Bolachas de canela e mel

Entre as preferidas da pequenada, não são excessivamente doces mas são tão bonitas e saborosas. Desapareceram num abrir e fechar de olhos.

Ingredientes
Massa
90g de manteiga
1/2 chávena de açúcar
2 chávenas de farinha
2 chávenas de farinha
1 ovo
1 colher de chá de aroma de baunilha

Recheio
2 colheres de sopa de açúcar amarelo
1 colher de sopa de mel
1 colher de sopa de farinha
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sobremesa de canela
1 colher de chá de aroma de baunilha

Preparação
Para a massa, numa taça, bater o açúcar, a manteiga amolecida e a baunilha até obter uma mistura cremosa. Juntar o ovo e bater bem. Acrescentar 1 +1/2 de farinha e envolver bem, formando uma bola de massa. Envolver em película aderente e colocar durante 30 minutos no frigorífico.
Entretanto, para o recheio, misturar todos os ingredientes e bater bem até obter uma massa homogénea.
Num superfície enfarinhada, colocar a massa e acrescentar a restante farinha aos poucos, até ser possível, esticá-la com o rolo da massa. Com a ajuda do rolo da massa
, esticar a massa (nós gostamos dela fininha, rende mais bolcahas). Espalhar bem o recheio sobre a massa (parece pouco mas é suficiente) e enrolar a massa formando um rolo, se preferir também pode dividir a massa em duas partes obtendo assim dois rolo e bolachas mais pequ. Colocar o rolo, envolto em película aderente, no frigorífico durante uma hora. Cortar o rolo em pequenos pedacinhos, bolcahas, e colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal, levando ao forno, pré-aquecido a 180ºC, durante 15 minutos, out até ficaram douradinhas.

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Relatório sobre pimpolha mais nova

Aluna e professora é uma das brincadeiras preferidas das pimpolhas da casa. Pimpolha mais velha é a professora, pimpolha mais nova a aluna e uma e outra levam o seu papel muito a sério mesmo a brincar. Este foi o último relatório que recebi da professora sobre a aluna.
Pimpolha mais velha brinda-nos, frequentemente, com estes seus pequenos relatório sobre o desempenho da sua aluna com uma linguagem e registos extremanente adequados e precisos, diria mesmo que esta cena de professor lhe corre nas veias. Nunca deixa de me espantar e de me fazer sorrir e a sua avaliação é sempre “straight to the point!!!

Em linha reta

Poema em Linha Recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

Buracas de Casmilo

Num dia cinzento, frio em que a chuva deu mais que um ar da sua graça fomos conhecer Casmilo – uma pequena aldeia serrana, perto de Condeixa-a-Nova, em pleno Maciço do Sicó. Nas ruas de Casmilo não nos cruzámos com ninguén mas os vestígios da atividade de pastoreio estão muito presentes. Esta pequena e simpática aldeia, que está a ficar muito arranjadinha, que não tem um café mas já tem um parque de merendas, espera rejuvenescer ou atrair visitantes, merecidamente, com o pequeno grande e surpreendente segredo que esconde nas suas encostas – As buracas de Casmilo.
Percorrendo o caminho de terra batida que parte da extremindade da aldeia, brindados com a bonita e diferente paisagem envolvente onde predomina a vegetação mediterânea, atravessando campos de lápias, ao fim de 15 minutos, chegados ao destino, subimos e entrámos nas buracas e observámos mais um fenómeno interessante da mãe natureza típico das paisagens cársicas. Apesar do vento, frio e chuva, o percurso e a exploração das buracas aqueceu-nos o corpo e a alma e pequeno do meio até quis comprar uma das buracas.
O percurso de terra batida pode ser feito de carro mas faz-se muito bem a pé e permite apreciar com tempo o encanto da envolvência.

Bolachas de laranja e sementes de papoila

Muito boas e crocantes devido às sementes de papoila !

