Azulejos didáticos

Supõe-se que, provavelmente, eram centenas, embora apenas se conheçam 23, datam de meados do século XVII, feitos em Portugal, contém proposições e demonstrações matemáticas contidas nos primeiros livros dos Elementos de Euclides e “ilustradas e reproduzidas” por Tacquet (padre jesuíta). Tudo indica que estiveram expostos em salas de aula de matemática num colégio da Companhia de Jesus (jesuíta), de Coimbra, por volta de 1692 até 1759 (ano em que os jesuítas foram expulsos de Portugal).
No século XVI e XVII, houve bastantes Jesuítas, espalhados pelo mundo, com um papel importante no estudo da Matemática e da Ciências mas, em Portugal, (pre)dominava a corrente filosófica. Talvez este facto esteja na origem das indicações do Geral da Companhia de Jesus, Tirso Gonzales, que, em  1692, enviou para Portugal as Ordenações para estimular e promover o estudo da Matemática na Província Lusitana, onde se pode ler:

“Quinto: Procurem primeiro os Superiores dos colégios de Coimbra e Évora que cada um dos nossos filósofos tenha necessariamente para seu uso os seis primeiros livros dos Elementos de Euclides que contêm os elementos de geometria plana. São muito convenientes os que compôs o P. Andreas Tacquet […]. Na escola, ou em qualquer outro lugar destinado às demonstrações deve ser exposto um quadro das figuras principais, maior e mais amplo, que será comum a todos, e a que se deve adaptar um compasso para a demonstração das figuras […].”

Declarações que podem estar na origem, justificar a existência e os fins a que se destinavam estes azulejos, os azulejos que ensinam, ou didáticos como ficaram conhecidos. Os azulejos didáticos foram “eliminados” das salas de aula com a Reforma Pombalina, altura em que surgiu, em Inglaterra, uma outra edição dos Elementos de Euclides, com figuras e construções diferentes das de Tacquet, tendo muitos deles sido destruídos e entulhados. Nos dias de hoje, encontram-se espalhados por diversos museus nacionais e por colecções particulares mas não há duvidas que foram um género de powerpoint do século XVII e XVIII e ensinaram ciência nos colégios jesuítas em Coimbra.

Referências, fontes e imagens

Em Lisboa, no que hoje é o Hospital de São José, funcionou, desde o século XVI e durante cerca de 170 anos, o Colégio de Santo Antão (pertencente também aos Jesuítas).
A “Aula Esfera”, do Colégio de Santo Antão, é criada, por ordem e poder real do monarca D. Sebastião, através do cardeal D. Henrique, com a condição que nela se lecionasse Matemática e matérias de desenvolvimento e aprofundamento científico.
Entre finais do século XVI e meados do século XVIII, a “Aula Esfera” foi a mais importante instituição de ensino e prática científica de Portugal, onde depressa chegavam, através da “rede de comunicação” dos Jesuístas, os estudos feitos em outras parte do mundo. A “Aula Esfera” teve um papel crucial no estudo da astronomia e cosmografia num país de navegantes. Por exemplo, em 1612, na “Aula Esfera” já se estudavam as leis de Galileu e construíam telescópio.
Durante o século XVII, a “Aula Esfera” teve em média 2000 alunos anualmente. Durante o seu período de funcionamento, cerca de 300 cientistas, 1/3 estrangeiros, e estudioso, alguns figuras proeminentes da época, lecionaram na “Aula Esfera”. É inegável a enorme importância da “Aula Esfera” no estudo das Ciências e das Matemáticas e do seu papel na história da ciência em Portugal.
A “Aula Esfera” também estava repleta de azulejos alusivos às matérias ali estudadas e abordadas, contendo várias referências à matemática e à astronomia. A “Aula Esfera” funcionava, no espaço que hoje é o auditório do Hospital de São José, vários azulejos emblemáticos das atividades desenvolvidos no Colégio de Santo Antão podem ser encontrados na Biblioteca do Hospital de São José. Azulejos muitos semelhantes podem ser encontrados, em Évora, nas salas de aula do Colégio Espírito Santo.

Para saber muito mais sobre a “Aula Esfera”, fontes e imagens

Uma relíquia?!

Em outros tempos, era um objeto imprescindível e existia uma, mais ou menos xpto, junto ao telefone de cada casa. Hoje em dia com os telemóveis e as suas agendas, os dados móveis e as sincronizações, as agendas telefónicas passaram a ser digitais, e poucos serão os que mantém uma agenda telefónica em papel.
Atire a primeira pedra, quem antes desta nova geração de telemóveis, os que ainda não guardavam todos os contactos no cartão, e por avaria ou porque perdeu o telemóvel,  não ficou totalmente desconcertado quando se viu sem nenhum dos seus contactos. Um pequeno incidente que rapidamente se tornava numa verdadeira dor de cabeça e uma aventura desconcertante de recuperação dos contactos, para quem, já nessa altura, tinha abolido as agendas telefónicas.
Esta agenda telefónica tem, numa letra bonita, imensos contactos e, como antigamente, encontra-se junto ao telefone fixo cá de casa mas bom, bom é que este facto se deve tão só e apenas a pimpolha mais velha, é a SUA agenda telefónica (exemplar único cá em casa). Há coisas que não mudam, ela sabe de cor 6 ou 7 números, aqueles para os quais mais liga, algo que eu, agora não me posso gabar mas com a idade dela :). Quando não se tem um telemóvel à disposição, independentemente da idade, voltamos aos métodos infalíveis de outros tempos, métodos que não devemos desprezar, nunca se sabe se um dia as tecnologias nos pregam uma partida, por qualquer razão, deixando-nos na mão. É sempre bom saber como se fazia e conhecer as alternativas.

Controvérsia do momento

Como é que vê a hipótese de um homem solteiro ter filhos recorrendo a uma barriga de aluguer, como alegadamente foi o caso de Cristiano Ronaldo?
Considero um crime grave. É degradante, uma tristeza. O Ronaldo é um excelente atleta, tem imenso mérito, mas é um estupor moral, não pode ser exemplo para ninguém. Toda a criança tem direito a ter mãe. Mais: penso que uma das grandes culpadas disto é a mãe dele. Aquela senhora não lhe deu educação nenhuma.

