Um castigo com frutos inesperados e surpreendentes

“O Robison Crusoé não é assim uma história que cative muito” diz pimpolha mais velha para excelentíssimo esposo.
“Como não? É tão giro, tem todos os elementos de uma boa história.” diz-lhe ele.
Pimpolha mais velha diz que não com a cabeça, assim como quem diz, não percebes nada disto e surpresa das surpresas pequeno do meio, o tal moço dos Legos e averso a leituras, intervém:
“A história é engraçada, eu também gostei!” afirma pequeno do meio convicto
“És mesmo parecido com o pai.” remata pimpolha mais velha, olhando para mim, mas eu estava centrada num outro ponto da conversa muito além da guerrilha do que é ou não um bom livro.
“Então e o que é que acontece na história do Robison Crusoé?” pergunto a pequeno do meio. Para meu espanto, e de todos os presentes, o moço começa a descrever com pormenor, tudo batia certo, e pensei “Oh lá, querem ver?”
“Como é que sabes isso tudo? Leste a história ou a mana contou-te?” pergunto-lhe
“Li o livro num dia que fiquei de castigo no quarto da mana. Sabes que três horas é muito tempo, tinha que arranjar alguma coisa para fazer, como a capa do livro me pareceu interessante, decidi lê-lo! É giro, eu gostei! Bem, quer dizer, houve umas poucas páginas que eu saltei quando aquilo não me estava a parecer muito interessante, não tenho muita paciência, mas gostei do livro, sim senhor!” esclarece-nos, sorrrindo, pequeno do meio com o seu ar condescendente ao género “Encaixem lá esta!”.
Excelentíssimo esposo ficou todo contente, pimpolha mais velha sentenciou “Vocês os dois não percebem nada de livros, é o que é!”.
Ocorreu-me apenas acrescentar, para pequeno do meio, “Tens que ficar mais vezes de castigo no quarto da mana assim sempre lês qualquer coisita” e pimpolha mais velha rematou com um “Tenho lá o livro “Piratas”” para ler no 2º período! Não me parece grande coisa mas tu e o pai devem gostar!”. Terminamos todos a rir e a pensar que há castigos que conseguem efeitos inesperados!

Anúncios

Danças Ocultas&Orquestra Filarmonia das Beiras

Numa triste, chuvosa, e fria noite de outono, agasalhados até aos dentes, tinham-nos avisados de antemão que o ar condicionado da sala estava avariado, fomos ouvi-los, numa sala muitíssimo longe de ter lotação esgotada, apesar do espetáculo ser gratuito e de os “artistas” terem, recentemente, esgotado o CCB e a Casa da Música.
Foi sublime, são simplesmente fantásticos!
Quem perdeu? Quem escolheu ficar em casa! Não consigo perceber se é falta de informação, interesse, vontade ou se as pessoas, simplesmente, não querem mesmo saber! É triste porque os artistas mereciam uma plateia muito mais composta, em número!

“Parem de morrer, por favor”

“(…) A morte precoce destes dois seres extraordinários e que tinham ainda tanto para dar veio trazer-me à memória um artigo que escrevi em fevereiro do ano passado, que intitulei “Morrem-me pessoas todos os dias”. Um artigo que agora reproduzo abaixo, porque traduz a minha forma de lidar com a morte, e que já tinha revisto há poucos dias quando a minha filha Maria, com 6 anos, depois da morte da bisavó Isabel, apareceu em lágrimas, do nada, com um pedido lancinante: “Pai, eu quero nunca morrer!” Saiu-me uma pequena resposta, sem pensar muito: “Maria, nós temos de pensar em viver bem todos os dias e não pensar na morte porque isso só vai acontecer quando já fores muito velhinha”. 

É mentira. E ela sabe isso todos os dias quando percebe que morreu alguém que afinal ainda não era velhinho. Mas não vou desistir de continuar a convencê-la de que a melhor forma de não morrermos nunca é vivermos agora, mais para os outros do que para nós, sem desistirmos dos sentimentos mais nobres e de nos dedicarmos às coisas mais importantes da vida, que não são coisas. São a família, os amigos, os sonhos e os projectos que adiamos todos os dias. Parem de morrer, por favor! Parem de morrer todos os dias, sempre que se dedicam a minudências que nada acrescentam à vossa felicidade. O tempo é escasso e precioso, e como vimos nos casos mais recentes, pode faltar de um momento para o outro. Desperdiçá-lo? Nem pensar.

Morrem-me pessoas todos os dias
(artigo publicado a 5 de Fevereiro de 2016)

Quando era miúdo não tinha medo do escuro, não tinha medo de filmes de terror, não tinha medo “do velho que vem aí se não comeres”, nem do papão. Tinha medo da morte. Era uma realidade longínqua que nunca tinha suportado, mas a ideia de ausência permanente deixava-me angustiado de tal forma que foi das primeiras coisas que me levaram a passar noites em claro ou mal dormidas.