Ingredientes
casca de 2 laranjas grandes
120g manteiga amolecida
2 ovos
300g açúcar
350g de farinha
1 colher de chá de aroma de baunilha
1 colher de chá de fermento em pó
3 colheres de sopa de sementes de papoila

Preparação
Numa taça, mistura bem, com as mãos, as raspas de casca de laranja com o açúcar até este ficar com uma aparência húmida e com aroma/cheiro a laranja. Numa tigela, bater bem a manteiga (amolecida) com o açúcar. Acrescentar os ovos a baunilha e continuar a bater. Envolver bem a farinha e por as sementes de papoila. Forrar um tabuleiro com papel vegetal e com ajuda de uma colher de sopa deitar pequenos pedacinhos de massa no tabuleiro, espaçadamente. Levar ao forno, cerca de 10 minutos, ou até ficarem douradinhas. Rende cerca de 50 bolachas gulosas.

x

Olham, concentradas para o quadro, e, numa folha à parte, fazem rabiscos. Intrigada pergunto “Têm alguma dúvida na resolução da equação?”.
“Não, Stôra. Nenhuma! Estavamos só a tentar fazer o x como a professora faz! O nosso é feio e o seu é tão perfeitinho”.
Sorri, assolada de memórias, enquanto, no quadro, desenho devagar, e cuidadosamente, o “meu x” e observo-os quase todos a tentar reproduzi-lo no seu caderno.
Alguém diz “O meu pai faz um x que não se parece nada com um x… nem com nada. É horrível!”
“Será este o  x do seu pai?” pergunto eu depois de desenhar novamente no quadro.
“É mesmo isso, como é que sabia?”. Sorri, novamente, assolada pelas memórias.
O meu x, enquanto estudante, era igual ao horrível x do pai do meu aluno, talvez a deformação se deva ao facto de fazer muitos e com a pressa, transformaram-se em algo que não se parece com nada.
Quando comecei a dar aulas, passei, automatica e intuitivamente, sem pensar no assunto, a usar o “meu x” bem feitinho, como dizem os meus alunos.
Estava no 8ºano, quando alguém, da minha turma, fez exatamente a mesma observação acerca do x perfeitinho do nosso professor. Ele sorriu, sempre bem disposto, e disse “Foi uma namorada minha que me ensinou a fazê-lo Não fiquei com a namorada mas aprendi a fazer o seu x. Vou-vos mostrar como se faz!”.
Foi assim que aprendi a desenhar o x, enterrada que estavam estas minhas memória, comecei a desenhar o x seguindo as suas pisadas, inconscientemente, sem me recordar de quem mo ensinou… até ao dia em que a observação dos meus alunos me avivou a memória e elas voltaram em catadulpa.
A nossa sala de aula, o  seu sorriso, espiríto, sentido de humor, energia, a forma como cofiava o bigode, o prazer e arte de ensinar e “fazer” matemática que lhe pulsava nas veias, o dia em que nos disse “Hoje estou cansado, dormi muito pouco. Pela primeira vez na história, podemos assistir a uma guerra em direto na televisão (a do Golfo) tem tanto de fascinante como de aterrador!” e tantas outras coisas. Recordações de um bom professor, que partiu cedo demais, escondidas na memória mas não esquecidas, como posso comprovar na aplicação, inconsciente, deste como de outros seus “ensinamentos”, uma “herança/marca” que qualquer professor deseja/aspira deixar aos seus alunos.
Não consigo parar de sorrir quando penso no comentário das minhas alunas e no seu efeito – uma sensação de contentamento  e a certeza de que a vida é uma cena engraçada cheia de ciclos e coincidências. Quem sabe se daqui a uns belos anos um, ou vários, alunos meus se lembrem deste nosso momento enquanto ensinam alguém a desenhar um x perfeitinho…

“Whatever it takes!”

