de comboio de Atocha foi o nosso destino seguinte e o relato à pequenada dos atentados que lá aconteceram. Para depois voltarmos para o Museu do Prado para aproveitar a hora de entrada grátis, a fila era enorme, desistimos e voltámos no dia seguinte, com uma hora de antecedência para nos posicionarmos na fila (e resultou 🙂 )

4º dia
Deambulámos pelo famoso e diferente mercado do Rastro, de domingo de manhã, nós e uns milhares de pessoas, onde comprámos uns recuerdos diferentes :). Descemos até ao bairro mais multicultural de Madrid – Lava Pies – e contemplámos a street art patente, com rumo ao Museu Rainha Sofia, onde terminámos uma bela visita com chave de ouro: a visita à exposição de Pessoa – Toda a arte é cultura, que muito admirou pequeno do meio. Num dia dedicado às artes, de lá encaminhámo-nos para a fila de espera para a entrada gratuita do Prado (1 hora antes e fomos dos primeiros na fila). A caminho do metro, no regresso a casa, contemplámos o Parlamento espanhol.

5º dia
Níveis de adrenalida e excitação elevados – fomos até ao Parque da Warner. Um dia superdivertido.

6º dia
O que é bom acaba depressa, dia de regresso a casa mas antes passámos uma bela manhã e parte da tarde no Safari Parque Madrid (a 50 minutos de Madrid), que é para lá de espetacular. Passear no nosso carro no meio do leões (bem alimentados), avestruzes, zebras, rinocerontes, hipópotamos, camelos, macacos e sei lá que mais, proporciona muitas selfies interessantes 😉 Tem um espetáculos de aves muito, muito bom e variado, diferente dos que já assistimos e um espetáculo de reptéis igualmente… arrepiante (não aprecio bichezas mas os de sangue frio, particularmente). Para além de uma mini zoo e uma mini quinta cheia de cabrinhas onde a malta pode entrar e confraternizar, é palco de histórias bem engraçadas.
Vale mesmo muito a pena visitar e levar cenouras para dar aos animais (o segredo da sua proximidade).
Foi uma viagem santa, banco de trás, tudo a dormir. Só acordaram em Portugal!

Depois de um post meramente turístico, estão previstos alguns post sobre estórias e interações da pequenada e nossas em terras de nuestros hermanos.

Jogo de lápis e papel

Com medo de me esquecer disse para pequeno do meio “Logo lembra-me para vos ensinar um jogo novo que encontrei!”.
“Envolve ecrãns?” pergunta-me o rapaz desconfiado/esperançado.
“Não!” respondo-lhe.
“Imaginei que não. Aviso já que não vou gostar!” remata pequeno do meio. Os meus filhos têm muita fé em mim mas não lhes dou muitas hipóteses neste tipo de coisas!
Não só jogou como gostou e irritou-se porque as manas (as duas) lhe ganharam e o moço não tem bom perder!

É um jogo simples, entretem a malta miúda e graúda e puxa pela cabecinha.
Numa folha de papel, desenhar 6 pontos não colineares ( tipo vértices de um hexágono).

Cada jogador escolhe uma cor e, alternadamente, cada jogador desenha um segmento de reta que una dois dos pontos marcados.
Para os mais pequenos é mais fácil desenhar a tracejado o hexágono e as suas diagonais e depois, à vez, cada um dos jogador passa com a sua cor por cima da linha desejada.

Perde quem primeiro, desenhar um triângulo da sua cor (pode ser grande se os seus vértices coincidirem com os pontos marcados ou pequeno se apenas 2 vértices coincidirem com os pontos marcados).
Alguns exemplos

Experimentem, é fácil, rápido e entretem. Uma ideia para viagens longas se a malta não tiver tendência para enjoar.