Depois começaram a morrer-me pessoas. O meu colega Vítor foi dos primeiros, ou pelo menos o primeiro que não era “uma estrelinha no céu”. O rapaz que ontem tinha estado ali, mas que naquela manhã já não acordou e a quem todos gozávamos por se vestir “à seminarista”- foi das primeiras crianças que vi a usar gravata na escola ainda no ciclo preparatório – e por falar com pronúncia de “bijeu”. Acho que nunca mais gozei com ninguém desde essa altura pelas diferenças de comportamento, culturais ou de gosto próprio em relação às indumentárias.

Estivemos semanas a digerir a injustiça do nosso comportamento de crianças em idade parva, quando humilhar os outros parecia ser a forma de expiarmos as nossas próprias fraquezas. O Vítor morreu-nos naquela manhã e deixou-nos a terrível certeza em relação a uma suspeita que todos alimentávamos. Ao contrário do que nos diziam as pessoas não morriam velhinhas. Morriam em qualquer idade. E as crianças também morriam.

Depois morreu-me um dos melhores amigos de sempre, daqueles que nos faziam acreditar que éramos imortais. O Orlando. Era tão livre a pensar e a fazer que se tornou insuportável pensar que ficaria preso para sempre naquela campa fria do cemitério que conhecíamos tão bem desde miúdos. A referência geográfica limite da nossa infância. Ir para lá do cemitério era ir para o estrangeiro. O Orlando nunca mais iria a lado nenhum connosco e isso doeu-nos muito. Acabou por nos unir a todos em redor das suas loucas histórias e insolências escolares.

Há uns anos morreram-me os meus avós. Pessoas que adorava e que fazem parte das minhas melhores memórias de infância. Uma dor insuportável que aparece sempre colada às pessoas insubstituíveis no nosso coração. Pessoas para quem eu tinha sempre razão e os meus pais não – coisa maravilhosa na infância -, pessoas sempre carinhosas comigo que eu só via no máximo três vezes por ano. Não há nada que substitua uma festa no rosto dada pela mão sedosa dos avós, mesmo que estejam sulcadas por rugas profundas que atestam uma vida de muitas dificuldades.

Agora, muitos anos mais tarde, começam a morrer-me as pessoas com quem trabalhei, com quem aprendi, que me habituei a admirar e a citar como bons exemplos desta profissão que ao contrário do que dizem é mesmo a mais velha do mundo. Morreram-me o Fernando de Sousa, o Etiano Branco, o José António Salvador, o Jorge Pena, o João Ferro e muitos outros (recentemente morreu a minha querida Ana Franqueira e a querida e doce “Avó” Isabel).

Muitos deles morreram sem que se cumprisse uma coisa tão simples como almoçarmos ou jantarmos sem hora marcada para o fim, para actualizarmos conversas adiadas e cumprirmos velhas promessas. Salvou-se o Jorge Pena com quem partilhei umas belas doses de ameijoas e um branco fresquinho com vista para o rio na margem de Alcochete. A Xana nunca soube em vida que tínhamos violado a proibição de consumo alcoólico, como se fosse o último desejo de um condenado. Quando lhe contei ela sorriu com saudades dessa teimosia saudável que não resistiu ao bicho nos pulmões. 

As pessoas morrem-nos todos os dias e com elas morre um pouco de nós. Que nos acorde a urgência de vivermos e cumprirmos as nossas pequenas promessas. A de cumprirmos os rituais simples da amizade será uma das mais prioritárias.”
Artigo de António Esteves

Centro de Ciência Viva de Constância e outros passeios na zona centro

Num ponto alto, à saída da vila de Constância, podemos encontrar o seu Centro de Ciência Viva.
Tem um pequeno planetário, com uma sessão muito interessante e adequada aos mais pequeno (foi aqui que pequeno do meio fez as pazes com o planetário)  em termos de linguagem e interesse.
Há também um “hangar de voo” onde é feita uma pequena resenha histórica sobre a vontade do homem de voar, as várias tentativas e técnicas e algumas experiências simples sobre os factores que influenciam o voo onde mesmo ao nosso lado podemos ver um avião t-33 cedido pela Força Área Portuguesa, onde se pode subir para observar o cockpit e mexer no seu “volante” e aprender a funcionalidade dos flaps, o que fez as delícias da pequenada. Depois podemos ainda entrar no estúdio onde foi realizado um dos filme sobre as instruções de segurança, para os passageiros, da TAP, em que os protagonistas eram crianças. E a cereja no topo do bolo, experimentar a sensação que os astronautas têm no espaço, num aparelho semelhante aquele em que os astronautas treinam antes de ir para o espaço que deixa a pequenada em êxtase.
No espaço exterior, podemos encontrar uma réplica do nosso sistema solar feita à escala, um relógio solar, um globo terrestre com 2m de diâmetro entre outras coisas.  Têm também vários observatórios onde todos os sábados à noite se podem observar os astros a partir das 20h30 mas não esquecer de ir bem agasalhado, a zona é muito ventosa e fria. Tudo isto acompanhados por uns guias experientes, simpáticos e cheios de vontade de partilhar o seu conhecimento e esclarecer as dúvidas dos mais pequenos (e dos maiores também).
Passámos lá numa bela manhã de verão com a pequenada, no final da visita a pedir “Podemos voltar amanhã, podemos, podemos?”, não há melhor recomendação para uma visita do que esta.