O conformismo, o desânimo, o cansaço, a falta de esperança, a atitude derrotista face a um futuro mais risonho que não se vislumbra, o desejo de ser respeitado, reconhecido e não injustiçado por quem nos (des)governa, parece ter conduzido a um baixar dos braços e a níveis de indiferença e alheamento extraordinariamente altos enraizados em muitos professores, extremamente perigosos para a “saúde” da comunidade escolar.
“Quero lá saber, tanto me faz. Eu não quero é chatices. Estou cansado/a e farto/a disto tudo! Não vale a pena remar contra a maré!” é algo que se ouve com frequência.
O espírito de entrega e de missionário, bem como o envolvimento e o entusiasmo, está pelas ruas da amargura.
Todos os dias vejo a luz a morrer nos olhos de uns e de outros por mais um “golpe” deferido ou diferido e sigo, resistindo e sorrindo, na companhia de alguns, cada vez menos, “dando”, ou procurando dar, com rigor, alma e coração, aos meus alunos aquilo que gostaria que os meus filhos encontrassem nos seus professores, meus colegas.
A dúvida que me assola, cada vez com mais frequência, é “Até quando resistirei?”. Pelos meus alunos, e acreditando na minha essência utópica, desconfio, ou tenho esperança, que sempre – “Whatever it takes!” – mas não está fácil e promete piorar e muito… Perdemos todos!

Falling too fast to prepare for this
Tripping in the world could be dangerous
Everybody circling, it’s vulturous
Negative, nepotist

Everybody waiting for the fall of man
Everybody praying for the end of times
Everybody hoping they could be the one
I was born to run, I was born for this

Whip, whip
Run me like a race horse
Pull me like a ripcord
Break me down and build me up
I wanna be the slip, slip
Word upon your lip, lip
Letter that you rip, rip
Break me down and build me up

Whatever it takes
‘Cause I love the adrenaline in my veins
I do whatever it takes
‘Cause I love how it feels when I break the chains
Whatever it takes
You take me to the top, I’m ready for
Whatever it takes
‘Cause I love the adrenaline in my veins
I do what it takes

Always had a fear of being typical
Looking at my body feeling miserable
Always hanging on to the visual
I wanna be invisible

Looking at my years like a martyrdom
Everybody needs to be a part of ‘em
Never be enough, I’m the prodigal son
I was born to run, I was born for this

Whip, whip
Run me like a race horse
Pull me like a ripcord
Break me down and build me up
I wanna be the slip, slip
Word upon your lip, lip
Letter that you rip, rip
Break me down and build me up

Whatever it takes
‘Cause I love the adrenaline in my veins
I do whatever it takes
‘Cause I love how it feels when I break the chains
Whatever it takes
You take me to the top, I’m ready for
Whatever it takes
‘Cause I love the adrenaline in my veins
I do what it takes

Hypocritical, egotistical
Don’t wanna be the parenthetical, hypothetical
Working onto something that I’m proud of, out of the box
An epoxy to the world and the vision we’ve lost
I’m an apostrophe
I’m just a symbol to remind you that there’s more to see
I’m just a product of the system, a catastrophe
And yet a masterpiece, and yet I’m half-diseased
And when I am deceased
At least I go down to the grave and die happily
Leave the body of my soul to be a part of me

I do what it takes

Whatever it takes
‘Cause I love the adrenaline in my veins
I do whatever it takes
‘Cause I love how it feels when I break the chains
Whatever it takes
You take me to the top, I’m ready for
Whatever it takes
‘Cause I love the adrenaline in my veins
I do what it takes

 

 

“O sucesso, sem sofrimento, sem esforço e sem erros”

“A maioria das crianças chegará, hoje, menos “estragada”, à escola. Porque os pais são melhores e mais atentos. E porque elas são menos deixadas à sua sorte, são mais apoiadas e mais protegidas. Por outro lado, chegarão lá com mais conhecimentos, mais mundo mas, regra geral, com menos “escola da vida”.

