Assembleia da República – um (mau) exemplo

“Então, caros alunos, com correu a vossa visita de estudo à Assembleia da República?” pergunta à minha turma de 11ºano
“Uiiiii, nem sei porque é que os professores se queixam dos alunos, os deputado são bem piores que nós” diz o R. meio indignado
“Yeah, Stôra, aquilo mais parece uma café, e não é dos melhor frequentados!” diz o D. entre risos.
“Veja só Stôra se acha isto normal: estão sempre a entrar e a sair, uns porque estão atrasados, outros, sei lá… porque lhes apetece. Depois há aqueles que se levantam, quando lhes dá na gana,circulam pelas bancadas e vão falar, e dar abraços, a estes e aquele, isto tudo enquanto um qualquer está a discursar! Eu bem que tentei prestar atenção ao discurso do senhor mas aquilo é muita movimentação e uma pessoa distrai-se. Acho que ninguém, ou quase, estava a ouvir o que ele estava a dizer. Imagine que era na sua aula, o que é que Stôra fazia se nos comportassemos assim?”  esclarece e questiona-me o J. meio exasperado.
“Preciso mesmo responder a isso?” devolvo-lhe
“Claro que não, todos sabemos! Aquela gente é que não se sabe comportar, aquilo é uma vergonha!” diz furioso o J.
“O deputado que estava mesmo debaixo da nossa varanda, esteve o tempo todo, no tablet, a ver a temporada de jogos da NBA e o ao lado a ler o jornal!” acrescenta o F.
“Faltava lá a professora com o seus famosos «XIUUUUUUUU!» ou, melhor ainda, com o «pouco chinfrim na capoeira»! Não há lá ninguém que ponha ordem e mande calar aquela gente… e os mande guardar os telemóveir” diz a C. entre risos
Por esta altura, já estava para lá de possessa comigo, pensando “Mas porque é que eu perguntei?”, irritada com este exemplo ao mais alto nível de barulho, falta de educação, consideração, responsabilidade e interesse dado pela larga maioria dos representantes eleito da nação, que eu já imaginava mas presenciado e relatado por adolescente de 16 anos teve um outro impacto. O impacto típico de quando os maus exemplos vêm de cima…
“Bem já aprenderam a postura que não se deve ter. Esse também é um ensinamento que de  lá trouxeram. Agora é lembrarem-se do mau exemplo e das tristes figuras que presenciaram e evitar serem os protagonistas de tal proeza. Não basta criticar, isso todos conseguimos, é preciso tentar, almejar  e ser melhor do que o que criticamos nos outros!” remato eu.
“Easy peasy, já nos portamos muitooooooo melhor que eles, todos os dias, nas aulas!” diz entre dentes, a L. para a T.
Um retrato bastante elucidativo dos representantes deste pacífico país à beira mar plantado, responsáveis por propor e deliberar muitos dos nossos deles desígnios. Entregues aos bichos é o que é…!

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Tarte de noz

Diferente de aparência e textura, docinha, a noz com o seu sabor e cor é rainha, (pre)enche o olho, e não só! Uma tarte perfeita para os dias mais frios, mais castanhos ou cinzentos mas também em qualquer dia mais colorido.

Ingredientes
Massa
150g de farinha
50g de açúcar em pó
50g de manteiga
1 ovo
1 pitada de sal

Recheio
1+3/4 chávena de açúcar
1/4 chávena água
3 colheres de sopa açúcar mascavado
1 colher de chá de aroma de baunilha
60g manteiga derretida
200g nozes
3 ovos