A bonita vila de Constância, onde o rio Zêzere se junta ao rio Tejo, também conhecida como a vila poema por ter sido um local de eleição para alguns poetas de renome nacional e onde terá vivido, durante algum tempo, o poeta mais famoso do reino, Luís de Camões, só por si merece uma visita. Vale a pena passear junto ao Tejo e ao Zêzere e nas estreitas ruas da vila, deliciar-se com um piteú ribatejano ou açoreano no Remédio D´Alma, visitar o jardim horto camoniano e o fantástico Parque Ambiental de Santa Margarida e o seu Borbeletário tropical, para os mais aventureiros, há os desportos naúticos como a descida do Zêzere. A uma dezena de quilómetro, no meio do Tejo prantado, o bonito Castelo de Almourol e um pouco mais à frente o  Parque de Esculturas ao Ar Livre da Barquinha e o Centro de Ciência Viva da Barquinha e o Museu do Ferroviário que também merecem um visita.
Depois temos a cidade de Abrantes com o seu castelo altaneiro, que tem uma vista de fazer inveja a muitos, e o seu bonito jardim, as suas ruas estreitas adornadas com as obras do 180 Creative Camp, o bonito Parque de São Lourenco e os doces tradicionais: a bela palha de Abrantes e as verdadeiras tigeladas e ainda a cidade de Tomar com o afamado Convento de Cristo, o Parque do Mouchão a Mata dos Sete Montes e as suas doces fatias. O que não faltam são razões para visitar a bonita região centro, e estamos apenas a falar de um raio de 15 a 20 km de Constância, caso contrário haveria muito mais… Venham mas venham com tempo porque há muito para explorar e deslumbrar!

O comentário do avô a “Leituras de casa de banho”

Merece ser registado o comentário maravilhoso que o avô, meu caríssimo pai, fez, no livro das caras, ao post “Leituras de casa de banho” sobre o facto da sua neta, pimpolha mais velha, ler os  livros que ele tem na casa de banho e sobre a mãe, eu, que antes de entrar para a escola já atirava umas para o ar a ver se colavam, eheheh, desde lá foi sempre a piorar, desconfio!

“Já me tinha acontecido a senhora que nos ajuda nas limpezas da casa perguntar: “depois de ler o livro tal pode emprestar-mo?” Normalmente, livro de mesa de cabeceira. Mas nunca me tinha passado pela cabeça que alguém prestasse atenção ao livro que está na casa de banho. São sempre livros que não exigem grande esforço (de leitura, entenda-se) e com cortes fáceis para não perder o fio à meada.
Nunca me passaria pela cabeça que a minha neta prestasse atenção aos livros. Mas, para mim, o mais delicioso é a argumentação dela. A mãe, se meter a mão na consciência, não terá grande autoridade para a repreender. Como em muitas outras matérias os pais limitam-se a «cumprir» o dever de ralhar, quando lhes apetece rir com o que a memória lhe oferece na ocasião. Neste caso, a mãe, antes de ir para a escola, já ia de livro para o café e justificava-se porque o pai e a mãe também iam. Assim começou a adquirir os primeiros livros. Mas o poder argumentativo depressa se estendeu a outros domínios. Numa ocasião, pedimos os nossos cafés e ela queria que lhe comprássemos pastilhas. Como pais, lá fizemos o discurso pedagogicamente correcto. “Não pode ser porque ….” e ela remata: “já tiveram o vosso prazer de beber café. Eu também tenho direito a ter o meu prazer. Quero uma pastilhas. O meu fica mais barato que o vosso!”