Serão condições indispensáveis para que as crianças tenham, hoje, mais sucesso? Nem sempre. Em primeiro lugar, porque as boas notas na escola, às quais restringimos o sucesso, são muitas vezes resultado de um “trabalho de equipa” que nem sempre corresponde ao valor real que os alunos acabam por ter. Em segundo lugar, o sucesso – que, por vezes, é vivido pelos pais como uma forma de crescer muito depressa, sem sofrimento, sem esforço e sem erros – representa uma forma pouco amiga da “imunidade à dor” que só se conquista quando se convive (ao menos, aos bocadinhos) com ela.
E, finalmente, porque “O sucesso” – de que os pais, muitas vezes, falam – representa uma forma de assumirem o desejo dos seus filhos terem (muito depressa!) muita visibilidade social, muita notoriedade e, sobretudo, de ganharem muito dinheiro.

Tudo – repito – muito depressa. E, quando se enviesa o crescimento das crianças deste modo, corremos o risco de a escola as apanhar, “à entrada” inteligentes e capazes ao passo que, “à saída”, parecem ter, sobretudo, “muita personalidade”, que é uma forma de reconhecermos que aquilo que elas querem está muito além daquilo que, nesse momento, estarão a valer. Por mais que o seu valor seja, seguramente, maior do que aquele que, secretamente (atrás de “tanta personalidade”, que esconde uma insegurança ainda maior), imaginam ter.

Às vezes, parece-me que há cada vez mais crianças que entram e saem da escola… sem nunca lá terem estado. Talvez porque cheguem à escola como pessoas singulares e a escola entenda transformá-las em “produtos normalizados”. Mas afinal, pergunto eu, o “mesmo ensino” serve para todas as crianças? Se com o “mesmo ensino” se imaginar que todas aprendem da mesma forma, pensam da mesma forma, fazem raciocínios da mesma forma, vão do símbolo à palavra da mesma forma, representam da mesma forma, ou reagem aos desafios, à avaliação ou à cooperação da mesma forma então, é claro, que “o mesmo ensino” não serve para todas as crianças. Como pode, sendo assim, o “mesmo ensino” ajudar a que crianças saudáveis se transformem em pessoas, verdadeiramente, com sucesso? Como se pode ter sucesso sem sofrimento, sem esforço e sem erros?… Pois… Não pode!”
Texto de Eduardo Sá

Relevos

Entre serras, vales, rios e montanhas desse Portugal, embrenhado no Estudo do Meio, pequeno do meio, depara-se com a pergunta “Conheces algum cabo de Portugal?”.
O moço suspira e diz “Eu ainda não dei esta matéria!” e o pai pergunta “Mas sabes o que é um cabo?” e eles responde que sim, senhor.
“Então diz lá o nome de um cabo de Portugal?” pergunta o pai
“Cabo verde” dispara o moço sem hesitar .
Acabou connosco logo ali, rimo-nos até mais não poder e o moço deu de ombros pensando “Agora é que eles enlouqueceram de vez!”.
Depois de mais ou menos recompostos, elucidámo-lo “Cabo da Roca, Cabo Carvoeiro, Cabo Espichel, Cabo de Sagres, não te dizem nada?… Já visitámos pelo menos estes!” e ele limitou-se a acrescentar “Ahhh, era isso, hummm!”
Mais tarde fizemos a mesma pergunta a pimpolha mais velha que também respondeu sem hesitar “Cabo da Esperança!”.
Grande esforço para não nos desmancharmos outra vez a rir… vá lá que este, pelo menos, é mesmo um cabo… claramente, a geografia não é o forte da pequenada da casa mas lá que proporciona momentos de grande diversão, não há dúvidas!

Quando a tua filha te dá lições de vida

“Nunca me compares com outros. Olha só para o que fui no passado, compara-o com o que sou hoje e imagina como serei no futuro!” pimpolha mais velha num repente filosófico quando estava a tomar banho.
Toma embrulha, um daqueles momentos em que a tua filha te mostra, por a+b, que sabe mais da vida que tu, marca muitooooos pontos, vislumbras que começa a “dar cartas” e percebes que a “maré” está a mudar e há que seguir com muito cuidado e ainda mais assertividade que as sensibilidades estão à flor da pele.
Sempre a aprender e a registar…