Preparação
Para a massa: derreter, ligeiramente, a manteiga. Juntar a farinha, o açúcar e uma pitada de sal. Amassar bem com as mãos. Adicionar o ovo, envolvendo bem até formar uma bola homogénea. Deixar repousar durante 30 minutos. Colocar a base/massa da tarte, sobre uma folha de papel vegetal polvilhada de farinha) e com as mãos ou um rolo da massa esticar, com cuidado, a massa é um pouco quebradiça. Forrar uma forma redonda pequena, de fundo amovível com a massa, sem retirar o papel vegetal. Sobre a base  da tarte, espalhar as nozes picadas grosseiramente.
Para o recheio: levar  1 chávena de açúcar com a água ao lume. Ferver durante 3 minutos, deixar arrefecer. Numa taça, juntar os ovos, o açúcar amarelo e o mascavado, a manteiga e o aroma de baunilha, bater tudo muito bem até obter uma mistura homogénea. Por fim, misturar, depois de frio, o preparado da água e açúcar e envolver bem. Cuidadosamente, deitar a mistura sobre a base da tarte e as nozes. Levar a forno, pré-aquecido, durante 45 a 50 minutos. Durante a cozedura, se começar a ficar muito tostada, tapar com papel vegetal.

Tempo próprio e a realidade

“(…) A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”.

(…) estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações… Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto… É a abolição da realidade (…)”

diz Byung Chung Han, filósofo sul coreano numa entrevista muito interessante

Sabores da memória

“Olha que fixe! As bolachas que comiamos nos Açores! Que saudades… nunca as tinha visto à venda por cá! Podemos levar, please,please?” exclama surpreendida, toda contente, e saudosa, pimpolha mais velha, ao encontrar as deliciosas bolachas mulata e outras de chocolate da Moaçor. Estas bolachas foram-nos apresentadas, em São Miguel, pela nossa anfitriã, no nosso primeiro dia na ilha, ficámos fãs e acompanharam-nos durante toda a nossa estadia.
Recordações e boas memórias avivadas pelos sabores da ilha, num supermercado do continente, chamada Jumbo.
Sabores e paladares da memória.

Pequeno do meio: o protetor?!

Sempre achei que a cozinha é um espaço caseiro e quentinho que convida a confidências, parece que não sou a única cá em casa. Estavam, pequeno do meio e pimpolha mais nova, a brincar, animadamente, com plasticina, fazendo pratos de cozinha originais, julgando-se sozinhos na cozinha, entre bolos de cenoura com cobertura de caramelo salgado e sei lá que mais inventaram eles, quando pimpolha mais pequena lhe dá para o sentimento (talvez por o júri ter preferido o prato de pequeno do meio).
Envergando o seu avental para proteger o seu bonito fato de Alice no País das Maravilhas, confessa, triste, entre duas ou três lágrimas “Sabes que, na escola, no dia que fomos mascarados, houve um menino de 4ºano que gozou comigo. Disse que eu não estava mascarada de Alice mas de carta porque o meu avental tinha estes desenhos (naipes)!”.
Pequeno do meio pensativo, franze o sombrolhos, diz “Hummm… achas que consegues identificar o tipo?”

Bolachas de chocolate branco

Deliciosas!!!

Ingredientes
100g manteiga (amolecida)
1 chávena açúcar amarelo
1/2 chávena açúcar
2 ovos
1 colher de chá aroma de baunilha
2 + 1/2 chávenas farinha
1 colher de chá bicarbonato de sódio
1 colher de chá fermento em pó
200g chocolate branco

Preparação
Numa taça, juntar os açúcar e a manteiga amolecida, bater muito bem. Juntar os ovos e o aroma de baunilha e envolver. Adicionar a farinha, o fermento e o bicarbonato de sódio, misturar muito bem. Por fim, juntar o chocolate branco cortado grosseiramente. Fazer pequenas bolinhas de massa (+ ou – 1 colher de sopa), colocá-las, espaçadamente, num tabuleiro, forrado com papel vegetal, e levar ao forno pré-aquecido a 180ºC, durante cerca de 10 minutos ou até ficarem coradinhas!

“Tens namorada?”