Medalhas Fields ignoram o relógio biológico das mulheres

(…) As Medalhas Fields consituem o mais prestigiado prémio internacional na área da Matemática. São atribuídas pelo ICM (Internacional Congress of Mathematicians), que existe desde o século XIX e têm a particularidade de, como os Jogos Olímpicos, se realizarem apenas de quatro em quatro anos. (…)
Em quase sete décadas de Medalhas Fields, estas foram dadas independentemente da raça, credo político ou da religião. No entanto, a lista das 56 Medalhas Fields até hoje ganhas revela um facto surpreendente: apenas uma foi atribuída a uma mulher – Maryam Mirzakhani, em 2014.
Porquê? Será que as mulheres não têm vocação para a Matemática, talvez por esta ser “demasiado abstracta”? Será que as mulheres matemáticas por mais competentes que sejam, não atingem o nível de excelência necessário a uma Medalha Fields? Será, afinal de contas, a Matemática uma ciência misógina? Ou serão os júris das Medalhas Fields, compostos por uma grande maioria de homens, uma espécie de “Clube do Bolinha”, que discrimina as mulheres?
A resposta é menos conspiradora: a regra dos 40 anos [a medalha Fields só pode ser atribúída a matemáticos com menos de 40 anos] é objetivamente penalizadora para as mulheres.
Pensemos um pouco. Um matemático fora de série, depois da licenciatura e do doutoramento, estará a fazer investigação autónoma a todo o vapor a partir dos 25 anos. Tem portanto, uma janela de 15 anos, até aos 40, de trabalho intensíssimo se pretende ser candidato à Medalha Fields. Nada o pode distrair dos teoremas. Nada de nada (…)
O relógio biológico da mulher é muito mais implacável do que o do homem; esta janela de 15 anos corresponde também ao seu período fértil durante o qual, querendo constituir família, terá filhos. Ora, a concentração total em objectos matemáticos estratosféricos é difícil de compatibilizar com enjoos e ecografias, amamentação e cólicas, mudanças de fraldas e noites em branco. E, apesar dos muitos avanços civilazionais a registar quanto a este ponto, é um facto que o homem médio não partilha totalmente as tarefas da vida familiar com a mulher, sendo esta, em geral, mais sobrecarregada.
Existem grandes matemáticas no século XX e XXI, como se pode facilmente verificar; mas são muito raras as que produzem os seus melhores trabalhos matemáticos antes dos 40 anos. E este atraso devido ao relógio biológico distorce decisivamente o universo dos candidatos elegíveis a Medalha Fields, que são na sua grande maioria homens.
Podemos agora apreciar melhor o que aconteceu no ICM de 2014. (…)
Mirzakhani foi um meteoro que rasgou os céus da Matemática, que quebrou todos os tabus e tectos de vidro com o seu brilhantismo, que mostrou que a Matemática não tem género, nem nacionalidade, nem religião. Foi a primeira mulher a ganhar a Medalha Fields, considerado o Prémio Nobel da Matemática.(…)
A Medalha Fields tem várias regras específicas, entre as quais a de só poder ser atribuída a matemáticos com menos de 40 anos. Numa espécie de amarga ironia cósmica, exatamente a idade com que Mirzakhania desapareceu.
Maryam Mirzakhani foi uma matemática  iraniana, professora na Universidade de Stanford. Nasceu e cresceu em Teerão e quando era criança tinha o sonho de ser escritora. Mais tarde descobriu a Matemática; curiosamente, começou por não ser muito boa aluna. Afirma que na altura não tinha verdadeiro gosto pela Matemática: “Sem entusiasmo, compreendo que a Matemática pareça fria e sem significado. A beleza da Matemática só se revela aos seguidores mais pacientes.” (…)
A sua tese de doutoramente, terminada em 2004, não só resolvia um problema geométrico tremendamente difícil como, pelo caminho, estabelecia novas ligações e resolvia outros dois problemas até aí considerados independentes. Resolver um só destes problemas isoladamente teria sido extraordinário: 99% dos matemáticos jamais atingirão um resultado comparável. (…)
Desde então Mirzakhani espandiu o espectro de áreas em que trabalhava. “Gosto de cruzar as fronteiras imaginárias que as pessoas erguem entre as diferentes áreas”, afirmava “Há imensas ferramentas à disposição e nunca se sabe quais podem funcionar. É preciso ser otimista e tentar relacionar as coisas.” (…)
O legado de Maryam Mirzakhani é muito maior que os seus teoremas. No seu Irão natal os seus feitos elevam-na à condição de heroína nacional. A sua figura e os tabus que quebrou são marcantes numa cultura atávica em relação à condição feminina, sinalizando a necessidade de mudança. (…) sendo hoje um dos principais rostos de um movimento, ainda tímido e incipiente, da igualdade de direitos para a mulher numa socidade profundamente conservadora”
Crónica “Mirzakhani – Glória e tragédia no feminino” de Jorge Buescu na revista Ingenium de julho 2017

Brigada da reciclagem

Cruzámo-nos com vários trios de jovens de caixote do lixo amarelo às costas, no recinto do Wonderland, para que as pessoas, ao longo da sua deambulação, podessem depositar os seus copos, garrafas etc. Uma ideia engraçada e fácil de implementar, gostei! No chão não havia garrafas nem copos de plástico aos montes como é hábito neste tipo de eventos, ou estamos a ficar mais civilizados ou a brigada da reciclagem é poderosa ou então foi pura coincidências, as duas primeiras conjugadas seriam um sucesso estrondoso!