(…)

Duas pessoas do mesmo sexo não podem amar-se?
Ouçam, é uma coisa simples: o mundo tinha acabado. Para que o mundo exista tem de haver homens e mulheres. Trato-os como a qualquer doente e estou-me nas tintas se são isto ou aquilo… Não vou tratar mal uma pessoa porque é homossexual, mas não aceito promovê-la. Se me perguntam se é correto? Acho que não. É uma anomalia, é um desvio da personalidade. Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam.

A MENSAGEM DE GENTIL MARTINS NA ÍNTEGRA

Face à minha entrevista ao Jornal Expresso e dada a celeuma, que nunca desejaria que tivesse acontecido, gostaria desde já esclarecer que me limitei a responder a perguntas directas dos entrevistadores do Expresso.

Quanto a Ronaldo não ser exemplo, referia-me exclusivamente à escolha por “Barrigas de Aluguer”, permitidas por lei, mas das quais discordo totalmente, quer como Pediatra quer como Ser Humano. Isso nada tem a ver com os excepcionais méritos desportivos de Ronaldo, nem com a sua generosidade para com Instituições Sociais e crianças com dificuldades.

Por outro lado nunca foi minha intenção ofender a Mãe de Ronaldo, pessoa que não conheço pessoalmente.

Quanto à homossexualidade, lamento quem sofra com essa questão, que continuo a considerar anómala, sem no entanto deixar de respeitar os Seres Humanos que são.

Independentemente, de concordar ou não com a sua opinião e/ou com a forma como a expressou, a controvérsia gerada em torno apenas destas 2 perguntas de uma longa lista, suscitou-me algumas dúvidas:
Questão 1: Só podemos ou devemos expressar a nossa opinião se ela for politicamente correta, a que outros desejam/esperam ouvir ou se esta seguir  a “norma”?
Questão 2: O que é e representa a tão apregoada liberdade de expressão?
Questão 3: Aplica-se a todos ou apenas a alguns? Em todos os momentos e em todas as temáticas?
Questão 4: Quem dá entrevistas e/ou é um figura pública, não deve dar o “corpo às balas”, defendendo as suas ideias, deve antes inibir-se, limitando-se a esquivar-se com meias respostas, ou respostas inócuas, a perguntas polémicas? É isso que pretendemos numa sociedade que apelidamos de democrática?
Questão 5:  O que é isso de viver em democracia? Enquadra o linchamento público assim que alguém manifesta uma opinião contrária à veiculada e aceite pela “maioria”? Não contempla o direito e o respeito pela diferença (neste caso de opiniões)?
Questão 6: Não valerá a pena meditar seriamente sobre algumas temáticas que abordou cruamente?
Hipocrisia, histerismos, falso moralismo e demagogia é o que alimenta estas e outras polémicas e, infelizmente, a sociedade! É caso para dizer, utilizando uma expressão brasileira, “Me engana, que eu gosto!”.
Um excelente pequeno vídeo, sobre a temática,”Não chamem a polícia por causa do Gentil Martins”

“Estas férias, deixe o tédio tomar conta dos seus filhos”

“No verão, muitas crianças têm cerca de três meses de férias , o que representa, normalmente, para os pais, demasiado tempo livre que precisa de ser ocupado. Por isso, são várias as escolas que, apesar de as aulas já terem acabado, oferecem planos de férias para as crianças, a que se juntam semanas de atividades abundantes ou mesmo acampamentos de verão. Mas segundo alguns psicólogos, este excesso de programação do tempo das crianças durante o verão não lhes permite alcançar um ponto importante do desenvolvimento: descobrir o realmente lhes interessa, o que gostam de fazer no seu tempo livre.

À BBC, Lyn Fry, psicóloga infantil, defendeu que o papel dos pais é preparar as crianças para ocupar o seu lugar na sociedade: “Ser um adulto significa ocupar-se e preencher o seu tempo de lazer de uma forma que o faça feliz. Se os pais passam todo o tempo a preencher o tempo livre dos seus filhos, então a criança nunca vai aprender a fazer isso sozinha.” Fry sugere que, no início do verão, os pais se sentem com os seus filhos (pelo menos aqueles que têm uma idade superior a 4 anos) para discutirem em conjuntos as atividades que a criança gostaria de fazer durante o período de férias. A lista pode ir de atividades muito simples como jogar às cartas a atividades mais complexas como aprender a cozinhar. A elaboração desta lista vai permitir que sempre que a criança se queixe de estar aborrecida, os pais possam dizer-lhes para rever a lista. É provável que as crianças voltem a ficar aborrecidas após algum tempo de fazer a atividade mas, segundo Fry, “as crianças precisam de aprender a ficar aborrecidas para serem motivadas a fazer as coisas. Estar entediado é uma maneira de tornar as crianças autoconfiantes.”

Há décadas que os especialistas discutem a importância do tédio nas crianças. Em 1930, o filósofo Bertrand Russell, no seu livro “A Conquista da Felicidade” dedicou um capítulo à importância do tédio. Segundo Russell “uma criança desenvolve-se melhor quando, como uma planta jovem, é deixada sem perturbação no mesmo solo. Muitas viagens, muita variedade de impressões, não são boas para os jovens e fazem com que, à medida que crescem, se tornem incapazes de suportar uma monotonia produtiva.”

Anos mais tarde, em 1993, no livro “On Kissing, Tickling and Being Bored”, o psicanalista Adam Phillips apresentou o tédio como uma hipótese para contemplar a vida, considerando que “é uma das exigências mais opressivas” que os adultos fazem às crianças é a de que se interessem, “em vez de arranjarem tempo para descobrir o que realmente lhes interessa”.”

Artigo da Visão

Eles andem aí e as naves também!

“Onde é que vocês deixaram a nave estacionada?” é uma pergunta que faço, em tom de brincadeira com alguma frequência, aos meus alunos e a melhor resposta que já lhes ouvi foi “Uiiii, uiii, sabe lá, hoje estava o parque cheio! Tive algumas dificuldades” e assim nos rimos e descontraímos. Cada vez mais, tenho que morder a língua para não perguntar seriamente o mesmo a muitos graúdos. Provavelmente, eu é que sou do Espaço ou de outro mundo.