“Tu tens namorada?” pergunta um amigo de brincadeiras, de 7 anos, a pequeno do meio.
Pequeno do meio, rapaz que nunca se compromete, olhou para a assembleia atenta, em torno de uma chávena de chá, composta por 4 adultos e 4 crianças, fez o seu sorriso maroto e deu de ombros.
O seu amigo prossegue a exploração do tema, acrescentando, talvez como forma de incentivo, “Eu não tenho namorada! Tenho um amigo que sofre muito.”, pequeno do meio não reage, não comente, continua a sorrir com aquele seu ar. A restante malta segue atenta a conversa de sorriso nos lábios
Não desistindo, questiona, novamente, pequeno do meio, “Tu também sofres das raparigas?”.
A gargalhada foi geral e pequeno do meio sorri com um ar conhecedor, assim como quem diz “Esta malta não percebe nada deste hip hop mas não vou ser eu a explicar-lhes”.
Pergunto-lhe eu, curiosa, “Então mas porque é que o teu amigo sofre muito com as raparigas?”
Ele esclarece-me prontamente “Nós queremos jogar à bola e elas não deixam!”. Pequeno do meio abana a cabeça, sorri e continua sem proferir uma palavra, mas aposto que estava a pensar qualquer coisa do género “Não percebes nada desta vida”

Anda uma mãe a criar uma filha para isto!

“Já sei do que é que vocês se podem mascarar, tive uma ideia. A mãe podia ir de diabo e o pai de anjo!” sugere pimpolha mais velha.
Mais tarde, volta ao ataque “(…) A mãe também podia era mascarar-se daqueles lá da tropa, tipo general, ou lá o que é, aqueles que estão sempre a dar ordens, ela já tem muita prática, anda sempre nisso!”

Este Carnaval é assim…

Pimpolha mais velha gosta sempre de escolher personagens difíceis e atípicas da sua idade como: a Cruella Devill, dos 101 dalmatas, mas como tem um pavor medonho a cabeleiras, fora de questão, e assim este ano mascarou-se de

Pimpolha mais pequena queria ser a Bela, da Bela e o Monstro da Disney, uma princesa portanto… não gostámos de nenhum dos vestidos! E surge então a ideia e se fosses de Alice no País das Maravilhas, a combinar com a mana. Alegrou-se-lhe o espírito e gostou do fato. Ouro sobre azul… Linda e feliz, esta nossa Alice!

A malta entusiasmou-se com a temática dominante e procurando um 3ª conjugação foi dando sugestão a pequeno do meio “Então e se fosses de gato invisível?”. O rapaz sorria, contente da vida, para logo de seguida dizer “Hummm, era giro! Aquilo riso e sorriso dele… mas não, não quero”. Logo surgia outra “Então e se fosses de Chapeleiro Louco?” e o moço, calmamente “Interessante mas não!”. E mais uma “Então e se fosses o Sr. Coelho com um mega relógio?”. “Também era engraçado mas não!”. E a mais hilariante, para um magricela, “Então e se fosses de Humpty Dumpty?”, sempre achei piada ao, bamboleante, Humpty Dumpty, confesso. Pequeno do meio ri-se e diz “Nem pensar. Eu já decidi há muito e que quero ser!”. E, assim, enveredou por outros caminhos… não tão coloridos e luminosos…

Todos felizes e contentes com os seus disfarces. Já os pais, têm esperança que a mais nova não caia em nenhum buraco, que a mais velha não corte a cabeça a ninguém e que o do meio não abrace a escuridão 🙂 Mas como sempre eles trocam-nos as voltas e são imprevisíveis e criativos…
A saga do trio maravilha que, às vezes, mais parece uma cegada!!!!