Vídeo e explicação mais detalhada, passo a passo, do jogo

Cenas tristes

Uma dúzia de pessoas circulam no supermercado, apenas uma das caixas está a funcionar.
Dirijo-me à fila, está uma pessoa à minha frente. Atrás de mim, uma senhora acabada de chegar também.
Alguém me bate no ombro, “Este carrinho é seu?” pergunta-me um senhor.
“Não! É de uma senhora que ainda agora estava aqui” respondo meio intrigada.
Com determinação, afasta o carrinho da senhora e começa, sem demoras, a colocar as suas compras no tapete.
Um minuto depois, chega a senhora com um pacote de arroz e fulmina o senhor com o olhar dizendo “Fui só buscar isto que me tinha esquecido!”.
“Não quero saber! Não estava na fila portanto tomei o meu lugar na mesma” esclarece-a enfurecido.
“Que falta de educação e consideração”! diz a senhora indignada.
“Ora essa! A senhora é que procedeu mal, não pode guardar o lugar na fila!” responde o senhor furioso.
“Vou passar à sua frente! Estou grávida!” diz a senhora.
“Sendo assim pode passar mas tem que passar também à frente desta senhora!” diz ele entre risos.
“Não! Só passo à sua porque esta senhora merece a minha consideração!” diz ela
“Era o que havia de faltar. Grande lata!” diz-lhe furibundo.
“É o que dá, estes supermercado perto de bairros da lata, depois só aparece gente assim!” diz ela perdendo as estribeiras.
“Não vá por aí! Se formos a ver tenho muito mais berço, dinheiro e uma casa onde a senhora nunca poderá ter!” remata ele.
Assisti a todo o bate boca, em silêncio, como as restantes pessoas presentes.
É impressionante a velocidade com que uma situação, sem importância nenhuma, descamba, as pessoas perdem as estribeiras e a capacidade de se entenderem e respeitarem, agredindo-se verbal e ferozmente porque nenhum quis (con)ceder.
Estamos a falar de 3 ou 4 minutos de bate boca.
O senhor despachou-se em 1 minutos e a senhora foi atendida logo de seguida e 2 minutos depois estava a sair do supermercado.
Terá valido a pena a falta de nível e o triste espetáculo?
Serão estas as questões fundamentais que “movem” as pessoas hoje em dia? 2 minutos?
Abandono o supermercado com um amargo de boca face à cena triste presenciada, em que nenhuma das partes foi assertiva.
Poucos minutos depois, dou de caras com a mesma senhora, na escola da pequenada, nunca lá a tinha visto, onde aguardava a chegada dos seus rebentos.
Mirou-me envergonhada e disse “Nunca me tinha acontecido uma situação destas. Acho que me excedi!” ao que me ocorreu apenas dizer “Devemos poupar o nosso tempo, esforço e energia, para o que é realmente importante. Há coisas que não vale a pena levar a peito nem muito a sério!”.
“Tem razão mas foi mais forte que eu!” remata a senhora.

Pessoas versus gente

Pimpolha mais velha utiliza, frequentemente, a expressão em voga, entre a malta da sua idade, sempre que se dirige a um grupo:
“PESSOAS??? GENTE???”
E as pessoas e  as gentes, respondem-lhe prontamente!
Passado pouco tempo, esta forma de tratamento estende-se, e em mails ou whatsapp entre pais, constato que já há pais a chamar por “PESSOAS” e “GENTE” os demais.
Um fenómeno interessante…
Curiosamente, um “PESSOAS?”, ao qual a resposta não chega no timing desejado, segue-se sempre um “GENTE?”, de filhos e pais. Engraçado o alinhamento e o seguimento, faz-me sempre lembrar que pessoas há muitas mas gente (?), gente é outra coisa, algo um pouco mais elevado e próximo.
Detesto esta forma impessoal de tratamento, não me soa bem, talvez porque considere que entre pessoas e gente há uma grande diferença, como tão bem retrata Ricardo Araújo Pereira no seu artigo “Tem gente que é pessoas”:

“Pelas minhas contas, temos: pessoas, gente, povo e humanidade. O pior são as pessoas, claro, e o melhor é a humanidade.
As pessoas não usam setas no trânsito; a humanidade foi à lua.
A humanidade é tão digna que, muitas vezes, aparece grafada com h grande: a Humanidade. Isso nunca aconteceu às pessoas, e bem. Não faz sentido escrever que as Pessoas jogam lixo no chão (coisa que a Humanidade, aliás, nunca faria). As pessoas raramente merecem a honra da maiúscula. Em geral, são referidas no fim da conversa, em tom de lamento: “realmente, as pessoas e sempre com p pequeno.
A gente talvez esteja num patamar acima, mas não muito. Tem gente muito estúpida. O que é normal, dado que a gente costuma ser formada por muitas pessoas. Mas, apesar de tudo, às vezes é possível confiar na gente, e até desejar combinar um programa com ela, como fica claro na frase: “E aí, gente, vamos sair?” Um convite que, não por acaso, nunca é feito às pessoas.
O povo já é outra coisa. Dedica-se sobretudo à política, e com uma nobreza que falta claramente às pessoas. Os políticos, infelizmente, são, em geral, pessoas. O povo, que é sábio, vota neles, mas apenas porque não tem alternativa.
Pudesse o povo votar no povo e as nações, verdadeiramente governadas pelos povos, prosperariam. No entanto, o povo não tem outro remédio senão votar em pessoas, com os resultados que todos conhecemos.
Não surpreende, por isso, que a Humanidade seja capaz de tantas e tão grandes façanhas: ela é formada pelo conjunto dos povos. Quando os povos se juntam para criar a Humanidade, aliam a excelência de cada um à dos outros, e o resultado é uma entidade que consegue atingir cumes da civilização, como as vacinas, a conquista do espaço e o gin tônica.
Falta descobrir o essencial: em que ponto passam as pessoas a ser gente – e, sobretudo, quando é que a gente se transforma em povo e Humanidade. Esse momento tem de ser identificado e estudado na escola. Deve ser uma delícia viajar de ônibus com a Humanidade, aguardar na fila do supermercado atrás da Humanidade, ir ao estádio ver o nosso time na companhia da Humanidade. Fazer tudo isso com pessoas é quase sempre chato, e muitas vezes perigoso.”
Texto de Ricardo Araújo Pereira publicado originalmente na Folha de S. Paulo

Saltar à corda

Pimpolha mais pequena na última semana de aula descobriu, pela mão e corda de uma amiga, o seu enorme interesse e gosto em saltar à corda.
Porquê?
A amiga levou uma corda para a escola e todo o santo recreio praticavam, praticavam!
Perfeito, uma excelente brincadeira!
Curioso, curioso, e eu sou má língua, foi o timing! Esta ideia maravilhosa surgiu logo a seguir a ser anunciado o ralatório das provas de aferição de 2º ano que dizia, em letras gordas, e que chocou muita gente, que os meninos não sabiam saltar à corda.
Ri-me sozinha, mas com vontade, da minha maldicência e desta coincidência tão curiosa na forma e no timing.
Uma mãe prevenida, uma vez que no próximo ano, caberá à sua filha, e à minha por arrasto, ter um bom desempenho na prova de Expressão Físico Motora do 2ºano.
Uma mãe empreendedora e que decidiu atalhar e tomar o assunto em mãos ou mais precisamente colocá-lo nas mãos da filha.
Os senhores do IAVÉ, e outros que tais, lá saberão os desígnios a avaliar no próximo ano mas desconfio que não será o saltar à corda, essa coisa corriqueira e badalada!
Outros interesses e apontamentos se levantarão dependendo para que lado puxa a corda.
Resumindo, é ver pimpolha mais pequena a saltar energicamente à corda, de pés juntos, com um pé à frente e outro atrás e/ou a correr, com as faces coradinhas que dá gosto.
Prova superada, valeu, como dizem os nosso amigos espanhóis( será que por lá também avaliam o salto à corda?)!

Nota: Depois de observar vários espécies, ocorreu-me a dúvida: saltar à corda a pés juntos, like a pro e como deve ser, ou com um pé à frente e outro atrás, para despachar e facilitar, será esta um questão de géneros?
Saltem à corda, observem e concluam!