Wonderland

Tem uma pista de gelo enorme e ecológica mas que tem uma fila interminável de gente, desistimos logo à chegada. Tem dois carrosséis que segundo a pequenada “São giros mas isso é para bebés!”, a aldeia do Natal segundo eles “É assim fraquinha!”, tem um street food que lhes agradou com muitas possibilidade de escolha: telepiza, burguer ranch, cachorros quentes, pregos, crepes, tripas de aveiro, pipocas e algodão doce. As barraquinhas de artesanato não dizem muito à pequenada mas têm coisas engraçadas e típicas deste género de mercados de Natal. O que lhes encheu o olho e as medidas foi mesmo a roda gigante. Depois da barriguinha alimentada, com o nariz tipo rena Rodolfo, estava um frio de rachar, lá fomos dar uma volta na roda gigante (2,5€ por pessoa e a volta demora cerca de 3 minutos), a fila era grande mas despacha rápido, esperámos cerca de 15 minutos. Adoraram embora pimpolha mais pequena se tenha assustado um bocado “Isto abana muito” e lá no cima com pequeno do meio a fazer a coisa baloiçar de propósito para a atormentar, a rapariga ressentiu-se mas cá em baixo, já com os pés bem assentes no chão conclui “Foi bem fixe!”
Não sendo nada de especial e tendo muita gente, vale a pena dar lá um saltinho com a pequenada, eles gostam sempre!

 

Leituras de casa de banho

À hora da refeição, notando a ausência demorada e recorrente (nos últimos dias) de pimpolha mais velha, excelentíssimo esposo diz-me “Aposto contigo que pimpolha mais velha foi à casa de banho para ler!, ri-me e pé ante pé, fomos investigar e, pumba, verificou-se.
Apanhada em flagrante delito, a miúda justificou-se “Ó pá, não me digam nada! Eu não aguento, isto é tão emociante que eu tenho mesmo de ler isto, não posso esperar nem mais um minuto!” Então e que livros é que andam a captar de tal forma, que não pode esperar, o seu interesse: “A minha vida fora de série” de Paula Pimenta.
Sempre atenta às leituras que encontra, também nas casas de banho que não a sua, há tempos disse-me “O avô lê coisas estranhas! Sabes há sempre um livro na casa de banho na casa da avó certo? Então eu costumo lê-lo enquanto lá estou. Uma vez era um livro sobre Física, até percebi umas coisas. Depois apareceu lá um sobre Fátima, esse era estranho, não gostei muito! Também já li uns contos… ” E continuou a lista do que por lá tinha encontrado e lido e terminou assim “Eram todos muito diferentes… não percebi qual era o estilo de leitura do avô!”.  Leitura abrangente e diversificada!

Exposição do Escher

Declaração de intereses – Sou suspeita para falar pois há muito que sou fã da obra do Escher, utilizo-a e dou-a a experimentar, aos meus alunos, as suas pavimentações, para que rapidamente descobram que é difícil reproduzir e imitá-lo, mesmo conhecendo a sua técnica; só alguém com um enorme talento, criatividade, visualização do espaço e imaginação poderia alguma vez ter produzido tamanha beleza, unindo,indiscutível e elegantemente, a matemática e a arte.
Tendo visitado o seu museu em Haia, achei que a exposição sobre a sua vida em obra que estará no Museu da Arte Popular, em Lisboa, até finais de maio de 2108, não acrescentaria muito ao que por lá tinha visto e fui aprendendo ao longo dos anos, enganei-me redondamente. É sempre bom sentir e observar as obras de Escher, há sempre um pormenor, ou vários que nos escaparam, mas o principal motivo da visita à exposição era, especialmente, dá-lo a conhecer melhor à pequenada da casa, que também já tinha visto algumas coisas dele, motivados pelos trabalhos dos meus alunos que viram.
Com expectativas elevadas e ânimos leve, numa tarde bastante fria de dezembro, rumámos à exposição do Escher.
Trinta minutos na fila para comprar o bilhete e poder entrar, a exposição estava superlotada, e depois foi o admirável mundo novo, andámos por lá mais de duas horas, acompanhados de audioguias (incluídos no preço mas não esquecer de pedir no balcão ao lado da bilheteira). Primeiramente, deixámos a pequenada andar à vontade e eles entretiveram-se sozinhos a observar e a ouvir as explicações dadas pelo audioguia, fazendo as experiência que foram aparecendo, vibraram.  Depois, numa segunda abordagem, explorámos em conjunto as litografias mais importantes, chamando a atenção para determinados detalhes e transformações e explicamos-lhes os “resultados” e a sua razão das experiências realizados, entrámos na sala dos espelos e vimo-nos até ao infinito, uma canseira de nós, portanto… Os miúdos vibraram e ficaram verdadeiramente surpreendidos com a Exposição do Escher. Não deixem de visitar porque vale muitooooo a pena mas como comecei por dizer: eu sou suspeita na matéria.