5 minutos

Está um frio de rachar, ao respirar sai “fumo”, tenho o nariz gelado, mas observo de esguelha, por estar agasalhada até aos olhos, o caminho que percorro todos os dias e estranho, algo não bate certo!
Não vejo as pessoas do costume e o trânsito está fluído, praticamente, não se vêem carros. Olho para o relógio para confirmar que não me enganei na hora ou no dia. Constato que estou 5 minutos “adiantada” relativamente ao meu timing habitual!
Apesar de não ter pressa, acelero o passo para ver se aqueço.
O meu pensamento vagueia em torno da diferença que 5 minutos podem fazer, no trânsito, e na nossa vida em geral.
Constato que são diversos os 5 minutos que “mudaram” a minha forma de estar e encarar a vida ou o seu rumo. Uns bons outros nem por isso, pois há 5 minutos que têm um valor incalculável e outros que não valem um tostão; há 5 minutos que parece que passam num segundo, mas permanecem connosco eternamente, e outros há que parece que duram uma eternidade para logo a seguir os descartarmos; que há 5 minutos em que o que mais desejávamos era que voltassem atrás para podermos fazer tudo de forma diferente.
Penso para com os meus botões, “este frio faz-me mal, olha para o que me havia de ter dado logo pela manhã”.
Do outro lado da larga avenida, encaro o olhar de alguém que me parece, estranhamente, familiar mas que nunca imaginaria encontrar por estas bandas. Correndo os ficheiros da minha memória, localizo-a, parece uma antiga colega da escola primária. Ambas à distância, acenamos, a medo e discretamente, com a cabeça, em sinal de reconhecimento, mas também de dúvida, “Será mesmo ela, ao fim destes anos todos, será que é? Parece mesmo…”. Coincidências da vida…
No dia seguinte, voltamos a cumprimentarmo-nos, ao longe: ela a atravessar a avenida, na minha direção, e eu atrasada que estava, quase a tocar, não posso esperar.
Sorrio enquanto penso “Será que é amanhã que teremos 5 minutos, do mesmo lado da avenida, para trocar memórias e constatar que somos mesmo nós e não alguém parecido!”
5 minutos, esse tempo precioso, tenhamos nós vontade e disponibilidade para o aproveitar.
Gostos destes meus “passeios” pela manhã, arejados e, às vezes, surpreendentes.

5 cêntimos!

Quatro pessoas à minha frente e uma atrás de mim na fila de supermercado.
A 2ª senhora da fila deixa cair umas moedas que tinha na mão.
Prontamente, a cliente que estava à sua frente se baixa para a ajudar, com grande, e muito maior rapidez e destreza, que a visada, uma senhora de alguma idade.
Ao devolver a moeda à senhora, esta observa um bocadinho desconcertada “Deu-me uma moeda de cinco cêntimos, eu só tinha duas moedas de dez cêntimos!”
A cliente à sua frente limita-se a observar altivamente “Por favor, acha que eu ia fazer isso? 5 cêntimos para si, 5 para mim? É melhor é irmos ver às câmaras de vigiliância para tirarmos isso a limpo!”
A senhora, assertivamente, remeteu-se ao silêncio enquanto retira da carteira outra moeda de 10 cêntimos e lá coloca a de 5 cêntimos, com um ar desconsolado. Tinha, na mão, o dinheiro certo para pagar a sua conta, daí a sua certeza de que não tinha moedas de 5 cêntimos.
Na fila, todos nos entreolhamos com aquela sensação “Como é possível? Por cinco cêntimos? A uma pessoa de idade?”. Pois, se, ao início, todos ponderámos a hipótese mais plausível de a senhora de idade se ter confundido, ou visto mal a moeda, perante a altivez, tom e prontidão de resposta dada, penso que ninguém ficou com dúvidas que ela tinha feito a troca.
Chega a vez da cliente ser atendida, na hora de pagar, ela e a família, passam à vontade 2 ou 3 minutos a contar moedas e moedinhas, com muita calma, para perfazer o total. Todos na fila aguardam, pacientemente, observando o espetáculo barulhento.
A senhora da caixa diz “Faltam 20 cêntimos!”
“Olha querida, venho cá pagar-te amanhã!” diz a cliente
Na fila, toda a gente respira fundo e pensa para os seus botões “Nunca mais daqui saímos! É preciso ter lata!”.
“Não pode ser! Pode é deixar cá um artigo e assim já tem dinheiro suficiente.”
“Ah, vizinha isso é que não! Isto é tudo meu e faz-me falta!” diz a cliente
“Tem que pagar” informa-a mais uma vez a senhora da caixa
“Alguém me pode emprestar 20 cêntimos? Amanhã venho devolver!” pergunta para as pessoas que estão na fila.
Ninguém lhe responde.
Arranca furiosa, sacos das compras na mão, na companhia da família, dizendo “Vou ver se tenho diheiro no carro!”.
O segurança reteve os sacos das compras à porta do supermercado e ela fulmina-o com o olhar.
E ali continuamos nós todos à espera que ela regresse com os 20 cêntimos.
A senhora de idade desabafa “E 5 cêntimos eram meus! Palavra de honra, nunca pensei que fosse possível! São uns aldrabões, estão sempre a ver se enganam toda a gente e se se safam!”
Entretanto, a cliente, passa ao lado da fila, lançando olhares pouco simpáticos, que transparecem, e transpiram, desprezo, numa espécie de ameaça velada, a todos os que, silenciosa e ansiosamente, aguardam o seu regresso para poderem prosseguir com a sua vida, com esta sua “brincadeira” perderam-se pelo menos 5 minutos, pelo menos…
Raivosamente diz para a senhora da caixa “Aqui tens os teus 20 cêntimos!”
Tentando não tomar a parte pelo todo, observo para com esta gente, que apregoa aos sete ventos ser discriminada, uma atitude de complacência e tolerância, por parte de tudo e todos, ou da grande maioria, face à sua ostensiva, deliberada e recorrente falta de princípios no cumprimentos das regras que regem uma sociedade, que nunca deixa de me espantar e agoniar, simultaneamente. E a pergunta que me ocorre sempre que presencio cenas desta natureza  é “Então, mas afinal, os discriminados são eles ou somos nós?”.