Visto Gold

Final do dia, batem à porta, é novamente um agente de uma imobiliária, fazendo a ronda semanal pelos prédios do bairro.
Normalmente, ignora-se o toque, não percebendo a razão de tamanha insistência e persistência.
Para variar, porque até há tempo naquele dia, cede-se à curiosidade.
Sorriso aberto, uma mão estendida e cartão de visita na outra.
Blá, blá, blá… muito procura de casas em Lisboa, pouca oferta. Informa, casualmente, o valor, neste momento, no mercado, da casa – o dobro do valor de compra, há 15 anos, e umas centemas de milhares de euros acima da avaliação de há 5 anos e lança a questão “Não quer ponderar vender a sua casa? É uma oportunidade de negócio e, provavelmente, no final do ano, a tendência vai inverter novamente.”
A tentação é muita, contas à vida, estudo de mercado e de várias opções e modelos.
Decide vender.
Um Turco decide comprar.
Não conhece o Turco. O Turco não conhece a casa.
Os advogados do Turco dizem que eles viu as fotografias da casa.
Contrato promessa compra e venda assinado pelos advogados, através de procuração passado pelo comprador turco.
Quinze dias antes da escritura, o Turco vem a Portugal. Telefona ao ainda dono da sua futura casa, quer ver a casa naquele momento.
Não há hipótese, está a trabalhar, no máximo, daí a uma hora.
O Turco tem pressa, está na capital, por mero acaso, está a caminho das suas merecidas férias no Algarve, não pode esperar uma hora.
O Turco segue caminho mas antes deixa um miminho: o seu cartão e um pacote de pistachios de 1kg na sua futura caixa de correio.
O Turco continua sem ver a casa, os banhos no Algarve são muito mais importantes do que os largos milhares de euros que decide investir, sem avaliar presencialmente, as fotografias chegam. No entanto, quer a casa para ontem!
O Turco continuar a vir a banhos a Portugal ( bastando 7 dias no 1º ano, 14 dias nos 5 anos seguintes), “Et voilá!”, nacionalidade portuguesa atribuída e a tão importante e aspirada livre circulação no espaço Schengen garantida.
Vendida a casa aos “advogados” do Turco por uma pipa de massa, continua sem conhecer o Turco e o Turco sem conhecer a casa.
A empresa de limpeza, pintura e decoração da casa, agora do Turco, entra no dia a seguir à sua saída.
O Turco precisa de começar a rentabilizar, o mais depressa possível, o seu investimento.
Então e o Turco vai mudar-se ou investir em Portugal?
Claro que não!
Vai arrendar a casa por 3000€ mensais a estrangeiros que o belo do Tuga não tem dinheiro para estes alugueres. Na semana seguinte, entram os novos inquilinos. Aplica-se o ditado: tempo é dinheiro.
Temporariamente, vendida a casa ao Turco, aloja-se na casa de familiares enquanto procura outra.
Encontra e compra outra casa, num sítio, não tão central nem tão in, mas simpático e com bons acessos e facilidades, com o dobro da área da casa do Turco. Decide fazer umas pequenas remodelações, antes de se mudar.
Balanço: paga ao banco o que devia do empréstimo da casa que vendeu ao Turco, paga a nova casa na íntegra e fica a dever ao banco apenas uma ninharia referente às remodelações.
Satisfeito: grande negócio e aliviado: desapareceu a prestação avultada no final de cada mês.
Os dois ganharam: o Turco e o Tuga! Quem ganhou mais?
Portugal ganhou alguma coisa? Hummmmm… deixa ver, desconfio que…
True story!

Top, top!

Jonas Blue, um DJ, inglês, e produtor musical, em ascensão, atuou, este anos, na semana académica de Lisboa. Aproveitou a sua estadia em terras lusas e filmou um videoclip da sua nova música “Rise” nas ruas da nossa capital, e este rapidamente chegou aos tops no Reino Unido. Passado um mês da sua publicação, no youtube, já tem  mais de 32 milhões de visualizações.
Lá fora, a música já é um sucesso, há quem diga mesmo que é o hit deste verão, por cá já passa nas rádios.
De realçar, que no vídeo, da Mouraria ao Skate Park do Parque das Nações, pouco se vê o sol, prevalece um céu macambúzio quando, até este verão, eramos conhecidos pelo nosso clima, sol e luminosidade maravilhosa… isso também parece estar a mudar!
Relativamente à letra da música retrata bem o espírito da malta jovem e a forma com encaram a vida, o futuro e a sua relação com os pais e as preocupações e dúvidas destes face à descontração, às deambulações e a ausência de perspectivas de futuro! Basta atentar na letra, que diz algo que imagino todos os pais de adolescentes (até aos 30 anos ou mais) ouçam com frequência dos seus rebentos:
“They think we’re just drop-outs
Living at our mom’s house
Parents must be so proud
They know it all
No, they don’t speak our language
They say we’re too savage, yeah
No, no we don’t give a… anymore”