Pai possível

“Um dia, os vossos filhos lembrar-se-ão de vocês de uma forma inesperada, muito diferente do que seria suposto. Um dia, os vossos filhos vão construir as memórias à maneira deles, vão cerzir o que se esgaçou, tapar buracos onde os houve, ou simplesmente deixar andar. Um dia, os vossos filhos vão querer ser melhores pais do que vocês foram. Mas noutro dia, muitos dias mais tarde, vão perceber que afinal os filhos deles também acham que eles poderiam ter sido melhores. Nesse dia, os vossos filhos, com quase nenhuma desilusão, que afinal serão apenas pais possíveis, como todos os pais são. E que ser possível será sempre o que de mais próximo temos de ser ou ter o pai perfeito.”
Texto surripiado a Cristina Nobre Soares

Dia do Pai DIY

Aprendemos a fazer o símbolo do superhomem aqui, pimpolha mais velha foi a eleita para desenhar na t-shirt, é a que tem mais jeito para as artes, todos pintaram com as canetas para tecidos da Giotto (tarefa que não é tão simples como poderia parecer) e deliciaram-se a sujar as mão de tinta para as esparramar com vontade na t-shirt, apontaram os dedos ao superdad usando a cor laranja para salientar a mensagem.
Um postal personalizado com fotografias e a dedicatória colorida e ilustrada nos versos.
Tivemos um fim de semana animado a preparar tudo quando o pai estava a dormir a soneca distraído.
Satisfeitos com o resultado ainda pediram “Queremos comprar um prenda para o pai é que ele precisa mesmo daquilo”. dizem-me entusiasmados. “Então o que é?” pergunto. “É um popsocket!” esclarecem-me em coro. “Vocês querem oferecer-lhe o quê? Não faço ideia o que é isso!” digo meio espantada. Pimpolha mais velha ri-se e diz “O pai está sempre a deixar cair o telemóvel porque adormece e assim isso já não vai acontecer”. Mostrou-me nas internets o dito cujo e tive que me rir de tão adequado que era. 2€ na loja do chinês para salvar o telemóvel do pai das suas horas de pré sono.
Sortudos aqueles que, como eu e a minha pequenada, hoje, como todos os outros dias, têm um porto seguro e de abrigo, independetemente do humor de São Pedro e do nosso, a quem chamamos pai de mansinho, efusivamente ou ao gritos, dependendo da situação, aflição, emergência, alegria que nos invade a alma, e este nos responde sempre mesmo quando os desiludimos ou os deixamos tristes, quando a paciência lhes escasseia, quando estão cansados ou a vida não lhes sorri… um feito digno de qualquer superherói.

Abstraído

Todos de mochilas às costas, tudo animado e a horas, para iniciar mais um dia de escola/trabalho. Automaticamente, dada a prática, as mochilas acomodam-se no porta bagagens… Estranho, sobra espaço, falta qualquer coisa.
Ele permanece impávido e sereno, contemplando as cartas que tem na mão, não pestaneja, não se mexe, a não ser para passar à carta seguinte… com uma mochila em cada ombro.
As portas do carro abrem e fecham-se , colocados o cinto, divertidos, observam-no, totalmente abstraído do que o circunda, e das rotinas matinais.
Nem o barulho do carro a funcionar o faz acordar do transe em que se encontra contemplando as suas cartas, os passageiros sorriem.
O carro inicia a marcha. Levanta os olhos, espantado e diz “Onde vão sem mim? O que é que se passa?”. Olha para as mochilas que tem ao ombro, para as manas a dizerem-lhe adeus, dentro do carro, perdidas de riso. Mira as suas cartas e exclama “Ah…opssss!”.
Entra no carro, calmamente, pousa as mochilas, e ainda olhando para as suas cartas do “Star wars” exclama “O que foi isto? O que é que acabou de acontecer?”. Pimpolha mais velha esclarece-o prontamente “Não é o que aconteceu, é o que TE aconteceu. Estavas ali feito parvo a olhar para as tuas cartas, não ouviste nem viste nada!”.   “Hummm” foi o único comentário de pequeno do meio ainda meio extasiado com este seu início de manhã.
Atire a primeira pedra, quem isto nunca aconteceu…