Pequeno do meio no seu melhor!

“Então ouvi dizer que hoje te confiscaram uns bonecos do Lego!” digo para pequeno do meio no regresso a casa.
O rapaz faz um ar surpreendido, pondera e arrisca disfarçar “Hummm… Como é que sabes? Quem é que te contou?”
“Vê lá se adivinhas?” atiro-lhe de volta.
“Oh não, já percebi! Foi a minha professora!” conclui, rendendo-se às evidências, que não tinha sido um colega seu a contar-me, vendo assim esfumar-se a sua esperança de refutar.
“Então conta lá como é que foi?! incentivo-o.
“Tinha umas figuras do Lego Star wars no estojo e estava a praticar!” elucida-me ele com o seu ar maroto.
“Perfeitamente normal estar a praticar, com as figuras do Lego Star Wars, enquanto a professora explicava a matéria, não te parece?” pergunto-lhe.
“Sabes que a professora estava a dar as onomatopeias e eu estava só a praticar! Boom, Pow, bang, bang… como no Star Wars, está a perceber?!” diz o rapaz com o seu descaramento típico.
“Como nã0? Não me digas que também disseste isso à professora?” pergunto, contendo uma enorme vontade de me rir, entre um sorriso e um cerrar de dentes.
“Claro que não! Dei-lhe os Legos e pedi desculpa” diz o moço, escandalizado.
“Vá lá, menos mal! Resultado da aventura de hoje: a esta hora, e nos próximas dias, a tua professora vai poder praticar as onomatopeias com os teus bonecos da Lego!” remato.
“É capaz de gostar pelo menos já aprendeu a colocar o chapéu a um deles. Tive que lhe ir lá explicar como é que se encaixava que ela não estava a conseguir! E sim, já sei, nada de legos no estojo. ” remata ele.
Este miúdo dá cabo de mim com as suas justicações maravilhosas!

O que aconteceu à minha irmã?

Um livro delicioso que ilustra bem como uma menina observa, estranha, não compreende e se ressente face às várias alterações de comportamentos da sua grande e melhor compincha de sempre, a sua irmã mais velha. Das mudanças no corpo, às de humor, na forma de estar e ser, ao bater da porta, às saudades das brincadeira do costume, dos segredinhos e da camaradice, aos “novos” amigos da sua irmã mais velha que também, de repente, lhe parecem muito estranhos…

Adolescência: casa estranha!