Mundurukus

“Pica é linguista (…) e está ao serviço do Centro Nacional de Investigação Científica francês. Durante os últimos dez anos o alvo do seu trabalho têm sido os mundukuru, um grupo indígena de cerca de 700 pessoas que vive na Amazónia brasileira, que são caçadores-recoletores que vivem em pequenas aldeias espalhadas (…). O que interessa a Pica é a linguagem dos munduruku, a qual não tem tempos diferenciados, nem plurais, nem palavras para números superiores a cinco.
(…)
Mais de um mês após ter partido de Paris, Pica estava finalmente a aproximar-se do seu destino. Como era inevitável, eu quis saber quanto tempo demorava a chegar de Jacareacanga às aldeias.
Mas Pica já estava visivelmente impaciente com a minha linha de inquérito:
– É a mesma resposta para tudo: isso depende!
Mantive-me firme. Quanto tempo demorara desta vez
Ele gaguejou:
– Não sei. Creio que… talvez… dois dias… um dia e uma noite…
Quanto mais eu insistia com Pica em busca de factos e de números, mais relutante ele se mostrava em mos fornecer. (…)
– Quando regresso da Amazónia perco o sentido do tempo e o sentido do número, e talvez o sentido do espaço-, disse-me ele. Esquece-se dos encontros combinados. Fica desorientado com simples indicações. (…)
A incapacidade de Pica para me fornecer dados quantitativos fazia parte do seu choque de culturas. Passara tanto tempo entre gente que mal sabe contar, os munduruku, que perdera a capacidade de descrever o mundo em termos de números.
(…)
Achei estranho que os números superiores a cinco não surgissem de todo na vida quotidiana da Amazónia. Perguntei a Pica como é que um índio responderia (…) Se perguntássemos a um munduruku que tivesse seis filhos, “Quantos filhos tem?”
– Ele diria “Não sei”. É algo impossível de exprimir
No entanto, Pica acrescentou que era uma questão cultural. (…) Por que quereria um munduruku adulto contar os seus filhos? pergunta Pica. As crianças são cuidadas por tos os adultos da comunidade, disse-me ele, e ninguém conta quem pertence a quem.
(…)
Alguns mundurukus que vivem nas margens do seu território aprenderam português (…)
– Eles sabem contar um, dois, três até às centenas – disse Pica – A seguir perguntamos-lhes “Já agora, quanto é cinco menos três?”. Eles não fazem a mínima ideia.
(…)
O estudo das capacidades matemáticas de pessoas que somente dispõem da capacidade de contar por uma das mãos tem por objetivo descobrir a natureza das nossas intuições numéricas básicas. Pica pretende saber o que é universal a todos os humanos, e o que é configurado pela cultura.
(…)
Numa das suas experiências mais fascinantes, Pica examinou o entendimento espacial que os índios tinham dos números. Como visualizavam os números dispostos ao longo de uma linha? (…)
Os resultados foram espantosos. Em geral considera-se ser uma verdade óbvia que os números estejam espaçados de modo igual. Aprendemos isso na escola e aceitamo-lo facilmente. É a base de toda a medida e de toda a ciência. No entanto os munduruku não vêem o mundo assim. Eles visualizam as magnitudes de uma forma muito diferente.
Quando os números estão dispostos a espaços iguais numa régua, a escala chama-se linear. Quando os números se aproximam à medida que aumentam, a escala chama-se logarítmica. Sucede que a aproximação logarítmica não é exclusiva dos índios da Amazónia. Ao nascer, todos nós concebemos os números deste modo.
(…)
Por que pensam os índios e as crianças que os números maiores estão mais juntos do que os menores? (…)Imaginemos que um munduruku é confrontado com cinco pontos. Ele irá estudá-los de perto e ver que cinco pontos são cinco vezes maiores que um ponto só, mas que dez pontos são apenas duas vezes maiores do que cinco pontos. Os munduruku e as crianças parecem efetuar as suas decisões acerca do local adequado para os números por meio da estimativa das relações entre quantidades. Ao considerarem as relações, é lógico que as distâncias entre cinco e um é muito maior do que a distância entre cinco e dez. E quando se avaliam as quantidades fazendo uso das relações, produz-se sempre uma escala logarítmica.
Pica acredita que compreender as quantidades aproximadamente em termos de estimativa de relações é uma intuição universal humana. (…) Por contraste, compreender as quantidades em termos de números exatos não é uma intuição universal; é um produto da cultura. (…) Pica sugere dever-se ao facto de as relações serem muito mais importantes para a sobrevivência na natureza do que a capacidade de contar. Perante um grupo de adversários brandindo lanças, precisávamos de saber instantaneamente se haveria mais deles do que dos nossos. Quando víamos duas árvores precisávamos de saber qual delas tinha mais frutos pendentes. (…)
A escala logarítmica  também é fiel ao modo como as distâncias são percebidas, o que é um possível motivo para ela ser tão intuitiva. Leva em consideração a perspetiva. Por exemplo, se virmos uma árvore a 100 metros e uma outra 100 metros atrás dessa, os segundos 100 metros parecem mais pequenos. Para um munduruku, a ideia de cada 100 metros representarem uma distância igual é uma distorção do modo como ele percebe o seu ambiente.
(…)
Vivemos em simultâneo com uma compreensão linear e logarítmica da quantidade. Por exemplo, a nossa compreensão da passagem do tempo é muitas vezes logarítmica. Lembro-me dos anos da minha juventude decorrerem muito mais devagar do que os anos que agora parecem voar.(…) O nosso instinto logarítmico profundamente enraizado emerge com nitidez quando se trata em pensar sobre números grandes. Por exemplo, todos nós podemos compreender a diferença entre um e dez. (…) Mas qual é a diferença entre mil milhões de dez mil milhões de litros de água? (…) os termos milionário e bilionário são usados a esmo praticamente como sinónimos (…). No entanto, um bilionário é mil vezes mais rico que um milionário. Quanto mais altos são os números, mais próximos entre si eles nos parecem.
(…)
Pica disse que a investigação dele e de outras pessoas sobre as nossas intuições matemáticas poderá ter sérias consequências no ensino da Matemática – tanto na Amazónia como no mundo desenvolvido. Exigimos uma compreensão da linha dos números lineares para se funcionar na sociedade moderna – ela é a base da medida e facilita os cálculos. Porém, na nossa dependência da linearidade talvez tenhamos levado longe de mais a supressão das nossas intuições logarítmicas. Talvez, disse Pica, seja essa a razão por que tantas pessoas acham a matemática difícil. Talvez devêssemos prestar mais atenção à avaliação das relações do que à manipulação dos números exatos. Do mesmo modo, talvez seja errado ensinar os munduruku a contar como nós o fazemos, já que isso poderá privá-los das intuições ou conhecimentos matemáticos que são necessários à sobrevivência deles.”  