Lisboa está na moda e os seus residentes esperam que rapidamente se volte à normalidade, parafraseando a letra da música, ironia das ironias:
“We’re gonna ri-ri-ri-ri-rise ‘til we fall
This time we got no no no no future at all…”
O aeroporto está rebentar pelas costuras com tanto turista e os problemas e reclamações sucedem-se, pela 1ª vez, em pleno verão, as taxas de ocupação hoteleira de Lisboa são superiores às do Algarve, os transportes públicos, os passeios e as zonas históricas da cidade estão invadidas de estrangeiros e fervilham os preços da restauração e não só, os preços das casas em Lisboa dispararam e são, neste momento, proibitivos para o comum português, o que se refletiu na entrada de Lisboa, recentemente, para o top 100 das capitais mais caras do mundo, na cauda da lista, é certo, mas com uma subida de mais de 40 lugares, os esquemas e as estratégias levadas da breca para “desalojar” os residentes das zonas mais pretendidas multiplicam-se, assim como as histórias dos maravilhosos vistos gold.
Quando passar a febre, restará alguma coisa para os alfacinhas poderem prosseguir com a sua vidinha tipica e modestamente portuguesa?

Ao fundo do mar

Sentados à sombra de uma oliveira, em coloridas almofadas, rodeados de faróis e sons de gaivotas, com o Padrão dos Descobrimentos e o rio Tejo como pano de fundo, viajámos e mergulhámos ao fundo do mar embalados pela voz e os bonitos, e profundos, contos de Ana Sofia Paiva e a Sofia Maúl. Assim começou o nosso dia com as Estórias ao Fundo do Mar, uma iniciativa da Fábrica das Artes do CCB
“Um mergulho ao fundo mais fundo, com Tejo ao fundo, guiado por duas mulheres-barco ancoradas no imaginário do grande azul, pai-mãe do mundo. Escafandristas de contos tradicionais e de autor, as mulheres-barco dão fala a polvos e caramujos, sereias e alguns marujos, musas, medusas, alheias e lusas. Narrativas de maré. Ilha. Sal. Estórias de coral. Oceanos e muita saudade. As mil e uma profundezas da verdade.” (Sinopse de Estórias ao fundo do mar – Contos no jardim)

Terminámos o dia, entre amigos, a cozinhar, a várias mãos, um saboroso e suculento, peixe do mar ao pão (cujo massa foi feita por um expert em pão da família – excelentíssimo esposo).
Um dia em que não fomos à praia mas, curiosamente, mergulhámos, muito bem acompanhados, noutros mares guiados pelas estórias, cheiros e sabores e tantos outros sentidos e sentir!
Dias bons… e refrescantes!

Quantificar

“Dou-te uma pista: ela só gosta dele 2%”

Resposta que a amiga de pequeno do meio lhe deu quando este tentava tirar nabos da púcara ao inquérito cerrado do moço sobre o que vai no coração de uma amiga comum.
Gosto desta (im)precisão no contar dos dizeres do coração. Aparentemente, mas por razões, obviamente, diferentes, também agradou muito a pequeno do meio.

Ao Ar Livre 2018

Destinado a crianças e jovens, um grande Ato Coletivo com oficinas, performances, espetáculos, instalações, um jantar comunitário e um baile – um até já no último Ao Ar Livre!
Ao Ar Livre 2018 – Dia 14 de julho, das 15h00 às 22h00, no Bairro de Alvalade, na Rua Bulhão Pato e no Jardim do Bairro das Estacas.
O seu rico e variado programa pode ser consultado aqui.

“O Teatro Maria Matos está a mudar. A partir de setembro de 2018, será arrendado a agentes culturais privados e passará a apresentar teatro para o grande público. A missão desenvolvida pelo Maria Matos Teatro Municipal será continuada noutros espaços da cidade, o LU.CA – Teatro Luís de Camões e o Teatro do Bairro Alto. Para continuarem a par das novidades, inscrevam-se nas novas newsletters clicando no link.”

Saúde! Tchim, tchim!