Emoções à flor da pele: oscila entre o riso, quase histérico, a tonteira e a parvoíce completas e o estar à beira de um ataque de nervos, do choro incontrolável e do exprimir, em plenos pulmões, repetidamente, não vá alguém não ter percebido, a sua raiva e revolta contra tudo e todos.
Ultimamente, elegeu-me a mim com o seu alvo predileto, não perde uma única oportunidade, diria que até as procura e inventa.
Dispara, sem tremores e temores, com segurança, destreza e convição, direito sempre ao coração, para matar.
Alguns tiros são certeiros, outros completamente ao lado, no entanto, a marca fica lá. Optei por conceder-lhe os tiros certeiros, nada com um pequeno alguém para nos mostrar, sem dó nem piedade, as nossas “imperfeições” que são muitas, dizendo “É verdade, tens razão. Tenho a esperança que te tornes muito melhor que eu!”.
Invalidei-lhe, friamente e com calma, os restantes, desmantelando-os, convençendo-me,  a mim, para manter a minha sanidade mental, que foram a grande maioria, e a pimpolha mais velha mostrando-lhe que estava a ser injusta e simplesmente a implicar. Chegou o dia em que face aos argumentos utilizados ela baixou a guarda e confessou “Eu sei! Está-me só a apetecer embirrar!”, respirei de alívio pois, às vezes, perante, um ataque cerrado e contínuo, ficamos na dúvida se teremos assim tantos defeitos e/ou se seremos assim tão más.
Agora quando está num dos seus delírios, menos frequentes por estes dias, olho apenas para ela, com um ar condescendete como quem diz “Here she goes again!”, na generalidade das vezes, não respondo. Ela irrita-se mas percebe, e interioriza, esta minha “indiferença” disfarçada. Ela alivia o stress e os maus fígados, liberta a bílis e, tal qual uma bela vesícula, armazeno-a. Resta-me a esperança de não perder esta minha vesícula, em sentido figurado, pois a outra já era… a ver se, pacientemente, consigo manter esta!
A aborrescência adolescência é uma casa, onde já vivemos, e por isso reconhecemos/sabemos que é uma casa estranha, com muitas “divisões”, com permeabilidades e infiltrações, escadas íngremes e escorregadias, varandas perigosas e um quintal com fauna e flora variada. O difícil é ver os nossos pequenos entrar nessa casa e “deixar” a segurança da “nossa”, questionando-a, ferozmente, procurando abanar os seus alicerces, nada nos prepara para isso, muito menos o facto de já termos vivido, em tempos idos, numa casa com algumas semelhanças. Aí que ainda só estamos à porta da “1ª casa”… medo, muito medo!!!

Não sei se chore, se ria

Circulo pela sala, esclarecendo dúvidas enquanto resolvem os exercícios a pares e alguém me chama no outro canto da sala.
Abeiro-me deles e digo “Contem-me coisa, qual é o exercício e a dúvida?”.
“Stôra, antes disso, queria só dizer-lhe uma coisa. Posso? Gosto mesmo muito de si como pessoa. Como professora de Matemática, não sei! Nunca gostei muito de Matemática e por isso nunca liguei muito às aulas!”.
Eu e o seu colega do lado mirámo-lo sem saber bem o que dizer.
Sai-me um “Não sei se chore ou se ria! Sinceramente…”.
O colega do lado quebra o gelo e diz “Stôra, não ligue. Ele não bate bem da bola, sempre foi assim!”.
O aluno meio atrapalhado acrescenta “Stôra, o que eu disse foi com boa intenção e é mesmo verdade e não acontece com todos os professores! Gosto mesmo de si”.
“Certo! Também gosto muito de si. Mas o que eu, e o senhor, precisámos mesmo, é que faça a Matemática, uma vez que estamos no 11ºano e os prognósticos, no seu caso, não são muito animadores, se se dedicasse à minha vertente matemática, isso é que era conversa!”
Mais uma jóia de miúdo “sem filtros” e que, infelizmente, percebe pouco de Matemática, talvez também por ser um pouco preguiçoso. Numa geração que aplica filtros a torto e a direito, nas fotografias e afins, na forma de estar e interagir socialmente são cada vez mais “sem filtros”.