Estratégias e rentabilização

Depois de descobrirem os nossos antigos telemóveis, quase da idade da pedra do telemóveis, a pequenada decidiu que eram ótimos para eles poderem jogar. Para quem não tem nenhum, qualquer coisa serve e é melhor que nada.
O entusiasmo deles, claramente, não se refletiu em nós ou pelo menos na resposta que eles pretendiam.
Pimpolha mais velha, sempre organizada e diligente, engendrou, cuidadosamente e em sigilo, um plano, para nos incentivar.
Munida de bloco de papel cavalinho A3, que “apoiou” na nossa televisão, um ponteiro, feito com paus de espetada, convocou a família para a apresentação do seu projeto, o tal que nos faria mudar de ideias.
Eh pá, ficámos todos boquiabertos, caramba, o que ela podia ensinar a toda aquela gente apologista dos powerpoints fofinhos, com conteúdo, pragmatismo, clareza e “poder de negociação” quase nulo. Impressionante!
Para demonstrar a sua boa fé, ela e os manos fizeram uma limpeza aos seus quartos e à sala sem falar nos telemóveis.
Pouco tempo depois estava tudo em estado de sítio novamente.
Não voltaram a falar dos telemóveis, continuam guardados na gaveta… acho que, rapidamente, concluiram que não era um negócio rentável: ao ritmo que desarumam e sujam, o tempo que leva a colocar tudo direitinho, não lhes sobrava tempo para jogar nos telemóveis… logo quando eu estava a começar a apreciar toda esta iniciativa, colaboração na arrumação e na limpeza.

 

Bolo maçã

Pouco doce, muito húmido, um sabor maravilhoso a maçã e canela. Desapareceu num instante.

Ingredientes
8 maçãs pequenas
3 ovos
1 iogurte natural
70 g de açúcar mascavado
80 g de queijo creme
100 g de farinha
Sumo de 1 limão
1 colher de chá fermento em pó
1 colher de chá de aroma de baunilha
canela q.b. (opcional)

Preparação
Descascar as maças e cortá-las em quartos e depois fazer fatias o mais fininhas possíveis. Regar com sumo de 1 limão, uma colher de sobremesa de açúcar e canela a gosto (se regar só com o sumo limão também fica ótimo).
Numa taça, bater os ovos com o açúcar mascavado. Juntar o queijo creme, o iogurte e a baunilha, batendo bem. Por fim, envolver a farinha e o fermento. Juntar as maçãs, reservando algumas para colocar no topo do bolo e envolver cuidadosamente. Deitar a massa numa forma redonda, com o fundo forrado com papel vegetal  e as laterais com manteiga. Com a ajuda de uma grafo, distribuir uniformemente as maçãs à superfície. Colocar os restantes pedaços de maçã a decorar. Povilhar com 1 colher sopa de açúcar e canela a gosto (também coloquei meia dúzia de nozes picadas). Levar ao forno, pré aquecido a 180ºC, durante cerca de 45 minutos 

Hormonas açucaradas

“Não há cá nada em casa para comer” – diz revoltada pimpolha mais velha
Enumero-lhe algumas opções/sugestões: iogurtes, leite, fruta, pão, etc…
“Ok, ok… Podes parar, já percebi. Vou-te explicar: Não há cada nada que eu goste!Ahhh e …também nunca me mandas nada que eu goste para o lanche”
Ignorei-a, não lhe respondi, pois por estes dias, gosta de iogurtes de morango, passado 1 semana detesta-os, come pão com queijo na semana seguinte nem pode ouvir falar em tal coisa, enfim… haja paciência e o silêncio, às vezes, é a melhor estratégia, embora seja difícil de engolir!
Passado uns minutos, apresentou-me uma lista repleta de bolachas e cenas afim. Li e respondi “Então e cenouras, fruta, nozes, iogurtes, pão, sei lá, cenas e coisas saudáveis?”.
Arrancou-me a lista da mão, furiosa, a fumegar, “Grrrrrr… Tu és mesmo má!”
Acrescentou alguma das minhas sugestões e devolveu-me a lista “Da próxima vez que formos ao supermercado, já sabes!”
Fomos ao supermercado, dentro da sua lista escolhemos algumas coisas, fizemos umas contas e dissemos-lhe a data até que teria que durar o stock e ideias como o poderia gerir, like a pro, com direito a folha de excel e tudo. So far, so good…
Muitas hormonas aos saltos e, aparentemente, apreciadoras de açúcar!