Por defeito ou feitio, não sei bem, regra geral, sou otimista, sem stress (o que irrita muito a minha mãe e o meu mano), acredito, até prova em contrário, que na vida não temos problemas mas situações, que os problemas são coisas bem mais graves, e que quase tudo tem solução e se resolve; mas, há sempre um mas, se há coisa que me apoquenta, afeta os nervos e tira o sono são as idas ao médico, hospitais e exames médicos, tanto faz ser eu ou qualquer elemento cá de casa.
Sou invadida por uma sensação/medo de algo que está na iminência de acontecer, tipo bomba, e que vai ou pode “estragar” o nosso bem estar, forma de de ser e viver, essencialmente, a nossa vontade e crença que somos invencíveis e que há coisas que só acontecem aos outros.
É só, mais uma, das minhas coisas parvas, bem sei!
Um possível “confronto” com uma mudança de realidade e paradigma é o que mais me assusta.
A saúde é um bem precioso mas volátil, é uma força mas também é, ou pode ser, uma fragilidade. Esta dicotomia deixa-me expectantemente angustiada… considerando que todos nós temos uma prazo de validade!
Conhecendo-me, excelentíssimo esposo e eu temos um acordo tático há muito, é ele que leva, quando é necessário, a pequenada às urgências. Eu permaneço com a trupe saudável a orientar as lides.
Mantém sempre a esperança na mudança “Então, desta vez, também sou eu que vou às urgências com ele/a?” pergunta suspirando.
Ri-se com o meu invariável aceno que confirma a sua suspeita e diz, descontraidamente, para me consolar, “Vai correr tudo bem! Mais uma daquelas doenças e viroses de miúdos, vais ver!”, porque sabe que vários cenários, que raramente verbalizo, discorrem, em excesso de velocidade, na minha mente, nem sempre otimista!
Até agora, felizmente, excelentíssimo esposo, teve sempre razão no seu prognóstico!
Depois de uma bateria de análise e exames, de rotina e checkup, na avaliação derradeira, a médica diz-me, sorrindo, “Está tudo bem! Nada a registar, tudo dentro dos parâmetros normais para a idade!”.
Devo ter respirado bem fundo de alívio e disse “Isso é que são boas notícias e que todos gostam de ouvir!”.
A médica riu-se e descontraindo disse “Vou dizer-lhe o que costumo dizer ao meu marido e filhos: Pode ir comemorar!”.
Ando há dias a matutar neste “Pode ir comemorar!” que na altura me pareceu estranho e exagerado mas, pensando bem, pensando bem, provavelmente, não é!
Saúde – um estado periclitante de risco de vida, uma crónica de uma morte anunciada!

De uma crise anunciada a um presságio?!

Segundo a pequenada da casa não podemos ir lado nenhum sem que eu encontre alguém conhecido e converse, e converse, enquanto eles… desesperam. Gente muito atarefada e apressada, estes meus filhos!
Entre o cheiro do manjericos, da sardinha assada e um pézinho de dança, há sempre tempo para dois dedos ou um arraial de conversa, especialmente quando a pequenada anda entretidas com os seus amigos.
Vem à baila a greve dos professores “É muito justa! Espero que dê frutos! Porque nós, militares, infelizmente, não podemos fazer greve! Mas se vocês ganharem, nós, que estamos na mesma situação, também beneficiamos.” diz-me a mãe de um amigo da pequenada.
Volvidas apenas duas semanas acesas e quentes nas escolas, recebidas com um silêncio sepulcral do ministério e do ministro, que foi para a Rússia ver a bola, apesar das notas informativas emitidas pelo ME, como forma de coação pouco disfarçada e repletas de ilegalidades a chegar às escolas e o visível aumendo a tensão e a revolta de muitos professores; a opinião pública forte e habilmente manipulada por uma comunicação social, que enfim e uns opinion makers encomendados, os pais que não sabiam que notas iriam ter os filhos (onde andaram todo o ano, pergunto eu?) e as “correntes e subcorrentes”, de gente sem espinha e brio, estranhas de alguns diretores, sindicatos e colegas coniventes com o regime, em vésperas de S. Pedro, confessei que, apesar de ser para continuar, tinha muitassss dúvidas que a greve nos trouxesse o desejado e merecido!
“Eu sabia, eu sabia! Eu tive um sinal quando isto tudo começou. Estava eu grávida, de final de tempo, do meu mais novo, quando ouvi o Passos Coelho a anunciar o congelamento das carreiras por causa da crise! Ora eu que nunca tinho tido contrações, os meus filhos nasceram todos de cessarianas programadas, fiquei logo cheias delas. Respirei fundo, desliguei a televisão, fui dobrar meias para me acalmar e disse para a minha barriga: nem penses em nascer agora, estás ouvir, ainda por cima por causa deste homem! Levei aquele dia todo a pensar logo agora que decidi ter outro filho é que este me vem anunciar isto, vai ser bonito, vai!” relata divertida e o seu riso é contagiante.
“E isto não foi nada, foi só o começo! No dia em que tinha a cessariana marcada, no hospital, dou de caras, novamente, com o Pedro Passos Coelho na televisão, ele e as suas maravilhosas medidas para a nossa bolsa. O meu médico observa-me e diz, com ar de gozo, “Então que nome vai dar ao seu rapaz?”. E eu respondo, resignada e  entre dentes “Sabe muito bem que é Pedro…”. O médico ri-se e continua “Mas tem a certeza? Olhe lá para o que este Pedro se prepara para nos fazer! Tem mesmo a certeza? Vai dormir descansada? Pode ser uma presságio!”. “Pedro, será Pedro… O pai do Pedro Passos Coelho não disse que, às vezes, se zangava com o filho! Se calhar terei que fazer o mesmo…!”. E o médico remata com “Seja mas não diga que não avisei!”.
Assim, com a sombra e imagem de um malvado Pedro, uma mãe deu à luz um outro Pedro!