Namoros de hoje em dia

Os nossos bisavós, avós e pais também terão pensado, certamente, que o namoro dos seus filhos, netos e bisnetos era/é muito diferente do da sua época, tal como nós pensaremos o mesmo quando chegar a vez dos nossos filhos (Credo! Sai demónio, sai!). Faz parte e chama-se saudosismo: voltar atrás no tempo e dizer a célebre frase “porque no nosso tempo é que era”, no fundo, é um querer voltar a ser jovem outra vez, com as emoções às flor da pele, é reviver.
O bonito texto, de Sandra Silva, retrata o namoro de uma geração, que não é, obviamente, igual às dos jovens de hoje em dia, a deles não é melhor nem pior, é apenas diferente. Vejo muitos bilhetinhos, desenhos, de namoro do D. Juan cá de casa, pequeno do meio, que me fazem sempre sorrir e pensar que há coisas intemporais, também vejo muita emoção, e comoção, à flor da pele nos namoros dos meus alunos.
Um texto que vale a pena ler, recordar e sorrir.

“No outro dia fiz babysitting a uma menina de 8 anos. Passava quase todo o tempo no telemóvel. Perguntei com quem falava. Respondeu muito depressa:
– Com o meu namorado. Quando não o vejo na escola, trocamos mensagens.
Esperando uma inocência na resposta, perguntei:
– E ele é giro?
Cruzou os braços e disse-me:
– Sim. Tem um penteado fixe e veste calças da Gant. Agora não me interrompas, que tenho de ver uns outfits das Kardashian e mandar-lhe uma música da Nicky Minaj.
Passei os olhos pelo meu livro Prometo Falhar, e ainda como um furacão dentro de mim procurando inocência de criança, voltei a tentar:
– E ficas com borboletas na barriga quando o vês?
Desatou a rir e senti-me minúscula em modo de órbita :
– LOL Sandra!!! Claro que não! O que é isso? A gente fala-se, troca-se beijos. Ficamos a falar de roupas, de músicas, a jogar jogos nos telemóveis. Quando nos chateamos, eu mudo de namorado e ele de namorada. Já fui a um chá da tarde na casa dele, e outro dia falamos que quando tivermos sexo temos de escolher o lugar.
Saltei parágrafos ao diálogo, e ainda bem que já eram oito e meia para ela ir dormir. Quando ela subiu para o quarto, ainda houve tempo para lhe enviar uma selfie com a língua de fora e dizer: Amo-te muito.
Fiquei sozinha na sala, esperando a mãe dessa menina chegar. E nessa espera, relembrei quando eu tive o meu primeiro namorado de escola. Lembro-me do meu vestido amarelo que usei no primeiro dia de liceu, carregando uma mochila vermelha, maior do que eu.
Tinha o leitor de cassetes comigo, onde eu ouvia as Onda Choc. Ao subir a ladeira do liceu, lembro-me de ouvir um assobio da janela de uma sala de aula. Tirei os auscultadores e olhei, e lá estava um rapaz fazendo um coração com as mãos. Voltei a pôr os auscultadores, cabisbaixa segui para a sala de aula. No intervalo, sentei-me no banco de cimento com as amigas. Eram sempre as mesmas. Ainda hoje são…restou a verdadeira amizade, por mais distantes que estejamos.
Veio um rapaz ter comigo, com uma folha de papel dobrada em dois, e desatou a correr. Ao abrir o bilhete, ouvi risinhos no fundo do corredor do rapaz que me entregou o bilhete e do rapaz que me soltou um coração com as mãos, mal entrei na escola. Desviei o olhar, e no bilhete dizia: ”Queres namorar comigo?” Sim (e um quadradinho), Não (e um quadradinho), Talvez (quadradinho). Por baixo tinha um coração em vermelho. Não lembro o que escrevi, nem lembro se retornei o bilhete.
Recordo muitos episódios deste namoro de criança, que fazia bem à alma. Deixava em mim uma inocência tão doce de viver, as borboletas que voavam na barriga de nervoso. Voltei à realidade, e continuei lendo o Prometo Falhar. Parei onde dizia: ” Éramos tão novos e já amávamos um amor antigo. ” Outras imagens voltaram desse mesmo tempo.
Sorri no vazio, lembrando quando foi dia dos namorados, e ele bateu na porta da sala de aula. Carregava umas asas brancas e tinha uma rosa na mão. Era para mim.
Lembro de se passarem meses e esses meses se compunham de cartas pra lá, cartas pra cá. Até nas vezes que terminávamos o namoro, sem namorar, era engraçado. Os nossos presentes eram trocas de chocolates e sabiam-me pela vida. O nervosinho na barriga no Domingo, de saber que o ía ver na Segunda. Ficar dois dias sem cartas para ler.  Hoje em dia um estado de facebook equivale a dez cartas dessas. Amar tornou-se tão fácil e fútil.
Ficam as memórias do apaixonar-se pelas cartas com erros ortográficos, mas transbordando de doçura. Apaixonar-se pelo pouco significar muito. O sentir-se importante mesmo sem nada saber sobre o amor. Mas foi nesta inocência deixada numa caixinha forrada com papel de embrulho, que se pendurou uma moldura de parede imaginária perfeita. O que importava era a cor da caneta que ía usar para os meus corações. Da a hora do intervalo, só para o ver de esquina. Do encontro que era sempre a quatro, para encobrir as borboletas na barriga, em que se falava mais com os amigos do que um com o outro.
Fiquei a saber que nos namoros de escola dos dias de hoje, já não se escrevem em folhas de papel colorido com cheirinho. Que já não se guardam segredos como ” o meu primeiro beijo foi com sabor a chocolate, e eu só queria fugir, porque não sabia como o fazer”, em diários fechados a sete chaves. Fiquei a saber que um emoji substitui qualquer sentimento sem ser preciso adjetivar. Que a companhia virou rotineira, onde os olhos só enamoram um padrão social e os beijos fazem-se pelo Instagram. Que o importante é a roupa que se veste, aquilo que se possui e deixa pra lá, que as cicatrizes do amor de hoje saram com outro amor amanhã.
Fechei o livro. Sorri ao vazio e pensei para mim, que ainda bem que sou do tempo da caneta e do papel. Que ainda bem que a minha inocência arrastou o meu crescer até à altura certa. Que ainda bem que tive o prazer de ter um dia, um amor que não precisava de dias especiais para virar prova.
Que vivi com memórias numa caixinha forrada de papel de embrulho, escrevendo em diários, um namoro de escola.”
Texto de Sandra Silva no blogue Com Regras