“O maior dos perigos da adolescência são os pais”

Excerto de um artigo muito interessante de Eduardo Sá.

“(…) É verdade que, apesar de tudo isso, os adolescentes portugueses convivem entre si, eles socializam, hoje, sobretudo, online. A um ritmo diário quase absurdo – durante a manhã, no decurso das aulas, às refeições (!) e ao longo da noite – e diante da passividade gritante das famílias. E que circulam por sites, jogos online e redes sociais que – por mais que merecessem o controle, sensato e transparente, dos seus pais – aumentam, de forma exponencial, o contraditório da sua sabedoria, a forma como são manipulados em função dos dados que deixam, como rasto, nas redes e os perigos a que estão expostos.

É verdade que os adolescentes trocam 30 000 sms por ano (não contando com as caixas de conversação online). Gastam 8 dias por ano falando ao telefone, não contando que metade deles tem televisão no quarto.  Que 1/4 dos adolescentes passa mais de 6 horas por dia ligado à internet. Que focam, arrastam ou clicam no telemóvel quase 3 000 vezes por dia. E, mesmo se estiver desligado, têm, na sua presença, uma “atenção parcial” e, por isso mesmo, ficam menos inteligentes. E, se o seu comportamento for idêntico ao dos pais, fazem mais de 3 publicações por dia nas redes sociais; em 90% delas, com conteúdos de natureza pessoal. Sem se darem conta que, com 150 likes, um computador será capaz de os “conhecer” melhor que um membro da sua família.

É verdade, ainda, que a escola está, perversamente, virada, quase em exclusivo para promover a entrada no ensino superior. E que, entre mesadas, propinas, livros, dinheiro de bolso e todas as outras despesas relativas à vida de um filho, qualquer adolescente universitário tem um vencimento mensal muito claramente superior ao ordenado mínimo nacional. E que, talvez por causa de tudo isso, há em Portugal 176 mil jovens com menos de 30 anos que não trabalham, não estudam nem estão em formação.

É verdade, finalmente, que, se se tomar a autonomia de um adolescente em relação à sua família – em termos físicos, psíquicos e financeiros – a maioria dos adolescentes se torna autónoma pelos 30 anos. O que, se, por um lado, releva os aspectos acolhedores dos pais como talvez ele não existisse, de forma transversal, há uma geração atrás, por outro, os transforma numa espécie de “banco popular” e de “prestadores de serviços” que quase eterniza a adolescência.

É verdade, concluindo, que, diante de tantos e tão diversificados desafios, o maior dos perigos dos adolescentes são os pais. Quando se transformam nos melhores amigos dos filhos e se inabilitam para ser pais. Quando convivem e condescendem com comportamentos com que não concordam. Quando não repreendem nem reprimem as atitudes de altivez e de arrogância e as desconsiderações com que eles escondem as suas fragilidades. Quando não definem regras de utilização inequívocas para os telemóveis, para as redes sociais e para o jogo. Quando pactuam com a sua relação com o álcool como se fosse uma atitude de iniciação para a vida adulta sem consequências (quando mais de metade dos adolescentes que o experimentam se tornam consumidores frequentes ou de grandes quantidades e revelam, em função disso, diminuições claras dos seus córtexes frontal e temporal). Quando, à boleia do discurso populista entre drogas pesadas e drogas leves, omite opiniões firmes e regras claras sobre o consumo destas últimas, por mais que aplauda os comportamentos de saúde que os adolescentes têm, cada vez mais, com o tabaco. Quando deixam de ser “a referência” de Lei, de boa educação e de tenacidade e bom senso de que os adolescentes precisam. Quando os protegem demais e os autonomizam de menos. E, por último, quando imaginam que, num mundo em mudança, o seu papel em relação aos filhos será secundário. Quando é, mais do que nunca, imprescindível, insubstituível e indispensável. Por muito, muito tempo!”                       