 

O mesmo ou outro?!

“Há quem diga que, quanto voltamos a ler um livro, anos depois, não é o mesmo livro. É um fenómeno caro a Heraclito. A teoria diz que nós mudamos, aprendemos mais e quando relemos, fazemo-lo com outros olhos, mais experientes, mais sábios. Mas há a possibilidade, é só uma teoria, de, quando se fecha um livro numa prateleira, ele, febrilmente, trocar as suas próprias letras, tal como nós renovamos o sangue e vamos crescendo. Reescreve frases e parágrafos, acrescenta texto, elimina períodos, sublinha ideias. Ou como é que um objecto que pode conter tanta sabedoria, pode ter a vida de uma pedra, em vez da dum ancião de barbas? Ou como é que aquilo que contém inteligência pode não ser inteligente?”

 in O Cavaleiro Ainda Persegue/ A Mesma Donzela um conto de Afonso Cruz no Livro “Prazer da Leitura” (Fnac/Teodolito)

Prenúncio

Pequeno do meio chega a casa e, de imediato, pega no telefone e liga ao seu melhor amigo. Passado pouco tempo pergunta-me “Podemos ir ao parque agora?”.
Face à resposta negativa, prossegue a conversa telefónica. Para poucos minutos depois, voltar ao ataque “Posso ir a casa dele para brincarmos?”.  Como a resposta voltou a não ser do seu agrado, continuaram ao telefone. Pouco tempo depois, lança a questão “Então e achas que posso ir dormir a casa dele?”.
“Mas afinal o que é que se passa? Qual é a emergência? Passaste o dia todo com ele!” pergunto-lhe verdadeiramente intrigada.
“Sabes, é que estão muitas cenas e coisas interessantes a acontecer!” diz-me ele sorrindo com o seu ar de maroto.
Reconhecendo o insucesso da sua estratégia, lá se contentaram com uma longa conversa telefónica cujo tema dominante desconfio que foi gajas… resmas de gajas, paletes… atrás dele(s)!
Se com 10 anos e é isto… Estou bem arranjada com esta maltinha!

A Leis da Matemática aos olhos de Escher

“The laws of mathematics are not merely human inventions or creations. They simply ‘are’; they exist quite independently of the human intellect. The most that any(one) … can do is to find that they are there and to take cognizance of them.”

M.C. Escher

Uma excelente definição do que são as leis da matemática, de M.C. Escher que, no entanto, humildemente, afirmava que:

Apesar de não possuir qualquer conhecimento ou treino nas ciências exatas, sinto muitas vezes que tenho mais em comum com os matemáticos do que com os meus colegas artistas.”

 

A não perder a Exposição de Escher, até 16 de setembro, no Museu de Arte Popular