Para aguçar a curiosidade e a vontade de visitá-la ao vivo, aqui fica um pequeno registo fotográfico e não só.

Escher no início da carreira

Imagens do 1º livro – ilustrações de alguns ditados holandeses

O seu fascínio por Itália, destino que visitou e com amigos, e onde viveu durante uns tempos com a mulher, primeiro em Roma, onde se dedicou a observar e desenhar os monumentos à noite. Mais tarde, o sul de Itália e as suas paisagens retém grande parte do seu interesse

A música de Bach e obra de Escher

De visita a Espanha, encantou-se com os azulejos cheios de padrões do Allambra e da Catedral de Córdova. A partir daí começa a dedicar muito do seu tempos ao estudo da divisão do plano e às suas famosas pavimentação, repletas de “objetos da natureza”

Reflexões e simetrias

Metamorfose: uma das suas maiores litografias e a mais famosa (Foi a única litografia, das mais famosas a que tirámos fotografia pois nas restantes de tão embrenhados que estávamos nem nos lembrámos mas estão lá todas expostas: Belvedere, Dia e a noite,…)

As experiências interativas

O IKEA tem espírito: publicidade a movéis e cadeira inspirada nos objetos impossíveis de Escher; para alguns a montagens dos movéis do IKEA são mesmo impossíveis.

O Escher e as capas de discos de vinil.
Em 1969, Escher recusou fazer a capa do disco dos Rolling Stones, alegando falta de tempo, apesar de já ter feito várias capas para outros artistas e bandas de renome. Dizem as más línguas que Escher não apreciou a forma familiar e bajuladora como Mick Jagger se lhe dirigiu, “Caro Mauritius”, na carta que continha o pedido dos Rolling Stones. Solicitou ao seu agente para recusar o pedido, pedindo-lhe que transmitisse que, para eles, ele não era “Mauritius” mas sim “M.C. Escher”. O respeitinho é bom e o Escher apreciava-o ao que parece!

O Escher nos filmes, nas bandas desenhadas e na mítica série dos Simpson

Escher sob outra luz

Escher na música

Nas proximidades: um bonito por de sol

Made in china ou talvez não!

Estava eu, na fila para pagar, na loja do chinês aqui do bairro, quando o senhor à minha frente pergunta ao chinês dono “Tem aqui uma bela loja, sim senhora! Grande e cheia de coisas, vem tudo da China, não é?”.
E o dono, o chinês mor, sorrindo-se esclareceu naquela sua fala muito característica “A maioria dos produtos que encontra aqui na loja são produzidos em Portugal, em Espanha e na Alemanha!”.
Fiquei, tão ou mais, surpreendida que o senhor e o dono riu-se ao ver a nossa cara de espanto, acrescentando “Toda a gente acha que na loja do chinês, tudo vem da china mas não é assim!”
Por curiosidade, quando cheguei a casa fui consultar as etiquetas dos produtos que tinha comprado na loja do chinês do bairro. Surpresa das surpresas, dos 12, nenhum era made in china, e a grande maioria era proveniente de Portugal e de Espanha e uma pequena minoria da Alemanha. E esta hein?

Árvore(s) de natal

Ao tirar os enfeites de Natal dos sacos onde estiveram guardados desde o último Natal, pimpolha mais pequena exclama “UAU, que fixe! Temos tantos enfeites de Natal! Olha, muitos fomos nós que fizemos e são bem giros! O que é que vamos fazer este ano?”
“Pumba”, pensei, “Já foste!” ou como diriam os meus alunos “Caçadaaaaaa!”, uma pessoa não pode defraudar assim as expectativas da pequendada.
Enveredámos por decorar árvores de Natal cuja base é um cone de esferovite, uma com pedacinhos de cartolinas com padrões e outra com fita colas do Natal.
Pequenada aprovou e ficou satisfeita com o resultado. Elegeram como a mais gira, porque até brilha, a das fita colas, curiosamente, também é a mais rápida e fácil de fazer.

Bolo rei de chocolate

Rápido e fácil de fazer e bom! Um bolo a fazer lembrar o Natal, pouco doce mas saboroso.