Linguiças caramelizada

Ingredientes
2 embalagens de linguiça
alho em pó
1 colher de sopa de mel bem cheia
2 colheres de sopa de vinho do porto
1 colher de sopa de sementes de sésamo

Preparação
Cortar as linguiças em pequenos pedaços. Numa frigideira, colocar todos os ingredientes excepto as sementes de sésamo. Deixar alourar, mexendo frequentemente. Quanto estiver douradinhas e a começar a agarra ao fundo, retirar do lume. Polvilhar com as sementes de sésamo e servir.

Curiosidade açucarada

A receita de salame de chocolate preferida da pequenada da casa é uma receita antiga que a avó D. costuma fazer de uma teleculinária de 1980 e troca o passo.
Curiosamente, no site da teleculinária, podemos encontrar duas receitas de salame de chocolate: a primeira receita sugerida, não é a nossa, a tradicional, mas sim uma com o dobro do açúcar (2oog em vez de 100g), mais 50g de manteiga (150g em vez de 100g), mais 20 g de chocolate em pó (120g em vez de 100g), acresce 1 ovo (2 ovos em vez de 1 ovo) e a quantidade de bolacha é igual nas duas receitas. O método de confeção é semelhante.
O dobro do açúcar? Não havia necessidadeeee quando a receita tradicional é tão boa!!!! Tempos modernos estes, doces e gordurentos.