Livros de Stephen Hawking para miúdos e graúdos

Prevendo que, nas próximas semanas, os livros de Stephen Hawking voltarão a ser falados, a estar na berra, e, quiça, voltarão aos tops, deixo-vos uma sugestão mais ligth do que a sua “Breve história do tempo”, os livros juvenis que Lucy e Stephen Hawking (filha e pai) escreveram (os tais livros que ela menciona no vídeo que partilhei no post sobre o Stephen Hawking).
Todos os livros retratam as aventuras de 1 menino, o George, e um 1 menina, a Annie, filha de um físico, e um computador muito poderoso o Cosmos,  que nos conduzem a uma chuva de asteróides, aos buracos negros, às conspirações do universo, à procura de extraterrestres e um sem fim de aventuras, e aprendizagens, sobre o universo, com desenhos, imagens reais e termos e conceitos chaves do estudo do Universo.
A leitura é entusiasmante e suscita a curiosidade, leva-os a fazer perguntas e a formular teorias, sempre engraçadas de ouvir e de imaginar – todos os ingredientes que um bom livro tem mas mais…
A sua leitura é uma forma divertida e envolvente, acompanhando as aventuras, descobertas e azares da Annie e do George, de ir aprendendo muitas coisas sobre o espaço sem nos darmos conta.
Os livros são A chave Secreta do Universo, Caça ao Tesouro no Espaço, George e o Big Bang, George e o código secreto  e George e a lua azul. Os primeiros quatro integram o Plano Nacional de Leitura, o último ainda não, talvez por ter sido publicado recentemente.
Cá por casa pimopolha mais velha já leu os três primeiro e gostou e aprendeu imenso, eu confesso, que não resisti e também li, adorei e também aprendi/recordei muita coisa.
Fica a sugestão de leitura de vários livros de pai e filho Hawking para miúdos e graúdos.

Stephen Hawking

Stephen Hawking desafiou os timings, diagnósticos e limitações que a medicina conhecia sobre a sua doença incapacitante, usou a tecnologia como ferramenta para “substituir” algumas faculdades que a doença lhe foi roubando ao longo de 5 décadas, nunca deixou de contemplar e estudar o céu, as estrelas, o universo e os seus buracos negros, de investigar e partilhar as suas descobertas (ensinando, escrevendo livros, dando conferências, etc). Deixa um enorme e valioso legado na física e nos estudo do universo mas, essencialmente, ensinou a todos uma lição da forma mais poderosa e eficiente, pelo exemplo – uma doença, por mais debilitante que seja, não nos define, embora possa ser a  nossa imagem, não mata a nossa essência, embora nos tire faculdade, se encontrarmos, em nós, a força de vontade e os meios necessários para aprender a viver com ela, tirando partido da vida (que pode ser grande – aos 21 anos os médicos disseram-lhe que não tinha mais que 2 anos de vida… morreu aos 76 anos) e das nossas capacidades. Não tenho dúvidas nenhumas que o cérebro é o mais poderoso dos orgãos… mesmo que tudo o resto possa estar “avariado” no nosso corpo, ele “comanda”, é a chave, o que define o nosso “bem estar” psicológico… anossa atitude!
O universo não dorme, há quem diga que conspira… Morreu no dia em que outro grande físico nasceu, Albert Einstein, e que é também o dia do Pi. Nasceu a 8 de janeiro de 1942, no dia em que se assinalava, os 300 anos do falecimento de Galileu Galilei.
Um bonito tributo, recordando a vida e obra de Stephen Hawking, feito pela sua filha Lucy.