Ingredientes

2 iogurtes naturais
2 ovos
1 colher de chá de aroma de baunilha
1 pitada de sal
Raspa e sumo de 1 laranja
125g nozes
125g amêndoas
Sementes de girassol e de abóbora e pinhões (1 mão cheia)
200g de chocolate de culinária ou preto
40g de manteiga
600g de farinha
50g de açúcar
2 colheres de sobremesa de fermento

Preparação
Picar as nozes e amêndoas. Cortar 150g do chocolate em pequeno pedacinhos, as 50g restantes reservar para colocar por cima do bolo. Numa taça, levar a manteiga a derreter ao microondas. Juntar todos os ingredientes e envolver muito bem com uma colher de pau ou com as mãos. Se a massa se pegar as mãos, tornando impossível moldá-la, juntar farinha, envolvendo sempre, até a massa se despegar das mãos. Num tabuliero grande, forrado com papel vegetal enfarinhado, moldar a massa em forma de bolo rei. Decorar com metades de noz e pedaços de chocolate no cimo do bolo. Levar ao forno, pré aquecido a 180ºC, durante cerca de 30 a 40 minutos (fazer o teste do palito). Depois de frio, polvilhar com açúcar em pó.

Hour of code

Sugestão da semana para crianças e adultos de todas as idades: vamos programar com a Hour of Code?
Experimentem, não custa nada, vão ver que os mais pequenos, assim como os adultos, apreciarão: é uma boa forma de passar um bom bocado utilizando as novas tecnologias, discutindo estratégias e soluções, umas mais elegantes ou práticas que outras, mas todas elas recorrendo a algo precioso que precisa de ser exercitado com frequências: as cabecinhas pensadoiras e não só as pontas dos dedos! Em alternativa às atividades do Hour of Code também têm as dinamizadas pela FCT no âmbito do Codemove Portugal que decorrem esta semana e tem o seu terminus dia 10, domingo, no Pavilhão do Conhecimento, com muitas atividades e workshops para os mais novos.
Give it a try and have fun. Enjoy :). Nós já experimentámos e ficámos fãs!

“O meu Natal é melhor do que o teu”

“Toda a gente acha que o seu Natal é que é bom, de longe muito melhor e mais atinado que o dos outros. Ora vejamos: há os puristas do bacalhau com couve, os modernos que comem tudo reconstruído, os que comem filhoses, os que comem belhoses e os que contentam com fritos de abóbora. Há os mãos largas, os sovinas, os consumistas e os minimalistas. Os que gostam de bolo-rei, os que não gostam e ainda os que não gostam que haja variações sobre o bolo-rei. Há os que vão à missa, os que são ateus, os que dizem o Natal é quando o homem quiser, os que dizem que é só para a família, os que fazem só árvore, os que fazem só presépio, os que fazem presépio e árvore, os que não fazem nada que isso é só folclore. Os que acreditam no Pai Natal, os que não acreditam e os que nem sequer bebem Coca-cola por causa disso, os que gostam de ver as luzes na rua, os que detestam, os que se sentem sozinhos, os que têm uma família que nunca mais acaba, os que fazem tudo caseiro, os que compram a ceia toda no Pingo-Doce. Os que ouvem o Bublé, os que ouvem o Sinatra, os que só ouvem o Coro de Santo Amaro de Oeiras, os que ceiam, os que jantam, os que abrem as prendas à meia-noite, os que só abrem na manhã de 25 e os que acham que no Dia de Reis é que é, os que acham que o Natal é bom por causa das prendas, os que acham que é espiritual, os que acham que é para reflectir, os que acham é que bom para a pândega e só ligam aos comes. Epá, cansa.”


(Gosto tanto, mas tanto, de malta que pensa e escreve assim, sem medos nem subterfúgios mas com imenso sentido crítico e espírito; é sempre uma delícia, um verdadeiro prazer e uma revelação ler o que partilha no seu espaço,ora espreitem!)

Diga?

Nos último tempos, sempre que chamava pimpolha mais velha, ela respondia-me, invariavelmente, “Diga?”.
A primeira vez não disse nada, mas pensei queres ver que agora tenho uma filha com tiques de tia de Cascais, à segunda comecei-me a irritar, à terceira não me contive “Diga???? Mas que raio, é diz, diz, DIZ!”.
Ela levantou as mãos, em sinal de paz, eu estava um bocadinho aborrecida, “Já percebi mas é por uma questão de respeito!. Expliquei-lhe, calmamente, “Minha linda, aqui e entre nós, o respeito não se mede, nem nunca medirá assim. Sempre foi diz e assim continuará a ser”.
Repetiu o “Diga?” muitas várias vezes e de todas as vezes reclamei, acho que rugi mesmo, e a rapariga lá interiorizou. Há pouco esclareceu-me, associou e fez o click ,”Os professores dizem que não devemos dizer “Hã?” mas sim “Diga?” , que é uma questão de educação e acho que me habituei”. Fiquei a olhar para ela estarrecida, pois também eu digo muitas vezes isto aos meus alunos, tomei nota, e rematei “Nunca falha se responderes apenas com um “Sim?””. A rapariga sorriu e disse “Bem pensado!”. Suspirei de alívio, afinal não era mais um dos seus tiques e/ou manias de adolescente rebelde, apenas uma grande interiorização de regras, ou assim eu espero…