in “Alex no País dos Números” de Alex Bellos

Buracos

Podia ser um post sobre buracos negros, fazendo jus aos filmes de ficção científica, os tais que absorvem tudo e não deixam escapar nada, nem mesmo a luz (daí o seu nome) mas que na realidade (espacial e gravitacional) resultam do colapso de grandes estrelas, de uma deformação do espaço-tempo, e ao seu coração (do buraco negro), curiosamente, chama-se singularidade.
Também podia ser um post sobre o buraco das contas públicas, que já atingiu em tempos valores quase astronómicos, que agora estão ainda demasiado longe para nos permitir respirar de alívio, pois ainda temos a corda ao pescoço, apesar de não estar a estrangular… ainda!
Seria igualmente interessante abordar os buracos que todos nós, contribuintes, temos que tapar, pagar e calar pela gestão danosa de uns e outros, aparentemente, intocáveis em termos da lei e do seu, deles, património.
Os buracos que afligem os condutores e os pneus das suas viaturas em muitas das nossas estradas, podia também ser o tema deste post mas em tempo de eleições autárquicas o alcatrão flui para calar queixumes e tapar buracos, também estes de vários tipos.
Podia ainda ser sobre aqueles grandes, e inocentes, buracos/balizas que surgem na dentição da pequenada por volta dos 6/7 anos de idade, devida à queda da dentição de leite e que lhes dão assim um ar meio esquisito.
Seriam certamente buracos “inteligentes” que valiam a pena explanar mas não… os buraquinhos, que rapidamente se transformam em buracos, que mais me preocupam de momento são mesmo os das minhas t-shirts. Surgem sempre na mesma zona (junto ao umbigo), às vezes, ao fim da 1ª ou 2ª utilização, irritam-me solenemente, porque aprecio muito as minhas t-shirts e me provocam outro tipo de buraco: na carteira. Fazendo um estudo científico com uma amostra vasta e variada cá por casa, conclui-se que só as minhas t-shirt são alvo deste flagelo (o que o torna num problema exclusivamente meu, acho que as traças, e outros bichanos que tais, não serão assim tão seletas). Depois de várias teorias, algumas testadas outras nem por isso, conclui-se, ou seja conclui, que os ditos cujos buracos que me aborrecem, têm origem na colisão, coligação e pressão de cinco elementos: botão das calças, fivela do cinto, mala à tiracolo, cinto do carro, contacto próximo e constante com bancadas e/ou mesas. – confluem todos para o mesmo local, gerando atrito com o tecido e formando um verdadeiro quinteto furado(r). Solução: utilizar as t-shirts “para dentro” das calças, nada fashion, bem sei, mas, volto a repetir, gosto das minhas t-shirts… e da minha carteira.
Curiosidade: a internet é fabulástica e fazendo uma rápida pesquisa descobrimos que há sempre alguém que já teve, ou tem, o mesmo problema e decidiu explorar a temática até à exaustão e descobriu muitos outros com a mesma problemática; encontrei teorias espetaculares sobre esta temática, outras nem por isso: desde a máquina de lavar até coisas bem mais elaboradas.
O que foi mesmo isto? Uma dissertação, com 508 palavras, sobre os buracos que me chateiam, é caso para dizer que, claramente, dei início à silly season, ah espera…parece que sou é assim todo o ano 🙂

Bilhetinhos e cartas de amor

“É amanhã, amanhã é que eu ganho coragem!” diz pequeno do meio
“Então precisas de ganhar coragem para quê? ” pergunta-lhe excelentíssimo esposo
“Nada, nada!” responde o moço entre risos, procurando disfarçar
“Não me digas que é para pedires alguma miúda em namoro?” espicaça-o excelentíssimo esposo
“Hummm, oh, pá, como é que sabes?” diz o rapaz intrigado
“Deixa-me adivinhar, hummm,  é a M.? arrisca excelentíssimo esposo
“Tu só podes ser bruxo!” diz o moço impressionado
“Se calhar é melhor deixares isso para setembro, as férias estão quase a começar” aconselha-o excelentíssimo esposo
“Pois…” anuiu pequeno do meio
“Bem pensando bem, se for agora, assim podes escrever-lhe umas cartas de amor nas férias!” reconsidera excelentíssimo esposo
“Tu és totó, ó quê? Já ninguém faz isso. Nós temos telemóveis!” diz o moço estupefacto
“Então e com que telemóvel falavas com ela?” pergunto-lhe eu
“Como o teu! Óbvio!” responde ele prontamente
“Então eu e a mãe dela é que vamos namorar, é isso?” digo-lhe entre risos.
“Vou pensar melhor e amanhã logo decido” diz o moço em modo de ponderação
No dia seguinte, quando questionado sobre o assunto diz que se calhar vai seguir o conselho do pai e esperar por setembro mas termina com o seu ar maroto
“Eheheheh, posso sempre utilizar o velho truque de lhe mandar um bilhetinho! Acho que vai ser isso mesmo que vou fazer!”diz com um ar satisfeito.
Aguardam-se desenvolvimentos… estamos fritos com este moço!

WHAT??!!!

“Realizei o meu sonho: passei a roupa a ferro!” diz pimpolha mais velha que anda, nos últimos dias, claramente, em modo fada do lar, feliz e contente (sem qualquer ponta de ironia).
Não sei a quem é que a moça sai, nesta vertente, nem até quando este modo vai persistir, ou melhor dizendo, resistir, mas… estou a apreciar! Antes que me acusem de exploração do trabalho infantil, a moça age de livre e espontânea vontade, sem que ninguém lhe sugira nada, por sua iniciativa, o que é ainda mais surpreendente. É aproveitar, deve ser sol de pouca dura.