Filme: “O Substituto”

Um filme duro, pesado, triste, sem final feliz, não deixando, no entanto, de ser um excelente filme.
É um filme ao qual é impossível ser indiferente, leva-nos a meditar sobre a imensidão de temas que em 1h30 abrange deliberada e/ou disfarçadamente.
Muito elucidativo sobre a compexidade da mente humana: o papel e a forma como lida com experiências/vivências passadas, transportando e revivendo-as no presente e temendo não conseguir evitar a sua influência e viver com elas no futuro.
Retrata bastante bem que, independentemente, da profissão, cada um de nós tem uma vida pessoal e um bagagem emocional que transporta consigo sempre, embora procure protegê-la, ocultando-a no decorrer do exercício da sua profissão, através de um deliberada indiferença; no entanto, ela está lá sempre presente e constitui uma linha orientadora em muitas das opções e intervenções que escolhemos ter ou fazer, por muito que o tentemos evitar ou esconder.
O nome original do filme é “Detachment” que pode ser, grosseiramente, traduzido por desapego, e é exatemente essa falta de sentimento de conexão que o personagem principal, representado por Adrien Brody (do Pianista), enverga, no seu dia a dia, como um escudo, mas o interesse e a preocupação pelo que o rodeia pautam a sua discreta mas presente e interveniente ação, contrariando a tal indiferença que apregoa. Talvez porque, no fundo, não perdeu a esperança de fazer a diferença na vida de alguém, o que faz dele tudo menos indiferente, colocando-o na linha da frente da batalha, algo que desejava evitar a todo o custo.
A vida não é um mar de rosas e há algumas cravadas de muitos espinhos em que, difícl e infelizmente, conseguimos fazer a diferença ou se fazemos, por vezes, ficamos na dúvida se terá sido para melhor. E sim, isto mexe e tira o sono a uma pessoa, é muito mais fácil assobiar para o lado, apregoando a tal indiferença, do que carregar nos ombros a responsabilidade de tentar/poder fazer a diferença, sem saber se é para melhor, uma lição que aprendi da maneira mais difícil mas que ainda não me tirou a esperança de poder, em alguns casos, fazer a diferença.
Vale mesmo a pena ver este filme, com uma abordagem totalmente diferente do que é habitual e meditar sobre tantas coisas que lá se passam e falam mas também no que não é verbalizado e nas ações!
Gostei muito deste filme que ainda estou a digerir (bom sinal!) e agradeço à Catarina, do blogue (in)sensatez, a sugestão.

Ursinho Paddington

A primeira vez que vi e ouvi falar do ursinho Paddington foi, há mais de uma dezena de anos, quando encontrámos uma loja e/ou banca já não me recordo, cheia destes ursinhos, em Londres, na estação de metro e comboio com o mesmo nome. Depois disso a pequenada cá da casa instrui-me sobre os seus desenhos animados e o filme e parece que o 2º filme vai estrear esta semana.
O autor, Michael Bond, das histórias que relatam as inúmeras aventuras e desventuras, deste simpático e bem educado ursinho, que adora marmelada e está sempre metido em sarilhos, apesar de se esforçar muito para fazer tudo bem, inspirou-se num ursinho que encontrou sozinho nas prateleiras de uma loja na estação de Paddington, na véspera do Natal de 1956 e que comprou para oferecer à sua esposa.
O ursinho Paddington é considerado um clássico na literatura infantil no Reino Unido, é um personagem muito estimada na cultura britância, foi o primeiro item/personagem de fição escolhida para atravessar o túnel no canal que liga o Reino Unido a França.
Inspirados no blogue Red Ted Art decidimos tantar fazer um ursinho Paddington e ficou tão fofinho!

Inesquecíveis ou então não…

“Quando andei no órfeão, já cantávamos a música da bicicleta!” esclarece-me divertido excelentíssimo. Já em tempos, tínhamos chegado à conclusão que nos cruzámos nos estrados do coro, ele nos mais altos e eu nos mais baixos, mas que não nos lembrávamos um do outro, que blasfémia!
“Então e quem é que cantava a bicicleta nessa altura? Eu ou a Rita?” pergunto-lhe
“Epá, sei lá! Era uma miúda pequena!” responde com naturalidade excelentíssimo pequeno.
E, assim me arrumou, 3 anos mais velho que eu ,5 que a Rita, e chuta-nos assim para o lado, como aquelas crianças pequenas, chatas e imaturas. Pensando bem se, na altura, a Rita tivesse 6 anos, eu teria 8 e ele 11, e não deve andar muito longe disto, realmente estavámos em “patamares” de desenvolvimento e parvoíce bem diferentes, lá isso é verdade. Agora, somos os dois igualmente cotas, embora não nos lembremos um do outro nos estrados do coro a cantar a música da bicicleta, coisas e voltas que a vida dá!