Passeio por Mafra

Aproveitando a gratuitidade de alguns monumentos aos domingos até às 14h00, fomos revisitar o grandioso Palácio de Mafra. Junto ao palácio encontra-se o posto de turismo e Centro de Interpretação das Linhas de Torres, foi por aqui que começámos a nossa visita, numa sala pequena mas com muitas informações sobre o papel de Mafra durante as Invasões Francesas. De seguida, no claustro do palácio encontrámos uma mostra de aves de rapina que fez as delícias da pequenada e uma exposição de  pinturas devido à comemoração do tricentenário da colocação da 1ª pedra na Basílica do Palácio. A enfermaria, a sala dos veados, os enormes corredores e bonita e esplendorosa biblioteca são alguns dos locais que mais gostámos. A pequeno do meio não escapou a confirmação de que na biblioteca existem morcegos para evitar que os valiosos livros sejam devorados pelas traças.

Depois da visita ao palácio (cerca de 1 a 1h30), fomos passear no antigo jardim real, o Jardim do Cerco, que é enorme mas está super bem cuidado e é um ótimo sítio para fazer um piquenique (tem um grande parque de merenda e, mesmo em frente, um parque infantil). Quando por lá andámos, estava a decorrer o Festival do Pão (tasquinhas, venda produtos agrícolas e artesanato local, pão e doçaria regional etc.) no Jardim do Cerco, uma chatice, portanto… para a nossa dieta, obviamente :)!!!
Outros sítios giros para visitar com a pequenada na zona: a Tapada de Mafra, que agora tem imensas atividades e uma diversivade de programas e Aldeia – Museu José Franco.

Antíteses, artigo definido ou indefinido numa vida toda

Observando com atenção, os sinais de alarme são visíveis a olho nu e, nesta fase, quase que já os reconheço, antes de saber “oficialmente” a notícia: a tristeza e alheamento, as mudanças, as desilusões, as perspectivas, as novas rotinas, as preocupações (filhos, guarda, pensões, dinheiro, organização, gerir uma nova realidade, os vários corações em pedacinhos, os sonhos defraudados, etc.) porque, infelizmente ou felizmente, não sei, porque como diz o ditado “Quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro”, nos últimos tempos têm sido mais que muitas as histórias, de gente perto de nós, que descobriu que afinal não é para sempre.
Identifico os pontos comuns (coincidências?) a todos eles: a mesma faixa etária, a mesma vontade de viver a vida como se se tivesse 20 anos, sem grandes responsabilidade e/ou constrangimentos dos filhos – ser livre, encontrar novos amores e deslumbrar-se. As “alegações”, de ambas as parte, sobre o ocorrido e “consequências” são também muito semelhantes, em todas as histórias.
Tudo o descrito em cima não é uma crítica, a nenhuma das partes envolvidas, cada um sabe da sua vida e o que é melhor para si e para os seus, é apenas uma constatação que encaro sempre com tristeza face às revelações.
A observação que, para mim, bate todas sobre estas crises, de meia idade????, deparei-me com ela em conversa com outras mães, quando uma delas entre risos confessou “Sabem, essa é a vantagem de casar com um homem mais velho! Quando ele fez 50, ofereci-lhe um descapotável, para prevenir! Ele ficou todo contente e o assunto ficou arrumado! Agora, temos o descapotável à venda, não faz sentido, raramente o usámos! Eheheheh, se alguém quiser comprar…?!!!” Malta que joga noutra liga, em vários aspetos! O curioso, e que ela não referiu e as restantes presentes não sabiam, é que ela é 2ª mulher do seu marido e que este se separou da mulher, de quem tem 3 filhos, mais ou menos nesta faixa etária. Como sei eu? Dois dos seus enteados, filhos do marido, foram meus alunos, e lembro-me bem da revolta e o turbilhão de emoções/ ressentimentos que vi os miúdos expressarem sobre a separação dos pais, o pai e nova companheira. Ele há coisas… o mundo é pequeno, às vezes demasiado pequenino. Mas já sabem se precisarem de um descapotável, conheço alguém que tem um à venda e que, aparentemente, evitou uma crise!
Quero acreditar que, inicialmente, todos acharam que era para a vida toda (e muitos continuarão a achar) mas para alguns, cada vez mais, foi apenas uma vida toda que terminou e deu início a uma outra vida toda nova. Há algo, que existindo, é inegavelmente para a vida toda: os filhos, convém não esquecer e prosseguir com delicadeza e assertividade.
Nota: A diferença que faz um artigo definido ou indefinido nas antíteses da vida.

Acreditando, esperando, que muitas história serão para a vida toda, como canta e muito bem, Carolina Deslandes.

Tarte de queijo

Muito boa, como que diz o ditado “o que é doce nunca amargou!”

Ingredientes
1 pacote de bolachas maria (usei metade maria normal e metade maria chocolate)
100g de manteiga
200ml de natas
200g de queijo creme
3 ovos
100g de açúcar (utilizei 80g de açúcar branco + 20g de açúcar baunilhado)
sumo e raspa de 1 limão
3 colheres de sopa de farinha maisena

Preparação
Forrar com papel vegetal uma forma de fundo amovível. Picar muito bem as bolachas. Derreter a manteiga. Juntar às bolachas e envolver bem. Dispor o preparado anterior na forma e calcando bem forrar o fundo da forma e as laterais. Colocar no congelador para solidificar enquanto se prepara o conteúdo da tarte. Bater os ovos com o açúcar até obter um preparado volumoso e homogéneo. Adicionar o queijo creme, envolvendo bem. Juntar as natas, o sumo e a raspa de limão. Envolver bem a farinha maisena. Retirar a formado congelador e verter o preparado sobre a base de bolacha. Levar ao forno, pré aquecido a 180º, durante cerca de 30 minutos ou até ficar douradinha. Decorar a gosto: açúcar em pó, frutos vermelhos, etc.

Festival Ibero-Americano de Narração Oral

Cenas que desconhecíamos (entre muitas outras): Lisboa é, em 2017, a Capital Ibero-Americana.
Cenas que sabíamos que tinham acontecido mas ainda não tínhamos vistos: a Biblioteca Palácio das Galveias, depois das remodelações.
Cenas verdadeiramente boas que nos iam escapando da atenção e juntaram o melhor dos dois mundos anteriores e todos os outros mundos que contemplam e cabem dentro de uma história bem contada: o Festival Ibero-Americano de Narração Oral

Contos para todos os públicos: crianças, famílias e adultos, contadores de várias zonas de Portugal, do Brasil, Perú, Uruguai, Espanha, Colúmbia, entre outros; os contos, a forma e a vida que estes ganham pela voz e interpretação de quem os transmite com alma e coração, de uma forma intimista e muito pessoal; os espaços: a sala das crianças, o bonito salão, no 1º andar, onde as vozes melodiosas, cheias de carisma e alma, ditaram os passos que ecoaram e contaram lindas histórias (um outro tipo de valsa, portanto); ao bonito “jardim das estátuas”, cheio de puffs coloridos, que num dia quente, convidavam a desfrutar da sombra, do ambiente descontraído, de convívio e brincadeira, onde há sempre tempo e entusiasmo para escutar mais uma bela história, meio sentado meio deitado na relva, aproveitando a brisa fresca que vai passando.
Simplesmente fantástico! Adorámos e a pequenada perguntava “Podemos ficar para os próximos contos?” e assim, chegados de manhã, fomos ficando, ficando e só abandonámos já a noite se tinha instalado!
Engraçado constatar, como há tantas e boas formas de contar uma história. Narradores e contos: todos eles diferentes mas repletos de entusiasmo, talento, alma, resumindo: Fantabulásticos!!!
Queremos mais para o ano!
Com contos, é espetacular mas sem contos o Palácio das Galveias e o seu jardim são locais que vale a pena visitar e apreciar.

Nos intervalos entre contos, desfrutámos do jardim, dos puffs e da sombra mas também aproveitámos para passear na zona, que se, durante a semana, o trânsito e o estacionamento são caóticos, ao fim de semana é completamente pacífico.
Fomos dar a conhecer, à pequenada, o mítico 1º McDonald´s de Portugal para seu grande contento, 3 happy meal: 3 minions ganhos, a parte da comida é o menos importante, neste caso, ainda bem! Constatámos, nós pais, que onde antes era um balcão repleto de caixas agora existem apenas duas caixas e um enorme balcão de entregas, onde se juntavam as enormes filas de pessoas agora estão 6, ou mais, touchpads gigantes onde cada um encomenda o que quer. Sabores e disposição da sala muito semelhante ao que me recordo dos tempos de faculdade mas, ao contrário de outros McDonald´s, ainda não tem os tablets disponíveis nas mesas para entreter miúdos e graúdos superligados… resumindo: sinais dos tempos!
Fomos desgraçar-nos ao Choupana Caffe, onde grande parte da malta estava numa de brunch (sábados e domingos das 10h00 às 16h00) que tinha muito bom aspeto, sim senhor, mas cujo o preço não justifica… just saying mas isto é só porque provavelmente não domino o conceito nem sou nada in! Um ambiente bem catita com pãozinho variado e do bom, panquecas deliciosas, segundo a pequenada, e tantas outras coisas que só pecam por serem tão boas e um regalo para a vista.

 

Clarice Lispector, mochilas e antiprincesas

Chamou-me a atenção esta pequena, mas pesada, passagem do livro dedicado a Clarice Lispector, na coleção Antiprincesas.
Seguindo o exemplo do pai de Clarice Lispector (1928/9), por cá, agora, corríamos o risco, nós pais, de reter as nossas crianças, no 4ºano, por não sei bem quantos anos.
A partir do 5º ano, dado o número de disciplinas, a organização dos horários, os lobies das editoras e afins, num dia mais “carregado”, as mochilas das crianças podem chegar a pesar cerca de 6 a 7 kg.
Segundo indicações da Organização Mundial de Saúde, o peso carregado não deve ser superior a 10% do peso da própria criança. O peso médio de um criança de 10 anos é cerca de 32 kg logo a sua mochila “carregada” nunca deverá exceder os  3,2 kg (ora se a criança for de “raça” pequena…a situação torna-se ainda mais “pesada”).
Uma ideia: comprar só os manuais digitais e repudiar os em papel (uma favor que faríamos à porto editora, lá que seria uma ótima retribuição, seria, ehehehe, e a nossa carteira, essa sim, agradeceria). Contra: estudar com o livro na mão é bem mais agradável e, dizem os estudos publicados, mais eficaz na “quantidade e qualidade” do que é apreendido e retido!
Em vez de petições, cenas e coisas virtuais, esta questão dos pesos das mochilas já merecia um protesto a sério, não? Meditemos-nos, pois então, na atitude do pai de Clarice Lispector.

“Que pena quando se pactua com a comodidade da alma”

Citação de Clarice Lispector, mãe de dois filhos, formada em Direito, escritora, jornalista, casado com um diplomata, teria tudo para ter a vida de princesas com que muitos sonhariam. Nunca abandonou a sua paixão pela escrita. Mas abandonou o marido, a quem tinha que acompanhar nas suas inúmeras viagens, e o que muitos denominavam de uma vida de sonho para voltar, ao país que sentia como seu – o Brasil, e dedicar-se, de alma e coração, à escrita e aos filhos.

Poltronas, livrarias e Gru´s

Nas livrarias que gostamos de frequentar não há pressas, nem temos pressa, há tempo para desfrutar do cheiro dos livros muitos vários, folhear, ler e escolher, muito bem escolhido, as próximas aquisições, as crianças são bem vindas e, por vezes, até têm um espaço dedicado a elas. Quais são as que reúnem todas as condições atrás mencionadas? As que têm sofás ou um espaço onde a malta se pode sentar e apreciar/ler uma resma de livros e onde ninguém nos aborrece ou se aborrece. É um ótimo programa em qualquer altura do ano e do dia, sozinho ou em família. Sozinha, já li belos livros pequenos nestas tais livrarias, em família já li muitos livros infantis para a pequenada. Observo que, como nós, muitos têm os mesmo prazer/hábito e, diversas vezes, encontrei marcadores nos livros!
Na nossa última, e recente, incursão, sorri, quando vi o livro que pequeno do meio trazia na mão – “Gru: o maldisposto” – anda desde a estreia do 3º filme a pedir para ir ver ao cinema. Enquanto escolhia a sua poltrona, e antes de se embrenhar na leitura, observei “Muito apropriado! Lembras-te quem te chamava carinhosamente de “meu Gru: o maldisposto”?” Ele riu-se e disse “Claro que me lembro! Era a minha educadora. Quando me cruzo com ela na escola, às vezes ainda me chama assim!”. Laços e memórias que perduram!
À saída, o nosso Gru: o maldisposto observa “Eh pá, estivemos lá mais de uma hora!”, enquanto, entrando em modo de update, acaricia o livro que trazia na mão – “Gru: o maldisposto 3”. Na outra mão, segura orgulhoso a sua outra aquisição “Diário de um ninja na escola 1″… MEDO!!!!

Nós, Van Gogh, Alive

Antes de entrarmos na sala, há um painel sobre a vida do pintor, os vários períodos que atravessou e uma explicação do que esperar e de como são retratadas as várias fases da vida de Van Gogh.
Na sala, paredes, teto e parte do chão repletas de imagens projetadas das obras, citações e cartas de Van Gogh, regadas com música da época e adequada aos vários períodos emocionais e de produção do pintor. Em vez de circular pela sala, o ideal é, sem medos nem vergonhas, agarrar um dos vários puffs disponíveis e/ou sentar/deitar no chão, e vivenciar, efetivamente, uma experiência sublime, um assalto aos sentidos, um verdadeiro mergulho na obra, no espírito, na mente e o seu efeito nos quadros, de Van Gogh, acompanhados e embalados pela música e, no nosso caso, por duas bailarinas. A apresentação demora cerca de 30 minutos, talvez um pouco mais, e não tem interrupções (é cíclica) mas o espaço é agradável e apetece ir ficando, observar pormenores que não vimos bem na 1ª visualização e como podemos permanecer na sala o tempo que quisermos é desfrutar, foi o que fizemos!
É sem dúvida uma forma diferente, gira e atrativa, de “conhecer” Van Gogh, só peca por ser tão cara mas vale a pena!!!!
Apesar da pequenada já ter visto alguns dos quadros de Van Gogh ao vivo e a cores e saberem que ele tinha cortado parte de uma orelha, que, em vida, só tinha vendido um quadro – “A Vinha Encarnada” – e que, ironia das ironias, agora os seus quadros são admirados em todos o mundo e valem milhões (uma das suas citações não diz bem isto mas fica implícito), esta foi a forma de o “conhecer” que mais lhes agradou. Pequenada no final comenta “Podemos ir a mais museus como este? Bem louco e deitados no chão!”. Ora “Bem louco” é uma expressão que, neste caso, assenta que nem uma luva ;).

Mais informações aqui e aqui

Nota: a sala é mais pequena, sem colunas e arcos com projeções, ao contrários das constantes no site e no facebook oficial do evento, o que faz com que o efeito não seja tão grandioso como o publicitado.

Observação ou discriminação?!

“Olha, desculpa lá mas ela tem prioridade!” diz, com um ar agressivo, a rapariga de 12/13 anos apontando para uma senhora grávida que a acompanhava enquanto esta depositava as suas compras no tapete. O funcionário da caixa diz-lhe com muita calma “Sim mas tenho que acabar a conta desta família!”, dando de ombros para nós enquanto a rapariga encolhe os ombros para a grávida. Com elas, encontram-se duas crianças: um menino de 4/5 anos e uma menina de 6/7 anos.
Bip, bip, bip… e os nossos artigo continuam a passar.
O menino, abre um pacote Mentos, coloca um na boca, e aproxima o pacote do leitor de código de barras, insistentemente.
Entretida, e distraída, a arrumar as compras não me apercebo de nada mas excelentíssimo esposo e os pequenos não perdem pitada.
Vejo o funcionário, muito atrapalhado, a interromper a sequência de bip e a extrair a conta e dizendo-me “Era só para confirmar e está tudo bem!”, olhei para ele, dizendo que “Sim” e pensando “Porque razão não haveria de estar?”.
Desperta-me a atenção o olhar de excelentíssimo esposo e a observação do funcionário para a rapariga “Ele vai ter que pagar esse pacote que abriu!” e a rapariga, de mão na cintura, diz de imediato “Isso já passou. Está pago!”, ele diz-lhe “Não, não, eu aqui não passei nada!” ao que ela remata com um ar seguro e um sorriso aberto “Pois mas ele comprou aquilo noutra loja”.
O funcionário não faz mais observações, na fila de supermercado trocam-se olhares, todos viram o menino abrir o pacote. Entretanto, a rapariga passa uma lancheira ao menino e diz-lhe “Toma, leva isto e espera lá fora”. O menino não obedece e fica junto às caixas: lancheira e pacote de mentos na mão.
Com menos uns euros na conta, mas um carro cheio de compras, dirigimos à saída. À nossa frente segue a rapariga, a menina e o menino, deixando a grávida para trás com as compras e a conta.
A menina e a rapariga riem-se, seguem de lancheira na mão, contentes e felizes da vida, o seu olhar transparece plenamente o que estavam a sentir “Já os enganámos mais um vez!”, o menino masca indiferente o seu, talvez segundo Mento, de pacote na mão. Sol de pouca dura, o segurança interseta-os e diz com ar de poucos amigos “Mostrem-me as vossas malas!”, os meninos colocam-se atrás da rapariga que de imediato “Não, não mostro nada!” e mais qualquer coisa que não ouvimos mas que lhe mereceu apenas a seguinte observação do segurança “Mantém-te na tua e sossegada!” e ela que já deve conhecer o jogo, assim se manteve, enquanto ele pegava no telefone! Ambos conheciam a dança, nós é que aparentemente, não!
Seguimos o nosso caminho e não sabemos o desfecho da situação mas a pequenada ficou impressionada com toda a cena, fez várias observações e foi o assunto que dominou as horas seguinte: “Mas quem era aquela gente? Grande lata! Tu viste bem o miúdo e a rapariga? Nunca tinha visto nenhuma cena daquelas” entre muitas outras.

Facto 1: As personagens eram ciganos
Facto 2: Como a pequenada, também nunca tínhamos presenciado nenhuma cena tão sui generis!
Facto 3: Pequenada não os identificou como ciganos mas observou e constatou a sua forma de vestir e perguntou se era assim que sabíamos que eram ciganos, respondemos que sim.
Facto 4: No mesmo supermercado, já presenciei diversas vezes a relação demasiado amistosa que mantém com os funcionários. Inclusivamente, quando reclamam que está muita gente na caixa, vem logo alguém a correr abrir uma nova caixa enquanto em amena cavaqueira relatam as novidade que receberam e andam a vender.
Facto 5: Pequeno do meio observa “São ciganos e roubam!”, blábláblá, nem todos são assim, blábláblá, e diz ele “Mas eles forma os únicos que eu já vi a roubar!”

Pergunta 1: Se não fossem ciganos, será que a questão na caixa e do pacote de Mentos teria sido tratada da mesma forma pelo funcionário, em que aparentemente se finge acreditar que vinham de outra loja?

Pergunta 2: O que pensará a pequenada da próxima vez que se cruzar com um cigano?

Pergunta 3: Em muitas situações, quem são os discrimados, nós ou eles?

Pequeno do meio e a sua veia narcisista!

“Porque é que eu nasci tão bom?” pergunta retórica de pequeno do meio no decorrer de um jogo.
Perante o olhar complacente dos restantes membros da família e uma tirada irónica da sua mana mais velha do género “Sim, sim! Já todos sabemos que tu és o maior!”, deu de ombros assim como quem diz “Ninguém percebe o meu verdadeiro valor!”. Um incompreendido este moço!!!

Passeio na zona da Lourinhã

Primeira paragem, no Vimeiro, uma pequena aldeia onde se encontra o bem cuidado, informativo, bonito e gratuito – Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, onde salta à vista, de imediato, o enorme vidro que permite observar o campo da batalha que decretou o fim da 1ª invasão francesa. Um belo enquadramento dos factos e cheio de história(s) e do papel de Junot e do comandante de Wellesley na Guerra Penisular. Foi aqui que aprendemos a origem de várias expressões, provérbios que utilizamos e que tiveram origam na 1ª invasão francesas, cá ficam elas, retiradas da brochura do Centro:

“Ficar a ver navios!”
Aquando da 1ª invasão francesa, o comandante Junot trazia ordens de Napoleão para capturar a família real portuguesa que partiu na época para o Brasil. Reza a lenda que quando Junot chegou a Lisboa ainda viu os navios da armada real na linha do horizonte, pelo que se diz que ficou a ver navios.

“Ir para o Maneta”
Os franceses invadiram Portugal em novembro de 1807 e permaneceram em Portugal durante longos meses. Quando os portugueses começam a revoltar-se, Junot mandou dispersar pelo país os seus generais. Um desses generais chamava-se Henri Loisson e era particularmente cruel, massacrando os revoltosos. Este general não tinha um braço pelo que todos lhe chamavam Maneta. Assim, quando alguém ia com ele dizia-se, aquele foi para o maneta!!

“Viver à grande e à francesa!”
Quando Junot chegou a Lisboa, instalou-se no Palácio do Barão da Quintela onde vivia faustosamente a expensas do proprietário. Entre festas e banquetes, Junot vivia à grande e à francesa!

“Ir embora de armas e bagagens”
Após a Batalha do Vimeiro, os ingleses assinaram um acordo com os franceses, segundo o qual estes poderiam voltar para casa com tudo aquilo que tinham roubado em Portugal, pelo que se diz que os franceses foram embora de armas e bagagens.

Uma Recriação histórica da batalha do Vimeiro tem lugar todos os anos no 2º fim de semana de julho, portanto começa hoje mesmo, fica a sugestão!!

Segunda paragem, para retemperar energias, depois da expedição histórica e cultura – Parque da Fonte Lima, situada numa pequena aldeia perto do Vimeiro para quem segue em direção à Lourinhã. Um espaço verde muito agradável onde fizemos o piquenique da praxe.

Terceira paragem – uma interessante visita guiada ao Museu da Lourinhã. Primeira parte da visita, explorou os achados pré-históricos encontrados na região e as antigas profissões e a visita a uma casa saloia (onde há um osso de baleia que era usado como superfície para cortar carne, surpresa: na zona “pescou-se” durante muitos anos baleias daí o nome da terra Atouguia da Baleia). A segunda parte da visita é então dedicada aos famosos dinossauros, um espólio que contém exemplares únicos de várias espécies, ninhos de ovos, contendo embriões de dinossauro. As espécies encontrados, unicamente nesta zona, devem-se ao facto de a Iberia se ter afastado e separado da América do Norte durante o Jurássico, formando um arquipélago, no Cretácico, os dinossauros evoluíram e adaptaram-se as condições do seu novo habitat e por isso apresentam características únicas, não presentes nos seus “familiares” não insulares. Têm nomes característicos da zona dados pelos investigadores que apresentaram a sua descoberta à Academia das Ciências: Lourinhanisaurus antunesi e Dinheirosaurus Lourinhanensis. Outra informação interessante: os dinossauros à semelhante das suas “primas” galinhas, comiam pedras, os gastrólitos, pedras encontradas juntos aos fósseis e nada enquadradas no meio envolvendo, permitiram aos cientista tirar esta conclusão, era cá com cada calhau! Uma cabeça de T-Rex atrai a atenção da pequenada mas afinal mais uma surpresa nos aguarda quando o guia nos informa que não era um T-Rex pois destes nunca foram encontrados vestígios na Europa, apenas na América mas era sim um seu familiar distante, descoberto na Lourinhã, e que foi apelidado de Torvosaurus gurneyi. Curiosamente, quando esta nova espécie do Torvosaurus pisou terras da Lourinhã, o seu primo distante T-Rex já era um fóssil há 80 milhões de anos. Com o estudo dos dinossauros, o tempo e a sua passagem ganha toda uma outra dimensão, dos milhares aos milhões é um saltinho!

E a Lourinhã é efetivamente a capital dos dinossauros, estamos sempre a encontrá-los!

Quarta paragem – Forte do Paimogo – numa bela estrada que, parte da Praia da Areia Branca, segue sempre junto ao mar, e de onde se avista Peniche, o Cabo Carvoeiro, as Berlengas e as arribas onde forma encontrados muitos dos fósseis que vimos no Museu da Lourinhã.

 

Mais um rico e colorido dia ;)!